CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ANTOLOGIA: "AS CHANCHADAS DA ATLÂNTIDA"

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Os verdes anos de minha vida foram marcados pelos filmes brasileiros produzidos pela a Atlântida Cinematográfica Ltda, exibidos em Pombal na tela panorâmica do Cine Lux. Era um mundo diferente deste que estamos vivenciando hoje. Éramos tão aficionados ao cinema que eu e minha irmã Claudete Brunet de Sá (in memoriam), adquiríamos permanentes com validade de 30 dias, renovável a cada mês do ano, o que nos dava acesso a assistir as reprises, caso o filme nos agradasse.

A chanchada era o gênero de filme brasileiro condenada pela crítica, entretanto, aceita pelo público, tendo como prova o retumbante sucesso de bilheteria. Tratava-se de comédias musicais misturadas com personagens de filmes policiais e de ficção científica. O humor expresso nesses filmes não pode ser considerado como invenção nossa, pois já existiam em países como a Itália, Portugal, México, Cuba e argentina, quando chegou por aqui.

A crítica nacional a tinha como trivial, por esta razão foi apelidada de chanchada com muita controversa para a origem da palavra, mas que pode ter surgido na língua espanhola, significando “porcaria”, mesmo assim recebia os aplausos da platéia. "Com seu humor quase sempre ingênuo, às vezes malicioso e até picante, a chanchada se impôs como um entretenimento de massa", diz o jornalista Sérgio Augusto, autor do livro - Este Mundo é um Pandeiro - a Chanchada de Getúlio a JK.

Uma maneira de se conquistar o público é que as primeiras produções apresentavam grandes astros do rádio, como Carmem Miranda e Francisco Alves. Os ouvintes que só escutavam as suas vozes no rádio iam ao cinema para ver seus ídolos preferidos. A despeito da influência do cinema norte americano que vez por outra era parodiado, as chanchadas eram na sua essência genuinamente brasileiras, abordando temas de problemas do cotidiano e fazendo humor com uma linguagem de fácil compreensão.

A Atlântida do cinema brasileiro teve seu início em 18 de setembro de 1941 e seus fundadores Moacir Fenelon e José Carlos Burle, no intuito de desenvolver a indústria do cinema em nosso país, liderou um grupo de entusiastas pela sétima arte, dos quais faziam parte, o jornalista Alinor Azevedo, o fotógrafo Edgar Brasil e Arnaldo Farias. Era propósito reunir um cinema artístico com o cinema popular.

Em 1943 a Atlântida é fortalecida - sendo consolidada como a maior produtora de filmes do Brasil. É pena que o filme que a consagrou não tenha nem sequer mais cópia. “Moleque Tião” que teve no papel principal o ator Grande Otelo, inspirado em dados biográficos do próprio artista.

Segundo o depoimento do diretor do filme, José Carlos Burle, “Moleque Tião”, narra a história de um garoto pobre do interior de Minas Gerais que sonhava ser artista. Atraído pela notícia de uma Companhia Negra de Revista que vinha fazendo sucesso, Tião viaja para o Rio de Janeiro onde se consagra após muita luta e persistência. O filme segundo a crítica abria caminho para um cinema voltado as questões sociais, ao contrário da preocupação que se tinha de divulgar gêneros musicais.

De 1943 a 1947, foram produzidos (12) filmes, destacando-se “Gente Honesta” com Oscarito no elenco (1944) e “Tristezas Não Pagam dívidas”. Em 1945 A companhia cinematográfica Atlântida Ltda passa a ter a direção de Watson Macedo que em 1946 faz a comédia musical “Segura Essa Mulher” com Grande Otelo e Mesquitinha, grande sucesso de bilheteria, inclusive na Argentina.

O crescimento da Atlântida avançou mais ainda em (47), o sucesso das chanchadas era de tal maneira que outros investidores se viram atraídos pela companhia a exemplo de Luiz Severiano Ribeiro Júnior, que tinha em seu domínio 40% das salas de exibições no Brasil. Dessa maneira ele teria grande participação nos lucros, a grande surpresa veio, ainda, quando noticiaram que Severiano havia comprado uma grande quantia de ações da Atlântida, tornando-se acionista majoritário e, consequentemente, dono da companhia.

Nos anos (50) quando o mundo musical americano dominava o mundo, a Atlântida ficou mesmo conhecida pelas chanchadas ou comédias populares. O Público lotava os cinemas e reverenciava seus ídolos, Oscarito e Grande Otelo com suas irreverências e deboche; os galãs Ancelmo Duarte e Cyll Farney; as garotas Eliana, Fada Santoro e Adelaide Chiozzo; os vilões José Legwgoy e Renato Restier e os cantores Francisco Carlos, Emilinha Borba, Jorge Goulart, Nora Ney e Dores Monteiro entre outros.

Um dos maiores artistas do cinema brasileiro, Carlos Manga, montador, roteirista, diretor de cinema e televisão, foi o principal artesão de um gênero de comédia popular- a chanchada - com seus números musicais carnavalescos e as atuações de Grande Otelo e Oscarito; por mais de duas décadas manteve com sucesso o filme brasileiro nas telas apesar da forte concorrência do cinema norte americano.
Grande Otelo e Oscarito (Foto)
Carlos Manga foi levado aos estúdios da Atlântida pelas mãos do ator e cantor Cyll Farney. Manga havendo passado por várias funções, pouco depois assumiu em definitivo a função de diretor em A dupla do barulho (1953), primeiro filme em que Oscarito e Grande Otelo seriam transformados na mais bem sucedida parceria do humor brasileiro.

Os cinemas brasileiros sempre tiveram casas cheias, o público comparecia em massa para assistir as chanchadas da Atlântida até meados dos anos 50. Porém, com o aparecimento da TV, o surgimento do cinema novo mais politizado e o desgaste natural do gênero, fizeram com que as chanchadas fossem perdendo espaço. Entretanto, elas as “Chanchadas” entraram para história marcando um dos períodos mais produtivos do cinema nacional.

Em 2007, a Atlântida - fez o lançamento de uma coletânea de muitas dessas películas em DVD, das quais venho colecionando. Quando as repriso, lembro-me sempre com emoção das coisas boas que vivi e do extinto Cine Lux de Pombal. É como diz o escritor pombalense Jerdivan Nóbrega de Araújo: “Ver um filme no Cine lux, antes de ser uma forma de entretenimento numa pequena cidade do interior, era, acima de tudo, um raro momento de prazer que, só quem viveu aquela época, poderá explicar”. Do livro, Em Algum Lugar Chamado Pombal Pag. 103.

Pombal, 30/03/2011
*RADIALISTA
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CESSA LACERDA: TRINTA DIAS DE SAUDADE

Prof. Vieira (foto)
Por Francisco Vieira*

É engano pensar que a morte implacável rouba nossos entes queridos, pelo contrário, são imortalizados na memória dos que ficam. Lembrá-los é uma conseqüência inevitável. Exaltá-los é um sentimento de justiça, pois não podemos ofuscar o brilho dos astros nem o mérito das pessoas. A propósito, a maneira mais justa e coerente de fazê-lo é exaltar suas obras.

Dessa forma, nada mais oportuno do que lembrar hoje, a poetisa Cessa Lacerda, quando se comemora trinta dias do seu falecimento. Tempo curto, mas que representa uma eternidade, assim como eterna será sua lembrança.

Cessa Lacerda, pela fecundidade do seu talento, pelo caráter nobre de suas variadas aptidões artísticas, pôs brilho a vida, por isso, é mister que se enalteça sua autenticidade para significar o real valor dessa grande mulher.

Poucos são os que reúnem tantas qualidades. E, Cessa Lacerda, foi certamente escolhida, já que Deus distribuiu com ela seus dons e talentos como bem quis. Como dádiva divina reunia consigo uma série de habilidades tão evidentes que fizeram dela uma referência cultural. Em síntese, foi professora, poetisa, escritora, artista plástica, esposa, mãe e amiga, tudo junto para que desse modo a beleza e a perfeição dessem sentido a vida e ao mundo. Em suma uma artista que amava o que fazia fazendo dela um sacerdócio. Da grandeza do seu devotamento e sacrifício nasceu a importância de suas obras.

