CLEMILDO BRUNET DE SÁ

S O S FORRÓ

FRANCISCO VIEIRA (FOTO)

FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES*

Aproxima-se o mês de junho e com ele as festas juninas, época em que se comemoram os maiores santos da igreja, São João e São Pedro. É tempo de saborear comidas típicas como: canjica, pamonha, bolos e outras iguarias de igual sabor, todas feitas de milho, produto do incansável trabalho do homem do campo. Esse período é acima de tudo festivo. É tempo dos folguedos, isto é, brincadeiras, entre as quais se destaca o tradicional forró pé de serra que ritmado pelo fole da sanfona, o couro do zabumba, o leve metal do triângulo e a pancada da pele do pandeiro com o tilintar de suas rosetas prateadas, fazem a festa animando as noites sertanejas, É lamentável, mas, já não se faz São João como antigamente. É que o “progresso” tem a visão voltada para os lucros e caminhando nessa direção fere nossas tradições desrespeitando os valores intelectuais que vivem à mercê do império selvagem da mídia que por sua vez prima pelos interesses econômicos onde a qualidade e o talento são peças descartáveis. A exemplo disso podemos citar o forró, que vem sofrendo os efeitos desse “progresso” e aos poucos perdendo a sua identidade. Mudaram a estrutura do nosso forró pé de serra e lhe impuseram uma nova cultura, uma nova cara. Em síntese, o que se vê hoje, são " super-bandas " com nomes extravagantes, enxertadas de instrumentos impróprios ao gênero musical e assim enganando com músicas de uma pobreza sem concorrência, além de letras de péssima qualidade e sem nenhuma expressividade ou sentimento. De certo, são na maioria pornográficas, portanto, nocivas aos bons costumes. Letras assim são prejudiciais à cultura, pois não transmitem nenhuma mensagem de otimismo ou de enaltecimento ao nordestino, seus costumes, riquezas e peculiaridades. E, como se fosse pouco, para enganar mais facilmente, o falso forró tem como atração casais de dançarinos que são reconhecidamente exímios na arte da dança. São ainda de uma elegância exuberante que se apresentam seminus exibindo coreografia mesclada de acrobacias e passes próprios de outros ritmos. O nordestino parece viver um carma, pois se não bastasse o sofrimento com as constantes secas e o descaso das autoridades, ainda somos condenados a conviver com a degradação do que ainda temos de melhor, o xote, o baião e o xaxado, cuja história jamais seria contada sem Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Sivuca e outros. Para o nosso orgulho este foram mais que cantores, mais que artistas, pois com arte e maestria encantaram o mundo cantando o Nordeste e o Brasil. Não, não tenho absolutamente aversão às mudanças, desde é claro, que tragam benefícios. Elas acontecem de forma positiva ou não. Entretanto, nem sempre são benéficas, pelo contrário, às vezes causam danos irreparáveis como acontece com o forró que se sente ferido em suas origens e agonizante pede socorro. Bem, partindo do princípio de que “tudo o que é bom dura pouco” só nos resta uma alternativa: aproveitar o que ainda existe. Assim, em meio a tanta agressividade nos deleitamos em ouvir Dominguinhos, Flávio José, Alcimar Monteiro, Fagner, Elba Ramalho e outros também remanescentes do autêntico forró e fiéis as origens como legítimos herdeiros de artistas imortais, principalmente de Luiz Gonzaga - ETERNO REI DO BAIÃO. Contudo, ainda creio no forró. Acredito que enquanto houver pessoas sensatas que amam o que é bom e o que é belo, certamente o forró não morrerá. Assim como o samba o forró agoniza, mas não morre. Afinal de contas o forró é uma arte e a arte se eterniza a medida que nós a cultivamos. Assim o forró é eterno. Viva o forró e o faça imortal.

*PROFESSOR E EX-ADMINISTRADOR ESCOLAR

O ADEUS A GILSON FERNANDES!

CLEMILDO BRUNET*
Gilson Fernandes (Foto arquivo Rádio Liberdade) Certamente ao ler estas linhas alguém há de perguntar: Quem foi Gilson Fernandes? E eu simplesmente respondo: Um ser humano como qualquer outro que viveu a geração de seu tempo aqui neste mundo e que faleceu na madrugada desta quinta feira dia 29 de maio de 2008. Tinha a carteira do Sindicato dos Radialistas da Paraíba, pois prestava serviço de vigilante na Rádio Liberdade 96FM de Pombal. Acometido que foi de uma enfermidade e sofrendo muito por causa da doença, afastou-se do trabalho e requereu aposentadoria. Lutou o quanto pode para viver, recebendo toda assistência médica e apesar dos cuidados que se deve ter com a saúde, não resistiu e partiu para a eternidade. Uma vez por outra, Gilson ocupava a mesa de áudio da emissora fazendo a vez de sonoplasta. Ou na ausência de alguém que pedia para que ele o substituísse ou quando era designado pela direção. Mesmo sabendo que esta não era a sua função, nunca se furtou em realizar este serviço. Gilson Fernandes sabia cultivar as amizades tanto dos companheiros de rádio como daqueles que visitavam sua repartição de trabalho. Com seu sorriso, sempre simpático, recebia a todos e tratava-os da melhor maneira possível. Um ser simples e muito respeitador. Assim era o nosso Gilson. Bom esposo, pai amoroso e muito querido pela esposa - Maria do Socorro Dantas e seus quatro filhos: Gicélio, Ana Celina, Sitara e Gitana. A família lhe dispensava o maior carinho, principalmente nos momentos mais cruciantes de seu calvário. Conheci os pais de Gilson quando estes chegaram aqui em Pombal vindo de Campina Grande. O irmão mais velho Genivan Fernandes conhecido por Pássaro Preto, foi no início do Lord Amplificador nosso controlista. Logo fizemos uma grande amizade com essa família. O pai que era chamado pelos amigos de seu Fernandes, logo apelidou os filhos para que terceiros não tivessem este privilégio. Ao mais velho chamou de Pássaro Preto e a Gilson, de cara da Broa Preta, só que o apelido deste último não vingou. Houve uma época que Gilson fazia parte da equipe do Treze Futebol Clube de Campina Grande. Certa vez, veio com esta equipe a Pombal enfrentar o São Cristovão local, não lembro como saiu o placar dessa partida. Só sei que era uma época em que o futebol da terra de Maringá estava no apogeu e o São Cristovão era muito prestigiado pela sua torcida, em virtude do elenco de atletas primorosos que ofereciam ótimos espetáculos futebolísticos. Gilson se foi, mais já deixou um legado para o futebol paraibano, o seu filho Gicélio, que começa a despontar como atleta do mesmo clube por onde o seu pai passou. Está só começando como estagiário, no entanto, já mostra um bom desempenho e poderá num futuro bem próximo ser entre outros, uma estrela no nosso futebol. Muitos amigos compareceram ao seu velório e sepultamento, especialmente os seus companheiros de rádio. Ao meio dia, horário nobre do jornalismo da Rádio Liberdade 96FM, foi feita uma homenagem Póstuma, recebendo mensagens e depoimentos dos ouvintes por telefone, manifestando condolências a família enlutada. Às três horas da tarde, o féretro saiu de sua residência a Rua Professor Luiz Ferreira Campos, sendo conduzido até a Igreja Congregacional onde foi realizada a Cerimônia Fúnebre presidida pelo Pastor Cláudio Alves; e em seguida para o Cemitério Nossa Senhora do Carmo, onde se deu o sepultamento. Rogamos a Deus o conforto e as consolações para a família do nosso amigo Gilson Fernandes, na certeza de que o amor de esposo e pai que ele dedicou à família sirva de exemplo aos seus descendentes. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

