CLEMILDO BRUNET DE SÁ

PASSAGEM: PÁSCOA, VIDA!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Alguns de vocês já pararam pra pensar que a nossa vida aqui é uma passagem. O que era ontem já não é mais, o que é hoje jamais voltará e amanhã já não será como hoje. Muitos de nossos parentes, amigos e conhecidos já se foram, entretanto, estiveram nessa passagem chamada vida. O tempo é inexorável! “Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos” Sl. 90:10b

A semana passada resguardamos a Páscoa que tem nos hebreus o significado de passagem. Surgiu da palavra hebraica “pessach” início da libertação dos hebreus do jugo de Faraó no Egito, pontuado pela a travessia do Mar Vermelho, que se abriu para “Passagem” dos filhos de Israel conduzidos por Moisés para a terra prometida.

Quem ler dos capítulos 12 até o 14 de êxodo se dar conta de como foi realizada a “Páscoa” dos judeus. Deus ordenara que na noite da libertação cada família tomasse um cordeiro sem defeito, que seria imolado ao cair da tarde da véspera da libertação. Naquela noite o anjo da morte destruiria os primogênitos das casas que não tivessem o sinal do sangue do cordeiro nas ombreiras e vergas das portas. A praga não atingiria os primogênitos de Israel, visto que estavam protegidos pela marca do sangue em suas casas.

As famílias dos hebreus comeriam a carne do animal com ervas amargas e pão sem fermento. “Desta maneira o comereis: Lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a páscoa do Senhor” Êxodo 12: 11. Todos deveriam estar de pé esperando a ordem de marcha. A Páscoa dos judeus em sua simbologia passou a ser a da passagem, êxodo, e libertação da escravatura.

Jesus Cristo era judeu, também comemorou a Páscoa na mesma época em que o povo de sua raça celebrava o evento. Seus discípulos o interpelaram sobre onde deveriam fazer os preparativos para celebrar a Páscoa, ele então enviou dois deles a cidade, ao encontro de um homem que conduzia um cântaro de água determinando que o seguisse até sua casa e fizesse a pergunta: “onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?”. Mc.14:14. Havendo o homem da casa mostrado o lugar, os discípulos fizeram como o mestre ordenara e prepararam a páscoa segundo o rito judaico.

Foi da vontade do Mestre cumprir toda justiça e honrar a lei cerimonial que ainda durava, e deste modo comer a Páscoa com os seus discípulos. Em seu ministério terreno, Jesus já havia lhes falado como haveria de morrer, embora eles não entendessem o real significado do que deveria acontecer. Depois da confissão de Pedro: “Tu és o Cristo o filho do Deus vivo”, Jesus advertiu os discípulos que a ninguém dissessem ser ele o Cristo, mostrando-lhes a necessidade de seu sofrimento, morte e ressurreição.

Ao celebrar a Páscoa, o vinho misturado com água estava em uso nessa ocasião, por ser considerado o melhor meio de beber o bom vinho. Terminada a festa pascoal, Jesus tomou o pão e o abençoou, dando graças e o deu a seus discípulos, dizendo: “Este é o meu corpo que será entregue por amor de vós: Fazei isto em memória de mim”. E tomando igualmente o cálice, depois de haver ceado, disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue que será derramado por vós” Lc 22:19,20.

Esta é a nova páscoa instituída por Jesus para perpetuar sua lembrança. Ele é o cordeiro de Deus que tira o pecado mundo. Páscoa com o significado de passagem da morte para vida, garantia da nossa ressurreição e vida eterna. “Porque isto é o meu sangue, o sangue, da {nova} aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” Mt. 26:28.

Jesus sabia que sua vida neste mundo era uma passagem, razão pela qual disse a Pilatos que o seu reino não era daqui. “O meu reino não é deste mundo” Jo 18:36. Somos admoestados por ele que nossa passagem no planeta terra não é fácil. Como peregrinos, os perigos são iminentes e nos rodeiam. Crimes, mortes, tristezas, prantos, sofrimentos, contrariedades, adversidades, doenças, fadigas, fome, tudo isso e muito mais.

As crises existenciais são tão grandes que já não podemos suportá-las. Ódios, mágoas, ciúmes, constrangimentos, despeitos, arrogâncias, invejas, intrigas etc. marcas do cotidiano que nos sobrevém como fruto da nossa desobediência. Têm-se tão pouco tempo nessa passagem, por que então viver digladiando o nosso próximo?

Pombal, 28/04/2011
*RADIALISTA.
Contato: brunetco@hotmail.com
Twitter.com/clemildobrunet
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TIÊ



Onaldo Queiroga
ONALDO QUEIROGA*

O tempo voa, galopa veloz e impiedosamente não nos concede o direito de reviver o instante que se foi. Olhamos para trás e tantas coisas já ficaram pelo caminho, momentos difíceis e outros felizes. Pessoas que hoje se encontram distantes, mas que outrora foram importantes no nosso cotidiano. Assim é a vida, hoje aqui, amanhã alhures. Amigos de ontem e amigos de hoje.

Focado nesse contexto, sentado na areia da praia, olhando o mar, o meu pensamento viajou no tempo. Veio, então, a lembrança, que ontem, Tiê, a senhora me colocou nos seus braços. Andou comigo pelas calçadas da minha terra Sertão. Apresentou-me como o sobrinho amado. Nas horas das refeições, muitas vezes a senhora organizou o meu alimento. E quantas noites a senhora não armou a rede e, no balanço dela, me colocou para dormir, cantando uma cantiga de niná: ?Xô, Xô Pavão. Sai de cima do telhado, pra ver se esse menino dorme cedo e sossegado?.

Recordações, elas foram assim emergindo e, nesta viagem pelo tempo passado, também veio-me a lembrança de que quando eu era criança a senhora costumava me levar para as vaquejadas, época em que eu já andava com um chapéu branco de couro. Lembro-me que foi através da senhora que vi pela primeira vez a apresentação de um Bumba Meu Boi e de uma Ciranda, evento que ocorreu na lateral da Igreja do Rosário, na cidade Pombal. Acompanhada de suas amigas Firmina Neta e Gláucia, sempre que ia à praia, também me levava. Recordei-me ainda que, no seu casamento, fui eu quem entrou na Igreja levando as alianças.

Nas asas do pensamento, recordei-me do seu modo de ser. Mulher inquieta, desprendida das coisas materiais, focada em ajudar a todos, sem se preocupar com o retorno que poderia auferir. Obstinada, nunca havia algo impossível, pois sempre tinha uma saída para os problemas, e o impressionante é que, um a um, eles eram resolvidos.

E ali eu estava, ainda olhando o mar, que se encontrava calmo, sereno e a conversar comigo. De repente um carrinho de som, daqueles de vender CDs piratas, passou, e uma música tocou a minha alma. O som era da sanfona de Flávio José, a música ?Caboclo Sonhador?. Naquele instante, veio-me a mente que aquela canção era uma de suas preferidas. Aliás, a senhora sempre me ensinou que na vida devemos ser um caboclo sonhador, e que não queiram mudar o nosso verso, que devemos ser devotos do Padim Ciço Romão, Tiete do Rei do Baião e que deixem o nosso verso ecoar na avenida.
D. Raimunda, Tiê e Onaldinho
Tiê, era assim que, carinhosamente a chamava quando criança e, ainda, hoje continuo a chamá-la. O silêncio e o olhar distante da realidade jamais terão o poder de apagar o seu exemplo de vida. A senhora nos ensina que não basta sofrer, pois é preciso, acima de tudo, converter a dor em veredas de luz. Por isso, agradeço a Deus a sua existência, guia de todos os meus tempos.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital.

CÂMARA DE VEREADORES DE POMBAL - 239 ANOS DE HISTÓRIA.

