CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ARLINDO UGULINO: EXPOENTE DO ENSINO, EDUCADOR EMÉRITO!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“... Ou o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Paulo, Apóstolo)
Quem por ventura não obteve a felicidade de receber as instruções sábias de um mestre do quilate do Professor Arlindo Ugulino, jamais poderá avaliar o quanto foi importante para tantos filhos de Pombal o seu contributo como instrutor e educador. Instrutor, porque sua ação não se limitava apenas as sábias lições do currículo escolar; ele ia mais além, ensinando-nos a amar a Deus, ao próximo e a Pátria. Foi um tempo em que Pombal ouviu muitas vezes desse coração de mestre, o que significa ser patriota e honrar a terra de seu nascimento.
O nosso convívio com o Professor Arlindo durante tantos anos, fez com que descobríssemos nele, a pessoa amiga com facilidade fora do comum para abordar qualquer assunto: Seja na poesia, nas prosas que escreveu ou em suas crônicas sobre o sertão e as belezas da natureza.
Quem não se lembra do antigo Ginásio Diocesano quando funcionava no edifício onde hoje se encontra a Escola Estadual João da Mata, ali as tardes de sete de setembro, durante muitos anos eram preenchidas com gincanas e atividades esportivas, sob o comando do célebre professor. Passo a lembrar aqui algumas dessas competições entre os alunos: Subida no pau de Sebo, corrida do saco e da colher com ovos, futebol de salão etc. Que saudade! O dia da Independência do Brasil tinha o que comemorar em Pombal! Pela manhã o desfile cívico, à tarde as recreações. Toda cidade participava com sentimento de brasilidade e patriotismo.
Latinista fino, nosso emérito educador, estudou o idioma do orador romano Marco Túlio Cícero durante seis anos no Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição da Paraíba, em João Pessoa, onde permaneceu oito anos, até o Curso de Filosofias. Um verdadeiro conhecedor de causas que escreve com segurança quando se utiliza da língua portuguesa, sendo também fluente em Francês, Inglês e Grego.
Sou testemunha de seus feitos e o conheci de perto como professor, desde o Ginásio Diocesano, época em que o referido educandário era dirigido pelo Cônego Luiz Gualberto. Nesse tempo, eu já acompanhava as solenidades festivas do Ginásio com as antigas difusoras.
Havendo trancado por um tempo minha matrícula escolar, reencontrei o Professor Arlindo Ugulino, na fundação do Colégio Estadual de Pombal, agora, ele como meu Diretor e eu como aluno fundador da escola, oportunidade em que fui eleito primeiro presidente do Grêmio Livre. Daí em diante, tornamo-nos parceiros na área da comunicação; o Lord Amplificador, (Serviço de alto falantes) de minha propriedade, era a via de radiofonia útil ao Colégio nas coberturas de eventos cívicos e datas comemorativas.
Convém ressaltar que o homenageado da coluna de hoje, exerceu as atividades de Diretor da Escola Estadual “Arruda Câmara” durante dez anos seguidos. Aqui não quero de modo algum desmerecer os méritos dos que o sucederam; contudo, muitos hão de concordar comigo, esse período foi o melhor da história cívica estudantil de Pombal. Não é sem razão que se diz: “Professor Arlindo Ugulino é patrimônio histórico da nossa educação”.
Arlindo Ugulino, natural de Santa Luzia na Paraíba, mas, há muitos anos, foi adotado como filho de nossa terra, recebendo da Câmara Municipal o título de cidadão pombalense. Por não negar suas origens, é o primeiro, na ordem de nascimento, dos três filhos (Arlindo, Raimundo Nonato (em memória) e Antonio) da união em segundas núpcias, de Justo Ugulino da Costa e Maria Jandira Ugulino. Nasceu no dia 29 de abril de 1933. É descendente, em linha consangüínea bem próxima, do grande poeta paraibano, Ugulino Nunes da Costa, mais conhecido por Ugulino do Sabugi ou Ugulino do Teixeira, primeiro poeta repentista do Nordeste e contemporâneo de Romano da Mãe D’água, Germano da Lagoa, Inácio da Catingueira e de outros monstros da poesia nordestina.
Casado desde o dia 11 de maio de 1958 com a artista plástica Sonia de Medeiros Ugulino (cujo nome de registro é Célia), formando um perfeito casal cristão de vida regular, servindo de exemplo e espelho para os seus filhos e a sociedade. Uma família constituída de oito filhos: Quatro homens e quatro mulheres. Malba Delian, Arlindo Filho, Lúcio Flávio (em memória desde 30 de maio de 1982), Mª Jandira, Luis Augusto, Terezinha de Jesus, Paulo de Tarso e Fernanda de Lisiê. Professor Arlindo, é membro efetivo desde a fundação da Academia de Letras de Pombal, ocupando a cadeira cujo titular é o seu bisavô e primeiro repentista do Nordeste, Ugulino Nunes da Costa, mais conhecido por Ugulino do Sabugi.
Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de João Pessoa e começou a advogar em favor dos indefesos nas Comarcas tanto circunvizinhas como de Pombal. Em 1981 passou com sucesso no Concurso Público para exercer as funções de Promotor de Justiça substituto, conseguindo aprovação de imediato, foi nomeado para a Promotoria de Justiça de Pombal. Foi substituto nas Promotorias de Catolé do Rocha, Brejo do Cruz e São Bento, assumindo logo em seguida a promotoria de Justiça da Comarca de Sousa. Arlindo exerceu ainda as funções de Superintendente Regional de Polícia Civil do 8º Núcleo com sede em Catolé do Rocha.
Desfile Cívico do Ginásio Diocesano (Foto)
Os mais velhos devem lembrar muito bem os dias áureos de nossos Colégios: Diocesano e Josué Bezerra, com a presença marcante do Professor Arlindo no exercício do magistério por cerca de 30 anos. O nosso homenageado foi co-fundador do Ginásio Diocesano, juntamente com o saudoso educador Mons. Vicente Freitas, vice-diretor do mesmo educandário e professor, tendo lecionado também na antiga Escola Josué Bezerra. Quando deixou o magistério de 1° e 2° graus, ingressou no ensino do 3° grau como professor da Faculdade de Direito de Sousa – FADISA – em 1978, tornando-se funcionário público federal.
Galhardia, dedicação e amor patriótico - bandeiras defendidas por Arlindo Ugulino que ao longo de 44 anos de efetiva doação à causa do ensino destes sertões da Paraíba e em sua maior parte em Pombal, lhe assegura o direito de consciência tranqüila do dever cumprido, estando hoje no merecido repouso remunerado, dedicando-se à leitura, à poesia e à prosa.
Querido mestre: Por ocasião do seu natalício neste 29 de abril, aqui vai minha singela homenagem, suplicando ao Criador que lhe conceda muita saúde e muitos anos de vida, pois sua presença entre nós é sempre motivo de regozijo.
“... A QUEM HONRA, HONRA” Rm. 13:07.
A Arlindo Ugulino: Expoente do ensino, Educador emérito.
Parabéns, feliz aniversário!
*RADIALISTA

