CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Colonos também choram deblaque e festejam triunfo do Império

João Costa
João Costa*

O deputado Frei Anastácio, veterano nos embates na luta pela terra, numa conversa informal, disse que se surpreendeu, num começo de manhã na feira de Jaguaribe, ao ouvir donas-de-casa e feirantes comentando o resultado das eleições nos EUA. Ele, que a exemplo do resto do Ocidente havia dormido certo da vitória de senhora Clinton, e acordado com Trump como futuro imperador. Momentos assim mostram que colonos também choram e festejam triunfos e
deblaque dos dominadores.
Na web uma piada até desatualizada. “Brasileiro não sabe votar para escolha de vereador, mas quer entender de eleições na América”. Pode até ser, mas o mundo por ser uma aldeia – e todos são atingidos quando o incêndio irrompe, pouco importando a histeria daqueles que na base da pirâmide festejam o triunfo da classe que está no topo; a falta de água, orações e providência divina.
Na assepsia humana que uma guerra promove ninguém quer ser o lado da enfermidade ou da sujeira. E esse bilionário vencedor das eleições nos EUA é este marco divisor. O Ocidente como o conhecemos, produto da 2ª Guerra Mundial será refeito, o império norte-americano dá os primeiros passos para o fim de sua hegemonia, como também Trump assume que não interessa mais aos EUA o papel gendarmaria do mundo.
Enfim, o mundo para de girar em torno da segurança, felicidade e conforto da Europa; melhor dizendo, da Grã-Bretanha, França, Itália e Alemanha. A détente se dá agora com Rússia, China e Índia. Os Brics sem o Brasil, pois com o golpe de 2016, o Brasil volta à condição de republica de bananas ou tabajara, para sermos mais exatos – perdeu protagonismo conquistado pelo ex-presidente Lula.
A mídia nativa tenta refazer o caráter da cobertura da disputa no Império, mas analistas com maior credibilidade internacional sinalizam que com Donald Trump ficou mais difícil aos EUA arrastar o mundo para uma eventual 3ª Guerra Mundial. Leio que a senhora Clinton, após a derrota, chorou copiosamente. Em qual momento tivemos notícias das lágrimas dessa senhora pelos milhares de mortos na Líbia, no Iêmen e agora na Síria? Ela a promotora e financiadora da destruição desses países.
Para melhor compreensão recomendo, leituras de artigos de Pepe Escobar e outros no site http://blogdoalok.blogspot.com.br/ que também traduz análises do Coletivo Vila Vudu. São fontes sem o selo “caráter vira-lata” dos jornais e TVs nativos. Impressiona como o canal Globonews neste momento mais desinforma que informa. Definitivamente assume o papel de um canal de propaganda – não de notícias.
Por outro lado, a direita brasileira busca faturar a vitória do bilionário Trump, comparando-o a esse Bolsonaro. A estupidez não faz ver que a direita brasileira está abaixo da linha do Equador. No máximo germina vivandeiras de quartel, golpistas e bajuladores encantados como FHC e o atual chanceler, além das famíglias que controlam a mídia nativa.
No Caso da América, por lá, resultados eleitorais são respeitados – não é o caso do Brasil. Lá a direita ganhou no voto, sem ajuda dos organismos do Judiciário, da mídia como braço de propaganda. Traump é bilionário, corrupto, racista, xenófobo, ultranacionalista. É a face da América, sem o botox da Hillary Clinton.
Assim caminha a humanidade!

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

Nenhum comentário: