CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Delenda est Cartago, conclama Zé Dirceu!

João Costa
João Costa*

 Da prisão, Zé Dirceu, em carta ao jornalista e escritor Fernando Morais, recorre a Catão e conclama por uma reação política, agora sob uma nova bandeira: “Delenda Globo”. Escreve da prisão, pois quando teve a oportunidade, cometeu o erro da coexistência. Dilma, em entrevista a Al Jazeera , foi confrontada pelo repórter sobre a “frouxidão”  dela e da Nação diante do golpe, se quedou em apupos.
A Globo é Cartago. No Rio de Janeiro o pastor Marcelo Crivela descobriu e seus marqueteiros descobriram que as Organizações da famíglia Marinho, se confrontadas, em “determinadas circunstâncias de pressão e
temperatura”, como diria o oráculo dos anos 70, são como um tigre banguela. Mas ocorre que todos padecem do desejo irrefreável de dividir a alcova com a “Vênus Platinada”.
Zé Dirceu durante duas décadas, ao lado de Lula, exerceu a incrível missão de governar sem ter poder (militar ou civil), recorreu à corrupção e concessões como instrumentos para manter aliados como o PMDB e demais partidos, latifundiários, barões da mídia e da indústria, além dos sindicatos.
 Dirceu e Lula acreditaram na ilusão de que nomeando juízes pra a Suprema Corte pelo critério da meritocracia, reconhecido saber jurídico, estariam no caminho certo da legitimidade e da legalidade do chamado estado de direito. Agora constata-se que a matriz ideológica e fidelidade da Corte tinha outra matriz. Distribuição de cargos e favorecimento para geração de fortunas, nada disse gera fidelidade. É fato.
“É hora de ação, de pressão, de ir às ruas, de exigir, liderar e apontar rumos. É agora ou nunca. Sem conciliações e acordos, é hora de um programa de mudanças radicais, na política e na economia”, escreve Dirceu a Fernando Morais. Como isto é possível quando se contempla milhões de trabalhadores e jovens que são a imagem de um exército gigantesco de néscios?
O jornalista Mehdi Hasan, do programa "UpFront", da rede de televisão Al Jazeera, do Catar, é considerado um entrevistador ácido, acostumado à confrontação com líderes mundiais em suas reportagens, ao contrário dos escribas da Globo e da TV Cultura, muito bons em outros aspectos.
Ao confrontar Dilma sobre “frouxidão” das manifestações populares contra o golpe e, agora, na reação ao Usurpador e às medidas impostas à Nação, e sobre a “incompetência” dela em lidar com a quadrilha de salteadores do PP, PMDB e PSDB, além dos cruzados do Judiciário, apenas deu uma lição de bom jornalismo – própria a Al Jazeera, que significa A Península. E “A Ilha” é um livro porreta do Fernando Morais.
Morais, foi apenas o destinatário da carta de Dirceu. Talvez, ou muito pouco provável, a carta tenha eco na pátria da Servidão Voluntária. No mais, se não temos cem mil nas manifestações, certamente outros cem mil entrarão na conta bancária do pastor, que lidera outros milhares de arrebatados para as sendas do Senhor. E as festas de Fim de Ano, servem como refresco ao usurpador e malta de salteadores.
E o senador romano segue atual, pois encerrava seus discursos com este mantra: “Além do mais Cartago deve ser destruída!”
*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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