CLEMILDO BRUNET DE SÁ

SINGELA HOMENAGEM A CARLÃO

Clemildo e Carlão
CLEMILDO BRUNET*

Há amigos de perto, de longe, amigos de infância, contemporâneos de escola, amigos de mesa de bar, amigos verdadeiros e falsos e até amigos chegados mais que um irmão como diz a bíblia.
JOSÉ CARLOS DE SOUSA ARAÚJO, mais conhecido por (Carlão), um amigo e tanto... A quem neste artigo presto minha singela homenagem pelo transcurso de seu aniversário neste dia 28 de abril. Conheci Carlão no meio radiofônico. Embora no início não houvesse uma aproximação, sempre o admirei pela maneira como ele trata as pessoas. O seu comportamento e

OUVINTE DO PROGRAMA "BROTOLÂNDIA"!

VALDIR MENDONÇA* (Foto) Em Pombal, decorria o ano de 1966, e quase todos os lares daquela Rua Domingos de Medeiros (antiga rua da rodagem) onde eu morava na casa 269 ao lado da Mercearia Ideal de meu pai, Severino Espalha, sintonizava-se ao meio dia a emissora Voz da Cidade, que sob o comando do jovem Clemildo Brunet e sua turma de locutores, entre eles: os irmãos Maciel e Macilon Gonzaga, José Costa, e outros mais, apresentavam o programa de maior audiência daquela rádio, o “Brotolândia”. Ícone do que melhor existia pelas redondezas, um programa de variedades musicais com os grandes expoentes da Jovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo, Jerry Adriani, Wanderléia, Renato, Os Fevers, Golden Boys, Eduardo Araújo, Os Incríveis, Agnaldo Timóteo e muitos outros integrantes daquele movimento musical dedicado a juventude. Outras emissoras de renome como a Alto Piranhas (cajazeiras) e Espinhara (patos) não ofuscavam naquele horário a audiência da Voz da Cidade, com seus pequenos, mas potentes transmissores. Era um programa bem dinâmico na apresentação daqueles jovens que começavam a despontar no rádio, mostrando seus valores individuais no maior veículo de comunicação de massa, ainda até hoje o rádio. Tinha lá meus 15 anos, já com algumas namoradinhas, uma possante bicicleta monark comprada no Imperador das Novidades de seu Zuza Nicácio, calça calhambeque, camisa tremendão adquirida na loja de Tiquinho (camisaria ideal) e botas meio cano, na sapataria Chic, isso sem deixar de lado a cabeleira tipo Roberto Carlos e sua turma de cabeludos. Lembro-me que até invejava a maior cabeleira daquele momento em Pombal, a de Cirilo Formiga irmão de Manoel Pedro, mas que eu não conseguia igual proeza, porque os comentários maldosos dos conservadores não paravam. Mas voltemos a Voz da Cidade, que sob a batuta de Clemildo Brunet, iniciava o programa apresentando em alto e bom som a sinopse de mais um programa, e em seguida outros apresentadores deixando sua marca pessoal, dando o melhor de si, para tornarem-se profissionais do rádio, e buscando um futuro promissor através desse maior meio de comunicação, onde cada um ficava a espera de um futuro que não estava muito distante. No desenrolar daquele êxtase musical, o programa se adentrava nos lares pombalenses, tudo naquele ritmo frenético, tocando os grandes sucessos da jovem guarda, sempre atualizado com os lançamentos musicais do momento, naquela discoteca bem sortida da emissora, com grande quantidade de LP’s (bolachões) e os discos compactos - formato menor, adquiridos pelo Clemildo em Campina Grande ou João Pessoa, e aí uma alavanche de pedidos musicais provenientes daqueles poucos telefones existentes na cidade, o que inegavelmente era um objeto de luxo naquela época. A maioria dos pedidos musicais era mesmo por escrito (bilhetinhos) antes e durante o programa no ar, muitas vezes coincidia em atender vários pedidos prá se pedir a mesma música, que de tanto ser executada, só faltava mesmo “furar o disco”, como dizíamos. Muitos estudantes após o regresso de suas aulas marcavam presença naquele pequeno studio, por trás da rua nova. Lembro-me que nas paredes daquela modesta emissora, tinha vários posters dos artistas, tanto daquela corrente musical quanto da velha guarda, era pra todo gosto, imagine o poster do Waldick Soriano sorrindo pra Rosemary, ou Carlos Alberto pertinho da Wanderléa. Era interessante aquela integração musical e visual daqueles posters, que de vez em quando tinhamos a impressão de que aquele cantor fazia uma apresentação somente prá galera presente, era só fazer o pedido e o sonoplasta atender. Uma melodia do Jerry Adriani, “és meu amor” me traz boas recordações até hoje, porque foi um marco da minha partida dois anos após, oferecimento de uma namoradinha, num momento que antecedeu minha viagemas terras desconhecidas. Pedi para aumentar mais o volume daquele velho rádio "mullard” que de tão alto, só faltava estourar o auto falante, sintonizando aquele grande sucesso do ídolo, entre outras mais, hino também daqueles casais de namorados que se amassavam à sombra das algarobas da praça central (coluna da hora-igreja matriz), momento também que eu e alguns colegas desocupados, aproveitava os intervalos comerciais, pra beber uma “meiota de pitu” no bar centenário ou na bodega mais próxima que nos servisse, isso tudo muito rápido a "golada", as vezes não dava tempo nem de cuspir, pelo receio de algum fuxiqueiro nos entregar em casa, e isso não terminava muito bem. Depois que rumei prá cidade grande, não sei mais quanto tempo durou aquele inesquecível programa, mas a minha única certeza é de aqueles bons momentos musicais proporcionado pelas ondas da Voz da Cidade, ecoam até hoje na minha memória. *Funcionário Público Federal Ministério da Agricultura contato: valdir.mendonca@agricultura.gov.br Brasília - DF