Jerdivan N. Araújo
Jerdivan Nobrega de Araújo*

A Câmara dos vereadores de Pombal completa no dia 04 de maio, 239 anos. Mas, como se fomos elevados a condição de cidade há apenas 149 anos, ou seja: em 1862

Para explicar vamos dividir a sua cronologia em duas partes:

A primeira parte começa em 03 de março de 1772 quando o ouvidor da Parahyba. José Januário de Carvalho encaminhou — em nome dos habitantes da povoação do Piancó — representação ao governador de Pernambuco Manuel da Cunha de Meneses, propondo a instalação de uma vila nos sertão da Parahyba. Não demorou o sim do governador, de forma que, seis anos depois da Carta Régia que autorizava a criação de novas Vilas na jurisdição de Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte — isto é, em 1772, ou, mais propriamente, em 4 de maio de 1772 — , viu-se ereta a Vila Nova de Pombal ou, simplesmente, Vila de Pombal.

Ao se transformar em Vila, Pombal passou a gozar de completa autonomia municipal, assim, de imediato, fizeram-se eleições livres para o preenchimento dos cargos oficias da Câmara e elegeu-se presidente e Judiciário da Câmara o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara( pai do Sábio Manuel de Arruda Câmara). Na época a Câmara era denominada de “Senado da Câmara” cujos vereadores eram eleitos através do escrutínio direto e secreto.

Pombal foi também a última cidade a adquirir a sua autonomia ainda na condição de Vila, porque depois de então as novas leis do Império do Brasil, somente permitiam a autonomia quando estas passavam a condição de cidades.

A segunda parte desta história começa quando o deputado Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque apresenta o projeto de lei que eleva Pombal ao status de Cidade à Assembleia Legislativa. A primeira leitura do projeto se deu na sessão do dia 20 de junho de 1862. No dia seguinte, após a leitura, recebeu o n.º 11. Em 14 de julho foi aprovado em primeira discussão, sendo enviado à Comissão de Redação. Na sessão do dia 19 de julho o Dr.Tertuliano Thomás fê-lo voltar à mesa com a redação final que foi aprovada, subindo à sanção presidencial, o que se deu a 21 de julho de 1862, quando foi convertido em lei.

Na época em que Pombal passou a ser cidade, a Câmara estava assim constituída:

Presidente — Major Bento José da Costa

Francisco Adelino Pereira

Pedro Alves de Farias

João Alves Feitosa

Belarmino Aurélio Arnaud Formiga

Raimundo Pereira de Almeida

João Antunes do Rosário.

Portanto ao ascender ao status de cidade, Pombal, não mais teve a necessidade de adquirir sua autonomia municipal, por que, como explicado, tal autonomia já lhe havia sido assegurada em 04 de maio de 1772.

Portanto, a Câmara Municipal de Pombal completa, em 2011, 239 anos desde a sua primeira legislatura, enquanto que a cidade comemora seus 139 anos.

Joao Pessoa, 25 de abril de 2011
*Escritor Pombalense

CURIOSIDADE

*1696 - Foi , quando se efetuaram, oficialmente, as primeiras expedições em busca do sertão Paraibano, sob a direção de Teodósio de Oliveira Lêdo, que descendo a Borborema, chega ao lugar onde vai ser fundada a cidade de Pombal.

* 22 de julho de 1766 = carta régia de dom José I autorizando a ereção de Vilas em Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte etc.

* 4 de maio de 1772 = a povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, na Ribeira do Piranhas, é erigida em Vila Nova de Pombal ou, simplesmente, Vila de Pombal, já com autonomia municipal e uma Câmara com representantes eleitos através do voto.

* 21 de julho de 1862 = elevação da Vila de Pombal à condição de

Lei n° 63/21 de julho de 1862

“Francisco de Araújo Lima, Presidente da Província da Parahiba do Norte: Faço saber a todos os seus habitantes, que a Assembléia Provincial resolveu e eu sancionei a Lei seguinte:

Art. 1º) — A Villa de Pombal fica elevada à cathegoria de Cidade.

Art. 2º) — A nova Cidade terá a mesma denominação.

Art. 3º) — Revogão-se as disposições em contrário, Mando portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da presente lei pertencer que a cumprão e fação cumprir e guardão tão inteiramente como nella se contem. O secretario desta Província a faça imprimir publicar e correr. Palácio do Govêrno da Província da Parahíba do Norte, em 21 de Julho de 1862, 41 da Independência e do Império. Francisco de Araújo Lima”.

ZÉ BERTO, O INSTRUTOR

Leozinho Formiga (Foto)
Por Leózinho Formiga*

Em Pombal havia também o hábito de amigos ajudarem a outros amigos
repassando conhecimentos e habilidades de uns para os outros.

Zé Berto, até onde lembro, era um médio fazendeiro da região que tinha um
jipe para sua lida, do ir ao campo e voltar à metrópole (Pombal) para a
negociação de produtos, e que era um excelente motorista.
O jipe, à época, era o meio de transporte mais adequado em Pombal e
arredores, haja vista a precariedade das estradas que davam acesso aos
distritos (São Bento, São Domingos, Várzea Comprida, dentre outros poucos) e
às fazendas no seu entorno.

Certa feita um Marchante local decidido a tornar sua vida mais ágil, na lida da
compra de gado e revenda de carne para os açougueiros, percebeu que se
dispusesse de um automóvel, no caso um jipe, tornaria mais ágil, produtivo e
rentável o seu negócio.

Dito e feito: comprou o jipe!
Comprou o jipe, mas não sabia guiá-lo. Apelou então para o conhecimento de
Zé Berto, pois além de bom motorista era um cara de comportamento paciente
para ensinar coisas que eram do seu lidar.
Contatado, Zé Berto prontamente se prontificou para as aulas práticas.
Local das aulas: o Campo de Aviação de Pombal.

Para quem não sabe, Pombal tinha sim um campo de aviação. A minha
lembrança é de que só era usado com certa freqüência, ou com pouquíssima
freqüência, por duas aeronaves: a da Brasil Oiticica e a de Antônio Pão Doce
(pronuncia-se Antoim Pão Doce), avô do meu compadre Antônio Neto de Maria
Dalva.
Uma história dentro da outra. O prenome de registro de Maria Dalva é Maria
Adélia! Da mesma forma que Elano (irmão de seu Minzim) é Genésio, e nosso
amigo Remilson tem por nome de batismo e registro Pantaleão.

Voltando à história.

Marcaram então a primeira aula para uma tarde de domingo tórrido do nosso
período de estiagem. Um calor de lascar!!!
Para se chegar ao campo de aviação a partir de Pombal, ia-se pela Rua do
Açougue em direção ao bairro dos Pereiros, atravessava a linha do trem,
passava na frente do cabaré de Love, sempre em frente, chegando na estrada
ainda de barro (hoje BR 230), seguia em direção a Patos e, uns 6 ou 10 km
depois, havia uma entrada pela esquerda, mais uns 800 a 1.000 m, para afinal
se chegar ao Campo de Aviação.

Tratava-se uma imponente pista de terra batida, com uns 500 m de extensão e,
em uma de suas extremidades, havia uma bruta pirambeira, com as clássicas
plantas de nosso semiárido: pés de Pereiros e de cortantes Juremas, e um
vigoroso pedregal para sustentação da pista. A aeronave tinha, é claro, que
estar no ar antes de lá chegar sob pena de por ela se esborrachar. O único
instrumento para ajuda dos hábeis pilotos era uma “biruta” para orientar sobre
a direção do vento.

Pois bem, lá chegando, Zé Berto que vinha guiando o jipe estacionou e
trocando de lugar com o Marchante, mandou ligar a máquina e começou a falar
sobre o papel do volante, da embreagem, e das marchas (o jipe só tinha três: a
primeira que era do arranque, para vencer a inércia e iniciar o movimento; a
segunda que era para imprimir mais velocidade; e, finalmente, a terceira, que
era a marcha que imprimia a velocidade de cruzeiro).

Problema 1:
Zé Berto havia marcado um outro compromisso, com horário muito próximo,
logo após o da instrução que já havia sido marcada com o amigo.

Problema 2:
Zé Berto explicou, apesar de sua paciência, muito rapidamente aqueles
procedimentos iniciais, temendo chegar atrasado ao 2º. Compromisso.

