CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Felicidade

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O homem conduzido pela insatisfação reclama de tudo e questiona o sucesso dos semelhantes. Cada vez mais se alimenta da ostentação, como se esta fosse residência da felicidade.
Nada que possui lhe satisfaz. Sempre está procurando algo a mais, como se esse mais fosse o pó mágico da felicidade. Culturalmente, o ser humano desde o nascimento recebe ensinamentos e orientações para viver em busca de sonhos voltados para o ter. É o viver em uma mansão, em um apartamento de cobertura, ter um supercarro, um grande barco e por aí vai. E quanto mais tem, mais consome e

De João Para João é mais que duelo de palavras

João Costa
João Costa*

“De João para João” sobe ao palco neste 1º de abril no seu templo merecido – o Teatro Santo Roza. De longe, o melhor texto e espetáculo sobre a Revolução de 30 na Paraíba. Se o teatro pode ser definido como um duelo de palavras, a peça protagonizada por Flávio Melo e pelo diretor Tarcísio Pereira,  é um duelo pela posse da narrativa dos fatos históricos entre João Dantas e João Pessoa sobre um piso maçônico. Pujante na interpretação, refinado na trilha sonora de Eli-Eri Moura. E Tarcísio, um romancista e dramaturgo, agora reescreve História exorcizando demônios paraibanos.
Sobre os fatos da História, a narrativa se sobrepõe aos acontecimentos. Sobre os fatos que abalaram a Paraíba nos anos 1930, o que certos historiadores fizeram foi disseminar fumaça, erguer e

FALÊNCIA DOS CORREIOS É UMA HISTÓRIA MAL CONTADA

Jerdivan Nóbrega de Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
A mira do governo nos Correios, com notas em jornais e matérias no “Bom dia Brasil” e noutras mídias, tem uma outra explicação, que não seja apenas a crise de gestão.
A história tá muito mal contada. 
O motivo do sucateamento não é esclarecido por que não é do interesse do governo que a população saiba as verdades. A população vai se alimentando apenas com as “meias verdade” que o governo aos poucos vai “expelindo pelas ventas. Infelizmente serão, no final, essas verdades incompletas que o povo vai assimilar e tirar as suas conclusões.
Existe sim uma orquestração para desacreditar a ECT e seus empregados. Não vamos negar que os Correios passam por dificuldades, assim como passa o BB e a CEF. Mas, nos três casos o sucateamento das estatais tem outra origem e outro propósito, senão apenas a má gestão. Nos caso dos correios, por exemplo, em 2016, o Governo Federal "sacou" dos cofres da empresa 6 bilhões de reais para ajudar no seu "superávit primário”, deixando a ECT completamente descapitaliza e

Terceiro Tempo

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Já não estamos no tempo normal de um jogo de futebol, foi decorrido mais de 90% do terceiro tempo, sem nada de definições, muitas lamúrias e reclamações de perdedores que investiram tanto tempo numa possibilidade de benefício futuro e hoje ver com muita sofreguidão a distancia que toma a realidade das normas preconizadas pelos idealizadores do projeto de reconstrução e formação dos destinos da sociedade de beneficência do Poder Público, tão garfada e menoscabada pelos políticos de tantos tempos até então.
Assim se formou o novo conceito de assistencialismo para acomodar tantas desventuras administrativas dessa área social, foi, sem dúvidas, uma atitude de quem pensava o Brasil no futuro, e com o verdadeiro valor que se dava ao trabalhador e seus dependentes, além, evidentemente, de tornar seguro o futuro dos trabalhadores do Brasil. Se todos pensassem da mesma forma que os pensadores honestos e tomassem atitudes sérias e

CARIDADE

Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana*

Nós pensamos que coisas do nosso mundo são tão simples como um rápido olhar em direção a uma estrela e perceber o seu cintilar. Não! Não é assim. Quando paramos para pensar em profundidade, sentimos quantas possibilidades diferenciadas existem na cercania de nossa natureza humana.
Por exemplo, você já parou para pensar na caridade? Imediatamente vem à nossa mente a figura de um mendigo perambulando nas ruas, carregando um saco vazio ou cheio de molambo nas costas. Há muito tempo vemos esta cena de pobreza nos grandes centros urbanos e nas cidades de porte médio. Deu-lhe uma esmola está resolvido o problema.
Se der uma esmola a um trombadinha está aumentando o problema.
Mas, voltemos ao nosso tema sobre a caridade.
Não é o esbanjamento de esmolas nem tampouco a divulgação de doações destinadas às pessoas carentes que lhe dão manchete e o recebimento de elogios de homem/mulher caridoso. A generosidade individual é coisa nascida nas linhas do coração humano, podendo ser material (de bom coração) ou espiritualizada (trazida pelo toque da alma). Uma palavra de conforto vale muito mais do que mil patacas. A caridade consiste na divisão do pouco que se tem e

