CLEMILDO BRUNET DE SÁ

31 DE OUTUBRO DE 1517 - DIA DA REFORMA PROTESTANTE! DIA 31 DE OUTUBRO DE 2009 - 492 ANOS DA REFORMA!

Pastor Claudio Alves da Silva (Foto)
O QUE FOI A CONTRA-REFORMA?
Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis, bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. No Concílio de Trento ficou definido: 1. Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas;2. Retomada do Tribunal do Santo Ofício - Inquisição: punir e condenar os acusados de heresias;3. Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica. “Sob a Lei do Santo Ofício, ou da Santa Inquisição, a Igreja Católica Romana ao longo da sua história matou milhares de crentes protestantes que tinham aceitado a Jesus como salvador”.
UM POUCO DA HISTÓRIA DE MARTINHO LUTERO
O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg (Na Alemanha) as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina Católica Romana.
As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências. De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto a imagens e revogou o celibato. Martinho Lutero antes de se tornar um crente na Pessoa do Senhor Jesus; o mesmo foi monge e teólogo Católico Romano.
31 DE OUTUBRO DE 1.517 – DIA DA REFORMA PROTESTANTE
Dia 31/10/2009 – Comemorou-se os 492 Anos da Reforma.
O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. Podemos destacar como causas dessas reformas: abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo, fruto do pensamento renascentista.
A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais deixavam a população insatisfeita.
A burguesia comercial, em plena expansão no século XVI, estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos.
Por outro lado, o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma, com a venda das “INDULGÊNCIAS” (venda do perdão divino, venda da salvação, tipo uma cobrança de pedágio eclesiástico, para a alma do pecador entrar no céu). No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza.
O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O homem renascentista começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. No contexto sócio-político e religioso acima descrito, Deus levantou Martinho Lutero.
"E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos". Atos 4:12.
"SÓ O SENHOR JESUS SALVA"!
Pr. Cláudio Alves da Silva – Pesquisa.
Fonte: Boletim 92 da Igreja Evangélica Congregacional de Pombal-PB.

A LUA E HOMEM.

Severino Coelho Viana (Foto)
Por Severino Coelho Viana*
A lua geofisicamente é o satélite natural do planeta Terra, mas poético e liricamente é o mundo dos poetas e dos sonhadores onde encontram inspiração e dos enamorados da noite que procuram um ponto de referência para a evasão dos sonhos irrealizáveis e das esperanças do porvir. Dimensiona-se como um vasto campo para o mundo supersticioso que alimenta as satisfações oníricas e descreve as linhas imaginárias do agouro e do insucesso no caminho insondável do mundo místico. É o luar encantador das caatingas no sertão nordestino e um quadro desenhado pelo pintor da natureza quando visto da orla marítima que embeleza o marejar das ondas do mar.
E a confusão continua e continuará por muito tempo ainda no âmbito das duas alas que acreditam ou não na aterrissagem do homem no solo lunar depois de quarenta anos que se passaram, ocorrido no dia 20 de julho de 1969. A polêmica é salutar, faz parte do jogo democrático, e cada ala tem fortíssimos argumentos na defesa de suas proposições. Os realistas afirmam que sim, os oponentes asseguram que o fato não passou de uma tremenda conspiração planejada pela NASA.
Antes, porém, de adentrar no âmago da discussão, o homem de cultura mediana cada um tem as reservas para os aspectos lunares de acordo com o seu próprio sistema interior de observação da vida e dos fatos. A lua é muitas vezes encarada de forma negativa - O que talvez se deva ao fato de, ao contrário do Sol, não ter nem gerar luz própria. A variação aparente de sua forma permaneceu durante muito tempo misteriosa. Também se especulou muito sobre a influência indecifrável que este satélite da Terra exercia sobre as mulheres, o humor dos indivíduos (até provocar a loucura, pretende a lenda), o movimento das marés e as ondas do mar. A selenologia, ou estudo da Lua, afirma que a fase quarto crescente favorece tudo o que cresce, quer se fale de empreendimentos, da cultura da terra, da felicidade ou de infelicidade (até à lua cheia, incluindo essa data); a quarto minguante é 'favorável' a tudo o que declina e se fortalece do interior (as colheitas...). Cortar o cabelo ou as unhas, praticar uma sangria ou um purgante: todas estas operações estavam outrora sujeitas às datas das fases da Lua. Influência sobre os animais - Em Espanha, outrora, evitavam-se cuidadosamente os períodos de lua cheia para matar um porco; na verdade, temia-se que a carne se deteriorasse rapidamente e que se tornasse impossível conservá-la. Além disso, consta que os bezerros e os cordeiros concebidos durante esta fase não sobrevivem ou dão origem a partos difíceis. A linha da Lua - de noite, quando a Lua está visível, o seu reflexo desenha no mar uma linha que os pescadores irlandeses evitam passar por cima. O halo da Lua - este halo, quando aparece, anuncia chuva.
O nome do módulo, Apolo XI, chamava-se de Águia, e a águia é uma ave de rapina, quando Neil Armstrong pisou no solo lunar falou: “este é um pequeno passo para o homem, mas um gigante salto para a humanidade”.
Uma análise interessante, que combina com as linhas misteriosas do aspecto lunar, depois de decorridos 40 anos, dos três astronautas que compunham a cápsula , somente Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram o solo lunar, enquanto Michael Collins ficou dentro do módulo espacial. Todos os três têm a mesma idade, nasceram no ano de 1930. A vida dos dois que pisaram no solo lunar, parece que se conjugam com o sentido supersticioso da lua e não enveredaram muito para o lirismo poético. Por exemplo, Neil Armstrong se recusa a falar categoricamente sobre a viagem lunar e não dar autógrafo. Não gosta quando divulga comercial usando o nome dele. Em 1994, ele processou Hellmar Cards porque usou a sua imagem sem permissão. Em 2005, processou o barbeiro porque vendeu um molho de cabelo sem sua autorização. Por ocasião do divórcio, com sua primeira esposa, ela alegou que foram “anos de distância emocional”. Todavia, ele vive com a segunda esposa, Carol.
Buzz Aldrin, que pisou com Armstrong o terreno lunar, no retorno a Terra, caiu em depressão, leva uma vida de alcoólatra e permanece com colapso de nervo. Divorciou da primeira esposa e já se casou três vezes, sendo totalmente desligado com os assuntos familiares. Enquanto isso, Michael Collins, o único que não pisou o solo lunar, pois ficou no recinto do módulo espacial, por incrível que pareça, por ter ficado o menos famoso dos três astronautas, é o único que vive uma vida tranquila ao lado de sua primeira esposa, Pat.
Por outra banda, a teoria da conspiração à aterrissagem lunar, com os seus fortes indícios de convencimento, dentre tantos defensores, podemos citar, Marcus Allen, um famoso fotógrafo inglês, de carreira profissional, distribuidor da magazine Nexus, afirmou que a aterrissagem do homem na lua, não passou de uma tremenda fraude. Á época do fato, foram notícias omitidas, houve conspiração e assuntos inexplicados, alegando que o noticiário está completo de dúvidas, indicando que os trajes espaciais são inadequados, ineficácia da câmera de filmagem, não tinha visor nem focalizador e não tinha fotômetro de câmera uma vez que os pilotos não dispunham de lentes sofisticadas. A velocidade e o obturador eram manuais e precisavam ser recarregados. Para isso, eles teriam que fazer um trabalho muito resistente para suportar a pressão interna, levantando as seguintes questões: 1) as estrelas não aparecem na fotografia: 2) a bandeira flutuava quando na lua não tem vento; 3) a cápsula ficou plana na superfície lunar; 4) Neil Armstrong se recusa terminantemente a falar sobre a aterrissagem lunar; 5) a tecnologia da época era primitiva e incompatível com a nossa realidade. Isto é, se fosse hoje era possível fazer toda aquela filmagem divulgada pela NASA.
Esclarecendo resumidamente o projeto Apolo: Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy estabeleceu para os Estados Unidos a meta de, antes do final daquela década, colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta com segurança a Terra.
Em 27 de janeiro de 1967, um incêndio a bordo da Apolo I matou três astronautas norte-americanos. Um curto-circuito pôs fogo na atmosfera de oxigênio puro da cápsula espacial, produzindo em segundos, muitíssimo calor. A mistura atmosférica depois foi alterada, tornando-se mais segura. Melhorias nas cápsulas Apolo, bem como em várias missões orbitais lunares Apolo, resultaram na aterrissagem triunfal da Apolo XI na Lua, no dia 20 de julho de 1969. A inscrição na placa do módulo de alunagem dizia: "Neste local homem do planeta Terra pela primeira vez pisou na Lua, julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade." Por ocasião do encerramento do programa Apolo, os astronautas norte-americanos tinham passado cerca de 160 homens-hora explorando a Lua, a pé e utilizando exploradores movidos à eletricidade. Os astronautas conduziram muitas experiências de vários tipos e trouxeram, ao todo, aproximadamente 360 quilos de rochas e solo lunar de suas missões.
AS PRINCIPAIS MISSÕES APOLO FORAM AS SEGUINTES
Apolo VIII: 21 a 27 de dezembro de 1968, fotografou a Lua enquanto estava em órbita. Os astronautas dessas missões foram Borman, Lovell e Anders. A Apolo VIII trouxe uma série notável de fotografias coloridas do lado escondido da Lua.
Apolo X: 18 a 26 de maio de 1969, foi um vôo orbital lunar tripulado pelos astronautas Stafford, Young e Cernan.
Apolo XI: 16 a 24 de julho de 1969, a primeira alunagem tripulada realizada pelos astronautas Armstrong e Aldrin. O astronauta Collins comandou a nave-mãe que permaneceu na órbita lunar, esperando o retorno dos primeiros homens a andar no solo Lua.
Apolo XII: 14 a 24 de novembro de 1969, outra alunagem lunar bem-sucedida, os astronautas Conrad e Bean caminharam na Lua e o astronauta Gordon ficou em órbita lunar aguardando seu retorno.
Apolo XIII: 11 a 17 de abril de 1970, astronautas Lovell, Swigert e Haise a bordo. A Apolo XIII foi o malfadado vôo, não foi tentada a aterrissagem na Lua por causa de uma misteriosa explosão ocorrida anteriormente num dos tanques de oxigênio. Porém, os astronautas da Apolo XIII cumpriram suas missões fotográficas a partir da órbita lunar.
Apolo XIV: 31 de janeiro a 9 de fevereiro de 1971, chegou à Lua sem dificuldades e aterrissou com segurança. Os astronautas Shepard e Mitchell caminharam na Lua enquanto o astronauta Rossa pilotava a nave-mãe na órbita lunar.
Apolo XV: 26 de julho a 7 de agosto de 1971, outra missão de aterrissagem bem-sucedida, os astronautas Scott e Irwin realizavam experiências na Lua, enquanto o astronauta Worden esperava seu retorno na nave-mãe. Deve-se dizer que todos os astronautas que pilotavam a nave-mãe tinham sua parte de experiências a realizar, bem como numerosas missões fotográficas. Além disso, as mensagens de rádio enviadas pelos astronautas que estavam na Lua eram transmitidas a Terra pela nave-mãe. O público deve entender que os astronautas que não puderam andar na Lua merecem tanto respeito e crédito quanto os que andaram.
Apolo XVI: 16 a 27 de abril de 1972, aterrissou na Lua, e os astronautas Young e Duke realizaram experimentos na superfície. O astronauta Mattingly ficou orbitando a Lua, esperando o regresso de seus companheiros exploradores lunares.
Apolo XVII: 7 a 19 de dezembro de 1972. Foi a última missão Apolo de alunagem, o local de alunagem ficava no vale Taurus-Littrow. A tripulação da Apolo XVII era composta pelo astronauta Cernan, cientista astronauta Schmitt, e o astronauta Evans, que ficou circulando na órbita lunar.
João Pessoa, 29 de outubro de 2009.
*Pombalense e Promotor Público em João Pessoa - PB. scoelho@globo.com

