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LÓGICA NO ESCREVER



Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana*

A lógica e a leitura são filhas da boa redação. A leitura auxilia no desenvolvimento intelectual de qualquer indivíduo. E quem lê também absorve uma fonte inesgotável de ideias, informações, vocabulários que contribuem para a propagação do senso crítico.
Enquanto que o ato de escrever está ligado à cultura, ao conhecimento, a bons argumentos e a qualidade crítica do autor.

A nova tecnologia facilita muito no ato de escrever e ajuda muito no sentido de obter informações, quer sejam favoráveis quer sejam desfavoráveis, em quaisquer ramos de estudo, portanto, a ninguém cabe o direito de dizer com clarividência o absolutamente certo ou negativamente errado. No campo histórico o mais intrigante é aquela narrativa de um fato descrito com um tom de verdade absoluta, e, logo em seguida, o autor diz: ‘ EU ACHO QUE FOI ASSIM... Ora, o termo “eu acho”, é um juízo de valor emitido pelo redator, que não estava presente ao acontecimento. E aquele que às vezes está presente no momento do fato descreve a ação com o viés ideológico, neste caso, também, não está sendo verdadeiro. No entanto, o autor do texto pode alegar a sua afirmativa indicando o nome de quem disse e fonte do embasamento histórico, não excluindo as correntes opostas.

Pois bem! Segundo o historiador, pesquisador e especialista em método de pesquisa, Danilo Américo Pereira da Silva, em artigo intitulado “A Questão da Verdade Histórica”, assim se expressa: “Na História não há verdades, somente pontos de vista”.  ... “Quando afirmo esta sentença não anulo a existência dos fatos, os pontos de vista em si. O que é inegável é que os fatos e registros pesquisados apontam seus caminhos e direções tendenciosas, sempre havendo divergência de informações. O papel do historiador é como o de qualquer outro cientista, procurar por falhas e comprovações dos fatos, no entanto por se tratar de um ramo das ciências humanas e não das exatas, a discussão tende a ser mais abrangente”.

E continua o mestre na sua explicação de forma bem plausível: “Um mesmo fato pode ser abordado por viés, materialistas, ideológicos, analíticos, pessoais e etc. E cada registro também se diferencia de assuntos, materiais, oficiais, não oficiais, memórias, testemunhos e muitos outros. Nenhum de nós, possuidores do diploma de bacharel em História alegamos ter uma verdade, somos apenas pesquisadores de um fato, pesquisado por uma linha de raciocínio que vai divergir com certeza com os demais. E adianto que a nossa busca pela verdade sobre um fato ou acontecimento não se anula somente pela impossibilidade da exatidão, pois buscamos pela composição de uma colcha de retalhos que nos levem a uma "possível verdade". “Aquele historiador que alegar possuir a verdade absoluta estará mentindo, na verdade ele possuiu uma parcela daquilo que se pesquisa". E ademais se anularmos uma ciência porque seus conceitos podem ser contestados então anulemos as demais ciências com suas hipóteses e teorias”.

Observamos de outro ângulo, neste momento que todo mundo escreve via redes sociais, é pura verdade, tem muita gente pela internet afora literalmente escrevendo baboseira e chamando de artigo. E não falamos somente do uso excessivo de palavrões. Um palavrão pode até ser usado eventualmente. Desde que seja relevante para o texto e colocado ali de maneira inteligente, sem aquela intenção de prejudicar, difamar e desrespeitar a dignidade da pessoa humana. E olhe bem que às vezes desrespeitar os vivos também desrespeita os mortos. Nada pior do que um texto recheado de palavrões, cujo conteúdo é muito pior e muito mais vulgar que os próprios palavrões. Um texto assim só pode ficar no campo daqueles que não sabem contar uma anedota, praticando um ato de humorista que não arranca um sorriso dos lábios amarelos.

Ante esta demonstração, indicamos que a ponderação nos argumentos e a base que alicerçam a assertiva que está expondo, considerando-se o que alguém escreveu, o que a outra fonte contestou, e, sobretudo, respeitando à diversidade de correntes, principalmente quando a fonte é oral, que deve ser corroborada por outro meio de comprovação, uma vez que a oralidade por si só já é falha.

Por seu turno, a clareza no ato de escrever é norma geral da redação e o ato de violação da norma gramatical dá-se justamente ao contrário pela falta da lógica de raciocínio na forma de redigir. A obscuridade de um texto literário ou de cunho histórico leva o leitor ao cansaço mental, ou seja, os argumentos se emendam e se emaranham uns aos outros, quando uma nova ideia fora de contexto a cada vírgula, dentro de um mesmo parágrafo que se torna uma teia de aranha de assuntos infindáveis. O excesso de informações inserido no texto não demonstra capacidade intelectual, no amontoado de pesquisas, se está fora de contexto, mas mediocridade de pensamento, quando o redator quer dizer tudo que sabe ao mesmo tempo, levando o leitor para o devaneio de situações diametralmente opostas. Este é o estilo mais pontual do péssimo redator. A falta de coordenação de raciocínio aponta para o desvio psicomental do redator principalmente quando se evidencia com normalidade este ato de desregramento lógico de raciocínio.

A criação de relações de causa e efeito é um recurso utilizado para demonstrar que uma conclusão (afirmada no texto) é necessária, não fruto de uma interpretação pessoal que pode ser contestada.

A lógica do bom discernimento é uma demonstração coerente da matéria que foi estuda ou pesquisada. E assim apresentamos o que seja lógica:

Lógica (do grego λογική logos) tem dois significados principais: discute o uso de raciocínio em alguma atividade e é o estudo normativo, filosófico do raciocínio válido. No segundo sentido, a lógica é discutida principalmente nas disciplinas de filosofia, matemática e ciência da computação. Ambos os sentidos se baseando no foco comum referente à harmonia de raciocínio, a proporcionalidade formal entre argumentos, assim sendo, a correta e equilibrada relação entre todos os termos, a total concordância entre cada um deles dentro de um desenvolvimento.

A primeira lógica do redator para causar boa impressão é ter plena consciência de que está escrevendo alguma coisa para outra pessoa ler. O redator não está engolindo as suas próprias palavras, elas são externadas para a compreensão alheia: clareza, argumentos, uso da gramática e palavras de uso comum, sem o uso do excesso de gírias, sem palavrões, sem deboche.

Por razoável que seja, mas não parece óbvio, nem sempre nos lembramos de que um dos aspectos formais e mais importantes do texto é apresentar um começo, um meio e um fim facilmente identificáveis e compreensíveis no uso de qualquer tipo de comunicação: redação de vestibular, conto, história, romance, defesa de tese, carta ou um simples e-mail, pois somente se torna mais agradável para o leitor e acompanha com facilidade o ponto de vista do redator nascendo do começo e chegando ao fim do texto, sem passar a mão na cabeça, nem ser preciso estirar as pernas.

João Pessoa, 28 de maio de 2019.

*Escritor pombalense e Promotor de Justiça em João Pessoa - PB
scoelho@globo.com


LÓGICA NO ESCREVER LÓGICA NO ESCREVER Reviewed by Clemildo Brunet on 5/28/2019 10:15:00 AM Rating: 5

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