CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Como atravessar a carvoaria e o terno branco ficar intacto

João Costa
João Costa*
 A Nação foi induzida pela mídia nativa a dar crédito à polícia, ao Ministério Público e aos juízes. Estabeleceram a noção de que é possível atravessar o rio sem se molhar, ou entrar e sair da carvoaria e o terno branco ficar intacto como a alma dos imaculados instalados no Poder da República – ou o que resta dela.
Eis que, surge o juiz federal Marcos Josegrei, responsável pela operação Carne Fraca, dizendo que as “investigações não tiveram como foco a qualidade dos produtos vendidos no Brasil, e sim a apuração de crimes como corrupção”. O magistrado jurou que, “até este momento, não há nenhum indício de que produtos comercializados pelas empresas investigadas possam fazer mal à saúde”. Assim, eles atravessam a carvoaria todos os dias e
saem de roupa branca intacta.
Claro ficou que na farsa da cruzada anticorrupção, todos cumprem o roteiro para a destruição do país com direito à correção do texto e no desfecho das cenas. Tal como atravessar o rio sem se molhar, ou andar sobre as águas feito um ilusionista ou Jesus no mar da Galileia.
Gosto de implicar com o meio em que trabalho. Mino Carta costuma dizer que no Brasil, os jornalistas são piores que os patrões. Até quando se escondem por trás do bordão “sou filho da pauta”. Mas uns ou muitos outros vão além. Como alguns que de forma açodada “justificaram a legalidade” da prisão do blogueiro.
 Mas o que fez o juiz recuar, voltar atrás, se conta com um exército fabuloso de escribas para exaltá-lo e a mídia nativa para incensá-lo?
De que vale a explicação tardia do outro magistrado no caso da carne com papelão, se o estrago foi feito? Pegadinhas trabalhadas ou trapalhadas? E se as teorias conspiratórias estiverem corretas?
Rapidamente o caso da carne virou piada nacional, ao contrário da reação internacional que aproveitou a deixa para destruir o agronegócio tupiniquim. Os tidos empresários “nacionais” acusados agora de crimes devido à carne estragada são indefensáveis. Tem um desses magnatas da carne reincidente nos crimes de lesa-pátria. No Plano Cruzado foi acusado pelas mesmas instituições de estado de agora, de esconder milhões de latas de leite Ninho em seus depósitos – sabotava o congelamento de preços escondendo o leite das crianças.
No caso da prisão do blogueiro Eduardo Guimarães, tudo fica por conta do esforço midiático para legitimar prisões arbitrárias, negação de garantias individuais, confisco de direitos sociais conquistados e manter a aura da vigência da Constituição de 88, que já foi rasgada.
Temer, o Congresso e o Judiciário seguem como cadáveres políticos insepultos em razão da Serventia Voluntária que alimenta milhões de néscios – e até mesmo em função da pusilanimidade geral.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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