CUIDADO! FRÁGIL...

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
As palavras acima servem de alerta e são encontradas em caixas ou caixotes de embalagens de produtos que são transportados de um lugar para outro; algumas delas acrescidas das recomendações: “Este Lado Para Cima ou Se Estiver Violado Não Receba”. Chama-nos atenção para o fato de termos cuidado não somente com a embalagem, mais o conteúdo dentro dela. Infelizmente nós seres humanos não damos conta da nossa fragilidade no nosso relacionamento com o próximo. Bom seria se cada um levasse na sua embalagem de modo bem visível para que os outros vissem - o indicativo: Cuidado! Frágil...
O conteúdo vale mais que a embalagem, se não fora assim, não estaria rodeado de tantas advertências; no entanto, fica claro que a embalagem é quem chama atenção, pois nela consta o que o produto oferece ao usuário, o que na maioria das vezes torna-se uma propaganda enganosa. É o exterior aparentando aquilo que não é no interior. Nós seres humanos somos tão frágeis, “permita-me a comparação”, que não nos apercebemos disso, uma lástima! O apóstolo São Tiago nos adverte como deve ser nossa ação no relacionamento com os nossos semelhantes.
“Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim”Tg.3:7-10.
No final o apóstolo faz uma analogia que uma fonte que jorra água doce não pode dar o que é amargoso, nem a figueira produzir azeitonas ou a videira figos, e ainda é taxativo: “Fonte de água salgada não pode dar água doce”.
Desconhecemos a realidade das coisas quando lidamos com a nossa sensibilidade ou a sensibilidade do nosso próximo. Não sabemos o que o magoou ou quando ficamos magoados, deste modo o conteúdo (produto) que está no nosso âmago se manifesta, sem nenhuma percepção que no invólucro, mesmo escondido, está advertência: Cuidado! Frágil...
Somos frágeis no conteúdo; carne e osso, porém não queremos jamais admitir que a embalagem “nosso exterior”, mostre aos outros a nossa fragilidade; aí, atritamos nossa consciência com ressentimentos, mágoas, desgostos etc. O perigo é reciclar a embalagem e não fazer o mesmo com o produto. Jesus Disse: “Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”. Mt.9:16,17.
Enganamos a nós mesmos quando nos apresentamos de um modo e não somos aquilo que aparentemente a nossa embalagem apresenta; bonita, bela, etc. Jesus, onisciente e conhecedor da natureza dos homens, disse para os seus patrícios, o que eles eram na realidade por trás da aparência de suas embalagens. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia”. Mt.23:27.
Cuidemos, pois não só da embalagem, mas do conteúdo que está dentro!
*RADIALISTA

"DOUTOR, TENHO O CORAÇÃO CRESCIDO"

Mª do Bom Sucesso L. Fernandes Neta*
Muitas vezes, nós, profissionais da saúde, nos deparamos com essa afirmação. Dentro desse contexto, será abordada a Doença de Chagas, a qual comemora, em 2009, seu centenário. A patologia a ser descrita foi descoberta em abril de 1909, por Carlos Chagas, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, representando um marco na história da medicina.
No tocante à epidemiologia, atualmente, há cerca de 12 milhões de portadores da doença na América Latina e aproximadamente 2,5 milhões de pessoas infectadas no Brasil, existindo áreas endêmicas em quase todo o país. Além disso, em 1990, a mortalidade pela doença de Chagas foi estimada em 3,9/100.000 habitantes no Brasil.
A doença de Chagas ou Tripanossomíase Americana é uma patologia infecciosa, de curso crônico, e que tem como agente etiológico um protozoário parasita, chamado Trypanosoma cruzi. A transmissão pode ser: vetorial, transfusional, vertical (durante a gravidez) ou por via oral (caso de contaminação por ingestão de caldo-de-cana contaminado com fezes do “barbeiro”, em Santa Catarina), sendo mais comum a primeira forma.
O vetor (agente que transmite a doença) é um inseto, o triatomíneo, conhecido popularmente como “barbeiro” ou “chupão”, o qual possui hábitos noturnos, vive em frestas de casas de pau-a-pique, tocas de animais, casca de troncos de árvores, dentre outros.
Tal inseto, ao se alimentar do sangue de animais (cão, tatu, gambá, rato, entre outros) e/ou outros humanos contaminados, se infecta e, ao picar um indivíduo saudável, deposita suas fezes (contaminadas com o parasita). O indivíduo coça o local da picada, espalhando as fezes do inseto, que entram em contato com solução de continuidade da pele/mucosas e, dessa forma, há contaminação com o T. cruzi.
As manifestações clínicas da doença são várias, apresentando alterações peculiares nas respectivas fases: aguda, indeterminada e crônica. A fase aguda dura cerca de dois a quatro meses e é caracterizada por parasitemia alta (grande quantidade de parasitas na circulação sanguínea). Algumas vezes, pode ser sintomática ou oligossintomática.
No local da picada pelo vetor, observa-se o chamado chagoma de inoculação (área vermelha e endurecida); quando essa lesão é próxima aos olhos, é conhecida como sinal de Romaña. Além disso, o paciente apresenta adenomegalia em linfonodos próximos à lesão.
Após um período de incubação (5-14 dias), o paciente apresenta febre (prolongada e recorrente), linfoadenomegalia generalizada, rash cutâneo (vermelhão generalizado). Pode haver alterações cardíacas, hepatomegalia, esplenomegalia. Em casos graves, o indivíduo pode apresentar quadro de meningite ou encefalite.
Com o término da fase aguda (aparente ou inaparente), caso não seja feito tratamento específico, o paciente evolui para a fase crônica.
A fase indeterminada é uma forma crônica, na qual o paciente apresenta exame sorológico positivo para a doença, no entanto não tem alterações identificáveis por exames específicos. Esta fase pode durar toda a vida ou, após cerca de 10 anos, pode evoluir para outras formas. Na fase crônica, o indivíduo pode apresentar alterações cardíacas e/ou digestivas ou ainda em outros órgãos, sendo estas menos comuns.
Acerca das alterações cardíacas, constata-se que entre os indivíduos infectados, aproximadamente 25-35% apresentam comprometimento cardíaco. Outro dado pertinente: dos casos que evoluem mal, 91% apresentam insuficiência cardíaca. Causam importante limitação no chagásico crônico e provocam alto percentual de mortes.
O paciente pode ser assintomático (com alterações no eletrocardiograma) ou apresentar desde arritmias, acidentes tromboembólicos, insuficiência cardíaca até morte súbita. Vale ressaltar ainda que, uma das principais características do paciente chagásico de longa data é a presença de cardiomegalia (observada na radiografia de tórax), o famoso “coração crescido”, referido no título do artigo.
Sobre os danos ao trato digestivo, há principalmente complicações relacionadas aos plexos nervosos, envolvendo alterações na motilidade e morfologia, resultando em megaesôfago ou megacólon, esôfago e intestino grosso dilatados, respectivamente. Tais alterações podem ser observadas através de exames radiológicos contrastados.
Para se fazer o diagnóstico, deve-se suspeitar da patologia (paciente oriundo de áreas endêmicas, contato prévio com “barbeiro”), avaliar sintomatologia do indivíduo e recorrer a exames laboratoriais, os quais compreendem: métodos parasitológicos, para identificação do parasita e/ou métodos sorológicos, para detecção da resposta imunológica do hospedeiro.
O tratamento vai depender da fase da doença. Sob supervisão médica, existe terapêutica satisfatória usada na fase aguda, a qual deve ser instituída precocemente. Já na fase crônica, são utilizados recursos diversos a depender das complicações existentes.
No caso da doença de Chagas, a prevenção é a melhor medida. Deve-se evitar contato com o “barbeiro”, visto que não se sabe qual deles pode estar contaminado com o T. cruzi e portadores do parasita, mesmo que assintomáticos, não podem doar sangue.
Portanto, para erradicar a doença de Chagas, como medida de vigilâncias sanitária e epidemiológica, devem ser realizadas: eliminação do inseto transmissor ou manutenção do mesmo afastado do convívio humano.
Como diria o dr. Fernando Lianza Dias (cardiologista e cordelista): “Só se conhece a vitória/se todo mundo ajudar/ Aí chegará o dia/ Dessa doença acabar”.
*Mais conhecida por Cessinha, 20 anos, natural de Patos, acadêmica do 7° período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco F. da Silva Júnior e Zeneida Furtado L. Fernandes, titulares da Hiperfarmacia Bom Sucesso em Patos-PB.