O RÁDIO COMO COMPANHIA!

Clemildo Brunet (foto)
CLEMILDO BRUNET*
O rádio, ainda depois de muitas décadas é um meio de comunicação moderno que permite a maior parte da população ter acesso. Ele é imprescindível na vida das pessoas e faz companhia a muita gente. A conquista do rádio no meio da massa popular, veio por intermédio do longo alcance aonde ele pode chegar e sua atividade atende a expectativa de quem ouve.
Sem nos apercebermos o rádio pouco a pouco vai fazendo parte do nosso cotidiano e atinge a meta principal que almeja, fazendo com que cada ouvinte se interesse em ouvi-lo, na mult(i) variedade de seus programas. No início da história do rádio ele era tido como instrumento de distração para as pessoas, na verdade ainda o é, quando se trata de ouvir música, como se dava no começo.
Tenho ouvido de muita gente que prefere ouvi rádio a qualquer outro veículo de comunicação. Isso acontece porque o rádio tem essa magia de trazer o som que chega aos nossos ouvidos, deixando que o cenário do que estamos a ouvi, seja criado por nós mesmos sem o auxílio de imagens.
A praticidade do ouvinte com o rádio parte de uma fórmula fácil de utilização: No automóvel, como entretenimento para motoristas e passageiros. Em casa a patroa ou empregada doméstica estão nos seus afazeres curtindo rádio, o cidadão ao chegar do emprego em seu lar, toma banho, senta-se a mesa com a família para o almoço, liga o rádio pra saber as notícias, os funcionários de uma oficina mecânica também ouvem rádio enquanto trabalham. É raro em uma repartição pública ou privada não se encontrar um rádio ligado. Basta um momento oportuno, para que o rádio se faça presente na vida de alguém.
Recentemente em Natal, quando estive recebendo um tratamento de radioterapia conformacional, cujas sessões eram à noite, pude perceber que as técnicas em radiologia do Hospital da Liga Norte Rio-Grandense Contra Câncer, enquanto exerciam seu trabalho com o paciente, estavam com o receptor ligado em uma das emissoras da capital potiguar ouvindo música. Numa dessas ocasiões, na sala do acelerador Linear 2/100, lembro-me que cheguei a ouvi uma música de Roberto Carlos.
O rádio por si só tem seu potencial na companhia das pessoas. Eu, desde a mais tenra idade me acostumei com o rádio, o adotei em minha companhia, tornando-me depois um profissional da comunicação; hoje mesmo nos bastidores não o esqueço. Estando em casa; se vou ao banheiro levo-o comigo, no café, no almoço e no jantar, o rádio é um companheiro de longas datas.
O rádio como companhia é abrangente em seu raio de ação, ele é ouvido por todas as camadas da sociedade, não há um público definido para o rádio, a não ser aquele que já o adotou como companheiro de suas horas tristes ou alegres lhe servindo às vezes de lenitivo nos momentos em que se encontra solitário.
Por isso, é necessário que os empreendedores de rádios como disks-jóquei, programadores, estejam atentos no que vai oferecer aos ouvintes e não ajam por conta própria e unilateral para satisfazer o seu gosto ou o gosto preferencial de um grupo; do contrário, haverá uma baixa na audiência, pois a proliferação de emissoras fará o ouvinte procurar outra estação que venha atender seu anseio ou solicitude. Desse modo, o rádio como companhia, ainda é o maior meio de comunicação de massa!
VIVA O RÁDIO!
*RADIALISTA

O ARTISTA NÃO MORRE EDIFICA OS SEUS FEITOS!