Como atravessar a carvoaria e o terno branco ficar intacto

João Costa
João Costa*
 A Nação foi induzida pela mídia nativa a dar crédito à polícia, ao Ministério Público e aos juízes. Estabeleceram a noção de que é possível atravessar o rio sem se molhar, ou entrar e sair da carvoaria e o terno branco ficar intacto como a alma dos imaculados instalados no Poder da República – ou o que resta dela.
Eis que, surge o juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela operação Carne Fraca, dizendo que as “investigações não tiveram como foco a qualidade dos produtos vendidos no Brasil, e sim a apuração de crimes como corrupção”. O magistrado jurou que, “até este momento, não há nenhum indício de que produtos comercializados pelas empresas investigadas possam fazer mal à saúde”. Assim, eles atravessam a carvoaria todos os dias e

TEMPO: A DISCIPLINA DA PRESSA!

Por Gonçalo Pontes Júnior*

Com a virada de século, vive-se uma época onde alguns jargões passaram a ser cada vez mais utilizados e utilizáveis, ou seja, ora estes são utilizados por necessidades e acontecimentos reais, ora por força de tê-los como importante ferramenta de desculpa pelo “não feito” ou pelo “mal feito”.
De todos, em minha opinião, o mais comum é: “não tenho tempo” ou “não dá tempo”.
Veja se isto não ocorre com você, meu caro a leitor (a), ou com as pessoas ao seu redor que, em situações reais passam: não vou conseguir chegar a tempo porque o trânsito do horário não vai permitir, ou mesmo, atrasei na reunião porque o tempo do trânsito me impediu por força de um acidente, ou ainda, não tenho condições de assumir mais este compromisso porque não tenho tempo e

Sedith: Feita de amor e de bons sentimentos...

Teresinha de Jesus Ugulino
Por Teresinha de Jesus Ugulino*

Seu nome é Sedith, perfeita junção dos nomes de seus pais, Severino e Judith, mas, bem que ela poderia se chamar, Generosa, Felicidade, Amanda, Piedade... ela era feita de AMOR, de bons sentimentos e nada mais.
Hospedeira de toda bondade, nos fez hóspedes do seu imenso Amor.
Sua principal missão era acolher a quem era incompreendido, carente, desvalido...
Hospedou tanta gente no grande HOTEL que era seu coração, que hoje, nós, desamparados, choramos a falta desse aconchego e

O QUE PEDRO TEM QUE TELMA NÃO TEM?

Aécio Cândido
Aécio Cândido*

Há milhares de motivos para se votar em alguém. Há a mesma quantidade de razões para não se votar. De todos os motivos possíveis, um será determinante. Ou dois. Dificilmente três. E este tipo de comportamento, digamos epistemológico, é democrático, comanda as decisões eleitorais de intelectuais e de analfabetos.
Há gente que dá preferência a um candidato porque ele é simpático, outro porque é honesto, outro, ainda, porque o acha empreendedor. Ter “bom coração” angaria votos, assim como ser “corajoso”. Inteligente, bem relacionado, inovador, sensível ao ensino e

Lulismo - Sebastianismo redivivo e a vaca louca

João Costa
João Costa*

Como um Dom Sebastião redivivo Lula foi aclamado em Monteiro. Como um Getúlio Vargas, fez caminhada e discurso de soerguimento. Mas nada fará sentido nem razão, se Lula capitular ou morrer diante daqueles que estão tentando e conseguindo destruir conquistas sociais, a soberania nacional; ou se sua arte para a negociação desaguar num grande entendimento nacional e de colaboração de classe.
O Brasil tem dessas realidades paralelas, às vezes fictícias disseminadas pela mídia nativa. O que assistimos ontem, em Monteiro, faz parte da realidade paralela, mas não imaginária que a mídia ignorou ou minimizou.
Emblemática reação política de Lula às margens de um rio no interior do Brasil, repondo a verdade sobre a transposição das águas do Rio São Francisco – o criador e

103 ANOS DE IDADE DE HERMOSA PEREIRA GÓIS SITÔNIO


Por: Evandro da Nóbrega



Dona Hermosa Pereira Góis Sitônio, prestes a completar 103 anos de idade, no maior papo com o degas aqui, isto é, com o escriba que vos tecla — o qual, em compensação, às vésperas de completar 70 anos, tem "coincidentemente" 103 kg de peso. [Clique na foto para ampliá-la]