LEMBRANÇAS DO PADRE ANDRADE!

MACIEL GONZAGA*(foto) É de suma importância para as novas gerações conhecer a história. E a nossa querida Pombal é rica nesse aspecto. Por formação e vocação tenho sempre procurado trilhar por esse caminho de tenta buscar o resgate de vultos que marcaram época historicamente. Diante do que abordou João Costa, resolvi republicar esse artigo que dediquei à pessoa ímpar, sem igual: o padre Francisco Ferreira de Andrade, o nosso querido padre Andrade. Na hierarquia da Igreja Católica só chegou a Cônego. Era filho natural da cidade de Coremas. Dizem os seus contemporâneos do Seminário de Olinda, que foi um estudante exemplar, inteligente e de muitos conhecimentos adquiridos através da leitura. Mas, sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), a conhecida trombose, que lhe deixou seqüelas. Perdeu parte da memória, todo lado direito do corpo ficou comprometido, perdeu o gosto pela leitura e ficou com o raciocínio também de certa forma comprometido. Ao se adaptar à nova vida ganhou algumas virtudes ou até mesmo defeitos: gostava de teimar e não levava desaforo para casa. Também passou a gostar do cinema brasileiro, principalmente das pornochanchadas de Oscarito, Ankito, Grande Otelo e, mais do que nunca do seu artista preferido, que era Zé Trindade. Quem do nosso tempo – década de 60 – não presenciou padre Andrade assistindo filmes à noite? Galdino Mouta - que eu considero do mesmo time de Genival Severo - gostava da “safadeza” - preparava um local especial para velho vigário-coadjutor, no primeiro andar do Cine Lux. Nas saudosas e alegres pornochanchadas, quando aparecia Eliana se beijando com Cyl Farney ou Zé Trindade em meio às vedetes quase nuas, padre Andrade optava por colocar uma das mãos nos olhos. Com os dedos bem espalhados, é evidente! Lembro-me de um fato que presenciei como “ajudante de Sacristão” que fui durante anos na Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso, durante uma cerimônia de batizado coletivo, num sábado à tarde, em meio ao calor de quase 40 graus. Era início da época da Jovem Guarda e da moda dos cabeludos. Padre Andrade vai se dirigindo a cada um dos batizandos e, de início, faz duas perguntas seqüenciadas: “Homem ou mulher?” e “O nome?”. Chegando quase no final da fila, lá estava um rebento de cor negra, quase dois anos de idade, cabelos compridos e ondulados já caindo nos ombros. Desta vez o vigário-coadjutor – ele gostava de assim ser chamado - resolveu fazer uma única pergunta: - O nome da menininha? O pai, que vinha lá das bandas da Maniçoba, estufou o peito e bradou alto para todos ouvirem: - É macho, seu padre. E tem aquilo roxo! Foi uma explosão de risos na igreja. Padre Andrade reagiu incontinente: - Silêncioooooo! A Casa de Deus não é lugar de brincadeiras, mas, sim, de orações. Todos calaram. Padre Andrade prosseguiu com o ritual do sacramento. E perguntou: - O nome? Ainda gracioso, o pai respondeu dizendo que seria “Uashington” (a grafia deveria ser esta). Aí padre Andrade aproveitou para não ficar por baixo: - Nome de pobre é José, Manuel, Joaquim ou Severino. Por que botar um nome tão difícil nesse no menino? O pai mais uma vez tenta dar a explicação. - Seu padre, o negócio é o seguinte: lá em casa já são oito filhos e todos são na letra “U”. Dessa vez a mãe deles resolveu colocar esse nome difícil. Fazer o que, né? O vigário-coadjutor, para não perder o bom humor, reagiu: - Já que queriam um nome com letra “U” porque não colocaram URUBÚ. Chico Almeida, que estava presente e seria um dos padrinhos na mesma cerimônia, deu uma gargalha que estrondou por toda Igreja Matriz. Padre Andrade olhou para o Sacristão Odorico e perguntou: - Gostou? Eu, que estava como acólito (aquele que acompanha e serve, na Igreja Católica, aos ministros superiores) no batizado não entendi nada. Tempos depois, refazendo a história é que compreendi tudo o que acontecera naquela ocasião. Padre Andrade, apesar da sua saúde debilitada, era apenas um homem de bom humor, que gostava de brincar, teimar, mas que em nenhum momento tinha a intenção de denegrir ou humilhar alguém. Como vigário-coadjutor prestou inestimáveis serviços à Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso e à comunidade católica de Pombal, cidade que escolheu para trabalhar como servo de Deus até os últimos dias de sua vida. Quem o conheceu de perto só guarda boas lembranças. E, com certeza, o Soberano guardou no seu Reino um lugar especial para o nosso querido e inestimável padre Francisco Ferreira de Andrade. *Jornalista, advogado, apresentador de TV e Professor.

