CLEMILDO BRUNET DE SÁ

OS ANOS E A CONTAGEM DO TEMPO...

CLEMILDO BRUNET*
“Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” Sl.90:12.
Quando criança a nossa vida era um paraíso porque não tínhamos a preocupação de ver o tempo passar e isso era muito bom. Havia quem cuidasse de nós. Nossos pais davam tudo para nos proporcionar uma boa educação para que no futuro pudesse garantir o nosso sustento e daqueles que viriam depois.
Ainda criança, alguém olha e diz: Como é novo, fofinho, uma beleza e por aí vai. De fato, a criança recebe tratamento assim. È o vigor da vida, o resplandecer do dia, a claridade do sol com toda intensidade. Assim somos nós quando criança. Não contamos os anos.
Outra época que não vemos o tempo passar é a juventude. A primavera da vida. Os sonhos de adolescente, o despertar do amor, troca de olhares em busca da garota ou do rapaz por quem se suspira; namoro só no pensamento! Faz o apaixonado dizer: Estou namorando fulano (a), porém, era apenas flerte, movido pelo o sentimento da paixão do coração juvenil.
Conheci uma menina que foi minha colega no curso primário do Grupo Escolar João da Mata - (hoje Hospital Distrital de Pombal), todo dia tinha o prazer de conversar com ela durante o trajeto da escola até sua casa, tímido não lhe falei de meus sentimentos; mas, dizia para meus amigos, estou namorando fulana.
Houve também outra garota; tivemos alguns encontros, namoramos no escurinho do cinema (Cine Lux). Passado algum tempo, numa noite de Natal ela não veio. Estava só na Praça Getúlio Vargas e uma prima dela chega, inicia-se a conversa que se estende até depois da missa do galo. Ao amanhecer, ela vai à casa da minha garota dizer que está namorando comigo. (pense no moído).
Quando atingimos a fase adulta aí sim damos conta dos anos e do tempo que passa rapidamente. É hora da reflexão. Sempre nos vêm à memória a cada noite de Natal e Ano novo as doces lembranças de nossos pais, entes queridos e amigos que já não estão mais aqui.
Nem sempre de sonhos e fantasias se vive. Neste momento da passagem de mais um ano, a nossa consciência nos desperta para refletirmos o que acontece no mundo e ao nosso derredor. Violência em todos os lugares do planeta, desentendimento entre pais e filhos e vice versa, falta de amor próprio e ao seu semelhante e assim segue...
Uns querendo viver e lutando pela saúde, enquanto outros vendo seus sonhos destruídos e querendo encontrar motivos de tirar a própria vida. Uns trabalhando por uma causa justa e honesta e outros só maquinando o mal no intuito de acabar com quem só faz o bem.
O nosso universo está mergulhado tanto em ações benéficas como maléficas, (mais maléficas). Neste tempo em que acontece mais uma passagem de ano, é hora de atender o convite do escritor aos Hebreus:”Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” Hb. 4:16.
Costumamos dizer que não somos escravos de ninguém; porém, somos escravos do tempo. No passado e no presente o homem sempre foi um escravo do tempo. Seu relógio pode parar- o tempo Não! Nós dormimos- o tempo não! O ano que vamos receber lhe chamam de novo, no entanto na contagem do tempo dentro em breve será velho para abrir espaço para o novo e assim sucessivamente; vai-se uma geração e vem outra.
Certo cidadão me contou que uma moça que trabalhava em seu escritório, quando chegava perto do final do expediente tinha por costume ficar olhando de maneira ansiosa para o relógio contando os minutos para sair dali. Depois de observar que o ato era contínuo, ele resolveu demiti-la do emprego. Segundo esse cidadão aquela moça não gostava do trabalho. Era uma escrava do tempo.
A gente sempre acha e encontra motivos para dizer que as coisas do passado eram melhores. É claro, já passamos por elas! Na verdade há uma mudança no comportamento das pessoas nos dias hodiernos. Nem de longe se podem fazer comparativos entre a juventude de hoje com as de quatro décadas atrás, há uma diferença enorme nos costumes, moda e preferência musical.
Quantas vezes vêm a minha mente a pergunta. Vivo em outro mundo ou ainda é o mesmo? A resposta que tenho é que o mundo está diferente no modo como vivi, ouvi e aprendi. Tudo isso nos mostra que o tempo voa, até mesmo nas transformações dos seres humanos de ontem e de hoje.
“Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre”. Eclesiastes 1:4.
“Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é o novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós”. Eclesiastes 1:10.
FELIZ 2009.