XV FESERP - FESTIVAL SERTANEJO DE POESIA - PRÊMIO AUGUSTO DOS ANJOS 2009.

REGULAMENTO
I – DO EVENTO E SEUS OBJETIVOS: Art. 1º O XV FESERP Festival Sertanejo de Poesia, é uma realização da APC - Acauã Produções Culturais e do Ponto de Cultura Casa da Cultura Antonio Nóbrega e será realizado na cidade de Aparecida PB, no período de setembro a dezembro de 2009. Art. 2º Poderão inscrever-se no XV FESERP todos os poetas, de todas as regiões de qualquer país, independentes de estilo, gênero ou nacionalidade, que concorrerão em absoluta igualdade. Art. 3º As obras devem ser exclusivas no idioma português, sendo inéditas e originais. Art. 4º O XV FESERP tem como objetivos: a) A promoção dos poetas, favorecendo o intercâmbio de idéias na busca de espaços para divulgação dos mesmos; b) Fomentar a discussão entre artistas e população, criando espaços para manifestações entre educadores e educandos, para um maior crescimento cultural; c) Homenagear o mais expressivo poeta paraibano Augusto dos Anjos (Paraibano do Século XX) concedendo aos vencedores um troféu que traz seu nome; d) Descobrir novos talentos da poesia nacional.
II - DAS INSCRIÇÕES: Art. 5º As inscrições deverão ser feitas no Ponto de Cultura Casa da Cultura Antonio Nóbrega, Rua Cecílio Abrantes, s/n, CEP 58823-000, Fones: 0xx-83. 9112.2515 Aparecida /PB. E-mail: feserp@ig.com.br e apcfeserp@bol.com.br. Maiores informações no blog: http://www.apcfeserp.zip.net/. § 1º - Só serão aceitas inscrições pessoalmente ou via correio. § 2º - O período de inscrição será de 15 de setembro a 15 de novembro de 2009. Art. 6º A formalização das inscrições se processará mediante a entrega das poesias datilografadas em espaço dois ou digitadas em espaço simples (Word), em quatro vias acompanhadas da identificação do autor (Nome, endereço completo e um breve currículo). § 1º Nas cópias da poesia não deverão constar os nomes dos autores, apenas o nome da obra, a identificação deverá ser feita em folha, à parte e anexada a obra. § 2º Cada poeta poderá inscrever apenas uma poesia e a mesma não poderá conter mais que duas laudas (páginas). Art. 7º Os promotores do evento não se obrigam a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando os mesmos na guarda da Comissão Permanente do FESERP para posterior reprodução em livro. Art. 8º O ato da inscrição implica automaticamente na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste Regulamento. Art. 9º As poesias que chegarem após o encerramento das inscrições ficará automaticamente inscritas para a próxima edição.
III - DO JULGAMENTO: Art. 10 O Julgamento das obras será feita por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência comprovada na cultura nacional, que atribuirão notas de 0 a 10 ao material inscrito, no prazo de 15 dias após o término das inscrições, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária. PARÁGRAFO ÚNICO – Em caso de empates entre os três primeiros colocados o desempate se dará pela nota do 1º jurado, persistindo o empate os jurados serão contactados para atribuírem novas notas aos referidos trabalhos.
IV - DA PRÊMIAÇÃO: Art. 11 A premiação do XV FESERP acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de dezembro de 2009, a partir das 20:00h, no Espaço da Cultura à Rua Cecílio Abrantes, S/N – Aparecida/PB, dentro de uma intensa programação cultural. Neste evento será lançada a Antologia Poética do FESERP volume V com as poesias classificadas na XII, XIII e XIV edição do festival. Art. 12 Os três primeiros colocados no XV FESERP, receberão o troféu AUGUSTO DOS ANJOS, confeccionado pelo artista plástico Berg Almeida, um livro ANTOLOGIA POÉTICA DO FESERP volume IV e Certificado de participação. Art. 13 As poesias melhores colocadas farão parte do livro ANTOLOGIA POÉTICA do FESERP volume VI, que será lançado posteriormente pela APC. Art. 14 Todos os participantes receberão certificado de participação independente da Classificação. Art. 15 Os casos omissos a este regulamento serão resolvidos pela Comissão Permanente do FESERP – COPERF.
Aparecida – PB, setembro de 2009
Laercio Ferreira de Oliveira Filho Coordenador da COPERF

EU SOU DOIDO E GOSTO DE DOIDOS...

Maciel Gonzaga (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Existem muitas definições para a loucura. Uma delas seria: enfermidade mental que faz com que o homem pense e aja de forma desconexa e sem sentido. Se um filósofo tende a dar pontos de vista novos a temas do cotidiano, ele será a princípio rejeitado e tachado como louco, pelo que chamo de sistema de autodefesa contra o novo, que a maior parte das pessoas possui. Essa seria a única explicação plausível que a lógica permite dar para algo que está fora de seu domínio racional. Neste contexto, o filósofo pode dar uma nova definição, para o adjetivo que lhe é atribuído: agir de uma forma que a maior parte dos espectadores não compreende ou discorda. Se por ventura seu pensamento venha a ser finalmente diluído, ele pode vir a ser chamado de gênio. Sendo assim estamos sempre numa linha tênue entre insanidade e genialidade, e o lado em que estamos pisando dependente de quem o está observando.
De vez em quando me pego refletindo sobre doidice. A doidice da gente, essa que todos temos, em maior ou menor grau. O doido fala o que pensa e externa o que sente, sem lisuras. Nada mais é do que uma pessoa visionária, entusiasmada com a vida e uma mente incomum. Por isso, confesso: Eu sou doido e gosto de doidos. E não é de hoje. Fui casado algumas vezes, cada uma delas mais doidas. Tanto é que alguns desses casamentos não deram certo. Só não consigo ficar muito tempo com um doido ou uma doida porque, isso sim, seria uma loucura. E não sou louco. Sou doido. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. Quero dizer que todo o meu universo é de gente doida. Trabalho com assessoria política. Gosto dos doidos alegres, que fazem a vida da gente mais divertida com suas tiradas espirituosas.
Jerdivan Nóbrega já escreveu sobre os doidos das ruas de Pombal nos anos 60. Falou de Luzia Carne Assada, a síntese da deselegância; Bisel, o famoso “Casco de Burro”; Mané Doido, Clóvis – que sabia o bicho do dia; “Nina Pata Choca”; “Barrão 70” - entre todos, o mais violento; Expedito Doido e Gerinha - os mais pacientes; Zé Capitula; Maria Quexim, Xica Pavi; Nonato; Bode Veio e tantos outros...
Aproveito o ensejo para contar estória de um desses personagens pombalenses dos anos 60 não citado por Jerdivan: “Cachorro Barbudo” ou “Pão de Milho”. Era um pescador que morava na Rua Nova Vida (depois Vicente de Paula Leite) em frente a nossa casa, que era a de número 570. Tinha vários filhos e o mais novo chamava-se Manuelzinho ou como nós o chamava carinhosamente “Manuel de Pão de Milho”. Não admitia por nenhuma hipótese que alguém o chamasse de doido ou de um dos dois apelidos que, confesso, foram dados por mim.
Quando um moleque do nosso convívio – Valdir Mendonça, Aleijado Bernardo, Geraldo Bucho Verde, Dedé Pé de Bola, Chaguinha, Paulo Cubal, o Gordo e o Magro, Zé Coelho, João Fon-Hon-Hon – o mais velho de todos – uma turma do Cassete Armado, gritava “Pão de Milho” a rua virava um verdadeiro pandemônio. Saiam de dentro de casa o próprio, com uma faca de 12 polegadas na mão e uma foice na outra, sua mulher Maria e a filha Chica, todas armadas de cacete, falando ao mesmo tempo e “espraguejando” a molecada.
Na nossa casa, a minha mãe Roza Gonzaga vendia frutas que vinham do Sítio Roncador, de propriedade do Sr. Miguel da Silva. O meu irmão Massilon Gonzaga, que era conhecido por “Nego Quinha” – que até hoje gosta de doido igual a mim – oferecia uma manga a Manuelzinho para ele chamar o próprio pai de “Pão de Milho”. O menino, que na época deveria ter em torno de 8 a 10 anos, recusava e ainda condicionava: “Só faço por três mangas”. Começavam as tratativas (negociações). Massilon oferecia duas mangas ou três para que o apelido fosse chamado por dois dias seguidos. Tudo acordado entre as partes.
Manuelzinho chamava o pai de “Pão de Milho”, a rua virava um verdadeiro inferno, enquanto a galera toda estava em uma verdadeira arquibancada de risos e delírios. Ao final de tudo, o tal “Cachorro Barbudo” ou “Pão de Milho” não reconhecia que o grito fora dado por seu próprio filho e dizia: “Eu sei que quem está à frente de toda essa safadeza é esse filho de Roza, o tal do Maciel. Ele é o mais safado de todos e ainda diz que quer estudar para ser padre. Quando Roza chegar eu vou contar pra ela”. Eu pagava o pato pela safadeza de Massilon. O "Manuelzinho de Pão de Milho" gostava tanto da safadeza e já estava tão mal costumado que, quando dava por volta de 16 horas, ficava a certa distância da nossa casa a todo instante gritando: "Nego Quinha! Vamos lá...Tá na hora". Isso, na espera de ganhar mais uma manga ou de cumprir o acordo do dia anterior .....
Felizmente, quando nossa mãe chegava do trabalho na Maternidade Sinhá Carneiro e era informada de todo ocorrido do dia fazia a minha defesa e sempre dizia: “Meu filho Maciel não é menino para fazer isso. Isso é coisa do safado do Massilon e ameaçava dar-lhe uma surra”. Hoje, cerca de quase 50 anos depois, assumo o meu papel de réu confesso: eu também tinha participação na brincadeira. Afinal, naquela época, eu já gostava de doidos...
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal-RN.

