CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O lado místico do Rei

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Era madrugada, Januário sentado num tamborete, do terreiro de sua casa contemplava o estrelado céu do Araripe. Lá no alto uma enorme bela lua clareava o Sítio Caiçara. Era 13 dezembro de 1912. De repente Januário observa uma zelação, sim uma iluminada estrela candente cruza todo o céu Araripe, Pernambuco, como indicasse uma boa notícia ao velho sanfoneiro.
Januário se assusta, mas escuta a notícia vindo lá de dentro de sua casa: “Santana entrou em trabalho de parto”. Ele tratou de buscar a parteira, que ao chegar na Caiçara, cumpriu a missão e
ajudou na chegada do mais novo filho do sanfoneiro de oito baixos. 
Era Luiz Gonzaga do Nascimento. Recebera o nome de Luiz, pois nascera no dia 13 de dezembro, dia de Santa Luzia. Gonzaga, por sugestão do vigário da cidade, que era devoto de São Luiz Gonzaga e, Nascimento, porque nascera no mês do nascimento de Jesus Cristo (dezembro).
Conta a história, que Priscila de Souza Santos, que residia com os pais de Gonzagão, costumava afirmar: “Luiz já nasceu sábio, predestinado ao sucesso”. Já Socorro Gonzaga, irmã do Rei, já falecida, registrava que Luiz, ainda pequenino recebera o vaticínio de uma velha cigana que ao passar pela casa de Januário, logo que botou os olhos em Luiz, pediu para segurá-lo e comentou: “que menino forte e bonito! Ele será do mundo, vai andar tanto, por cima e por baixo, que criará ferida nos pés”.
Gonzagão percorreu léguas que transcenderam o pernambuco, o Nordeste e o Brasil. Seu Baião rompeu fronteiras, sua música chegou a Europa, EUA e ao Japão. Há quem diga que desde seu nascimento há um lado místico que o guiou por toda sua trajetória, perpetuando seu nome até hoje. Viva os 104 anos do Gonzagão!
*Escritor e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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