Problema 3:
A explicação acerca dos procedimentos iniciais (volante, embreagem, e a
passagem de marchas) foi repassada com o jipe já em movimento.

Problema 4:
A explicação foi repassada com o jipe em movimento e Zé Berto observando,
de lado, o Marchante e a passagem (rápida) das marchas. Assim, o incauto
Marchante aprendiz de motorista, empolgado foi logo acelerando muito em
todas as passagens de marcha, e o veículo logo atingiu uma rápida velocidade
(60 km/h), para espanto e surpresa de Zé Berto, pois ao olhar para frente viu
chegar rapidamente a perigosa pirambeira, tão temida pelos pilotos de
aeronaves.

Resultado:
Ato reflexo, acima de tudo vem o instinto de preservação do ser humano, e a
atitude de Zé Berto foi o de rapidamente abrir a porta do jipe, e pular para o
quente e pedregoso chão da pista, se arranhando um bocado nesta atitude.
Era Zé Berto rolando pelo quente chão de pedras, se ferindo, gritando de dor, e
ouvindo de dentro do jipe, que continuava compulsivamente acelerado pelo “pé
de chumbo” do Marchante, um forte e desesperado grito do ousado aprendiz
de motorista:
“Zé Berto, covarde, diga pelo menos onde é o freio!!!!!!!!!!”.
Mas não houve jeito, o jipe e seu motorista e o seu clamor velozmente
desceram e foram se estragando, se amassando pelas pedras, e se cortando
pelo juremal, pirambeira abaixo.
A sorte é que, além de muitos e muitos arranhões e pancadas, muito menos
para Zé Berto, e muito mais para o Marchante, ambos sobreviveram, apesar
dos machucados. Já o jipe, ficou todo esculhambado e deu muito trabalho para
recuperá-lo na oficina de Néri e Seu Genival.

Passado o ocorrido, o único inteiro que ficou deste acidente foi a amizade entre
Zé Berto e o, agora experiente Marchante-Motorista, que continuou apesar de
tantos machucados.
E esta história por muito tempo foi contada em Pombal, ao som de muitas
gargalhadas em todas as conversas noturnas de calçada.

Tempos de hoje
Semana passada, num barzinho, lembrei e contei para amigos que lá estavam
e – acreditem – foram muitos minutos de gargalhada, e o pessoal a dizer que o
estoque de “mentiras” (!?!?!?!) de Pombal nunca acaba
 
*Pombalense, engenheiro elétrico, filho de Leó fotógrafo.

SEVERINO COELHO VIANA, NOSSOS PARABÉNS!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

“Severino Coelho Viana representa a essência do sertanejo sonhador. Um humanista vocacionado na arte de escrever”. (Fred Coutinho)

No dia 04 deste mês de abril o site http://congressoemfoco.uol.com.br publicou uma reportagem sobre “Neocoronelismo Urbano” uma situação que atrasa o desenvolvimento do Nordeste em face do predomínio de pessoas da mesma família na política, a quem chamaram de Coronéis do Século XXI.

Pois bem: O artigo de Severino Coelho Viana, intitulado “Neocoronelismo” tendo servido de base a reportagem, deu-lhe a chance para uma entrevista. (Tópicos da reportagem):

“O coronel de hoje é um ‘galã de cinema’, que frequenta hotéis cinco estrelas, mas que no meio do povo age completamente diferente. Ele tem dupla personalidade. Uma coisa é quando ele se apresenta ao Congresso fazendo discurso, muitas vezes escrito por assessoria, como defensor da liberdade de imprensa e de expressão. Mas isso é da boca para fora, liberdade só interessa a ele enquanto não atinge o seu reduto político”, diz Severino Coelho, autor do livro A Vida do Cel. Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes, entre outros.

Na avaliação de Severino, o coronelismo mudou de roupa, trocou o meio rural pelo urbano e ganhou novo palanque com os veículos de comunicação, principalmente, as emissoras de rádio e TV, quase sempre vinculadas a políticos. Mas, para o promotor de Justiça, o velho mandonismo persiste. “Modificou o estilo, mas continua a existir. Não vemos mais o chicote, a carabina e o mandão direto. Mas ele atua de forma camuflada, com a compra de voto, com a oferta de emprego e remédio. Apenas o coronel de 1930 não é o mesmo do início do século 21.”

O coronelismo, lembra Severino, era baseado no tripé terra, família e agregados. Desses três componentes, a família é o que se manteve mais fiel às origens. “A terra já não tem mais aquele poder econômico que tinha nos anos 30. Hoje eles têm outra forma de conquistar, nas fábricas, nas empresas, nas rádios. Os agregados, que viviam em suas terras, hoje são os ajudantes, gente que serve para tudo. A família persiste, acima de tudo, para defender seus próprios interesses”, afirma. “É o carreirismo político, comparável com o coronelismo. Só era eleito aquele que era de sua família ou tivesse parentesco muito próximo”, acrescenta.

Severino Coelho Viana é uma dessas pessoas que tendo se dedicado à brilhante e crescente carreira na arte literária, analisa os fatos do passado a luz do presente. Ao se tornar conhecedor das letras nasceu dentro dele o dom de poeta, escritor, contista e romancista.

São de sua autoria os seguintes compêndios: Controvérsias Sociais, O Ser e o Tempo, A Vida do Cel. Arruda Cangaceirismo e Coluna Prestes, Castelo de Areia, Amor de Cangaceiro, Ambição sem limite e Poder da Cidadania. Este último tem até o alfabeto próprio da cidadania que começa com a letra A – Amor verdadeiro ao próximo e termina em Z – Zelo com a coisa pública.
Severino, Eu e João Costa
Foi cronista social e político do “LORD AMPLIFICADOR” nos anos 70 e hoje tem abrilhantado o nosso blog com seus textos, pois é um dos colunistas mais lidos do Portal Clemildo, Comunicação & Rádio!

Começou seus estudos no Grupo Escolar José Avelino no bairro dos Pereiros, fez o ginásio e científico na Escola Estadual “Arruda Câmara de Pombal”. Em seguida foi morar na casa do estudante em João Pessoa onde se formou em direito pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB.

Filho de Severino José Joaquim e Severina Coelho Viana, uma família constituída de 11 irmãos: Eudócia (saudosa memória), Eulália (Pereca), Geraldo (Chieta), Josefa (Nachite), Mª Alice, Mª Coelho Viana (Maú), Iris (Nenéa), João Coelho, José Coelho (Dudé) e Francisco de Assis (Forragaita).

A sua infância e boa parte da juventude foram em Pombal, banhando-se nas límpidas águas do rio Piancó. Seu interesse pelo futebol o fez fino torcedor do Fluminense. Severino foi aguerrido lutador nas batalhas estudantis chegando a conquistar a presidência do grêmio livre do Colégio Josué Bezerra, onde desempenhou o seu papel de líder nato.

Organizou com outros estudantes de seu tempo, O Jovem Clube de Pombal, formado por uma ala dissidente de jovens que eram sócios do Pombal Ideal Clube. Estavam à busca de um lugar apropriado para a juventude de seu tempo, pois se sentiam alijados pela diretoria do próprio sodalício. Severino e os que faziam coro com ele conseguiu ter seu próprio espaço, num tempo em que surgia no Brasil às famosas discotecas nos diversos clubes de danças.

Nascido em 21 de abril de 1956 em Pombal, sendo o mais novo dos homens. Pertencente a uma família de recursos modestos, descobriu no trabalho uma forma de adquirir dinheiro para auxiliar nos estudos. Primeiro foi fabricante de fogos de artifícios com seu Inácio em seguida balconista de uma mercearia. Depois passou a auxiliar de escritório na Coletoria Federal de sua cidade. Foi caixa executivo no Banco do Estado da Paraíba – PARAIBAN fez carreira chegando a função de Gerente.

