CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ADEUS, FRANCISCO

PAULO ABRANTES DE OLIVEIRA*
Na manhã de 08 de dezembro do ano passado, chegou-me a infausta notícia vinda de Pombal. Naquela manhã, com certeza, violento enfarte do miocárdio fulminara Francisco de Assis Monteiro (Tassis), amigo de infância e colega de escola no Ginásio Diocesano. Dedicou-se muito cedo aos estudos de Eletricidade e Magnetismo, em Pombal, Campina Grande e João Pessoa, enquanto seu pai, Delmiro Inácio, selecionador fiscal de antiga Usina de algodão da cidade. Cuidava de vacas, bezerros e leite, na sua fazenda, à beira do rio Piancó. Saúde de ferro. Homem distinto e atencioso parecia mais um texano naquelas bandas do sertão. Francisco ficou por aí. Foi cuidar de Eletro técnica, o que mais gostava de fazer. Por pouco, não chegou a concluir o curso superior.
De uns tempos para cá, associava sua figura aos grandes bailes do Pombal Ideal Clube dos anos 60 e 70, época de muito romantismo e de esplendor dos clubes sociais no Brasil. Por esse tempo, Hamlet Arnaud, Marcílio Pio Chaves, Seu Bandeira e Cacilda Wanderley foram presidentes do Clube e promoveram, em suas gestões, memoráveis festas. O baile da Festa da Padroeira no 1º domingo do mês de outubro, por exemplo, era o ponto culminante do grande evento social – religioso da cidade, que se somava à tradicional e gigantesca procissão da cinzenta manhã do dia seguinte.
Nos concorridos bailes, exigia-se o traje completo. A moda feminina, então, pontificava e os últimos modelos davam a exata medida da elegante sociedade local. A procissão continua a crescer, é verdade, mas os grandes bailes desapareceram. Quem diria? Em seu lugar, surgiram os trios elétricos e as grandes bandas a tocar em praça pública para uma platéia irrequieta e enlouquecida. Veículos com potentes e ensurdecedores aparelhos de som infernizam a cidade durante as nove noites de festa.
Por aquela época, a Orquestra do Caribe e Super O’Hara, encantou o público sertanejo com o magnetismo da música caribenha, especialmente o bolero, a rumba, o mambo. Em Pombal, grandes bailes foram abrilhantados por essas maravilhosas orquestras. Nos bailes, ficávamos sentados a olhar Luiz Camilo dançar divinamente o bolero – dois pra lá, dois pra cá -, Francisco, compenetrado, simulando aprender, pescoço teso, vivendo os melhores dias de sua mocidade, mas, não atrevíamos de chamar ninguém pra dançar. Passávamos batidos pela forte timidez.
Integrava orquestra do Caribe a cantora mexicana Rubenita Cerqueira, encantadora e jovem, ligeiramente estrábica, de vestes sensuais. Em voltas pelo salão iluminado, interpretava “La Violetera” e oferecia rosas à platéia que calorosamente a aplaudia. Simpática. Costumava conceder autógrafos à rapaziada indócil. Por exemplo: “Al amigo Francisco, um recuerdo, com amor”. Pronto. Nasceu daí uma grande paixão que fez Francisco não esquecer mais essa orquestra, buscava saber do olhar, de um sorriso, de qualquer gesto afetuoso da jovem vocalista por este Nordeste afora.
Na Festa do Rosário, quando eu lançava o livro Gado Bravo em Pombal, abraçamo-nos, e ele ainda se recordava das palavras do último e definitivo aceno da jovem cantora mexicana: “Adios, muchacho!”.
Continuava a não perder festa no clube social da cidade. Calado, trocava poucas palavras com quem não conhecia. Educado, bem apessoado, era o cavalheiro cobiçado pelas jovens de sua idade. Não quis casar com nenhuma delas. Jovens que lhe levaram flores em sua última viagem. Ah, como Francisco gostava de ver Luiz Camilo dançar! Deve estar vendo-o dançar bolero no Céu: dois pra lá, dois pra cá; dois pra lá, dois pra cá ...
*Engenheiro Civil e Professor licenciado em Ciências pela UFPB.

O CARNAVAL

Por Severino Coelho Viana
A origem do carnaval inexiste precisão de data, há uma diversidade de exemplos de festas históricas que se combinam e se aproximam desta festividade. O carnaval é uma festa que tem origens na Antigüidade, mas não há um acordo sobre o evento que o criou. A época carnavalesca realmente é um período de descontração para enriquecer o imaginário social de histórias, lendas, fábulas, brincadeiras e figurinos hilariantes que deixam reminiscência de cada fase da história e do percurso de sua vivência materializada. As primeiras referências do carnaval estão relacionadas às festas agrárias. Essas festas se realizavam na primavera, quando as pessoas saíam das cavernas em que se protegiam do severo frio e comemoravam com cantos e danças o tempo que se assemelhava à primavera. Celebravam a alegria de poder ver o sol, de plantar, ter alimentos, afugentar os agouros e espantar as coisas ruins.
O primeiro foco de concentração carnavalesca se localizava no Egito. A festa era nada mais que dança e cantoria em volta de fogueiras. Os foliões usavam máscaras e disfarces simbolizando a inexistência de classes sociais. Depois, a tradição se espalhou pela Grécia, quando o Carnaval Pagão foi oficializado por Pisístrato como um culto a Dioniso na Grécia, e Roma, entre o século VII a.C. e VI d.C. No século VII a.C. e, termina, quando a Igreja Católica adota a festa em 590 d.C. Em Roma, havia a Saturnália, em homenagem a Saturno, deus da agricultura dos antigos romanos. As lendas dizem que Saturno pregava a igualdade entre os homens e foi quem ensinou a arte da agricultura aos italianos. Expulso do Olimpo, Saturno chegava com a primavera e era saudado com festas e um período de liberação das convenções sociais. Durante as Saturnálias os escravos tomavam os lugares dos senhores. Não funcionavam os tribunais e as escolas. Os escravos saiam às ruas para comemorar a liberdade e a igualdade entre os homens, cantando e se divertindo em grande desordem. Essas festas aconteciam de 17 a 19 de dezembro. Com a reforma do calendário e a inclusão de mais dois meses, julho e agosto, idealizados em homenagem aos imperadores romanos Júlio César e Augusto, foram transferidas para fevereiro. Há relatos de que no tempo das Saturnais todos os participantes e os escravos podiam dizer verdades a seus senhores indo até ao extremo de ridicularizá-los do jeito que bem entendessem.
A separação da sociedade em classes fazia com que houvesse a necessidade de válvulas de escape. É nessa época que sexo e bebidas se fazem presentes na festa. Em seguida, o Carnaval chega em Veneza para, então, se espalhar pelo mundo. Diz-se que foi lá que a festa tomou as características atuais: máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles etc. O Carnaval Cristão passa a existir quando a Igreja Católica oficializa a festa, em 590 d.C. Antes, a instituição condenava a festa por seu caráter “pecaminoso”. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira...
É só em 1545, no Concílio de Trento, que o Carnaval é reconhecido como uma manifestação popular de rua. Em 1582, o Papa Gregório XIII transforma o Calendário Juliano em Gregoriano e estabelece as datas do Carnaval. O motivo da mobilidade da data é não coincidir com a Páscoa Católica, que não pode ter data fixa para não coincidir com a Páscoa dos judeus. O cálculo é um pouco complexo. Determina-se o equinócio da primavera, que ocorre entra os dias 21 e 22 de março no hemisfério norte. Observando a lua nova que antecede o equinócio, o primeiro domingo após o 14º dia de lua nova é o domingo de Páscoa. Como o primeiro dia da lua nova, antes de 21 de março, é entre 08 de março e 05 de abril, a Páscoa só pode ser entre 22 de março e 25 de abril. O domingo de carnaval é sempre no 7º domingo que antecede ao domingo de Páscoa.
O Carnaval brasileiro surge em 1723, com a chegada de portugueses das Ilhas da Madeira, Açores e Cabo Verde. A principal diversão dos foliões era jogar água nos outros. O primeiro registro de baile é de 1840, quando surgem fantasias de pierrô, colombina, militar, padre, diabo, odalisca, e outros trajes permitidos pela criatividade popular. Em 1855 surgiram os primeiros grandes clubes carnavalescos, precursores das atuais escolas de samba. No início século XX, já havia diversos cordões e blocos, que desfilavam pela cidade durante o Carnaval. A primeira escola de samba foi fundada em 1928 no bairro do Estácio e se chamava Deixa Falar. A partir de então, outras foram surgindo até chegarmos à grande festa que vemos hoje.
A origem do carnaval brasileiro é européia, através do chamado entrudo. O entrudo consistia em atirar água, tintas, frutos, papel e o que mais conviesse à festa em outra pessoa (às vezes a partir de uma sacada, contra um transeunte). Originalmente era um ritual de purificação, mas com o tempo ficou violento e acabou sendo proibido em 1856 no Rio de Janeiro, mas continuou a ser praticado clandestinamente. Surgiram no Rio de Janeiro os cordões, precursores das atuais escolas de samba. Os cordões caracterizam-se por grupos de pessoas acompanhadas por uma pequena banda de músicos, que percorriam algumas ruas da cidade.
No ano de 1899 Chiquinha Gonzaga compôs a primeira música especificamente para o Carnaval, "Ô Abre Alas!". A música havia sido composta para o cordão Rosas de Ouro. O carnaval de nossa cidade de Pombal, quando tinha, no alto sertão paraibano, terra-mãe de muito foliões, mas não posso citar todos, até porque se trata de uma festa popular, queremos destacar um, apenas porque nos reserva a memória, do Dr. Avelino Elias de Queiroga, autêntico folião, que sobressaía pela sua capacidade de liderança, gostava de brincar no meio do povão, que muitos chamavam de frasqueira, no entanto, isto era a identificação de autenticidade do ser humano que vivia na sua simplicidade.
Na minha infância de menino perspicaz, correndo nas ruas e avenidas de Pombal, da coronel José Fernandes ao bairros dos Pereiros, recordamo-nos de Dr. Avelino, logo cedo, no domingo de entrudo, dirigia no seu Jeep sem capota, com um tambor cheio de água, enchido no rio do Xiquexique, juntamente com seus velhos companheiros: Joãozinho, Vicente Candeia, Nelito, Valdery, Vidal, Cicinho etc. faziam questão de molhar homem, mulher e menino, além do mela-mela com maisena, no percurso das bodegas de Zezinho Caboclo e Biró de Epaminondas, no bairro dos Pereiros, tomavam uma caipirinha no barraco de Biró, na rua do Sol, e terminavam com uma multidão na sorveteria de Zé Preto, na rua cel. José Fernandes, depois seguiam para o Cacete Armado. Lembramo-nos que os velhos carrancudos diziam que só aceitavam ser molhados e melados, se fossem pelo Dr. Avelino, caso contrário, já viu... era briga feia!
No barraco de Biró, o meu velho pai, era uma parada obrigatória, pela feitura dos famosos tira-gostos: tripa assada, piaba torrada, buchada e galinha de capoeira com rubacão. O velho Biró, com a fidelidade que tinha ao compadre Avelino, preparava uma caipirinha no capricho, cana-de-cabeça, mel de abelha e limão, com açúcar era para os outros, que guardava num garrafão especial. Na segunda metade da década de 70, o que vivenciamos e lembramos, no folia de rua, destacavam-se Bloco de Sujo, Jovem Club, os Arrochados e o Folharal, além do tradicional corso na tradicional Rua Nova. Saudade. Lembrei-me de Clemildo Brunet – “SAUDADE NÃO TEM IDADE”.
À noite, o carnaval continuava no Pombal Ideal Club e na Sede Operária, que se concebia perfeitamente a distinção de classe social. No ideal clube viam-se as fantasias suntuosas, enfeitadas de plumas e paetês, além dos confetes e serpentinas, com a animação de uma orquestrada contratada de outra cidade. Na sede Operária, o predomínio do murim, da chita florida e às vezes, do cetim, ornados de papéis luminosos. A atração na Sede Operária era o calor humano, era uma animação sem igual e sem cansaço, era a alegria redobrada no rosto dos foliões, o passo cadenciado na ponta do pé, o remexido de corpos, o balançar dos quadris, que a cada repique dos clarins, a euforia se elevava aos céus. O contágio carnavalesco ficava por conta dos músicos: Tié, Adamastor, Laércio, Josafá, Biró de Epaminondas, Zeilto Trajano , Zezinho Sapateiro, Manoel de Donária, Seu Eliseu, Ribinha, além de outros. Na quarta-feira de cinzas, no amanhecer do dia, havia o encontro das duas correntes de foliões que se misturavam num só sentimento: SER FILHO DE POMBAL, e o carnaval ter terminado em paz.
João Pessoa, 20 fevereiro de 2009.
SEVERINO COELHO VIANA

