CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Tabajaras! A cortina ainda não se fechou

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Fâmulos da mídia nativa, quase que lendo uma partitura, são uníssonos em relação ao golpe parlamentar que destitui a presidente democraticamente eleita, Dilma Vana. Meus botões me fazem lembrar que só os romancistas, dramaturgos e poetas são agraciados com o poder de pôr fim à narrativa, o que me leva a permanecer sentado na plateia porque a tragicomédia encenada pelo Senado ainda não terminou.
Narradores da nossa História são recorrentes no reconhecimento que o Animus da Nação é a normalidade. Mais uma vez, meus botões me fazem lembrar de um certo Francis Fukuyama, historiador e
analista do Departamento de Estado dos EUA, que no inicia dos anos 1990, encantou elites do mundo inteiro com sua tese presunçosa e que encantou acadêmicos onde quer que os EUA exercessem influência e domínio, chamada O Fim da História.
            Essa teoria sustentava o que o título sugere, o fim dos processos históricos caraterizados por mudança, e de acordo com esse analista da inteligência americana, o liberalismo ( fortíssimo nos anos 1990) estava fadado  a estabelecer o equilíbrio econômico e social com  igualdade jurídica; é isso o que a mídia nativa dia e noite preconiza, infla a Nação, que embasbacada assiste ao golpe, quase que anestesiada pela narrativa do pensamento único.
É certo que o PT encerrou seu ciclo de poder. Ficou claro que assim como o animus da sociedade é a normalidade, claríssimo ficou mais ainda o baixo nível de satisfação dos pobres, que enxergam no consumo um valor de liberdade. E eles vão se contentar com as concessões da Casa Grande a partir de agora. Deus está na origem da narrativa golpista, e Janaína, a advogada exalta o nome do Divino, porque ele foi usado largamente quando do da fase do golpe na Câmara Federal, nas igrejas fundamentalistas, e por organizações civis.
A Dilma ficou no palco até o fechamento da cortina para o Ato em que ela mesma fez o papel de Joana D’Arc na inquisição. O ex-paladino e herói nacional, conhecido como Joaquim Barbosa, referiu-se a este Ato da tragicomédia como “impeachment tabajara” no sentido de que a política brasileira tem a capacidade de deturpar e obscurecer o sentido dos acontecimentos. Ele próprio um ícone tabajara. A cortina ainda não se fechou!

*João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br

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