O MALFADADO HORÁRIO DE VERÃO!

CLEMILDO BRUNET*
“Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” Ec. 7:29.
Você já parou alguma vez para perguntar pra que serve o horário de verão? Sabemos nós que quando o sol está no maior pico é meio dia. O horário de verão foi criado partindo do pressuposto que parte do ano, nos meses de verão, o sol nascia antes que a maioria das pessoas se levantasse. Benjamim Flankin, um dos homens mais influentes da história política e científica dos Estados Unidos, cogitou a idéia do horário de verão pela primeira vez em 1784, concluindo que se os relógios fossem adiantados, a luz do dia poderia ser mais bem aproveitada.
A ideia não foi aceita, porém, em 1907, na Inglaterra, um membro da Sociedade Astronômica Real, chamado William Willet, começou um movimento propondo alterar o relógio no verão para reduzir o que classificava de “desperdício de luz diurna”. Willet morreu em 1915, um ano antes de a Alemanha aceitar a tese que ele defendia, tornando-se o primeiro país no mundo a adotar o horário de verão.
Aqui no nosso país, a história do horário de verão teve início na década de 30, veio pelas mãos do então Presidente Getúlio Vargas. A estréia teve a duração de quase meio ano, de 3 de outubro de 1931 até 31 de março de 1932. Passados 18 anos sem a sua instituição, o horário de verão veio a ser novamente adotado em razão da queda do nível dos reservatórios de água das hidrelétricas, por volta de 1985/1986. Depois desse período, o horário de verão vem ocorrendo todos os anos.
Por Decreto do Presidente da República fundamentado em informações fornecidas pelo Ministério das Minas e Energia, desde 1985 o horário de verão é implantado na segunda quinzena do mês de outubro. Excetuando-se em 2006, que foi adiado por três semanas em virtude do segundo turno das eleições, teve início em 5 de novembro. O medo era que o horário de verão pudesse provocar problemas no sistema de funcionamento das urnas eletrônicas.
O objetivo principal do horário de verão é promover a economia de energia elétrica, com aproveitamento da luz natural dos dias mais extensos dessa época do ano. Embora para alguns a economia não seja significativa, pois na prática em média gera apenas 1%, e na demanda, no horário de pico, 3,5 a 5%. Mesmo assim, na temporada de verão de 2006/2007 houve uma economia de cerca de 50 milhões de reais, com 4% na demanda de energia nos horários de pico, e 0,5 % durante todas às 24 horas dos dias.
Por outro lado, o horário de verão é prejudicial, pois muda a agenda das pessoas, começando pelas mudanças no funcionamento do organismo da espécie humana; o hábito de dormir em determinada hora, a hora certa de se alimentar e outros fatores que envolvem as condições fisiológicas do individuo. Ocorrem também mutações nas nossas atividades normais, repartições que abrem mais cedo, fazendo com que muitos sofram vexames e apressem seus passos na caminhada para o labor.
Imagine um funcionário que tenha de chegar ao seu trabalho às 6 horas da manhã, ele terá de acordar no mínimo duas horas antes. No horário de verão, acorda às 4 sendo ainda escuro, pois no horário natural são 3 horas da manhã. E para os que trabalham em centros elevados que devido à distância do local de trabalho, tem que acordar horas antes, preparar a marmita, seguir viagem em plena madrugada, sujeito a assaltos, a sanha da violência de bandidos que varam a madrugada, sem ao menos se importar com a situação dos que trabalham para o sustento da família.
A despeito do Nordeste não acompanhar o horário de verão, essa mudança que ocorre nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, tem influenciado em certo aspecto mudanças aqui, os adaptando ao horário de verão. As casas bancárias obedecem ao horário oficial de Brasília e as TVs modificam o horário da programação atingindo até os chamados programas locais. No início causa uma verdadeira confusão na mente do cidadão nordestino que estava acostumado a sua rotina.
Chegou o malfadado horário de verão que teve início este ano à zero hora do dia 18 de outubro e seu término se dará à zero hora do dia 21 de fevereiro de 2010. Durma-se com um barulho desses!
*RADIALISTA.

CELSO FURTADO: DUAS VEZES INDICADO AO NOBEL DA ECONOMIA.

Jerdivan(Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araujo*
O Pombalense Celso Furtado foi indicado ao Nobel de Economia por sua contribuição ao estudo de economias de países em desenvolvimento, no ano de 2003. O segundo mais cotado, naquele ano era o indiano Amartya Sen, que como Celso estudava o desenvolvimento econômico para países subdesenvolvidos, mas que já havia sido premiado em 1998.
As teorias de desenvolvimento econômico de Amartya Sen e a do Celso Furtado são bem próximas uma da outra. Isto, talvez, por suas origens e suas raízes. Não é difícil de se comparar a distribuição de renda da Índia, onde nasceu Amartya Sen com a do sertão Brasil onde nasceu Celso Furtado. Os dois, portanto, naquele ano poderiam ter dividido o prêmio.
Os dois cientistas buscavam em suas teorias respostas para perguntas como: Que é a pobreza? Como se mede? Quem são os pobres? Por que são pobres? A diferença entre os dois é que, mais do que buscar as respostas, Celso Furtado apresentou soluções através da criação de instrumentos que proporcionasse uma filosofia desenvolvimentista voltada para o homem.
Lembro que quando o Economista Delfim Neto cunhou a famosa frase “fazer o bolo crescer para depois dividir” O Celso disse não ser possível esperar o crescimento das riquezas para poder fazer a distribuição.: “Só haverá verdadeiro desenvolvimento - que não se deve confundir com crescimento econômico, no mais das vezes resultado de mera modernização das elites - ali onde existir um projeto social subjacente’.
Lula e Celso Furtado (Foto)
Coincidentemente, no Governo Lula, que teve para o seu programa de governo a colaboração do Celso Furtado, deu-se inicio a uma distribuição de riquezas, através dos programas sociais que, apesar de muito criticado ser um programa assistencialista, é reconhecido pela ONU com o mais eficiente já implantado no Brasil. Quanto ao fato de ser assistencialista temos que admitir que, sem uma política de assistência, não há como tirar da miséria absoluta os dois bilhões cidadãos do mundo que vive com menos de 1,3 dólares por mês.
Claro que a forma mais eficiente e correta de distribuir renda é através do acesso à formação profissional e a criação de oportunidades de empregos, porém, como dizia Betinho: “Quem tem fome tem pressa”
O Prêmio Nobel é uma “comenda” capitalista e não socialista, e há quem diga que, o fato de Celso Furtado defender uma teoria econômica desenvolvimentistas, porém com distribuição imediata das riquezas geradas pelo estado, ele acabou por fazer um contraponto aos interesses capitalistas isto somado a sua oposição a ALCA.
Celso Furtado [sentado] (Foto)
Celso Furtado tinha uma opinião firme contra a ALCA. Certa vez ele disse: “A ALCA seria um perigo para o Brasil. Escrevi sobre isso, claramente mostrando que a ALCA é uma manobra dos Estados Unidos para retificar e consolidar a sua posição imperial. Ninguém tem dúvidas sobre isso: a ALCA não foi pensada por ninguém fora dos Estados Unidos, só por eles. Eles fizeram um projeto próprio. Porque eles têm hoje em dia um problema sério de balança de pagamentos, eles têm um desequilíbrio profundo na balança de conta corrente e precisam corrigir isso. Eles querem, portanto, que o mundo se adapte, crie condições para eles continuarem avançando e exercendo o seu poder imperial. A experiência do México, que já tentou a integração com os Estados Unidos, é dolorosa. O México já entrou nessa ilusão de que era uma abertura com os americanos. Se você for ver, os investimentos americanos feitos no México não criam propriamente emprego. Eles estão interessados no mercado americano, usam a tecnologia mais avançada e o resultado final é lamentável. Eu não creio que essa ALCA seja aprovada. (Entrevista de Furtado à Agência Brasil - ABr em julho de 2003).
Quando no dia 10 dezembro de 2003 foi anunciado prêmio Nobel para os Economistas matemáticos Robert F. Engle III (EUA) e Clive W.J. Granger (Reino Unido), não causou surpresas tanto quanto indignação ao meio cientifico. A sua teoria voltada ao grado dos capitalistas: "Pelo desenvolvimento de métodos estatísticos que ajudam a analisar os riscos do mercado financeiro" vencia o que mais Celso Furtado combatia, ou seja: a proteção ao capital especulativo que não traz desenvolvimento aos pais pobres nem distribui riquezas.
O professor Marcos Formiga, (Assessor Especial da CNI/SENAI-DN Professor do LEF/UNB Vice- presidente da ABE.) escreveu que o nome de Celso Furtado foi indevidamente desconsiderado pelo Comitê de Julgamento e que para se compreender as razões, um tanto óbvias, era bastante observar a lista de ganhadores do Nobel em Economia, desde 1969, quando foi instituída essa última modalidade. Lá, escreveu o professor, “é possível se comprovar injustificáveis ausências de nomes fundamentais e autores de obras seminais que estudaram a pobreza e as desigualdades sociais e regionais.
Dentre quase 60 premiados, penas três ou quatro se dedicaram à pesquisa heterodoxa do processo de desenvolvimento econômico, como Ragnar Nurkse (norueguês), Gunnar Myrdall (sueco) quem melhor explicou a pobreza asiática, Arthur Lewis cidadão britânico de Santa Lucia; e mais recentemente Amartya Sen, embora indiano teve de passar pela presidência da Sociedade Americana de Econometria para chegar ao merecido Prêmio. Comenta-se entre os apreciadores do Nobel, que José Saramago, primeiro Prêmio em Literatura para um autor de Língua Portuguesa, teria questionado: “Por que não, Jorge Amado?” Da mesma forma, Amartya Sen, colega de Celso Furtado em Cambridge, teria comentado “ninguém mais do que Furtado mereceria o Nobel de Economia”.
Celso furtado voltou a ser indicado para o Nobel no ano 2004, vindo a falecer antes da eleição da Academia Nobel.
*Escritor Pombalense.