Dessa forma nada mais justo do que nosso respeito, admiração e estima. Com certeza os seus feitos servirão de sumo proveito assim como um pouco de colírio para os olhos inflamados de saudade. Certamente serás eternamente lembrada, pois Pombal, que sempre honrou a memória dos seus filhos, não permitirá que algum motivo turve nossa visão e perturbe nossa mente deixando-a cair no rol do esquecimento. Que a luz da visão que aponta e ilumina os caminhos certos da vida nos façam ver com clareza tão fascinante mulher e que nenhum motivo incida no erro e na injustiça de esquecê-la.

Cessa: in memoriam
Com certeza os ex. alunos lembrarão “D. Cessa”, professora que compromissada com a missão de educar cultivou a educação como uma planta rara. Como escritora será sempre a acadêmica que inteligentemente soube expressar em palavras seus sentimentos envolvendo seus leitores e conquistando o respeito dos confrades. Como artista soube exibir suas aptidões eternizando-se na singularidade dos seus quadros. Será relembrada como poetisa renomada que através de rimas destacou-se revelando ao mundo seu sentimento de pureza e romantismo. É que o poeta e somente ele é capaz de sintetizar em palavras a experiência humana. Portanto, seu trabalho é por demais relevante, por isso, impossível de ser ignorado. Enfim, estaremos (eu e a família), relembrando da nossa honrosa convivência como amiga e, sobretudo na condição de compadres que nos permitiu uma amizade sólida, um convívio social afetuoso e a possibilidade de testemunhar essas qualidades.

Conclui-se que felizes são os que se vão deixando os seus contemplando orgulhosamente o seu passado. Felizes são os que deles se alegram na recordação. Assim é que toda Pombal se comportará em relação a Cessa Lacerda mantendo-a viva na memória, como viva estará na história de Pombal. Pombal exultará sempre o seu nome pela nobreza de suas atitudes.

Paremos por aqui para não me alongar, pois acrescentar algo a vida de Cessa seria abusar inutilmente.

Por tudo isso eis o meu tributo a CESSA LACERDA a quem tranqüila e merecidamente exalto após TRINTA DIAS DE SAUDADE.

Pombal, 25 de março de 2011.

*Professor, ex-Diretor da Escola Estadual “João da Mata” e ex-Secretário de Administração de Pombal.

ESSAS MULHERES

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Já se aflora a ideia de que as mulheres não tenham somente o dia (8), e sim todo o mês de março para serem homenageadas. Não é possível imaginar o mundo sem elas. Seria o Caos! A mulher é atraente, comunicativa, sensível, bonita, charmosa, elegante, meiga, sensual, afável, forte, dedicada, versátil, inteligente e compreensiva. É o centro de atenções em reuniões sociais, momentos festivos e outras ocasiões.

Houve um tempo em que a mulher desempenhava o papel de ser submissa e inferior ao homem. Autores literários como Alencar e Amado, deram valiosas contribuições com a literatura do romantismo e modernismo a fim que fosse banido do meio da sociedade o pensamento de que a mulher só servia pra... Aquilo. Nos dias atuais a mulher tem ocupado espaço na política, no judiciário, no comercio, em administração de empresas públicas e privadas ou qualquer outra atividade, que antes, só o homem achava-se no direito de exercer.

Recebi esta semana da União Brasileira dos Municípios (UBAM) - um release, dando conta que de 29 a 31 de março, a Estação Ciência Cabo Branco em João Pessoa, será sede do Encontro Nordestino de Mulheres Para o Desenvolvimento Social e Econômico, cujo evento vai integrar também O Encontro Nordestino das Primeiras-Damas. O Objetivo é debater a participação da Mulher no contexto econômico e social do país, bem como, criar a Associação das Primeiras Damas do Estado da Paraíba, entidade já existente no vizinho Estado do Ceará, criada e presidida pela esposa do Prefeito João Dimar, do Município de Limoeiro do Norte.

Segundo o presidente da UBAM, Leonardo Santana, haverá palestras, rodadas de discussões e entrega de material informativo. “É um evento importante, que comemora o mês das mulheres, que têm alcançado um lugar de grande destaque em nosso país, com a eleição da Presidente Dilma Roussef, quebrando um paradigma e abrindo novos horizontes para aquelas que sabem realmente administrar, com seriedade, compromisso, probidade, pontualidade.” Disse o presidente.

A programação trará a participação como presidentes de mesa: Nézia Gomes (secretária de políticas públicas para as Mulheres de João Pessoa), empresária Beatriz Ribeiro (Sistema Correio de Comunicação), a ex-deputada Iraê Lucena (secretária estadual de políticas para as mulheres), Douraci Vieira dos Santos (ex-secretária de estado), Vereadora Raissa Lacerda, Vereadora Sandra Morrocos, Crisneilde Rodrigues (presidente da Associação Promocional do Poder Legislativo da Paraíba), Pâmela Bório (primeira dama do Estado da Paraíba), a psiquiatra Célia Costa Lima (Presidente da APDMCE e primeira dama do Município de Limoeiro do Norte-CE) e Ana Claudia Vital do Rêgo (primeira dama do Município de Campina Grande-PB).


Pâmela Borio 1ª Dama PB

Na última quinta feira (17) na Escola de Servidores Públicos da Paraíba (ESPEP), a primeira dama do Estado, jornalista Pâmela Bório, que tem dado todo apoio ao encontro, realizou uma reunião com as primeiras damas e Prefeitas dos Municípios do território paraibano para os preparativos finais do evento. Várias primeiras damas puderam manifestar o seu contentamento, pois com a organização da APDMPB, elas terão oportunidades de traçar planos de trabalhos que nunca haviam realizados antes, com a total união de todas em torno do objeto jurídico.

O encontro tem o apoio do Governo do Estado da Paraíba, SEBRAE, Banco do Nordeste, Assembléia Legislativa da Paraíba, Associação Para o Desenvolvimento dos Municípios do Ceará (APDMCE), Prefeitura Municipal de João Pessoa, Prefeitura Municipal de Campina Grande, Magazine Luiza, Grupo São Braz, TV Correio, TV Máster, TV Tambaú e do Hotel Xênius que vai hospedar alguns das participantes.

Sonhando e lutando as mulheres têm o seu valor. Não estão mais ao sabor ou capricho de quem quer que seja. Nos vários seguimentos da sociedade deixaram de ser coadjuvantes e se tornaram profissionais de fato. Esses fatores advêm de suas conquistas com posicionamentos estratégicos, que variam de acordo com o grau de escolaridade e classe social.

Superando os preconceitos de uma sociedade pluralista, elas têm hoje maior participação em setores políticos, sociais e econômicos. O potencial delas é delineado pelo modo de decidir e escolher livremente com quem e como compartilhar suas relações conjugais e amizades.

Essas mulheres (Esas Mujeres) “Gravação1998”

Leandro & Leonardo

Essas mulheres
Nos tiram e nos dão a vida
Nos curam e nos abrem feridas
Difícil existir, sem essas mulheres
Essas mulheres
Um dia nos prometem o céu
No outro já nos mandam pro inferno
Difícil é viver, sem essas mulheres
Sem essas mulheres, não

Um dia nos destroem a alma
E com um beijo nos devolvem a calma
Não posso evitar, eu vivo implorando
Seus carinhos todo dia
Um dia nos destroem a alma
E com um beijo nos devolvem a calma
Eu não sei como fazer
Dou tudo só prá ter
Você acordando nos meus braços

Ah, essas mulheres
Essas mulheres
No meu poema o melhor verso
Na minha boca um doce beijo
Difícil esquecer Ah! Essas mulheres
Essas mulheres
No meu jardim a mais linda rosa
Eternamente a flor mais cheirosa
Peço a Deus prá não viver
Sem essas mulheres
Sem essas mulheres! , não

Ah! Essas mulheres...

Pombal 24/03/2011

*RADIALISTA
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HONRAS PÓSTUMAS A DOIS IRMÃOS...

