CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Cães tresloucados

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Parecia uma cena de noticiários televisivos abordando arrastões nas grandes metrópoles, mas, o pior que tudo o que se passou foi real e assustador.
Estávamos num camarote do Terreiro do Forró em Patos. Lá de cima tínhamos uma visão ampla do evento. As atrações se apresentavam e o povo circulava, dançava e bebia. A polícia se fazia presente, como também bombeiros e equipes do SAMU. Naquela noite tudo caminhava bem, quando de repente brigas começaram a surgir no meio da multidão. Foram três movidas por grupos de jovens que não tinham mais de vinte anos de idade. Agiram como se fosse gangues. A polícia logo chegou e
conseguiu controlar a situação, retirando do ambiente alguns desses elementos.
Preocupados, aguardamos o encerramento das apresentações artísticas. Esperamos a saída de uma grande parte do público, para sairmos da área dos camarotes e irmos para a via pública para onde estavam os táxis. Saímos tranquilos. Mas, quando chegamos duas esquinas depois, dois bandos apareceram. Refugiamos-nos numa calçada e ficamos por trás de um veículo assistindo a barbárie. Como cães tresloucados, eles se enfrentavam com socos, pontapés e garrafadas, até que um jovem desfaleceu ao chão. Motos da polícia (ROTAM) apareceram e os jovens alucinados correram para todos os lados, restando o desfalecido que fora socorrido.
Pensávamos que tinha acalmado. Engano. Mais adiante, dez jovens de uma das gangues ressurgiram. Alguns seguravam garrafas quebradas nas mãos e gritavam: Vamos matar, vamos matar. Corriam de uma esquina para a outra, doidos varridos. Tivemos que novamente parar e aguardar as coisas se acalmarem. Sossegada situação, fomos para casa. Inadmissível essa violência. Em vez de se divertirem, eles se comportam como bandidos. É a famigerada droga acabando com a família e a sociedade. O cidadão de bem não pode ficar refém dessa situação. É preciso mudar.
*Escritor pombalense e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

Um comentário:

perdidos no tempo disse...

ONALDO QUEiROGA, nobre e querido amigo,escritor que admito, respeito e quero bem, infelizmente, o seu talento de paraibano, hoje, registra os tristes fatos ocorridos na cidade de Patos, mas, lhe parabenizo, pelo registro e o parabenizo por nos transmitir a todos os tristes e preocupantes fatos, que soa, a todos nós, como um "grito de alerta". Obrigada, pelo alerta de quem tem e chama, com responsabilidade e, a atenção das nossas outras autoridades, para o que de grave ocorre pelas nossas cidades. E, este alerta, partindo de quem parte, deve, sim, dizer a todos nós, que, precisamos, por um freio e procurar as fontes, as origens desta violencia e descompasso da nossa juventude, é preocupante, sim, e muito obrigada pelo ALERTA, e as consequencias de tanta violencia em nossa então, pacata Paraiba!!! Com meu carinho, admiração e amizade, e meus agradecimentos pelo rasgar da cortina de vilencia em nossa amada Paraiba!!!