NO TEMPO DO RIO PIANCÓ!

JERDIVAN NOBREGA DE ARAUJO* (Foto) Houve um tempo em que, de uma a outra margem do Rio Piancó, em alguns trechos, chegava-se a medir até cem metros de espelho d’água. Formavam-se ilhas, que chamávamos bancos de areia, onde jogávamos futebol de areia, muito antes desse esporte se popularizar na tela da TV. Ali surgiram craques como Mosquito, Almivam, Negro Tostão, Vandeca, Negro Breu, Nininha, entre outros. Houve um tempo que os melhores locais de se tomar banho, saboreando peixe, cachaça e rubacão com galinha roubada na noite anterior eram conhecidos por nomes próprios, e podíamos escolher se a diversão domingueira na Ponte Vermelha, no Pilar, nas Oiticicas de Ana, no Araçá, na Panela, na Camboa ou na Ponte do Areal. Nesse tempo chegava-se ao Rio Piancó por três caminhos que chamávamos simplesmente de "Corredor do Rio". O primeiro era o que começa por trás do Grande Hotel e se bifurcava para o banhista sair antes ou na ponte; outro iniciava por trás da casa de seu Ugulino (esse não era da nossa preferência por ser "mal assombrado"; e, o mais usado, o que iniciava na Rua de Baixo entre a casa de dona Noca e a de seu Joaquim. Ladeada pelas cercas do capinzal de Seu Delmiro Inácio e a roça de tia Mila, indo terminar bem ao lado da frondosa Marizeira (alguém ainda lembra-se dessa espécie de árvore que, como o Trapiazeiro, foi extinta na nossa região?) Nesse tempo, quando ainda havia o Cine Lux, as matinês eram, quase sempre, filmes de Tarzan. As margens do Rio Piancó eram protegidas por árvores como a Ingazeira e oiticiqueiras. Em alguns trechos do velho rio as ingazeiras e as oiticiqueiras se fechavam na copa em um abraço fraternal, criando centenas de metros de sombras no espelho da água corrente. Se olhássemos para cima não as podia ver sequer a luz do sol que era escondida pelos arvoredos. Os galhos mais rasteiros acariciavam com carinho as águas gelada do nosso rio. Os frutos caiam das árvores alimentando os peixes. Nesses locais podia-se jogar o anzol que com certeza garantia-se o acompanhamento da cachaça. Era também nestas arvores que amarrávamos as cordas e brincávamos de Tarzan, saltando de um a outro galho. O conversar das lavadeiras, os aguadores enchendo as ancoretas o lance da tarrafa que vinha prateado de piabas e podia-se ainda ter a surpresa de um Pitu ou um Cascudo para o almoço, paisagem comum aos nossos olhos. Houve um tempo que era assim! Um tempo em que não nos preocupávamos com o tempo a correr nos ponteiros dos relógios da Coluna da Hora. Um tempo em que era inútil o toque estridente da sirene da Brasil Oiticica, pois, para nós, pouco interessava o balanço das horas. Nesse tempo, aos domingos, o rio tinha o seu aroma peculiar de comida improvisada em alguma panela que fervia a sombra das Ingazeiras ou das oiticicas como, da mesma forma, o rio Piancó emitia o som gostoso de um violão e do coro desentoado das canções que eram embaladas entre um e outro salto nas águas gostosas do nosso Piancó. Quem se lembra desse tempo? Acho que estou ficando velho. Acho que estou aos poucos me tornando o último da minha espécie. Tantas lembranças de aventuras vividas nas ruas de Pombal me garantem a certeza que tive uma infância movimentada, vivida e aproveitada a cada minuto. Acho que se aproxima o dia que terei escrever as crônicas do meu tempo apenas para mim. Não há quem acredite que existiu a Pombal que eu relato. Quem hoje ver a cidade e tem acesso aos meus textos me rótula de fantasioso. Não é possível, dizem eles, que em tão pouco tempo o rio Piancó tenha se transformado em apenas um risco no meio do nada, que a cidade de Pombal tenha perdido em tão pouco tempo o seu bucolismo, mudado sua arquitetura, assoreado a sua história esquecido o seu passado. Não sei explicar o que houve. Só sei que um dia foi assim... *ESCRITOR POMBALENSE