Expedito F. Lacerda
A FRANCISCO FELINTO DE LACERDA (FRANCISQUINHO):

Meu irmão:

Você foi ao encontro de Deus em uma terra distante. Da mesma maneira que viveu, cercado de mistérios, de encontros e desencontros, você partiu. A morte lhe veio assim silenciosa, sem nenhum alarde, enquanto você dormia. Não pudemos lhe dar o derradeiro abraço de despedida, quando o soubemos outros familiares mais próximos e até por nós desconhecidos, já o conduziam à morada derradeira. Se é possível, para o nosso consolo, indagamos: onde ficou o Francisquinho, o espaçoso, que quando chegava, com sua presença enchia uma casa com sua voz forte, decidida, exigente? Em que mundos se escondeu a ponto de as poucas notícias que nos chegavam eram envoltas em sombras? Você passou mais de vinte anos sem dar notícias alguma para a família, mas você era lembrado e respeitado por todos como um mito. No coração do nosso pai, principalmente, você ocupava um lugar especial, e eu que era o irmão mais moço, assim como os filhos que você deixara, povoávamos o nosso pensamento com as poucas recordações que tínhamos compartilhadas de você. Mais tarde soubemos por pessoas com quem você encontrou, nessas longas caminhadas errantes que, sem se identificar, perguntava por todos nós, que não nos esquecera nem a sua terra, sempre atento às notícias de Pombal.

Mas não é desse Francisquinho dos últimos anos, que eu quero aqui lembrar. Quero lembrar o Francisquinho de minha infância, do Francisquinho que viu mais longe o meu futuro, trazendo-me para João Pessoa a fim de prosseguir em meus estudos, formar-me e ser na vida o que hoje sou e a quem agradeço ternamente. Permitam-me partilhar com vocês um pouco do depoimento que outros irmãos me davam, com quem Francisquinho teve maior convivência que eu: ele era o irmão mais velho, talvez o mais querido e o mais próximo a meu pai, de sua inteira confiança e que amava a minha mãe como um filho muito carinhoso, cuidadoso para com os irmãos, atento às suas necessidades, bem humorado, cheio de idéias, criativo, empreendedor, amigo dos amigos, solidário. Esse Francisquinho os anos não conseguiram arrebatar de nós; ele sempre foi assim, tentando resolver problemas de outrem, chegou ao ponto de esquecer-se de si mesmo, totalmente desapegado aos bens materiais. Não tinha nem uma morada certa onde pudéssemos entrar em contato com ele. Não nos procurou nos momentos de dificuldades por que certamente passou. Devem ter sido muitos! Acredito que no coração de cada um dos nossos irmãos cresce um pouco mais a sensação de nossa impotência, pois eu mesmo sinto profundamente, não ter podido fazer nada por ele. O nosso afeto e compreensão não foram suficientes para mantê-lo ao nosso lado e poder fazê-lo gozar os últimos anos de vida com mais conforto e tranqüilidade.

Você, Francisquinho, escolheu o caminho mais difícil, o da solidão talvez, das distâncias, dos silêncios... Só Deus, com sua infinita onipotência e sabedoria compreendeu suas razões e, como Pai amantíssimo, lhe recebeu em seus braços e lhe amparou na hora certa, concedeu-lhe o que nós, seus irmãos, em nossa pequenez não pudemos dar: deu-lhe a Paz que sempre buscou.

Descanse no repouso eterno, meu irmão. Saudades!...

ESPEDITO FELINTO DE LACERDA
João Pessoa-PB, 24/ 03 / 2011


A “DONA CESSA”, poetisa imortal da Academia Pombalense de Letras, no 30º dia de sua morte:

A poetisa e imortal Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes, que saiu do nosso convívio e hoje está com Deus todo poderoso, no mundo celestial, juntamente com seus pais, irmãos e amigos, recebe as homenagens póstumas que a sociedade pombalense, amigos e parentes lhes prestam nessa hora de tanta dor pela sua perda. Junto a nós, Pombal continua de luto e silencioso. Como é difícil encontrar pessoas com tanta dedicação à cultura, às letras e artes de nossa terra!

Incluindo-me às homenagens prestadas a essa filha ilustre de Pombal, com quem tive, como irmão, o privilégio de compartilhar momentos de discussões intelectuais e de trabalho, quero falar um pouco sobre essa irmã, amiga, companheira muito amada e admirada por todos nós: “DONA CESSA”. É sempre uma tentativa de descobrir os mistérios que a morte deixa irrevelados, e uma tentativa de chegar à posse do seu espírito. Aqui estou, prometendo aos senhores, ser breve e, ao mesmo tempo, tornar-me comparsa da protagonista desta homenagem. Como todo ser dotado de inteligência e sensibilidade aguçadas, “DONA CESSA” foi múltipla: mestra, pintora escritora e poetisa. Mas o que vou chamar atenção em sua pessoa, nesse momento, não foi essa multiplicidade comum nas pessoas intelectuais e emotivamente ricas, mas a relação dos seus “eus”, possivelmente díspares, uma unidade espiritual rara, que a vida e a obra exibem sob forte luz: o fato de ela clarear caminhos alheios, a sua atividade como poetisa.

Durante muitos anos, “DONA CESSA” foi Professora do Ensino Fundamental, iluminou muitos caminhos, orientando os alunos na leitura, ajudando-lhes a formar o espírito crítico, alargando-lhes os horizontes, a visão de mundo; preparando-os para o futuro Era no espaço da cultura que a dualidade em “CESSA” se resolvia, na vitória de um ser humano em participar do destino de outros seres humanos, preocupada em servi-los, em repassar o seu conhecimento para os amigos, apontar caminhos e prepará-los para as suas atividades. Precisamente nesta preocupação intelectual, que para nós se tornou histórica, residia o seu “sentido existencial”.

Não satisfeita por dispor apenas da possibilidade de incluir os escritores e poetas pombalenses entre os escritores paraibanos, não se conformando, queria um espaço de tempo maior para que os nossos poetas e escritores tivessem a oportunidade de conhecer o mais largamente possível os autores do nosso estado. O seu empenho foi grande para incluí-los nas academias de Letras e Poesia, e ela foi uma das primeiras acadêmicas pombalenses. Foi uma batalhadora, juntamente com a Dra. ONÈLIA ROCHA QUEIROGA, para que fosse criada a Academia de Letras de Pombal. Sua iniciativa foi fundamental e ainda hoje colhemos o fruto dessa brilhante idéia.

Com que alegria ela participava dos trabalhos acadêmicos! Sentia-se muito feliz com isso. Foi a oportunidade de informar sobre autores que ela conhecia muito, alguns ainda vivos, seus amigos e pares na Academia Paraibana de Poesia. Gostava de organizar eventos na Academia de Letras de Pombal na qual ela era a Presidenta e convidar alguns de seus membros para proferir palestras e poesias. Convidava, também, outras pessoas, professores, estudantes a vir a Academia para, nessa oportunidade, mostrar-lhes os monumentos, pontos históricos e apresentar-lhes essa casa de cultura, para conhecerem os acadêmicos, para que eles sentissem a humanidade que há em cada um, reconhecessem que não é o fato de alguém ser ou não considerado imortal que o abismo que existe no ser humano, deixará de existir...

Todos nós que a conhecemos, sabemos da grande paixão que ela nutria por Cecília Meireles, de modo que, por ocasião da escolha dos membros para a Academia de Letras de Pombal, ela ficou com a cadeira da referida escritora.

Outro fato que mostra a dedicação de “DONA CESSA”, o seu compromisso com a Poesia e com a formação cultural de nossos conterrâneos era sua preocupação em explorar a poesia vinculada à história. Para tanto, mesmo com os parcos meios de que a Academia dispunha, conseguia que os amigos adaptassem textos de autores pombalenses e os encenassem. Nunca esquecerei: num fim de tarde, vi vários amigos em sua casa, ao seu redor. Aquilo despertou minha curiosidade, fui informar-me: eles eram os atores de uma peça que estava sendo encenada sobre a “Semana Santa”. O teatro era a sua casa, o público e atores, os seus amigos. Fazia tudo isso em silêncio, sem alarde.

Inteligente, competente, comprometida com o seu trabalho e com as letras, amiga dos que estavam sempre ao seu lado com quem sempre manteve um bom relacionamento, interessava-se bastante pelo progresso deles e ao descobrir-lhes talento literário e poético em algum, incentivava-o, partilhava com ele a alegria da criação estética e com muito orgulho divulgava entre os colegas os textos por ele produzidos.

