CLEMILDO BRUNET DE SÁ

NA HORA DE SERVIR A CHAMPANHA, O GARÇOM SEMPRE VAI PASSA BATIDO PELO POBRE, O NEGRO, O HOMOSSEXUAL, O ÍNDIO OU QUAISQUER OUTROS QUE QUEIRAM FREQUENTAR OS SALÕES DA DIREITA

 
Jerdivan Nóbrega de Araújo
Jerdivan Nobrega de Araujo*

Nos dias loucos de hoje, onde as informações que correm nas redes sociais, não necessariamente precisam de uma fonte, cabendo o ônus de identificar tratar-se de boato ou verdade ao consumidor da informação, os termos ”direitos” e “esquerdos” vêm sendo utilizados para qualificar ou desqualificar a postura político-ideológica de uns e de outros.
             O problema é que, na maioria dos casos, os debatedores empregam mal essas expressões, por não conhecerem a carga ideológica que elas comportam, e também raramente sabem em que contexto elas surgiram.
            Os mais apaixonados, e que são também os que menos leem, preconizam e até torcem pelo fim da “esquerda”, o que é um estupro a própria história da riqueza e
da exploração do homem pelo homem.
            Acreditam os que pregam o fim da esquerda que é viável existir uma sociedade de um pensamento ideológico único. Não sabem eles que isso já existiu e se chamou Nazismo: doutrina do nacional-socialismo, formulada por Adolf Hitler na Alemanha e o Fascismo na Itália, implantado pelo Benito Mussolini.
            A Esquerda é uma contraposição ao pensamento de direita. Nesse contexto político social e da exploração dos bens naturais e comuns do planeta, é uma necessidade a existência desses ideais e pensamentos divergentes e sociologicamente opostos, que vão garantir a sobrevivência da humanidade no planeta e o mínimo direito aos excluídos em todos os termos.
            Os ideais da esquerda implicam em apoio a uma mudança social com o intuito de criar uma sociedade mais igualitária, e a exploração racional do planeta.
            O termo surgiu durante a Revolução Francesa, em referência à disposição dos assentos no parlamento; o grupo que ocupava os assentos da esquerda apoiavam as mudanças radicais da Revolução, incluindo a criação de uma república e a secularização do Estado. Um conceito distinto de esquerda política originou-se com a Revolta dos Dias de Junho em 1848: o estabelecimento de uma nova oposição política na Europa.
            Os organizadores da Primeira Internacional se consideravam os sucessores da ala esquerda da Revolução Francesa. O termo esquerdista passou a definir vários movimentos revolucionários na Europa, especialmente socialistas, anarquistas e comunistas. O termo também era utilizado para descrever a social democracia e o liberalismo social (diferente do liberalismo econômico, considerado atualmente de direita).
            Já a “Direita” é o termo geralmente utilizado para designar indivíduos e grupos relacionados com partidos políticos ou ideais considerados conservadores (em relação aos costumes) ou liberais (em relação à Economia), por oposição à esquerda política.
            Deve a sua designação ao fato de, nos Estados Gerais franceses reunidos em 1789 Revolução Francesa), os monárquicos, que apoiavam o Antigo Regime, tomarem o lugar à direita do rei. Com o tempo, o sentido de direita e esquerda foi-se relativizando para se tornar mais adequado às ideologias comparadas e ao ponto de vista de quem usa tais termos.
            O termo refere-se geralmente ao conservadorismo e ao liberalismo na sua faceta econômica de livre mercado (que abrange desde o liberalismo clássico ao libertarianismo).  A partir do século XX, o termo extrema-direita passou também a ser utilizado para o fascismo, bem como para grupos ultranacionalistas.
            Ser de esquerda,  muito embora seja confundindo com Comunismo e Socialismo por desavisados, é defender a formação de uma sociedade racional, inclusive de exploração e distribuição dos bens naturais do planeta, que são explorados de forma predatória pelos liberalistas de direita, que acham que os fins justificam os meios e, nesse caso, o fim e sempre é a acumulação de riquezas nas mãos de uma minoria, através da exploração, e em detrimento do bem estar da grande maioria.
            Não é por acaso que a esquerda inclui progressistas, sociais-liberais, ambientalistas, social-democratas socialistas, democrático-socialistas, libertários socialistas, secularistas, comunistas e anarquistas. Já a direita inclui capitalistas, neoliberais, económico-libertários, conservadores, reacionários, neoconservadores, anarcocapitalistas, monarquistas, teocratas (incluindo parte dos governos islâmicos), nacionalistas, fascistas, e nazistas.
            O desconhecimento do significado politico e ideológico dos termos DIREITA e ESQUERDA leva o proletariado, a classe explorada e as minorias se colocarem nos debates como de “Direita”, quando na verdade a direita visa apenas a sua mão de obra barata, e o poio para alimentar uma pseudo democracia, onde o trabalhador se sinta parte do processo e, por isso se sinta útil a “causa”, colaborando com a sua própria exploração.
            A Esquerda aceita a todos, sem distinção de credo, cor, etnia sexo e orientação sexual, ao tempo que a Direita escolhe os seus. Se eventualmente acolhe um de fora do seu gabarito, é apenas por que naquele momento ela precisa deste para alcança os seus objetivos; feito isso ele é descartado, a exemplo do que aconteceu com o Ministro Joaquim Barbosa, que foi herói da direta até que não mais teve utilidade e foi jogado ao ostracismo.
            Engana-se o negro, o homossexual, o índio, a mulher ou quaisquer outros da casta inferior achar que vai ser aceito pela Direta o tempo todo.     Voltando ao caso de Joaquim Barbosa, que chegou a ser Ministro do STF, para a direita ele vai sempre um negro que por algum motivo conseguiu pular o muro da desigualdade de classe, para onde deve voltar.
            Portanto, mudar de casta não quer dizer ser aceito naquele grupo social. Às vezes nem mesmo na cabeça dos que suspostamente ascendeu socialmente, cabe a ideia do “agora faço parte...”: na hora de servir a champanha o garçom sempre vai passa batido por ele. Sempre vai ter um alguém que o veja como o manobrista da festa.

*Escritor e Pesquisador pombalense

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