HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE CELSO FURTADO
No ano em que Pombal celebra
322 anos de fundação, 248 anos de Emancipação Política e 158 anos de cidade, é
marcada também pelo centenário de nascimento do grande economista filho desta
terra, Celso Monteiro Furtado, nascido em 26 de julho de 1920.
Entre muitas variantes do
pensamento humano é possível se imaginar como a figura de um conterrâneo nosso,
como Celso Furtado, tenha alcançado em sua trajetória de vida terrestre,
destaque de um pensador a frente de seu tempo. Fiel aos seus princípios, tímido,
simples e prudente, conhecido como o mais universal dos paraibanos, pois de
nossa terra só tem mesmo a certidão de nascimento; tenha deixado através de sua
obra, um legado tão importante para a história, onde mostra que é possível
adotar uma política de desenvolvimento para o nordeste, o Brasil e América
Latina.
20 de novembro do corrente
vão marcar 16 anos de seu falecimento, 26 de julho deste ano 100 anos de seu
nascimento. Teve uma infância conturbada nos sete anos vividos em seu torrão
natal em meio às invasões de cangaceiros e as enchentes como a que ele
presenciou em 1924.
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| Celso Furtado |
“Eu
venho de um mundo que me parecia catastrófico. Pombal é das cidades mais
ásperas do sertão. Região seca, de homens secos. Muito menino, eu olhava pela
fresta da janela a chegada dos cangaceiros.”
“Em
1924, a parte dos fundos da nossa casa, onde havia a cozinha, foi destruída por
uma enchente. Nela, eu estava jogando bola e uma panela de feijão virou em cima
de mim, causando queimaduras. A visão que tive do mundo na infância era povoada
de dificuldades, de amarguras.”
“Quando
a Coluna Prestes passou por perto, ouvi os adultos dizerem que era como uma
praga de gafanhotos, que tomavam as reses dos ricos, para comer, e deixavam,
como pagamento, papéis rabiscados. Poucos sabiam o que queriam aqueles homens,
vistos como desertores do Exército comandados por um capitão de 26 anos.”
“O
governador João Pessoa era tido como uma espécie de santo. Quando foi
assassinado, as pessoas saíram às ruas em procissões. Foi no dia 26 de julho de
1930, em que eu completava dez anos. As empregadas da casa me levaram a essas
manifestações cívicas, que mostravam a revolta contida do povo”
(Celso Furtado).
Celso Furtado era filho de
Mauricio de Medeiros Furtado e Maria Alice Monteiro Furtado. Seu pai formou-se
em Direito pela Faculdade do Recife, foi juiz substituto da Comarca de João
Pessoa, Procurador Geral do Estado, Desembargador do Tribunal de justiça da
Paraíba. Exerceu grande influência na formação do filho Celso, o mais velho dos
homens de uma prole de oito filhos que teve com dona Maria Alice.
Em 1927 Celso levado pelos
seus pais fixa residência em Paraíba como era chamada a capital do estado
naquela época, iniciando seus estudos secundários no Liceu Paraibano, e no
Ginásio Pernambucano no Recife. Em 1936 já dava aulas de Geografia e Português
e dirigia cursos noturnos de escolas públicas.
Em 1939 chega ao Rio de
Janeiro e vai morar em pensões no Flamengo e na Lapa. Entra para a Faculdade
Nacional de Direito e começa a exercer atividades tais como Secretário de
redação na Revista da Semana, seu primeiro emprego, repórter e crítico de
música. Torna-se revisor do Correio da Manhã.
Foi em 1943 que Celso
Furtado assumiu o seu primeiro emprego público é aprovado nos concursos para
assistente de organização do Dasp e técnico de Administração do DSP – Rio de
Janeiro. Em 1944 cursa o CPOR (Corpo de preparação de Oficiais da Reserva).
Escreve seus primeiros artigos, sobre administração e organização na revista do
serviço público do DASP.
Bacharel em Direito. É
convocado pela Força Expedicionária Brasileira. Por falar nessa convocação,
reporto-me a um trecho de uma entrevista que Celso Furtado deu em abriu de
1999, ao jornalista Roberto Pompeu de Toledo. O jornalista perguntou: Como foi
sua experiência na Segunda Guerra Mundial?
“Fui
convocado como Oficial. Por sugestões de amigos, tinha cursado o Centro de
Preparação de Oficiais da Reserva, do qual sai tenente. Levei vantagem porque
falava inglês. O estudo de línguas, nessa época, era muito precário. Meu pai
sempre me advertiu: “Neste país, Celso, você não vai longe se não souber
inglês”. E pagou um professor de inglês pra mim, mr. Vance, um químico
industrial que trabalhava para usina de açúcar no nordeste. Ele gostou muito de
mim e aceitou ensinar. Confesso que a vaidade pesou, eu, um menino de 15 anos,
ia para os clubes e começava a falar inglês. Gostava de falar na frente das
pessoas que não entendiam”.