DEMOCRACIA E CIDADANIA

Prefeita Polyana e o Vice Geraldinho (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Cinquenta dias são passados da atual gestão frente aos destinos do Município. A Prefeita Polyana convoca a Imprensa local para uma entrevista coletiva. Quebra logo de início paradigmas de outros gestores. Primeiro porque, antes entrevista de agente administrativo em Pombal era feita de modo unilateral em uma só emissora ou com transmissão direta do gabinete do Prefeito. Segundo, a entrevista era feita com perguntas previamente elaboradas sendo terminantemente proibido se fazer indagações fora do cronograma estabelecido pelo chefe do executivo.
Com essa ação a Prefeita de Pombal dar exemplo de democracia e cidadania convocando todos os órgãos de Imprensa local para o auditório da Rádio Maringá emissora geradora, incluindo também os Portais da Net existentes na cidade. Polyana abre os canais da Administração Municipal e diz para seus entrevistadores que a temática é livre e que perguntem a vontade, desde que o comportamento seja respeitoso declarando em alto e bom som: “tenho respeito a todos vocês”.
Apesar de ter encontrado a casa desarrumada, Polyana pouco a pouco vai chamando o feito a ordem e com determinação e espírito público está resgatando programas que se encontravam encalhados desde o desaparecimento do seu esposo Ex-Prefeito Jário Vieira Feitosa, que teve sua gestão interrompida quando faleceu vítima de acidente automobilístico no dia 26 de setembro de 2007. Acontece que a gestão sucessória depois de sua morte, emperrou a máquina administrativa.
Poucos dias antes de assumir a Prefeitura de Pombal, Polyana fez diligências em viajar a capital Federal e procurou se inteirar junto aos Ministérios do Governo central, da situação como se encontravam os programas conveniados que haviam sido assinados por Jário e que não teve andamento pelo gestor que sucedeu seu marido.
Agora sim, administração de Pombal decola e cria asas para restaurar aquilo que se havia perdido num período tão curto. A garra de uma mulher que luta para dar sequencia às obras deixadas pelo seu marido merece com toda justiça os aplausos da população do Município de Pombal, pois ela começa a mostrar a que veio, dirigindo os destinos de nossa terra para o rumo do desenvolvimento com toda transparência.
Completando este raciocínio devo dizer que Pombal na atual administração alimenta suas expectativas em torno de um governo que logo de cara vem mostrar sua transparência pelo exemplo dado por Polyana que escancara as portas administrativas para que a Imprensa tenha acesso e com toda liberdade possa falar de seus feitos. É modelo a ser seguido por outros gestores nesta nova safra de Prefeitos.
São palavras de Polyana: “Cajazeiras ensinou a Paraíba a ler, nós vamos ensinar o que é administrar e fazer política”.
TRE-PB HOMENAGEIA EX-PREFEITO DE POMBAL MORTO EM ACIDENTE.
Na mesma data da entrevista de Polyana 19-02-2009, O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba – TRE-PB, em solenidade bastante concorrida em nossa cidade, inaugurou a sede do Fórum Eleitoral dando o nome de JÁRIO VIEIRA FEITOSA. Presentes ao evento O Presidente do TRE Desembargador Nilo Luis Ramalho Vieira, o Vice Presidente Desembargador Júlio Paulo Neto, além de juízes, promotores, advogados e serventuários da Justiça. Também se fizeram presentes: Zezinho Caboclo e dona Estela, pais do homenageado os irmãos de Jário e a viúva, hoje Prefeita de Pombal Dra. Polyana que em nome do Município fez sua saudação e agradeceu em nome da família Feitosa a homenagem ao seu esposo falecido. As bênçãos do ato inaugural foram feitas pelo Pe. Ernaldo e o Pastor Cláudio Alves. O Dr. Onaldo Queiroga Juiz da 5ª Vara Civel de João Pessoa também esteve presente.
*RADIALISTA.

ROMANTISMO AINDA EXISTE?

CLEMILDO BRUNET*
Parece que sim, parece que não. Os românticos são criticados sendo tratados como se fosse coisa do passado. Alguns acham que ser romântico é ser cafona, já não dá para os dias de hoje. Este é um dos motivos pelos quais o mundo passa por inversão de valores. Vez por outra, quando vem à lembrança das coisas boas do passado nas quais há imperfeições hoje, ouvimos alguém dizer: “Já não se faz como antigamente”.
A designação da palavra romantismo é o modo de se comportar, de interpretar a realidade e de agir. Caracteriza-se esse comportamento pelo sonho ou por uma situação emotiva diante das coisas, o que pode ocorrer em qualquer tempo da história. Ela determina uma inclinação geral da vida e da arte norteando um sistema e estilo delimitado no tempo.
Românticos para alguns é ser brega - sem ser chique. Ainda trago na memória o início dos anos 90 quando apresentava na Rádio Bonsucesso de Pombal, um programa estilo romântico identificado como “Coração Apaixonado”; inúmeras cartas chegavam à recepção da emissora contendo pedidos musicais e, diga-se de passagem, era cobrada a taxa de um cruzeiro por pedido; mesmo assim, em datas comemorativas não dava pra atender a demanda.
Hoje não temos nas nossas emissoras programa nesse gênero. As músicas tocadas na programação diária no rádio são as mesmas tocadas em outros horários, satisfazem apenas uns poucos que têm o privilégio de telefone ou internet, enquanto os que não dispõem desses meios, são preteridos. Fica difícil avaliar a audiência de hoje com a de ontem, mesmo salvando as proporções.
Meu amigo Genival Severo em seu programa na Rádio Maringá AM, “No Sertão da Paraíba” (Forró estilo pé de Serra) fazia uma apologia das cartas dizendo: “A prova da audiência de nosso programa são as cartas, elas não mentem jamais”.
No programa “Coração Apaixonado” costumava ler para meus ouvintes frases de um dos livros da coleção do poeta J.G. de Araújo Jorge, na qual ele exalta o romantismo definindo as características de quem é romântico.
“O romântico é antes de tudo um forte, justamente porque fortes são os que têm a capacidade de sentir”.
E o romântico é o emotivo, o sentimental, o que expõem o coração. Só ele enriquece a vida com as perspectivas infinitas do sentimento e da fantasia.
“Para os românticos, vida e sofrimento são palavras que se equivalem, que se identificam. São os que não têm medo, portanto, os que se aventuram”.
“Ser romântico é ser devaneador, poético, apaixonado. Então, somos todos nós”.
Nas décadas de 40, 50, 60 e 70 nos Carnavais o romantismo tinha seu ponto alto caracterizado nas letras das marchinhas, frevos e sambas. Quem não lembra: “Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval”... “Que é que vou dizer em casa quando chegar quarta feira de Cinza/ que é que vou dizer, que é/ com esse cheirinho de mulher” e por aí vai...
E os Carnavais do passado nas cidades interioranas? A cidade de Pombal já teve fama de um dos melhores do sertão. O desfile dos carros conduzindo foliões arremessando-nos confetes e serpentinas tanto nas ruas como nos bailes noturnos do Pombal Ideal Clube e sede Operária. O cheiro do lança perfume contendo cloreto de etila perfumado mantido sob jato de pressão barrufado no lenço para o porre, cujo aroma enchia o ambiente. Tudo isso embalado pelo romantismo das melodias que falavam de amor do Pierrô pela colombina.
O quanto de romantismo havia nas pessoas sentadas nos bancos das praças Getúlio Vargas e Centenária ouvindo as músicas românticas transmitidas nas noites pombalenses pelo LORD AMPLIFICADOR. Nesse cenário podíamos ver: O que tinha tempo para ler, ouvir música, conversar, discutir política, colocar os assuntos em dia e depois seguir pra casa na certeza de um novo amanhecer.
Viva quem é romântico com o romantismo que lhe é peculiar, pois o poeta diz:
“Dentro do homem mais seco e empedernido, do espírito mais cético e pragmático, do filósofo mais materialista, há um cérebro e um coração, para pensar, e para sentir”.
“Quem não for capaz de sonhar, de encontrar belezas, de amar, só passou pela vida, não viveu”.
*RADIALISTA.