Com o fechamento do PARAIBAN, Severino assumiu assessoria parlamentar do deputado Levi Olimpio na Assembleia Legislativa da Paraíba. Morrendo este em 1995, Severino Coelho Viana, fez concurso público para Promotor de Justiça sendo um dos primeiros classificados.

Não é sem razão que o próprio Severino descreve tão bem o seu modo de ser quando assim se expressa: “A criação literária deduz o grau de percepção e dimensão do raciocínio de quem narra um fato, descreve um quadro e disserta um tema, sabendo-se que é tarefa árdua, e muito mais difícil, a luz da melhor razão, reside no fato de externar o que sente e agradar o sentimento dos outros”. (A vida do Cel. Arruda, Cangacerismo e Coluna prestes. Página 17)
Este é o nosso Severino Coelho Viana, pois a despeito de toda sua intelectualidade, nunca esqueceu o seu torrão natal e todas as vezes que lança seus livros, a nossa cidade é prioridade para exposição de suas obras literárias. È a terra que o viu nascer. É a terra que ele ama e jamais nega a quem quer que seja que é filho de Pombal.

Receba Dr. Severino Coelho Viana, esta simples homenagem deste seu amigo e conterrâneo com votos de parabéns pelo transcurso de mais um aniversário natalício.

FELIZ ANIVERSÁRIO, BOA PÁSCOA!

Pombal, 21/04/2011
*RADIALISTA
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ESTRADAS DA VIDA

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Ao nascer, o ser humano chora, abre os olhos e descortina a vida. Inocente, leva alguns anos para caminhar com os próprios pés. No célere caminho da vida, alguns partem prematuramente; outros medianamente também nos deixam, enquanto que somente uns poucos conseguem vencer todas as fases e naturalmente esmorecem nos braços do crepúsculo do tempo.

A vida, sua estrada e o mistério, o enigma de nossa existência. Como disse Augusto Cury: “Choramos aos nascer, sem compreender o mundo em que entramos. Morremos em silêncio, sem entender o mundo de que saímos”.

O homem, no alvorecer do discernimento, direciona seu olhar para a estrada da vida. Nessa hora, muitas vezes, ele a vê como se fosse longa reta, ampla e bem pavimentada; mas, lá no final da reta, a distância termina impedindo que a visão homem enxergue o que verdadeiramente existe além do horizonte — ou seja, se há uma curva à esquerda ou à direita; se a reta continua pavimentada ou passa a ter obstáculos, precipícios e até abismos.

A estrada da vida é como esta reta. Muitas vezes sob o ímpeto e vigor de sua juventude, no decorrer de sua trajetória, na expressão de sua jovialidade, o homem age, em certos momentos, sob o ritmo da auto-suficiência. E, aí, termina por enxergar só o presente, esquecendo-se do futuro. Se houvesse sequer um pouco de reflexão, ele certamente terminaria por entender que seu olhar jamais alcançará o que virá após o exato instante em que vive. Se isto se demonstrasse factível, poderia quem sabe amenizar suas dúvidas e angústias, incertezas e receios, ansiedades e medos.

Vivenciar tudo isso constitui exercício constante da fé. A Humanidade evoluiu consideravelmente em muitas coisas; todavia, é inegável que também retroagiu sensivelmente em outros pontos. Não faz muito tempo que a média de vida era entre 40 e 50 anos de idade. Hoje, os dados estatísticos demonstram aumento relevante dessa média de vida da população, próxima ao patamar de 80 anos de idade.

Mas, se a média de vida subiu, também é indiscutível que com ela veio a sensação da incrível velocidade do tempo. Em tal contexto, a pré-falada evolução vem permeada de extrema e desigual competição, no seio da Humanidade, além do fato de que a ansiedade, o medo, a solidão e a incredulidade impiedosamente invadiram o âmago do homem do século XXI. Por isso, alguns — com tom meio sombrio, mas também saudosista — costumam afirmar: “Tempo houve

em que, sob a beleza das estrelas e da Lua, os vizinhos se conheciam melhor e palestravam cordialmente, de noite a noite; crianças corriam lépidas, ora atrás de uma bola, num velho campo de pelada, ora dela esquivando-se, quando reunidas no jogo do baleado. Havia sorrisos francos, flertes e hora certa para o namoro. Havia pureza num olhar e honra num fio de bigode.

Certamente que o homem tem que dosar suas ações, buscar o equilíbrio entre a razão e o coração, o que, sem dúvida, reside na observância da palavra de Deus, sua bússola única na longa estrada da vida. Que Deus ilumine o caminho da Humanidade.

*Pombalense, Juiz de Direito da 5ª Vara Cível da Capital.

A SAGA DA CABLOCA MARINGÁ: PRÓXIMO LIVRO DE JERDIVAN

Paulo Abrantes de Oliveira*

Em 2010, Jerdivan Nóbrega lançou juntamente com Ignácio Tavares, o livro de sucesso “Em algum Lugar Chamado Pombal” – na Festa do Rosário – para se consagrarem entre os melhores cronistas da história de Pombal. Publicadas em diversos jornais da Capital e no Blog de Clemildo Brunet, suas crônicas ganharam fama pela defesa do patrimônio histórico de Pombal, ora com críticas leves, ora mais incisivas, revelando-se um escritor contumaz, vigilante, de uma verve àcida, maledicente, contra os predadores da cultura, dos prédios públicos, sem nunca esconder essa qualidade de ninguém em sua terra natal.

Pensei que ia demorar a vir outro lançamento. Em 2011, eis que surge em minhas mãos, uma deferência especial do autor, os originais do romance “A Saga da Cabocla Maringá”. Li-o atentamente, dando um longo passeio em outras épocas e lugares, lá pelo século passado, onde a seca castigava impiedosamente o nosso sertão, avistando-se levas de retirantes vagueando pelas estradas vicinais, mas neste cenário, nunca desapareceria a saga divina do amor. Nele encontramos detalhes de linguagem bem trabalhada, claras, leves, típicas de nossa região que prende o leitor do começo ao fim para ver o desfecho final.

E Maringá de onde veio? Para onde foi? Quem flechou seu coração? São tramas de entusiasmo que envolve o leitor. É sem dúvida um romance regionalista, em especial devotado a nossa terra Pombal, uma história de ficção ou realidade, que merecia há muito ser escrita. Uma tarefa difícil de escrever, pela qualidade de pesquisa histórica que envolve o romance.

“A Saga da Cabocla Maringá,” é um romance palpitante, narrado em um cenário natural austero e uma investigação acurada sobre o processo da seca e diferença entre as classes sociais para provocar emoções superlativas. Não vou detalhar a trama para não perder a graça. Resta-nos aguardarmos o seu lançamento, pois antevejo como mais um sucesso para os filhos de Pombal. Esse Romance vai dá o que falar... Parabéns Jerdivan, você merece todas as homenagens, por mais um brinde cultural a Terra de Maringá.

*É engenheiro civil e escritor pombalense.

CORDEL DA SAÚDE COLETIVA

MORRE DONA MARIA DE JESUS, COMERCIANTE MAIS ANTIGA DE POMBAL

Dona Maria de Jesus
Morreu na manhã deste sábado (16) na cidade pernambucana de Serra Talhada, a Sra. MARIA DE JESUS GUEDES MEDEIROS, viúva do Sr. Severino Nóbrega de Medeiros. Dona Maria de Jesus como todos a conheciam, era a mais antiga comerciante de Pombal - PB, proprietária da CASA BORBOREMA.

Ela se encontrava na casa de seu filho Paulinho em Serra Talhada quando veio a óbito. Seu corpo foi trasladado para Pombal. Está sendo velada em sua residência a rua Cel. José Avelino em frente à Câmara Municipal.

Em 1946 – A CASA BORBOREMA iniciou suas atividades no comercio varejista de miudezas. 29 anos sob a regência de Severino. Com seu falecimento, ela e os filhos permaneceram no comercio, completando 35 anos de atividades o ano passado. A CASA BORBOREMA desde o início funcionava na Rua Juarez Távora, em meados dos anos 80 foi transferida para a Rua Argemiro de Sousa onde se encontra até hoje.