VONTADE DE SENTIR-SE SEGURO!

CLEMILDO BRUNET* Visita de Clemildo ao Coronel Kelson (Foto de Arquivo) Todos nós cidadãos queremos que essa vontade prevaleça. No entanto, ela é só aparente. De repente somos tomados de maneira surpreendente com noticiários policiais, dando conta de assaltos a bancos, casas lotéricas, agencias de Correios e ônibus, que vêm ocorrendo constantemente aqui na Paraíba. O sertão não está imune dessas ações. Já não há lugar nesta terra que o cidadão de bem possa sentir-se seguro. A bandidagem deixa os grandes centros e penetra na região interiorana, motivado talvez pelo o número alarmante de facínoras existentes em suas regiões ou por encontrar um modo de fuga da perseguição policial onde se acham com suas fichas criminais totalmente cheias. Parece reinar em nossa região a tranqüilidade que não se vê nas grandes metrópoles. Aqui mesmo que o índice de criminalidade seja menor, a falta de segurança é maior. Antes se pensava que a bandidagem não vinha para estes lados em razão das pessoas conhecerem umas as outras e que a presença de estranhos no nosso meio seria logo notada. A população urbana cresceu em detrimento do êxodo rural. Em virtude dessa mutação, é óbvio a zona rural foi abandonada, o que fez com que os amigos do alheio avançassem no seu intento de invadir propriedades e cometer seus crimes também nestas localidades. Por falta de segurança a ação criminosa é mais fácil e rápida. É perturbar a paz de quem está tranqüilo. Do ano passado para cá, os últimos acontecimentos ocorridos no Município de Pombal e adjacências, tem deixado a população em pânico. O que corrobora com a bandidagem é um contingente pequeno de policiais e totalmente desaparelhado em armamentos e viaturas, não dando condições aos PMS para um enfrentamento com os bandidos. Pombal necessita urgentemente do apoio das autoridades (leia-se) Secretaria da Segurança e da Defesa Social da Paraíba e do Comando Geral da Polícia Militar de nosso Estado, para que providências sejam tomadas no sentido de aumentar o contingente policial deste município, quem sabe, a instalação de uma Companhia e não apenas simplesmente um pelotão militar. É dever do poder público dar segurança aos cidadãos, já que estes contribuem em muito com o governo pagando seus impostos e tributos em dia. Por outro lado, as autoridades constituídas deste Município, devem ficar em estado de alerta e cobrar estas ações de segurança de seus superiores, pois a população tem vontade de sentir-se segura. Já é tempo de se fazer alguma coisa. É preciso inibir a ação desses malfeitores de terras estranhas que invadem nossas aldeias, antes que o mal avance ainda mais e nos destrua a todos. O contribuinte agradece. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

POMBAL EM: A TAÇA DO MUNDO É NOSSA! *

Jerdivan N. Araújo "Noventa milhões de brasileiros em ação, salve a seleção!" Os poucos carros que existiam na cidade, em sua maioria Jipes e fuscas, desfilavam pelas ruas de Pombal exibindo em seus pára-brisas adesivos de propagandas do governo Médici do tipo: Brasil: Ame-o ou deixe-o; Este é um país que vai prá frente! Ou, simples bandeirolas de fitas na cores verdes e amarelas. Na prefeitura e no Grupo Escolar João da Mata a Bandeira do Brasil era levada ao mastro todos os dias. Subia a bandeira ao som desafinado do Hino Nacional entoado pelos alunos daquele estabelecimento de ensino. Na banca de revistas do Escurinho a novidade era o álbum da Jovem Guarda que acabara de chegar. As figurinhas de artistas como: Antônio Marcos, Roberto e Erasmo, Wanderléia, Os incríveis e outros astros do movimento de vanguarda, passavam de mão em mão, disputadas no "bafo" ali mesmo na calçada do armarinho de Pio Caetano ou Antônio de Cota. As figuras premiadas eram trocadas por pôsteres dos ídolos da juventude que eram vendidas para suspirantes e sonhadoras adolescentes que pagavam caro até mesmo por um exemplar da "Revista da TV", mesmo sendo a televisão uma raridade por estas bandas, que sempre trazia as últimas novidades do mundo artístico. O conjunto "Os Águias", fazia a matinê de domingo à tarde no Pombal Ideal Clube. O Cine Luz anunciava “Dio Como Te Amo" e o Lord Amplificador tocava o ultimo LP de Nelson Gonçalves enquanto que em alguma outra parte do Brasil uma mãe chorava, em silêncio, o filho que não voltará pra casa. Era esse o clima em que vivia Pombal quando a seleção brasileira de futebol, desacreditada pela critica especializada, saiu do Brasil. Na véspera da viagem o Presidente Médici demitiu o técnico João Saldanha que se recusara a convocar o Dário Pereira, peça chave da propaganda militar. Em substituição a João Saldanha, foi indicado o assistente Técnico Zagallo que já pegou a equipe pronta. Em Guadalajara, na medida em que o "excrete canarinho" ia deixando seus adversários para trás, também ia ganhando a confiança do povo brasileiro, de forma que das oitavas de final para frente, não havia mais dúvidas que, independente da incompetência do técnico, tínhamos jogadores talentosos que, mesmo jogando sem orientação tática, eram providos de perícia suficiente para trazer o tricampeonato para o sofrido povo brasileiro. Nas tardes de jogos a cidade se transformava em um deserto, e até o Barraco Padre Cícero de Zé de Lau fechava mais cedo. Não se via viva alma nas ruas. Mal terminava o jogo e o cenário voltava ao que era antes, exceto pelos carros que passavam buzinando, e os foguetões que rasgavam o céu de Pombal, dando conta de que a seleção canarinho havia passado por mais um adversário. Os bares se enchiam e o assunto não era outro. Quem assistiu ao jogo pela televisão esnobava dos que não tiveram tal privilégio. Eram jogos sofridos, com adversários difíceis que chegavam até a abrir o marcador, deixando nossa equipe na difícil situação de ter que reagir, para não perder a peleja. Foi numa dessas partidas que, Seu Antônio do Ó, não agüentando a pressão exercida pelo adversário sobre nossa equipe, sapecou o seu velho rádio de pilha contra a parede, espatifando-o em vários pedaços. Vicente Farias se desdobrou o botou pra funcionar no dia seguinte.! No final tudo dava certo. O chute forte de Rivelino, a correria sem rumo de Jairzinho, a frieza de Tostão e o inigualável futebol de Pelé, em seus dribles desconcertantes que, segundo um Jornalista Alemão "parecia passar por dentro dos adversários como se fossem todos ali fantasmas e somente ele real" deixou o adversário extasiado levando o excrete brasileiro para a grande final contra os "comedores de pizza" do primeiro mundo. A final da Copa de 1970 foi vista nas poucas televisões já instaladas na cidade e ouvida pelos muitos rádios ABC Canarinho que foram vendidos de forma facilitada pelas Lojas Paulistas e Casas Bandeiras. Pombal se vestiu de verde amarelo e comemorou junto com todo o país a grande conquista. * do Livro Sob o céu estrelado de Pombal 1997 "A união" COMENTÁRIO DE CLEMILDO! É por demais interessante este artigo do escritor pombalense Jerdivan Nóbrega de Araújo, a quem eu dou meus parabéns. Permita-me Jerdivan, acrescentar um detalhe sobre o Lord Amplificador, que talvez você tenha passado despercebido. O Lord Amplificador foi destaque em nossa cidade por ocasião da Copa do Mundo de 1970. A transmissão do evento via sinal de rádio! Na Praça do Centenário foi instalado um televisor para o público assistir a cobertura dos jogos. Pois bem, o povo via a imagem pelo monitor de TV, mas o áudio preferido era o do LORD AMPLIFICADOR, por ser mais abrangente para os ouvidos dos telespectadores.