SOL: AMIGO OU VILÃO?

Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*
A exposição à luz solar é praticamente inevitável, mas o que determina danos ou não é a duração da mesma. O principal efeito benéfico da radiação solar é o papel na síntese da vitamina D, a qual é essencial para o metabolismo do cálcio no organismo, aumentando, principalmente a absorção intestinal do mesmo. Pequena exposição solar é capaz de gerar vitamina D suficiente para o organismo. Os queratinócitos, presentes na pele, são responsáveis pela produção da vitamina D; esse processo só é possível graças à radiação solar, havendo formação de composto precursor (pré-vitamina D3). O metabólito mais ativo da vitamina D (1,25-diidroxivitamina D3) é posteriormente produzido nos rins. Além disso, a vitamina D também pode ser obtida pela dieta. Apesar das vantagens, a exposição solar excessiva traz malefícios. Segundo afirmação de Carlos Eduardo Alves dos Santos, chefe da seção de dermatologia do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Sol em excesso, ao longo dos anos, pode causar queimaduras e envelhecimento precoce. Somando-se a isso, a exposição excessiva e constante à radiação ultravioleta dos raios solares é a principal causa para o aparecimento do câncer de pele.
Esse tipo de câncer é caracterizado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele. Existem basicamente três tipos: o carcinoma basocelular (70% dos casos, acometendo pessoas de pele clara, acima dos 40 anos), o carcinoma espinocelular e o melanoma. Este último é considerado o mais perigoso, embora represente apenas 5% dos casos. Possui alto potencial de metástase, podendo levar à morte, caso não seja feito diagnóstico precoce. Deve-se destacar que só um dermatologista pode dar um diagnóstico seguro, mas é importante estar atento e fazer o auto-exame, observando alterações na pele. Um bom método para auxiliar na identificação é a chamada Regra do ABCD: Assimetria, Bordas irregulares, Cor alterada e Diâmetro maior que 6 mm.
Observa-se que os principais grupos de risco para câncer de pele são, geralmente, pessoas de pele clara, com manchas, casos de câncer de pele na família ou quadro anterior da doença. O diagnóstico precoce é de fundamental importância e não pode ser negligenciado.
O INCA apontou o câncer de pele como o mais incidente no Brasil em 2005. Já, em 2008, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevêem 120.930 novos casos no Brasil. Um fator preocupante é a falta de cuidado da população, deixando de se prevenir contra esse mal, como comprovado na quinta edição da Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), realizada em 2003, que revelou que 69% das pessoas se expõem ao sol sem proteção.
Sabe-se que os efeitos nocivos do sol são cumulativos, sendo comum aparecimento de lesões após os 40 anos. No entanto, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Márcio Rutowitsch, crianças protegidas desde cedo têm 85% menos risco de desenvolver câncer de pele na fase adulta. Pessoas de pele muito clara também necessitam de cautela ao se exporem ao Sol, pois podem sofrer danos mais sérios.
Outro alerta precisa ser feito para as pessoas de pele negra. Dos 2.591 negros atendidos na Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele realizado pela SBD em 2003, 78,7% deles afirmaram não utilizar nenhum tipo de proteção. A melanina, presente em maior quantidade na pele negra, é uma proteção natural, mas, quando eles desenvolvem o câncer de pele os tumores são mais graves do que os encontrados nas pessoas de pele mais clara.
Para se proteger, é preciso tomar uma série de medidas: deve-se evitar a exposição direta ao sol das 10h às 16h, usar guarda-sol, chapéus, óculos escuros (o Sol também pode agredir os olhos) e filtro solar (inclusive nos dias nublados). Para a dermatologista e coordenadora da 10ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele (2008), Selma Cernea, a vestimenta adequada é tão importante quanto à aplicação do filtro solar.
No tocante ao protetor solar, este deve ter um Fator de Proteção Solar (FPS) entre 15 e 30; de preferência que tenha proteção contra UVA e UVB. Segundo a Drª Denise Steiner, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da SBD, o fotoprotetor precisa ser aplicado 30 minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada 2 horas. Sendo assim, aproveite o Sol de forma adequada para não sofrer com conseqüências desagradáveis algum tempo depois.
*Mais conhecida como Cessinha, 20 anos, natural de Patos, filha dos empresários: Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos. Acadêmica do 5º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DA FESTA DO ROSÁRIO

Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Fico feliz quando vejo um filho de Pombal, principalmente da minha geração, mas o não só dela, buscar em suas memórias as reminiscências de Pombal em um passado não muito longe. Falo do texto de Onaldo Queiroga, que vem se juntar a muitos outros que já foram feitos a respeito do nosso Lord Amplificador. E é incrível como cada filho de Pombal tem uma história para contar a respeito deste sistema de comunicação, que não foi o único, pois antes tivemos mais dois, se não me falha a memória, um deles comandado pelo Raimundo Sacristão e outro pelo próprio Clemildo Brunet. (A Voz da Cidade entre 1966-1967).
Dizem que Clemildo criou uma escola com o Lord Amplificador, mas, vejo hoje que foi muito mais do que isso que o Lord representou para a nossa geração. Algo que não se pode descrever em palavras, apesar de que o Onaldo e outros chegaram bem perto de retratar na pena, mas, só quem viveu em Pombal poderá saber.
O problema é que quanto mais se escreve a respeito destas instituições pombalenses, assim direi das décadas 1960 e 1970, mais se tem a dizer, mais estórias e historia se tem engavetado em memórias a aflorar em belos e nostálgicos textos.
Os que sabem escrever como Onaldo Queiroga e sua mãe Dra Onélia Rocha, e os que se atrevem a escrever, como eu, digo a vocês, se deliciam mais até do que os que perdem seu tempo lendo nossos escritos chorosos, por que nós vivemos o que escrevemos e escrevemos com a tinta do coração.
Não só o "Som Direcional da Comunicação e o mais perfeito serviço de alto falante", mas, outras instituições e pessoas das décadas 1960 e 1970 grudaram em nós como nódoa de caju roubado na roça de Bozó ou de seu Gervásio.
A SAOB( Sociedade Anônima Operária Beneficente) da primeira biblioteca e dos carnavais, a Brasil Oiticica dos operários retintos com a tisna da chaminé, o Macarrão Matoci e o Café Dácio, o fubá Piragibe e o sal Adonai de seu Antônio Rocha , avô do Onaldo Queiroga, "Da Choupana ao Palácio Todos Tomam Café Dácio" , a Usina de seu Paulo Pereira , o Cine Lux e as pessoas.
Sim, gente também fez parte desta paisagem bucólica de Pombal, confundido nas ruas bêbados, vagabundos e operários com pessoas mais esclarecidas, políticos, professores, médicos que não se escondiam por trás de diplomas ou do dinheiro. Eram vistos atravessando as ruas como quaisquer outros cidadãos da velha e saudosa Pombal de 70 e 60, na feira do Velho Mercado Público ou aos sábados pechinchando o preço da verdura, da farinha e do feijão verde, quando esse havia. Ou trafegando em seus Fuscas, DKV, Rural e Jipes. São instituições e valores que se perderam no tempo e que existiram não só em Pombal, mas em quaisquer outras cidades interiorana. Porém, em Pombal foi diferente senão não lembraríamos com prazer até hoje.
Não era só o Lord Amplificador que era assim como descrevemos, pois difusoras e sistemas de sons deste modelo existiram em todas as cidades do interior, nas décadas de 1960 e 1970. Nós pombalenses fizemos a diferença: a época em que nascemos era diferente, Pombal era diferente. Nós filhos de Pombal somos diferentes, carregamos no coração a cidade de ontem e às vezes a de hoje.
Nós nos reunimos uma vez ao ano, para celebrar as instituições e as pessoas que fizeram parte da nossa juventude e da nossa formação: Professor Arlindo, Lord Amplificador, Clemildo, Galdino, Bideca, João Fagundes, Cine Lux, Biró de Beradeiro, dona Cessa e Bibia, São Cristovam, Bloco de Sujos, Padre Solon de França, dona Bruna, o pão com creme na bodega de Toinho, seu Raminho e Rev. Jônathas Barros de Oliveira, que trouxeram a TV para Pombal, o gênio inventivo de Vicente Farias, dona Bruna e dona Inês, dona Eliane, Negros dos Pontões, Reisados e Congos... Nós celebramos encontros para lembrar desencontros e assim nos mantermos vivos, não tanto pela cidade que já nos ignora, pois precisa seguir seu caminho, seu destino, sua sina, e muito mais por nós, por nossas lembranças pelos nossos cabelos brancos e pelos amigos, mortos jovens a flor da idade, que precisam ser lembrados.
E, pra não dizer em que não falei da Festa do Rosário, a Festa do Rosário!
*Escritor Pombalense.

