CLEMILDO BRUNET DE SÁ

DITADURAS COMPARADAS

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Em primeiro lugar é preciso dizer que a ditadura militar no Brasil teve uma duração de 21 anos. A de Cuba dura até hoje... Vale salientar ainda que por aqui, nesse período de pouco mais de duas décadas, o Brasil teve cinco presidentes. Em Cuba, apenas dois: os irmãos Fidel e Raúl Castro. Continuando... Na nossa republiqueta lusófona funcionaram, no período em que os militares estiveram no poder, uma significativa variedade de jornais, revistas, televisões, rádios etc. Até um jornal chamado “Pasquim” costumava tirar “sarro” da cara dos próprios militares... Na “democrática” Cuba dos Castros existia (e
existe...) apenas um jornal: o Granma. Ah, e televisão também só existe uma: a estatal, a mesma que transmitiu a execução de Cornélio Rojas, então coronel da polícia de Santa Clara, assassinado por determinação de Ernesto Che Guevara. Emissoras de rádio: a mesma coisa...
E tem mais... Por aqui havia eleições diretas para governador, deputados estaduais e federais. Lembro-me de que o meu primeiro voto foi em 1982, aos dezenove anos. E sacramentei o nome do então emedebista Antônio Mariz. O eleito, porém, foi Wilson Leite Braga. Nada contra... 
Em Cuba... Bem, nem precisa dizer que ali imperava (e impera) a vontade e os desejos dos dois irmãos. Sinceramente, não dá pra saber se o cubano vive num país ou num engenho de cana-de-açúcar... Em 1985, o Brasil completa a sua abertura com a eleição de um civil – via Colégio Eleitoral – para ocupar a presidência da República. Quatro anos depois, eleições diretas, com o eleitor indo às ruas e elegendo Fernando Collor de Mello. E em Cuba... Em Cuba..., nada de novo front. Por 49 anos o povo cubano se viu forçado a suportar a cantilena daquele sujeito barbudo envergando, sempre, aquele ridículo e intimidador uniforme verde-oliva, o que não o diferenciava muito de outros patéticos ditadores, como Stroessner (Paraguai), Anastácio Somoza (Nicarágua) e mesmo Fulgêncio Batista (foto abaixo), deposto pelos “libertadores” que desceram de Sierra Maestra.
Mas tem a parte mais forte de todas: a dos assassinatos. Estudiosos do processo revolucionário cubano calculam que, entre 1959 e 1969, Castro e sua turma mataram nada menos de dez (10 mil) cubanos. O local preferido para as matanças era a fortaleza de La Cabaña. Já a ditadura militar brasileira, em 21 anos, teria matado 339 pessoas, a maioria em confronto armado contra guerrilheiros. Conforme os registros policiais da época, os guerrilheiros mataram 120 pessoas, muitos deles no conhecido processo de “justiçamento”. Vale salientar que parte dos assassinatos cometidos pela Esquerda armada era de cidadãos que nada tinham a ver com a luta ideológica que era travada no Brasil entre os anos 60 e 70.
Portanto, senhoras e senhores, vale a pena comparar.
Um abraço e até a próxima.

*Nonato Nunes - Jornalista, radialista, documentarista, escritor e blogueiro

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