SONHO DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA!

POR JOSÉ ROBERTO DE SÁ*
Hoje eu acordei escrevendo um sonho de uma nova construção. Sonhei que o corpo humano passava por uma transformação. O cérebro que antes se encontrava apenas na cabeça sofreu uma divisão. Parte continua na cabeça controlando todo o movimento do corpo e sua ação. Nesse novo ser humano, a hipocrisia foi eliminada, devido sua volatilização após sua fragmentação. Os novos gametas difundidos, não conseguirão transmitir mensagens de exclusão. Os dedos das mãos passarão a exercer uma outra forma de indicação.
Com a presença do cérebro nos ouvidos do novo corpo humano após sua fragmentação, os ouvidos agora escutarão a palavra de sabedoria e o eco da natureza, retendo-os com mais precisão os ensinamentos de uma vida de inclusão. A língua, a mais complicada parte do corpo humano, agora pensa na emissão das palavras, pois o cérebro encontra-se nela, controlando sua movimentação. Os pés não caminharão mais para as reuniões desumanas, pois neles o cérebro funciona como um sensor emitindo um sinal de alerta, evitando o caminho da escravidão que tange a libertação.
O olho, porta que se abre para os valores da vida, agora não se preocupa mais com as aparências, pois o cérebro nele funciona como a luz, mascarando os velhos valores de vida da escuridão. No coração, motor do corpo humano, não há mais espaço para o rancor, desigualdade, violência e traição. Com o deslocamento de uma grande parte do cérebro para o coração, o novo sangue, combustível do corpo humano, neutralizará todos esses sentimentos de destruição.
O coração mesmo sendo de uma pessoa idosa, agora permanecerá um coração criança, cuja maldade sofrerá filtração. Com a presença do cérebro nos órgãos genitais, haverá o controle do instinto pensar, ocorrendo uma nova construção de vida, sem abandono de novas vidas, pois o cérebro após sua fragmentação ao aumentar sua concentração nos órgãos genitais acabará com a velha formação de vida, levando aos ensinamentos de uma visão de vida com maior reflexão. Acordei! Dentro da lei, essa vida é maravilhosa!
*ENGENHEIRO AGRÔNOMO.

SALVE O PROFESSOR!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Não há ó gente neste país uma classe tão desprestigiada como a do Professor, principalmente os do ensino fundamental e médio, é uma lástima! Eu fico a perguntar como esses personagens suportam tanto dissabores na carreira que abraçaram, entregando-se de corpo e alma aos ossos do ofício, sem que ao menos os poderes públicos olhem para eles e lhes dêem as condições necessárias; a começar dos salários que são tão irrisórios em detrimento de outras categorias, cujos protagonistas aprenderam com eles; se formaram, situando-se em posição privilegiada no exercício de suas profissões.
Nas inúmeras tarefas da vida, o Professor é aquele que vai a busca do conhecimento com profundidade para si e para os outros que vão beber de sua sabedoria. É o professor que em muitas das vezes passa noites mal dormidas; ele tem a preocupação de ler, pesquisar e só é feliz, se o fizer assim: Cumprir com responsabilidade o trabalho que está sobre os seus ombros.
Já faz muito tempo que as nossas autoridades esqueceram que estão, onde estão; em razão de terem frequentados um banco de escola e ali nada mais nada menos, aprenderam as preciosas lições para vida dos ensinamentos benfazejos de um Professor.
O Ensino elementar no Brasil foi criado por D. Pedro I através de um Decreto Imperial no dia consagrado à educadora Santa Tereza D’Ávila, em 15 de outubro de 1827. Pelo Decreto, “todas as cidades, Vilas e Lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. No Decreto foram inseridos: Descentralização do ensino, o salário dos professores, as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como professores deveriam ser contratados. A ideia, inovadora e revolucionária, teria sido ótima se fosse cumprida.
Após 120 anos do Decreto de D. Pedro I, é que o Dia do Professor foi comemorado pela primeira vez em São Paulo. Foi numa pequena escola no número 1520 da Rua Augusta, onde existia o Ginásio Caetano de Campos, conhecido como “Caetaninho”. Nessa época, os professores cumpriam um longo período letivo no segundo semestre de 1 de junho a 15 de dezembro, com apenas 10 dias de férias nesse período.
Como se não bastasse o salário tão pequeno, o professor enfrenta revezes em sua carreira. Custeia de seu próprio bolso algum material ou ferramenta útil ao exercício da profissão, visando tão somente aprimorar o conhecimento de seus discípulos. Não lhe é dado o direito de escolher seus alunos ou classe social dos mesmos. Dessa maneira, dependendo de sua bagagem pedagógica, árdua é a batalha de enfrentar inúmeras cabeças que pensam ou agem de modos diferentes.
O professor é o segundo responsável na formação do caráter do aluno, pois ele transmite seus ensinamentos a pessoas que já receberam suas primeiras lições nos lares onde nasceram. Será que alguma vez alguém teve a lembrança do que se passa na cabeça de um professor. Quais são seus conflitos? Suas emoções? Seus problemas, Quais as dificuldade que enfrenta em casa, na rua, no trânsito? Vamos a procura de um Professor buscar ajuda ou conselho para as nossas dúvidas, e ele ?
Lembremos que ensinar é um dom. Nos primórdios do Cristianismo consta que na Igreja de Antioquia havia profetas e mestres. Saulo de Tarso é citado entre eles. Atos 13:1. Em outra passagem bíblica diz que a proporção do dom de Cristo, “concedeu us para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres Efésios 4 11. E ainda o apóstolo Paulo exorta que: “Se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo”... Romanos 12:7.
Há uma necessidade urgente de se investir na qualidade do professor. Pesquisa do índice Geral de Cursos da Instituição (IGC), divulgado recentemente pelo Ministério da Educação demonstrou uma correlação quase exata entre os piores cursos universitários e os de menos professores com mestrado. Na amostra ficou claro que quanto mais professores horistas, (recebem apenas pelas aulas que dão), pior o desempenho dos alunos.
Salve o Professor!
*RADIALISTA.

NAS GALERIAS DO JOSUÉ BEZERRA.

