CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Funeral mais que siciliano com jato de cabeças cortadas

João Costa
João Costa*

“Às vezes, quase sempre, em política e judiciário, o criminoso está presente no velório”. Teori Albino Zavascki. A foto é emblemática, e o sorriso do Zé Serra em torno do caixão, revelador. Analistas abalizados asseguram que a Lava Jato de Teori Albino não é a mesma Lava Jato do juiz apontado como um novo Savonarola, segundo definição do físico Rogério Cerqueira Leite. Por outro lado, dentro dos muros das penitenciárias facções criminosas fazem acerto de contas – do lado de fora reina a mais espúria colaboração de classe. É o Brasil – e

Eu te darei amor

Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho*

Os turbulentos anos sessenta estavam em plena ebulição. O conflito geracional, também aportava em Pombal, em pleno Sertão da Paraíba. Tempos que se impunham no despertar para uma vida de desafios e esperanças, no desabrochar de sentimentos novos e impulsivos. Os sinais dessa disputa se faziam nos comportamentos, na indumentária, nos relacionamentos. A música, os ritmos moviam essa transformação na sociedade e influenciava o pensar, o agir diferente.
Anunciou-se um tradicional baile no Pombal Ideal Clube, típico, com as mesas ocupadas pelas famílias, conhecidas e tradicionais, representativas da cidade. Raros visitantes. Mas, a orquestra? Qual seria o estilo? Que repertório dominaria a festa? A Jovem Guarda iniciava sua avassaladora onda musical e

Mistérios e zona de sombra na Operação Lava-Jato

Nonato Guedes
Por Nonato Guedes
Publicado por: Carlos Rocha
PUBLICADO EM : 20/01/2017 ÀS 09:05
STF

Nenhuma hipótese deve ser descartada nas análises sobre a morte do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, relator da Operação Lava-Jato, em acidente aéreo verificado ontem em Paraty (RJ). Além de íntegro e inatacável, Teori estava no papel de homem-chave da Operação, na qualidade de relator. Preparava-se para proferir votos decisivos envolvendo a sorte de pessoas que já tiveram influência neste País numa época em que a impunidade era a sacrossanta palavra de ordem e

A CAATINGA E SEUS MUITOS ENCANTOS

José Gonçalves do Nascimento
Por José Gonçalves do Nascimento*

Ao se deparar pela primeira vez com a caatinga, espanta-se Euclides da Cunha com aquela “flora inteiramente estranha e impressionadora capaz de assombrar ao mais experimentado botânico”. Chega a ser contundente: “é uma flora agressiva”. Depois emenda: “agressiva para os que a desconhecem — ela é providencial para o sertanejo”.
A caatinga é mais que uma vegetação, é um templo. E o sertanejo tem com ela uma relação mais que amorosa: espiritual. Relação de devoção mesmo. Não há sertanejo que não venere a caatinga como se fosse esta uma coisa sagrada. Ela é quase indizível, imperscrutável. Somente os que com ela convivem são capazes de decifrá-la em plenitude. Nela coexistem valores que só o sertanejo é capaz de captar. A caatinga é uma questão de identidade. De espírito. De consciência. Não basta nela conviver. É preciso vivê-la, senti-la, penetrar sua essência. Beber sua seiva sagrada.
A caatinga traz a marca da resistência; não se curva às intempéries; e

“Cabeças cortadas” – não é apenas um filme de Glauber!