DONA LO-URDES: MÃE E MESTRA

Era um dia de domingo do Rosário, pra melhor dizer, um 4 de outubro de um ano qualquer, da década de cinqüenta. Data do aniversário de dona Lo-urdes, minha saudosa Mãe. Por volta das onze horas da manhã, a banda de música Santa Cecília, capitaneada por Frederico Roque, adentrava a nossa casa ao som de valsas e dobrados para homenagear a aniversariante. Pouca gente sabe que dona Lo-urdes era versada em teoria musical, pois, foi aluna dos melhores professores de música, da sua época. Foi flautista habilidosa, a ponto de participar de Saraus promovidos por Dr. Mauricio Furtado, genitor do professor Celso Furtado. Conheci a sua flauta. Bem conservada, permaneceu por muito tempo guardada numa mala envolta numa flanela branca. Por ser de origem alemã, estava a precisar de um pequeno reparo, que não podia ser feito aqui na terrinha. Em certa ocasião, uma pessoa da família lhe falou que, em João Pessoa, havia alguém que seria capaz de fazê-lo e com certeza o instrumento voltaria à sua normalidade. Mãe entregou a sua jóia de estimação, envolta na mesma flanela branca, na certeza de que a receberia de volta sã e salva. Enganou-se. Até hoje ninguém sabe que fim levou a velha flauta, que tanta alegria proporcionou a nossa família. Minha Mãe tocava por música, pois lia quaisquer partituras, independente do gênero musical. Ensinou ao filho Chico, iniciação à teoria musical. Fui também seu aluno, mas nunca me interessei pela aprendizagem da música via teoria. Mesmo assim aprendi um pouco, mas preferi optar pela prática musical por meio da intuição ou de ouvido como se costuma dizer. Foi assim que aprendi um pouco de violão e teclado, digo, na lei do menor esforço. A minha praia era outra, posto que, ao decidir estudar fui tomado pela a ânsia de conhecer novos mundos através da leitura, portanto, o meu passa tempo predileto era ler tudo que me chegava às mãos. Naquela época, o jovem que lia era bastante assediado por ser considerado bem informado pelos segmentos mais esclarecidos da sociedade. Embarquei nessa onda, fato este que me transformou, até certo ponto, num leitor compulsivo. Na minha sede de saber li quase todos os clássicos da literatura brasileira, mas não conseguia encontrar o mundo real que tanto buscava. Certo dia, um amigo me passou um livro, uma brochura de bolso, que num primeiro momento me pareceu estranho, cujo título é ¨A Mãe. Esta obra redirecionou o meu modo de pensar e enxergar melhor os contornos da sociedade da qual fazia parte. Era uma bela descrição sobre a saga de uma Mãe que encampou os ideais do seu filho, a ponto de engajar-se na luta de rua em defesa da construção de um mundo melhor, tal qual como pensava seu filho, preso em razão dos seus ideais. O autor da obra era Russo e se chamava Máximo Gorki (1868/1936). Esse livro virou-me a cabeça. Não tinha nada ver com o romantismo de José de Alencar, com realismo do cotidiano de Machado de Assis, nem tampouco com a obra espiritualista de Humberto de Campos. Era tudo que eu estava, há muito tempo, a procurar e não encontrava. Como já disse, depois dessa leitura passei a enxergar o mundo de forma diferente. Como sempre, Mãe, de forma sorrateira, acompanhava todos meus passos, ao verificar as leituras que eu estava a fazer no dia-a-dia. A sua preocupação era tanta que vez por outra colocava sobre a minha mesa de estudos livros e revistas bem ao gosto dela. Não sei como conseguia, com muita freqüência, um livro-revista conhecida por Seleções, da editora Reader's Digest, de origem americana, que na verdade era um bem elaborado material de propaganda anticomunista, coisa típica da época da ¨guerra fria”. Havia um cidadão de nome Drew Pearson, excelente jornalista, que escrevia, na referida revista, os artigos de fundo, de conteúdo ostensivamente anticomunista. Denunciava, numa linguagem coloquial, o que supostamente acontecia além da cortina de ferro. Evidenciava a falta de liberdade individual, inclusive as brutalidades praticadas por Stalin contra seus inimigos, o que sufocava cada vez mais o povo oprimido da União Soviética. A propaganda contra a União Soviética trazia-me mais dúvidas do que certezas. Nos seus escritos o senhor Drew, dizia que o povo russo não tinha estímulo para viver, pois, Stalin, além de ser um ditador desumano, materialista, sanguinário, era também, um viciado e dependente químico da Vodka. Ademais, culturalmente, era medíocre, portanto, incapaz de tocar para frente o propalado plano de desenvolvimento Econômico, Social e Cultural, com vistas a tornar a União Soviética uma grande potencia militar/industrial em curto espaço de tempo, conforme houvera prometido ao povo russo. Ora, então me perguntava: como aquele povo sofrido, oprimido conseguiu expulsar o exercito de ocupação da Alemanha, aquartelado nos subúrbios de Moscou, juntamente com mais de cinco dezenas de divisões espalhadas no seu vasto território? Simplesmente dizer que o povo russo vivia aos frangalhos não passava de propaganda enganosa, que tinha como propósito maior alienar cada vez mais a juventude brasileira, nos anos cinqüenta. Era o que me levava a entender. Desse modo, quanto mais lia Seleções mais me sentia tomado por uma sensação de enganação, frente a realidade política que o mundo apresentava naquela época. O saudoso amigo Lacides Martins, da família Brunet, fazia-me companhia na exploração dessa nova fronteira política/ideológica, portanto, com muita freqüência trocávamos opiniões. Fizemos juntos o curso ginasial, onde conseguimos firmar uma amizade que perdurou aos últimos dias de sua existência. O amigo era estudioso, cheio de vida, de inteligência apurada, ademais, demonstrava muito interesse pelo novo quadro político que se desenhava no país, em particular na segunda metade dos anos cinquenta. Ficamos curiosos ao ouvirmos pela primeira vez a expressão, ¨política/ideológica, bastante em voga naquela ocasião. A dúvida foi dirimida quando um amigo que estudava em Recife nos explicou de forma bastante didática e detalhada. Assim conseguimos matar a nossa curiosidade. Trocávamos idéias e livros. Foi ele quem me passou Vidas Secas de Graciliano Ramos. Da mesma forma lhe repassei algumas obras de Josué de Castro e o Cavaleiro da Esperança de Jorge Amado. A esta altura já estávamos ligados na Revolução Cubana, pois, ele possuía um rádio velho a válvula, que nos permitia acompanhar passo a passo o avanço de Fidel e seu grupo em direção a havana. A torcida era grande. Em 1958, terminamos o curso ginasial, o meu amigo foi estudar em Natal, no Rio Grande do Norte e eu vim pra João Pessoa. Lá em Natal o amigo continuou com seus ideais e em João Pessoa, fiz o mesmo. Dona Lo-urdes, do alto da sua sabedoria, percebia a minha trajetória política e ideológica. Não reclamava, mas vez por outra me dizia: ¨cuidado meu filho, tenha muito cuidado¨. Olhava pra ela e entendia o seu recado. A Mãe Mestra (Mater et Magistra) sabia porque estava a me advertir e eu entendia o que se passava no seu coração. Coração de Mãe sempre bate forte ao visualizar a sua cria, por isso não se engana. O seu afeto por mim era forte, por isso, sempre foi real e sacrossanto. Por esta e outras razões nunca deixei de ouvir, não digo os conselhos, mas as palavras de sabedoria da minha Mãe, porque ela, verdadeiramente foi a grande Mestra quem me instruiu e me orientou para que eu entendesse melhor às verdades e mentiras que o mundo nos impõe ao longo da vida. Sem dona Lo-urdes jamais chegaria aonde cheguei. Jamais teria entendido o mundo como um complexo contraditório de interesses conflitantes. Através da sua sabedoria, da sua paz, da tranqüilidade, forjou-me, na exata medida, de quem sou. Ensinou-me que a raiva, o ódio, a ira, a avareza e a inveja impedem o crescimento espiritual do ser humano. Falava tudo isso, através de gestos, ações e na maioria das vezes usava a palavra de um modo simples, de fácil compreensão. Recebi o seu carinho ao longo da minha vida, pois, perdi meu Pai aos onze anos, portanto coube a ela a difícil tarefa de fazer-me um cidadão preparado para enfrentar os obstáculos da vida. Tenho certeza que, foi Deus que fez descer sobre ela eflúvios do amor filial, fraternal, sincero e puro. Minha saudosa e querida Mãe, que Deus lhe recompense por te sido uma Mestra exemplar, difícil função, que você desempenhou com sabedoria, galhardia e simplicidade. Beijos e abraços dos três filhos, que ainda estão por aqui, todos ainda de memória viva e sempre a lembrar os momentos alegres que passamos juntos a você, por um longo período de tempo. João Pessoa, 30 de Dezembro de 2008 Ignácio Tavares - Filho e dona Lo-urdes.

NESTE ANO TUDO SERÁ DIFERENTE...

Neste ano tudo será diferente, juntaremos o pouco que nos restou, Faremos sob a luz do luar o mais belo banquete que já aconteceu, Lançaremos mão das nossas esperanças que sempre nos alimenta, E cantaremos o mais sublime hino de amor durante a nossa festa; Faremos de conta que as águas passadas não se repetirão, Que os morros e encostas jamais irão invadir nosso espaço, Os nossos parentes soterrados em nossos corações viverão, A miséria trazida pelas correntezas das águas será passado; Daremos gloria à solidariedade humana de uma nação solidária, Lembraremos que o calor humano foi maior que o nosso desespero, As nossas lágrimas não se repetirão no futuro por causa de tragédia, Os nossos filhos não lembrarão dessa fase negra em qualquer tempo; Lembraremos aos homens que a natureza é viva e nos cobra cada atitude, Natureza morta é apenas um estilo de pintura fruto da imaginação humana, Não esqueçamos que o que fica é o que é feito com justiça, amor e seriedade, Tracemos, pois, um plano de reengenharia humana valorizando a própria vida; Neste ano tudo será diferente, vamos homenagear com simplicidade e ternura, Aquele que é o símbolo da raça humana, o maior de todos os pensadores, Não vamos trocar presentes, troquemos afetos, diga eu lhe amo a quem você ama, Perdoe o seu inimigo, ore pelos necessitados, JESUS tem o remédio para suas dores. Sergio Kante www.kantepoemas.com.br