Aos filhos: Sonia Medeiros, Carlos Medeiros, Paulinho Medeiros e demais familiares, externamos o nosso mais profundo pesar pela perda irreparável da nossa estimada e querida amiga dona MARIA DE JESUS GUEDES MEDEIROS.

SEPULTAMENTO:
Após a missa de corpo presente na capela do antigo Colégio Josué Bezerra às 10 da manhã deste domingo (17), sob comoção e grande acompanhamento o cortejo fúnebre seguiu para o Cemitério Nossa Senhora do Carmo, onde se deu o sepultamento.
Pombal, 17/04/2011
CLEMILDO BRUNET - RADIALISTA

CEZÁRIO DE ALMEIDA: UM MESTRE, SUA CÁTEDRA!

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

“O que ensina esmere-se no fazê-lo” (Paulo, apóstolo)

Este 15 de abril é motivo de regozijo e prazer para família e amigos do nosso estimado Doutor e Professor JOSÉ CEZÁRIO DE ALMEIDA. Nesta data no ano de 1964, nascia no sítio Madruga, hoje distrito de Cajazeirinhas, essa figura ilustre, que mais tarde com o passar dos anos, tendo se esmerado na escola do saber e do conhecimento, é destaque hoje nas colunas sociais, no meio universitário e benquisto por todos. A relevância está no fato de ser um dos mais expressivos expoentes de inteligência e sapiência.

Esse menino pródigo, filho de José Garrido de Assis e Neuza Cezário de Assis, sendo o primogênito de uma prole de três filhos, tais como José Cezário de Assis e José Edson Cezário de Assis, como se pode ver os três com o prenome José, veio de uma tradição. Era costume da época, pois sua mãe fizera uma promessa que pelo menos no prenome, todos tivessem o nome do pai.
José Cezário de Almeida
Ainda criança Cezário recebeu as primeiras orientações escolares na zona rural. Em 1974 veio para Pombal continuar seus estudos ficando hospedado na casa de uma de suas irmãs filha de seu pai, fruto do primeiro casamento. Seu José Garrido era viúvo quando se casou com dona Neuza ainda adolescente com apenas 14 anos. Ele trouxe em sua companhia cinco filhos: Manoel Cavalcante de Assis, Geraldo Cavalcante de Assis, Maria Aparecida de Assis Gomes, Francisco Cavalcante de Assis e Ana Cavalcante de Assis.

Havendo estudado a quarta e quinta série no antigo ginásio Diocesano, Cezário terminou o ensino fundamental no Colégio Josué Bezerra através de uma bolsa de estudo que seu pai conseguira com o Deputado Francisco Pereira. Orientado pela Poetisa e Professora Cessa Lacerda, conquistou o prêmio de melhor redação escolar na oitava série. Justamente nesse período, Cezário de Almeida se submeteu a um teste de locutor no Serviço de Alto Falantes “Lord Amplificador” do qual eu era diretor-proprietário, tendo sido classificado e aceito para exercer a função de locutor no som direcional da comunicação.

Clemildo e Cezário
Após dois anos no “Lord Amplificador”, foi estudar na Escola Agrícola de Bananeiras onde concluiu o Curso Técnico em Agropecuária, nesse meio tempo exerceu atividades radiofônicas na Rádio Integração do Brejo entre 1982/1984. Regressando a Pombal a meu convite, foi admitido aos quadros de radialistas da Rádio Maringá AM de Pombal, como editor de radio- jornalismo e apresentador de programas da emissora. Ao mesmo tempo em que trabalhava na Rádio Maringá prestava relevantes serviços como professor, contratado que era do Estado, lecionava na Escola Estadual “Arruda Câmara” de Pombal.

Firmado nos dois empregos e com a flecha do cupido atravessando o coração, rendeu-se aos encantos de sua namorada - Francisca Feitosa Soares de Almeida, “Nenem” logo estabelecendo o noivado que durou cerca de três anos para o casamento. Da união de ambos nasceram cinco filhos: Thiago Cesar, Thalita Sevia, Thales Hieron, Thalia Denise e Thayane Dayse, suas maiores heranças, como ele gosta de dizer. A assertiva procede da palavra de Deus. “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” Sl 127:3.

Após dez anos de militância na radiofonia, Cezário abre uma casa comercial no ramo de material de construção ao mesmo tempo em que continua com suas atividades no magistério. Após cinco anos deixa o comercio e entrega a sua esposa “Nenem”, a responsabilidade de administrar os negócios, cuja casa comercial acha-se localizada hoje em um edifício bonito no centro de Pombal, com a inscrição “Cezário Construções”.

Cezário então resolveu ir em frente dando continuidade aos seus estudos. Seu “Curriculum Vitae” não mente:

Biólogo, Curso de Ciências Hab. em Biologia pela Universidade Federal da Paraíba, Campus de Cajazeiras (1999). Especialista em Pesquisa (2001); Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba (2002), com aprovação em caráter de distinção e louvor e Doutor em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (2005), área de concentração Microbiologia, com tese aprovada com distinção e louvor. Concluiu o Curso Técnico em Agropecuária na Escola Agrícola de Bananeiras - PB (1983).

Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Campina Grande, nos Cursos de Medicina, Enfermagem e Biologia, Campus da UFCG - Cajazeiras. Foi professor de Técnicas Agrícolas da Escola de Ensino Fundamental e Médio “Mons. Vicente Freitas” de Pombal (1984). Foi professor do Ensino Médio da Escola estadual “Arruda Câmara” de Pombal (1985-1990). Foi professor, Vice-Diretor e Diretor em Exercício do Colégio Josué Bezerra de Pombal (1991-1990). Foi professor e Chefe de Departamento da Faculdade de Agronomia de Pombal (2002-2004). Tem experiência acadêmica na área de Microbiologia, com ênfase em Micologia e Bacteriologia, atuando principalmente nos seguintes temas: controle biológico, genética de microrganismos, biologia molecular, biotecnologia, morfologia e fisiologia de microrganismos.

Coordenador e orientador de projetos de Pesquisa, Extensão e Ensino, Coordenador do Programa de Monitoria da UACV/UFCG (2009), Coordenador de Pesquisa e Extensão da UACENe da UACV / CFP / UFCG, Presidente de várias comissões de concursos públicos para a carreira do magistério superior, presidente da comissão de elaboração, criação e instalação do Curso de Medicina do Campus de Cajazeiras (2005-06), membro efetivo da Comissão do Vestibular COMPROV/UFCG (2006-2009).

Recebeu o título de melhor professor de 2007 e 2009 do CFP/UFCG pela imprensa Cajazeirense, membro efetivo do Colegiado do Curso de Enfermagem CFP/UFCG, Membro da equipe de Projeto CT-INFRA com projeto aprovado (2007-08), Líder do Grupo de Pesquisa Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido - GPA; membro da equipe de pesquisadores em Biotecnologia (RENORBIO) coordenado pelo Prof. Dr. Thales Barbosa Granjeiro (UFC), com Projeto aprovado junto ao CNPq (2007-2009), visando o potencial de genes de Chromobacterium violaceum em Biotecnologia, Presidente do Congresso III Encontro de Biologia e do I Simpósio Paraibano de Meio Ambiente (2009).
Atual Diretor do Centro de Formação de Professores - Campus de Cajazeiras/UFCG (2010-2013).

Parabéns Dr. Cezário, feliz aniversário!

Pombal, 15 de abril de 2011
*RADIALISTA
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A REFORMULAÇÃO DO PROCESSO PENAL

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

A sociedade brasileira vive momentos de perplexidade diante do atual sistema penal. De um lado temos o avanço desenfreado da violência a exigir como forma de se combater o aumento das penas e de outro a superpopulação carcerária a impor ao Estado a adoção de penas cada vez menores para desafogar as prisões. No Brasil, toda vez que ocorre um fato de relevo acarretando a alteração da estrutura constitucional do país, necessariamente as mudanças legislativas se fazem sentir, especialmente na esfera das leis penais. Daí surgem as idéias legislativas de conter-se o crime com a elevação das penas.