SERÁ COMO A MANHÃ

CLEMILDO BRUNET*
A manhã no sentido do surgimento de um dia radioso e não como referência ao dia seguinte. Tempo do nascimento do sol até o meio dia e no modo figurado: Início, princípio, começo, desabrochar; como diz Aurélio. Com este intróito quero narrar um fato registrado na minha vida, que tem tudo a ver com a expressão que serve de título a este artigo.
Madrugada de 14 de fevereiro de 1994 – segunda feira de carnaval. Sou despertado por uma fadiga no corpo, me retiro da cama e vou para rede, repentinamente, sinto fortes dores no peito, o sintoma era de que o tórax ia abri bem no meio com reflexos de punhadas nas costas. Irene minha esposa diligentemente consegue um transporte (veraneio) de um vizinho, que faz a linha para Patos que já se preparava para viajar. O veículo me conduz até a residência de Benedito Leonel a procura de socorro médico, lá chegando, ela pergunta pelo Dr. Wellington Onias, cardiologista, o mesmo havia chegado de João Pessoa cerca de meia hora, tinha vindo para substituir um colega no plantão daquele dia no Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro.
De imediato o médico determinou que fosse para o Hospital e prontamente em instantes eu era atendido. Feito o eletrocardiograma foi constatado um infarto. Embora a dor tivesse sido amenizada com aplicação dos medicamentos, Dr. Wellington ficou preocupado com o meu estado, pois continuava a dor, que agora era menos intensa. Apelou para o Balão de Oxigênio. Retruquei: “Doutor, não estou com falta de ar”. Ao que me respondeu: “É só para aliviar a dor do coração”
As horas se passaram e eu naquele estado perdi a noção do tempo. Dr. Wellington chega perto e diz no meu ouvido. “Clemildo, a medicina encerrou com você, já apliquei tudo que foi necessário, agora só com o Altíssimo”. Não dei importância e nem me estremeci diante do que ouvi. Adormeci e acordei depois, sem saber que horas seriam no meu pensamento era madrugada do outro dia, felizmente a dor no coração havia passado.
O Hospital estava cheio de pacientes por causa de um surto de diarréia, fiquei em uma sala de observação e logo em seguida por interveniência do meu amigo Professor José Cezário de Almeida, junto ao Pe. Solon Dantas de França (saudosa memória) me acomodaram em um apartamento confortável que havia sido desocupado naquela manhã. Foram oito dias internado naquele hospital sob os cuidados do Dr. Wellington Onias. Todas as manhãs me visitava fazendo avaliação de meu estado clínico. Depois de ir para casa, recebi sua assistência na convalescência. Mensalmente eram feitos eletrocardiogramas e com a medicação, Graças a Deus e ao médico que me assistiu não foi preciso cateterismo.
É claro que em toda essa situação houve uma sintonia entre o médico e o paciente. No passar dos anos os problemas cardiovasculares não regridem, pelo contrário há uma evolução e é preciso que a pessoa se cuide sempre comparecendo ao cardiologista para fazer um check-up. Aqui e acolá quando não compareço ao consultório médico em períodos determinados, doutor Wellington me dá um puxão de orelha. Em 2005, após dois anos recebendo o auxílio doença do INSS, foi requerida a minha aposentadoria por força do laudo e atestado médico do Dr. Wellington, meu cardiologista, junto aos peritos da Previdência Social.
Como disse no início, na verdade, a expressão “será como a manhã” tem tudo a ver com o que narrei acima, porque uma semana antes da crise, eu tive uma contrariedade na minha repartição de trabalho, que me deixou os lábios trêmulos e com a respiração ofegante. Naquele mesmo dia visitei um amigo que tinha em seu estabelecimento comercial uma caixinha de promessa com versículos da Palavra de Deus. No estado de ansiedade em que me achava, orei a Deus em silêncio, pedindo resposta para o que estava acontecendo.
Com o pensamento levantado para o alto, retirei aleatoriamente da caixinha um versículo na esperança de obter resposta a angústia que me envolvia e encontrei estas palavras: “E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã” Jó:11:17.
Como Deus é fiel nas suas promessas. Agradeço as inúmeras orações de amigos e irmãos de fé que intercederam a meu favor junto ao Altíssimo. Agradeço também a minha amiga e ex-colega de trabalho Fátima Jó, que ao orar por mim, pediu a resposta na página da bíblia que ia abrir e sem marcar; deparou-se no salmo 30, em que o salmista Davi exalta a Deus e diz: “Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura”. Sl. 30:2;3.
Quis a providencia divina que eu andasse pelo vale da sombra da morte, sem, contudo ser visitado por ela. 1- O médico chegou de João Pessoa pela madrugada para substituir um colega no plantão daquele dia no hospital, oportunidade de uma assistência próxima ao meu estado de saúde. 2- As palavras de meu assistente que a medicina ali havia encerrado o meu caso. 3- A promessa do versículo da bíblia foi cumprida, sem que eu soubesse que iria passar por esse transe.
Concluindo quero dizer que sem o Senhor nada somos ou podemos fazer coisa alguma. Inspiro-me nas palavras do apóstolo Paulo na carta aos romanos quando diz: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem as do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Rm. 8:38,39.
*RADIALISTA.

APLAUSOS A OCTOGENÁRIA POMBALENSE!

Mª de Almeida Silva (Foto)
Cessa Lacerda*
Vida é Amor! Amor é vida! Quando nascemos, abrimos uma página do livro da nossa vida. Inicia-se uma história única e irrepetível. História edificada pela natureza humana, fundamentada numa conjuntura de vida e amor. A vida e o amor estão presentes no nosso dia a dia. São palavras poderosas que seguem juntas enquanto o coração pulsa no peito. Edificante é o pensamento de Charlie Chaplin, que: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
Estamos aqui, hoje, celebrando a vida de Maria de Almeida Silva, conterrânea amiga, que nasceu no sítio Cachoeira, em onze de fevereiro de mil novecentos e vinte e nove. Mulher forte que manifestou todos os passos mencionados pelo nobre pensador, cantou, dançou, riu e também chorou vivendo intensamente o lazer naquele paraíso de doçura, a bela e encantadora natureza. Filha de Manoel Francisco de Almeida e Maria Rita de Almeida, pertencente a uma família de dezesseis filhos, em que, das cinco mulheres, foi a primeira, conquistando com carinho a amizade de todos eles, sendo mais apegada a sua irmã Francisca a quem confiava os seus segredos. Na infância adaptou-se aos costumes do sítio com amor e esmero, mas na juventude não foi diferente das demais jovens, pois sonhava realizar seus ideais. Ela teve estudos esporádicos, apenas por três meses. Só saia do sítio com seus pais quando eles vinham para Pombal prestarem a sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus, assistindo a Missa das primeiras sextas feiras de cada mês. Eram as oportunidades que Maria usufruía para conhecer alguns jovens. Sentia um desejo forte de namorar, mas paquerava somente quando o seu irmão Inácio promovia festas de ARGOLINHAS lá no seu sítio. Ela torcia para que o irmão sempre promovesse essas brincadeiras e numa delas, conheceu Biró, verdadeiro Galã, que por ela se apaixonou. Ambos graciosos começaram a trocar olhares e sorrisos. Ficava difícil de encontrarem, pois os pais naquela época, não queriam que suas filhas namorassem a ninguém. E ai! O que resolveram? Biró, rapaz inteligente e audacioso, aproveitou uma vez para se aproximar dela dizendo que lhe amava e queria casar com ela. Planejaram a maneira de enganar os pais e tomaram decisão de fugirem. Ela saiu de casa e foi à procura dele que a esperava.
Essas, são histórias românticas e heróicas que eu muito admiro, pela aventura e coragem de conquistarem uma realização. A responsabilidade do rapaz é muito grande, de saber onde vai colocar a amada até resolverem o dia do casamento. Desta feita, Maria ficou por três meses na residência de seu Severino Gomes. Foi portanto, um verdadeiro idílio amoroso, enlaçado em quinze de outubro de mil novecentos e quarenta e seis. Após o casamento foram morar na fazenda do pai dele. Vida nova. Tudo era começo, até o amor. Conheceram-se melhor e ascenderam o amor um ao outro. Construíram a felicidade prometida aos que se amam.
É mesmo, muito bonita a história de Maria e Biró. Dois aventureiros do amor que já realizaram Bodas de Prata, de Ouro e Diamante, que são etapas de renovação do casamento. Grande Glória de Deus, difícil a muitos casais. Verdadeiro Prêmio que mereceram.
Maria, sempre foi uma mulher prendada e de muita coragem. Trabalhou por um tempo em uma Lanchonete de sua propriedade para educar os filhos. Edificou uma prole abençoada por Deus, Dedé, Birozinho, Sales e Claudio, todos formados, bons filhos e profissionais. E assim viveu muito feliz. O que faltava a Maria para complementar a sua vida? Fazer o que disse um pensador: “Tudo na vida, depende de uma idéia inteligente e de uma decisão firme."
Você Maria, além de viver os deveres de esposa, mãe e dona de casa, tomou a decisão firme de vivenciar sua fé cristã se incorporando a Pastoral dos Enfermos, na nossa Igreja, prestando o seu trabalho a Deus e aos irmãos.
Hoje, você comemora o aniversário de 80 anos. E, oitenta anos, significa “muita luz ao vento” como reza um provérbio japonês. Tanta luta, tantos dissabores, tantos objetivos alcançados, e, tantas graças e maravilhas derramadas por Deus.
Nova e bonita, mostrando que Deus derrama bênçãos sobre as pessoas que amam, permitindo a graça de nunca envelhecerem, morrem pela idade, porém morrem jovens. Parabéns! Parabéns! Pela Maravilhosa vida que você sempre soube viver!
Com muita admiração e amor prestamos esta homenagem desejando-lhe muita saúde, paz e felicidade, exaltando com entusiasmo:
APLAUSOS A OCTOGENÁRIA POMBALENSE. Homenagem dos seus verdadeiros amigos. Bibia, Cessa e filhos.
*Escritora, Poetisa e Presidenta da Academia de Letras de Pombal.