TRIBUTO AO REI DO BAIÃO

FRANCISCO VIEIRA* Treze de dezembro de 2008, dia em que a Igreja Católica reverencia Santa Luzia – a protetora dos olhos – que segundo a história fez votos de virgindade perpétua. Neste mesmo dia se comemora o aniversário de nascimento de Luiz Gonzaga – O Rei do Baião – que se vivo fosse estaria completando 96 anos. Portanto, há quase duas décadas a música popular brasileira vive sem o seu expoente maior. Há praticamente vinte anos, o forró, o xote e o baião, reclamam com saudades a ausência desse gênio nascido no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara na Serra do Araripe, zona rural de Exu – Pernambuco, lugar que ele exaltou na música “Pé de Serra”, sua primeira composição. Luiz Gonzaga do Nascimento era seu nome de batismo. Manifestou muito cedo vocação para a música. Desenvolveu seu talento com a orientação de Januário, seu pai, que além de grande tocador de acordeão era também exímio no conserto do instrumento. Ambos eram bem familiarizados. Havia entre eles íntima ligação. Assim, ainda criança, já se apresentava tocando nos bailes, forrós e feiras da região. Lula ou Lua, como era também conhecido, teve que forçosamente abandonar sua terra natal. Por conta de um amor proibido ausentou-se poupando a própria vida. Houve que, tendo se apaixonado por uma jovem chamada Nazarena, filha do Coronel Raimundo Deolindo, rico e poderoso fazendeiro da região, este, se manifestando contrário ao casamento o ameaçou de morte. Devido sua insistência, seus pais, Januário e Santana, lhe surraram, pois não queriam ver o sangue do filho derramado em nome de um amor impossível. Diante da desfeita, revoltado, Gonzaga fugiu para a cidade do Crato – Ceará, onde ingressou no exército brasileiro, dando baixa nove anos depois, em 1.939, e se transferindo para o Rio de Janeiro para se dedicar a arte musical. No Rio de Janeiro, então capital brasileira e maior vitrine artística do país, começou sua carreira tocando inicialmente na zona do baixo meretrício. A princípio limitava-se ao solo de acordeão de gêneros musicais da época, como: choros, sambas, Fox e outros. Na verdade seu repertório era composto de ritmos estrangeiros que apresentava sem sucesso, inclusive em programas de calouros, muito em evidência nesse tempo. Finalmente apresentou-se com aplausos no programa do exigente Ari Barroso, tendo executado a música “Vira e mexe”, a primeira gravada por ele em 78 rotações que se trata de um samba de sua autoria e com a cara do nordeste. Foi uma apresentação triunfante que lhe abriu as portas para o sucesso, pois firmou o primeiro contrato com a Rádio Nacional. Foi realmente uma glória, pois a Rádio Nacional significava no cenário artístico o que a TV Globo representa nos dias atuais. Portanto, ratificando, era motivo de júbilo – conquista tão sonhada. Assim, iniciou sua brilhante carreira, tendo gravado em 1.945, na RCA Victor, a primeira música como cantor: a mazurca “Dança Mariquinha”, composta em parceria com Saulo Augusto Silveira. Lula teve no mesmo ano um romance com a cantora Adaléia Guedes, que trazia no ventre uma criança de quem Luiz assumiu a paternidade e dando-lhe o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior – ninguém menos que Gonzaguinha – que fora criado pelos padrinhos com assistência financeira do pai adotivo. A ele fora dispensado todo o carinho e afeto, pois ali estava o filho que ele não podia ter, visto que era estéril. Gonzaga, embora sofresse de arteriosclerose, faleceu no dia 02 de agosto de 1.989, vítima de parada cardio-respiratória, no Hospital Santa Joana na capital pernambucana. A sua morte foi causa de tristeza e comoção em todo Brasil e alvo das maiores homenagens em todo país. Foram inúmeras as manifestações de reconhecimento prestadas pelo seu imensurável valor. Aí se destaca a manifestação espontânea do povo durante o cortejo no trajeto entre o hospital e o aeroporto, no Recife. Era enorme a multidão que seguia seu corpo até o aeroporto cantando entre choros e lágrimas suas principais canções. E, como uma devoção ao líder religioso Padre Cícero Romão, seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte – Ceará e em seguida transportado para Exu – Pe, seu torrão natal, onde foi sepultado com todas as honrarias maçônicas, pois era Mestre Maçom e membro ativo da Loja Maçônica Paranapuã - Ilha do Governador - Rio de Janeiro. Sintetizando, Luiz Gonzaga foi o mais autêntico defensor e representante da cultura nordestina através da música. Se não bastasse sua luta pela difusão do forró o que lhe concedeu com justiça o título de Embaixador Sonoro do Sertão, criou ainda o baião, consagrando-se seu Rei. A música ASA BRANCA, composta em 1.947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira, tornou-se emblemática. Contudo, segundo o próprio artista, a TRISTE PARTIDA, de Patativa do Assaré, lhe agradava mais, pois retrata melhor a vida do nordestino. Gonzagão em sua carreira gravou em torno de 600 canções dos mais renomados compositores, entre os quais se destacam: Humberto Teixeira, Zé Dantas, Onildo Almeida e de poetas famosos como Patativa do Assaré e Zé Marcolino. Na verdade sua bagagem musical chega a aproximadamente 1.600 canções, isto é, se levarmos em conta as diferentes versões de uma mesma música. O título de REI DO BAIÃO lhe foi outorgado com muita justiça. Sabe-se que hoje, o ritmo que reconhecemos como baião, deve-se a ele e a Humberto Teixeira a sua criação. Seguramente o baião não existia antes deles. Foi na verdade uma inteligente criação que surgiu da mistura de ritmos nordestinos que ambos conheciam muito bem, tornando-se sucesso nos anos quarenta e cinqüenta. Portanto, negar a sua autoria seria ignorar sua origem. Seria desconhecer a importância e grandeza dos ritmos nordestinos para a cultura brasileira. Luiz Gonzaga foi mais que um cantor; foi um cantador. Ele cantou o sertão, o nordeste e o Brasil. Suas composições refletem a vida do sertanejo, que mesmo sofrido não se abate. Seu sofrimento se mistura a fé. É na verdade um conjunto de sentimentos inexplicáveis, porém capazes de superar os efeitos da seca tão decantada em suas composições. Aí, se justifica o pensamento de Euclides da Cunha, quando sabiamente exaltou o nordestino afirmando que “o sertanejo é antes de tudo um forte”. Além de tudo o que representa para o mundo artístico, Luiz Gonzaga, tornou-se ainda sinônimo de respeito para os seus conterrâneos – um líder. Graças a essa influência conseguiu o que parecia impossível - a sonhada pacificação entre as famílias Sampaio e Alencar - em Exu, sua terra, as quais viviam há anos em conflito tendo ceifado dezenas de vidas. Certamente, se Luiz Gonzaga vivo fosse, estaria hoje no mínimo decepcionado com o desrespeito à música popular brasileira, inclusive ao forró, que também não foi poupado dos vis interesses econômicos que banalizaram a boa música. Com certeza, o Rei do Baião, estaria revoltado ou no mínimo estarrecido com a vulgarização do que temos de melhor em nossa cultura. De fato, além de espantoso é revoltante, ter que conviver com a degradação da nossa verdadeira música. É melancólico, vê-la perder a originalidade e se apresentar desnuda da menor criatividade intelectual. É sombrio, vê-la revestida de péssima qualidade melódica e letras recheadas do mais alto índice pornográfico, portanto, desprovidas da menor inspiração e que somente contrariam os bons costumes, a ética e a moral, qualidades sempre preservadas pelo sertanejo. Músicas assim, não exprimem nossos sentimentos, não retratam os costumes e tradições do nosso povo. Povo sim, pobre, sofrido e maltratado, porém, de uma inteireza de caráter ímpar. Diria que, vítima da desigualdade social ainda reinante em nosso país. Segundo o escritor mineiro João Guimarães Rosa, “as pessoas não morrem, ficam encantadas”. Nisso eu concordo. Luiz Gonzaga é a confirmação desse pensamento. É que a arte imortaliza o artista. Eles se eternizam em nossas lembranças. Entretanto, contrariando, o Brasil muitas vezes vira às costas aos grandes artistas. É uma atitude ingrata que certamente não acontecerá em relação à Gonzagão que será eternamente lembrado. Suas músicas e sua voz inconfundível ressoarão ativas em nossos pensamentos. A sanfona branca, o chapéu de couro e demais adereços de sua indumentária típica do vaqueiro nordestino, fiéis e inseparáveis companheiras das estradas percorridas em sua longa e brilhante carreira, jamais serão esquecidas. Gonzaga será sempre lembrado, pois artistas como Dominguinhos, Alcimar Monteiro, Flávio José, Fagner, Elba Ramalho e outros, todos discípulos do Rei e escudeiros de nossas tradições musicais continuarão lutando e defesa do autêntico forró.Enquanto isso, Lua estará ao lado de Jackson do Pandeiro, Sivuca e outros no conservatório do céu colaborando harmoniosamente com a felicidade e a paz no Reino de Deus. O prêmio por uma coisa bem feita é tê-la feito. Reconhecer e exaltar são deveres de justiça. Aí se justifica este meu artigo que deve ser considerado como uma homenagem justa merecida ao mais importante defensor da nossa música. Todo aquele que escreve sua história sem desprezar os erros cometidos, mas fazendo deles lições, não cairá no rol do esquecimento. Este é o meu tributo ao maior expoente da música nordestina.
SALVE O FORRÓ. SALVE LUIZ GONZAGA – O ETERNO REI DO BAIÃO.
*PROFESSOR.

NATAL, TEMPO DE BOAS NOVAS!

CLEMILDO BRUNET*
Em se falando em novas há sempre a curiosidade de saber quais são elas? Mas quando vem precedida do elemento substantivo feminino no plural “boas”, é óbvio, não é nada ruim a ser anunciado. Boas novas na sua essência é o evangelho anunciado pelos anjos aos pastores das cercanias de Belém na Judéia, que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite.
Um clarão vindo das alturas, anjos descendo sobre eles e a Glória de Deus resplandecendo ao redor, um fenônemo ímpar da natureza nunca visto por qualquer mortal, só poderia deixá-los atemorizados. De repente, um da milícia celestial fala: “Não temais; eis aqui vos trago boas-novas de grande alegria, que o será para todo povo: É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Lc. 2:10,11.
O Salvador, que é Cristo o Senhor, característica do personagem único na história precedido pelo artigo definido o, isto é, só ele está investido de autoridade para cumprir de modo cabal este ministério. Que é Cristo, o Senhor, novamente o artigo definido. Salvador e Senhor que tem todo poder. A lei que condenava os homens foi dada por intermédio de Moisés, mas as escrituras do novo testamento são explícitas quando diz: “A graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”. Jo. 1:17.
As boas novas não simplesmente de qualquer alegria e nem tão pouco discriminatória, mas grande; tão grande que não tem dimensionamento ou limite, é para todos; sem exceção de raça, cor, ou credo religioso. As boas novas para o mundo (humanidade), anunciada no Evangelho de João capítulo 3 versículo 16. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que Deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”
O Salvador e Senhor Jesus Cristo convida a todos Cansados e oprimidos que venham a Ele, que tomem o seu jugo, aprendam dele que é manso e humilde de coração, assegura-lhes alívio para suas almas, pois seu jugo é suave e seu fardo é leve.
Ninguém no mundo fez um convite igual a este. Nenhum santo, nem um religioso, nem um ser humano aqui na terra. Maria a mãe de Jesus não fez; pelo contrário, ela mandou ir a ele; no evangelho de João está escrito: “fazei tudo o que ele vos disser”. Este é o mandamento de Maria, que muitos não obedecem.
Infelizmente a comemoração do Natal tem sido desvirtuada ao longo dos anos, descambou para promoção comercial e envio de mensagens que de modo superficial é transmitida sem nenhuma expressão de realidade porque são vazias no seu conteúdo. Na maioria, As famílias não se reúnem para prestar culto ao Senhor da história, pelo contrário, esquecem-se dele e festejam a data de modo diferente.
Mesmo assim um clima de harmonia paira no ar, as cidades têm suas ruas ornamentadas com lâmpadas multicores iluminando a noite, presépios são visitados, confraternizações são realizadas em ambiente público e residências, lugares onde pessoas se abraçam e o sentimento de paz faz com que nasça mais uma vez, acalentando a esperança de dia melhores para o ano que vai nascer.
Boas Novas de Salvação, este é o verdadeiro sentido do Natal para um mundo perdido. “hoje houve salvação nesta casa... Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o perdido” Lc. 19:9,10.
FELIZ NATAL!
*RADIALISTA.

