CLEMILDO BRUNET DE SÁ

O LEGADO DO PROFESSOR WILSON NÓBREGA SEIXAS A CIDADE DE POMBAL

Jerdivan Nóbrega de Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

No momento em que Pombal se prepara para comemorar os seus 244 anos de elevação a Vila de Pombal e de sua EMANCIPAÇÃO POLÍTICA, um nome em particular não pode deixar de ser reverenciado, já que foi ele quem, através das suas pesquisas  solitarias trouxe a luz a verdadeira data de emancipação politica  da cidade, até então comemorada em data errada.
WILSON NÓBREGA SEIXAS nasceu na cidade de Pombal, sertão do Estado da Paraíba, a 15 de julho de 1916 e faleceu em João Pessoa, a 11 de março de 2002. Filho de Newton Pordeus Rodrigues Seixas e D. Natália Nóbrega Seixas, era casado com Zélia Carneiro Arnaud Seixas, de cuja união deixou três filhos: Antônio Chateaubriand (odontólogo), José Wilson (arquiteto) e
Lígia Maria (Psicóloga).
Wilson Seixas iniciou seus estudos primários na escola pública de Pombal, à época sob a direção do seu pai, professor Newton Seixas. Posteriormente, transferiu-se para o Colégio Pio X, na capital do Estado, concluindo o secundário, no Liceu Paraibano, seguindo depois para o Recife, onde se formou em Odontologia, em 1948. Logo em seguida passou a exercer a clínica odontológica em seu velho burgo, onde deu início às suas atividades como pesquisador.
Em 1940, participando de um Congresso de Municípios no Recife, Wilson apresentou a tese Pombal e seus Problemas Prioritários. Era o início de sua vocação de historiador.
Em 1952, o governador José Américo de Almeida nomeou-o cirurgião-dentista do Estado, donde saiu para se incorporar ao quadro de dentistas do Departamento Nacional de Obras contra as Secas.
Em 1962, por ocasião das festas comemorativas do centenário da cidade de Pombal, escreveu O Velho Arraial das Piranhas, editado pela gráfica do jornal A Imprensa, de João Pessoa.
Em 1972 publicou Os Pordeus do Rio do Peixe, livro que “além de ser ensaio genealógico, é um mosaico da vida sertaneja, apresentada na variedade dos painéis que retratam a nossa gente com o colorido de sua sociologia, o pitoresco dos inventários, o encanto do folclore, a simplicidade das crenças religiosas ou a dureza dos embates políticos que caracterizam os homens fortes do sertão”, segundo registra o historiador Deusdedit Leitão.
Em 1974 escreveu Odontologia na Paraíba, um repositório completo sobre a atuação dos seus colegas de profissão.
Após pesquisa aprofundada, publicou Viagem através da Província da Paraíba, importante obra que elucida as principais fases da conquista do oeste paraibano, tornando-se conhecido nacionalmente como um dos importantes historiadores paraibanos.
Em 1987 publicou outro grande trabalho de pesquisa: Santa Casa de Misericórdia da Paraíba – 385 Anos, instituição criada no século XVI, sendo a quarta fundada no Brasil.
No Ciclo de Debates promovido pelo  IHGP, durante as comemorações dos 500 anos de Brasil, Wilson Seixas teve uma atuação brilhante como expositor do tema A Conquista do Sertão Paraibano.
Após a sua morte, foi publicada a 2ª. edição revista e atualizada do livro O Velho Arraial de Piranhas (Pombal), trabalho a cargo do confrade Evandro da Nóbrega.
Outros trabalhos de Wilson se encontram publicados nas Revistas do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.
Wilson Seixas pertenceu ao Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica e à Fundação Cultural do Estado; era Conselheiro da Fundação Napoleão Laureano e, em 1957, recebeu o diploma de Menção Honrosa do Conselho Estadual de Cultura, pelos relevantes serviços prestados à cultura paraibana.
A Coleção de Historiadores Paraibanos, após a morte de Wilson Seixas, incluiu no seu rol um trabalho sobre sua vida e sua obra, de autoria do confrade Luiz Hugo Guimarães.
Wilson Seixas ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano em 18 de março de 1965, tendo ocupado vários cargos na Diretoria; recebeu a Comenda do Mérito Cultural “José Maria dos Santos” que o IHGP lhe outorgou.
Trinta e oito anos depois do seu lançamento, o que ocorreu no dia 21 de julho de 1962, o professor Wilson me liga convidando-me para fazer uma nova edição revisada do Velho Arraial.
 “Olha Jerdivan, tem muita gente querendo fazer esta revisão e até já fizeram uma publicação lá para lado de Mossoró, mas eu não deixei que fosse distribuída. É que tem muitos erros. Se você me ajudar eu fico muito grato”.
Falei da ideia para Verneck, convidando-o para ajudar na tarefa. Dias depois, fomos até o apartamento do professor para tratar do assunto.
Depois de muito trabalho de digitação do original e pesquisas, sempre supervisionadas pelo mestre, o trabalho foi concluído e entregue ao Professor Evandro Nóbrega para  revisão final e editoração. Porém, como todo livro de história, o Velho Arraial  ainda carece de mais pesquisas mais estudos e mais revisões à medida que documentos vão surgindo.
A nova versão do “Velho Arraial de Piranhas” resgatou datas importantes que Pombal ignorava, tornando-se necessária a criação de uma nova Lei Orgânica feita pela Câmara de Vereadores, incorporando o que passou a ser as três datas mais importantes do Município, dando margem para suas celebrações festivas:
·         21 de julho de 1862 - não é mais data de emancipação política de Pombal e sim data em que Pombal foi elevada a categoria de cidade e neste ano é o Centésimo Quinquagésimo quarto Aniversário!
·         27 de julho de 1698 - que estava escondida e poucos sabiam, é a data de Fundação do Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó (Pombal) - completando agora, 318 anos de Fundação.
·         04 de maio de 1772, 244 anos de elevação a Vila de Pombal e de sua EMANCIPAÇÃO POLÍTICA. Foi indicado para dirigir os destinos políticos e administrativos da Vila o capitão-mor Francisco de Arruda Câmara pai do sábio Manuel de Arruda Câmara.
Foi esse o legado do professor Wilson Seixas para a cidade de Pombal.

*Advogado, Escritor e Pesquisador

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