HOMENAGEM AO DESEMBARGADOR RAPHAEL CARNEIRO ARNAUD

MACIEL GONZAGA*
Hoje muito se fala no Brasil em desvio de conduta na Magistratura, já que o Juiz tem prerrogativas de inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. Defende-se que o juiz tenha mais contato com o exercício da profissão, diretamente com a população para que, assim, ele possa acompanhar o desempenho da função de magistrado, não só com grande qualificação técnica (conhecimento das leis, da doutrina e da jurisprudência; e conhecimentos técnicos no que se refere aos procedimentos jurisdicionais, particularmente a aplicação célere, objetiva e eficaz do direito ao caso concreto, solucionando as questões judiciais), mas, também, com vivência humanística, conduta ética, conduta social compatível com o exercício da profissão. Muito se fala sobre a probidade, a honestidade, a integridade e outros qualificativos e virtudes de Magistrados.
Pois bem! Sou daquelas pessoas que fazem apologia da retidão. Não sei ser irresoluto quando o assunto é correção profissional. Quem convive comigo bem sabe disso. Erro aqui e acolá, peco outras vezes, saio da linha, porque isso é próprio da condição de ser humano. Contudo, sem demora, retomo o curso, procuro redefinir meus conceitos, para voltar ao caminho da retidão. Reconheço que nos dias de hoje ser correto e ter bom caráter parece um pecado, sobretudo em uma corporação.
Assim, pautando rigorosamente nesses conceitos, quero falar neste artigo sobre mais um vulto da história da cidade de Pombal, que exerceu a carreira jurídica com dignidade e teve projeção no Estado da Paraíba e no Brasil pela sua atuação jurídica e sua capacidade intelectual. Este personagem é o filho ilustre de nossa terra: DESEMBARGADOR RAPHAEL CARNEIRO ARNAUD. Nasceu na cidade de Pombal. Filho de Dr. Chateaubriand de Assis Arnaud e Dona Dalva Carneiro Arnaud. Casado com Dona Mozarina Bandeira Arnaud - segundo ele próprio, "nela encontrou tudo o que um homem pode esperar de uma verdadeira mulher". Pai de Viviane, Abimael, Liana e Eulália, considerados como: "suaves rosas que adornam e perfumam o jardim de suas vidas".
Foi aluno do Ginásio Diocesano de Patos e da Faculdade de Direito de Pernambuco. Foi advogado chefe da AJURE (Assessoria Jurídica do Banco do Brasil S.A); assistente Técnico-Informativo do Patronato dos Liberados, do Conselho Penitenciário de Pernambuco; presidente do Departamento Jurídico-Assistencial da Faculdade de Direito da UFPE; integrante de Escritório de Advocacia do Professor Mário Neves Baptista, na cidade de Recife; advogado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Com brio, profissionalismo e dedicação, destacou-se em todas estas funções, honrando o exercício da advocacia. Também, exerceu o cargo de Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção da Paraíba, tendo, ainda, ocupado, na mesma ordem, a função de Presidente da Comissão de Ética e de Disciplina.
Na sua longa jornada de magistrado, Raphael Carneiro Arnaud desempenhou funções de destaque, através da ocupação de cargos de relevo, com exercícios caracterizados por sabedoria e humildade. Assim, por quatro vezes, foi Presidente da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba. No Judiciário Paraibano, exerceu a função de Corregedor-Geral no ano de 1991/1992, tendo se notabilizado, em ambos os cargos, pela competência e zelo. Em 1997, o Desembargador Raphael Carneiro Arnaud teve coroada a sua trajetória de magistrado, quando foi empossado na Presidência do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, exercendo no biênio 1997/1998, com elevo, o aludido cargo. Na presidência da Corte, buscou democratizar suas ações, ouvindo a magistratura e a sociedade, nas soluções dos conflitos mais espinhosos, numa demonstração de gestão pública transparente e eficiente. Presidiu, no ano de 2000, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PB), após ter ocupado a Vice-Presidência e em seguida a Presidência. O escritor pombalense Verneck Abrantes, que me auxiliou nessas informações, conta que se lembra em Pombal, quando da Festa do Rosário, depois de acompanhar o Rosário, Dr. Raphael saindo pelas ruas da cidade acompanhando os “Negros dos Pontões”, visitando casas em que todos terminavam bebendo cachaça.
Sobre Raphael Carneiro Arnaud, o poeta Ronaldo Cunha Lima escreveu este soneto:
O homem, que se interroga a preceito do bom direito, quando o cumpre e aplica,a cada dia mais direito fica e sabe, a cada dia, mais Direito Raphael Carneiro Arnaud, eis o conceito em que o tenho e que o dignifica. Eis ao Direito o que significa o justo que o conduz dentro do peito. No jurista, o Juiz e o Advogado atuam de mãos dadas, lado a lado, independentes de qualquer matriz. Raphael Carneiro Arnaud traz, como fado, o calor e a paixão do Advogado junto à serenidade do Juiz.
Este é RAPAHEL CARNEIRO ARNAUD, símbolo de seriedade, ética e competência, filho de Pombal, que bem representou os advogados como membro da Magistratura.
*Jornalista e Advogado - Natal RN