Cessa e o Troféu Imprensa 2007 (Foto)
Por Cessa Lacerda*
Aproveitando a oportunidade das festividades de homenagem ao "Jubileu de Ouro", de BRASÍLIA, isto é, 50 anos da nossa Metrópole Brasileira, quero homenagear um saudoso conterrâneo e amigo, notável escritor, cronista e poeta, DOMINGOS MEDEIROS.
Nada mais justo e simbólico do que publicar uma belíssima crônica que ele fez em homenagem a Brasília no aniversário do ano 2005. Descreveu esta bela cidade com todas as suas belezas naturais e arquitetônicas. Este trabalho é uma verdadeira epopéia merecendo a todos os seus compatrícios pombalenses e irmãos literatos conhecerem a grandeza desta inspiração.
O homem morre, mas, deixa consagrado em nossas memórias aquilo que foi em vida. Fica em nossos corações a eterna saudade! Amado e saudoso irmão Domingos. Fazendo jus a sua memória publico hoje neste rico BLOG de Clemildo o seu belo trabalho como forma de admiração aos seus escritos, na oportunidade, prestando a minha homenagem de profunda saudade! Aniversário de Brasília© Domingos Oliveira Medeiros Publicado com imagem e som pela Rede Globo - VÍDEO
Domingos Medeiros (Foto)
Final de semana. Um sábado de abril, em Brasília. Dia de descanso Aproveitei para relaxar, saboreando o frescor do vento que, no outono, sopra pelas janelas, refrescando lembranças guardadas nos escaninhos da memória desgastada pelo tempo. Impulsionado pelas recordações, fui buscar nas gavetas de um quarto, um punhado de fotos e recortes de jornais, amarelados pelos anos, que falavam sobre Brasília. Cidade que adotei para viver, morar e trabalhar, e a quem dedico minha eterna gratidão por todas as oportunidades que ela me concede. E comecei a rever e a reler o antigo material. Brasília, um dia, foi lenda. Sonho, mito e profecia. Um conto de fadas, uma história de amor. Uma aventura arrojada. Já se chamou, até, utopia. Tudo começou no meio do Planalto Central. Em meio à mata virgem, que se perdia no infinito do horizonte.
Brasília era, então, bem pequena. Um ponto marcado na prancheta de um engenheiro e de um arquiteto. Brasília não tinha formas definidas. Apenas, um monte de traços e rabiscos. Aos poucos, Brasília mostrava suas faces escondidas. O chão vermelho, envolto em poeira, suor e lágrimas. Seu esqueleto ganhava formas de cimento, areia e ferro; emoldurados com estacas de madeiras, que lhes davam sustentação. Até que explodiu, em choro sofrido e alegre, como qualquer recém-nascido. Niemeyer, em traços, a imaginou. E, num instante de amor a concebeu; a desenhou, passo a passo, com a firmeza com concreto e a dureza do ferro suavemente retorcidos, com a mesma arte e leveza dos passos das bailarinas. Burle Max, o paisagista, a embelezou, com seus arranjos de flores. E Juscelino, com canções e serenatas, no seu colo a embalou. Brasília cresceu. Tornou-se mulher. Gerou filhos. Brasileiros e estrangeiros. Acolheu sotaques e maneiras. Formou famílias inteiras. Operários de uma mesma obra: construção do futuro promissor. A capital dos brasileiros é, hoje, uma cidade acolhedora. De ruas fartas; de belas curvas; Em Brasília andamos com liberdade, no exercício da cidadania. A cidade esbanja qualidade de vida; banhada pelo verde – sua cor mais abundante -, e pelo branco, roxo e amarelo dos Ipês. Capital de tardes em tons lilás. De céu azul e nuvens brancas de algodão. Na metrópole dos palácios arrojados, e centro das grandes decisões, a vida pulsa com gente jovem e bonita, de todas as idades. Brasília, é hoje, cidade de todos os sabores; de todas as culinárias; de sons variados: do Rock, do Axé e do Chorinho. Cidade de muitas culturas. Resumo de muitas raças.
Amostragem perfeita do povo brasileiro. Brasília, em resumo, é rima; é verso metrificado; é poesia. Brasília é o futuro do presente; e o presente do passado.
Parabéns, Brasília! Dia 21 de abril de 2005, 45 anos. © Domingos Oliveira Medeiros
Todos Direitos Reservados
*Escritora e Poetisa Pombalense.

MARCONI CRUZ DE LACERDA: O martírio de um jovem inexperiente!

José Romero (Foto)
José Romero Araújo Cardoso*
Marconi Cruz de Lacerda nasceu no dia dois de setembro de 1956, em São José de Piranhas (PB), filho caçula do casal Martinha Cruz de Lacerda-Sinval Lacerda de Oliveira. Era neto do lendário Romeu Menandro da Cruz.
Em Mossoró (RN), onde foi terminar os estudos médios, teve início o martírio que o atingiria como emboscada do destino. Na capital do oeste potiguar passou a residir na casa do estudante, localizada bem próxima da Escola Estadual Jerônimo Rosado, onde estudava.
Bon vivant, era freqüentador assíduo das noites mossoroenses, as quais animava com o som cadente de um violão bem dedilhado, intercalado por voz suave e melodiosa. Despertava fascínio nas mulheres, solteiras e casadas, devido ao visual moderno e atraente para a época. Em um desses saraus, despertou a atenção da esposa de um capitão-médico da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, tendo aceitado inadvertidamente a investida da mulher que havia sido enfeitiçada pelo galante jovem.
Corria o ano de 1977, o sucesso das paradas musicais era a música “Sonhos”, composta e interpretada por Peninha. A canção tornou-se o hino oficial do inexperiente paraibano que tentava a sorte no Estado do Rio Grande do Norte.
Os encontros dos dois amantes despertaram a atenção dos moradores da residência aos fundos da casa do estudante. Eram parentes do capitão-médico da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte que observavam o romance proibido.
A casa do estudante passou a ser freqüentada assiduamente por primo legítimo do oficial, intuindo aproximar-se sorrateiramente do incauto jovem a fim de firmar amizade com objetivos claramente maléficos e diabólicos.
Avisado sobre o que acontecia, o capitão-médico procurou a ficha de Marconi Cruz de Lacerda na unidade educacional onde estudava. Em seguida, incumbiu o primo da execução do macabro plano que deveria ser marcado pelo hediondo “cheiro do queijo”, pois constatou que o jovem completaria vinte e um anos em breve. Marconi, dessa forma, estava marcado para morrer.
Friamente, o novo “amigo” passou a cevá-lo da melhor forma possível, convidando-o constantemente para almoçar em sua casa, sair pela noite mossoroense, enfim, assumindo postura “amigável” que não despertava nenhuma desconfiança da aparte do inexperiente jovem.
No dia dois de setembro de 1977, uma sexta-feira, Marconi não assistiu a todos os blocos de aulas, pois pediu permissão à professora de História para sair antes do término das atividades em razão que era seu aniversário de vinte e um anos.
O “amigo”, sem saber que o jovem marcado para morrer havia saído mais cedo, chegou atrasado ao encontro satânico. Mesmo assim varou sem sucesso todos os recantos geralmente freqüentados por Marconi, a fim de matá-lo.
No sábado, dia três de setembro, adentrou com cara feia a Casa do Estudante, não encontrando o jovem. Deixou recado convidando-o para uma vaquejada na cidade de Olho d´água do Borges (RN), convite prontamente atendido quando o jovem chegou na residência estudantil.
Era, na verdade, o início do fim do inexperiente jovem, pois seu “amigo” macomunava-se com um irmão tramando sua morte covardemente. Devido a desconfiança de experientes sertanejos, os quais notaram as intenções macabras dos dois irmãos, retiraram Marconi para Patu(RN). O meio de transporte do trio era um fusca azul.
Crise de consciência abateu-se sobre o irmão do “amigo” de Marconi e este começou a relutar em levar adiante o plano diabólico, razão da sobrevivência do jovem até o dia de domingo, quando o jovem entrava em contagem regressiva.
Jogaram futebol, beberam, enfim, divertiram bastante o garoto que foi marcado pela maldade humana para pagar pecados originados através de uma mulher leviana.
A noite chegou e resolveram levar o jovem para passeio descontraído no sítio Tuiuiu, lugar onde nasceu o cangaceiro Jesuíno Brilhante. Na volta, ao passar pelo açude dos bodes, o “amigo” do jovem teve a idéia de se refrescarem em um banho noturno, logo aceito pelo inexperiente rapaz. Pararam o fusca azul bem próximo do açude. Quando estavam se preparando para entrar no açude, o “amigo” do jovem disse que ia ao carro, voltando armado com um revólver calibre 38 e uma faca de doze polegadas.
O jovem não acreditou no que estava acontecendo. Começou e pedir por tudo para não fazerem aquilo, mas o “amigo” disparou seis vezes contra a cabeça do pobre rapaz, desferindo em seguida duas facadas no pescoço para concluir o serviço maldito.
Dessa forma, manifestava-se contra um jovem sonhador a mais abominável de todas as traições, a mais nefasta e aviltante forma desprezível de traição.
Em São José de Piranhas homenagearam Marconi Cruz de Lacerda dando seu nome ao Estádio de Futebol, pois ele era um apaixonado pelo esporte, assim como era pela vida que foi ceifada covardemente por mãos assassinas insensíveis e desprezíveis.
* Geógrafo. Professor da UEN.

