CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Lulismo - Sebastianismo redivivo e a vaca louca

João Costa
João Costa*

Como um Dom Sebastião redivivo Lula foi aclamado em Monteiro. Como um Getúlio Vargas, fez caminhada e discurso de soerguimento. Mas nada fará sentido nem razão, se Lula capitular ou morrer diante daqueles que estão tentando e conseguindo destruir conquistas sociais, a soberania nacional; ou se sua arte para a negociação desaguar num grande entendimento nacional e de colaboração de classe.
O Brasil tem dessas realidades paralelas, às vezes fictícias disseminadas pela mídia nativa. O que assistimos ontem, em Monteiro, faz parte da realidade paralela, mas não imaginária que a mídia ignorou ou minimizou.
Emblemática reação política de Lula às margens de um rio no interior do Brasil, repondo a verdade sobre a transposição das águas do Rio São Francisco – o criador e
sua obra que jazia adormecida desde os tempos do Brasil Império.
Enquanto as redes sociais estavam voltadas para os acontecimentos em Monteiro e no rio Paraíba, os canais de notícia da TV paga por assinatura mesclavam meias-verdades com mentiras no esforço hercúleo para pintar um quadro diferente. O noticiário cuidava da tal Operação Carne Fraca. Horas de entrevistas, declarações. Versões de fatos pouco esclarecidos, na mesma proporção viés da Operação Lava Jato.
Fez-me lembrar da recente lenda urbana que apresentava o filho do mesmo Lula como dono da Friboi, gigante do setor de carnes, agora alvo de meticulosa destruição. Se a Lava Jato e o governo que resultou dessa operação policial destruíram o que restava de soberania do país nos setores de gás e petróleo, além da matriz soberana da Defesa, agora tudo indica que o “inimigo é outro”.
Enquanto os serviços de segurança de outros países entendem que a missão deles é proteger as empresas nacionais e defender os interesses do país, o nosso sistema de repressão vê tudo pelas lentes do inimigo. Após destruírem a Odebrechet e a Petrobras, chegou à vez de destruir o agronegócio do país. É certo que não há santo nesse mar de lama, mas a vaca não é tão louca assim para não sacar a patranha em curso.

Até onde dá pra entender, a polícia encontrou 
problemas sanitários e corrupção em 21 unidades do setor produtivo de carnes, num total de quase cinco mil empresas, e suspeita de crimes de corrupção praticados por 33 servidores, num universo de 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura. Algo está cheirando mal – e o mau cheiro não exala de carnes podres ou fracas da vaca que enlouqueceu.
Se essa investigação vem rolando há dois anos, significa que o Ministério Público Federal e a Polícia fecharam os olhos para o consumo em de carne estragada em larga escala, no Brasil e no exterior. Ou não nada do que agora afirmam corresponde a verdade?
Essas empresas se tornaram gigantes com financiamento público do BNDES nos governos Lula e Dilma.  Não me surpreenderei se daqui a pouco as ilações ou acusações baseadas em convicções de procuradores tomem conta do noticiário e a mídia nativa trate tudo como verdade absoluta. Na Pós-Verdade dominante, Dom Sebastião voltou para comer churrasco.  

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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