Prof. Vieira (Foto)
POR FRANCISCO VIEIRA* Não resistindo à sugestão da professora Cessa Lacerda, reabri o baú das reminiscências. De forma imaginária fiz uma viagem ao passado e adentrei ao extinto Colégio “Josué Bezerra”. Circulando entre suas extensas galerias de robustas colunas em série, observei mudanças, algumas até radicais. Foram tantas que a escola sequer existe mais. É mudança ao extremo ou o extremo da mudança. O que antes fora uma escola de ensino médio de renome – uma referência – deixara de existir e o prédio se transformara em unidade da UFCG. Durante o passeio ilusório, muitas lembranças vieram à tona. A propósito, reporto-me ao período de 1978 a 1991, época de minha permanência naquela escola como professor.
Alunas do Josué Bezerra 1957 (Foto)
Percorrendo suas dependências encontrei um vazio inexplicável. A princípio não vi meus alunos, com os quais convivi durante quase duas décadas. Senti falta e lamentei. Eles são a razão da nossa existência, pois sem aluno, não há professor – nem escola. Com carinho lembrei-me de todos, iniciando pelos mais peraltas. Eles atraiam mais a nossa atenção, como: João de Zé de Bú e seus irmãos Clodomiro e Rahim, Antonimar Bandeira, Alcides Batista (filho de Ascendino), Romero Freitas e outros. Com o mesmo sentimento recordei-me de Dr. Hélder Rocha – Juiz de Direito, Dr. Beto Lacerda – Médico, Dr. Alberg Bandeira – Advogado, Dr. Cesário de Almeida – Professor – PHD, Aparecida Calado – Professora e Secretária Adjunta de Educação Municipal e muitos outros nas mais diferentes profissões. Folgo em saber que todos são hoje cidadãos de bem. Com certeza o trabalho não foi em vão.
Surpreso com o silêncio foi à diretoria onde não encontrei Ivonildes Bandeira. Desagradável notícia, pois havia partido para a eternidade, contudo, deixou um exemplo de vida dedicada à educação. Deixou-nos como legado exemplos de honestidade, ética e dignidade. A ela reputo: a maior administradora escolar do município, além de exímia professora de história. Com saudade lamentei a ausência de Padre Sólon. Na verdade, uma saudade aliviada, pois não corria o risco de vê-lo desabafar seu estresse. Vez por outra, na condição de diretor, vinha à escola dar vasão ao seu temperamento explosivo, aterrorizando alunos e funcionários. Sua visita era causa de intranqüilidade – um misto de pavor e gracejo.
Assim, Padre Sólon foi protagonista de muitas histórias hilariantes entre as quais há uma que se destaca, por isso merece ser contada. Lembro-me: numa dessas visitas inesperadas, irritado, impedia que alunos sem farda assistissem às aulas. Nesse ínterim, enquanto muitos o evitava, eis que uma aluna que trajava preto por está de luto pela morte de seu pai, dirigiu-se até ele, tentando em vão justificar. Depois de várias explicações, o que lhe irritara ainda mais, ele irredutível, prontamente respondeu: “não, não e não: de preto aqui eu só quero Seu Chico”. A título de informação, referia-se a um antigo funcionário da escola. Brincadeiras a parte, asseguro que Padre Sólon merece toda minha reverência. Para ele eu tiro o chapéu.
Continuando, fui até a cozinha. Lá não havia ninguém. Lá não estava Celina, Ana Macedo, Ivanise, Tica de Zé de Bú, responsáveis pela limpeza da escola. Mesmo assim, senti o cheiro inconfundível do irresistível café preparado por Celina.
Fachada do Josué Bezerra (Foto)
Ansioso, caminhando a passos largos, me dirigi até a sala dos professores na esperança de reencontrar os velhos colegas. Lá havia apenas uma antiga e longa mesa em volta da qual nos reuníamos para trabalhar, em meio a brincadeiras. Era o exemplo de um ambiente saudável. Uma família unida, cuja união se firmava no respeito e amor ao semelhante. Parece até que a solitária mesa esperava como eu, a chegada dos professores que nunca mais voltaram. Além de mim, não havia mais ninguém. Por alguns minutos pensei que voltariam. Aí aguardei Olivaldo com seu jeito expansivo e brincalhão. Esperei por Gildenor, Zé Almi, Bibia, Zé Lúcio e Toinho Queiroga. Aguardei ainda Cessa Lacerda, Estela, Romélia, Idalicinha, D. Elisabete, Mavis, Edianete, Francinete Nunes e Bruno, esta com suas inconfundíveis gargalhadas.
Ainda curioso dirigi-me a secretaria onde também não havia ninguém. Estava deserta e silenciosa. Lá não encontrei Paula Aneide (filha de Arrudinha), Livaldina e Maria Batista, que juntas formavam um trio perfeito em termos burocráticos.
Relutante não desisti. Propositadamente, fui até a sala na qual ministrei minha primeira aula, iniciando assim minha carreira profissional. Parei emocionado por alguns instantes e recordei. Lembro ainda: dia 07/03/78, quarta-feira, 7ª série, turno tarde, 3º horário. Visivelmente nervoso e voz embargada estreava na carreira da qual sinto orgulho. Foram 45 minutos que pareciam horas intermináveis.
Preocupado com inexplicável vazio, ainda assim renovei as esperanças. Lembrei-me que na portaria, Seu Chico Daniel, poderia me explicar o motivo desse silêncio. A tentativa foi inútil, pois Seu Chico não estava de prontidão, assim como esteve durante anos, exercendo com responsabilidade sua função e atendendo as necessidades da escola. E, aqui vale um destaque: suas qualidades lhe conceituam um funcionário modelo e lhe assegura o respeito de todos. O que poderíamos chamar de operário padrão. Honesto, vigilante, atencioso e educado. Era tudo, menos professor. Sua ausência era mais sentida que a de qualquer outro profissional. Em suma, insubstituível.
Aí sim, desolado e sem alternativa, retirei-me cabisbaixo e pensativo, procurando uma explicação convincente ou algo que justificasse aquele estado de abandono. A ausência de Seu Chico havia me subtraído a última esperança. Respirei profundo tentando em vão evitar que as lágrimas escorressem os rios da face. Minha reação não podia ser outra, pois é impossível aceitar com indiferença cruel realidade, por isso, a certeza de que esta saudade não vai me largar, haverá de me perseguir a vida inteira.
Meu intuito é exaltar nossa história e torna-la perpétua através dos tempos. No entanto, lamento ao mesmo tempo, o triste fim de uma escola que se tornou marco na educação do município. É sentir saudade, mesmo sabendo que este sentimento jamais vai me deixar. É que estamos intimamente ligados, pois nela iniciei a carreira e vivi os melhores momentos profissionais.
Seu valor para mim é imensurável. Impossível descreve-lo. As palavras por mais sábias que sejam não equivalem a sua grandeza e valor histórico. Nem mesmo o discurso mais erudito e eloqüente não traduziria a sua importância. Há sentimentos que as palavras não explicam. Num misto de revolta e desengano cheguei a triste conclusão: a escola não mais existia. Suas portas fecharam numa ação contrária ao desenvolvimento da cultura e do saber. Triste realidade. Gostaria, fosse apenas mais um sonho, nada mais que um sonho, sonho nunca concretizado.
Ainda Chamado "Arruda Câmara" no início da construção (Foto)
Deveras lastimável, porém verdade. A escola que fora construída em 1949, com a denominação de Arruda Câmara, funcionou por muitos anos sob a administração e normas rígidas estabelecidas pelas Irmãs Carmelitas. Era semelhante uma clausura, onde a reclusão e o retraimento denunciavam um método educacional repressor. E, em suma, retrógrado, por isso, contrário aos conceitos dos dias atuais. Pode-se comparar ao “Clube do Bolinha” Que anos depois, em 1965, ampliando sua área de atividade pedagógica passou a chamar-se Colégio “Josué Bezerra”.
Hoje, a escola que fora no passado uma referência histórica na educação do município, nossa riqueza maior, cerra suas portas e se esvai inexplicavelmente, enquanto nossos políticos assistem indiferentes.
Hoje, dela lembramos com orgulho e saudade. O orgulho se justifica pelos relevantes serviços prestados na formação dos nossos jovens e a saudade que se intensifica ao percorrer AS GALERIAS DO JOSUÉ BEZERRA.
*Professor, Ex-Diretor da Escola João da Mata e Ex Secretário de Administração Municipal. Fotos Arquivos Verneck Abrantes.
Pombal, 08 de outubro de 2009.

SAUDADES DO SÃO CRISTOVÃO!