JAGUNÇO E CANGACEIRO.

Severino C. Viana (Foto)
Por Severino Coelho Viana*
O sertão nordestino caracterizou-se como palco de histórias virulentas, de sangue, de lágrima e de dor. Num cenário que se tivesse sido filmado, o velho oeste talvez não superasse os fatos mitológicos de sua gente. A partir da metade do Século XIX, a dura realidade do sertão nordestino, onde predominava a intensa miséria, a injustiça social, e, ainda, pela falta de segurança pública, devido à omissão estatal, nasceu uma manifestação retratada pelo banditismo, com as suas várias denominações: cabras, jagunços e cangaceiros.
Essas denominações afeiçoaram os traços típicos do homem valente do sertão onde a lei que prevalecia era a ponta do punhal e a mira da carabina. No entanto, havia uma sutil diferença na forma de origem e atuação de cada espécie de banditismo. Por exemplo, o cabra era o sertanejo que, em tempo de paz, como todos os outros agregados que viviam à sombra dos coronéis, arava e cultivava a terra seca e depois rezava para os céus implorando chuva. Quando convocado e, se fosse preciso, entregava a vida pelo coronel. O jagunço era um tipo de profissional autônomo, um mercenário a serviço da morte e de quem o contratasse pela melhor oferta. Servia a um senhor hoje, no outro dia, estava no alpendre do casarão do outro. Enquanto isso, o cangaceiro não aceitava a tutela de nenhum patrão, ainda que ocasional. Agia por conta própria, em proveito de si mesmo. Mas costumava celebrar consórcios estratégicos com os coronéis, baseado numa relação de barganha e compadresco. Por um lado, o cangaceiro recebia abrigo e livre trânsito nos domínios do senhor de terras que o acoitava. Por outro, preservava aquela propriedade de arruaça e dos ataques de terceiros, inclusive de outros salteadores.
O Cangaço já era conhecido desde 1834 e se referia aos indivíduos que andavam armados, com chapéus de couro, carabinas e longos punhais entrançados que batiam na coxa. Levavam as carabinas passadas pelos ombros, tal como um boi no jugo, na canga. Daí decorreu a designação de Cangaço e dela derivou-se o vocábulo Cangaceiro, para identificar aquele bandido das caatingas nordestinas, que andava sempre fortemente armado. O fato é que os cangaceiros aterrorizaram o Nordeste, invadiam casas, fazendas e vilas. Chegando nas cadeias, soltavam os presos e prendiam os soldados, estupravam, roubavam, matavam, sangravam sem dó nem piedade. Ás vezes tornavam-se benfeitores quando distribuiam dinheiro para os pobres, elevando-os à categoria de heroi. O bandido social é, em geral, membro de uma sociedade rural e, por várias razões, encarado como proscrito ou criminoso pelo Estado e pelos grandes proprietários. Apesar disso, continuava a fazer parte da sociedade camponesa de que é originário e é considerado como um heroi. Segundo Dadá, esposa de Corisco, como a milícia usava o mesmo uniforme dos cangaceiros, muita coisa malfeita atribuída ao bando, era culpa da milícia, que punha a culpa em Lampião. Os famosos bailes que o bando promovia nas vilas e cidades, onde se dizia que Lampião fazia as pessoas dançarem sem roupa, era verdade, segundo afirmou a mulher do cangaceiro.
De qualquer maneira, além da constatação nos aspectos: político, social e criminal, os grupos de cangaceiros que infestaram o Nordeste, deixaram seus legados em outros ramos para a vida de todos os brasileiros.
O movimento do cangaço tem uma presença marcante em diversos segmentos da cultura popular do Nordeste brasileiro. As influências podem ser facilmente percebidas, merecendo destaque a literatura pela vasta produção sobre o assunto, tanto romanesca como de cordel, que cuidaram de dar o tom mitológico e místico aos fatos reais. Mas essas influências não estão restritas ao campo da literatura, elas também aparecem com bastante solidez no teatro, na música, nos grupos de bacamarteiros, na culinária, no artesanato, no cinema, enfim, numa série de manifestações que refletem o cotidiano popular.
O artesanato regional é um forte repositório dos elementos figurativos e representativos do movimento. Em qualquer ponto turístico da Bahia ao Ceará é possível encontrar diversas lembrançinhas que remetem à figura dos cangaceiros. Outro repositório, as feiras livres que vendem a céu aberto vários utensílios típicos da época e que remontam ao período do banditismo social e a ação dos cangaceiros nos sertões como os típicos chapéus e sandálias em couro, armas brancas como facas e facões, lamparinas, esteiras, chapéus de palha, enfim, uma série de elementos que eram utilizados no dia-a-dia por Lampião e seu bando.
Uma das maiores formas de representação e difusão do cotidiano do cangaço são as quadrilhas juninas, além do famoso xaxado, desde aquelas que apresentam o casal de cangaceiros Lampião e Maria Bonita, até as que trazem no nome referência ao cangaço. Um dos refrões mais conhecidos do grande público: “Acorda Maria Bonita! Levanta vem fazer o café, que o dia já vem raiando e a polícia já tá de pé.” é presença garantida na maioria das quadrilhas juninas, e mostra como era o dia-a-dia de um grupo de cangaceiros: acordar cedo, preparar algo para comer e logo em seguida sair em fuga para escapar das forças-volantes.
A existência dos elementos representativos do cangaço na cultura popular como observamos, é uma realidade que a todo tempo se mostra presente no nosso dia-a-dia. Por vezes, é comum que esses detalhes passem despercebidos aos nossos olhos, mas basta observar ao nosso redor e veremos que ainda se mantém viva as tradições e as memórias de Lampião e seus cabras na região, e cabe a pesquisa histórica e principalmente as futuras gerações preservar esse patrimônio tão rico e memorável que são as tradições, as representações, enfim, a cultura popular, maior marca da identidade de um povo.
Como afirmamos no livro de nossa autoria, “Poder da Cidadania”, sobre o tema da criminalidade: “Registre-se, ainda, que no Brasil, a associação criminosa derivou do movimento conhecido por cangaço, cuja atuação desenvolveu-se no sertão do Nordeste, durante os séculos XIX e XX, partindo da vingança pessoal à maneira de lutar contra as atitudes de jagunços e capangas dos grandes fazendeiros, além do efeito de contestação ao coronelismo desenfreado”. "Personificados na figura de Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião, (1897-1938), os cangaceiros tinham organização hierárquica e com o tempo passaram a atuar em várias frentes ao mesmo tempo, dedicando-se a saquear fazendas, vilas, e pequenas cidades, extorquindo dinheiro mediante ameaça de ataque e pilhagem ou sequestrar pessoas importantes e influentes para depois exigir resgates. Para tanto, relacionavam-se com fazendeiros e chefes políticos influentes e contavam com a colaboração de policiais corruptos, que lhes forneciam armas e munições”.
E continuamos o nosso raciocínio: “O antigo e autêntico cangaceiro nordestino caracterizava-se pela sua indumentária: roupa de cáqui, chapéu de couro, com as abas quebradas para cima, duas cartucheiras cruzadas no tórax e uma cercada nos quadris, um rifle, uma pistola, um facão afiado, um bornal, um par de sandálias de rabicho, cabelos puxados à brilhantina, cordão de ouro e o pescoço envolto de patuás e vivia no meio das caatingas ressecadas do sertão”.
“Enquanto que o novo e moderno cangaceiro, que atua em todas as regiões, o distintivo é sua vestimenta de etiqueta, paletó, gravata, sapatos macios, relógio de marca, cabelos escovados, frequenta hotéis e restaurantes de cinco estrelas, mansões e palácios, gabinetes e escritórios notórios, utiliza celular, Internet e televisão, municiado de armas de fogo de alto potencial ofensivo, dinheiro depositado em contas secretas no exterior, desvios e gastos excessivos do dinheiro público”.
“Mudou somente o perfil do cangaceiro da antiguidade para o gangster da modernidade”.
E assim a história continuará por séculos e séculos. Só muda quando o próprio homem mudar o seu modo de agir e viver!
João Pessoa, 19 de abril de 2010.
*Pombalense e promotor de Justiça em João Pessoa - PB.

