CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Bondades nem sempre consegue confiança


Genival Torres Dantas*

O Brasil entra cada vez mais na atmosfera contaminada da atual camada política corrupta e seus corruptores, encontrados facilmente no meio empresarial, notadamente no seio dos empreendedores das construções, operantes na infraestrutura brasileira. Essa via de regra, com exceções, fica mais patente na proporção que o sistema policial e judiciário avança nos guetos da criminalidade do colarinho branco, bem postados nos arrabaldes da economia séria e formal, nesse ambiente de aspecto lusco fusco dar-se a ideia de impunidade total pelo difícil alcance das autoridades constituídas.
Dessa forma, apenas a mudança do CPF do Governo Federal não foi suficiente para estancarmos a gula dos políticos e
setores viciados em dinheiro fácil, mesmo que espúrio e defenestrado pela população consciente e coerente. É de bom alvitre não esquecermos que pelo prolongamento da crise fomentada nos últimos 13 anos pelos governos escabrosos do petismo esdrúxulo, fica muito difícil de uma só canetada eliminarmos toda patifaria incrustada na administração pública e que recrudesce na proporção que o tempo passa, cujas manobras, para que seja eliminado esse cancro devastador vamos demorar pelo menos o mesmo período de sua prática.
Fica imperioso sem se tornar frenético que tenhamos um pouco de paciência para com o governo de Michel Temer, principalmente pelos motivos evidenciados acima e pelo próprio estágio de maturação em que todo negócio tem que haver para o retorno surgir. Nesse caso específico de muita sensibilidade, quando o jogo de cintura tem que ser usado todo tempo e por todo tempo. Mesmo seguindo esse raciocínio lógico não podemos aceitar devaneios e práticas de bondades acima dos limites suportáveis pelo caixa do Estado. Quando o presidente provisório e interino anunciou que ia implantar um sistema de austeridade, ficamos confiantes numa reversão imediata das sangrias que vinham jorrando dinheiro das entranhas da administração federal, mesmo que esse dinheiro, que não mais existia, viesse de fontes alimentadas por juros escorchantes levando a nossa pátria ao mundo dos maus pagadores, portanto, com sua nota sendo diminuída a cada anúncio da comunidade financeira internacional.
O governo interino anuncia o seu pacote com um déficit superior a R$172 bi, nesse caso, bem superior, mais que o imaginável, levado ao Senado pelo governo Dilma Rousseff. Confesso que fiquei assustado com os números apresentados. Na sequência em que ia aparecendo bondades do Presidente, no caso do reajusto do Judiciário, o inconsequente absurdo, dinheiro enviado ao Estado do Rio de Janeiro, além de outras invencionices usadas para sugar dinheiro do erário, mesmo porque, estava muito fácil enfiar a mão no cofre administrado pelo Michel Temer, tamanha sua benignidade, principalmente, para seus adversários que precisavam serem afagados para garantir a continuidade do seu governo, sendo sustentado pela benevolência do Senado Federal, no caso, afastando definitivamente a Presidente Dilma Rousseff.
Nem sempre bondades é sinônimo de confiança, não há uma reciprocidade automática, quando se usa esse expediente como argumento cria-se o risco de ter que dar sempre e em quantidades maiores para o oponente desonesto que usa o artifício da chantagem para levar vantagens cada vez maiores. Cria-se um corredor mais próximo da morte que da vida, surge os 15 governadores do Norte e Nordeste ancorados na tese do acordo fechado com a União com os Estados Federados, já havendo um documento endereçado ao Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, suscitando essa bondade ainda no ano em curso. Não bastasse os contornos Lavajatianos no Congresso Nacional e todo seu contorno, agora o país se ver na arte do faz me rir, mais uma vez, com o dinheiro extorquido de um poder quebrado, como é o caso do Executivo brasileiro.
Mesmo continuando achando que Michel Temer, como presidente, está leniente, acima do aceitável, é preciso que tenhamos um pouco mais de paciência, o suficiente para verificarmos se realmente o seu governo não passa de um puxadinho do governo anterior de Dilma Rousseff, ou, se efetivamente, ele veio para tirar a Nação do marasmo em que se encontra ou empurrar, definitivamente, a locomotiva brasileira para o abismo, sem solução ou breviário para o futuro.
*Escritor e Poeta

genival_dantas@hotmail.com

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