"CRÉU": ASSIM JÁ É DEMAIS!

MACIEL GONZAGA*(Foto) O conceito de "qualidade", ou a definição do que seria bom ou mau no que se referia à música, era, nos séculos XVI a XVIII, bastante objetivo e claro. Falava-se em música boa e má usando-se parâmetros muito bem determinados e que iam além da beleza do produto final, da intenção de quem o produzira e, até mesmo, da finalidade da obra. No período do barroco, "boa música" estava associada ao princípio da ordem e do número. Falava-se em "harmonia sonora", uma arte baseada em regras bem determinadas. O princípio da ordem, musical ou não, era divino. O princípio do caos, musical ou não, era satânico. Satanás era, aliás, o principal desestruturador da ordem divina. A música que recebia aceitação e aprovação como "boa" era aquela possível de ser racional e intelectualmente decodificada. Devia "falar ao intelecto". Quando isto acontecia, então se podia falar em uma verdadeira Ars, ou seja, em Arte no sentido mais restrito da palavra. A Ars Musica baseava-se no princípio da ordem e do número. Se não o fosse, era objetivamente má. As raízes desta concepção vão até a Idade Média, ou ainda mais longe. Não só a música, como também outras formas de expressão artística, pareciam tentar refletir essa dualidade quase maniqueísta do bem e do mal, do bom e do ruim. Por causa da sua estrutura ordenada numericamente, a música era apropriada para refletir e até mesmo para representar o cosmos, o universo, a criação divina, que, da mesma forma, estavam ordenados a partir do número. Já no tratado anônimo de música, surgido antes do ano 900, Musica Enchiriadis, encontra-se o princípio: "Na formação da melodia, o que é gracioso e gentil será determinado pelo número, aos quais os tons se condicionam. O que a música oferece [...], tudo é formado a partir do número. Os tons passam rapidamente, mas os números [...], esses permanecem". Em 1538 escreveu Lutero em seu "Encomion musices": "Nada há sem [...] o número sonoro". Quase dois séculos mais tarde, em 1707, na época de J. S. Bach, Andreas Werckmeister escreveu: "As proporções musicais são coisas perfeitas que o intelecto pode compreender. Por isso são agradáveis. Mas o que o intelecto não compreende o que confunde e perturba, isso o ser humano abomina". Eis aí, em todos esses registros, de diferentes períodos históricos, a definição de boa música e de música má. Segundo os entendidos da arte sonora, o brasileiro, ao longo de sua história, tem sido um povo musical por natureza. De Villa-Lobos a Pixinguinha e tantos outros criadores geniais, o denominador comum tem sido a feliz e boa mistura de movimentos eruditos e populares, indígenas e africanos, europeus e americanos, tradicionais e de vanguarda. A boa música praticamente já não existe mais. Os músicos de outros países não mais procuram imitar nosso estilo. Não temos mais critérios objetivos que nos ajudem a falar de um tipo de música brasileira. Não sei o que aconteceu com a criatividade dos artistas brasileiros, que na maioria lançaram discos ainda em long-play, com musicas de boa qualidade, há quinze ou vinte anos, e hoje, apesar das facilidades da tecnologia que permite a gravação de alta qualidade por baixo custo, não conseguiram mais criar um repertório de músicas de qualidade para lançar em CD. Quando dei os meus primeiros passos no Rádio Pombalense, na “A Voz da Cidade”, sob o comando desse intrépido Clemildo Brunet, tomei gosto pela boa música. Fui aluno de Zeilto Trajano, no “Almoço à Brasileira”, um programa levado ao ar no horário do almoço, que só veiculava música de boa qualidade. Os tempos passaram e quis o Supremo Criador que eu pudesse dar a minha parcela de contribuição como compositor musical e busquei inspiração em dois grandes nomes da música nordestina: Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. No entanto, após o movimento do Pagode e do Forró Cearense, com exceção de alguns poucos artistas, a música brasileira, principalmente a popular, vem perdendo qualidade e sendo descaracterizada do contexto tradicional da boa música brasileira. Se fosse vivo, que diria Luiz Gonzaga? Infelizmente, o mundo está globalizado, os tempos são outros e a massificação está em larga escala. As músicas de hoje têm um fundo eminentemente comercial, são de apelo fácil. Na verdade, o Rádio tem uma parcela considerável de culpa nessa história toda. O número elevado de execuções faz com que uma música de baixa qualidade, a exemplo de CRÉU (A Dança do Créu), de um tal de “MC Créu”, seja considerada, de forma errônea, um sucesso. Esta música está tocando em todas as rádios do país inúmeras vezes por dia. É de baixa qualidade, apenas de fácil assimilação. Data vênia, lamentavelmente, o Brasil já não é mais “referência musical”. Ouvir “CRÉU” para mim é o final dos tempos! *JORNALISTA,ADVOGADO E PROFESSOR.