SALVE 18 DE ABRIL, DIA DO LIVRO!

Monteiro Lobato - Renomado e imortal escritor brasileiro.
Figura exponencial e simbólica do Dia do Livro.
Coluna Luminosa na ilustração das Letras.
Partindo da célebre frase: “Um pais se faz com homens e com livros”, do nosso grande escritor, Monteiro Lobato, é que tomamos consciência da importância do Livro em nossas vidas. Aqueles que não lêem e não se instruem através dos livros é como se perdesse a seiva nutritiva do saber. Sócrates foi considerado um dos mais importantes ícones da tradição filosófica. Célebre filósofo grego, disse uma vez: “Eu só sei que nada sei”, sendo ele o mais sábio dos homens, e nós o que dizemos?
Hoje, dia mundial do Livro, vale a pena refletir sobre ele, o que nos desperta, nos ensina, alegra e nos faz bem. O livro é uma ótima coisa para qualquer pessoa, ótimo amigo, companheiro, educador, professor, enfim, um bom livro pode mudar sua vida.
Todos nós podemos usufrui da leitura do maior livro do mundo: A BÍBLIA SAGRADA. Leia este sublime livro, pois nele encontraremos todos os ensinamentos para se ter uma vida feliz. Sempre fica um pouco daquilo que ela nos ensina. É lendo este grande livro que aprendemos a nos encontrar com Cristo e nos preservar do mal.
O hábito de ler deverá ser incentivado desde tenra idade, porém escolher somente, livros bons para a nossa formação. O livro nos leva a qualquer conhecimento e cultura, principalmente a diversão. Ler é ouvir, falar, aprender. Como exemplo de estímulo a leitura, leia como eu li os grandes poetas e pensadores.
Vejamos o que disse o grande poeta Castro Alves: "Oh! Bendito o que semeia / Livros... livros à mão cheia... / E manda o povo pensar! O livro caindo n'alma / É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar."
E agora o Augusto Cury
A maior aventura de um ser humano é viajar,/ E a maior viagem que alguém pode empreender/ É para dentro de si mesmo./E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,/ Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,/ Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas / E descobrir o que as palavras não disseram... Como é prazeroso ler um bom livro, que nos desperte para o bem! E como é necessário que leiamos para que mais tarde não possamos dizer do mal que sofrera.
Já disse um pensador, que: “Quem não ler, não ouve, não fala, e não ver”
O nosso Brasil precisa incentivar mais a leitura. As nossas escolas formarem Clubes de leitura, despertando nos alunos hábitos do bom gosto de ler, para que o alunado ocupe o seu tempo com coisas proveitosas que evitem as pornografias, fofocas, tragédias e outras coisas sem valor.
A nossa Academia de Letras encontra-se com sua rica Biblioteca aberta para as entidades escolares, extensivo aos professores e alunos realizarem seus projetos de leitura.
Façamos crer que a Sabedoria entra pelos olhos de quem LER BEM! Parabéns aos amantes da leitura e bons leitores que fazem do LIVRO o seu melhor amigo!
Pombal, 18 de abril de 2010.
Cessa Lacerda Fernandes Poetisa e escritora pombalense Contato: cessalacerdapb@hotmail.com