SE O PASSADO VOLTASSE...

FRANCISCO VIEIRA*
“Eu daria tudo que tivesse/ Prá voltar ao tempo de criança/ Eu não sei prá que a gente cresce/ Se não sai da mente essa lembrança...” Com estas palavras, o cantor Noite Ilustrada, interpretando a música “Tempo de Criança” de autoria do grande compositor Ataulfo Alves, com maestria, dar vazão aos sentimentos do autor que num momento de inspiração divina, própria dos poetas, revela o desejo de ser criança outra vez. Com certeza, esse desejo não é uma particularidade sua, mas a vontade de muitos. Se possível fosse voltar o tempo e retornar ao passado gostaria de ser também novamente criança. Com certeza iria reviver os bons momentos que marcaram minha vida. Certamente, iria reviver fatos e casos, tais como aconteceram e de certo evitaria alguns, logicamente aqueles desagradáveis. Evitaria com certeza os puxões de orelhas, chineladas, palmadas e todo tipo de castigo que merecidamente recebi Ou, quem sabe, também os viveria, porém, de modo diferente. Seria uma felicidade intensa. Emoções incontidas. Afinal, reviver a infância é outra vez ser criança.
Contudo, na impossibilidade de acontecer realmente, o faço na lembrança. Portanto, me transporto ao passado e revivo parte de minha infância e adolescência que foram muito bem vividos e tiveram como palco as ruas de meu querido Pombal – terra que eu amo e quero bem. Nesse oceano de recordações lembro-me primeiro dos amigos e seus apelidos, causa de brigas e intrigas que mal iniciavam tão logo voltava ao normal. Lembro-me inicialmente de Clemildo Brunet, Assis Caetano e João Costa. Clemildo, já manifestando sua vocação para a radiofonia, cujo talento o fez exímio profissional na área da comunicação tornando-se uma referência. Assis Caetano, pequeno, travesso, porém amigo. João Costa ou João de Chicó, como era conhecido, com quem brincávamos de circo, é hoje jornalista de renome.
É impossível esquecer Arereu e Joãozinho, ambos filhos de João Espalha. Arereu era cômico. Suas peripécias lembravam Oscarito. Enquanto isso, Joãozinho, era um líder nato. Atraia a todos pelas histórias de bang-bang que contava. Sua narrativa era perfeita. Imitava tudo: quer fosse o som das balas resvalando nos rochedos ou o pisar firme e forte do mocinho ao adentrar o bar ou ainda o pisotear dos cavalos em disparada onde destacava o do artista principal, que além de mais veloz era também o mais bonito. Geralmente era branco ou preto e sempre com uma estrela na testa. Parecia ser verídico. Transmitia suspense e emoção. Em suma, era exímio na arte de criar e interpretar. Lamentável é que ambos já se foram deixando grandes saudades. Com certeza, estão interpretando no teatro do céu. São atores de Deus.
Como posso esquecer Werneck Abrantes – Nequinho de Lelé – e Ghandy, seu irmão. Este último me fez torcedor do Botafogo. Nessa época todo botafoguense se orgulhava do time que contava com Garrincha – sua estrela maior – Nilton Santos, Quarentinha, Amarildo, Zagalo, Didi e outros. Os primeiros jogos ouvíamos num rádio em sua residência que, diga-se de passagem, era sempre cheia de meninos. Era o ponto de apoio e que, por incrível que pareça, não incomodava seus pais. Somente mesmo Seu Lelé e D. Elisa suportavam tamanha bagunça. E, por falar em Seu Lelé, lembro-me dos passeios que fazia às tardes com um carneiro de estimação chamado Belém e, como sempre, acompanhado de meninos que disputavam a montaria. Era realmente uma festa.
Lembro-me também de Biú – filho de Maurício Bandeira. Este não sabia perder por nada e por isso sempre terminava em briga. Coisa de menino mesmo. Tenho também na mais viva lembrança os filhos de Toinho Queiroga, principalmente, Francisquinho e André. Este último era apelidado por “Nego Tá”. Observem a linguagem informal utilizada quando íamos a sua procura em sua casa. Nego Tá, táqui, tá? Tá, tá não. Sem saber estávamos vulgarizando a língua portuguesa.
Recordo-me da mesma forma de Pretinho. Este por ser meu irmão e sendo mais novo não tinha como me enfrentar. Por isso, não tendo alternativa, agia como toda criança ofendida pronunciando palavrões, atingindo a dignidade minha mãe como se esta também não fosse a dele. Imagine o que ele dizia. E, o que é pior, tinha uma pontaria certeira, tornando-se temível atirador de pedras chegando a ferir a cabeça de muitos. Lembro-me bem de algumas vítimas, como: Ghandy, João Costa, Zé Piloto, Rapazinho. Eles que o digam. Quanto as brincadeiras eram as mais variadas possíveis. Além do futebol, às vezes com bola de meia, havia ainda: garrafão ou guerra, bode berrô, peinha queimada, bang-bang, toca e ainda jogos de castanha, peão ou bola de gude. Alguns jogos eram apostados e pagos com notas feitas de carteiras de cigarros. Os tipos mais raros tinham mais valor. Era uma variedade de brincadeiras. Todas divertidas, por isso, importantes.
É realmente impossível não lembrar dos caminhões de madeira muito bem confeccionados por Seu Zé Dias. De posse desses carros, todos carregados de caixas de fósforos vazias ou algo semelhante, íamos em frota até o alto do cruzeiro, local distante que denominávamos de Indonésia, sem nenhuma explicação. Talvez fosse pela estranheza do nome ou por achar bonito o que hoje sabemos ser um país situado entre o sudeste da Ásia e Austrália, onde se encontra o maior arquipélago do mundo, as Ilhas de Sonda. Portanto, um país transcontinental que fora colônia holandesa.
Nesse emaranhado de fatos não posso esquecer os banhos nas águas do Rio Piancó, na maioria das vezes escondido dos pais e acompanhados de canga pés, cambalhotas e saltos variados, enfim, de aventuras que só aos meninos são possíveis. É que, além de possuírem uma energia irresistível eles não têm noção das conseqüências. E à tarde dos domingos a imperdível sessão de matinê no Cine Luz, detentor do melhor som e projeção da Paraíba. Incrível, não? Lá, sob a constante e temerosa vigilância de Galdino Mouta, assistíamos fitas de faroeste, comédias, aventuras de Tarzan e as inesquecíveis pornô-xanxadas com Oscarito, Ankito, Grande-Otelo,Zé Trindade, Carequinha e Fred. Além disso, ainda torcíamos por um final feliz no romance protagonizado por Cill Farney e Eliane ao tempo em que desejávamos a derrota aos vilões Renato Restier, Wilson Grey e outros. Não havia festa maior. Igual mesmo só apreciar a chegada do circo na rua de baixo e do Parque Maia no Largo do Centenário de onde corríamos todos para nos livrar das investidas do proprietário no combate às nossas travessuras.
Seria imperdoável não lembrar as tardes de domingo no Estádio Vicente de Paula Leite e assistir o imbatível São Cristovão e anos depois o Pombal Esporte Clube. Nada mais gratificante do que apreciar as jogadas de Agnelo, Carlos César, Chico Sales, Tuzinho, Zaqueu, Carrinho, Natal Queiroga, Nenzinho, Mago Zequinha, João Rapadura e Nego Adelson – este um goleiro por excelência. Foi o melhor goleiro amador já visto na região que sendo de pouca estatura compensava essa deficiência por ser arrojado, ágil e de grande elasticidade. Como se diz na linguagem do futebol: era um gato.
E, quando se fala em Nego Adelson, nos lembramos de um fato no mínimo inusitado e hilariante. É que o local de sua concentração era a cadeia pública. Havia, pois um acordo entre o presidente do time e o delegado que o prendia. Portanto, para evitar que bebesse era recolhido à cadeia na sexta-feira onde ficava com todas as mordomias, tais como: comida, cigarro, música e tudo mais que se fizesse necessário e possível de onde saia minutos antes da partida, pois do contrário estaria embriago, por conseguinte, sem condições de jogar. Só mesmo em Pombal essas coisas acontecem. É por isso e outras coisas mais que nossa terra é a melhor do mundo. Seria ingratidão maior não fazer referência a Hermelinda Rocha, minha primeira professora. Que caligrafia linda era a sua. Aliás, ainda é, pois para a nossa felicidade ainda está viva. Com ela aprendi as primeiras letras e recebi as primeiras lições. Interessante é que anos depois ela foi minha aluna nos Estudos Adicionais. Como é a vida, sempre cheia de surpresas. No rol dos professores lembro-me de Dr. Arlindo, que embora sendo advogado, etenizou-se como professor. Houve ainda Marinha e Erotides Santana, Osa Rodrigues, Ivonildes Bandeira, Carmita, Maria José Bezerra – rigorosa, porém eficiente.
E, recordo-me também dos presos na antiga Cadeia Pública, hoje Casa da Cultura. Era na maioria pessoas condenadas por homicídio, sempre praticados em favor da honra e da moral. Atraído por suas histórias que embora parecidas, todas tiveram o mesmo fim – a morte. Aí, conversávamos horas a fio. Enquanto eu ficava na parte externa, eles se apoiavam nas largas janelas do presídio de maior segurança do estado ao tempo em que observavam as belezas naturais da Praça do Centenário e o vai- e- vem dos transeuntes que lhes cumprimentavam. Surgia aí, uma admiração que se misturava a curiosidade e ao medo. Não sabia distinguir o herói e o bandido. Hoje sei que bandido mesmo não havia nenhum. Da mesma forma lembro-me de Mané Maluco ou Mané Pelé ou ainda Mané do Churrasco. Era a mesma pessoa. É que seus apelidos foram mudando no decorrer do tempo. Era uma pessoa simples, humilde e mansa. Nunca se registrou uma briga sua. Em matéria de futebol era uma enciclopédia viva. Sabia de tudo e mais um pouco, principalmente, quando se tratava do Santos F. C – seu time do coração – ou de Pelé – o seu ídolo.
Em se tratando de amigos de infância foram muitos, tantos que seria impossível enumerá-los. Além dos já mencionados refiro-me ainda a Mundinho e Fitita (filhos de Zé Canuto), Branco e Preto, que eram irmãos – o primeiro era terrível - porém jogava um bom futebol. Havia ainda, Geraldo Achiles – a travessura em pessoa – chamado de doido. Manuel Galego, Ricardo (filho de Aureliano Ramalho), Toneco de D. Preta, Jair – falecido por afogamento no poço da panela – Lalú (filho de Manoel Moisés da Chave de Ouro), Morerinha e Elrizinho (filhos de Elri Medeiros) Urel, Jesus, Toinho Ugulino e os primos Neném, Domingos e José Saulo. Com certeza havia outros que não foram citados aos quais peço perdão por tê-los omitido. Se os fiz o esquecimento é culpado. Tenham todos a certeza da minha amizade.
Como criança, naturalmente em fase de formação é evidente que se espelhe nos pais de quem recebi orientações para o resto da vida. Assim, foi que, Antonio Vieira e Galvinha me transmitiram boas e necessárias lições para a minha formação. Foram muitos os seus ensinamentos. Muitos deles foram impostos à custa de castigos. Aprendi inicialmente que o trabalho honesto é a base para a cidadania. Que educado na fé cristã devemos amar a Deus, respeitar as leis e as autoridades. Comprovadamente bem casados mostraram que a união é a base para a construção de uma família sólida e estruturada. Que o casamento, quando fundamentado no amor permanece como um eterno noivado, confirmando assim o pensamento de Theodor Komer. Que os vínculos afetivos construídos no relacionamento familiar influem na formação dos valores éticos da criança ou de um jovem. É, pois, a partir da família, que ela conhece o mundo. É na convivência com os pais, irmãos, colegas e amigos que tudo começa. Assim posto, é evidente que sua moralidade será exercida segundo seu cotidiano familiar. Aos meus pais toda minha reverência, respeito e gratidão.
Bem, detalhar minha infância seria narrar uma história infindável que muito significa e representa, contudo, prefiro ser comedido para não ter que pedir desculpas depois. Por outro lado, como um ser sentimental a saudade me invade, a emoção vem à tona me esvairando em lágrimas. Portanto, vou parar para não tornar-me carrasco de mim mesmo. Além do mais eu me amo e quero guardar esses momentos como relíquias, tanto que, se possível fosse, faria tal qual escreveu Ataulfo Alves: “eu daria tudo que tivesse/Prá voltar ao tempo de criança...”
*PROFESSOR

