Os sonhos dos anos 1970 e os pesadelos de 2010
Genival Torres Dantas*
Até 1970 o Brasil ganhou
três campeonatos mundiais, o de 1958, na Suécia, o Brasil tinha 52 milhões de
habitantes, em números redondos, o nosso Presidente era Juscelino Kubitschek de
Oliveira, o maior estadista que já tivemos depois de Dom Pedro ll, mesmo sendo
imperador foi um dos maiores Democratas que o País já teve. Em 1962 fomos
bicampeões, do mesmo campeonato e agora no Chile, já passávamos de 70 milhões
de brasileiros, nosso Presidente era João Belchior Marques Goulart, e o Brasil
ratificava o futebol esplendoroso praticado pela academia futebolística da
América do Sul.
Depois de oito anos e
verdadeiro fracasso no mundial de 1966 na Inglaterra quando os anfitriões foram
campeões se tornaram campeões mundiais, novamente, o Brasil volta a reinar no
esporte que seria admirado por todos seus concorrentes e em todos os
Continentes. Era 1970, no México, a FIFA patrocinava o espetáculo que
apresentava praticamente como despedida dos palcos do mundo, em termos de
Seleção Brasileira, o Rei do Futebol Mundial, Edson Arantes do Nascimento,
carinhosamente conhecido como Pelé, uma das marcas mais conhecidas em todo
planeta.
Foi na euforia de uma
torcida apaixonada e em campos de um País admirador da nossa gente, o México
foi um dos maiores torcedores que tivemos nos estimulando e incentivando. A
música que embalava os dias que o Brasil jogava falava em 90 milhões de
habitantes, a corrente para frente, salve a seleção, esses versos eram
entoados, conforme os números do IBGE por quase 94 milhões de brasileiros.
Naquele momento, o Brasil
tinha na Presidência o General Emílio Garrastazu Médici, período do Regime
Militar, das Usinas Elétricas e Estradas sendo construídas para a
interiorização da indústria brasileira. O Brasil retoma o crescimento com novo
estímulo ao petróleo e a indústria automobilística, para alegria dos
conservadores e tristeza dos esquerdistas e comunistas que foram suplantados
pelo patriotismo dos militares e a classe civil desenvolvimentista.
Depois de 15 anos os
militares devolvem o País para a Sociedade civil, agora em 1994, 24 anos do
tricampeonato mundial, voltamos ao sucesso nos campos de futebol, agora com o
tetracampeonato, os jogos foram nos EUA e lá reinamos absoluto. Nosso
presidente era Itamar Augusto Cautiero Franco, já éramos quase 150 milhões de
brasileiros que voltavam a sorrir pelo sucesso alcançado pela seleção
brasileira.
Finalmente chegamos ao ano
de 2002 e a conquista do pentacampeão mundial de futebol, o Brasil vinha de uma
série de vitória na área econômica, com o controle da inflação, estabilidade
econômica e a população já se apresentava com mais de 170 milhões de
brasileiros cheios de esperanças. Tudo parecia que o Brasil toma novamente rumo
na sua administração pública, muito embora o FHC fosse socialista tinha boas
intenções, fez vários ajustes, mesmo não sendo um administrador eficaz foi
eficiente nas suas proposições.
Podemos justificar que em
termos de futebol o Brasil conhece sua melhor seleção, em termos de resultados
em 1970, com uma equipe combativa, briosa e respeitada. Não estou afirmando que
as duas anteriores e as posteriores vencedoras não tiveram os méritos
merecidos, estou simplesmente dizendo que entre as melhores a vencedora de 1970
foi sem dúvida a favorita de muita gente. Quanto aos demais aspectos que fazem
a conjuntura de um país, infelizmente, depois de 2002, com a consequente da
eleição presidencial, do representante da esquerda brasileira, Luiz Inácio Lula
da Silva, o Brasil entra em queda livre e só pioramos.
O ex-presidente Lula até que
tentou fazer sua parte, entretanto os seus auxiliares não contribuíram e nem se
esforçaram para um bom termo. O Governo Lula, ou petista, em conjugação com o
Governo Dilma, sucessora do Lula, foi verdadeira bancarrota administrativa,
quando o Brasil passou a ser saqueado no seu erário, desvio de condutam tanto
foram como dentro do governo, verdadeiro despautério, tendo a corrupção se
instalado dentro do governo sem nenhuma comparação anterior. Os prejuízos
provocados pela torpe de delinquentes esquerdista, concubinado com boa parcela
da direita, e empresários de má fé, fizeram uma verdadeira devassa na economia
do Estado Brasileiro.
O final dessa história e
conhecida por todos, sobrou desse tempo apenas o governo tampão do
ex-presidente Michel Temer, período de 30 meses e a passagem para o atual
Presidente Jair Messias Bolsonaro. Inicialmente o atual presidente estava sendo
apoiado por boa parte da sociedade civil em detrimento ao petismo nacional,
tudo vinha em estágio de expectativa até Bolsonaro começar a fazer um governo
de exceção, ou seja, governar apenas para os seus, sem um projeto político,
social e econômico.
Mergulhamos em verdadeiro
caos administrativo, a pandemônia provocada pelo Coronavírus, área da saúde,
foi o acelerador das crises geradas dentro do Governo Federal. Somos um país em
plena crise sanitária sem ministro da saúde depois de dois ministros
dispensados pelo presidente da República e a crise se ampliando por falta de
ações efetivas do Governo Central, está sendo salvos por atitudes Estaduais e Municipais.
A nossa Educação vem sendo
tratada na base de coices, pontapés e açoites, sem nenhuma chance de um futuro
alvissareiro, com passagem de dois ex-ministros da pasta sem nenhuma vocação
para o assunto. Na área política temos um Presidente da República atônito, em
verdadeiro pânico, sem nenhuma noção de administração, ou mesmo controles,
sendo atropelado pelo Congresso e Supremo Tribunal Federal, esses dois Poderes,
estão viabilizando certas situações na base do afogadilho, discordando,
impugnando, devolução de MP até já ocorreu, ou seja, uma verdadeira humilhação
para quem teve 57 milhões de votos e hoje não sabe o que fazer com o cargo para
o qual foi eleito.
Ante os fatos, estamos bem
distantes da alegria vivenciada nos anos de 1970, com a alegria dos 90 milhões
de brasileiros que viviam na esperança de dias melhores, porém, com nossos
quase 210 milhões de desanimados, desesperados e desenganados, com um milhão de
contaminados pelo Coronavírus e nossos 50 mil mortes que temos chorados e a
cada dia o número vem aumentado, somos uma nação sem rumo e sem tempo para
remediar.
O que mais nos incomoda é
perceber que existem pessoas que ficam indiferentes ao drama que estamos
vivendo, como se vidas fossem números que fazem parte de uma estatística,
apenas para cadastro informativo, isso é cruel e desumano.
Estamos fadados a não termos
mais sonhos, apenas vivemos em pesadelos diuturnamente, como se a qualquer
momento fôssemos contaminados e jogados na planilha apenas para sermos
contabilizados e enterrados em valas comuns, como tem ocorrido com muitos dos nossos
trabalhadores e honestos que tiveram a desdita de não ter os cuidados do Estado
que negligencia nos cuidados mais importantes de um governo sério, humano e
cristão. Isso só pode ser pesadelo.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantasrp@gmail.com
Os sonhos dos anos 1970 e os pesadelos de 2010
Reviewed by Clemildo Brunet
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6/23/2020 08:38:00 AM
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