GENIVAL SEVERO - "O PAGADOR DE PROMESSAS"

Maciel Gonzaga*
“O Pagador de Promessas” é um filme brasileiro lançado em 1962, do gênero drama, escrito e dirigido por Anselmo Duarte e baseado na peça teatral homônima do escritor Dias Gomes. No filme, Zé do Burro é um homem humilde que enfrenta a intransigência da Igreja ao tentar cumprir a promessa feita em um terreiro de Candomblé de carregar uma pesada cruz por um longo percurso. Zé faz uma promessa à uma mãe-de-santo: se seu burro se recuperar, irá doar sua terra aos pobres e carregará uma cruz desde sua casa até a Igreja de Santa Bárbara em Salvador, onde a oferecerá ao padre local. Assim que seu burro se recupera, Zé dá início à sua jornada.
O filme se inicia com Zé, seguido fielmente pela esposa Rosa, chegando à catedral de madrugada. O padre local recusa a cruz de Zé após ouvir dele a razão pela qual a carregou e as circunstâncias "pagãs” em que a promessa foi feita. Todos em Salvador tentam se aproveitar do inocente e ingênuo Zé. Os praticantes de Candomblé querem usá-lo como líder contra a discriminação que sofrem da Igreja Católica, os jornais sensacionalistas transformam sua promessa de dar a terra aos pobres em grito pela reforma agrária. A polícia é chamada para prevenir a entrada de Zé na Igreja, e ele acaba assassinado em um confronto violento entre policiais e manifestantes a seu favor. Na última cena do filme, os manifestantes colocam o corpo morto de Zé em cima da cruz e entram à força na Catedral.
Pois bem! Em meio a todo este cenário, em meados dos anos 60 o filme é exibido por mais de uma semana no Cine Lux, em Pombal. Uma sensação de público! Um certo dia, o adolescente estudante Genival Severo de Queiroga chega ao Colégio Diocesano de Pombal logo pela manhã e
Genival Severo (Foto)
trama uma de suas muitas traquinagens. Pega alguns paus de andaimes e improvisa uma cruz. Põe nas costas e sai caminhando pelas galerias do colégio – a exemplo do personagem do filme – no momento que todos os alunos se encontravam em sala de aula, sendo açoitado por um chicote de salsa nas mãos de Manasés. Houve um verdadeiro pandemônio. Não ficou um só aluno em classe. Todos correram para ver a presepada. Até mesmo os professores. Aos poucos, alguns mais afoitos passam a seguir o novo “Pagador de Promessas” em procissão. Genival se empolga com o feito e dá sinais de se retorcer de dor a cada chicotada recebida. Eu vi, estava lá também...
De repente, surge na sacada do primeiro andar do Colégio Diocesano o enérgico diretor Padre Luiz Gualberto de Andrade. E sem acreditar no que estava vendo, ficou enraivecido. Não pelo fato em si, pois sabia se tratar de uma brincadeira de adolescentes, mas pela apologia ao filme que contestava a Igreja Católica. Enquanto o Padre Gualberto desce rápido do primeiro andar e se dirige ao encontro do “ato teatral”, a molecada antevendo o prenúncio do que poderia ocorrer se dispersa rapidamente. Genival Severo fica sozinho com a sua Cruz, mas segue a sua trajetória. O encontro com Padre Gualberto foi uma sena inesquecível. O querido educador trêmulo, enraivecido, revoltado, quase sem condições de falar, disse apenas estas palavras: “Suspenso por 15 dias!”.
Mais de 40 anos depois, na minha recente passagem por Pombal, tive a oportunidade de avaliar esse episódio com Genival Severo, sob os olhas atônitos de Clemildo Brunet.
Chegamos à conclusão de que “O Pagador de Promessas”, na visão de Dias Gomes, um comunista convicto, ao escrever a peça em 1959, buscava retratar a miscigenação religiosa brasileira, com a preocupação maior de destacar a sincera ingenuidade e devoção do povo, em oposição a burocratização imposta pelo próprio sistema católico em sua organização interior. Concordamos em gênero, número e grau que, nos moldes do "protagonismo" trágico, o herói da peça tinha um único e inabalável desígnio, o de honrar uma promessa. A justiça desse acordo firmado com um poder celeste não podia ser contestada por um poder temporal. E mais: ficou patente a incapacidade das autoridades que representam o Estado – no episódio, a polícia – de lidar com questões multiculturais, transformando um caso de diferença cultural em um caso policial.
Concluímos em conjunto se tratar de uma obra de estatura excepcional e concordamos com o dizer de Décio de Almeida Prado que se refere a ela como "um instante de graça" por ter seu autor atingido um ápice, "aquela obra que congrega numa estrutura perfeita todos os seus dons mais pessoais". Talvez, por isso, “O Pagador de Promessas” foi o primeiro (e até agora o único) filme brasileiro a ser premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes, o que fez o diretor Anselmo Duarte e a equipe do filme serem recebidos com um desfile público em carro aberto, ao desembarcar no Brasil após o recebimento do prêmio em Cannes. Um tema de grande complexidade ideológica e social.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

EVENTO DE EXTRAORDINÁRIA MENÇÃO: PARABENS A PROGRESSÃO!