FELIZ IDÉIA, JUSTA HOMENAGEM !

Foto: Nelson Gonçalves Caro Clemildo. Parabenizo-lhe pela brilhante idéia de homenagear o inesquecível cancioneiro popular, NELSON GONÇALVES, por ocasião do 10º Aniversário de seu falecimento. Na vida existem coisas tão maravilhosas que não podem ser descritas em palavras. Daí nos limitamos a admirá-las e apreciá-las em toda sua plenitude, pois explicá-las é exclusividade de DEUS. Nesse contexto incluímos a arte da música e os grandes intérpretes como Nelson Gonçalves. Infelizmente a nossa música e os grandes cantores perderam sua importância em detrimento aos interesses econômicos que em função dos lucros assassinam nossa cultura oprimindo e marginalizando nossos talentos. Contudo, contrariando seus vis interesses, Nelson Gonçalves jamais será esquecido. Seguramente sua incomparável voz que embalou muitos corações ao interpretar com maestria linda canções do nosso vasto repertório, será sempre lembrado pelos inúmeros admiradores. Portanto, na condição de saudosista assumido e admirador incondicional desse grande artista, a quem inclusive reputo maior cantor do mundo, me associo a tão merecidas homenagens. Enfim, reafirmo, que enquanto houver resquícios de amor, saudade e paixão, com certeza a nossa música sobreviverá. Parabéns. Abraços: vieira. FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES – PROFESSOR E EX-ADMINISTRADOR ESCOLAR. POMBAL PB.

DEZ ANOS SEM NELSON GONÇALVES !