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OS REPROVADOS DE JANOT

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Em primeiro lugar é preciso dizer que aquela não é uma lista de compras ou de “aprovados” em algum concurso público...
Mas é essa a impressão que tentam passar à opinião pública brasileira todos os “reprovados de Janot” quando, por entre sorrisos amarelos e

"OU RESTAURE A MORALIDADE OU NOS LOCUPLETEMOS TODOS"

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

Esta frase é atribuída a três ícones do humorismo politico brasileiro tais como Barão de Itararé( Aparecido Fernando Torelly), Stanislaw Ponte Preta (Sergio Porto) e a Millor Fernandes. A maioria dos humoristas atuais acredita que o verdadeiro autor seja mesmo o Barão de Itararé.
Isso mesmo, estamos a viver um momento histórico e

O Ano Que Não Devia Terminar

Nonato Guedes
Nonato Guedes*

É assim, com esse subtítulo, que Joaquim Ferreira dos Santos refere-se a 1958, o ano em que nasci. Mais precisamente a 14 de março, o que me faz assinalar, hoje, 59 anos. Nunca o brasileiro foi tão feliz como em 58. Tudo deu certo - da conquista da Copa do Mundo na Suécia ao lançamento do primeiro disco da bossa-nova.
Brasília mostrava as colunas do Alvorada nas páginas da Manchete. Havia tanta democracia e

Karnal e Alencar - O trunfo da Quinta Coluna

João Costa
João Costa*

Professor e deputado radical de esquerda, Chico Alencar, discursa pela manhã em defesa dos trabalhadores, mas beija a mão de Aécio Neves na madrugada, o professor Leandro Karnal, é referência no pensamento antifascista, mas na intimidade confraterniza  com Moro; o juiz não surpreende no beija-mão com “Mineirinho”, mas Karnal e Alencar deixaram órfãos jovens de esquerda que nada ou pouco sabem sobre o papel do Quinta Coluna na luta de classe.
A expressão “quinta-coluna” é mundialmente conhecida como sinônimo de traição. Desde a guerra civil espanhola, serve para definir uma pessoa ou grupo disposta a trair companheiros, sua organização e

Que mundo é esse?

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O homem com sua visão egocêntrica, costuma julgar seus semelhantes sem antes de tudo se colocar do outro lado, para assim, fazer uma avaliação com maior equidade e prudência da situação, objeto do seu olhar.
O outro lado da moeda dificilmente é vestido por quem se acha no direito de criticar e julgar. É mais fácil atirar pedras e

Hoje é um dia histórico para a Paraíba

Nonato Guedes
Por Nonato Guedes

Depois de mais de uma década de obras, um sonho que persegue a população do semiárido começou a tornar-se realidade: O rio São Francisco despejou águas em nosso Estado.
O teste de abertura das comportas na estação de controle na cidade de Monteiro, no Cariri, selou a magnitude da transposição tantas vezes defendida e

TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO: OS NECESSÁRIOS PINGOS NOS “IS” DIANTE DO DESCARAMENTO DE ALGUNS POLÍTICOS PARAIBANOS

http://paraibatododia.com.br/2017/03/08/transposicao-do-sao-francisco-os-necessarios-pingos-nos-is-diante-do-descaramento-de-alguns-politicos-paraibanos/ 

Por Jonas Duarte

Falo com a autoridade de quem já foi um crítico persistente do Projeto de Transposição do São Francisco. Consideramos o projeto como uma obra que continua limitada à busca de soluções apenas hidráulicas para o Semiárido. Consideramos, todavia, que a questão do Semiárido é muito mais ampla e grave. Não se pode esperar desenvolvimento nessa região, no sentido amplo do termo, que não passe por sua reestruturação socioeconômica.
Essa reestruturação socioeconômica exige democratização do acesso a terra e a água, a eliminação da pobreza com políticas sociais inclusivas, a estruturação do território com inúmeras técnicas e tecnologias de captação, armazenamento, usos e reusos dos recursos hídricos no Semiárido, os quais não são poucos. Exige ainda um trabalho vigoroso de recuperação do nosso principal bioma, a Caatinga, e um redirecionamento forte na educação ali praticada, no sentido dela se tornar uma Educação Contextualizada às condições próprias do Semiárido, o que implica promover uma revalorização do Bioma e do Território com todas as suas características, colocando em evidência as potencialidades e possibilidades de convivência e transformação social desse lugar.
Pudemos constatar, ao longo do tempo e de profundas pesquisas, que muita gente foi capaz de progredir, avançar cultural, social e economicamente nessas terras, mesmo sob as desastrosas ou ausentes políticas públicas para o território, como resultado do uso de tecnologias disponíveis para produção e