13 de Dezembro: O DIA NACIONAL DO FORRÓ!

Gonzagão (Foto)
Maciel Gonzaga*
O dia 13 de dezembro é Dia Nacional do Forró. No Brasil, um país de dimensões continentais tão acentuadas e de tantas diversidades culturais, é na música e na dança que o “jeitinho brasileiro de ser” se manifesta com força marcante, demonstrando ao mundo uma forma de se expressar peculiar do povo nordestino. E, com certeza, o forró é uma dessas grandes manifestações, onde se dança o baião, o xote, a toada e o xaxado.A data é uma homenagem ao dia do nascimento do maior sanfoneiro que o Brasil conheceu, Luiz Gonzaga do Nascimento. Foi instituída pela Lei nº 11.176, sancionada pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em 6 de setembro de 2005, e que teve origem no Projeto de Lei nº 4265/2001, de autoria da deputada federal e paraibana de Uiraúna, Luiza Erundina (PSB/SP). Luiz Gonzaga é uma das maiores expressões da nossa brasilidade. Asa Branca, do folclore nordestino, tornou-se um verdadeiro hino por um Brasil sem injustiças, graças ao seu talento. Respeita Januário, Vem Morena, Juazeiro, Assum Preto, Baião, Sabiá, Forró de Mane Vito e Cintura Fina são algumas das outras músicas consagradas pela genialidade da sanfona que Gonzagão tocou.O forró faz parte da história brasileira. É um ritmo envolvente. Inicialmente, típico dos festejos juninos, tornou-se hoje numa dança comum em todo o País independentemente da época. No forró, as pessoas dançam agarradinhas e se deixam envolver pelas emoções que só ele proporciona.O nome forró, segundo o folclorista potiguar Câmara Cascudo, deriva de forrobodó, expressão que significa divertimento pagodeiro. Tanto o pagode (que hoje designa samba) quanto o forró são festas que foram transformadas em gêneros musicais. Com as suas raízes no Nordeste, não se sabe ao certo como, onde e quando ele apareceu. Mas, com certeza, ele chegou ao Sudeste do país por intermédio de Luiz Gonzaga, por volta dos anos 40.Há quem diga que a palavra forró deriva da expressão inglesa for all (para todos), pois estava escrita, em placas e nas portas dos bailes promovidos em Pernambuco, no início do século, durante o período de construção das ferrovias, pelos ingleses.O forró tradicional é constituído pelo sanfoneiro, pandeirista e o tocador de zabumba e de triângulo junto com os acompanhamentos musicais de sanfona, triângulo e agogô. Antes, preso somente ao Nordeste e aos festejos juninos, falava de devastação, sofrimento e lamentação.Como outros gêneros, o baião designou inicialmente um tipo de reunião festeira dominada pela dança. Infelizmente, nos últimos anos a nossa música vem sendo descaracteriza, perdendo valores e sendo propagada por quem não tem credenciais para tal. O Dia 13 de dezembro foi instituído como o Dia Nacional do Forró como de resgatar a nossa música e para que não lembremos sempre de Luiz Gonzaga - O Rei do Baião. Só ele? Não! Serve ainda, para nos lembrar da importância da música e da cultura brasileira como um todo para todos nós. Portanto, Salve o Dia 13 de dezembro! Salve o verdadeiro Forró! Salve a verdadeira música nordestina! *Jornalista, advogado, professor. Natal-RN.

DE VOLTA A JOVEM GUARDA...SAUDADES!