CLEMILDO BRUNET* Já se disse que a memória de nosso povo é curta. Como compreender a natureza humana neste aspecto do esquecimento? Parece que só acontece com a gente? Um povo que não tem passado pode ser lembrado nas gerações futuras? A nossa homenagem neste artigo será dedicada a um cantor e intérprete das mais expressivas letras musicais já cantadas e ouvidas por nossa gente: NELSON GONÇALVES! Ele faleceu no dia 18 de abril de 1998. São passados dez anos de sua morte e muitos já o esqueceram. A nossa mídia o esqueceu. No entanto, foi considerado o cantor da voz mais bonita do Brasil. Nelson Gonçalves certa vez disse: “O Brasil é um país sem memória. Alguém se lembra de Francisco Alves”? E acrescentou: “uma semana depois de morto, estarão fazendo xixi sobre a minha tumba”. A gravadora RCA VICTOR hoje BMG LTDA, onde Nelson Gonçalves iniciou sua carreira artística e permaneceu até o final de sua vida, deu ao artista o prêmio Nipe pela convivência de trabalho com mais de 50 anos na Companhia. Nelson foi considerado pela direção da gravadora como o cantor mais importante a nível mundial, dividindo essa deferência com o cantor Elvis Plesley. Depois da morte de Nelson, a BMG resolveu prestar um tributo ao cantor com um gênero áudio visual pouco explorado no Brasil, o “docudrama” (documentário que contém partes encenadas por atores) sendo possível contar um pouco da vida do cantor sem depender exclusivamente, de depoimentos e cenas de arquivo. Segundo a Produção, Nelson Gonçalves foi um homem excessivo em sua arte e em tudo que fez. Antonio Gonçalves Sobral este é o nome de batismo, nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, em 25 de junho de 1919, mudou-se com a família para São Paulo com endereço no Brás. Antes da fama, ganhou a vida como jornaleiro, mecânico, garçom e lutador de boxe na categoria peso médio. Depois de muitas tentativas nas emissoras de São Paulo; em 1939 foi para o Rio de Janeiro enfrentar filas de Programas de calouros, tendo sido aconselhado por Ary Barroso a procurar outra profissão. Em 1941 Nelson Gonçalves conseguiu gravar seu primeiro disco em um compacto simples com as músicas “Sinto-me bem” samba de Ataulfo Alves e a valsa “Se eu pudesse um dia”, de Osvaldo França e Orlando Monello, pela RCA VICTOR. No dia 27 de maio de 1942, Nelson chega ao estrelato com a música “Renúncia” de Roberto Martins e Mário Rossi. Foi um fino freqüentador do Café Nice ponto de encontro de grandes compositores, intérpretes, músicos e pessoas ligadas ao meio artístico. Chegando ao auge do sucesso nas décadas de 40 e 50. Recebeu o título de rei do rádio com sucessos que se tornaram imortais nas cabeças de muitas gerações. Na década de 90, gravou músicas de Ângela Rô Rô, “Simples Carinho”, Kid Abelha, “Nada por Mim”, Lulu Santos, “Como Uma Onda” e até do rei Roberto Carlos “Como é Grande o Meu Amor Por Você”, entre outros. Sonia Carvalho artista de rádio que abandonou a carreira pelo marido, reconhecedora de talentos durante um encontro com o cantor, foi objetiva: Eu sei que seu nome é Antonio Gonçalves. É sim senhora. Era! Agora você se chama Nelson Gonçalves. O escritor Marco Aurélio Barroso que em 2002 lançou o livro “A Revolta do Boêmio”, afirmou: A começar pela voz, de tudo, Nelson teve em excesso: Dinheiro, fama, sucesso, patrimônio, família, residência, problemas, vício, medo, insegurança, mulher... Uma coisa, porém, Nelson teve muito pouco: amor próprio.Era atrapalhado por sua gagueira que lhe valeu o apelido de metralha. Contudo, foi extraordinário cantor que deu voz à boemia. Um dos fenômenos de sua carreira foi o samba canção “A volta do Boêmio”, onde fez sua trajetória de supercampeão de vendas, que arrebanhou um milhão de compradores no longínquo 1957. A parceria de Nelson com o seu principal compositor, o português Adelino Moreira (em memória), renderia outros clássicos da canção de amor destemperado. Flor do meu bairro, Meu vício é você, Fantoche, Doidivana, Escultura, Fica comigo esta Noite e Deusa do Asfalto. Esta última me traz doce lembrança de um fato ocorrido na minha infância: Certo dia, na companhia de um casal a quem meu pai havia confiado os cuidados, foi de jipe acompanhando a caravana, para esperar a chegada de um político importante em São Bentinho. A espera tornou-se enfadonha; quem estava sendo esperado demorou. E o Casal resolveu esticar a viagem até Condado. Não querendo desgrudar do jipe com medo de me perder, não saí de dentro do veículo. Chegando a Condado por volta das 6 horas da noite, ouvi a música através da difusora local. Toda vez que ouço “Deusa do Asfalto” lembro-me desse episódio. Nelson Gonçalves ficou conhecido por sua voz forte e suave, até que no dia 18 de abril de 1998, em razão de um infarto agudo do miocárdio, aos 78 anos, morreu. E assim, os dias vão passando. No entanto, Nelson permanece entre nós, graças ao milagre da tecnologia; Pois passados dez anos, ainda podemos ouvi sua voz e matar saudades! *RADIALISTA WEB: http://clemildo-brunet.blogspot.com CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

LAMENTAÇÕES E SAUDADES !

