CLEMILDO BRUNET DE SÁ

De novo - verdade, mentiras e meias verdades

João Costa
João Costa*

O que realmente está em disputa no Brasil – gira em torno de interesses conflitantes, dos financistas que se escondem sob a capa de empresariado e dos cidadãos que dependem de serviços públicos e de benefícios social em meio à Uberização da economia.
Isso se levarmos em conta que a Previdência faz cobertura social e da maioria das empresas brasileiras que dependem de investimento público para gerar empregos. Sem sair do universo da verdade, mentiras e meias verdades, que alimentam o noticiário.
O embate que será travado no futuro próximo, e que pode afundar em sangue ainda nem começou com essas ditas reformas trabalhistas e
da Previdência, que apenas arranham a superfície dessa luta de classes.
 São ridículas as demandas: trabalhadores que promovem uma greve geral depositando legitimidade no Congresso para tomadas de decisões, esse mesmo Congresso que violou a Constituição para a derrubada do governo legítimo e cujo papel é exatamente destruir conquistas sociais.
Um Judiciário que se esconde e tem a capacidade de sobreviver na ausência de Justiça.
Um governo comprovadamente ilegítimo e comprovadamente em metástase pela corrupção e que se mantém, graças à absoluta pusilanimidade da Nação.
As forças que derrubaram o governo Dilma estão cobrando a fatura dos deputados e senadores. De repente, a CLT virou a causa do desemprego e da consequente uberização da economia. De repente, o país descobre que não tem como lidar com a velhice nem com o campesinato que vegeta dependente dos benefícios sociais.
Retirando os bilhões da cobertura dos benefícios sociais, qual será o destino dessa montanha de reais? Claro que será para o pagamento de juros da dívida pública. E os financistas não aparecem na fita. O país está caquético de saber que os capitalistas da FIESP dependem de aplicações financeiras, e não do trabalho produtivo.
Enquanto isso, o país despenca em queda livre. Os militares não dão um golpe definitivo por falta de lideranças civis – a quem entregar o governo depois? Todas, sem exceção, chafurdam na corrupção.
 A esquerda não reage por ter desperdiçado todas as oportunidades durante 12 anos do PT no governo para promover uma sociedade mais justa e igualitária. Limitou-se a governar, fazer políticas de alianças e, claro, enriquecer nos cargos públicos e na derrama de dinheiro da Odebrecht.
A direita faz o que sempre fez: vocifera ódio. O único elixir que mantém vivo o espírito de vira-lata da Nação.
O país está sem governo desde junho de 2013 e ainda não está preparado para uma guerra prolongada que se inicia se se mantém a credulidade na imparcialidade do Judiciário, na isenção de Procuradores da República, na falta de controle do aparato policial do estado e, acima de tudo, na liberdade desmedida das famíglias que de tudo se beneficiam no Brasil, desde o suicídio de Vargas.

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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