Pandemia, efeitos e sonhos
De repente o mundo parou.
Milhões e milhões de pessoas recolhidas em seus lares diante de um
imperceptível inimigo. De repente fomos forçados a nos transformar numa espécie
de afinador do silêncio, diante do isolamento e, solitários, entregues ao
infinito tempo.
De repente fomos
transformados em ilhas e vem a sensação de que talvez o mundo tenha se
ultimado, mesmo antes do aniquilamento deste próprio mundo. Aprisionados, nos
lares, todos nós temos que encontrar paciência, equilíbrio, compreensão e fé em
Deus para não mergulharmos em um rio do pavor. Se é difícil para quem tem
condições financeiras, imaginem para os carentes, onde de tudo falta.
Mas temos que manter a
calma, jamais deixar que o terror nos comande. Temos que ser fortes, enxergar o
vento, não como uma azáfama fantasmagórica, mas como uma movimentação de
resolução. Não podemos empoeirar nossa tranquilidade e fé em Deus. Não podemos
deixar que o inimigo nos faça acreditar que perdemos o nosso próprio rosto. Não
podemos deixar que o isolamento nos faça desembocar em pensamentos que naveguem
em mares de comiserações e lamúrias em direção a um horizonte apocalíptico.
Nenhuma estrada é infinita.
Temos que nos resguardar do tão poderoso vírus, mas não podemos asfixiar nossa
voz, nem inertes ficarmos deitados no chão esquálido do medo. É preciso união,
deixar todas as diferenças de lado, de qualquer espécie. É imperativo arrancar
as vestes da vaidade, da prepotência, abraçar a solidariedade e com Deus no
coração encontrar com equilíbrio as veredas menos dolorosas para vencer essa
pandemia.
Nenhum temor é tão forte
para sucumbir os sonhos. Ainda temos muitos sonhos, inclusive, de num tempo
breve ver que tudo de mal passou, que podemos sentir o perfume das flores e o
bafejo dos ventos da paz e da saúde.
*Escritor
e Juiz de Direito da 5ª Vara Cível de João Pessoa - PB
onaldorqueiroga@gmail.com
Pandemia, efeitos e sonhos
Reviewed by Clemildo Brunet
on
4/04/2020 08:15:00 AM
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