São estes alguns episódios da vida de nossa amada “CESSA” que nos acodem à memória que eu quis partilhar com os senhores neste instante de homenagem e de saudades. E como as veredas por ela trilhadas no campo do magistério, das letras e, sobretudo, da poesia, certamente, a lembrança de todos aqueles amigos ou colegas que com ela conviveram se ilumina da luz suave com que dissipou as trevas do desconhecimento e da insegurança; os que ficamos saudosos vamos tentando seguir os seus passos.
Não poderia deixar de citar uma de suas Trovinhas feitas em Homenagem a Pombal pelos 137 anos de Emancipação Política. CESSA tinha o coração dedicado a Pombal. Leiam!

TROVINHAS
Oh, minha cidade querida
a Ti eu rendo louvor
nesta data florida
porque é grande o meu amor!

Neste festivo dia
quero a Ti homenagear
com amor e simpatia
e poder também te abraçar!
Cessa Lacerda Fernandes.

Fique com Deus “DONA CESSA”, tua lacuna ninguém ocupará no nosso coração.

Te amei, te amo e te amarei sempre
Do irmão, amigo e admirador.

ESPEDITO FELINTO DE LACERDA 
João Pessoa-PB, 24/ 03 / 2011

COMENTÁRIO DE PAULO ABRANTES SOBRE O ARTIGO: CESSA LACERDA.

Paulo Abrantes
Caro Clemildo,
A Dra. Onélia Setúbal Rocha de Queiroga – estrela pulsante da literatura paraibana – fundou a Academia de Letras de Pombal, tomada por uma graça espiritual, só permitida aos eleitos da Providência, pois num momento de alegria, pela posse do amor de sua vida, o Desembargador Antonio Elias de Queiroga, no mais alto posto da magistratura paraibana que é a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, tinha tudo para esquecer a nossa terra natal. Pelo contrário, Pombal foi a primeira cidade a ser contemplada, lembrada, e construção concluída com a Casa do Saber. Foi buscar em Dona Cessa Lacerda, sua amiga, a pessoa ideal para dar asas a sua fértil imaginação. E ela, a nossa saudosa poetisa, ficou na Presidência e deu conta do recado magistralmente.

Agora a Presidente e a Vice, tinham a incumbência de compor os imortais. Não foram buscar grandes nomes da magistratura. Bem ao contrário, dirigiu-se aos meios onde existiam livres e esquecidos do sorriso da riqueza, os talentos que representam autênticos valores literários em sua terra, Pombal. E lá, assentaram poetas, escritores, cronistas, romancistas e teatrólogos, porque é com eles que estava o verdadeiro espírito literário.

Dra. Onélia Queiroga, é posuidora desse amor, dessa consideração sublime pelas pessoas de sua amizade, pelas colegas de seu tempo de Escola Normal Arruda Câmara em Pombal, entre elas a minha querida irmã Ilma. É uma marca indelével de sua personalidade, pois não precisava ser de famílias afortunadas, de posição social elevada, de cor ou credo religioso para que ela lhes tivesse afeição e amizade. Quando do lançamento de meu livro, A Dama da Rua Estreita, lá, ela estava, ao lado de seu querido esposo, Des. Antonio Elias de Queiroga, com Dra. Livramento Bezerra e Dr. Osman Rocha e esposa, presenças reluzentes, para aquele momento importante para mim, que me encontrava cheio de alegria, sendo prestigiado com suas presenças, no lançamento simples do livro de um filho de Augusto.

É esta a personalidade altruística de Dra Onélia Queiroga, que hoje homenageia a poetisa Cessa Lacerda, sua amiga de infância, que partiu para eternidade. Se temos – honra maior, supremo presente da Sorte que nos empolga e envaidece – é contarmos com a grandiosidade de espírito de Dra. Onélia Queiroga . Isto conforta e encoraja a lutar por nossa Pombal.

Paulo Abrantes de Oliveira, engenheiro civil e escritor pombalense.

CESSA LACERDA

Onélia Queiroga
Onélia Queiroga*

Com o nome de rainha, Maria do Bonsucesso de Lacerda Fernandes, não poderia ter outro destino que o de brilhar no trono real do magistério e da literatura, com faixa e coroa.

Conhecemo-nos nos bancos escolares da Escola Normal Arruda Câmara. Ela, a oradora da turma, eu, a caçula, sua protegida e da irmã Neves Lacerda, de todas as peraltices que praticava.

Os elos de amizades entre nós não se desfizeram com o término do curso. Tornaram-se, com os anos, mais fortes e profundos pelo culto do magistério, nossa verdadeira vocação. Formar as gerações do futuro era o penhor maior do nosso espírito. E, quantas vezes, trocamos idéias sobre essa inclinação irresistível!

Afinávamo-nos, ainda, no amor às letras. Ela mais abrangente do que eu, por ter enveredado na arte pictórica, deixando-me, como lembrança, o quadro do rio de Pombal, com a famosa “Pedra do Sino”. Hoje, essa tela adorna a sala da nossa casa em Pombal.

Em 1995, revelei-lhe o desejo de construir a Academia de Letras de Pombal. A sua dúplice resposta de alegria e sentida emoção externou-se nos seus olhos, plenos de lágrimas cintilantes.

A ALP foi inaugurada em janeiro de 1997, com pompa e prestígio. Na ocasião, discursamos: ela, como a primeira Presidente eleita; eu, como Vice-Presidente, fundadora e responsável pela edificação do sodalício.

Quatorze anos se passaram. E Cessa, com o apoio integral do marido, seu grande amor, e dos filhos, dedicou-se integralmente à Casa do Saber. A sua vida e a da Academia estavam de tais formas entranhadas que esta se tornou a sua feição e ela a cópia fiel daquela. Eram inseparáveis.

Inseparáveis, sim, até que a vida de Cessa Lacerda completou o seu ciclo temporal, em 25 de fevereiro de 2011. Fechou os olhos, em calmaria, e se foi para junto do Pai.

Todos nós, pombalenses e amigos, ficamos desolados. O funeral foi na Academia, com missa cantada pelos integrantes do ECC, menos ela, que jazia, silente. Fui a primeira a homenageá-la, ao pé do caixão. Muitos me seguiram. Reconfortei-me, por sabê-la querida e amada. Também pelo dom que Deus lhe deu de ministrar o ensino e o conhecimento aos seus inúmeros discípulos, que, por isso, foram aquinhoados pelo Destino.

*Escritora. João Pessoa - PB
Coluna Onélia Queiroga "aos domingos" Jornal Correio da Paraíba de 20/03/2011.

SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL - PARTE 1 e 2

 Atenção Primária à Saúde e Estratégia Saúde da Família -

Cessinha Neta (Foto)
Mª do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*
A compreensão de todo o funcionamento e da evolução das políticas públicas de saúde no Brasil é complexa e merece estudo apurado. Discutirei um pouco sobre a Atenção Primária à Saúde (APS) e sobre a Estratégia Saúde da Família (ESF), relatando fatos da história de ambas e destacando desafios presentes e futuros na tentativa de aperfeiçoar tais sistemas. Além disso, abordarei resumidamente os Sistemas de Informação em Saúde, mostrando sua importância.

Nos países chamados desenvolvidos, surgiram idéias e conceitos que sofreram mudanças até chegar ao que se entende hoje como APS. No desenvolvimento de tais definições, houve marcos importantes, dentre eles, a Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde em Alma-Atá em 1978, trazendo segundo a Declaração de Alma-Atá, a proposta de que a APS é a chave para alcançar um nível aceitável de saúde para a população, sendo válida para todos os países do mundo, assumindo formatos distintos, de acordo com a realidade de cada nação.

Segundo Starfield e Vuori, a APS é um tipo de atenção à saúde que organiza e racionaliza o uso dos recursos, buscando inverter a priorização das ações de saúde de uma abordagem simplesmente curativa para uma abordagem preventiva e promocional, integrada com outros níveis de atenção e contando com diversos profissionais de saúde.

A partir de evidências da efetividade da APS em vários países, no Brasil, surgiram também a necessidade e o desejo da construção de um sistema de saúde baseado em APS.