A IGREJA MATRIZ DE POMBAL

Verneck Abrantes*
A primeira Igreja católica de Pombal data de 1701, quando El-Rei do Brasil/Portugal, deu ordens para sua construção. Tratava-se de uma pequena capela, onde se celebrava o Santo Sacrifício da Missa e se administrava o sacramento aos índios que iam sendo catequizados. Essa primeira construção foi completamente destruída. A segunda Igreja de Pombal, denominada de Nossa Senhora do Bom Sucesso, construída próxima da primeira, tem seu registro datado de 24 de fevereiro de 1721, guardando ainda hoje suas características originais. É uma verdadeira relíquia do barroco colonial, encravada no sertão da Paraíba, hoje denominada de Igreja de Nossa Senhora do Rosário, tombada pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico do Estado da Paraíba.
Em 1872 é iniciada a terceira Igreja de Pombal, a qual é concluída e inaugurada no dia 8 de setembro de 1897, bem mais ampla, também dedicada a Nossa Senhora do Bom Sucesso, passando a ser a Igreja Matriz, a qual vamos referenciar um pouco da sua história. Apesar de em 1872, Pombal ter praticamente três ruas residências definidas e outras casas isoladas, o paroquiano pombalense achou que a sede do município comportava mais uma igreja, bem maior e mais confortável que a já existente, para tanto, o padre Álvaro Ferreira de Sousa, com auxilio do padre Hermenigildo Herculano Vieira, iniciaram as obras, se arrastando a construção por 25 anos.
Em 27 de setembro de 1893, o padre Valeriano Pereira de Sousa assumiu a direção da paróquia de Pombal, encontra a Igreja apenas coberta e caiada na parte interna e externa, faltando o acabamento geral. Sem recursos, o padre convoca o povo para a sua conclusão, sempre incansável, faz campanha para arrecadação de auxílios financeiros na zona urbana e rural, para isso criou a Irmandade dos Apostolados do Coração de Jesus e, com muito esforço, junto com a população da freguesia, no dia 8 de setembro de 1897, abre as portas da Igreja, restando, no entanto, a conclusão da sacristia e de uma das torres, que só foram concluídas em 1950 e 1954, respectivamente, por monsenhor Vicente de Freitas.
No dia da inauguração da Igreja nova, que passou a ser denominada de Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a imagem da referida santa foi trasladada, em procissão, da atual Igreja de Nossa Senhora do Rosário para nova Igreja Matriz. No ato religioso, foi rezada a primeira missa em meio às festividades e participação do povo em multidão, autoridades municipais e de cidades circunvizinhos, maravilhados com a obra esplendorosa para época. Considerada a construção mais alta de Pombal, a Igreja Matriz se transformou em ponto de referência para os filhos saudosos quando no retorno à sua terra natal. A quilômetros da cidade se avistava suas torres majestosas, induzindo ansiedade, lembranças e a certeza da chegando à terra amada.
No inicio de 1970 foi realizada no seu interior, uma reforma, quebrando a beleza da sua arquitetura original. A Igreja que foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba, em 2002. No ano 2004 ocorreu uma segundo reforma, devido o seu teto ameaçar desabamento, no entanto, sem acompanhado técnico de especialistas.
No dia 8 de setembro de 1997 a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso completou um século de existência, sem comemorações. Em outros tempos já foi diferente, verificando os fatos, transcrevo um dos trechos da conferencia "A Origem e Evolução Histórica da Paróquia e do Município de Pombal", proferida por padre Manoel Otaviano, nas solenidades comemorativas das bodas de ouro, isto no dia 8 de setembro de 1947, hei-la: "...mas, Senhores, o fácies luminoso desta festa, ao se comemora o jubileu da Nova Matriz de Pombal, arrasta-nos à evocação do dia 08 de setembro de 1897. Cinqüenta anos já se foram! Vejo aqui, Senhores, um acontecimento verdadeiro emocionante: o vigário que presidiu as solenidades daquele grande dia, ainda é nosso vigário! Velho, alquebrado, mas ainda sorri convosco, canta convosco no dia de hoje! Foi uma graça especial que a Virgem do Bom Sucesso concedeu a Pombal. Eu diria melhor: um milagre do seu coração materno. Monsenhor Valeriano Pereira de Sousa, no compasso lento do seu velho coração, está recordando o badalar festivo dos sinos daquele dia. Tem saudades! Lembra a voz cheia e piedosa do pregador da festa, Monsenhor Emídio Cardoso. Este, Deus chamou há poucos dias, para lhe pôr sobre a cabeça branca a coroa das justos, senão, estaria aqui também, recordando, vivendo outra vez o brilho das solenidades de 1897. Veria, então, como a nova Matriz cresceu, como suas torres majestosas furam o espaço azul dos céus sertanejos, como o velho vigário trabalhou com seus cireneus, para presentear a Nossa Senhora do Bom Sucesso um templo digno da sua gloria. Como o povo católico de Pombal, está comemorando hoje esse pio acontecimento e sorrir com seu velho vigário a frente, segurando-lhe a dextra que tantas benções derramou sobre esta terra, esta figura moça e virtuosa de sacerdote-padre Vicente Freitas, nosso ardoroso pro-paróco, alma viva desta comemoração. Recordar é viver duas vezes. A saudade tem asas. Ela nos levou, em espírito, aos esplendores do grande dia que cinqüenta anos sepultam, e já nos trouxe para bebermos os eflúvios da festa de hoje. Maior glória não poderia caber a Pombal. De pé, todos de pé, saudamos as glórias da Virgem do Bom Sucesso e as alegrias da família pombalense. Pombal, eu saúdo neste momento de elevação espiritual e febre patriótica, as raízes da tua ancestralidade. Tu foste o ninho murmuroso de onde rebentam os primeiros arrulhos da civilização sertaneja. Foi o teu solo quente e fecundo, aqui onde se abraçam, no escachoar das suas águas, no batismo da fé, dos lábios desse Franciscano que acompanhou a primeira bandeira de penetração, e ergueu a primeira ermida, de onde a luz eucarística de um Deus escondido espargiu os raios brancos da paz e de amor. Tu és o protoplasma dessa geração de bravos sertanejos, dessa gente forte e ousada ante as intempéries climáticas do nosso hinterland, tostada de sol ardente esquecida dos favores públicos, mórbidas de pesados tributos, mas mesmo assim firme como um rochedo cuspido das procelas altaneira e heróico nas provações e horas minguantes da Pátria. Tu és soldado valente quase alucinado no incêndio dos combates; sentinelas indormida do lar; guarda vigilante das tradições cristãs derramando o sangue das veias pela liberdade e pela grandeza do Brasil. Salve, Pombal, heróico!..."
Parabéns aos filhos de Pombal que nasceram à sombra de suas seculares Igrejas...
*Escritor e Historiador.

O LORD AMPLIFICADOR DE POMBAL: SÓ NOS RESTA SAUDADE

ONALDO QUEIROGA*
Existem coisas que só encontramos na cidade do interior e jamais os habitantes das grandes cidades terão o direito de usufruir delas. Longe do corre e corre estressante das grandes metrópoles, o homem interiorano possui indiscutivelmente uma vida bem mais sossegada. Foi neste mundo do interior, na cidade de Pombal, que um dia um menino nasceu na confluência dos Rios do Peixe, Piranhas e Piancó. Na sua infância o dia amanhecia sob um sol forte que iluminava todo sertão e logo ele ouvia o som das guitarras dos “Incríveis”, entoando as músicas “O Milionário” e “Czardas”, que vinha de um sistema de difusoras que marcou época – O Lord Amplificador.
O tempo não tinha pressa, as horas naquele cenário de férias das décadas de 1970 e 1980 permitiam que o menino ficasse na sua rede, se balançando e ouvindo uma programação repleta de uma boa música, de notícias da região e do mundo, tudo sob o comando do inolvidável Clemildo Brunet, fundador no ano de 1968 do Lord Amplificador. A rede ia e voltava, e as difusoras a divulgarem imparcialmente notícias das atividades, econômicas, sociais, políticas e religiosas para boa parte da cidade.
E lá iam as horas, devagarinho caminhavam para o meio dia, instante em que o locutor encerrava a primeira parte da programação. Cumpria assim um ritual, permitindo que o silêncio tomasse conta daquele momento. É que o sertanejo na hora do almoço, fecha as portas do comércio, vai para casa e após o almoço se tranca em sua residência entregando-se a um cochilo, a um sono curto para lhe permitir enfrentar o calor da tarde.
Por volta das quinze horas, instante do tradicional lanche da tarde, o Lord Amplificador reiniciava sua programação. O menino, agora, ouvia o forró pé-de-serra comandado pelo velho “Beim”, que contagiava o entardecer sertanejo, pois a mistura do som das sanfonas e crepúsculo bulia intensamente com o âmago de todos. Foram as difusoras do Lord Amplificador que apresentaram ao menino, a voz, a sanfona e a obra de Luiz Gonzaga.
As dezoito horas o som das difusoras novamente silenciavam, ressurgindo por volta das dezenove horas, falando mais uma vez com seu povo, agora com uma programação bem suave, voltada ao romântico. Passava assim a acalentar os seus filhos, dentre eles, aquele menino, que lá na calçada casa do seu avô Antônio Rocha, ouvia a conversa e as histórias de sua avó Raimunda, olhava para o céu repleto de estrelas e para a sua lua encantadora. Ali ele aguardava o Lord Amplificador silenciar suas difusoras justamente as 21:00 horas, e quando isto acontecia, seus filhos após sentirem a suavidade do vento aracati, fechavam novamente as portas e janelas, e em seus lares se entregavam ao sono, com a certeza de que logo no novo amanhecer o som daquelas difusoras acordaria o sertão para mais um dia.
Aliás, o Lord Amplificador foi escola na formação de locutores, destacando-se neste ponto Clemildo Brunet, Genival Severo, Orácio Bandeira, José Ribeiro, Cezario de Almeida, hoje Professor da UFCG, Evilásio Junqueira, atualmente da TV Borborema, Evandro Junqueira, Ernesto Junqueira (in memória), João Costa, hoje no Portal – paraiba.com.br, o velho Beim e Massilon Gonzaga (Professor UEPB).
É uma pena que hoje só nos resta saudade, pois o “Som Direcional da Comunicação e o mais perfeito serviço de alto falante” emudeceu em 1985, apesar de que em sonhos, de vez em quando, ainda acordo ouvindo o som das minhas difusoras.
*JUIZ DE DIREITO.

