CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Funeral mais que siciliano com jato de cabeças cortadas

João Costa
João Costa*

“Às vezes, quase sempre, em política e judiciário, o criminoso está presente no velório”. Teori Albino Zavascki. A foto é emblemática, e o sorriso do Zé Serra em torno do caixão, revelador. Analistas abalizados asseguram que a Lava Jato de Teori Albino não é a mesma Lava Jato do juiz apontado como um novo Savonarola, segundo definição do físico Rogério Cerqueira Leite. Por outro lado, dentro dos muros das penitenciárias facções criminosas fazem acerto de contas – do lado de fora reina a mais espúria colaboração de classe. É o Brasil – e
seus criminosos.
             A presidenta do STF pediu para não ser fotografada e se recusou a cumprimentar eventuais réus que ela mesma irá julgar. Já Savonarola discursou, fez pronunciamento! Pronunciamento em velório é o cúmulo de um enredo do realismo fantástico.
Ao redor do defunto a bancada da Odebrecht, eventuais réus a serem julgados pelo falecido. Serra, citado por receber 23 milhões através de caixa no exterior; Temer – o  “MT”(que não vai a enterros, apareceu neste), surge com 43 citações; o “Índio”, que vai  presidir o Senado; Moreira Franco, o “gatinho Angorá”;  Eliseu Padilha, aquele que o ACM fazia trocadilho com o seu sobrenome, agora surge como “O Sincero”, por declarar que a morte (ou assassinato) do Teori Albino, “ganhou tempo”.
Em fevereiro, teremos apenas um Carnaval, ao invés de dois. A folia de momo do calendário e o Carnaval que a mídia nativa e Savonarola estavam preparando – ou não, em torno das prisões que eventualmente seriam feitas após a homologação das delações. Agora, a possibilidade de punição dos envolvidos na Lava Jato foi para as calendas gregas. Ou para um dia mais próximo – quando galinha criar dentes. 
Mas ainda resta a senhora Carmem Lucia. Os partidários do Savonarola o querem na vaga deixada pelo ministro morto – ou assassinado. Claro, a Lava Jato do Teori Albino não é a mesma do Savonarola. Outros argumentam que a escolha do novo relator aconteça por sorteio no STF, sorteios que o ministro do Mato Grosso sempre ganha. Ou simplesmente, que seja indicado pelo “MT” – para gargalhadas geral.
As redes sociais fazem o mundo paralelo à mídia nativa, agora em relativa de dificuldade para proteger os protegidos de sempre. Por elas é possível assistir churrasco humano em presídios, degoladores e degolados quase que em tempo real.
Se o Brasil é surreal, e eu estivesse escrevendo o roteiro de uma peça de teatro, abriria o espetáculo com a tragédia do Albino, e a cena seria uma bailarina da dança do ventre na sua performance num foco, no outro, Savonarola e “Mineirinho” numa bolinação. E uma coreografia com as hordas sanguinárias do Sul e do Norte-Nordeste numa guerra pelo controle do Brasil, retratado como uma imensa prisão. De ventre, talvez!

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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