Estamos construindo nos dias atuais uma legião de futuros marginais que, são os chamados menores de rua. Cidades pequenas, outrora pacatas, agora vivem cheias de mendigos e crianças abandonadas à própria sorte. Obrigando o próprio Judiciário, sem recursos e sem meios, a ocupar o lugar do Executivo na proteção dos direitos da criança e do adolescente. O que essas crianças estão aprendendo atualmente? Somente o crime. Para os meninos são os pequenos furtos, o cheiro da cola de sapateiro que se transformarão em breve em assalto a mão armada e em tráfico de drogas pesadas. Para as meninas o caminho sombrio da prostituição. Não há salvação dentro da atual conjuntura. De logo, podemos afirmar que se não for tomada uma atitude séria e corajosa, mais grave a situação se tornará no futuro.

É de se perguntar: A solução para a criminalidade brasileira está na simples mudança legislativa? No nosso humilde entendimento, não é a ameaça de penas graves que previne a prática de crimes, mas, sim, a punição. A chaga da criminalidade não é a pena branda, é a impunidade. Essa idéia da impunidade como um mal social remonta de longas datas. Aliás, a idéia da pena severa como solução de todos os males sofre sérias críticas e caminha para o seu abrandamento, cujos maiores precursores, podemos dizer, foram: Cesare Bonesana - Marquês de Beccaria, que em 1764 publicou “Dei delitti e delle pene”, e John Howard que após ser preso por um corsário francês em 1775, escreveu em seu “State of prisions” que o sistema carcerário deveria ter: Higiene e alimentação; Disciplina distinta para os detentos e os condenados; Educação moral e religiosa; e Sistema celular abrandado.

Podemos concluir que hoje é necessária não só a reforma do Código Penal, mas também do Código de Processo Penal, ambos, em alguns aspectos, defasados diante da transformação ocorrida na sociedade e tendo em vista a nova ordem constitucional vigente. É evidente que o ideal seria uma reforma total, completa, que propiciasse uma harmonia absoluta no sistema processual penal, mas, como sabemos, talvez isso não seja possível. Então, poderia se adotar o mesmo procedimento realizado na alteração do Código de Processo Civil, ou seja, uma reforma dividida em capítulos, para permitir uma rápida tramitação legislativa que não fique emperrada em dispositivos polêmicos. E como primeiro passo importante seria acabar com o indiciamento nos inquéritos policiais; desburocratizar a prisão em flagrante; simplificar o julgamento pelo Tribunal do Júri, quando os jurados deveriam responder apenas se o réu é culpado ou inocente, acabando-se com todas aquelas perguntas muitas vezes desnecessárias e confusas; trazer para o Código Penal a legislação extravagante relativa aos crimes contra a ordem tributária, pois facilitará o trabalho dos operadores do Direito. Esta é a nossa humilde sugestão.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

ESPEDITO ABRANTES: "IN MEMORIAM"

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

Quem nasce poeta já nasce feito, assim aconteceu com Espedito Abrantes. Ninguém precisou ensinar-lhe como delinear a arte da poesia, pois ela, a “poesia”, foi despertada em seu âmago no momento em que descobriu sua verve de poeta; começou a transvazar-se, fluindo de si, vindo nos anos seguintes, decantar sua alma do sedimento das paixões.

Mais tarde se viu envolvido em outra atividade artística. Seus poemas, que o fizeram despontar para artes plásticas “pintura”- técnica mista sobre telas, óleo sobre tela e acrílica sobre tela, emoldurado no surrealismo e no impressionismo sem ter frequentado escola do gênero, pois na poesia ele tem descendências poéticas, porém, nas artes plásticas não tem conhecimento próximos de realizações nesse sentido. 
Pintura de Espedito Abrantes
Poeta e artista plástico, Espedito Abrantes, de sua lavra produziu cerca de 200 poemas e das artes plásticas um acervo de 25 telas. Seus quadros foram apresentados em quatro exposições, das quais, três em Pombal e uma na Agência da Caixa Econômica Cabo Branco em João Pessoa, ocasião em que várias telas foram vendidas. Seu trabalho foi publicado nas primeiras páginas do caderno cultural dos jornais O Norte e Correio da Paraíba onde foi elogiado por vários críticos da área, presentes ao evento.

A escritora e poetisa pombalense Mª do Bom Sucesso de Lacerda Fernandes que faleceu cerca de 20 dias antes de Espedito, foi quem prefaciou o livro “Plectro” primeiro trabalho literário poético de Espedito Abrantes. Ela escreveu: “Espedito Abrantes é mais um pensador que desfila no palco da literatura paraibana e pombalense como um arco-íris de colorido multicor, emoldurando os passos dos seus sonhos transformados em poesia”... ( Pág. 7.)

“Plectro”- Palavra esquisita para título de um compêndio e de difícil pronúncia, entretanto, em sentido figurado significa: Inspiração Poética; poesia. (Aurélio).

Espedito Abrantes
Natural da cidade de Sousa, Espedito Joaquim de Abrantes, nome de batismo, filho de Joaquim José de Abrantes e Cecília Abrantes Lourenço, nasceu no dia 05 de abril de 1954, casado com Geralda Lúcia Garcia de Abrantes. Nasceram quatro filhos: Tatiana Cecília, Eugênia Dirci, Hyssa Larissa e Philip Ramom.

Cursou o ensino fundamental no antigo Colégio Diocesano. Concluiu o ensino médio na Escola Estadual “Arruda Câmara” de Pombal, cidade em que fixou residência desde 1965. Durante dois anos foi Presidente do Centro Cívico da referida escola. Fez parte do grupo de Teatro Amador de Pombal-GRUTAP, onde com outros amigos encenou a Paixão de Cristo, Duda Matraca e outras. Participava também como um dos editores de textos.

Em 1982 concluiu o Curso de Licenciatura em Ciências na UFPB em Cajazeiras. Graduou-se em Economia pela Fundação Francisco Mascarenhas da cidade de Patos e fez pós graduação em Gestão Ambiental para o Semi-árido pela UFCG. Ex-funcionário do PARAIBAN onde trabalhou em três cidades, Bonito de Santa Fé, Pombal e Coremas, durante treze anos, em dez dos quais ocupou o cargo de gerente do setor rural e em três, o de gerente geral adjunto.

No exercício da atividade política foi vereador por dois mandatos consecutivos- 1997/2000 e 2001/2004, tendo apresentado vários projetos importantes para o Município de Pombal, beneficiando deste modo a população. Foi um dos fundadores da Faculdade de Agronomia (FAP) e Ciências Contábeis (FCCP) de Pombal, havendo sido nomeado para o cargo de diretor da Faculdade de Ciências Contábeis em outubro de 1997, por decreto do então bispo diocesano de Cajazeiras Dom Matias Patrício.

Sendo eleito para o mesmo cargo pela comunidade acadêmica da referida faculdade em 2002; homologado que foi pelo o atual bispo diocesano Dom José Gonzales Alonso, presidente da Fesc, fundação a qual pertencia a FCCP. Espedito Abrantes, foi um dos grandes lutadores e incentivadores a favor da criação e instalação de uns Campi Universitários para a cidade de Pombal. Esse era um dos seus sonhos; seu contributo foi tão forte, que hoje ninguém se atreveria falar de faculdade para Pombal sem o seu nome ser lembrado ou mencionado.

Espedito Abrantes foi também Secretário adjunto da Secretaria de cultura, meio ambiente e esporte, diretor da Casa da Cultura “Senador Ruy Carneiro”, Presidente e vice-presidente da associação comunitária rural de Maria dos Santos, localidade em que veio a falecer no dia 13 de março de 2011.

O poeta antes de tudo é um sonhador, Espedito Abrantes não era diferente, como sertanejo soube enfrentar as agruras da vida. Sofria calado, retrai-se ao silêncio, isolava-se, não exigia nada, era solitário, porém, extraia dele mesmo o que estava em suas emoções e pensamentos e de modo mais singelo que o poeta sabe fazer a – POESIA!