EXEMPLO DE VIDA DE UM AMIGO

Bibia (Foto arquivo Cessa)
CLEMILDO BRUNET*
Existe um ditado “contra fatos não há argumentos”. Neste planeta que habitamos, muitos seres humanos passam despercebidos aos olhos dos demais por viverem no anonimato. É o caso do nosso amigo FRANCISCO FERNANDES DA SILVA, conhecido popularmente por Bibia. Ele é mais conhecido pelo apelido do que pelo nome e o dia 07 de fevereiro é seu aniversário. Bibia é uma pessoa simples. Com seu carisma tem preservado as amizades e conquistado novos amigos ao longo dos anos. Não sou seu contemporâneo, vim conhecê-lo depois, trabalhando na Prefeitura municipal de Pombal, como Chefe de finanças da edilidade. Quero prestar minha homenagem a este grande amigo e peço vênia ao leitor da coluna, para transcrever na íntegra um belíssimo artigo redigido por sua esposa - Maria do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes, sobre o exemplo de uma vida que de modo algum pode ficar no anonimato, mas que seja transparente, em conformidade com o que disse Jesus: “Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos que se encontram na casa” Mt. 5:15.
HOMENAGEM AO HOMEM ÍNTEGRO QUE ANIVERSARIA.
“Deus fez a vida para que fosse vivida e não para que fosse conhecida”. Concordo plenamente com o primeiro passo desta filosofia, não obstante saber que a vida deve também ser conhecida pela expansão social, religiosa e moral do homem na sociedade. Toda vida tem uma história! Toda história, uma conquista! Toda conquista uma admiração à lembrança encantadora de princípio, continuidade e fim.
Setenta anos de vida, significa “muita luz ao vento”, como reza este provérbio japonês. Marca um tempo de lutas, de dissabores, de tantos objetivos alcançados, e, tantas graças e maravilhas derramadas por Deus. Daí fazermos jus soar aos quatro ventos e fazer conhecida a história da vida deste homem de bem, importante para nós, esposa, filhos, familiares e amigos. É interessante narrar, e, sem dúvida nenhuma, muito gratificante ouvir falar a história de uma vida bem vivida.
Na Fazenda “Bezerro”, próxima a cidade de Pombal, Alto Sertão da Paraíba, iniciou uma linda história! Nos princípios de fevereiro de 1939, o lar do casal, Antônio Soares da Silva e Florência Almeida da Silva, já se preparava para um grandioso acontecimento, nascimento de mais um herdeiro na composição de sua prole. Foi mesmo, uma intensa sensação de prazer. Por força de circunstância gravídica e uma prevenção de parto difícil o fazendeiro fez ciente ao médico amigo Dr. Janduy Carneiro, para acompanhar o parto da sua esposa. E logo no dia 7 de fevereiro do citado ano, a parturiente apresentou sintomas de trabalho de parto, o esposo mandou avisar ao médico que havia prevenido. Este, por ser muito amigo do casal, sensibilizado com o estado da gestante, não se achou encorajado de ir fazer o parto, enviou o seu substituto, o dinâmico médico, Dr. Isaías Silva acompanhado do seu enfermeiro Bilino Queiroga, este, que por mera coincidência foi um grande amigo de Bibia. Por ser a criança robusta, a mãe foi vítima de grande sofrimento, também afetando o filho, gerando um clima forte de emoção a família. No impacto de preocupação, o eficiente médico usou de todas as técnicas favoráveis a mãe e ao filho, conseguindo solucionar um parto normal, nascendo, portanto, a décima continha do rosário do amor desse casal. O robusto garoto não chorou, e, na expressão popular, teve que apanhar nas nádegas para dar o seu primeiro grito, fato semelhante ao seu primeiro filho Júnior. Choro forte e bonito! Prenúncio de homem verdadeiro. E, por ser um garoto de características físicas e orgânicas fortes, surtiu nos genitores uma expressão: Foi o maior e mais pesado dos filhos, e, porque não dizer também, o mais bonito! Conduzido a Pia Batismal pelos pais e padrinhos, Vicente de Paulo Leite, conhecido por Major Sinhô, e dona Querubina, sua esposa, batizado que foi por Mons. Valeriano Pereira, com o nome de FRANCISCO FERNANDES DA SILVA, cerimônia realizada na Matriz de Nossa Senhora do Bonsucesso.
Com um tempo, o seu genitor o chamou de CHICO, e, quando lhe perguntavam qual era o seu nome, ele respondia bem explicado, é Bi-bi-a. Nome pequeno, mas de grande significação para ele que cognominou e até hoje conserva e é conhecido popularmente. Recebeu uma importante formação dos seus pais, vivendo feliz com os outros irmãos, sendo acarinhado com boa dosagem porque era caçula dos homens. Bibia passou os primeiros anos de vida na fazenda, recebendo o ar puro da natureza e aos cinco anos os seus pais foram residir em Princesa Isabel. Logo mais o seu genitor comprou uma fazenda, “AROEIRAS”, divisa com Pernambuco. Ele gostava muito de sítio, pois foi o Paraíso da sua Infância, usufruindo de tudo bom que oferecia a bela natureza, as mais apreciáveis delícias, correr livremente, passear galopando a cavalo, tomar banho de açude, deliciar frutos saborosos, ouvir os cantos dos pássaros, enfim, usufruindo de um clima atmosférico maravilhoso. Quando contava a idade de anos, os pais providenciaram os seus estudos, ingressando na escola da professora Maria Alice, sendo também esta, sua primeira fada do saber. Muito inteligente e assíduo as aulas, se preocupava em aprender rápido, as lições. Foi logo alfabetizado, passando a estudar no grupo escolar “Gama e Melo”, cursando da primeira série do primeiro grau até a terceira. Essas escolas eram na cidade de Princesa Isabel.
Gostava da prática de esportes, foi um campeão de Volley-Ball e também se divertia com jogos de pião, bola de gude, tampinhas de garrafas e brincava de peteca e soltar pipa. Inteligente e irrequieto fazia coisas para agitar as crianças, levando-as a acompanharem os palhaços que desfilavam nas ruas da cidade para ganhar uma entrada no circo. Também o mesmo processo usava para conseguir ingressos para assistir filme, a exemplo, do Gordo e o Magro. Nessa época, Afonso Mouta premiava os meninos de bons comportamentos no cinema e ele foi agraciado com um “permanente”. Foi também um bom atirador de pedras nos portões dos muros das casas, juntamente com outros colegas, somente para ver as valentias reações dos seus donos. Certa vez em ato de conquista, pegou a boneca de Socorro, sua irmã, expondo ao alvo de uma baladeira, no acerto de suas pontarias, deixando a coitada toda quebrada ou furada. Gostava muito de aperrear Socorro, irmã mais nova, para vê-la irritada. Também mexia com os animais. Possuía um jumentinho de estimação e gostando de fazê-lo irritado, foi traído por ele com fortes mordidas na coxa, deixando-o adoentado. Eram assim, as crianças e os jovens de antigamente, inteligentes, curiosos, criadoras de seus próprios brinquedos ou divertimentos. Viviam a pureza da sua fase, temiam os pais e os respeitavam. Muito diferente de hoje, pois as crianças não têm tempo para criar ou conquistar o seu espaço de inocência sendo vítimas de ocupações que prejudicam e destroem a sua pureza. O jovem transforma a melhor fase da vida com o uso de drogas e prostituição.
Bibia aprendeu as lições e o comportamento de fé com seus pais, católicos praticantes. Ajudava aos padres e como Coroinha sentiu o desejo de ser um frade, falou para os pais que ficaram radiantes de felicidade e prepararam o seu enxoval, mandando-o para o Seminário de Triunfo no Pernambuco, permanecendo por um ano, voltando a Pombal, ao gozar férias. Descobriu que não tinha vocação para engajar no convento, foi apenas um entusiasmo passageiro. Continuando os seus estudos, aqui em Pombal, sempre demonstrou boa personalidade cristã. Submeteu ao exame de seleção ao ginásio, conseguindo vitória ingressou no Ginásio Diocesano de Pombal, do qual foi também um dos fundadores, em 1954. Depois se transferiu para a Escola Agrícola de Bananeiras, permanecendo por um semestre, quando retornou a Pombal, ingressou novamente no Diocesano, concluindo finalmente o Curso Ginasial, em 1958.
Jovem que já despertava sua fase amorosa sempre apresentava motivo de não querer sair de Pombal. Vivia a sonhar, com um desejo forte de amar. Sentia a necessidade de ser útil e corresponder as suas paixões. Rapaz educado, atraente e de bom comportamento, foi alvo de muitas paixões. Só praticava atos úteis e de muito caráter. Otimista trabalhou como Bombeiro na Bomba de Gasolina do amigo Lavoisier Paixão. Soube lutar com segurança para se tornar independente. Ajudou ao pai no comércio de cereais. Foi comerciário lojista de tecidos. Trabalhou neste ramo com seu primo e cunhado Nelito, também com José Gomes Souto, José Gomes Sobrinho e Maurício Bandeira. Valendo ressaltar que em todas estas funções que assumiu, ele soube conquistar a amizade dos patrões. O trabalho para ele era uma conquista, um exemplo de coragem para encontrar condições de vencer seu ideal: Construir um lar.
Ao completar dezoito anos seguiu para João Pessoa para servir ao Exército, sendo incorporado no dia 20/06/54, e Licenciado em 28/04/60. Tempo de Serviço: Zero ano, dez meses e nove dias. Disse ele, que, “foi o maior período de formação para a vida”, expressando-se assim: “Ao incorporar-me nas Fileiras do Glorioso Exército Brasileiro, senti a diferença do mundo em que vivia, com o rigor da ordem e disciplina, sentiu a mudança de vida e do seu comportamento pela obediência praticada dentro do Quartel e fora dele”. Enfatizou ainda, que, lá aprendeu a conhecer e defender a Pátria, os seus valores a ponto de morrer por ela. Teve conhecimento das diversas armas para o trabalho de defesa. Inscreveu-se no curso de Cabo, passou, mas não havendo vaga, teria que esperar uma oportunidade. Não engajou no Exército talvez por este motivo.
Adquirindo experiência e maturidade para o Matrimônio, depois de ter passado por um Compromisso sério, Noivado por dois anos, contraiu núpcias com a premiada do seu coração, “EU”, ambos da mesma idade, 22 anos, sendo realizada a cerimônia na minha residência, assistida por Cônego Luis Gualberto, em 28/05/62, pois o meu pai se encontrava recém-operado. Construímos um lar singelo cheio de felicidade, cultuando o lindo amor. Fomos premiados com cinco filhos, assim: Francisco Fernandes da Silva Júnior, Francimar de Lacerda Fernandes, Antônio Soares da Silva Neto, Rômulo de Lacerda Fernandes e Cândida Florência de Lacerda Fernandes.
Bibia concluiu o Curso Técnico em Contabilidade influenciado por mim. Nessa época, ele se encontrava desempregado quando procurei falar com o prefeito Dr. Avelino para colocá-lo na prefeitura e logo começou a trabalhar como escriturário, depois se promovendo para outros cargos. Honrou a sua terra como funcionário condigno, fazendo tudo por todos, sem distinção de raças, posição social, religiosa, cultural e política, erguendo a sua Bandeira de pombalense amigo de todos. Sempre foi um homem social, curtindo a sua índole extrovertida, freqüentando festas e movimentos de lazer. Sempre foi coerente e honesto em todas as situações de vida. Após o nascimento de Rômulo, ele e eu, submetemos ao Vestibular, conseguindo aprovação, ele em Geografia e eu em Letras, concluímos na Universidade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, em 1980.
Na Prefeitura foi admitido por Portaria, N° 24/04/1967, após fazer uma seleção entre os funcionários. Assumiu a função de Escriturário, galgando ascensão funcional, Auxiliar de Contabilidade, mais tarde Chefe de Contabilidade e Chefe de Setor de Finanças e Diretor do Departamento de Finanças e finalmente, Secretário de Finanças. Fez um trabalho bonito e honesto, nunca recebendo reclamação de nenhum prefeito adversário ou correligionário. Declarou ele, que “nos últimos anos, sofreu decepções, descriminação funcional, até mesmo perseguições políticas por parte de alguns prefeitos”. Enfatizou ainda, que, ”minha vida é um livro aberto para fazerem pesquisas sobre qualquer assunto”. Ingressou também na Maçonaria, em 26 /05/1974. Grande Inspetor Geral. Grau 33. Assumiu todos os cargos na Loja Simbólica. “Deus, Caridade e Justiça” N° 1733. Maçon muito admirado e respeitado.
Bibia é possuidor de um Currículo admirável, de uma experiência profissional destacável e invejável. Estudar e fazer cursos foram sempre uma constante em sua vida. Citamos os mais importantes Cursos e Aperfeiçoamentos, sobretudo, na sua Área Profissional. Curso de Licenciatura Plena em Geografia pela Faculdade de Ciências e Letras de Cajazeiras, em 1980. Curso por correspondência, de Prestação de Contas dos Fundos Federais, pelo IBAM, em 30/12/72. Curso de Capacitação para Execução do Recadastramento de Imóveis como encarregado de Unidade Municipal de Cadastramento - UMC- 10/05/1972. Curso de Departamento De Pessoal – Prático de Contabilidade, LTDA, em 1983. Curso de Desenvolvimento Integral e Extensão Cultural, pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, São Paulo, em 1976. Curso por correspondência de Legislação Trabalhista e Previdenciária, pela Escola Nacional de Serviços Urbanos – ENSUR, em 1984. Curso de Contabilidade Municipal, também pelo ENSUR, em 1979. Curso de Rotinas Trabalhistas pelo NAI- Núcleo de Assistência Industrial da Paraíba, em 1975. Participou do Primeiro Seminário sobre Problemas Municipais, realizado pelo Instituto Brasileiro de Direito Municipal- Secção Paraíba, de 04 a 06 de dezembro de 1974, em João Pessoa. Participou do Segundo Seminário sobre Problemas Municipais, realizado na cidade de Cajazeiras de 20 a 30 de janeiro de 1976, pelo Instituto Brasileiro de Direito Municipal- Secção Paraíba. Foi contemplado com o Diploma de Honra ao Mérito - Destaque de Atividade de Melhor Secretário de Finanças da Prefeitura Municipal de Pombal, em 23 de novembro de 1984, pelo P.O.P. P - PB. Vale ressaltar que todos estes cursos foram consagrados com seus referidos Diplomas ou Certificados.
Bibia foi professor de alunos de segundo grau, no colégio Josué Bezerra, responsável pelas Disciplinas: Contabilidade e Custos e também Mecanografia e Organização Técnica e Comercial, deixando o contributo de sua idoneidade, na Gestão de Padre Solon e da Professora, Ivonildes Bandeira, ambos de saudosas memórias. Foi também Diretor de Expediente do colégio Mons. Vicente de Freitas, hoje, Polivalente, por dois anos. Com todas as energias e muita garra para continuar ainda o trabalho em prol da sua amada terra, afastou-se da Prefeitura por força de circunstância desagradável, requereu aposentadoria, contrariado por seu salário irrisório. A Prefeita Azenete, deferiu o seu pedido através da Portaria N° 054/96, datada de 28 de julho de 1996.
Parabéns, meu companheiro e velho amigo, pelo seu aniversário natalício, e, por esta bela história, que talvez poucos tenham contemplado. Muitas felicidades, e muitos anos de vida para vivermos unidos até que Deus nos chame para o Seu Reino Celestial! Ardentes beijos dos que tem por você, um grande AMOR: Cessa, filhos, noras e netos .. Maria do Bom Sucesso de L. Fernandes. Poetisa e escritora Pombalense.
A Bibia os nossos votos de Parabéns e de um feliz aniversário.
*RADIALISTA.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE POMBAL VAI TOMBAR LITERALMENTE

