CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Prisão que anima a turba; a Casa Grande estremece!

João Costa
João Costa*

O pedido de prisão do ex-deputado Eduardo Cunha dormiu por quatro meses no Supremo Tribunal Federal. Só agora, depois que até uma velhinha aplicou chineladas no ex-herói da Pátria, é encarcerado. Mérito de quem? Da polícia suíça que investigou, levantou provas – não convicções – e as enviou ao Brasil. Ele, o homem que teve o poder de destituir um(a) presidente e
nomear outro. A turba festeja, mas a casa grande põe-se em guarda.
Desnecessário foi à exibição de powerpoints, coletivas. Segundo o Ministério Público Federal, Cunha, aquele em que os representantes mais impolutos da Nação beijaram-lhe a mão, “representaria risco à instrução do processo e à ordem pública se fosse mantido em liberdade”. Como assim? Talvez, a quarta-feira, 19, tenha sido o início do fim do governo Temer.
Aceitará Cunha manter-se na prisão resignadamente enquanto ex-companheiros armam a rede na varanda? Ele, que sempre foi enaltecido pela mídia nativa por sua sagacidade, sangue frio, QI elevado, dono de um patrimônio de R$ 220 milhões (agora bloqueados) e chefe de uma bancada com mais de 200 deputados federais, vai esperar narrar tudo num livro tipo “memórias do cárcere”, ou anexará à sua folha-corrida a faceta de delator? Caso aconteça, quem sobrará no PMDB, inclusive aqui em terras tabajaras?
A turba que assiste ao Jornal Nacional pode até comemorar a prisão do Cunha, uma vez que acredita na imparcialidade do Jerônimo Savonarola, segundo alcunha empregada pelo físico Rogério Sequeira Leite para o juiz de Curitiba. A prisão do Imaculado que presidiu o Golpe reforçaria aquela bela ilusão de “justiça é igual pra todos”, o que credencia a prender o Lula. Se a turba timidamente festeja, a Casa Grande põe-se em guarda. 
E, meu caro amigo Omar Brito, a frase do Marx também se encaixa no recado da casa Grande para o resto da Nação, e é mais ou menos assim: "É como D. Quixote consola Sancho Pança, [com a ideia] de que, embora, sim, lhe venham todas as surras, ao menos não precisa ser valente".

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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