Plectro – Espedito Abrantes

Vou às nuvens em sonho
Visito a lua entre ruínas
Verso a imaginação menina
Para calçar a rua
Do meu plectro literário.
Faço dos sonhos a sorte
Quando sonho a vida
Quando sonho a morte!

No afago dos dedos, só medo!
Não sou mágico, não tenho segredo!
É só apertá-lo e sentir
As palavras a caminho.

Sou prisioneiro do meu plectro
No imaginário busco o cosmo
Para sentir o sabor do complexo
Que navega nas imensas lágrimas
De todos os olhos anexos.

Pombal, 07/04/2011
*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com
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Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

Publicado há um ano, Artigo de Clemildo Brunet sobre hospital de Câncer Ultrapassa 32 mil acessos e é o mais lido do site

O âncora do programa "Liberdade Notícia" e editor de postagem do site da Radio Liberdade 96 FM, radialista Naldo Silva (Foto) destacou o Artigo "LIGA NORTE-RIOGRANDENSE: UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA EM RADIOTERAPIA NO BRASIL" como o que mais teve acesso no Site da Rádio Liberdade96Fm. Veja a matéria:

 Publicado há um ano, Artigo de Clemildo Brunet sobre hospital de Câncer ultrapassa 32 mil acessos e é o mais lido do site

QUI, 07 DE ABRIL DE 2011 07:17 NALDO SILVA ARTIGO

Qual o motivo do número elevado de acessos a um “simples” Artigo?

Essa é a pergunta de alguns internautas, que acessam o portal da LIBERDADE 96 FM, ao se depararem com o link “Top + Lidas” e verificarem que o texto escrito pelo Radialista Clemildo Brunet, no dia 07 de abril de 2010, para comemorar o dia Mundial da Saúde, bateu todos os recordes de visitas e já ultrapassou a marca dos 32 mil acessos, o que dá uma média diária de 88 visualizações.

A resposta pode estar no brilho do texto, além do tema do assunto abordado.

Com o título “Liga Norte Rio-Grandense: Um Hospital de referência em Radioterapia no Brasil” (clique aqui para reler), http://www.liberdade96fm.com.br/noticias/colunistas/clemildo/901-novo-artigo-liga-norte-rio-grandense-um-hospital-de-referencia-em-radioterapia-no-brasil.html
Clemildo elenca as condições do hospital e declara: “É um lugar que poderia parecer um ambiente triste, pois abriga em seu seio o binômio vida-morte; no entanto causa admiração, tornando-se alegre na forma do atendimento dispensado a quem vai à procura da saúde”.

POMBAL, "NO TEMPO DA BOLACHA PETECA"

Ignácio Tavares (Foto)
POR IGNÁCIO TAVARES*

Foi-se aquele bom tempo em que no centro de Pombal, mais precisamente nas mediações do mercado central, localizava-se a maioria das casas comerciais e pequenas industrias de alimentos.

Fora desse setor não existia comercio, salvo as bodegas localizadas em algumas poucas ruas mais afastadas do centro da cidade.

Cafés, bares, padarias, hotéis restaurantes, armazéns de cereais, açougue, alfaiatarias, casas de tecidos e confecções, entre outras atividades comerciais que davam vida, movimento ao chamado centro comercial da cidade.

Os cafés eram a grande atração. O café de Maria Joana era conhecido pelo doce de leite, cocada de leite e pão-de-ló. Não obstante a irreverência da dona do café, o local era bastante freqüentado por fregueses assíduos.

O café de Sinhá, esposa de Antonio Carrasco oferecia bolo de batata, de milho, cuscuz com leite, coalhadas, queijo assado na grelha, entre outras iguarias de sabores diversos.

O café de Miranda concorria com Sinhá e Maria Joana ao oferecer os mesmos produtos, com destaque para cocada de leite com pão quente, doce de coco, pamonhas, canjicas, iguarias bastante procuradas pelos apreciadores de um bom repasto fora de casa.

Mas, a grande atração da área era mesmo a Padaria Vitória de propriedade do saudoso Napoleão Brunet de Sá. Produzia e vendia pães de boa qualidade, sobretudo, quentinhos feitos na hora ao gosto dos fregueses.

A Padaria vendia-se de tudo. Era uma casa comercial bem sortida de atendimento solícito o que a fazia mais procurada da cidade. Se chegasse com dinheiro comprava.

Da mesma forma, se não tivesse o vil metal, a casa oferecia o credito em caderneta para ser pago quando o freguês pudesse. Nesse tempo esse tipo de crédito podia porque não existia inflação.

Assim sendo, ninguém saia da casa comercial de seu Napoleão de mãos abanando, como se costumava dizer naquela época.

Entre todos os produtos vendidos na Padaria Vitoria havia um que era a alegria da meninada. Era a bolacha peteca. Redonda, pequenininha, crocante, de sabor agradável. Hoje, não se fabrica a bolacha peteca como aquela de antigamente.

O padeiro preferencial do senhor Napoleão era Sebastião Monteiro, bastante conhecido na cidade por ser um exímio mestre na arte de fazer pães e bolachas.

Este era o segredo do sabor agradável da bolacha peteca da Padaria Vitória, posto que, só quem sabia da fórmula e o ponto ideal para o produto ir ao forno era Sebastião Monteiro.

Eu disse que a bolacha peteca era a alegria da meninada. Era isso mesmo. Naquela época a gente estudava no Grupo Escolar João da Mata. Cada um levava o lanche numa sacola com um bordado em alto relevo onde se lia o nome do aluno e a palavra “lanche”.

No decorrer das aulas, havia uma hora determinada para o lanche. Na sala de aula cada aluno pendurava a sacola ao lado da carteira, inteiramente desatento, sem perceber que por trás, vez por outra, aparecia um ladrãozinho de lanche.

A grande maioria levava na sacola um punhado de bolacha peteca, a exceção dos mais abastados que levava queijo com goiabada, pão com nata ou manteiga da terra, entre outros tipos de lanches mais refinados.

No horário determinado, uma campainha tocava e a professora nos avisava: é hora do lanche. Alguém gritava: professora pegaram minhas bolachas peteca!

Neste caso havia uma contra ordem: não sai ninguém enquanto não se descobrir quem foi esse engraçado que pegou as bolachas peteca de fulana de tal.

A reclamação era geral. Outros alunos queixavam-se que alguém enfiou a mão nas suas sacolas. Começava o interrogatório, cujo foco era aqueles alunos que não levavam lanches.

A professora iniciava o interrogatório: ei, Ribinha, está ai muito calado não é? Ora professora tanta gente aqui sem lanche a senhora se engraçou de mim? E você Benone, irmão de Ribinha, de que é que está rindo?

Ora, Professora estou rindo porque todo mundo está olhando pra mim.Não tenha nada a ver com essa história de bolacha peteca. Essa não! Respondeu Benone.

Como nada se descobria a professora autorizava a saída de todo mundo. Formavam-se grupos de três e mais alunos ou alunas, apesar do converseiro, ao longe dava pra escutar o troc, troc, troc, troc, da mastigação das bolachas peteca.

Novamente a campainha tocava desta vez para retornarmos a sala de aula mesmo ainda a mastigar as últimas deliciosas bolachas peteca.

Foi esse o bom tempo em que a bolacha peteca, crocante, de sabor agradável, marcou presença em nossas vidas, graças a habilidade do padeiro Sebastião Monteiro e ao caprichoso proprietário da Padaria Vitória o saudoso Napoleão Brunet de Sá.


Napoleão Brunet (Foto)

Das boas lembranças ninguém esquece. Preservo na memória a imagem nítida do senhor Napoleão Brunet. Um homem forte, conversador, sobretudo elegante nas palavras e nas ações.

Foi um homem respeitável como cidadão do bem, ainda, pelos relevantes serviços prestados à nossa comunidade como dedicado produtor dos pães e da bolacha peteca nossa, de cada dia.