CLEMILDO BRUNET* Gosto de lembrar as coisas boas do passado e quem não gosta? Recordemos, pois, aquele que foi o maior programa jovem de todos os tempos da televisão brasileira nas tardes de domingo, que entraria para nossa história como Movimento “Jovem Guarda”. O Programa Jovem Guarda na TV Record em 1965 sob o comando do rei, Roberto Carlos, do Tremendão Erasmo Carlos e da ternurinha Wanderléia, ecoou não somente pela música; mas também pela política que era tema principal dos anos sessenta. A juventude estava dividida em duas alas: A mais intelectualizada, que assistiam a programas como o fino da bossa de Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record e não perdiam um Festival da Canção; e das camadas populares, esta bem mais numerosa, que curtiam os discos e programas daqueles jovens que tocavam à sua maneira um rock básico ao modo de Beatles, Rolling Stones, Beach Boys e outros. Era a Jovem Guarda, que passou a ser uma marca e não apenas o nome de um programa. Chegou a conquistar fãs tão fiéis que até hoje sustentam seus artistas, independentemente de eles terem discos novos lançados ou de contarem com a grande mídia ao seu lado. O Movimento sempre foi forte, Sempre vendeu muito mais discos que a bossa nova e a MPB em geral. Quando se observa a vida de seus artistas todos têm carro bonito, boas casas, mesmo sem ter disco na praça. Esses artistas souberam cultivar seu público e não dependem de crítica, de matérias em jornais, enfim, não depende da mídia da zona sul carioca. A imprensa pode não dar valor, mas o público dá. Eles vivem de fazer shows. O Renato Barros, do Renato e Seus Blue Caps, por exemplo, não tem disco novo na praça e recebe royalties baixos dos relançamentos em CD dos velhos vinis, mas faz shows de quarta a domingo no Brasil inteiro. A Jovem Guarda não deve ser encarada apenas como um movimento musical pleno, ela também inspirou mudança de comportamento; em pouco tempo, a moda adotada pelos apresentadores tinha se espalhado pelo país. Caças colantes de duas cores em formato boca- de- sino, cintos e botinhas coloridas, minissaia com botas de cano alto, bem como seus gestos e gírias – broto, carango, legal, coroa, cuca, barra limpa, barra suja, lêlê da cuca, mancada, pão, papo firme, maninha, pinta, pra frente e “é uma brasa, mora?”. Ela deve ser vista também como uma reunião de vários artistas, empresários e produtores que apostavam no emergente rock’n’rool como um fascinante meio musical de expressão, assim como, o mais novo nicho mercadológico para ganhar o coração da juventude. A efervescência e o sucesso que o rock fazia entre os jovens no mundo todo, fizeram a recente indústria midiática brasileira render-se ao estilo e veio a ser chamado aqui no Brasil de “Iê-Iê-Iê”. Guardo na lembrança os momentos vividos nessa época, pois a Voz da Cidade, adentrava os lares pombalenses com o Programa BROTOLÂNDIA que ia ao “ar” no horário de 12 às 14 horas e com índice de audiência muito elevado. As músicas mais tocadas eram de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléia, Wanderley Cardoso, Renato e Seus Blue Caps, Ronnie Von, Os Incríveis, Deny e Dino e tantos outros que começavam a surgir como astro na música. É o caso de Agnaldo Timóteo que arrebentou com a canção “Siga em Paz”. A produção e apresentação do Programa eram minhas. Após o Programa, íamos para a casa de dona Rosa, mãe de Massilon e Maciel Gonzaga, a fim de ouvir um Programa da Jovem Guarda apresentado por Paulo Rogério na Rádio Borborema de Campina Grande, em frases soltas ele citava as gírias dos artistas e cantores do Iê-Iê-Iê e no outro dia repassávamos aos nossos ouvintes entre uma e outra música. Detalhe: (só nós ouvíamos a Borborema no horário da tarde em Pombal pelo rádio de seis faixas de dona Rosa). Para quem viveu essa época há de considerar que foi um tempo maravilhoso. Um tempo que éramos felizes e não sabíamos. Crianças, jovens e adultos deixavam-se embalar pelas canções românticas lentas e de ritmos balançados, cheias de candura e ingenuidade, um fenômeno que conquistou três gerações. Em 2005 nas comemorações dos 40 anos da Jovem Guarda foi gravado um DVD com alguns cantores e compositores da época. A Lilian Knab da dupla Leno e Lilian, em seu depoimento no disco, diz o seguinte: “era muito divertido, porque a gente encontrava todo mundo, a gente ria muito, se divertia muito, namorava muito, tudo ali naquele nosso ambiente que era uma coisa muito tranqüila, muito sadia e até um pouco ingênua”. É interessante notabilizarmos fatos históricos que marcaram a MPB e a música POP no nosso país. Uma começou no rádio na década de vinte “A velha Guarda” e a outra na televisão brasileira “A Jovem Guarda” na década de sessenta. São marcos histórico da nossa música de qualidade que perdura até hoje, atravessando séculos e que serão lembradas pelas gerações vindouras, pois ainda tem muito o que se ouvir e contar sobre elas. Sou um eterno saudosista e como se fosse o personagem, me situo nos versos do poema escrito por J. G. de Araújo Jorge, que transcrevo na íntegra, lembrando com saudade do tempo da “JOVEM GUARDA”. Eu tenho um coração um século atrasado, Ainda vive, a sonhar... Ainda sonha, a viver... Acredita que o mundo é um castelo encantado e Criança vive a rir batendo de prazer... Eu tenho um coração – um mísero coitado Que um dia há de por fim, o mundo compreender... É um poeta, um sonhador, um pobre esperançado que habita no meu peito e enche de sons o meu ser... Quando tudo é matéria e é sombra, ele é uma luz... Ainda crê na ilusão...No amor...Na fantasia... Sabe de cor os versos que compus... Deus pôs-me um coração com certeza enganado; é por isso, talvez, que ainda faço poesia Lembrando um sonhador do século passado! E saudade não tem idade! *RADIALISTA. Contato: brunetco@hotmail.com Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

O PODER DA FÉ

F. VIEIRA (FOTO)
PROFº FRANCISCO VIEIRA* A Fé é algo inexplicável. É uma disposição da alma. Ela consiste numa confiança em Deus que nos permite realizar o impossível. Pela fé o homem transforma o que a ciência não consegue modificar; alcança o imaginável; torna sonhos realidade; cura o incurável. Enfim, a fé remove montanhas. Com firmeza de convicção asseguro que a fé, mesmo abstrata é uma verdade, por conseguinte, uma realidade que se manifesta inexplicavelmente aos olhos humanos. Felizes são aqueles que contemplando milagres o vêem como resultado de sua crença. E, ao contemplar o fazem com gratidão, reconhecendo a infinita grandeza de Deus. Ninguém, absolutamente ninguém, existe no mundo que não tenha desfrutado de Suas benécias. Com certeza, todos apresentam marcas de Sua bondade e misericórdia. Com essa premissa, faço um breve relato de um fato que se constitui um verdadeiro testemunho de fé e que foi demonstrado por Lenice – minha esposa – e poder partilhar das maravilhas de Deus em minha vida. Realmente o fato é digno de referências, pois assim como os detalhes destacam a beleza de uma obra, também um gesto exprime a nossa crença, principalmente nas dificuldades, pois é na provação que avaliamos a fé cristã. Dessa forma e com a mais absoluta determinação foi que ela manifestou sua crença, momento em que após ser acometido de infarto recebi do médico o ultimato: “caso irreversível. Tempo de vida não superior a 20 minutos”. No mínimo foram palavras desesperadoras, mas não abalaram suas esperanças. Diante de tão cruel sentença, Lenice, movida por inabalada fé, não teve alternativa, senão, através de incessantes orações submeter o caso à vontade de Deus, por intercessão de Maria Santíssima – Mãe Rainha – de quem se manifesta missionária e devota fervorosa. Surpreendentemente reagi. Resisti à crise contrariando as previsões médicas. E, resistindo, naturalmente as esperanças se renovaram de tal forma que fui cuidadosamente transportado para João Pessoa onde me submeti a um cateterismo, no qual foi constatada obstrução na ordem de 60, 80 e 90%, nas principais artérias que abastecem o coração e, de imediato a uma angioplastia com o objetivo de desobstruir os vasos e fazer fluir normalmente o sangue, cujo procedimento foi em vão devido o acúmulo de gorduras. Evidentemente veio a próxima providência, a indesejável: cirurgia cardíaca. Entretanto, quando tudo caminhava bem, fomos tomados de surpresa. Eis que tive novo infarto. Dada a emergente situação, fez-se necessária uma cirurgia com urgência urgentíssima e que resultou em duas safenas e uma mamária. E aqui, vale mencionar uma cena em que Lenice expressa toda sua fé. Ela não hesitou ao ser informado da gravidade do problema e das remotas possibilidades de vida. Não fraquejou nem mesmo ao tomar conhecimento de um agravante, ou seja, da inexistência de sangue tipo A negativo, em razão do que estaria introduzindo outro tipo, mais precisamente, O negativo. Ainda assim, manteve-se firme, e assegurando a sua inatingível fé, retrucou: “Doutor, não vai precisar de sangue nenhum, pois o sangue de Cristo vai jorrar nos vasos do meu marido. E vai dar tudo certo”. Pasmem. Mal acabara de pronunciar estas palavras assiste maravilhada a chegada da equipe do hemocentro conduzindo em quantidade o sangue destinado ao paciente, do qual não utilizara uma gota sequer. Finalmente, após seis horas de intensa espera e ansiedade o milagre foi confirmado. Como de praxe o médico informa ter sido a cirurgia um sucesso. Que tudo havia ocorrido maravilhosamente bem. Diante de tão importante notícia, Lenice manifestou-se dizendo: “eu já sabia. Glória a Deus”. Após um ano desse maravilhoso acontecimento e estando recuperado, faço a sua divulgação para confirmar que milagres acontecem. Isto eu posso afirmar, pois sou fruto deles. Assim, alimento a esperança de produzir efeitos positivos na vida daqueles que dele tomarem conhecimento e fazê-los acreditar na cura como ação de Deus sobre o homem. Fatos dessa natureza nos proporcionam grande aprendizado por meio de lições que certamente servirão de exemplos onde se destaca a certeza de que Deus realmente existe. Entre os ensinamentos aprendemos que uma enfermidade às vezes surge para Deus manifestar a sua glória. Entretanto, não quero absolutamente estimular à procura da doença, pois ela é um mal, por isso, deve ser sempre combatida. Afinal de contas o ser humano ideal é o saudável. Que na dor e no sofrimento aprendemos muito mais. Que mesmo Jesus curando todos os males o sofrimento não é inútil. Se não foi para Cristo, também não poderá ser para o homem, desde que aceite com resignação e receba como motivo de reparação de suas falhas e culpas. Que a fé e a ciência, antes divergentes e durante anos alimentando a falsa idéia de que jamais caminhariam juntas, hoje se completam. Atualmente são os próprios médicos que confirmam a importância da fé na recuperação e na cura das doenças. Conclui-se ainda que tudo é determinado por um Poder Superior a quem devemos honra e glória. Que tudo é Deus. Que o acaso não existe. Insensatos são os que não reconhecem essa verdade. Por fim, agradeço as inúmeras manifestações de solidariedade recebidas. Foram infinitas orações, preces, pedidos e até votos de sacrifício em meu favor que partiram de pessoas tementes a Deus e que demonstraram o amor ao próximo. Que Deus proteja e recompense a todos, inclusive aos que nada fizeram. Quanto a Lenice exalto a sua fé e determinação. A sua firmeza é patente, pois não fraquejou nem se deixou tropeçar diante das dificuldades. A sua fé surpreendeu a todos. A sua fé fez milagres provando que é uma força transcendental que nos permite ver o invisível. Sintam, portanto, o quanto é infinito o PODER DA FÉ. *Ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata.