João Costa
João Costa*

A Junta Governativa acaba de reduzir as Forças Armadas à condição de “capitães de mato”, “empregados públicos de última categoria” dos tempos do Império, ao coloca-las no meio desse furdunço sanguinário entre criminosos que controlam todos os presídios do país. Tropas da Força Nacional de Segurança estão nos três estados, e não resolvem. O que reflete a inutilidade das policias militares e dos governadores. Recomendo “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha. 
Se a Força Nacional de Segurança está em Natal desde setembro o que faz por lá se as ditas “facções criminosas” seguem no comando? Se São Paulo exportou o PCC; o Rio o Comando Vermelho, a Amazônia já tem a sua “família” e

VIDA DE APOSENTADO NO BRASIL

Nonato Nunes
Nonato Nunes*

Baseado na alegação de que o brasileiro tem vivido mais, o governo resolveu que é hora de implementar reformas na previdência, e planeja aumentar, para 65 anos, a idade mínima para a aposentadoria. 
Mas há algumas questões bem elementares pelo meio dessa história toda. Em primeiro lugar é preciso dizer que viver mais não significa – necessariamente - viver melhor. 
Ora, o que é a vida de um aposentado no Brasil?

70 anos da Asa Branca

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Há muito tempo, nos bancos de areia do Rio Pajeú a manhã da estiagem acordou mais cedo. Descortinou um céu azul e um sol intenso. Secou riachos, rios e açudes esturricando o chão. O gado de sede deitou a morte esquelética. Silente, a passarada bateu em retirada, anunciando a

MARGARIDA, A LUTA CONTINUA

Severino Coelho Viana
Por: SEVERINO COELHO VIANA*

O ideal do ser humano não se acaba com a morte, por isso o fruto tem a sua semente, que depois da carne humana saciada pela fome, a semente cai ao chão e germina fruto novo.
O mais difícil do viver é compreender as incompreensões.
A vida terrena nos reserva um baú de surpresas: de alegria ou de tristeza, de infortúnio ou de esperança, de lástima ou de contentamento, de desistência ou de desafio, de busca ou de desencontro, de renúncia ou de resistência, de lágrima ou de sorriso, de vitória ou de derrota.
Somos uma peça importante na máquina impulsionadora do mundo, não podemos parar diante da engrenagem do tempo.
Entre a vida e o viver há a fase intermediária da existência humana, que significa o surgimento da estrela matinal, chegando-se ao ocaso do sol vespertino. Daí, então, caminhamos com os nossos passos lentos, cuja visão ruma na direção do horizonte, quando entendemos que esta vida é um caminho de sombras e luzes. Aprendemos com os desafios do viver cotidiano vitalizar as sombras, e,

Bandeira branca, amor...

Genival Torres Dantas
*Genival Torres Dantas*

(Max Nunes / Laércio Alves)

“Bandeira branca, amor, Não posso mais, Pela saudade que me invade Eu peço paz”; Assim começa uma música imortalizada por Dalva de Oliveira, mulher de Herivelto Martins, pais, por consequência, de Peri Ribeiro, ases do cancioneiro popular brasileiro. Mas, não é de música que estamos nos propondo a falar, bandeira branca é tudo que precisamos nesse inicio de ano, quando os números continuam sendo forçados em decorrência de atitudes políticas e econômicas a despertarem um novo sentimento de esperança no peito de todos nós, já estamos saturados de tantos dissabores e desassossego, estamos numa sofreguidão torpe e

PATRIMÔNIO HISTÓRICO: PRESERVAR É PRECISO

Francisco Vieira
Francisco Vieira*
            
              É sabido que o homem unido aos fatos constrói a história e faz dela seu maior patrimônio.
            No Brasil, pouco se valoriza essa riqueza cultural. É grande o desinteresse da população e o descaso dos poderes públicos no tocante a preservação desse importante legado.
            A sociedade atual, ligada a mudanças, busca o novo em detrimento do velho. Esquece que o passado envelhecerá amanhã e será também esquecido. A cada novidade que surge, algo antigo é descartado pelo homem que perdendo sua estima é lançado nas malhas do ostracismo destruindo a história.
Cada monumento em ruína, um edifício que desaba, uma praça a mercê da ação de vândalos ou um morador que deixa esta vida é parte do passado que se esvai, história que se aniquila.
            Preservar o patrimônio é mais que necessário, é indispensável. Consiste em resgatar personalidades, acontecimentos e