CLEMILDO BRUNET DE SÁ

As democracias morrem se são democráticas demais

João Costa
João Costa*

Quando são democráticas demais as democracias morrem. No contexto atual, o obscurantismo se estabelece por força de uma conspiração em que conjugaram forças o Judiciário, Ministério Público, setores da polícia e a mídia nativa, historicamente avessa à democracia. Dessa conspirata emergiu Michael Temer, revelado agora como informante do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos e
do Comando do Sul, sediado em Miami, pelo Wikileaks. Temer não é nada – é um títere.
O presidente Lula tinha um ministro da Defesa, Nelson Jobim, que concomitantemente a Temer, era informante que prestava serviços à embaixada americana, em Brasília, também revelado pelo Wilileaks como espião doméstico. Logo, a nossa democracia e os governos do PT sempre foram monitorados pelos inimigos internos do país a serviço dos Estados Unidos, que agora vão cobrar a fatura, e desconfio que facilmente vão receber, mediante o espírito de vira-lata do usurpador, seus ministros, Congresso e Judiciário. Confrontar os EUA num futuro próximo é coisa certa, caso haja arrefecimento no sentimento antigolpe.
O fascismo sempre esteve presente com seus braços estendidos em nossas instituições, incluindo o STF. Basta recapitular: foi o STF quem entregou Olga Benário Prestes à Gestapo, e o país na era Vargas era pró-Alemanha. Mudou de lado depois, muito depois – e por dinheiro. A Companhia Siderúrgica Nacional foi apenas um agrado dados pelos EUA para o que o país mudasse de lado na II Guerra. É história, e não esperemos do Judiciário mais que isso: legalização da patranha. Ponto parágrafo.
Agora, em pleno século 21, voltamos à condição de República das Bananas, se é que o país deixou de ser algum dia. Vamos direto ao ponto.
Esse Temer é um títere. Para entregar o que prometeu aos Estados Unidos, que aqui atende pelo nome de “deus mercado”, não hesitará recorrer à violência. Seu discurso de posse foi tímido, porém de sintomas sombrios. Se, antes ele era pautado por João Roberto Marinho, agora ele é quem dá a pauta. “Não falem mais em crise, trabalhem”, esse será o mote da mídia nativa. Ele citou o nome desse deus, mercado, mais de 20 vezes num só pronunciamento. O governo que se instala é corrupto na sua essência e formação, logo, é preciso criminaliza-lo.
Por outro lado, a luta é de classe, mas esse conceito se diluiu entre o lúmpenproletariado – o segmento mais desprezível da nossa sociedade, e que hoje forma a maioria associada a uma classe média historicamente de direita. E os movimentos ditos sociais e sindicatos, que durante o governo do PT deitaram e chafurdaram no peleguismo e na zona de conforto, vão ter de se reinventar. Enquanto isso, vamos aguardar porque o Minotauro já encontrou sua saída do labirinto.
Temer – o Minotauro, vai precisar de propaganda maciça e mecanismos de perseguição e repressão para governar. Não há e não haverá clima para a realização de uma Olimpíada que congregue a Nação, nem muito menos condições para realização de eleições municipais, como se o golpe não afetasse a vida. Vão pedir para esquecer o passado, o ontem, e buscar um futuro que agrade ao deus mercado como o títere pediu.
Se o governo é ilegítimo, a luta é por uma saída legítima: novas eleições, já! Para ganhar corações e mentes pós-golpe, a mídia nativa lançará mão daquilo que sabe fazer com excelência, pois está assentada nesse tripé: verdades, meias-verdades e mentiras. Num contexto assim, a mentira vence. Sempre!
O fascismo sempre esteve presente como um braço de nossas instituições, incluindo aí o Supremo Tribunal Federal. Basta recapitular: na era Vargas, o país foi francamente simpatizante do nazi-fascismo de Hitler. Quem entregou Olga Benário a Gestapo, foi o STF. Isso é História. Ponto parágrafo.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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