Em 2005, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), lançou um documento intitulado “Renovação da Atenção Primária à Saúde das Américas” para servir como fundamento para a organização dos componentes de um sistema baseado em APS, sendo que cada país desenvolvesse suas próprias estratégias de renovação.

No decorrer dos anos, no Brasil, destacaram-se diferentes modelos técnico-assistenciais. No início do século XX, o modelo conhecido como Sanitarismo Campanhista, direcionado a políticas de saneamento dos espaços de circulação de mercadorias exportáveis (em virtude do modelo agroexportador da economia brasileira), vigorava. Em 1923, a “Lei Elói Chaves” marca o surgimento da Previdência Social, com a criação das Caixas de Aposentadoria e Pensões (CAPs). Por volta da década de 50, com o avanço da industrialização, surge o modelo médico-assistencial privatista.

Com o movimento da Reforma Sanitária, avanços sociais e políticos e aprovação dos princípios norteadores do SUS, o Brasil começa a galgar novos caminhos rumo a melhorias na saúde brasileira.

Na década de 1990, o Brasil encontrava-se em fase de transição epidemiológica, visto que havia número crescente de casos de doenças crônico-degenerativas associadas às doenças infecto-contagiosas, já presentes em larga escala. O descaso com a atenção primária era evidente.

A Constituição Federal de 1988 é considerada marco regulatório do sistema de saúde brasileiro, porque definiu a construção de um Sistema Único de Saúde, caracterizado pelos princípios de universalidade, equidade, hierarquização das atribuições das três esferas do poder público, integralidade, descentralização e controle social.

Observa-se que o SUS (Sistema Único de Saúde) está intimamente ligado à implantação da ESF no Brasil. Tal política de saúde (nascida em 1994) surge como uma forma de consolidação dos princípios do SUS e permite reorganizar a rede de assistência à saúde, caracterizando-se por ser dinâmica, coletiva e direcionada à municipalização da saúde e à integração dos níveis primário, secundário e terciário da prestação de serviços de saúde.

A ESF é uma política flexível e em processo de construção, trazendo benefícios e mostrando dificuldades. Com ela, surgiram exigências: comprometimento de recursos federais para a expansão da rede assistencial local, autonomia municipal na orientação da estratégia, novas responsabilidades de gestão e demanda por profissionais qualificados. Por outro lado, trouxe a oportunidade de expandir o acesso à atenção primária.

Como a ESF é baseada na problemática da comunidade, pode-se inferir que há diferenças marcantes nas experiências de cada município. A diversidade de experiências resulta de: variedade de tempo de implementação, capacitação dos profissionais, compromisso dos gestores, estabilidade de financiamento e do nível de apoderamento comunitário.

A ESF consiste em modelo assistencial operacionalizado através de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde (UBS). As equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada, desenvolvendo ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde da comunidade. O Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), criado em 1991, está inserido nesse contexto.

Desde a implantação da ESF, existe a necessidade de trabalhar com duas ações conjuntas: aumentar o número de acessos à ESF e discutir um meio de consolidar a qualidade nas ações do programa e integração à rede assistencial do SUS. Nem sempre isso é fácil.

Verifica-se que houve relativa expansão no acesso às equipes de saúde da família, melhoria da cobertura da ESF, maior integração das ações da ESF com as ações de saúde secundárias e terciárias, além de intensificação dos processos de participação comunitária.

A Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080/90) consolida a competência do município, definindo os papéis das três esferas de governo e estabelecendo para o poder público municipal a função de gestor da atenção à saúde dos seus munícipes.

Cabe aos gestores municipais: definir e implantar o modelo de atenção básica em seu território; contratualizar o trabalho em atenção básica; manter a rede de unidades básicas de saúde em funcionamento (gestão e gerência); co-financiar as ações de atenção básica; alimentar os sistemas de informação; avaliar o desempenho das equipes de atenção básica sob sua supervisão.

Creio que as estratégias para melhorar a resolutividade da Atenção Básica das UBSFs de Patos estão em processo de evolução (a passos lentos, é bem verdade), vencendo os desafios existentes, na medida do possível, visto que há, inicialmente, uma preocupação quanto à expansão do acesso às equipes de saúde (através do aumento no número das UBSFs na cidade) e contratação de profissionais qualificados e compromissados. Pode melhorar, caso haja investimento maior em capacitação profissional e caso leve em consideração, a opinião da comunidade local em alguns aspectos relevantes. Importante atentar que quando se tem serviços de Atenção Básica efetivos, logicamente, os serviços de alta complexidade são menos requeridos.

Logo, para que se consiga aprimoramento da ESF, é necessário lidar com uma série de desafios, tais como: capacitação de gestores, capacitação de profissionais de saúde, mudança nos cursos de graduação de saúde, investimento na interdisciplinaridade das ações da ESF, medidas de qualidade para que haja processo de monitoramento e avaliação dos problemas no nível local, estabilidade das relações profissionais e de trabalho, garantia de mecanismos formais de participação popular, implementação de políticas de comunicação social.

Saúde pública no Brasil – Parte 2

-Sistemas de Informação em Saúde-

Como é possível saber a eficácia dos serviços de saúde e se as mudanças introduzidas estão surtindo efeito? É necessário monitoramento adequado e para tanto, existem mecanismos de coleta e análise de dados, através dos chamados Sistemas de Informação em Saúde (SIS). Importante também, nesse processo, são o crescimento do controle social e o compromisso com a fidedignidade das informações fornecidas e analisadas pelos profissionais atuantes na área de saúde.

Os principais sistemas de informação em saúde são: SINASC (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos), SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação), SISVAN (Sistema de Informações de Vigilância Alimentar e Nutricional), SIAB (Sistema de Informações de Atenção Básica), SIA/SUS (Sistema de Informações Ambulatoriais), SIH/SUS (Sistema de Informações Hospitalares) e SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade). Vale lembrar que ainda existem outros sistemas.

No que diz respeito ao SIAB, pode-se dizer que, através das informações colhidas, verifica-se a realidade da comunidade avaliada, conhecendo as doenças mais prevalentes, em que faixa etária ocorre, se a localidade apresenta áreas de risco para a saúde da população, dentre outros fatores. Através do conhecimento da realidade local, torna-se possível a elaboração de estratégias de melhoria da qualidade de vida dos moradores da área e a promoção de ações que possam gerar reais mudanças.

Além disso, existe a participação das Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica, as quais permitem monitorar a realidade da saúde, atuando em diversos setores da sociedade. A Vigilância Sanitária é responsável pelo planejamento de ações capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários. Já a Vigilância Epidemiológica tem as seguintes competências: deter e prevenir quaisquer mudanças nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, recomendando medidas de prevenção e controle.

Como a sociedade deve atuar nesse processo? Informar-se a respeito das condições de saúde da sua cidade, dos serviços de saúde disponíveis, conferir as propostas dos gestores, no tocante à saúde, e zelar para o cumprimento dos deveres dos mesmos.

Havendo união dos gestores, profissionais da área de saúde e população, é bem provável a construção de uma história diferente para a saúde local e brasileira, visto que juntos, torna-se concreta a definição das prioridades dos munícipes, desenvolve-se a melhor forma de planejamento e cria-se a maneira mais fidedigna de controlar e avaliar os serviços de saúde.

Sendo assim, constata-se que as melhorias, apesar de difíceis, são possíveis mediante perseverança e trabalho árduo. Não existe perfeição, todavia quanto mais se busca atingir a mesma, mais crescimento nos serviços públicos de saúde é observado. Essa luta não pode cessar.

Referências

1. CAMPOS, G. W. S., et. al. Tratado de saúde coletiva. São Paulo: Hucitec, 2007.

Disponível em:
1. http://www.saude.gov.br/
2. http://bvsms.saude.gov.br/php/index.php
3. http://www4.ensp.fiocruz.br/radis/
4. http://www.datasus.gov.br
5. http://www.anvisa.gov.br
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com

*Patoense, 22 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
Acadêmica do 10º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
Membro da Academia Patoense de Artes e Letras.