João Pessoa, 04 de Abril de 2011

*Escritor Pombalense.
Contato: itavaresaraujo@yahoo.com.br

"NEOCORONELISMO" ARTIGO DE SEVERINO COELHO PUBLICADO NESTE BLOG, VIRA TEMÁTICA NACIONAL DE DISCUSSÃO NO SITE CONGRESSO EM FOCO!

Severino Coelho

Para analistas, parentes são coronéis do século 21

Estudiosos da política paraibana avaliam que predomínio de famílias revela “neocoronelismo urbano”, uma situação que atrasa o desenvolvimento do estado

Edson Sardinha e Renata Camargo

O terno de linho branco e os sapatos claros deram lugar ao terno de microfibra e aos sapatos escuros. O velho cavalo foi substituído pelas centenas de cavalos dos carros de luxo. Em vez do alpendre da casa grande, o palco dos encontros políticos agora são os palácios oficiais. O velho coronelismo, que vigorou do século XIX até o início dos anos 1930, pode ter se perdido em alguma imagem desbotada do passado. Mas ainda persiste em cores vivas na forma de fazer política país afora, sobretudo, no Nordeste, onde predominou.

É essa força que explica o fato de 14 dos 15 representantes da Paraíba terem parentes com mandato político, na avaliação de três estudiosos da história política paraibana ouvidos pelo Congresso em Foco: o promotor de Justiça e escritor Severino Coelho Viana, o historiador e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Paulo Giovani Antonino Nunes e o jornalista e analista político Biu Ramos.

“O coronel de hoje é um ‘galã de cinema’, que frequenta hotéis cinco estrelas, mas que no meio do povo age completamente diferente. Ele tem dupla personalidade. Uma coisa é quando ele se apresenta ao Congresso fazendo discurso, muitas vezes escrito por assessoria, como defensor da liberdade de imprensa e de expressão. Mas isso é da boca para fora, liberdade só interessa a ele enquanto não atinge o seu reduto político”, diz Severino Coelho, autor do livro A Vida do Cel. Arruda, Cangaceirismo e Coluna Prestes, entre outros.

Chicote aposentado

Na avaliação de Severino, o coronelismo mudou de roupa, trocou o meio rural pelo urbano e ganhou novo palanque com os veículos de comunicação, principalmente, as emissoras de rádio e TV, quase sempre vinculadas a políticos. Mas, para o promotor de Justiça, o velho mandonismo persiste. “Modificou o estilo, mas continua a existir. Não vemos mais o chicote, a carabina e o mandão direto. Mas ele atua de forma camuflada, com a compra de voto, com a oferta de emprego e remédio. Apenas o coronel de 1930 não é o mesmo do início do século 21.”

O coronelismo, lembra Severino, era baseado no tripé terra, família e agregados. Desses três componentes, a família é o que se manteve mais fiel às origens. “A terra já não tem mais aquele poder econômico que tinha nos anos 30. Hoje eles têm outra forma de conquistar, nas fábricas, nas empresas, nas rádios. Os agregados, que viviam em suas terras, hoje são os ajudantes, gente que serve para tudo. A família persiste, acima de tudo, para defender seus próprios interesses”, afirma. “É o carreirismo político, comparável com o coronelismo. Só era eleito aquele que era de sua família ou tivesse parentesco muito próximo”, acrescenta.

“Familismo”

Professor da UFPB, Paulo Giovani também considera a repetição de sobrenomes políticos no estado um resquício do coronelismo e das oligarquias que se revezaram no comando da região na primeira metade do século passado. “No sentido mais clássico de coronelismo, a oligarquia é uma questão superada. Estamos falando mais de um neocoronelismo urbano”, afirma.

O professor explica que as oligarquias remontam a um período em que o Brasil era mais agrário que urbano, o voto não era secreto, as pessoas tinham pouco acesso a informação e o Estado praticamente inexistia. “O sobrenome ainda é determinante na Paraíba. O ‘familismo’ na política paraibana deixa pouco espaço para quem é de fora. Os parentes sempre se reproduzem na vida pública”, avalia o historiador.

Para ele, a prática de eleger várias pessoas de uma mesma família tem mais força no Nordeste por causa da fragilidade da economia local e da dependência da população em relação ao Estado. “A Paraíba é pobre, muito dependente do setor público. As pessoas se valem muito da cultura do empreguismo. Esse pessoal não é derrotado por causa da necessidade que as pessoas têm do Estado”, acrescenta o historiador.

O professor observa que, mesmo quem não vem de família de político, acaba recorrendo à prática de preparar herdeiros. Isso acontece, por exemplo, com o senador Wilson Santiago (PMDB-PB), que ajudou Wilson Filho (PMDB-PB), de 21 anos, a conquistar uma vaga na Câmara, e o deputado Wellington Roberto (PR-PB), que trabalhou pela eleição do filho Caio Roberto (PR) como deputado estadual.

“As famílias de políticos atendem à sua clientela. Em vários casos, beneficiam-se do poder público, o que, em certo sentido, pode atrasar o desenvolvimento do estado. Falta uma visão mais modernizante de Estado”, avalia.

Caras novas, velhas práticas

Com a experiência de quem acompanha os bastidores da política paraibana há mais de 50 anos, o analista político Biu Ramos diz que a atual bancada apenas repete a prática recorrente das últimas cinco décadas. “Os métodos que eles utilizam para fazer política são os mesmos de 50 anos atrás. Não mudou nada”, critica.

Para o jornalista, parte da culpa é do eleitor que pouco se interessa pela política e ainda vota em troca de dinheiro, emprego e favores ou na base da simpatia. “O eleitor nordestino, em sua maioria, é analfabeto, não sabe votar, não presta atenção nos programas de radio e TV durante o horário eleitoral. É muito desinteressado e não apreende a mensagem dos políticos”, considera.

Repórter com passagens pelos principais veículos da Paraíba, ex-correspondente do Jornal do Brasil, da Folha de S. Paulo e da revista Veja no estado, Biu Ramos diz não ver espaço para mudanças. “Estou me afastando do jornalismo político, não tenho mais esperança. A cada ano que passa, é uma decepção, um retrocesso na representação política da Paraíba. O grande responsável por esse retrocesso foi o golpe militar de 1964, que impediu o surgimento de novas lideranças”, reclama.

Esperança

O promotor e escritor Severino Coelho e o professor e historiador Paulo Giovani são menos pessimistas. Para Severino, é preciso ter paciência porque o processo de mudança é lento. “Isso não pode ser erradicado de uma só vez. Houve, em alguma medida, uma mudança cultural devido à liberdade de expressão e a uma maior consciência política, com o crescimento das pessoas com nível universitário. Hoje o pai, por exemplo, não manda mais no voto do filho. Existe alguma liberdade de escolha”, afirma o promotor.

Paulo Giovani diz que a eleição em outubro do governador Ricardo Coutinho (PSB) - que não vem de uma família de políticos, mas dos movimentos sociais - pode sinalizar o começo de uma transformação. Para se eleger, no entanto, ele recebeu apoio de famílias tradicionais na política local – como os Morais e os Cunha Lima, no segundo turno. “Temos a expectativa de ver se ele vai romper com essa cultura. Até aqui, ele não lançou nenhum parente na política”, diz o professor da UFPB.

Transcrito do Congresso em Foco em 04-04-2011.

DO FUNDO DO BAÚ


QUEM É QUEM NESTA FOTO?

Noivado de meu irmão Claudio Brunet de Sá (in memoriam), década de 60 - Quem estava presente?

Mixuruca (escorado no rádio), Véi de Chiquinho Formiga, Quinha de Zuza Nicácio, Pedoca Junqueira, Passinho, João Brunet (pai da noiva), Sinhazinha (mãe do noivo) , Cláudio e Tereza (os noivos), Diva Urtiga de Dona Detinha, Maria Brunet, Dona Perpétua, João Alberto (irmão da noiva), Clovis meu irmão e eu por trás de óculos escuro.