Superveniência ou atascadeiro
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| Genival Torres Dantas |
Genival Torres
Dantas*
Com a Câmara dos
Deputados reagindo negativamente aos projetos encaminhados pelo Executivo,
aprovado apenas, pela Câmara, o da Segurança Pública, assunto pautado na Medida
Provisória que trata da reforma Ministerial com vencimento para 03/06, próximo,
caso não passe pelo Senado Federal, com restrições, retirando do Ministro
Sergio Moro o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), deixando-o
em seu lugar de origem, Ministério da Economia, pura implicância de alguns
Deputados de oposição com o titular da Pasta da Segurança Pública, Ministro
Sérgio Moro, que vem atuando de forma corajosa, mas sem ser excludente, dessa
forma, por medo ou receio da pena da caneta do Ministro, atuaram com vetores
deixando ausente a presença daquele que é julgado pela esquerda como o carrasco
da Praça dos Três Poderes e seus tentáculos.
Havia uma
preocupação muito grande se aquele movimento apoiado pelo Executivo seria
conveniente ou não, caso fosse um fiasco a oposição subiria de tom e seria um
desastre para o Governo, caso fosse positivo, Bolsonaro levantaria o nariz e
passaria a se sentir o rei da coalhada seca, tornando as coisas mais difíceis o
relacionamento com o Congresso. Graças aos bons ventos, tudo transcorreu de
forma absolutamente dentro da legalidade, os temas abordados foram de ordem
democrática, sem excessos, até mesmo a rejeição do povo pelo Poder Judiciário e
Legislativo, foi evitada, alguns poucos casos de desavisados, embate com os
esquerdistas, ficou reservado ao plano isolado, diferentemente do movimento
patrocinado pela esquerda, em semanas anteriores, que foi de arruaças,
depredação do patrimônio público, ateando fogo em carros e outros bens que
fossem encontrados pela frente.
No decorrer dos
atos, da direita, em todos os Estados, Capitais e Distrito Federal, se observou
um movimento ordeiro e equilibrado. Muito embora o Presidente Bolsonaro venha
se comportando de forma atabalhoada, principalmente nos seus pronunciamentos,
muitas vezes falando fora de hora, anunciando propostas que não se coaduna com
o pensamento dos seus auxiliares, causando, dessa forma, verdadeiros
constrangimentos até mesmo para ele, tendo que rever posições, silenciando uma
massa de apoio que já foi maior e bem mais consistente. Tem momentos que o
Capitão se apresenta como um Recruta Zero, com todo respeito ao nosso
Presidente, apenas um ponto de vista, como se a política o fez esquecer todos
os ensinamentos da Academia Militar e sua relação com a caserna. Fico
imaginando a dificuldade que há entre o Presidente e seus comandados diretos,
dentre eles os Generais acostumados à vida disciplinada, sem escorregões ou
sobressaltos, até mesmo os civis, atentos com suas posturas sem atropelos ou
ações dúbias.
Com todas essas
incongruências o público Bolsonariano lhe foi fiel demonstrando sua gratidão
pelo que pode vir de positividade em seu governo, muito menos pelo realizado,
prevalece à confiança na sua postura de integridade moral, deixando de lado,
até agora, a operacionalidade. Muitos aliados que anunciaram ausência nos atos
públicos recuaram e tiveram seus discursos modificados demonstrando apoio e
pedindo desculpas pela avaliação feita prematuramente. Nesse caso, podemos
destacar a Professora e Deputada Estadual Janaina Conceição Paschoal, PSL, mais
de 2 milhões de votos na última eleição, foi até cotada para fazer parte da
Chapa que elegeu Bolsonaro, em determinado momento foi de opinião contrária ao
movimento do último dia 26. Espero que ela mantenha a coerência, lutando pelo
Brasil, como afirmou e sempre se portou, Bolsonaro é uma nuvem passageira que
num simples vento norte se esvai, e alguém assume seu lugar, como sabemos
rótulo ou título não se traduz como conteúdo e nem se transforma em tal.
O apoio que o
Governo teve não é motivo para ficar ostentando popularidade, a peleja ainda
não acabou a Nação está dividida entre os reticentes, contrários e apoiadores,
a oposição vem marcando presença, não pela moral que ela tem, junto ao
eleitorado, muito mais pela ineficiência do próprio Governo que vem sendo refém
dos seus escorregões verbais, por conseguinte, dependente do humor do
Congresso, dos Presidentes das duas Casas, a esquerda abominável e o Centrão da
disritmia de evolutiva decadência. Se não ocorrer um acordo entre os três
Poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, não haverá governabilidade que se
sustente, a lona e mastros do circo cairão sobre o picadeiro, o espetáculo se
transformará numa triste sessão de horrores, sem o fechar das cortinas e
epílogo.
Uma triste sina
para um povo tão machucado pelos Governos dos últimos 34 anos, de queixumes,
desesperanças, idiossincrático do perjuro político, devastada administração
demeritória e recalcitrante corrupção, aguçada nos últimos 16 anos pela
proeminência da gula, pelo erário, do PT (Partido dos Trabalhadores), aliados
políticos e empresários corruptores cognitivos.
Genival Torres Dantas
*Escritor e Poeta
genivaldantas.com.br
Superveniência ou atascadeiro
Reviewed by Clemildo Brunet
on
5/29/2019 08:27:00 AM
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