O ESCÁRNIO DA MORTE!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

“Aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” Hb.9:27

Ouvimos constantemente pessoas afirmarem: Não me conformo com a morte! De fato, a morte é um mistério; a nós pecadores, não nos foi dado o direito de saber a profundidade desse mistério. “... Somos entregues à morte continuamente, somos considerados como ovelhas para o matadouro”. Sl.44:22. Sabemos o que é a vida, mas sem a revelação divina, não sabemos ao certo o que seja a morte, exceto que ela é o fim da vida. Como diz o livro de oração da Igreja Episcopal Anglicana “No meio da vida estamos em morte”. Isto quer dizer que a morte faz parte da vida.

Hoje as pessoas referem-se a mim e a você pelo nome, mas, amanhã quando morrermos, a identificação será apenas por nosso estado – “o falecido”. Quer queiramos ou não, quer pensar e se preparar para ela ou não, se nós sabemos sobre o futuro ou não, a nossa morte vai acontecer. “Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro? Sl 89:48.

Catástrofes e tragédias vêm se abatendo sobre o planeta. O terremoto e tsunami que atingiram o Japão na última sexta feira (11), segundo dados divulgados pela Polícia Nacional japonesa nesta quinta feira (17), dão conta que o número de mortos chegou a 5.178 em 12 Prefeituras (distritos), enquanto que cerca de 8.606 continuavam desaparecidos. Além do mais, o Japão enfrenta no momento tremores secundários, ameaça nuclear e crise humanitária. Segundo especialistas, essa é a mais grave crise nuclear no planeta, desde o acidente na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Em nosso país, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, por causa das fortes chuvas caídas ultimamente na região vem se registrando algumas mortes e números consideráveis de desabrigados. Dez cidades em Santa Catarina já estão em situação de emergência. No Município de São Lourenço do Sul (RS) foi decretado estado de calamidade pública, registrando-se sete mortes na cidade e uma pessoa desaparecida. No Paraná, segundo boletim divulgado pela Defesa Civil na segunda feira (14), quase 25 mil pessoas foram afetadas. Entre desalojados e desabrigados mais de 9,8 mil tiveram que deixar suas casas.

Também, o escárnio da morte está entre nós, embora em proporções menores. Contudo, nos fere muito, pois são pessoas do nosso convívio e amizade, que se vão e que nunca mais veremos. Nossa cidade ultimamente teve o infortúnio de registrar com tristeza a perda de alguns entes queridos de tradicionais famílias.

As áreas da Comunicação e Cultura foram as que mais sofreram baixas, com os falecimentos das professoras Ivanil Salgado, Fátima Buzina, Cessa Lacerda e André Luiz de Sousa Vasconcelos, professor da UFCG de Pombal, além do Jornalista Paulo Queiroz, que, embora morando distante, em Rondônia, a notícia de sua morte nos surpreendeu bastante. Nesta semana foi à vez do professor, escritor, poeta e ex-vereador Expedito Abrantes.

Sei o quanto é difícil para nós humanos compreendermos essas coisas, no entanto, devemos encarar a morte como um momento passageiro, firmados nas palavras do Senhor Jesus que disse: ”Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês Isto?” Jo.11:25,26.

Jesus o verbo encarnado de Deus enfrentou a morte e deu a sua vida por nós. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Rm 5:8. Ele Despojou principados e potestades triunfantemente - com a sua morte na cruz, e ao expirar disse: “Está consumado!”

No tempo certo, já determinado por Deus, a morte que é descrita na bíblia como o último inimigo do homem, será destruída. Cumprir-se-á o que está escrito: “Tragada foi a morte pela vitória” 1Cor 15:54. Diz o Apocalipse: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. Ap 21:4.

Concluindo, evoco a afirmação do grande evangelista norte americano Billy Graham, considerado o maior pregador do Século XX, que com 92 anos de idade ainda lúcidos, está escrevendo um livro sobre Envelhecimento.


Biily Graham

“É estranho que os homens se preparem para tudo, exceto para a morte. Nós nos preparamos para instrução. Preparamo-nos para o trabalho. Preparamo-nos para nossa carreira. Preparamo-nos para o casamento. Preparamo-nos para velhice. Preparamo-nos para tudo, exceto para o momento em que vamos morrer. E, no entanto, a Bíblia diz que estamos todos destinados a morrer um dia". Billy Graham.

Pombal, 17/03/2011
*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com
Twitter @clemildobrunet
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

O Jornal "Avanço": 42 anos depois

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Inegavelmente, o papel que a imprensa tem desempenhado como “olhar onipresente do povo”, mesmo cometendo erros, tem sido salutar para o aperfeiçoamento de uma sociedade democrática em nosso país. Logo cedo, ainda na flor da minha adolescência, no final da década de 60, ao lado de grandes baluartes como Clemildo Brunet, Manuel “Arruda”, Genival Severo, Zeilto Trajano, Verneck Abrantes e tantos outros, eu pude compreender ser imprescindível para a sociedade a manutenção dos valores tradicionais do jornalismo.

Todos nós, em pleno regime da ditadura militar, já compreendíamos muito bem o “papel da imprensa” na sociedade, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Compreendíamos a importância da imprensa gritada na Revolução Francesa. Ou na derrubada do Czar na Rússia, divulgando o grito de jovens por objetivos de melhoria social.

No meu caso pessoal, em 1969, optei por ir estudar em Campina Grande. Lá, pude me engajar totalmente na imprensa, passando por rádios, jornais e, posteriormente, televisão. Sempre acreditando na liberdade de uma imprensa capaz de cumprir com o seu papel de pressionar e conscientizar as classes superiores na busca de uma sociedade mais igual.

 Jornal "AVANÇO"
Anos e anos se passaram. Estando eu já trilhando outros caminhos – o da Justiça – me chega ao conhecimento algo prazeroso que me irradiou de alegria, pois, confesso, não me lembrava mais desse feito. Através do também pombalense Ricardo Ramalho, recebo cópia de um exemplar – o de número 01 – do Jornal “Avanço”, com data de dezembro de 1968. E lá estavam apostos no expediente do folheto: Ricardo Luiz Ramalho, Werneck Abrantes, José Ademi Queiroga, F. das Chagas Werton, Alberto A. Bandeira, Geraldo Nóbrega e Maciel Gonzaga. Lá, todos nós falávamos de arte, de cultura, de uma melhor educação, combatíamos a miséria, combatíamos a guerra do Vietnã. Divulgávamos até a letra da música de Geraldo Vandré – “Pra não dizer que não falei de flores”.

Ressalte-se que o ano de 1968 foi o ano louco e enigmático do século passado. Ninguém o previu e muito poucos os que dele participaram entenderam afinal o que ocorreu. Deu-se uma espécie de furacão humano, uma generalizada e estridente insatisfação juvenil, que varreu o mundo em todas as direções. Ano de chumbo do Golpe Militar de 64. Mas, nós jovens estudantes pombalenses estávamos lá, de cabeças erguidas. Buscávamos incutir nas mentes da sociedade uma consciência para se entender o mundo de forma mais justa e equânime através de um bem precioso: a informação.

Hoje, bem mais amadurecido, depois de trilhar pelos caminhos do Direito e da Justiça, compreendo a importância do nosso feito através da informação, peça fundamental da liberdade, principalmente quando é praticada de forma isenta e responsável.

É bem verdade que, durante muitos anos, a nossa imprensa padeceu de censura, perseguições, com mártires como Vladimir Herzog. Agora, num momento em que as novas mídias alteram o modo de operar dos conglomerados de comunicação e que a tecnologia aponta um novo rumo na forma de interagir do cidadão com os meios de comunicação, cabe-nos lembrar desse grupo de jovens pombalenses – no qual me incluo. Ontem, como hoje, todos nós continuamos a entender que a imprensa tem um papel importante, se souber canalizar suas energias para ajudar na formação do povo brasileiro, na construção de um país democrático, plural, sem abrir mão de sua independência.

Por isso, num cenário como o de hoje, de plena liberdade, temos mais um motivo para aplaudir o Jornal “Avanço”, digno órgão oficial dos estudantes secundaristas de Pombal.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

CONVITE E AGRADECIMENTO

Em nome de nossa família agradecemos a todos os amigos, parentes e admiradores de nossa inesquecível
CESSA LACERDA

Reconhecemos fielmente a todo (a)s aquele (a)s que estiveram conosco neste momento de extrema dor, compartilhando a amargura e chorando conosco pela partida prematura da Poetisa, Artista Plástica e Professora

MARIA DO BOM SUCESSO DE LACERDA FERNANDES

Um abraço fraterno.

