No lusco-fusco de um novo mundo
Genival
Torres Dantas*
Tentando entender esse
momento de agonia da humanidade, imposta por essa pandemia, do Coronavírus, fui
buscar nas raízes da história, mesmo as mais distantes, bem longe de Johannes
Gutenberg (1396/1468) inventor alemão, primeiro homem a trabalhar com a pensa e
os tipos móveis de metal, a revolução da impressão e o advento de uma nova vida
cultural, quando os fatos passaram do hieroglifos em papiros ou oralidade
narrada pelos antigos.
Reza a história que a
bíblia, o livro mais impresso sobre a terra, com mais de cinco bilhões de
unidades impressas, teve os seus escritos iniciados por volta de 1600 anos
A.C., ela foi escrita em três línguas, originariamente, 66 livros, sendo 39
livros do velho e 27 do novo testamento. Do início 1600 a.C. até 30 D.C. muita
história foi narrada, incluindo as 10 pragas do Egito, durante o reinado do
Faraó, Ramsés ll, entre 1270/1213 a.C., não permitindo a saída dos hebreus de
suas terra, o resultado foi a série de maldições no seu reino.
Tudo começa com a
transformação da água do rio Nilo em sangue, na sequência ocorreu à invasão das
rãs, vindo os piolhos, moscas morte do gado, chagas, chuva de pedras, nuvens de
gafanhotos, trevas e morte dos seus primogênitos. Depois da terra devassada e
as tragédias sequenciadas, Ramsés ll se rende ao Deus de Moisés, ou o
Mugnificentíssimo Deus (o mais generoso).
Depois da morte de Jesus
Cristo o cristianismo que caminhava lentamente passou a se expandir agora de
mãos dadas com o Estado, na união da Igreja Católica com o Império Romano. O
Império Romano avança sobre a terra e carrega com ele a Igreja Católica, muitas
vitórias e fracassos, até a queda do Império, nesse momento o Cristianismo já
estava consagrado e em vários países se impondo em regime universal.
Por toda essa trajetória
muitas guerras tiveram que atravessar pragas advindas da natureza, com os
parcos recursos científicos que até hoje sofre para superar as dificuldades até
mesmo dos nossos dias. Dentre as cinco maiores pestes que atingiram a
humanidade tivemos no século 14, por volta de 1350, eliminando 1/3 da população
da Europa.
A varíola foi outra peste no
final do século 15 reduziu a população da Europa que era de 60 milhões de
habitantes para cinco ou seis milhões em 100 anos. Todo planeta foi atingido
por essa peste em termos de consequências indiretas. Mesmo tenho a varíola como
principal elemento matador do ser humano no período, outras doenças, em escala
menor também contribuíram com a tragédia humana. As outras que tiveram
participação direta foram: sarampo, gripe, peste bubônica, malária, difteria,
tifo e cólera.
Em 1801 a febre amarela e a
revolta dos escravos fez chegar ao fim o Domínio francês sobre o Haiti.
Principalmente a epidemia da febre fez o Haiti expulsar os franceses para fora
da América do Norte, por conseguinte, ocorreram 50 mil mortes de soldados
franceses, derrotados e sem perspectivas maiores, o líder Francês Napoleão
Bonaparte, que se declarou cônsul vitalício do seu país, foi obrigado a vender,
dois anos depois, 2.1 milhões de quilômetros quadrados de terra aos EUA (essa
operação ficou conhecida como compra da Louisiana), dessa forma os Americanos
dobram seu território.
Entre 1888 e 1897 o vírus da
peste bovina matou 90% do rebanho africano, tendo sua população de humanos
devastada no Sudeste da África, na África Ocidental e no Sudeste do Continente.
A perda do rebanho levou à fome, ao colapso e à migração de refugiados deixando
as áreas afetadas. Como consequência danosa ao Continente Africano, na década
de 1870, 10% da África era controlada pelos europeus, entre 1884/1885, 14
países europeus passaram a serem proprietários de 90% do território africano.
Todo esse prejuízo foi em decorrência do surto da peste bovina.
A dinastia Ming que governou
por quase três séculos com influência cultura e política por grande parte do
leste da Ásia teve um fim calamitoso e sangrento. Em 1641 uma epidemia chegou
ao norte da China, culminando com a morte de 20 até 40% de mortes, em algumas
áreas, o terror foi à associação da seca com enxames de gafanhotos. A situação
ficou tão crítica que há relatos que parte da população faminta começou a se
alimentar dos corpos das vítimas.
Depois dessa retrospectiva
histórica e tétrica, ao mesmo tempo lôbrego, cheguei à conclusão que estamos
numa situação de grande risco. Habitamos um mundo de tecnologias e
cientificamente de homens preparados, uma medicina que mata de inveja a
Hipócrates e Imhotep, Pai e Deus da Medicina, entretanto, somos verdadeiros
aprendizes na resiliência no trato com os pequenos corpos estranhos ao nosso
meio ambiente. E esses micros animais são capazes de destruir uma comunidade
inteira de humanos em pouco tempo.
No Brasil ao contrário de
vários países, senão a maioria deles, hoje reféns e alinhados na política do
recolhimento coletivo para tratamento e distanciamento da pandemia que avassala
a humanidade como um todo. Infelizmente, no nosso país estamos sendo conduzidos
pela insensatez dos governantes, enquanto a OMS e os cientistas preconizam o
afastamento social, o nosso novo secretário da saúde, vendido entre seguir o
critério técnico e a estúpida cartilha do achismo, empregada nos arroubos do
seu chefe direto, o presidente da República, ainda, Bolsonaro, a população tem
seguido, normalmente a orientação dos governadores e prefeitos.
Essa discrepância em plena
crise da pandemia do Coronavírus fez a geração de mais crises, a política,
financeira ou econômica, de governabilidade de tensão entre os poderes, a ética
ou moral. Todas elas impulsionadas pelo governo central, o Executivo que não
consegue entender e diferençar o alho do bugalho. Dessa forma, se não acontecer
um milagre a tempo, por parte de algum deus desconhecido, pois os conhecidos
estão desacreditando neles próprios, acham até que não há mais jeito, estamos
definitivamente perdidos, quem se salvar verá.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantasrp@gmail.com
No lusco-fusco de um novo mundo
Reviewed by Clemildo Brunet
on
5/12/2020 08:17:00 AM
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5/12/2020 08:17:00 AM
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3 comentários
Muito boa a matéria escrita,assim a gente aprende mais a dar valor ao nosso Deus,abraços do Geraldinho,rio.
Muito boa, verdadeira e oportuna retrospectiva.
Perdi meu precioso tempo lendo seu artigo chifrin. Tomara você continue vivo e ativo pra ver como esse Deus desconhecido (pra você, obviamente) fará deste país, para seu desgosto, uma grande e feliz nação pelas mãos de Bolsonaro.
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