VISITAR CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO VIROU RITUAL PORQUE...

COMENTÁRIO DO JORNALISTA JOÃO COSTA, NOSSO CONTERRÂNEO, RESIDENTE EM JOÃO PESSOA – PB. Meu caro Clemildo; Nunca duvidei da sua competência e abnegação, além da devoção por Pombal. Disse a você certa vez: haja o que houver somos todos do século passado. Com a vantagem de dispormos das ferramentas do Século 21, como internet. Visitar Clemildo, Comunicação e Rádio, virou um ritual porque, vez por outra, bate fundo nas recordações. Todo esse papo furado aí de cima é para dizer que o artigo de Jerdivan Nóbrega, “O Bar Centenário”, é uma beleza e está primoroso. Uma viagem através do túnel do tempo; um resgate da memória de nossa cidade e das gerações que atravessaram os anos sessenta e início da década de setenta. Gostei do artigo por resgatar o Bar Centenário como referência. “Um homem sem uma esquina ou banco de praça é desprovido de memória”, sentenciou Nelson Rodrigues. Mais ainda por reavivar a memória do saudoso Padre Andrade mais cinéfilo do que padre, mais místico do que sacerdote, mais humano porque extremamente misterioso. Acho que Padre Andrade merece um filme, um livro, qualquer coisa só dedicada a ele. Suspeito que nem nome de praça é em Pombal. Era uma grande figura humana com um hábito singular de criar sapos, diziam. Lamento que a rapaziada hoje prefira abrir a mala do carro para exaltar poder de consumo com requinte de imbecilidade. Jerdivan foi cruel, mas verdadeiro; não tem outro nome senão o rótulo de imbecil para essa rapaziada rica em recursos para consumir, mas paupérrima culturalmente. Longe de mim a presunção, mas é fato. Trazer lembranças do Lord Amplificador é covardia. Recordar Zuza Nicácio, a quem sou grato pelo primeiro emprego “formal com salário e tudo”, mais ainda. Dos Águias, uma facada no coração. Enfim, um artigo bacana esse de Jerdivan. Valeu Jerdivan. Valeu Clemildo, porque com o Lord Amplificador nossa voz no máximo chegava à Estação Ferroviária. Com seu Blog as coisas de Pombal correm o mundo, mais eficaz do que a Rádio Clube de Pernambuco, quem diria... João Costa - radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com. br

MEU TEMPO DE RÁDIO!