Maciel Gonzaga (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Conta-nos o nosso respeitado historiador Verneck Abrantes, que o São Cristóvão Esporte Clube de Pombal foi fundado em agosto de 1951. Mais ou menos da segunda metade dos anos cinqüenta até a segunda metade dos anos sessenta, o São Cristóvão se destacou como uma das principais equipes de futebol não só de Pombal, mas de todo Alto Sertão da Paraíba. Seus jogos eram realizados no Estádio Vicente de Paula Leite, um campo de terra batida todo cercado de aveloz, situado nas proximidades dos fundos da Escola Normal Josué Bezerra. Era um clube de futebol que empunhava respeito. Formou grandes esquadrões.
Na administração do Eurivo Donato, o nosso inesquecível "Mixuruca", o São Cristóvão importou jogadores de Patos – a exemplo dos goleiros Menininho e Zé Canário – e até de Campina Grande, como Géo (ex-Sport Recife) e o goleiro Elias (ex-Treze). Chegou a vencer por várias vezes o Esporte de Patos, a Sociedade de Sousa, o Coríntians de Caicó, o Caicó Esporte Clube, o Atlético de Cajazeiras e muitos outros clubes de cidades da região como Coremas, Piancó, Itaporanga, Conceição, São José de Piranhas, Uriaúna, Antenor Navarro, Catolé do Rocha, Brejo do Cruz, etc.
Tínhamos craques da qualidade de Agnelo, do goleiro Nego Adelson – de quem fui fã incondicional – Zaqueu, Perequeté, João Rapadura, Chico Sales, Tuzin de Jubinha, Natal Queiroga, Luiz Camilo, Nenzinho, Verneck, Bosco Alencar, Mago Zequinha, Geraldo Gergelim, Cléber de Bandeira, Ridney e o maior de todos eles - Carlos César ou "Meu César" de Severino Pedro.
Quando menino, fazia de tudo – até fugir de casa – para não perder um jogo do São Cristóvão. Aliás, comecei ir ao estádio quando tinha menos de 9 anos de idade. A minha mãe – Roza Gonzaga – só permitia que eu assistisse aos jogos do São Cristóvão resguardado sob tutela de Mané Preto (Manuel Deolindo), um jovem e elegante funcionário do DNER, responsável por levar o primeiro rádio de pilha para o estádio pombalense, onde ouvíamos, numa roda de bate-papo liderada por Mané Maluco, o locutor Fiori Gigliotti (Rádio Bandeirantes de São Paulo), transmitir jogos do Santos de Pelé & Cia., Palmeiras e Corinthians. Foi nessa época mesmo que eu me apaixonei pelo Sport Clube Corinthians Paulista. Hoje, Mané Preto, com mais de 80 anos, mora em Campina Grande, onde sempre o visito quando vou à Rainha da Borborema, unicamente para a conversarmos sobre a Pombal da nossa época e relembramos as façanhas do São Cristóvão.
Nunca esqueci a minha revolta em determinada manhã de domingo, quando tomei conhecimento que o jogo do São Cristóvão contra um time de Piancó havia sido cancelado em razão da morte do presidente Kennedy (John Fitzgerald Kennedy) dos Estados Unidos. Muitas vezes "furei" aveloz para entrar no estádio e, ao adentrar, ser perseguido por Cabina, para me botar para fora do campo. Tinha entre 10 e 12 anos idade. Servi de roupeiro para Perequeté e Chico Sales. Como o estádio não tinha vestiário, os jogadores do São Cristóvão se vestiam no Grupo Escolar João da Mata e seguiam perfilados, sob os aplausos de seus fãs, até o campo. E nós, meninos traquinos e apaixonados por futebol, para entrar de graça no estádio, segurávamos as roupas dos nossos ídolos.
Há muitas histórias e estórias sobre as proezas do nosso velho e bom São Cristóvão. Uma delas é a do murro firme e certeiro que Carrinho de Doutor Lourival deu em Botijinha. Carrinho, com idade mais avançada em relação aos demais companheiros de equipe, insistia em jogar. Era uma espécie de "dono do time". Como jogador de defesa, era madeira de dar em doido. Dizem até – embora isso nunca tenha sido comprovado – que ele jogava com um revólver no bolso do calção.
Pois bem, Botijinha jogava de ponta-direita e era considerado o "Mané Garrinha do Sertão", a principal atração da Sociedade Esportiva de Sousa, que levava público aos campos de futebol por onde passava. Infernizava seus marcadores. Durante toda semana, nos treinos do São Cristóvão, o pessoal do Maracatu (o time B que servia de “sparing” para os jogadores considerados titulares) começou a malhar com Carrinho, dizendo que ele ia ser “desmoralizado” por Botijinha.
Carrinho se afobou e reagiu afirmando que estava para nascer ainda um homem para lhe desmoralizar. Chega o dia a e hora do jogo. Estádio lotado, gente por cima do muro do Colégio das Freiras, todos querendo ver a atração maior, Botijinha. A turma do Maracatu, com certeza, inflamando o jogador sousense. O abusado ponta-direita, sem saber em que roça estava pisando, engoliu a corda, pegou uma bola na lateral do lado da Rua de Baixo, e partiu para cima de Carrinho, que jogava de lateral-esquerdo, tentando aplicar-lhe o “drible da vaca" (aquela jogada criada por Garrincha, onde o jogador passa a bola por um lado do adversário, vai pelo outro e consegue recuperá-la).
A reação não poderia ser outra: Carrinho segurou Botijinha pela camisa, deu-lhe um murro tão seguro no pé do ouvido, que o raquítico jogador caiu sentado no chão desfalecido. Meu irmão Massilon Gonzaga conta com convicção – só não faz juramento – que estava na lateral do campo e ouviu o grito de gemido de dor de Botijinha. Naquela época, não existia cartão amarelo e expulsão era coisa muito difícil em futebol. O juiz da partida, que era nada mais nada menos do que o nosso “Mixuruca”, apitou a falta, mas nem ao menos chamou a atenção do jogador faltoso. Com medo, é claro!
Do São Cristóvão, teríamos muitas coisas a falar. Mas, hoje, distante de Pombal há exatos 40 anos, só me resta lembrar. Ai que saudades do São Cristóvão! =.=.=.=.=. Foto: Arquivo de Verneck Abrantes Legenda da Foto: Em pé: Carrinho de Doutor Lourival, Bebé, Nego Adelson, Nenzinho, Werneck e Bosco Alencar; Agachados: Geraldo Gergelim, Tuzin de Jubinha, Cleber de Bandeira, Meu César e Amauri.
*JORNALISTA, ADVOGADO E PROFESSOR NATAL - RN.

PROTEÇÃO AO IDOSO

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
O envelhecimento é uma ação natural que ocorre nas pessoas. Quando nascemos inicia-se o processo natural de envelhecer. No entanto, não gostamos de ser chamados de velhos; soa mal aos nossos ouvidos. Por mais que discordemos, não é questão nossa aceitar ou não aceitar o envelhecimento, é certo, ele vem.
O dia primeiro de outubro comemora-se o Dia do Idoso, são passados 6 anos da criação do Estatuto do Idoso que trata do respeito ao direito a pessoa idosa no combate à violência e aos maus tratos que lhes são dispensados Lei n° 10.741/2003. Em nosso meio estabeleceu-se o conceito de que envelhecer é passar da atividade para passividade. A idéia que se tem é que deixamos de fazer, para que outros façam por nós, é não ser mais cidadão ou família ou mesmo não receber atenção de outrem.
De modo geral, o idoso sofre discriminação, muitas vezes não são priorizados: “Se tiverem de optar entre salvar a vida de um jovem ou de um velho, salvam o jovem” (Miriam Trindade) Gerontóloga.
O comportamento de alguns na sua mentalidade medíocre é: “lugar de velho é em casa”, “velho não tem mais o que aprender”, “está ficando gagá”. Tratando desse modo, o idoso se sente solitário, isolado, limitado, sem opinião própria e perde a razão de viver.
Apesar de tudo, o direito à proteção social ao idoso em nosso país está assegurado desde 1993 com a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Já o estatuto é uma conquista da sociedade brasileira, com sua aprovação veio também o reconhecimento do idoso como pessoa portadora dos direitos. Na quinta feira passada foi comemorado o dia do Idoso Lei 11.433/2006, juntamente com outros países.
População idosa. Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – publicados na síntese de indicadores sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira 2008 destaca o aumento da população idosa. Segundo os dados, em 2007, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) revelou a presença de quase 20 milhões de idosos no Brasil, representando 10,5% do total da população. Na faixa etária de 70 anos ou mais, o total apresentado foi de 8,9 milhões de pessoas, corresponente a 4,7% da população brasileira.
Para o IBGE, o aumento gradativo da população de 60 anos ou mais de idade no Brasil nos últimos anos “indica que o país se encontra em processo de envelhecimento populacional”. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul possuem juntos – ainda de acordo com informações da síntese de indicadores sociais – cerca de 273 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de idade, correspondente a 40,6% da população idosa mundial.
Com experiência na área de políticas públicas e sociais, o doutor em sociologia e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Vicente Faleiros, avalia que um impacto de uma população idosa não se traduz em peso negativo, mas em estímulo ao turismo, à criação de empregos de cuidadores de idosos, à vida cultural e ao convívio entre as gerações. Faleiros acrescenta que, conforme defende a Organização das Nações Unidas (ONU) “é necessário que se promova o envelhecimento ativo, compreendendo tanto a participação dos idosos na sociedade e nas políticas como a atividade física e vida saudável”
Urge que se tenha consciência de fatores causais que mexem com o idoso e como lidar com ele. Mutações no corpo, maior consciência das limitações da morte, falhas do passado e temor do futuro, confrontação de fantasias do jovem adulto com a realidade e queda da alta imagem. É nessa ocasião que as questões existenciais voltam fortes: Quem sou eu? Qual será meu destino? Começa a sentir que o melhor da vida está no passado. Há um vazio e um sentido de urgência.
A Bíblia faz alusão aos idosos e o respeito que eles merecem pela valorização da sabedoria de que são possuidores. Eles são comparados como árvores viçosas cheias de vigor e de frutos mesmo na velhice. “O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é minha rocha, e nele não há injustiça”. Sl. 92:12-15.
A palavra de Deus nos mostra uma nova perspectiva de vida em relação ao idoso e bem diferente daquela que possamos imaginar: “Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei” Is 46:4.
Que todos alcancem a longevidade!
*RADIALISTA.

O ENCONTRO DOS FILHOS DE POMBAL UM DOS MAIORES ATRATIVOS DA FESTA DO ROSÁRIO!