JERÔNIMO ROSADO – O PARAIBANO QUE MUDOU MOSSORÓ




JERÔNIMO ROSADO – O PARAIBANO QUE MUDOU MOSSORÓ

Jerônimo RosadoJerônimo Rosado
Jerônimo Ribeiro Rosado, o dono da farmácia que levava seu nome, nasceu em Pombal-PB, aos 8 de dezembro de 1861, era filho de Jerônimo Ribeiro Rosado e Vicência Maria da Conceição Rosado. Formou-se em Farmácia no Rio de Janeiro, onde atuava como fiscal da iluminação pública. Voltou ao seu Estado natal em 1889, quando abriu a primeira botica em Catolé do Rocha

Homenagem a uma mulher nordestina - A mulher que fez seu próprio caminho

Walter Medeiros*

Walter Medeiros
A humanidade tem certas figuras que se sobressaem pelas oportunidades de viver experiências - boas ou más - mas as vivem de forma tão intensa, que depois torna-se difícil até entender como conseguiram viver tanto em uma só vida. Pessoas de tão profunda vivência em épocas e lugares próprios, e respostas capazes de impulsionar com força hercúlea as aspirações que cultivam, pelas quais lutam e se responsabilizam como causas inarredáveis.
Refiro-me a uma mulher que viveu ainda no Império brasileiro, no tempo em que as pessoas do sexo feminino tinham direito apenas de cuidar das casas e dos filhos, e o dever de obedecer aos homens: maridos, pais, etc. Que foi entregue em casamento aos 13 anos, como resultado de negócio de família, que vivia sob as leis de adultério e

Longe dos olhos sempre perto do coração


Genival Torres Dantas*

Dia 06 próximo passado, quando de uma visita ao cardiologista, Dr. Luiz Augusto, Professor de Cardiologia, cidade de Itajaí, durante a consulta muito bem preparada, fui encaminhado inesperadamente à internação e depois de 06 horas estava eu com uma mola especial no meu peito esquerdo, produto de uma obstrução de quase 90% de uma artéria que frequentemente dava sinais de uma dor sempre recorrente de algum esforço físico ou mesmo em posição de repouso absoluto. Na sequencia nada mais a reclamar, 06 dias de internação para o devido acompanhamento e

O rio de Lula que afeta Brasília de JK sem passar por lá

João Costa
João Costa*

Traçar comparativos entre períodos da História e seus acontecimentos é uma temeridade, mas as circunstâncias do momento forçam a memória para algumas pinceladas no quadro atual da política, que é negro, sem que esta expressão remeta à apologia de racismo, hoje tão presente na vida nacional o quanto sempre foi – ou mais. Direto ao ponto: A transposição das águas do Rio São Francisco está para Lula assim como Brasília está para JK.
Esse paralelo serve para compreender a dimensão e grandiosidade de cada uma dessas duas obras e muitas outras. A Transposição, para não abstrair a corrupção, tema hipócrita atualmente a empolgar a Nação, pela sua demora e custo, evidentemente tem suas sangrias de dinheiro público, assim como Brasília é mãe da corrupção política como conhecemos hoje, uma suruba (sugestivo termo utilizado pelo senador golpista Jucá, que atende pela alcunha de Caju na lista da Odebrecht) entre governantes, políticos e

Liturgia da palavra e dos sentidos

Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho*

Embevecido desde as primeiras linhas, percorri “Liturgia do fim” de Marilia Arnaud, como um banquete, sem fim, de palavras, sentimentos e emoções. A cada página me assaltava a dúvida do que virá adiante, sobremaneira, a sensação de perda dos termos sorvidos, até então, com tanta volúpia literária. Mas, me surpreendia com o turbilhão de expressões a me repletar de luxúria sentimental. Essa riqueza enobrece a leitura da primeira a última página.
Compreendo que o enredo, a narrativa por si só, me prendeu pouco. Estava embriagado pelas descrições minuciosas de ambientes, situações e sensações. A poesia permeando, aromatizando e ornando o texto. Caracteriza o meio urbano “com seus olhos d’água e garras felpudas de luz, com sua pele amanhecida, recendente a pão e jasmim, que me rebocou pra dentro da vida...” E o rural descreve com uma ardente paixão pela natureza. “A paisagem aberta, ora arroxeada de jitiranas, pinhões e maracujás-bravos, ora espinhosa de palmas, facheiros e