(FOTO ARQUIVO) Detalhe: Clemildo segurando o microfone. CLEMILDO BRUNET* Ninguém pode avaliar a alegria que passa em meu coração quando o assunto é rádio. Arrependo-me de não haver guardado em arquivos, muitos eventos que pude registrar em minha vida durante atividades que exerci ao longo dos anos; isso só começou a ser feito de uns tempos pra cá. Lembremos um pouco dessa história. Peço a Deus, que a memória me seja pródiga neste afã. Já tive oportunidade de contar em outro artigo, a minha inclinação desde a infância para a área da comunicação construindo inventos, objetos utilizados como brinquedos quando criança, que me divertia bastante. Lembro-me que meu primeiro contato com rádio, se deu numa emissora clandestina instalada no 1º andar do Grande Hotel de nossa cidade. Rádio Difusora de Pombal, pertencente a Nelson Guarda e Luiz da Estação Ferroviária. Cheguei como curioso, observando as coisas. De repente me vi diante de uma mesa de som, assumindo a posição de controlista ou como é chamado hoje, operador de áudio. Em 1961, comecei auxiliando os propagandistas de porta de loja cuidando da técnica sonora da Difusora das Lojas Paulista (que posteriormente veio se chamar Casas Pernambucanas - Grupo Lundgren), esquina da Rua Tenente Aurélio Cavalcante ao lado da Farmácia Queiroga. Minha função era abrir o áudio de microfone e colocar músicas. Dentro de pouco tempo, estava ali, fazendo a vez de propagandista. As pessoas ficavam admiradas, ver aquele garoto enrolado em tecidos e retalhos com microfone na mão gritando pra freguesia: “Lojas Paulista – Sempre imitadas nunca igualadas”! Ou, “Casas Pernambucanas – Onde Todos Compram”! Muito novo ainda e morando com os meus pais na rua Cel. José Fernandes, meu hobby era ir para as Lojas Paulista, ligar à difusora diariamente às 7da manhã, e fazer programa musical como se estivesse em um Studio de rádio. As Lojas Paulista (posteriormente) Casas Pernambucanas, trouxe a Pombal um carro de som volante (Rural), o primeiro que adentrei para fazer propaganda pelas ruas de nossa cidade e de outros lugarejos da época, como: Paulista, Lagoa, Jericó, Malta e Condado. Certa vez, com o carro de som em trânsito pelo bairro dos Pereiros, quase em frente à Igreja de São Pedro, ouvi pela primeira vez a música Lilian cantada por Nilton Cesar, o gravador de rolo reproduzia a melodia sem nenhuma interrupção apesar do balanço do veículo. Nesse tempo, a Prefeitura Municipal de Pombal, que funcionava no prédio onde hoje é a Escola Estadual João da Mata, instalou uma difusora na sede do Poder Executivo, com a finalidade de informar em boletins diários o que administração estava fazendo. O horário de divulgação era 7 horas da noite e as pessoas chegavam àquele local para se inteirar dos fatos administrativos. Um grupo de funcionários da edilidade municipal programou um bingo, oferecendo como premiação uma Rural; veículo automotivo muito utilizado na época. Dias antes do evento, todas as tardes, levávamos a Difusora da Prefeitura para o Bar Centenário que era o point da sociedade pombalense. Eu e Eurivo Donato (saudosa memória) fazíamos a divulgação para as pessoas adquirirem as cartelinhas com números para marcar, valendo como prêmio a cartela maior para o dia do bingo. Nos intervalos da competição, os participantes ficavam curtindo músicas de Moacir Franco, Waldick Soriano, Altemar Dutra e outros. Das músicas ouvidas ali, destacarei duas: Minhas Noites Sem Ti – Moacir Franco e Justiça de Deus – Waldick Soriano. Infelizmente, no dia e hora do bingo da rural, ocorreu uma chuva, as pessoas corriam de um lado para o outro. Os promotores do evento resolveram suspender o certame, retirando o prêmio do local e levando-o para lugar não sabido. Até hoje é ignorado o paradeiro desse veículo. Em 1961, o Sr. Raimundo Lacerda mais conhecido por Raimundo Sacristão, instalou no centro da cidade, o Serviço de Alto Falante Difusora Rádio Maringá, lá fiz minha estréia em microfone com apenas 12 anos de idade, e a voz, ainda infantil, era confundida com voz feminina. Os locutores eram: Zeilto Trajano, José Geraldo e Raminho de Leovirgides. A Difusora Rádio Maringá, tinha uma programação musical intercalada com avisos e anúncios comerciais, além de cobrir os eventos realizados pela Igreja Matriz do Bom Sucesso. Por ocasião do natal e Festas de fim de ano, transmitia os sorteios do Imperador das Novidades, casa comercial do Sr. José Nicácio Amorim (Zuza Nicácio) de saudosa memória. Era um tempo que locução tinha seu improviso e que se exigia do Speaker uma boa leitura, a fim de dar sentido ao texto com dicção correta, pois a difusora não possuía gravador. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

O BAR CENTENÁRIO DO MEU TEMPO!

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO* Ao entardecer dos sábados os feirantes faziam suas últimas tentativas em convencer os fregueses a levar o produto exposto. As lojas de Pio Caetano, o Armarinho Antônio de Cota, o Bazar de Zuza Nicácio e as barbearias de Gervásio e Seu Antônio Guerra atendiam aos seus últimos clientes. Os feirantes vindos de Patos e Sousa já começam a fazer a viagem de volta, acompanhados das camionetes e veraneios cheios de matutos que trouxeram suas produções para vender na grande feira do sábado, levando de volta o mantimento que não é possível eles mesmos produzirem. A difusora do Lord Amplificador anunciava o filme a ser exibido na tela do Cine Lux, enquanto que os bronzes da velha Matriz repicavam pela hora do Anjo. O Lord reza a oração das seis horas com a Ave Maria de Shubert. O tempo corria nos ponteiros dos relógios da Coluna da Hora. Às sete horas, dois eventos disputavam à preferência dos filhos de Pombal: a Santa Missa na Matriz e a tela do Cine Lux. Galdino esperava ansioso, na porta do Cinema, a chegada dos seus clientes que um a um vão tomando os lugares à espera dos três sinais sonoros que anunciam o início do filme. As essas alturas, mais preocupado em chegar ao Cinema antes do último toque, Padre Andrade "pula" o sermão, indo direto ao ofertório. Cumprida essas duas obrigações do sábado, as atenções se voltavam para a Praça do Centenário e Getúlio Vargas. Famílias que residem na Rua Nova não precisavam se preocupar sequer em sair de casa para apreciar o espetáculo. Colocavam suas cadeiras de balançar na calçada e proseava noite adentro, enquanto que observavam os casais desfilarem em volta do conjunto de Praças formados pelo Centenário e Getulio Vargas. A Praça do Centenário, reformada e muito bem cuidada, exibia seus tamarineiros, marizais e canteiros floridos de alecrins, margaridas amarelas, bogaris brancos a inebriar o ar com seu perfume hipnotizante. Os rapazes trajavam calça Lee "Boca de sino", sapatos plataforma e camisa de mangas longa. As moças com seus vestidos ou saias acima do joelho e coloridos, calçavam e sapatos altos e usavam blusas também de manga longa. Não havia nenhum imbecil com a mala do carro aberta entediando o ambiente. O som que se ouvia era do conjunto musical "Os Águias", que se apresentava no Coreto do Bar Centenário, tocando de Jovem Guarda aos Beatles. O sorvete no Bar de Bernardo ajudava a amenizar o calor da noite até que o vento do Acari desse o ar da sua graça. No meu tempo de Bar do centenário havia respeito pelos bens públicos, pelas famílias. Tudo que eu queria agora era poder segurar nas mãos dos meus pais e voltar a fazer o passeio por volta do Coreto do Bar Centenário como naquele tempo, reencontrar os meus amigos e pagar um sorvete para a primeira namorada. *ESCRITOR POMBALENSE

SENTIMENTO DE MÃE!

