CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O golpe e a farsa com eleição da mesmice!

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – "Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros,” diz O jornal francês Le Monde em editorial, analisando nossa crise política que expõe as vísceras das instituições ditas de estado de direito e tem contornos do realismo fantástico da literatura, ou do surrealismo em particular. 
A derrubada do governo do PT se configura, em primeiro lugar, no plano da narrativa, exatamente pela sua condução. Se tem algo que irrita senadores, deputados, juízes, promotores ou profissionais liberais apoiadores do Golpe, é referir-se a tudo que ocorre como Golpe. A definição impeachment cai bem melhor por aparentar legalidade na condução da derrubada do governo legitimamente eleito, atribuição sega à legitimidade absoluta do Congresso.
É golpe, e
ele não se encerra com a derrubada da Dilma Vana. No momento em que o Usurpador deixar de ser Interino e consolidar-se de fato e de direito do poder, estes arranjos para a retirada de direitos e implementação de politicas econômicas segamente atrelada a interesses financistas, de Defesa sem autonomia; a narrativa dos usurpadores do poder passará por alterações. Dilma deixará de ser o argumento, o contra-ponto, as investigações da Lava Jato serão definitivamente encerradas, porque encerrada está a sua finalidade.
            Se o Judiciário, a mídia nativa, e os segmentos sociais que deram sustentação ao golpe têm seus corruptos de estimação, por conseguinte inimputáveis, eu tenho direito a ter os meus. A cortina ainda não se fechou. Sai de cena o juiz do Paraná, treinado pelo Departamento de Estado dos EUA, Temer assume o papel principal, deixando a condição de coadjuvante onde exerceu papeis de Quinta Coluna como informante do Comando das Forças Armadas Americanas sediado na Flórida, segundo revelações não desmentidas do Wikileaks.
Aqui começa a parte surrealista da narrativa. As eleições municipais seguem com todos os partidos como se nada tivesse acontecido, como se a Constituição permanecesse imaculada e a normalidade seja o Animus da Nação, empurrada de volta ao obscurantismo e recolocando o país no seu devido lugar: República de bananas – e o espírito de vira-latas nos traduz ou define.
É nesse contexto que o país pretende realizar eleições em outubro. A luta eleitoral pelo butim das prefeituras passa a ser o essencial da vida de todos, em maior ou menor grau. E todo esse arrodeio para escrever sobre a disputa eleitoral em curso no estado. A narrativa não muda porque os atores se revezam no palco. Nos pequenos municípios, as oligarquias familiares se lançam no confronto pelo controle do butim formado pelo FPM e repasses federais. As prefeituras são mecanismos de controle social e econômico.
Em João Pessoa, depois de assistir a dois debates na TV e observar o Guia Eleitoral dos candidatos, constata-se um pleito onde os candidatos têm o mesmo DNA, e eleito será mais da mesma coisa.  A química aplicada é a mesma: os marqueteiros conduzem a narrativa de discursos fabricados, argumentos repetitivos para problemas velhos, porque João Pessoa aparentemente não tem problemas novos, salvo o agravamento dos antigos como estrangulamento do trânsito, precariedade na saúde, educação de qualidade ruim atestada até por institutos governamentais – e de segurança, que virou mote central por afetar os moradores do Bairro do Bessa, logradouro nobre da Capital.
Onde foram parar as multidões que exigiam Tarifa Zero em junho de 2013? Por que a legião de desempregados exibe apenas o rosto do fatalismo vendendo produtos oriundos da contravenção ou como mão de obra barata de comerciantes do Mercado Central? Nesta legião não estão inclusos milhares de empregados comissionados na prefeitura ou no estado, que formam o exército de reserva e de eleitores de voto quase certo. E a corrupção, perguntam meus botões. Respondo que a corrupção é como o cachorro tentando morder o rabo.
 Assim Caninha a Humanidade

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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