BIBIA E FILHOS

AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A AGONIA DO PLANETA!

Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” Rm. 8:22.


CLEMILDO BRUNET*

A humanidade precisa tomar consciência que os problemas relacionados com as mudanças climáticas da terra, têm muito a ver com a maneira como eles são encarados pelos próprios habitantes do globo terrestre. O que tem se lido por aí afora é que o ser humano por não haver pensado no futuro, vem sofrendo consequências inimagináveis, atingindo a vida das pessoas e tudo que lhes pertencem.

Lembro-me de um tempo em que se ouvia sobre desastres e catástrofes em outras partes do mundo, era corrente afirmar que isso nunca aconteceria aqui, por causa da posição geográfica privilegiada do Brasil. No entanto, estudiosos têm buscado encontrar respostas para os fenônemos da natureza que estão acontecendo, principalmente no sul e Sudeste.

As muitas enchentes que tem se dado em algumas cidades brasileiras, a exemplo de Santa Catarina, Minas Gerais e ultimamente no Rio de Janeiro, não são somente enchentes de chuvas torrenciais, há também tufões e tornados de escalas médias. São catástrofes naturais matando pessoas inocentes que não podem mais viver em paz nas cidades que moram.

Por falar em tornados, cidades aqui da Paraíba a exemplo de Várzea e Uiraúna, na última terça feira de Carnaval 08/03/2011, registraram fortes ventos com velocidade de 80 km/hs., provocando estragos e nervosismo na população. Casas foram destelhadas, tetos desabaram, árvores e muradas caíram e antenas parabólicas destruídas.

Já na tarde da quinta feira dia 03 de março, em Jardim do Seridó - no Rio Grande de Norte, um vendaval se abateu sobre a cidade. Muitas casas também foram destelhadas e casos mais graves foram registrados no Ginásio de Esporte e no Posto de combustível. A cobertura caiu por cima das bombas, dos carros e motos. O Ginásio também perdeu sua cobertura. Postes e árvores caíram pelas ruas da cidade.

Para especialistas, essas ocorrências têm relação com as mudanças do clima que vem ocorrendo em todo o mundo, sendo que as causas têm um componente natural, além da influência do homem. Conforme dados divulgados no Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado às Organizações das Nações Unidas, a temperatura média hoje da Terra é de 14° C, sendo que nos próximos 100 anos poderá aumentar entre 1,4° C e 5,8° C. Isso significa a elevação da temperatura para algo entre 15,4° C e 19,8° C.

De acordo com o técnico em mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago, o efeito estufa é um fenômeno natural, mas há atividades que têm contribuído de maneira significativa para o aumento dos efeitos na Terra. “A emissão de gás carbônico proveniente do setor energético tem contribuído com 75% das emissões de gases efeito estufa no mundo”, alertou. Os outros 25% da emissão de gás carbônico são provenientes do setor de transporte, do uso da terra e floresta, com destaque para a agricultura e o desmatamento.

A CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil adotou como tema da Campanha da Fraternidade deste ano: Fraternidade e a Vida no Planeta. “O objetivo da campanha é de contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participarem dos debates e ações que visam enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta” declarou o secretário-geral da CNBB dom Dimas Lara Barbosa. A Campanha da fraternidade teve início nesta quarta feira de cinzas e se estenderá por todo período da quaresma.

Entre as ações práticas sugeridas pela campanha da fraternidade este ano, estão a redução do uso de sacolas plásticas, o uso de energias renováveis e mudanças de hábitos de costume. “Pergunta-se o que o cidadão comum pode fazer. As enchentes em São Paulo e em outros capitais, por exemplo, poderiam ser minimizadas se não houvesse uma massa de detritos jogados nos rios”, citou dom Dimas.

Façamos a nossa parte colaborando com a preservação do meio ambiente. Que Deus nos ajude!

Pombal, 10/03/2011

*RADIALISTA
Twitter @clemildobrunet
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

SIN JOR-RO LAMENTA A MORTE DE SEU EX-PRESIDENTE PAULO QUEIROZ

Paulo Queiroz Bezerra
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Rondônia (SINJOR) vem de público lamentar a morte do jornalista Paulo Queiroz Bezerra, ocorrida prematuramente, nesta capital.

Primeiro presidente do SINJOR, Paulo Queiroz era um dos esteios da imprensa rondoniense. Funcionário público aposentado, tendo prestado serviços à Universidade Federal de Rondônia, Paulo Queiroz mantinha colunas políticas no jornal Estadão do Norte, e em vários sites regionais, além de dar assessoria a organismos públicos e privados.
Criador do site de notícias RONDONIASIM, o jornalista Paulo Queiroz escolheu para morrer, exatamente, o local onde exerceu seus últimos momentos da profissão a que tanto se dedicou.

Lamentando o triste fato, a Diretoria do SINJOR apresenta condolências aos familiares, amigos, e aos jornalistas que tiveram em Paulo Queiroz um espelho de profissionalismo, e exemplo de dignidade humana.

Porto Velho, 10 de março de 2011

CARLOS ALENCAR
Presidente
Autor: ASSESSORIA
Fonte: O NORTÃO


SEPULTAMENTO DE PAULO QUEIROZ.

O jornalista e articulista politico, Paulo Queiroz, foi sepultado no final da tarde desta quinta-feira, 10/03, no cemitério Jardim da Saudade em Porto Velho. O velório aconteceu na sede da Unir Centro onde foram prestadas as últimas homenagens ao jornalista.

A causa da morte do profissional de imprensa ainda é desconhecida, e o IML (Instituto Médico Legal), ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.

Paulo Queiroz saiu na última segunda-feira de sua residência, e foi encontrado morto no início da noite dessa quarta-feira na sede do seu jornal.

MORREU O GRANDE MESTRE

 Por Filipe Jéferson
Noticias - 10/03/11 - 12h51

Ontem recebi uma noticia que não quis acreditar, ou melhor, não quero acreditar e está sendo difícil assimilar tal perda, Paulo Queiroz havia sido encontrado morto, Paulo fazia parte do grupo dos homens bons, daqueles que dava gosto de estar perto, era calmo, sensato e inteligente, dono de uma escrita incrível e de um senso critico mais incrível ainda, pai do meu amigo Paulo Henrique, tio Paulo como carinhosamente eu o chamava, tinha o dom de contar os causos e as melhores histórias que eu já ouvi, sempre com personagens da nossa querida Paraíba. Morreu aquele que pra mim era um espelho, um baluarte, um símbolo do jornalismo verdade, critico e independente, não era apegado a nenhum grupo político e diante disso tinha independência para falar a verdade e criticar aquilo que deveria ser criticado. Nunca pediu voto a ninguém, mais também não pedia favores, eu o considerava um professor, não de jornalismo, por que não sou jornalista, mais um professor de vida, seus conselhos eram memoráveis, sua história de vida um filme a ser visto várias vezes, ele era o exemplo de que era melhor passar fome honestamente do que comer um banquete com dinheiro roubado, não se vendia jamais e dizia sempre a verdade.

Jornalista Paulo Queiroz Bezerra - Natural de Pombal-PB
O vicio to álcool jamais tirou o seu brilhantismo, talvez dava mais sensatez e senso critico, eu costumava dizer que tio Paulo era como o Ronaldo Cunha Lima, um político da nossa terra que sempre que tomava umas fazia versos, poesias e sempre que tinha chance criticava seu próprio governo. Tio Paulo me incentivou a escrever, ele lia meus textos corrigia e sempre acrescentava algo, era bom estar ao seu lado, quando eu o encontrava na universidade federal, eu me sentia perto talvez de um discípulo direto de Platão ou Sócrates, o seu senso era iluminador, talvez por ser um iluminista moderno, por representar na atualidade as idéias de Montesquieu ou Voltaire, tio Paulo vai deixar saudades, assim como Manelão e Dr. José Carlos Silva de Lima (seu amigo de longa data que morrera em 2009), vai ser difícil abrir o jornal e não poder ler seus textos, vai ser difícil andar pela universidade federal e não encontrar aquela pessoa que tinha sua marca própria em andar de camisa de mangas compridas, calças jeans surradas e chinelas havaianas que quando questionado dizia que era o modo de o matuto se vestir no sertão paraibano.