CLEMILDO BRUNET* Alguém já parou para pensar o que seja sentimento de mãe? Estamos no mês de maio, onde se fala em flores, cartões com mensagens, presentes, reunião de família. Tudo em um só dia para homenagear aquela que nos deu a vida em meio a lutas e sofrimentos. Mãe nome sublime, por mais que tenhamos palavras para adjetivá-la, sempre faltaria uma ou mais na concepção do gênero humano. A história da origem do dia das mães vem sendo contada nos anos subseqüentes a 1905, quando uma jovem nos Estados Unidos perdeu sua mãe e teve uma depressão e reunindo-se com suas amigas resolveu estabelecer um dia para homenagear as mães vivas e mortas. Eu, quando muito jovem sentir na pele o quanto era fantasioso a comemoração do dia das mães; principalmente na igreja onde participava da Escola Dominical. No domingo pela manhã, ao adentrar no templo, uma jovem nos entregava uma rosa com alfinete, para ser posta na camisa ou blusa do lado esquerdo (coração). Os que tinham mães vivas recebiam rosa vermelha e aqueles que as mães já haviam falecidas, recebiam rosa branca. Doce lembrança de um passado distante. Geralmente, nesse dia, ninguém quer que ela fale. Todos se preocupam em tecer elogios. Beijos, abraços, presentes, carinho e palavras de auto-estima. Imaginemos agora, o que muitas mães teriam de dizer a seus filhos se elas pudessem falar nesse dia. Em 2001 quando fazia o Programa “Saudade Não Tem Idade” pelas Rádios Liberdade 96 FM e Bonsucesso AM, além da participação dos ouvintes, fiz uma enquete entre algumas mães, para saber delas, o que é sentimento de mãe. No intuito de preservar os nomes dessas mães neste artigo, resolvi caracterizá-las com frases marcantes de seus depoimentos. Veja só o resultado: 1-O Paraíso das Mães é Junto ao Berço dos Filhos! - Disse ela: “Eu gostaria que os filhos de hoje amassem mais as mães”. Considerou que a relação existente entre filhos e mãe, é difícil porque os filhos são independentes, eles têm vida própria. Indagada sobre qual o filho que a mãe ama mais. Respondeu: Todos! Tendo, porém um amor especial para os ausentes e doentes. 2- Meu Lar é Minha Vida! “Filho é um pedacinho de cada um de nós”. Quando estava prestes a ter um filho entregava as dores de parto a Deus. Criou os seus oito filhos conscientizando-os a estarem todos presentes na hora da refeição. Sentiu profundamente a perda de um filho, no entanto quando lembra o ocorrido, tem a consciência de que foi uma oferenda a Deus e apela para que cada mãe, assim o faça. Ela analisou os dias hodiernos como o de desintegração da família e que sempre primou pela união de todos os seus filhos com as comemorações de seus aniversários. 3- Ser Mãe é Uma Graça Divina! Diz que criou seus filhos em número de três, apesar de um haver falecido. No final fez um apelo aos Pais para que não se afastem de seus filhos, alertando que a falta de segurança dos filhos é justamente porque os Pais estão distantes dos mesmos. 4- Ser Mãe é uma coisa sublime! Diz que os filhos hoje não são mais como os de antigamente, que respeitavam seus Pais, chamando-os de senhor, senhora. Antigamente havia compreensão dos filhos e eles viam o sofrimento da mãe. 5- Ser Mãe é difícil, Basta Sofrer! Essa declarou que se não fosse mãe sentiria frustrada. Tem três filhos e um adotivo. Ama todos eles. Disse também que existe mãe que diz que não vale apena ser mãe. Apesar dos filhos residirem fora existe um ótimo relacionamento e que eles sempre foram obedientes. Indagada que mensagem ela teria para mães, respondeu em versos: “Mãe fazer anos é fácil, basta viver/ser mulher é lindo, basta saber/ser esposa é bom, basta amar/ser mãe é difícil, basta sofrer”. Pois bem, não é em vão que o refrão de uma música diz assim: Ser mãe é padecer no paraíso. Minha mãe costumava dizer que uma mãe era para cem filhos e cem filhos não era para uma mãe. Com isso ela queria dizer o que se confirma por esse mundo afora: “Mãe só tem uma”. Você que tem mãe, ame-a, dedique o seu carinho, ela só quer o seu bem, aceite seus conselhos e acima de tudo seja obediente. Na palavra de Deus há um mandamento com promessa: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra”.Ef 6:1-3. Parabéns a todas as mães deste planeta. Salve o Dia das Mães! *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

COMENTÁRIO SOBRE "CRÉU": ASSIM JÁ É DEMAIS!

Rev. Clodoaldo Albuquerque Brunet(Foto de arquivo),Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil na cidade de José de Freitas no Estado do Piauí, comenta sobre o artigo: “Créu”: assim já é demais! Do Jornalista Maciel Gonzaga. Caro jornalista, parabéns! Seu artigo sobre a música demonstra sensibilidade cada vez mais rara no mundo intelectual. A música é uma das mais belas artes do Deus Criador, infelizmente nossa sociedade tem abandonado a herança da cultura cristã. A música tem grande poder, pois, fala uma linguagem universal de cifras, melodia, harmonia e ritmo, fala a todos, pois, fala ao coração. Por isso a boa música faz bem, constrói, traz esperança e vida. Contudo, o que dizer de muitas músicas modernas? Quando trabalhei na Rádio Maringá de Pombal na função de sonoplasta, tive a oportunidade de conhecer a boa e a má música, e, fiz distinção de modo a preferir aquelas que transmitiam os valores da cultura cristã. Lembro bem que trabalhei com o grande comunicador Genival Severo, era um programa de Forró que ia das 17:00h às 18:00h, havia muitas músicas e Genival dava-me a oportunidade de selecionar algumas. Meu lema era: "Só toco uma música cuja letra seja possível de ser ouvida pelo ouvinte e toda sua família, afinal este programa também é um programa para família" ao dizer isto tinha em mente a figura de um agricultor e sua família em volta de um rádio, público de maior audiência do programa. No Programa Show da Noite o comunicador Vital Cavalcante concedia-me a mesma oportunidade, as músicas eram românticas. No programa Cantinho da Saudade do jornalista Clemildo Brunet, não tinha tal preocupação, pois, a música pertencia àquela época em que o povo ainda hoje fala: "Já não se faz música como antigamente" era a música da velha guarda. Nesse programa Galdino Mota e sua discoteca faziam a seleção. Quem não tem em sua memória a lembrança da boa música? Um exemplo, a boa música de um ritmo nordestino que fala da experiência do homem sertanejo com a falta de chuva, a satisfação pela família. Houve uma época cuja a música do cantor Luiz Gonzaga que tratava dessas experiências, numa letra que diz: Vai boiadeiro, que a noite já vem, pega o seu gado e vai pra junto de seu bem (esposa)... Os filhos esperam na cancela (são muitos), mas, sua satisfação em tê-los é tão grande que diz: "são quase nada", o refrão da música diz: Não a outra mais bonita no lugar (família). O que dizer da música Maringá? (a saudade de um alguém que partiu). Mas, em nossos dias qual é a música que exalta o valor da família, se casamento virou experiência? Qual é a música que fala dos sentimentos de um homem para com uma mulher, se o sexo livre corrompe esses sentimentos e pessoas se transformam em objetos do prazer? O pior de tudo isso caro jornalista, é que são poucos os que se levantam para protestar, há uma cumplicidade intelectual na perversão da arte. Dizem que isso é fruto da democracia, da liberdade de um novo tempo, mas que democracia e liberdade são essas que constrói novos valores em detrimento dos bons. Homens e mulheres desajustados querem propor ao mundo uma cultura superior aquela que herdamos da fé cristã. Contudo, louvo a Deus, por artigos como estes que trazem a luz uma reflexão sobre os valores da boa música, são como que centelhas da graça de Deus em favor de um mundo perdido. Clodoaldo Albuquerque Brunet. Pastor Presbiteriano.

