CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Karnal e Alencar - O trunfo da Quinta Coluna

João Costa
João Costa*

Professor e deputado radical de esquerda, Chico Alencar, discursa pela manhã em defesa dos trabalhadores, mas beija a mão de Aécio Neves na madrugada, o professor Leandro Karnal, é referência no pensamento antifascista, mas na intimidade confraterniza  com Moro; o juiz não surpreende no beija-mão com “Mineirinho”, mas Karnal e Alencar deixaram órfãos jovens de esquerda que nada ou pouco sabem sobre o papel do Quinta Coluna na luta de classe.
A expressão “quinta-coluna” é mundialmente conhecida como sinônimo de traição. Desde a guerra civil espanhola, serve para definir uma pessoa ou grupo disposta a trair companheiros, sua organização e
até mesmo a própria pátria – quando uma ameaça externa a ameaça ou agride.
Quem seria mais letal? Alencar que no Parlamento simula combater na trincheira da classe trabalhadora e do povo em geral, ou Karnal, pensador e formador de consciência de nossa juventude que buscava nele embasamento filosófico para combater o fascismo que assola, de novo, a Nação?
Karnal endossa Moro; Chico Alencar respalda Aécio, que de Moro tem singular atenção. Podem não ser letrinhas da mesma sopa, mas sem medo de errar estão eles catalogados nos dez tipos de uva tinta que se liquidifica em vinho,  o servido em Curitiba, ou no restaurante Piantella, em Brasília.
Dizem por aí que se você beber um vinho diferente cada dia da sua vida, não vai chegar nem perto de ter provado todos. Mas certamente poucos são os brasileiros que podem degustar da carta de vinhos servida nessa “suruba” política, bem definida pelo senador Jucá, àquele que atende pela alcunha de Caju na lista da Odebrecht – e que mandou e conseguiu estancar “essa porra”.
Afirmam por aí também que a Pós-Verdade é o triunfo das convicções sobre os fatos, a vida e a verdade.
Mais bizarro ainda é constatar que Chico Alencar no dia seguinte fez sua autocrítica e Karnal apagou foto e texto que ele mesmo havia postado na sua rede social. Escreveu Karnal sobre seu amigo Moro: “o mundo não é linear. À noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente, discutimos possibilidades de projetos em comum”. Nas palestras futuras, que fala primeiro? Ou como se anunciará à dupla. Moro & Karnal ou Karnal & Moro?
E o Chico Alencar na sua autocrítica disse: “Se, por alguma razão, em minha vida pública eu dei a entender o contrário, reitero que isso se deve a um erro de comunicação (minha ou de quem veicula) e não por falta de convicção e crença absoluta numa política diferenciada, sem jogos e acordos velados”.
Filósofos, justiceiros de toca, políticos ou jornalistas e até cidadãos comuns, quando não são canalhas na véspera, fatalmente serão no dia seguinte. No Brasil, a canalhice triunfou sempre.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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