(Foto arquivo Verneck Abrantes) AMIGO CLEMILDO. Recebi seu e-mail no qual relata a história da Rádio Maringá e lamenta com saudade o seu fechamento. Por via de regra, assim como a rádio, podemos citar o Cine Lux, o Ginásio Diocesano de Pombal, além de outros edifícios que também fizeram parte da nossa história e que uma vez destruídos, existem hoje apenas em nossas lembranças. È lamentável, mas deviam ainda estar intactos, exibindo sua monumental estrutura, despertando a atenção de todos e enriquecendo o patrimônio histórico de nossa querida Pombal. Como se não bastasse, e o que é mais descabido é lembrar que o Ginásio Diocesano, escola que detinha ótimo conceito e rica estrutura pedagógica, numa atitude que contraria a inteligência humana, foi demolida para dar lugar a construção da atual Escola Polivalente, o que podia ter sido feito em outro local. Se assim tivesse acontecido, Pombal só não teria ganho mais uma escola, como estaria proporcionando mais uma oportunidade a população no campo do conhecimento. A propósito, o fato é inusitado. Agiram no mínimo de forma estranha. Segundo a sabedoria popular, descobriram a cabeça de alguém para cobrir a de outro. É ilógico, pois haverá sempre alguém desprotegido. Face esse descaso, nós que amamos nossa terra e que somos fiéis as nossa origens, sofremos pela perda e pela saudade sentidas, pois todo saudosista é um amante em potencial. Sofremos porque a saudade é um sentimento de dupla ação, senão vejamos: se por um lado relembra algo importante, por outro, ao recordar, machuca a nossa sensibilidade. Seguindo esta lógica, há quem diga que recordar é sofrer duas vezes. De minha parte penso que sentir saudade é amar realmente. Enfim, lamento que atitudes dessa natureza ainda aconteçam nos dias de hoje. Exemplos desse tipo produzem efeitos desastrosos, pois destroem a nossa história colocando o nosso país na condição de tornar-se mais tarde uma nação sem memória. Assim, para evitar que o mal continue vamos preservar o que ainda temos. Abraços: VIEIRA. PROFESSOR FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES EX-ADMINISTRADOR ESCOLAR.

MARINGÁ: AINDA LEMBRO-ME DELA!

Clemildo Jornal Maringá 1982


CLEMILDO BRUNET* 


     Ela veio em uma época bem distante de outras que tiveram sua denominação. Antes do seu aparecimento, outros já haviam utilizado o epíteto. Sempre alguém lembrava o nome. Edifícios e casas comerciais já tinham em seus frontispícios e o povo dizia: “Pombal, Terra de Maringá”. 
      Ainda hoje a população se lembra. Vez por outra, alguém me conta fatos, referindo-se a serviços prestados por ela a nossa sociedade. 
      Rádio Maringá de Pombal Ltda, foi pioneira na história de nossa cidade a ser registrada no Departamento Nacional de Telecomunicações do País. Sistema convencional de radiodifusão comercial, ondas médias, ZYI 180, freqüência 1490 kHz, amplitude modulada 1000 watts de potência na antena; um empreendimento do deputado estadual Francisco Pereira Vieira, que tinha, como sócios, os deputados Federal Adauto Pereira, estadual Aércio Pereira e

AURELIANO RAMALHO E A FIDELIDADE PARTIDÁRIA!

Aureliano Ramalho
CLEMILDO BRUNET*

       A História é feita por homens e homens fazem a história. Há um ditado popular que diz: “Morre o homem e fica a fama”. Há muitos, porém, que ficam no anonimato. Muitas vezes fatos ocorridos com determinadas pessoas são entendidos de diversos modos dependendo da leitura de cada um.
       Vivemos mergulhados num mundo cheio de controvérsias, por esta razão é necessário a apuração dos acontecimentos, para que não incorramos no erro do uso da liberdade de expressão, vir a se transformar em libertinagem de expressão. Falando ou escrevendo devemos atentar bem para as palavras do sábio Salomão quando diz: “Estás enredado com o que dizem os teus lábios, estás preso com as palavras da tua boca”. E