J. Tavares (Foto)
Por Jose Tavares de Araujo Neto*
Realizada este ano em sua décima oitava edição, a tradicional Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, que normalmente ocorre durante o sábado da Festa do Rosário, foi considerada a que teve maior participação e o mais bem organizado de todos os tempos.
O evento teve seu início em 1991, portanto, há dezoito anos, a partir de uma brincadeira promovida pelos integrantes da batucada Maringá, os ex-estudante universitários Dr. Sales, Dr. Severino e Dr. Claudio (filhos de Biró Beradeiro), João Maria e Ze Wiliames , o segundo falecido (ambos filhos de Cabine), Professor Fernando Araujo (filho de Olívio), Chico de Pombal (Filho de Maroquinha), Zé Filho (filho de Lelé) e Luizinho (Filho de sargento Mota). O que era apenas uma brincadeira de um pequeno grupo de amigos, pouco a pouco foi ganhando grandes proporções, tornando-se um dos pontos de referência para todos os filhos e amigos de Pombal que vinham à Festa do Rosário rever amigos e parentes.
Em 2004, deu início a uma nova fase do evento, quando se teve a idéia de homenagear e promover o reencontro dos integrantes dos “Os Águias”, importante grupo musical que teve grade destaque nos anos 60/70. Neste ano o evento foi realizado nas dependências da AABB e seu grande organizador foi Dr. Sales de Biró. Foi a partir de 2005 que o evento começou a ser realizado na Praça do Centenário, defronte a Igreja do Rosário, onde é realizado até os dias de hoje. Naquele ano o grande homenageado foi o ilustre Professor Arlindo Ugulino, ex-promotor de justiça e um dos maiores educadores da cidade da cabocla Maringá. Em 2006, 2007 e 2008 foram homenageados, respectivamente, Galdino Mouta, proprietário , bilheteiro e faroleiro do Cine Lux; Zé Enfermeiro, que era uma espécie de médico dos pobres, e os ex-jogadores do São Cristovão, maior e mais popular time de futebol da cidade, que teve seu auge nos anos 60/70.
Neste ano de 2009, os organizadores escolheram para homenagear os ex-presidentes da Associação dos Estudantes Universitários de Pombal. Durante a solenidade, toda história da AEUP foi contada, destacando a importância de sua luta em busca da melhoria da qualidade de vida da população pombalense, notadamente no setor da educação, e a sua participação na realização de eventos sócio-culturais da cidade. Todos os ex-presidentes, presente ou não foram lembrados, inclusive, e em especial, os cinco ex-presidentes já falecidos: Ermínio Neto, Luiz de Joquinha, Carrinho Nóbrega, Chicão de Chico Almeida e Jairo Feitosa.
Nas homenagens a palavra foi concedida a primeira mulher a ser presidente da entidade, Gracinha Salgado, que falou em nome das demais mulheres que passaram pela AEUP. Falaram também o ex-presidente Jurandir Urtiga representou os homens, e o atual presidente, o universitário João Paulo, que contou sobre a AEUP nos dias de hoje. Por fim, a Prefeita Polyana Feitosa, uma ilustre ex-sócia, que além de dar as boas vindas aos participantes do evento, também estava representando um dos homenageados da festa, o seu falecido esposo Jairo Feitosa, o primeiro e único ex-presidente da AEUP que chegou a exercer o cargo de Prefeito do Município de Pombal.
O clima de descontração foi conduzido pela presença do grupo folclórico “Negros dos Pontões”, cujos integrantes dançavam sua alegre e contagiante coreografia por entre as mesas do Bar Centenário. Bailavam jogando seus pontões enfeitados de fitas coloridas sobre a cabeça dos espectadores, na expectativa de serem retribuídos por donativos, que tanto era bem vindo em dinheiro, como em bebida alcoólica, como manda a tradição secular. Diante desta cena, comum a vida de todos os presentes, não houve quem não se emocionasse pela beleza do espetáculo de uma cultura genuinamente pombalense.
A festa foi dividida em duas partes, a primeira aconteceu no turno da tarde, intercalada pela novena do rosário, a segunda fase aconteceu a noite, varando-a até a madrugada do domingo. A trilha sonora do evento ficou a cargo de quatro bandas. Na primeira parte tocou o grupo musical comandado por Magnun (Pombal-PB) e a Banda Fliperama (Campina Grande-PB). Na parte noturna tocou as bandas de Ruy (Monteiro-PB) e Marcus Vinicius (Caicó-RN). Os grupos musicais, que apesar de não dispor de grande aparato sonoro, apresentaram um repertório de alto nível e uma qualidade de som espetacular. Uma prova que de que com poucos recursos financeiros é possível juntar artistas talentosos e fazer eventos grandiosos.
Durante a redação deste texto, recebo ligação telefônica dando conta de que o deputado estadual Dunga Junior, filho de um pombalense e presente no evento, apresentou na assembléia legislativa moção de apoio e congratulação à XVIII Festa do Encontro dos Filhos de Pombal, na pessoa do seu coordenador maior o Professor Fernando Araujo, conhecido carinhosamente por Fernando Pandeiro, o único dos idealizadores pioneiros que reside em Pombal, que justiça seja feito, mais uma vez deu tudo de si para a concretização do sucesso do evento. Registro que o requerimento do parlamentar paraibano foi aprovado pela unanimidade dos deputados presentes na sessão.
Portanto, esta repercussão na câmara maior do Estado é uma prova inconteste de que a festa do Reencontro já se integrou definitivamente no calendário da festa criada pela irmandade do Rosário. E desta forma, veio para contribuir no engrandecimento e perpetuação da nossa Festa do Rosário, que tem como referencial maior a confraternização entre as pessoas, que têm em comum entre si, o grande amor por uma cidade chamada Pombal.
*COLUNISTA SOCIAL.

"FESTA DO ROSÁRIO: A MODA NAS RUAS DE POMBAL E OS ANOS 70"

Jerdivan (foto)
"A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu” CBO Jerdivan Nóbrega de Araújo*
Eu sou do tempo em que esperava-se a chegada da Festa do Rosário como se espera um filho que partiu, mesmo porque era nesta época que os filhos voltavam para visitar seus familiares. O pais arrumavam as casas, o prefeito arrumava a cidade, as lojas, que eram tão poucas, incrementavam o estoque, principalmente as sapatarias. Para acompanhar a Procissão do Rosário: roupas e sapatos novos, chapéu para os homens e sombrinha, na maioria das vezes azul, para as mulheres.
A vida naquela época era bem mais fácil de se ganhar. Não havia a imposição da mídia em copiar o modismo do sul, mesmo porque aquelas novidades, quando chegavam, eram pelas páginas coloridas da Revista Cruzeiro, a qual poucos tinham acesso. Mas quem voltava do sul do pais, “das São Paulo” principalmente, caprichava no sotaque e nas vestimentas.
Voltavam eles do sul do país, mesmo que para passar apenas quinze dias na terrinha, rever os amigos, contar as vantagens e as riquezas fictícias, cumprir a promessa do casamento feita ali na calçada do restaurante Panaty, de seu o Cabina e dona Cesinha, na saída da Viação Brasilia. - Um dia eu volto!
Voltavam como o melhor toca-fita a tiracolo, os LP's de baixo do braço, o cheiro do perfume “I0I0” sapato de plataforma, o famoso cavalo de aço, calça Lee e o reluzente cinto imitando couro de jacaré e com fivela em forma de cabeça de cavalo. O cigarro era o Minister - Cinta Azul (com filtro) e o isqueiro era a gás. Bolsa Capanga de baixo do sovaco, chapéu e óculos a "Waldik Soriano" completavam o figurino.
O calor era intenso mas a camisa era preta e de mangas compridas, passada por dentro da calça. Era preciso investir na imagem de uma pessoa que havia se dado bem "nas São Paulo". Vez por outra o Lord Amplificador lembrava a chegada do filho de Sr. Fulano ou de Sr. Sicrano “que volta de São Paulo para rever a família e se casar...”.No sábado do Rosário, as pessoas procuravam o Professor Arlindo Ugulino para que ele anunciasse, na saída da Procissão do Rosário, a presença de um parente na cidade. Nosso mestre de cerimonia fazia isso enquanto pedia aplausos para Nossa Senhora do Rosário. Era emocionante ouvir o mestre “dedilhar um rosário” de nomes aos aplausos dos presentes. É um tempo que já vai longe.
Padre Sólon de França já não faz mais parte da festa, Professor Arlindo, com sua saúde já abalada pelo peso da idade, não tem mais o mesmo fôlego de antes, apesar do entusiasmo ainda continuar presente no seu discurso na sua imensurável fé. Não se pagam mais promessas como antigamente... os que moram “nas São Paulo" já não fazem questão de visitar a sua cidade porque sabem que não vão mais encontrar, na ruas de Pombal, os amigos, o entusiasmo e a paz das Festas do Rosário dos anos 60 e 70.
E cada sonho, que um dia foi de um pai e de uma mãe mas que hoje é de um avô ou de uma avó, vai se transformando em moinhos e assim, seguem moendo as lembranças de uma cidade que necessariamente muda e oculta, nas sombras das torres da suas igrejas ou nos túmulos azuis do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, aquelas pessoas que um dia, tão jovens e tão bonitas, acompanhavam a Procissão do Rosário, deixando para trás apenas as ladainhas de um tempo que não volta nunca mais...
*Escritor Pombalense.