Cessa Lacerda (Foto)
Congratulo-me com a União Brasileira de Escritores da Paraíba-UBE-PB e o seu ilustre presidente Dr. Ricardo Bezerra, por glorificar brilhantemente os nossos escritores paraibanos numa Sessão Especial em homenagem ao DIA DO ESCRITOR PARAIBANO que acontecerá no dia 20 de Abril de 2010, na Câmara Municipal de Sapé, cuja programação dará início com a entrega ao Prefeito João Clemente Neto, em moldura, da Lei 4.541/83 que institui o DIA DO ESCRITOR PARAIBANO na data de nascimento do imortal poeta paraibano Augusto dos Anjos.
Programação brilhante de glorificação a autoridades e celebridades da nossa história política e literária.
Na oportunidade agradeço ao irmão amigo, Ricardo Bezerra, pelo honroso convite para me fazer presente a esta sublime solenidade, bem assim, parabenizo a todos os escritores paraibanos pelo seu meritório Dia.
Abraços de congratulação.
CESSA LACERDA FERNANDES Poetisa e escritora pombalense

FIO DE ESPERANÇA!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Não há nada mais salutar na vida de cada um de nós do que viver de esperança. Sim, porque se tudo que idealizamos fazer ou projetamos construir pudesse ser concluído, seríamos frustrados, cruzaríamos os braços; nossos propósitos desapareceriam deixando um vazio profundo a ponto de perdermos o sentido da vida. Não é sem razão que se diz: “Enquanto há vida, há esperança”!
Esperança é expectativa, confiança em se conseguir o que se deseja – esperar... Sempre esperar. Isso faz melhor a vida que é cheia de percalços, adversidades, sofrimentos, tristezas e alegrias. Que seria da vida se não houvesse esperança? É um bálsamo que acalenta a nossa alma e dar sossego ao nosso espírito ainda que a carne fraqueje. Quem não vive de esperança, há muito tempo entrou em descompasso com a vida; não vive, vegeta.
Quem realmente tem esperança pode dizer essas palavras com o apóstolo Paulo: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; 2 Coríntios 4: 8 e 9. A esperança não confunde, diz Paulo... Porque, na esperança fomos salvos. Romanos 5:5 e 8:24b.
O homem que trabalha espera resultados frutíferos de sua labuta, o estudante aplicado sempre tira boas notas na esperança de alcançar um fim proveitoso na carreira que almeja. O professor esmera-se nas suas tarefas de ensino, na esperança de que seu objetivo sirva de aprendizado para o seu discípulo.
Nem tudo está perdido quando há esperança, pois ela faz com que nos movimentemos em busca do bem nos afastando do mal, preenchendo e alimentando o nosso ser das coisas boas que a vida nos oferece, a despeito de tudo que possa nos parecer contrário ou contrariando a ordem das coisas ao nosso redor. Por isso diz a sabedoria popular: “Quem espera sempre alcança”
Até mesmo na doença a esperança é essencial e nos ajuda a prosseguir na batalha cruel da existência humana. Em momento assim, abre-se o pensamento para pensar nos dias bonançosos que a vida nos deu e que nem tudo é eterno aqui. É quando não temos saúde que sentimos o quanto ela tem valor. Na escuridão percebemos o quanto necessitamos da luz. Na escassez enxergamos o quanto o alimento nos faz falta. Na ausência dos amigos, o quanto sentimos a falta de companheirismo.
Certa vez perguntaram a Dalai Lama. O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu... “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem-se do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido”.
A esperança reside no fato do que Jesus disse: “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal”. Mateus 6:34.
O salmista Davi na sua agonia interroga a si mesmo: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”. Sl. 42:5.
“Não sei o que de mal ou bem/ é destinado a mim; Se maus ou áureos dias vêm/ até da vida o fim”.
Este é um verso de um hino cantado em nossas Igrejas, cujo refrão diz assim: “Mas eu sei em quem tenho crido/e estou bem certo que é poderoso! Guardará, pois, o meu tesouro/até ao dia final”.
*RADIALISTA

LIGA NORTE RIO-GRANDENSE: UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA EM RADIOTERAPIA NO BRASIL.

