CLEMILDO BRUNET DE SÁ

NANICOS SALTITANTES

Almiro Sá Ferreira
Almiro Sá Ferreira*

A mais nova esperança de perpetuação da nossa apodrecida classe política repousa nos partidos chamados jocosamente de “nanicos”. Como a Fênix, os saltimbancos (“nômades partidários”) sempre procuraram ressurgir das cinzas, usando de subterfúgios e manobras constitucionais espúrias que lhes favorecem a transfiguração social da condição de demônios, nos tempos de Lava-jato, para o status de “anjos”, no próximo amanhã de 2018.
Sejam eles “transfigurados” de esquerda ou de direita, a verdade é que não se endireitam nunca!
O genial Garrincha ensinou à nação do futebol como se driblar com engenho e arte, sobretudo com pureza de alma, ética e a boa ingenuidade, que lhes eram peculiares. Agora querem corromper até o nosso famoso drible, tentando mais uma vez enganar o povo brasileiro com a mudança repentina e
embaralhada de “partidos”, a exemplo de aves migrantes em pânico, a procurar uma “ilha segura”, nas pequenas naves de aluguel.
Acham que será um caminho alternativo muito sabido para fugirem do julgamento popular implacável que os aguarda.
Acham que será um caminho alternativo muito sabido para fugirem do julgamento popular implacável que os aguarda.
Argumentam à boca pequena, que, sendo a nossa população constituída por imensa maioria de analfabetos e outros tantos milhões de “analfas” funcionais, será fácil contornar e chutar novamente para o gol, num eterno ciclo de reeleições, que, verdade seja repetida, devemos à digital interesseira de FHC.
As condições estão dadas. Os partidos nanicos já cuidam até de mudar de letramento, como é o caso exemplar do oportunista PT do B, que já cogita alterar, por razões óbvias, para um codinome bem sugestivo: AVANTE! (podendo significar: “vamos em frente na eterna enganação”).
Além dos atuais 35 partidos registrados para usufruir dos nossos impostos que afundam o Brasil, na forma de “fundo partidário”, outras cinco dezenas de “legendas” estão em gestação no ventre da grande serpente e já se mobilizam de olho gordo e bocarra aberta buscando avidamente a repartição, por cem, do bolo que a sofrida nação lhes oferece, de bico calado.
Não é que os "atravessados" já ensaiam as suas travessias e malandragens, oferecendo aos velhos mercadores novas abreviaturas e codinomes? Hilário!
Desde “pros” e “contras”, até TV - Tubarões Vermelhos, “EO - Excluídos da Odebrecht, até os que querem criar uma federação, que só pode ser a BA - “Baleia Azul” (que tanto pode continuar a enganar as criancinhas como ela mesma ir ao suicídio) e por ai se vai a repetir o velho script de engabelação, desde os seculares tempos da nossa prosaica “descoberta”.
Mas, o que fazer? Resposta muito difícil !!
Penso que só uma constituinte genuinamente republicana, reivindicada pelo povo e por ele estruturada, no formato de uma assembleia exclusiva e temporária, com a presença de notáveis e representantes da cidadania (ressalvando-se que não estejam filiados a correntes políticas e não sejam candidatos a coisa nenhuma), poderá desenhar um novo ordenamento, decretando definitivamente que no Estado brasileiro a “raposa não poderá mais tomar conta do galinheiro” em todos os poderes...aqueles puros poderes... que sonhamos desde a Revolução Francesa. A Islândia já nos ensinou o caminho das pedras.
Desculpa, mas, fora isso, é só esperar para ver o ciclo malévolo se repetir por séculos sem fim... Amém e amém!!

*Almiro Sá Ferreira. Professor Instituto Federal da Paraíba (IFPB)

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