CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Felicidade

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O homem conduzido pela insatisfação reclama de tudo e questiona o sucesso dos semelhantes. Cada vez mais se alimenta da ostentação, como se esta fosse residência da felicidade.
Nada que possui lhe satisfaz. Sempre está procurando algo a mais, como se esse mais fosse o pó mágico da felicidade. Culturalmente, o ser humano desde o nascimento recebe ensinamentos e orientações para viver em busca de sonhos voltados para o ter. É o viver em uma mansão, em um apartamento de cobertura, ter um supercarro, um grande barco e por aí vai. E quanto mais tem, mais consome e
não se satisfaz. Adquire algo, mas passados alguns meses ou alguns anos, já se destinam a investirem na troca desses bens por outros de maior porte.
É um mundo de ostentação. Infelizmente até a música brasileira foi contaminada por esse comportamento no mínimo obnubilado. Levados por um perverso consumismo que conta com o apoio da grande mídia, jovens aparecem em todos os tipos de redes sociais e meios de comunicação, e, sob o ritmo do funk ou outro qualquer, massificam ostensivamente a ideia de que a felicidade reside no possuir graduados bens materiais.
Dificilmente encontramos comunidades que promovem uma orientação aos seus jovens direcionada para a importância do caráter espiritual de nossa existência, ao tempo em que planta também a consciência de que o aspecto materialista deve ser encarado apenas como forma de nos permitir um viver com dignidade no trajeto de nossa passagem por esse mundo terra.
É preciso lembrar o pensamento de Cora Coralina, que costumava dizer: “Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas”.
O caminhar pela vida é sempre repleto de pedras, mas também de jardins com belas flores. Quando semeamos o bem, plantamos no coração dos nossos irmãos o viver sob o equilíbrio da simplicidade, da fé e do amor, daí a certeza de, indubitavelmente, termos sim a capacidade de transpormos as pedras e no final, sentirmos o perfume inebriante da sossegada paz, que emerge como prêmio dos jardins da alma.
*Escritor pombalense e Juiz de Direito

onaldorqueiroga@gmail.com

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