MENSAGEM DE AGRADECIMENTO.

Meu caro Clemildo, Regressando hoje a tarde de Porto de Galinhas, onde estive a partir de 5, sexta-feira, participando com os meus colegas médicos da Turma de 1958, da Universidade Federal de Pernambuco, das comemorações do Jubileu de Ouro, encontrei no seu site uma matéria sobre o meu modesto nome. Quero expressar os meus agradecimentos sobre a sua manifestação de atenção e consideração, que recebo como um presente de aniversário natalício. Aproveito o ensejo para lhe participar que, tendo sido eleito Presidente da Academia Paraibana de Medicina no dia 4 do corrente mês, assumirei a honrosa função no próximo dia 18, em solenidade festiva no Auditório do Conselho Regional de Medicina da Paraíba. Fique ciente e ao mesmo tempo convidado. Se puder comparecer, sua presença será para mim motivo de muita alegria. Forte abraço Carneiro Arnaud.

CARNEIRO ARNAUD...

Carneiro Arnaud (foto)
EXPOENTE DA MEDICINA, ORGULHO DOS PARAIBANOS! CLEMILDO BRUNET* Uma cidade e Estado que tem um filho ilustre do quilate do Dr. Antonio Carneiro Arnaud, devem se orgulhar muito pelo o que ele tem feito em prol da medicina e da saúde de seus conterrâneos. De tradicional família política paraibana que abriga no seu seio e nos anais da história deste país as figuras de: Ruy Carneiro,que merece primeiro lugar, pois foi Governador e Senador da Republica, Janduhy Carneiro, médico e parlamentar que ajudou a construir o sertão da Paraíba, do Ministro grande tribuno, poeta, Alcides Carneiro e do Dr. Raphael Carneiro Arnaud, magistrado que muito honrou a Justiça paraibana como Desembargador, exercendo cargos de Presidente do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. Todos os anos o dia 07 de dezembro é uma data especial para o médico Carneiro Arnaud, trata-se de seu aniversário. Por esta razão me sinto no dever de prestar-lhe esta homenagem. É um amigo que me considera e por quem eu tenho profundo respeito e admiração Conheci de perto o Dr. Antonio Carneiro Arnaud por ocasião da assinatura de contrato de meus serviços profissionais para campanha política eleitoral de seu irmão Dr. Raphael Carneiro Arnaud, candidato a Prefeito de Pombal pelo MDB 2, em 1976. Lembro-me das memoráveis campanhas políticas do PSD, MDB e PMDB, acompanhei ainda jovem a trajetória política de Janduhy Carneiro, de Ruy Carneiro e depois como agente de publicidade as sucedâneas movimentações públicas do MDB e PMDB. Participei na condição de mestre de Cerimônia, da inauguração da sede do Comitê Municipal do partido em 1974 no antigo casarão na Rua Nova, (hoje agência do Banco do Brasil), quando da visita a Pombal do Deputado Ulisses Guimarães, Presidente Nacional de honra do MDB, acompanhado de diversos parlamentares da Câmara Federal. Carneiro Arnaud foi o anfitrião do evento. (Fotos Históricas 1974) Antonio Carneiro Arnaud nasceu na cidade de Pombal, sertão da Paraíba em 07 de dezembro de 1933. Filho de Chateaubriand de Sousa Arnaud, cirurgião dentista e Dalva Carneiro Arnaud, do lar. Fez os estudos primários nas Escolas de Anita Nóbrega, Petronila, Professor Guimarães, Hedy Seixas e Cleziute Nóbrega, concluindo o primário no Grupo Escolar João da Mata. O exame de admissão ao ginásio foi prestado no Ginásio Diocesano de Patos onde cursou o primeiro ano em 1946. Transferiu-se para o Colégio Pio X concluindo o curso ginasial em 1949, fazendo em seguida o científico no Liceu Paraibano. No vestibular na Faculdade de Medicina da Universidade do Recife UF-PE foi aprovado em 5° lugar em 1958 e, em Administração de Empresa, pela Universidade Autônoma de João Pessoa (IPÊ), turma de 1975, tendo sido orador oficial de todas as turmas concluintes. 1959/1960 fez residência no Instituto Nacional do Câncer em Cirurgia dos Tumores da cabeça e pescoço e estágio no HSE, no serviço de ORL do Rio de Janeiro. Diretor do Hospital Napoleão Laureano e chefe da secção dos tumores da cabeça e pescoço de 1962 a 1979. Em 15 de novembro de 1967 fundou a Sociedade Paraibana de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço e seu Presidente de 15-11-69 a 15-11-71 e de 08.03.96 a 15.11.98. Em 15.01.1996 teve a iniciativa de reorganizar a referida sociedade. È membro efetivo fundador da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Cabeça e Pescoço desde 18 de dezembro de 1967. Titulo de especialista em Cancerologia, conferido pela Associação Médica Brasileira de Cancerologia em 26.09.1968. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cancerologia – São Paulo 1968. Fundador da Associação Paraibana de Hospitais em 26 de julho de 1968 e foi seu Presidente de 1968 a 1979. Foi eleito em 04 de maio de 1992, Diretor Presidente da Fundação Laureano cargo que exerce até a presente data. 2001/2002 representante da Associação Médica da Paraíba como membro titular do Conselho Estadual de Saúde deste Estado. De 1961 a 1978 Professor de ORL da Escola de Enfermagem Santa Emília de Rodat da Santa Casa de Misericórdia de João Pessoa. Ainda Professor de ORL do Curso de Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba no período de 05.10.63 a 22.07.68. Assumiu a Superintendência do INPS na Paraíba nos anos 1989/1990. Membro titular da Academia Paraibana de Medicina ocupante da cadeira n° 33 eleito em 19 de dezembro de 1995. Já exerceu na referida entidade o cargo de tesoureiro, membro do Conselho fiscal e do Conselho Científico e Cultural permanente e é atualmente Secretário. No dia 07 de novembro do corrente ano foi agraciado com a Medalha Felipe Kumamoto, pelos relevantes serviços prestados na luta contra o câncer na Paraíba. Eleito Presidente da Academia Paraibana de Medicina em 04 de dezembro de 2008. Antonio Carneiro Arnaud ou Carneiro Arnaud como é tratado na intimidade tinha e tem todos requisitos de herdeiro político de seus tios Ruy e Janduhy Carneiro. Segundo o escritor Joaquim Osterne Carneiro em seu compêndio Evocando Janduhy Carneiro no seu Centenário 1903-2003. “Á época de sua morte, Janduhy Carneiro tinha um sobrinho em pleno fervor buliçoso e patriótico capaz de sucedê-lo na caminhada democrática. O médico Carneiro Arnaud pareceu, aos seus familiares, o líder vocacionado para o desempenho da ingrata, mas sedutora sucessão. Elegeu-se Prefeito da Capital e Deputado Federal com rara habilidade e sabedoria política, o que, para seus colegas de parlamento, pareceu um prematuro começo de vida pública. As circunstâncias, todavia, não favoreceram a arrancada gloriosa do jovem político sucessor de Ruy e Janduhy Carneiro”. Carneiro Arnaud foi Deputado Federal em duas Legislaturas: 1979/1983 e 1983/1987, porém em 1985, renunciou o seu mandato para atender o chamado dos paraibanos de João Pessoa, elegendo-se Prefeito da Capital, ocupou o cargo de primeiro mandatário pessoense de 1º de janeiro de 1986 a 31 de dezembro de 1988. Comentando sobre o artigo Rádio Bonsucesso: Uma História Verdadeira de Luta e amor de autoria de Carneiro Arnaud postado em nosso blog o ano passado, o Jornalista Maciel Gonzaga de Luna, nosso conterrâneo que reside em Natal RN, fez a seguinte observação: “Mesmo distante da Paraíba há 20 anos, não consigo entender como um homem público do quilate moral do Dr. Carneiro Arnaud está afastado do Parlamento. A Paraíba exige a sua volta à política para seqüenciar o brilhante trabalho de seus tios - Ruy Carneiro e Janduhy - homens públicos da maior respeitabilidade política, moral e intelectual. Tenho plena convicção de que a sua volta à vida pública parlamentar seria algo que só engrandeceria ainda mais a nossa pequenina Paraíba e, principalmente, a nossa querida terra Pombal”. Como Deputado Federal Carneiro Arnaud colaborou decisivamente para a redemocratização do país. Participou com seu voto para eleição de Tancredo Neves Para Presidente da República, que lamentavelmente não assumiu o cargo maior de Chefe da Nação; vindo a falecer, assumindo o Vice Presidente José Sarney. Nessa marcha cívica memorável o Brasil iniciava seu retorno ao regime democrático pleno pelo Congresso Nacional e deste modo, foi restabelecida a escolha de Prefeitos das Capitais dos Estados no voto direto e secreto. Foi nessa conquista histórica que Carneiro Arnaud em 1985 foi eleito Prefeito da cidade de João Pessoa. Pois bem, em 1988 Carneiro Arnaud instalou em Pombal a Rádio Bonsucesso Ltda, estação de ondas médias de sua propriedade A nossa cidade ganhava o seu segundo veículo de comunicação de massa. Em 1993 a emissora foi vendida ao então Deputado Federal José Luiz Clerot. Hoje funciona em regime de comodato sob a direção de uma entidade religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana. Em todos esses anos Carneiro Arnaud tem demonstrado o seu interesse pelo desenvolvimento de Pombal com o seu pensamento voltado para a terra de Maringá. Sente-se orgulhoso em dizer que é filho deste torrão sertanejo. Sempre recebeu seus conterrâneos com maior satisfação, em seu consultório médico, na Diretoria do Hospital Napoleão Laureano, na Diretoria da Clínica São Camilo, na Câmara dos Deputados e na Prefeitura Municipal de João Pessoa. Tenho presenciado ainda hoje que chegando a Pombal, Carneiro Arnaud tem sido procurado por seus patrícios e de modo cordial atende as pretensões dos mesmos, encaminhando-os, para tratamento de saúde na Capital, bem como, aqueles que necessitam de internação no Hospital Napoleão Laureano. Parabéns, Feliz Aniversário! *RADIALISTA. CONTATO: brunetco@hotmail.com WEB. www.clemildo-brunet.blogspot.com