SAUDADE NÃO TEM IDADE!

Artigo de autoria do Professor Francisco de Assis Vieira Nunes,(Foto) divulgado na Rádio Liberdade 96FM, por ocasião do Primeiro Aniversário do Programa “Saudade Não Tem Idade” em 2001. Quem na vida nunca viveu um grande amor? Quem não lembra um passado bem distante? Eu, você, todos nós lembramos alguma coisa que vivemos no passado. Isto é recordar e recordar é sentir saudade de algo que vivemos ou passamos, mesmo que tenha sido ontem ou em época mais distante. Tudo é saudade, porque SAUDADE NÃO TEM IDADE. Com essa premissa, associo este pensamento a brilhante idéia do comunicador Clemildo Brunet, pela criação do programa “SAUDADE NÃO TEM IDADE”. Realmente este programa chegou em boa hora. Ele nos proporciona a oportunidade ímpar de ouvirmos o que há de melhor em matéria de música brasileira. É uma forma de resgatar a verdadeira música, hoje quase que totalmente sucumbida pelos interesses econômicos, que mais se preocupam com valores financeiros do que intelectuais, desprezando a qualidade e o talento dos nossos artistas. Infelizmente, o brasileiro não conhece o Brasil que tem. Somos na verdade um país de contradições; na nação em que suas riquezas se confundem com as dificuldades e até mesmo com a miséria. Somos ainda conhecidos mundialmente como a terra do café, futebol e carnaval. Somos o país da boa música que o brasileiro não lhe dar valor. Quem não lembra das Rádios Mayrink Veiga, Carioca, Nacional, Tupi e muitas outras, que nos idos de 40, formaram a Fase de Ouro, lançando nomes de artistas que se tornaram imortais e inesquecíveis, como: Nelson Gonçalves, Francisco Alves, Orlando Silva, Ciro Monteiro, Vicente Celestino, Augusto Calheiros e mais recentemente Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo, além de Ângela Maria, Clara Nunes, Núbia Lafaiete,, Elizete Cardoso, Irmãs Batista, Maysa, etc. Enquanto isso, no Gênero nordestino destacam-se Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, etc. Enfim, foram muitos que seria impossível enumerá-los em tão pouco espaço e tempo. Com certeza foram nomes que cantaram e encantaram nossos corações com belíssimas canções que são antes de tudo verdadeiros obras-primas de nossa música. Foram artistas possuidores de vozes privilegiadas que se destacaram pelo potencial que possuíam independente até mesmo dos recursos técnico-sonoros de hoje. Afinal, suas vozes foram dádivas Divinas e que certamente hoje se encontram juntas transformando o céu num conservatório sem igual. Entretanto, o que é mais lamentável é que artistas dessa estirpe e compositores como: Adelino Moreira, Zé ket, Lamartine Babo, Noel Rosa, Pixinguinha, Nelson Cavaquinho, Mário Lago e outros de igual quilate, alguns deles inclusive terminaram seus dias de vida vendo suas obras esquecidas em seu próprio país, sem tocar no rádio e sem a devida circulação por parte das gravadoras. A dor de perdê-los é a mesma que sinto em constatar o quanto nossos reais valores são desvalorizados e desrespeitados. Na verdade, há um enorme desrespeito com a nossa música. Não é fácil ter que ouvir músicas sem a menor expressividade cultural, onde suas letras nada dizem e ainda são de péssima qualidade melódica. É duro trocar o verdadeiro romantismo de outrora e ferir nossos ouvidos com a música que se diz sertaneja e que mais parece Country, própria do Cow-boy americano. Como é doloroso lembrar-se dos velhos carnavais e ter que suportar o axé. Aí, vem a saudade de Capiba, Nelson Ferreira, Claudionor Germano e outros. É realmente dramático lembrar-se de relíquias como Vassourinha – Hino Oficial do Carnaval – Máscara Negra e ter que aceitar a invasão nociva da axé-music e outros modernismos engendrados em laboratórios das gravadoras que só visam lucros financeiros e destroem tão belas obras que fizeram os grandes carnavais. Infelizmente a história é assim. E, o que é pior, ainda chama isso de mídia. E o samba. Este sim tem sofrido muito mais. O samba nosso tesouro sagrado hoje é tratado por “sambinha” nas rodas de amigos, como se fosse uma música qualquer. De fato é uma força de expressão de mau gosto que muito mais exprime desprezo do que carinho e reconhecimento ao seu valor. Certo mesmo seria chamá-lo de SUA MAGESTADE O SAMBA. Vejamos, pois quanta incoerência tratar dessa forma preciosidades como: Aquarela do Brasil, Saudade de Amélia, A voz do Morro e, finalmente, todos os sambas. Seus autores foram certamente inspirados por Deus, daí, podemos afirmar que o samba é Obra Divina. Na verdade é deprimente e não há aberração maior do que Karametade, Só Pra Contrariar (e, contraria mesmo), Harmonia do Samba, Molejão, É o Tchan, quando temos Originais do Samba, Demônios da Garoa e outros, este último com mais de 50 anos de atividade musical, inclusive fazendo parte do Livro dos Recordes por ser o mais antigo no gênero em formação. Hoje, o que se ver infelizmente são grupos formados sem a menor criatividade e expressão musical e que se dizem “pagodeiros” e que parece mais uma piada. Com raríssimas exceções, esses grupos nada mais fazem do que cantar letras mal feitas e inexpressivas do tipo “Dança da Bundinha e da Garrafa”, e outras que parecem uma só. É realmente lamentável, mas, a cada dia olho em minha volta e vejo uma juventude consumindo falsos pagodes, forró e sertanejo, junto com axé-music que não exprimem a nossa cultura. Afinal de contas, educação e cultura têm muito a ver com isto, sem falar nos governos, cúmplices dessa alienação e entreguismo que atolaram o Brasil, lindo e triste como cantou Toquinho. Tudo isso nada mais é do que um amontoado de aproveitadores e oportunistas que faturam grana alta vendendo a alma de nossa música à voracidade insana da indústria fonográfica de conluio com a mídia. Para eles a quantidade é mais importante do que a qualidade. Contudo, ainda acredito em nossa música. Creio que ela não morrerá. Não morrerá porque enquanto houver pessoas românticas, sensatas e fiéis a nossa cultura e tradições a exemplo de Clemildo Brunet, nossa música não findará. Portanto, Clemildo, na minha condição de saudosista e admirador inconteste da boa música, devo-lhe estas palavras de elogios e agradecimentos por este programa. Proclamo, pois a você o devido merecimento e exalto a brilhante idéia de resgatar através do rádio a Música Popular Brasileira. Finalmente de mim confesso: é com justiça e orgulho que lhe presto este louvor na certeza de que ao apresentar este programa estará nos proporcionando a rara oportunidade de revivermos o passado, mesmo que seja muito distante ou bem próximo. Afinal de contas SAUDADE NÃO TEM IDADE. Pombal, 28/01/2001 Francisco de Assis Vieira Nunes