MURO DA IGREJA – ESCLARECIMENTO...
Pombalenses, bom dia
Em relação à Polêmica construção feita nos limites da tri secular Igreja do Rosário, recebi da família proprietária do imóvel construído a informação que o terreno de fato pertence a família e que esta documentação foi apresentada aos representantes da Igreja e da irmandade dos Negros do Rosário.Da minha parte, que já peguei a polêmica nas ruas, fico na obrigação de fazer esse esclarecimento.
segue abaixo e- mail que recebi.
Jerdivan, A irmandade do Rosário juntamente com o padre já esteve com minha mãe algumas vezes, e diante da comprovação os documentos de escritura da casa onde comprova a posse do terreno ao lado não teve como argumentar qualquer ilegalidade da construção. Diga a Luizinho que ele pode e verificar a documentação com a minha mãe. Quanto ao muro ele existe desde que eu era criança, agora desde que eu existo sempre soube que aquele nos pertence.
Matriz - (uma torre comprometida)
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
A "força da grana que ergue e destrói coisas belas" não tem piedade da nossa terrinha. Ora, não me revolta quando a natureza aterra ou muda o curso de um rio; uma árvore que cai entregando-se à força do vento também é parte da natureza. Respeito e aceito as mudanças do meio, tanto forçada pela natureza quanto da intervenção do homem na busca da qualidade de vida para a comunidade. Do universo, e somos parte dele, a única certeza são as mudanças. O que me revolta é o desrespeito e o descaso principalmente dos que são pagos para zelar, preservar e garantir o legado dos nossos antepassados às gerações futuras e assistem calados na base do não vi; não é comigo; não sei do que se trata, como vem fazendo os técnicos do IPHAEP com nossa terrinha.
Pombal padece do descaso, da falta de visão futura e da vontade dos seus filhos, principalmente dos que podem e são pagos para cuidar da cidade.
Como é belo o centro da nossa cidade: a Matriz com suas torres imponentes, as duas praças: a circular e a alongada, a Igreja do Rosário e Coreto do Centenário, cujo passeio da Praça, onde o pombalense costuma caminhar ao final da tarde foi interrompido com a construção de bares, em mais um flagrante desrespeito ao direito da maioria em favor de uma minoria.
A Rua é larga que daria tranquilo para três faixas de carros, no entanto a intenção dos idealizadores era a defesa e não a fruição do transito. Quanto mais larga a rua mais visão teriam para se defender dos grupos de bandoleiros que saqueavam as cidades sertanejas, acreditavam eles. Foi desta forma que os nossos avós legaram esta beleza de centro de cidade, que não se compara a nenhuma outra cidade paraibana.
Antes ainda tínhamos os três sobrados que já viram pó. Houve um tempo, e não vai muito longe que cada casa do centro de Pombal tinha uma história para contar. Na Rua do Comercio, por exemplo, duas casas, uma ao lado da outra, ostentavam em seus frontispícios um Menorá estilizado, denunciando a coragem de uma família judaica, os Cardoso D´Airão, que insistiam em praticar a sua crenças, mesmo em meio à perseguição religiosa. Destas duas residencias, uma ainda continua por lá, mas não se sabe até quando.
As ameaças ao centro histórico de Pombal são lentas, porém incessante e sem tréguas. A Igreja do Rosário não custará a se transformar em uma foto amarela em alguma parede de museu. Aos poucos, a insensatez avança sob o patrimônio da terrinha. A mais recente ameaça foi a construção de uma varanda dentro do terreno da Igreja do Rosário. Antes um padre inconsequente inventou de abrir um buraco para botar uma lanchonete.
O terreno da Igreja foi doado à paróquia muito antes de 1721 e é marco histórico do Primeiro núcleo colonial sertanejo. A Igreja do Rosário foi construída sob os alicerces de uma capelinha de barro e palha construída pelos primeiros habitantes em 1701, como Matriz de N. Senhora do Bom Sucesso.
Porém, pasmem, um cidadão acaba de reivindicar a posse do terreno onde se localiza a nossa Igreja e, isto nas barbas do Ministério Publico e do velho e inoperante Iphaep, construindo uma varanda que avança mais de um metro nas terras da irmandade do Rosário. Devo lembrar que a Igreja do Rosário já conta com 288 anos de construída.
Não menos grave é o que está prestes a acontecer com a Igreja Matriz, construída em 1897: Uma das suas duas imponentes torres está preste a ruir. O povo de Pombal mira suas câmeras para as torres condenadas, na esperança de ser o "felizardo" que vai gravar a bela queda da torre esquerda da nossa matriz, afinal, é o que se pode fazer já que ninguém tem nada com isso.
A prefeitura interditou a rua a espera da queda; a paróquia mudou o local das missas; o IPHAEP lentamente elabora um laudo pericial para poder autorizar a reforma; o Ministério Público não tem tempo de levantar os olhos aos altos e, enquanto isso, o povo de Pombal corre dois riscos, o mais grave: contar os mortos com a queda da torre ou, o de amanhecer um dia com a sua igreja “caolha" ou” unicorne", o que dará uma imagem de descaso e abandono do patrimônio da nossa cidade
'"E eu que não creio peço a Deus por minha gente é gente humilde que vontade de chorar"
*Escritor pombalense.
Comentário de José Tavares sobre o Texto – Patrimônio Histórico de Pombal Vai Tombar Literalmente...
O texto seria belo se a realidade não fosse tão trágica. De qualquer modo ficou registrado o seu protesto e sua indignação, que também as faço minhas. Tudo se resolveria com boa vontade. Se o problema é falta de recursos financeiros, já que o Poder publico não está nem aí, bastava um pouco de esforço para paróquia de Pombal liderar uma campanha de arrecadação de fundo, não tenho duvidas que a população de Pombal iria contribuir, mas infelizmente somos um rebanho sem pastor. Nessa hora podemos sentir o quanto Padre Solom, Cônego Oriel, Monsenhor Vicente e Monsenhor Valeriano fazem falta. Deus tenha piedade de nós!