Respondendo outra indagação
do jornalista, Celso disse, que quando os superiores tomaram conhecimento de
que ele dominava o inglês, o convocaram para assumir a tarefa de intérprete
junto aos americanos, pois havia muito contato e ninguém sabia o idioma. Com
isso, o nosso economista maior, ganhou várias regalias, ficou tomando parte do
centro de decisões e tinha acessos às informações.
Pós Guerra, Cesso muda-se
para Paris desiste de ser advogado como queria seu pai. Em 1948, forma-se em
Economia pela a Universidade de Paris com a tese “L’economie coloniale
brésilienne”. Volta ao Brasil e passa fazer parte do quadro dos economistas da
Fundação Getúlio Vargas, trabalhando na revista Conjuntura Econômica. Em 1949
torna-se integrante da recém- criada Comissão Econômica para América Latina
(CEPAL), órgão das Nações Unidas no Chile. Nomeado Diretor de Desenvolvimento
do órgão, Celso é encarregado de missões na Argentina, Costa Rica, Venezuela,
no Equador e no peru. Seu primeiro ensaio de análise econômica,
“Características gerais da economia brasileira” é publicada na revista da
Fundação Getúlio Vargas.
Em 1957 realiza estudo pós-
graduação no King’s College da Universidade de Cambridge, Inglaterra. Aí
escreve Formação econômica do Brasil, seu livro mais difundido no Brasil é
traduzido em nove línguas.
Uma das maiores secas do
nordeste se deu no ano de 1958, o Presidente Juscelino Kubitschek nomeia Celso
furtado interventor no Grupo de trabalho do Desenvolvimento do Nordeste (GTDN),
oportunidade em que se elabora um estudo para promover o desenvolvimento do semiárido,
dando origem ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (CONDENO), do qual
nosso economista maior é nomeado secretário Executivo. É publicada Perspectivas
da economia brasileira, com as conferências proferidas no ano anterior no ISEB.
A Série nossa história,
nossa gente, volume 06, publicada em 2009 por ocasião da Festa do aniversário
de Pombal que tem como autores os Engenheiros Agrônomos Verneck Abrantes e José
Tavares de Araújo Neto, diz que:
Celso Furtado colecionava
pioneirismo: Foi o primeiro brasileiro a se doutorar como economista na
Universidade de Paris, o primeiro a integrar a Comissão Econômica para América
Latina – CEPAL, o primeiro Superintendente da SUDENE – que ajudou a criar – o
primeiro ministro do planejamento e cassado pelo regime militar, o primeiro
economista estrangeiro nomeado para a Universidade francesa. Em 1965, um
decreto especial do presidente Charles de Goulle permitiu-lhe lecionar
Desenvolvimento Econômico na universidade de Paris, permanecendo por vinte anos
nos quadros da Sorbonne. Escreveu mais de 30 livros, entre eles Formação
Econômica do Brasil clássico sobre o desenvolvimento do país entre o período
colonial e a industrialização.
Celso furtado ninguém o
superou reuniu em si mesmo as aptidões de cientista, líder e mestre, tendo sido
o inventor de escolas que decifrou com muita propriedade os segredos mais
profundos do pensamento econômico abrindo caminhos de alternativas para o
desenvolvimento social. Por isso, nós que somos pombalenses e conterrâneos
sentimo-nos orgulhosos, homenageando-o, nos seus 100 anos de nascimento.
*Radialista
e Escritor
Contato.
brunetco@hotmail.com
Pombal, 02/07/2020.
Bibliografia:
Centro Internacional Celso
Furtado de políticas para o Desenvolvimento e nossa história, nossa gente.
HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE CELSO FURTADO
Reviewed by Clemildo Brunet
on
7/02/2020 10:00:00 AM
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7/02/2020 10:00:00 AM
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3 comentários
Apropriado momento para destacar a pessoa do renomado economista Celso Furtado. Parabéns pela crônica.
Faltou dizer que Celso foi professor viditante de economia na Universidade de Yale, de setembro de 1964 a junho de 1965. Período de intensa atividade que acompanhei de perto como seu aluno, junto com Edmar Bacha.
Que maravilha! Pombal, a cidade que tem um dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento para e economia local é terra de um dos maiores economistas do mundo!
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