SAUDADES DO BOLERO E DO SAMBA-CANÇÃO.

MACIEL GONZAGA* (foto) A música entra na vida da gente e deixa sinais profundos. Como a sonoridade do vento e as ondas do mar ao cair da tarde. Ao olhar uma pessoa que esteja ao nosso lado descobre-se que há uma melodia brilhando em seus olhos. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas, interpretadas. Quem não tem uma música predileta ou uma música que marcou aquele momento especial? A origem da palavra “música” vem do grego mousikê, que significa "arte das musas". Música pode ser definida como "arte e ciência de combinar harmoniosamente os sons". Não é possível definir exatamente quando a música surgiu. Ao longo da história inúmeros gêneros e estilos musicais foram produzidos. Da época Medieval, passando pela Renascentista, Barroca, Clássica e Romântica, nomes como Bach, Vivaldi, Mozart, Beethoven, Chopin, Wagner e Villa-Lobos são personagens desse mundo da musicalidade. Na fase moderna, Jazz, Samba, Chorinho, Blues, Bossa Nova, Rock, Pop, Tropicália, Soul Music, Reggae e MPB foram movimentos que marcaram época e tornaram inesquecíveis nomes como Louis Armstrong, Cartola, João Gilberto, Beatles, Madonna, Caetano Veloso, Bob Marley, Tom Jobim, Caetano Veloso, Elis Regina, Luiz Gonzaga e muitos outros.Na antiguidade, a música era utilizada com a finalidade de reverenciar Deus, sendo classificada como Divina (religiosa). Com o tempo a primeira arte saiu do âmbito sagrado, alcançou as massas, o lucro e a fama, sendo chamada de profana ou pagã. A música influencia comportamentos, épocas e atitudes. De acordo, com as últimas descobertas da ciência, a música também possui um grande poder curativo. Ela estimula, acalma, alegra, entristece, cura... Possui uma profunda ligação com nossos sentimentos.O ser humano tem contato desde muito cedo com a música. As mães ninam seus bebês, as crianças aprendem cantigas de roda, os jovens não desgrudam do MP3 (4, 5 ou 6) e os adultos ouvem a rádio no carro ou adquirem o costume de cantarolar no banheiro. Como se pode notar a música está em todo o lugar. Não existem fronteiras para a melodia. Não há como pensar em um mundo sem música. Pois, a própria natureza através do barulho da cachoeira, pássaros, vento e outros elementos faria o papel de compositora e, assim, um homem de alguma forma seria estimulado a assoviar, compor, cantar... O Dia da Música é comemorado no Brasil em 22 de novembro. Hoje, as emissoras de rádio já não tocam mais boleros e samba-canção. O bolero é uma das mais lindas vertentes da nossa música. Um ritmo que mescla raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos. Surgiu no Caribe, mas sofreu modificações, especialmente desenvolvendo temas mais românticos e ritmo mais lento. O primeiro bolero data de 1883, na voz do cubano José Sanchéz, posteriormente adotado pelos mexicanos e, depois, por toda a América Latina. O mais célebre bolero mexicano é sem dúvida “Bésame Mucho”, composto por Consuelo Velásquez (1941) e interpretado por dezenas de cantores em vários países. Dentre os mais conhecidos intérpretes estão: Altemar Dutra, Trio Irakitan, Trio Los Panchos, Agustín Lara, Bievenido Granda, Lucho Gatica, Pedro Vargas, Consuelo Velásquez, Luis Miguel, entre outros. Sabe-se que o bolero influenciou o samba-canção, um gênero musical baseado no Romantismo, que surgiu no final da década de 1930, caracterizando-se como o samba lento e melodioso, que apresenta marcação forte por meio de outros instrumentos rítmicos, inclusive o tambor. Por ser muito romântico, exaltando o tema amor-romance e o sofrimento por um amor frustrado, como ocorre no bolero e na balada, o samba-canção recebeu a denominação de "fossa (dor-de-cotovelo)". Desta forma, exaltava desde um vocabulário bastante culto e muito elaborado nas letras, representado por autores como Noel Rosa, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Dolores Duran, Maysa Matarazzo, Lindomar Castilho, entre outros, até outros compositores como Elino Julião e Genival Santos. Lamentavelmente, o Brasil é um país sem memória musical. Mesmo que o tema amor-romance ainda exista, o estilo suave, muito elaborado e melodioso do bolero e do samba-canção não tem mais espaço na musicalidade brasileira. Ah! Que saudades... *Jornalista, advogado, apresentador de TV, e Professor. Natal-RN.