CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Barrar o fascismo que estende seus tentáculos

João Costa
João Costa*

Para sua consideração - As manifestações de junho de 2013, legítimas e surpreendentes, já trazia embutida a tendência fascista emergente da Nação – era o seu renascimento que agora se insinua consolidada nas instituições ditas civis, revigorada na mídia nativa provedor do Fáscio e que ameaça se agigantar com a perda de direitos por parte de amplas parcelas da população. Mas há uma luta por corações e mentes inconclusa,  e ainda que seja difícil reverter o quadro político estabelecido nos marcos jurídicos e legislativos, com o golpe desencandeado pelo mesmo Legislativo e do mesmíssimo Judiciário sobre o governo da Dilma Vana, é possível estancar essa consolidação do fascismo, não sem antes a radicalização social que se avizinha.
De 2013 até o golpe do Judiciário, que ainda não se consolidou, assistimos ao amadurecimento do sentimento de ódio, claro nos linchamentos morais de cantores, artistas, jornalistas. O linchamento moral precede o físico, que assistiremos com futuras prisões, perseguições e
terror prenunciados. No mesmo efeito manada, o preconceito e a descriminação.
São tantos os casos isolados manifestos de ódio de classe, que no presente até parecem conectados. Vejamos um caso curioso. Na região de Patos, um vereador foi preso acusado de contratar o assassinato do namorado da filha por dois motivos, que parecem fúteis: o rapaz era pobre e negro. O desejo manifesto e concretizado desse vereador faz parte de uma sinfonia tocada em restaurantes, shoppings e na mídia nativa, ainda que noticiada com desfaçatez. Ou não faz?
Mas se é difícil reverter o Fascismo, agora que ele assume o caráter nacionalista da propaganda colorida de verde e amarelo, não será impossível, se as forças democráticas saírem da zona de conforto. Basta analisarmos o caso do Ministério da Cultura, e sua rápida restauração depois de extinto pelo governo provisório e ilegítimo que se instalou.
É certo que a mídia nativa, no caso o noticioso Jornal Nacional, numa só noite é capaz de atingir milhões de lares no país, martelando  meias-verdades e mentiras e, eventualmente, verdades. Mas bastou um protesto de artistas brasileiros no Festival de Cannes, para reverter a decisão estúpida do usurpador, que se apresenta como presidente. Da frente do teatro Santa Roza, aos salões de concertos do país, os artistas disseram presente à luta democrática. O Ministério da Cultura não é a Lei Rouanet, nem os artistas famosos ou anônimos. Mas é assim que o pensamento criminoso da mídia faz crer, é assim que os fundamentalistas evangélicos no poder entendem e reverberam em seus cultos dominicais.  
Aquilo que William Bonner lê no JN, tem poder de verdade na classe média. Mas é insignificante, é nada, para o mundo. Ao contrário do que o jornalista Glenn Greenwald
escreve sobre nós, o país e o golpe. Desde que Edward Snowden confiou a ele as revelações que desmontaram a CIA, o Pentágono e embaixadas norte-americanas pelo mundo, reside neste jornalista o mérito de ser o primeiro a desmascarar o golpe no plano internacional – e isso é irreversível e sopra a favor da democracia. A imagens dos artistas brasileiros em Cannes foram vistas das cidades da França ao Tibete, incluindo aí Pindorama. O JN morre antes da novela das Oito, porque sem a novela, a audiência seria traço no sobe e desce dessas consultas.
Para dor de cabeça maior dos golpistas, também cabe ao namorado de Glenn, o fotógrafo David Miranda, o mérito de desmascarar mundialmente o artífice do golpe em curso, João Roberto Marinho, dono das Organizações Globo. Vejam só: ações individuais de cidadãos em suas respectivas profissões, causaram mais danos aos ministros do Judiciário, senadores, deputados, jornalistas e empresários, que uma bravata sindical da CUT.
Bravo Sônia Braga!
Isolar o golpe no plano internacional, reafirmar que o golpe é golpe, ainda que ministros do Supremo, juízes, jornalistas e até amigos digam o contrário, porque o contrário não é. Essa é a tarefa. Fascistas moram ao lado no seu prédio, estão nos corredores da empresa, na parada de ônibus, nos cafés e púlpitos. Ou de toga. Restará o enfrentamento.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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