CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Devolva nosso São João

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

É triste observar cada ano o desmonte de uma cultura. É preciso colocar o ponto no “i”, sim no “i” do inaceitável.
Nunca vi o rock, o sertanejo e o axé se apresentar na Avenida Sapucair, quando do carnaval no Rio de Janeiro. De outro lado, Quem vai a Portugal, quer ouvir um fado, já quem vai para Argentina, quer ouvir um tango. Quem vem ao Nordeste brasileiro, principalmente, no período Junino, quer ouvir forró, baião, xote e xaxado. Quer ouvir o ronco do fole, acompanhado do zabumba e
do triângulo.
É inaceitável a presença de cantores do axé, do sertanejo, do plástico e de outros ritmos nos festejos Joaninos. Nada contra esses cantores, mas é necessário preservar a cultura de um povo chamado Nordeste. Existem outras festas, como por exemplo, a de comemoração da emancipação do município, o Natal, o Ano Novo, onde essas atrações podem ser encaixadas.
Agora, de quem é culpa de tudo isso? Primeiro, das autoridades públicas gestoras, que usam o dinheiro público destinado à cultura para fazer esse desmonte da tradição de um povo. Segundo, dos próprios artistas, que não se unem para, de forma organizada, enfrentar esse aspecto beligerante que aniquila uma festa tão bela e tradicional, e, ao mesmo tempo, exigir a correção dessa conduta. Por fim, a culpa também é do povo, que a tudo assiste e pacificamente aceita.
É preciso respeito à cultura de raiz de um povo. Uma gente sem cultura é um povo sem digital. A cultura tem que prevalecer sobre o comercial. Viva o Forró!!!
*Escritor pombalense e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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