CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Síndrome da certeza absoluta anima bloco dos mascarados

João Costa
João Costa*

A Cruzada estabelecida entre grupos de mídia, Judiciário, organismos de estado e setores da chamada sociedade civil para derrubar o governo Dilma, está se desfazendo aos poucos, devido aos conflitos internos do tipo: A quem blindar versus aqueles a serem entregues ao inferno. Aqueles eu patrocinaram o golpe não escondem a síndrome da certeza absoluta e com o fim do Carnaval, o bloco dos mascarados segue na avenida.
A Operação Lava jato, elo de união entre eles, agora é apontada abertamente por cometer arbitrariedades como obstruir o direito de defesa ou simplesmente prevaricação.
Por ver de perto a síndrome da certeza absoluta e
ao escrever sobre nosso cinismo e a canalhice Nelson Rodrigues deixou uma pista: “nós nos achamos sujeitos formidáveis, mas realmente o ser humano só se salva quando chega a conhecer a própria hediondez”. Os fatos atuais são hediondos porque hedionda se tornou a política, a vida e a alma da Nação. Réus puderam escolher seu julgador.
Algo mais ou menos assim: o Judiciário do país tem a Primeira Instância, a Segunda Instância, a Terceira Instância e a Instância Máxima, que tudo conduz, inclusive os holofotes, capas de revistas, enfim o esteio do jornalismo de esgoto que conhecemos. Além das ditas entidades civis.
O ex-deputado Eduardo Cunha, preso após cumprir sua missão com anuência do Supremo, pediu que o juiz fizesse perguntas àquele que responde pela alcunha de MT na lista da Odebrecht. O magistrado ignorou e, segundo juristas abalizados, agiu para proteger ou blindar o presidente.
 Agora se sabe que ele na verdade foi, continua sendo, o capo tutti capo do PMDB, numa espécie de triunvirato: Temer-Cunha-Padilha, que comandavam e comandam o partido em todas as patranhas. Agora se sabe que o tal impeachment, se concretizou via compra de votos de 140 deputados. Surpresa alguma.
Não há de se esperar anulação do golpe parlamentar, uma vez que ele se viabilizou por força e capacidade do ex-deputado encarcerado, sob a complacência e tolerância do próprio Judiciário, um dos pilares do golpe de estado.  
Os chefes de partido, a cúpula do Judiciário, as famíglias que controlam a mídia nativa e formam a Instância Máxima do golpe de estado, não escondem a síndrome da certeza absoluta, na incapacidade do povo em tomar as rédeas do seu futuro, simplesmente porque não há como esconder que o espírito da “Servidão Voluntária”.
O gripo “Fora Temer” é apenas apelo de blocos carnavalescos. Esperemos pelas “águas de março”. Talvez eu esteja enganado, mas Luiz Inácio Lula da Silva pode até ressuscitar o “sebastianismo” leve em muitos, mas não terá disposição suficiente para encarnar ou comandar aquele “sebastianismo da Pedra do Reino”.  
Li em algum lugar que “a continuidade de Temer na presidência da República foi, é e será uma afronta à dignidade nacional, à moralidade social, aos conceitos fundantes da Constituição Federal”. Como se tudo isso contasse ou ainda existisse – se já existiu algum dia na história política nativa.
Mas Temer tem o mérito dos traidores, custa a crer que será abandonado por aqueles que o colocaram no topo da República, No mais, seria pleitear por eleições gerais, na inocente presunção de que qualquer resultado eleitoral contrário às forças que perpetraram o golpe será respeitado.
O Carnaval chegou ao fim. O bloco dos mascarados segue e o “último baile da Ilha Fiscal” ainda não acabou.
Assim caminha a humanidade!

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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