Não sei se terei coragem de ver o grande tio Paulo depois de ter feito a sua passagem para o outro plano, talvez eu vá apenas para dar um forte abraço ao meu amigo de infância Paulo Henrique e a Tia Dora, não será fácil a partir de hoje lembrar que meu espelho quebrou, que já não terei mais em que olhar e lembrar na hora de tecer meus textos e criticas, sai de cena o homem, pai, honesto, honrado, digno, critico, apolítico e entra o mito a ser estudado e lembrado por todos de bem que militam no jornalismo rondoniense. O homem que saiu da pequena Pombal na Paraíba para entrar na história de Rondônia, que aqui constituiu família e todas as riquezas de sua vida como seu trabalho e seus amigos e que sem dúvidas será um objeto de estudo e acima de tudo de referência para os próximos que virão.

Ao amigo Paulo Henrique e sua mãe tia Dora, deixo meu abraço carinhoso e fraterno, a dor de vocês é a minha dor e de minha família, minha mãe chora como se tivesse perdido um irmão, o problema era que eles eram irmãos da mesma terra e vieram naqueles tempos onde aqui só viviam destemidos pioneiros. Ao José Carlos Sá, digo para não chorar tanto, pois existe um ditado que diz os bons morrem cedo por que Deus precisa deles e ele de onde estiver estará nos iluminando e protegendo. Aos outros amigos de tio Paulo digo e peço para continuarmos em frente não deixar a sua luta acabar e acima de tudo dar continuidade no seu legado, lutando por um Estado e País melhor, usando a arma que nos foi dada a palavra e dom de escrever.

Os três tempos não acabaram apenas vão se escritos em outro plano, e o que me conforma e saber que eu tive a oportunidade, o prazer e o privilégio de ter estado tão perto de um ser como tio Paulo, que dentro do meu interior representava o ídolo, o ícone e o caminho a ser seguido.

As lagrimas me acompanharam nesse texto, nesse tributo, mais foi ele quem me ensinou que para se escrever tem que ter sentimentos e transformá-los em letras, palavras, versos ou estrofes, mais sempre externar como objetos de leitura para o mundo.

Vá com Deus tio, que aqui nós ficamos com ele.

Filipe Jéferson Guedes Aragão.
Fonte: Rondonotícias.

JORNALISTA FILHO DE POMBAL MORRE EM RONDÔNIA

Paulo Queiroz Bezerra - Jornalista, natural de Pombal-PB.
Urgente: Jornalista Paulo Queiroz é encontrado morto na sede de seu jornal Noticias - 09/03/11 - 20h58 - Atualizado em 09/03/11 - 21h15

O jornalista Paulo Queiroz Bezerra, um dos mais conceituados do Estado, foi encontro morto nesta quarta-feira, 09/03, na sede do site Rondoniasim, situado na avenida 7 de setembro com Campos Sales em Porto Velho.

De acordo com a família do jornalista, desde segunda feira, 07/03, ele saiu de casa para ir até a sede no Jornal e não mais havia retornado, quando foi encontrado. Queiroz era natural do Estado da Paraiba, faria 63 anos no próximo dia 15 e há mais de três décadas atuava com eficiência e prestígio no jornalismo da capital.

Em Porto Velho, trabalhou nos principais jornais impressos. Era autor da prestigiada coluna Política em Três Tempos do jornal O Estadão do Norte. Foi secretário -adjunto de Comunicação do Governo Raupp, assessor de imprensa da Universidade Federal de Rondônia e presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado

Fonte: Rondonotícias 

CRUELDADE DO TEMPO QUE PASSOU E DOS QUE NOS RESTA

Jerdivan N. de Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

“Eu desisto não existe essa manhã que eu perseguia, um lugar que me dê trégua ou me sorria, uma gente que não viva só pra si”. Um lugar onde o badalar do sino da minha idade silencie para não me lembrar que o tempo transformou o mundo em algo tão monótono, sem objetivo e sem graça.

Eu quê fui de ônibus até o Rio de já Janeiro só para ouvir Dr Ulisses, carreguei “pirulitos” em memoráveis passeatas pelas “Diretas Já”, “Fora FMI”, a “Petrobrás é Nossa”, e até chorei ao ouvir a noticia da morte de Tancredo, jurei votos de silencio eterno por Elis e Tom Jobim, estive presente nos dez anos do PT em Curitiba só para ver Lula de perto. Trajei, sobretudo e boina tal o guerrilheiro Che Guevara, fui “fiscal do Sarney” e pintei faixas e rostos pelo “Fora Collor”, me indignei com os jardins da Casa da Dinda, enquanto os urubus passeavam no meu quintal, corri do exercito e até de índios acivilizadados em Porto Seguro, nos 500 ano do Brasil, agora, sinto que me falta papel em branco para continuar a escrever novas páginas da minha história.

Um segredo que queria levar ao tumulo, mas, hoje faço questão de revelar, é que há anos, talvez cinqüenta, não recordo bem, recebi de presente uma máquina do tempo que me leva ao futuro a cada segundo e, só segundo por segundo. Uma inútil, perseverante e impiedosa máquina que tenho vontade de desinventar ou, pelo menos, reverter seus efeitos para ter de volta os tempos das boas músicas de Cartola, Taiguara, Raul Seixas, Gonzagão, Milton e Chico Buarque. Tempo dos carnavais das machinhas e da inocência dos beijos roubados, das serenatas em soleiras de janelas, das notícias vindas do Vietnã ou das músicas boas nascidas no Beco das Garrafas.

-Até Let it be me fazia chorar...

A banda vai passando em disparada, mas, meu caminho é de pedra como posso andar? Como possa caminhar e cantar sem tropeçar no passado, se a máquina do tempo só me leva, segundo a segundo, para um futuro sem volta, sem perspectiva de vida sob esse sublime torrão, onde soldados armados “amados ou não” pisam com suas botinas as flores das quais eu não ousei falar?

Este mundo novo não me permite sequer olhar para trás sem ser criticado por uma geração que acredita que “As viagens de Gullver” é história nova criada por roteiristas de Hollywood, que Zé Américo é apenas nome de rua e Valdir Sclia foi um cara que a globo disse que morreu na semana passada.

É cruel viver num mundo onde o que não pode ser escrito em 140 caracteres é longo de mais e impossível de se ler. O que não se pode teclar e depois deletar simplesmente não existe e, até os filmes bons e as boas músicas são as que, um mês depois, não lembramos sequer do titulo.

Não quero que a máquina do tempo, que anuncia a minha extinção, perturbe os ouvidos dos que escutam iPod com suas boas letras de “tarrachinhas” e “Minha mulher não deixa”. Tambem não é meu desejo que minha existência ofusque a visão dos que usam óculos 3D.

O meu tempo é o ontem e o deles é apenas o agora, o já. Os meus passos e olhares enfraquecidos, não renegam o novo. Também não trata se está absoleto para esse mundo que se constrói em micro ondas e se desfaz rápido assim como flashes de luz. O que “eu não queria é a juventude assim perdida, eu não queria andar morrendo pela vida”, apenas quero lembrar que existiu um tempo em que o entardecer trazia noites enluaradas em chuvas de prata, as manhãs eram ensolaradas e, nas tardes de domingos, cruzavam as ruas da minha cidade apenas Jipes, kombis e Rurais.

“Se existe alguém na linha se tem alguém no ar, por favor, responda agora não me faça esperar, há uma certa urgência por informação. A aqui to eu sozinho, do outro lado não sei não”, alguém que esteja me ouvindo ajude-me a achar a última peça para compor essa ópera do juiz final até que a minha máquina do tempo, que só me leva ao futuro e que torna o meu mundo um outono sem primavera, seja concluída mesmo que em um suspiro final, para dizer ao tempo que se ele quiser começar tudo de novo pode contar comigo, pois sempre “vai valer a pena ter me rebelado ter me debatido ter me machucado ter sobrevivido ter virado a mesa ter lhe conhecido”.

“Tempo, tempo, tempo és um senhor tão cruel...”

Twitter não é coisa nova. Há cinco mil anos Deus passou 12 para Moisés. E depois se calou para sempre.

*Escritor Pombalense