CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Show de cinismo no fim do mundo

Almiro de Sá Ferreira
Por Almiro de Sá Ferreira*

Assistindo as notícias sobre as últimas delações dos executivos da Odebrecht ficamos estarrecidos com as acusações e muito mais perplexos ainda ao emprestar a nossa sã audição para ouvir os “esclarecimentos” manjados que são prestados pelas partes envolvidas. Uma graça! Pelo menos não precisamos mais perder tempo e dinheiro pagando ingresso para assistir medíocres peças de humor.
Todos eles, sejam da esquerda, do centro ou da direita, recorrem as mesmas “pérolas” defensivas do tipo: “nada a declarar”; “só depois de tomar conhecimento oficial”; que “nunca tratei de pedidos ilícitos”; que “todas as doações foram legais”; que “só vou me pronunciar nos autos”; “que não sei de nada”.
Argumentos escolados que não são usados mais nem pelos narcotraficantes e
ladrões de galinha Brasil afora, porque já são chicanas verbais muito manjadas pelos delegados. Usando esses postulados infantis os policiais ficam muito gratos porque matam a charada de imediato, identificando de pronto que se trata de meliantes de quinta categoria querendo sair pela tangente. Acho até que em Brasília já existe uma escola secreta de pós-graduação em escapismo e protelação judicial, sacanagem política, escárnio e gozação.
Quem quiser que acredite em Papai Noel (já que estamos em clima natalino vamos nos valer do bom velhinho), achando que a culpa de tantas notícias “negativas” é da mídia (TV Globo, TV Record, TV Band, TV SBT, TV Fuleira, TV A Lua Anda, TV Samba do Nego Doido, TV TUPI da Ressurreição, Rádio Capoeira, Rádio VelhoPan, enfim, tudo quanto é rádio, tv e jornal do pais e do exterior).
Realmente, até parece que a culpa é da pequena, média e grande mídia, simplesmente porque os seus jornalistas e repórteres ousam pesquisar as fontes de conteúdos postados nos sites oficiais do MPF, da PF, COAF, Receita Federal, Justiça Federal, STJ, STF, etc., e depois reverberam as acusações feitas nos autos oficiais dos milhares de processos judiciais em andamento, não só da operação Lava Jato, mas, da tal Calicute, e muitas outras de nomes estranhos, a exemplo de: “Alicate”, “Delfos”, “Ingênuos”, “Sabidos”, “Serpentes Enroscadas”, “Raposa Burra”, “Tubarão Vermelho”, “Ratazanas Pálidas”, etc.
Claro que o bom senso e a prudência deve sempre nortear os nossos julgamentos, oferecendo a todos o beneplácito da inocência e o reconhecimento de que existem deslizes e exageros em algumas acusações precipitadas. Mas, quando vemos uma mesma pessoa sendo acusada em várias frentes, com sinais exteriores de riqueza bastante óbvios, não há como acreditar que exista um SANTO. É isso mesmo. Agora além de “catita”, “laranja”, “fantasma” também tem SAGRADO E SANTO. Dá prá você acreditar? Se sim, vá logo para o céu porque aqui você tá perdendo tempo.
Em suma, mostra-se bastante ululante que santos, demônios e querubins estão no mesmo saco de gato aqui no BRASIL e alhures, inclusive nos registros dos paraísos fiscais de Genebra e Havana. E o pior é que vamos continuar pagando a conta para alimentar essa secular farra de cinismo e sempre dando asas a nossa SANTA ingenuidade.

*Professor Instituto Federal da Paraíba (IFPB)

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