O TRABALHO DIGNIFICA O HOMEM ?

CLEMILDO BRUNET* (Foto) Creio que sim. Para nós brasileiros o trabalho tem seu significado maior quando o salário é compensatório. No entanto nem sempre estamos satisfeitos com a medida do ter. Queremos mais! A história nos mostra que o trabalhador para conquistar o que almeja, precisa fazer manifestações nas ruas. Uma das primeiras se deu em 1886 nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América com o fim de obter a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Houve greve geral, conflito com a polícia, resultando com mortes de alguns manifestantes. Em razão dos acontecimentos do dia anterior, no dia seguinte 4 de maio, nova manifestação , na qual sete agentes foram atingidos com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que procuravam dispersar os manifestantes. Três anos depois em Paris é convocada anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho. A data escolhida foi 1º de maio. Aqui no Brasil foi à era Vargas que eclodiu esse movimento. As agremiações de trabalhadores mesmo não sendo um grupo político forte em virtude da pouca industrialização do País, fez movimentar a classe operária por influência do anarquismo e mais tarde do comunismo. Getúlio Vargas chega ao poder e de maneira gradativa consegue dissolver esse movimento passando os trabalhadores urbanos a serem influenciados pelo que se chamou de trabalhismo. Antes, o Dia do Trabalhador era considerado pelos movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como protesto e crítica às estruturas sócio-econômicas do país. A divulgação trabalhista do Presidente Vargas, de maneira sutil, muda para um dia determinado a celebrar o trabalhador, no Dia do Trabalho. O Dia do Trabalho, mesmo de modo aparentemente superficial, sofre mudanças, a cada ano. Ao invés de ser marcado por piquetes, passeatas e protestos o Dia do trabalho é comemorado com festas populares e desfiles. Até a força sindical, organização que congrega sindicatos de diversas áreas, ligada a partidos políticos como o PTB, promove grandes eventos com realizações de shows de artistas da música popular brasileira, sorteando casas e similares. O Dia do Trabalho passa então a ser chamado Dia do Trabalhador. É o nosso 1º de maio, dando o pontapé inicial para se comemorar durante este mês: Flores, noivas, mães. Semana do lar nas denominações Evangélicas e na Igreja Católica Apostólica Romana, Maria mãe de Jesus. Embora um esteja ligado ao outro, acredito ser mais apropriado chamar a data 1º de maio, Dia do Trabalhador, de uma vez que Dia do Trabalho não vai bem para o significado do dia; pois se trata de um feriado nacional, onde, (diga-se de passagem), no Brasil neste dia ninguém trabalha, dedica-se ao lazer em detrimento da atividade laboratorial. Ainda bem que temos um Presidente da República otimista, para pelos menos em discurso dizer: Os brasileiros “nunca tiveram na vida” como agora tem tantos motivos para comemorar o Dia do Trabalho. Segundo ele, há acordos salariais sendo firmados acima da inflação, garantindo benefícios para os trabalhadores, além de mais oportunidades de empregos e crescimento do salário mínimo. (Folha Online desta quarta 30 de abril). Como presente para os trabalhadores, Lula lançou a Carteira de Trabalho informatizada e o Cartão de Identidade do Trabalhador. A expectativa é emitir quatro milhões de novos documentos por ano e não haverá nenhum ônus para o trabalhador. O trabalho dignifica o homem? A bíblia faz alusão ao trabalho executado pela formiga, que não tendo chefe, nem oficial nem comandante, no estio, prepara o seu pão, na sega junta seu mantimento, mandando que o preguiçoso considere os seus caminhos e exclama! “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono?... Assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão e a tua necessidade, como um homem armado” Pv. 6:9,11. Realmente, o trabalho dignifica o homem, pois a palavra de Deus confirma: “Digno é o trabalhador de seu salário”. I Tm. 5:18b Parabéns trabalhadores brasileiro pelo seu dia maior. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com