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Quem visita ou acompanha algum paciente ao Centro Avançado de Oncologia em Natal, percebe logo ao chegar à harmonia entre médicos, enfermeiros e outros funcionários da casa. É um lugar que poderia parecer um ambiente triste, pois abriga em seu seio o binômio vida-morte; no entanto causa admiração, tornando-se alegre na forma do atendimento dispensado a quem vai à procura da saúde.
É uma instituição que desenvolve estudos e pesquisas, haja vista que estudantes universitários desenvolvem diversos trabalhos voluntários ligados à humanização, como o que vem acontecendo com o projeto de Biblioterapia, coordenado pela Professora de Letras da UnP, Edna Rangel, onde alunos de Letras e Medicina, duas vezes por semana vão as enfermarias do Hospital Antonio Luiz, levar literatura (poesia, contos, crônicas Etc. para pacientes e acompanhantes.
Cotidianamente mais do que um atendimento comum é dado ao paciente, pois em todos os centros de atendimento da Liga, há muita dedicação da equipe médica, dos funcionários, de voluntários e parceiros. Daí a razão de se dizer que não é apenas uma entre as dezenas que fazem o atendimento ao paciente com Câncer, mas sim o único Centro de Alta Complexidade em Oncologia no Rio Grande do Norte, título este conferido pelo o Ministério da Saúde.
Segundo o Dr. Roberto Sales, Superintendente da Liga, atualmente são feitas 20 pesquisas clínicas, cursos de aperfeiçoamento em Oncologia para área médica e também para Odontologia, Farmácia, Enfermagem, Psicologia, Assistência Social e Nutrição, entre outras. A população é orientada com palestras para prevenção do Câncer e sobre a importância do diagnóstico precoce. Durante o tratamento, é oferecido o que há de melhor e mais moderno em cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
O relato histórico da Liga Norte Rio Grandense Contra o Câncer já conta com seis décadas e ao longo desse tempo, muitas conquistas – nomes e avanços no trabalho coletivo, fizeram com que essa instituição chegasse aonde chegou. Aquisição de material radium para tratar o Câncer uterino em 1971, doado pelo Monsenhor Walfredo Gurgel, como a conquista de um aparelho moderno de radioterapia desde 1975, no que possibilitou tratar diversos tipos de Câncer na época.
O Dr. Aluisio Bezerra de Oliveira que chegou na Liga em 1970 e primeiro Radioncologista do Estado, se especializou no Instituto Nacional do Câncer (Inca) depois de se formar na segunda turma de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ele lembra que quando voltou da especialização a Liga contava apenas com dois aparelhos antigos. “um deles, o aparelho de contatoterapia tratava apenas lesões pequenas de câncer, além disso, não tínhamos tabela de rendimento, o que dificultava o tratamento. Depois da doação do material radioativo, foi preciso conseguir um físico para definir a dosagem da medicação”. Enfatizou o Dr. Aluísio.
O crescimento e desenvolvimento da Liga se deram na época em que o Programa Nacional de Controle do Câncer que durou cerca de cinco anos, na direção de Etelvino Cunha, carreasse verba para o Estado, através do Banco do Estado do RN. A Liga então pode capacitar médicos em diversas especializações no Rio de Janeiro, entre eles, Dr. Ivo Barreto, Dr. Maciel de Oliveira e o Dr. Roberto Sales. A entidade começava a crescer em capacitação.
1980 – Mais um avanço da Liga: É adquirido o aparelho de Cobalto- aparelho moderno para tratamento de todo tipo de câncer. Nesse tempo o grande destaque foi o lançamento da Campanha ajude-nos a ajudar, para arrecadação de verbas para a compra do Acelerador Linear 6/100, campanha essa, que teve a duração de um ano com o apoio da Professora Maria Alice Fernandes e da Rede Feminina. Visitas de pedidos foram feitas pessoalmente em fábricas e empresas do Estado e de outras regiões do País.
A Liga Norte Rio Grandense contra o Câncer vem ao longo desses 60 anos de atividades cumprindo importante papel na aplicação eficaz e eficiente da tecnologia de irradiação em diagnósticos e tratamentos, mantendo um forte aparato tecnológico e uma equipe competente formada por profissionais especializados em proteção radiológica.
Pesquisando a Rede Mundial de Computadores (Internet), encontrei um resumo do que seja RADIOTERAPIA CONFORMACIONAL, que transcrevo abaixo em negrito:
Recentes avanços nas áreas de computação e de produção de imagens radiológicas possibilitaram o desenvolvimento de uma nova técnica de tratamento denominada Radioterapia Conformacional, baseada em planejamento tridimensional que apresenta vantagens sobre os métodos de radioterapia convencional.
Atualmente é possível visualizar a região do corpo a ser irradiada em 3ª dimensão, obtendo-se maior segurança e precisão na identificação dos tumores, melhorando a qualidade técnica da programação dos tratamentos.
A Radioterapia Conformacional permite concentrar a radiação na área a ser tratada e reduzir a dose nos tecidos normais adjacentes. Desta forma, o tratamento se torna mais eficaz, com poucos efeitos colaterais, diminuindo as complicações clínicas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
Outro benefício deste método é de possibilitar a aplicação de doses mais elevadas de radiação, aumentando os índices de cura das doenças malígnas, sem qualquer acréscimo nos efeitos colaterais do tratamento.
A constante preocupação em oferecer aos clientes atendimento diferenciado, com técnicas de vanguarda, fez com que a Radioterapia Botafogo adquirisse o sistema de planejamento CAT 3D - MEVIS que possibilita a aplicação da Radioterapia Conformacional, para tratamento de tumores da próstata, pulmão, sistema nervoso central e outros.
AGRADECIMENTO.
Minha gratidão a Dra. Andrea Paula Bezerra (Radioncologista), que acompanhou meu tratamento na Radioterapia Conformacional, a Eliane Anaya e Juciene Patrícia, técnicas em Radiologia e minhas assistentes no aparelho Acelerador Linear 2/100, como também a nossa querida Cida (recepcionista), e a toda Equipe Multidisciplinar que nos acompanhou desde o início nos exames primários. Aos Diretores e Funcionários em geral meu muito obrigado pela forma carinhosa e gentil como fomos tratados. Dra. AndreaClemildo ladeado por Elaine e Juciene. Cida
Aproveitando a deixa do dia 07 de Abril, data em que é celebrado o Dia Mundial da Saúde, parabenizo - A LIGA NORTE RIO GRANDENSE CONTRA O CÂNCER, pelas conquistas alcançadas, pois tem em seu seio o somatório de alta tecnologia, humanização e solidariedade.
*RADIALISTA

GINÁSIO DIOCESANO DE POMBAL - REMINISCÊNCIAS I

Prof. Vieira (Foto)
POR FRANCISCO VIEIRA*
Num misto de saudades, tristeza e revolta relembro o extinto Ginásio Diocesano de Pombal, hoje, reduzido a lembranças devido o descaso dos nossos representantes. Dele, além da saudade nos resta apenas a certeza de que sem ele a história de Pombal estará sempre incompleta. A mim, na condição de ex. aluno, o luxo de conhecer sua história e externar meu sentimento, sinal de fidelidade às origens, pois quem procede ao contrário desconhece a si mesmo, portanto, não tem história.
Fundado em 1.954, o Ginásio Diocesano de Pombal, nasceu graças ao trabalho incansável do então pároco Mons. Vicente Freitas e que contou com o imprescindível apoio da população. Suas primeiras aulas foram ministradas no extinto sobrado de D. Jarda, defronte a coluna da hora, hoje “Farmácia Nova”, passando depois para o prédio da Escola “João da Mata” no centro da cidade e em seguida para sua sede própria construída no Bairro Jardim Rogério em terreno doado pelo Sr. Raimundo Queiroga. Sua primeira turma concluiu em 1958, tendo como paraninfo o então Deputado Federal Janduy Carneiro, cuja solenidade ocorreu nas dependências do também extinto Cine Lux. Entre outros foram concluintes Inácio Tavares, Francisco Fernandes (Bibia), Aércio Pereira, Jurandir Guedes e Jurandir Urtiga, Dario Gouveia, Olavo Rocha, Luis Camilo, Lacides Brunet, Carlos Brunet, João Vieira (meu tio) e Miguel Brilhante. Esses dois últimos gozavam de certos privilégios devido a idade e a responsabilidade. Era um exemplo para os demais.
Sua sede própria que fora construída pelo Mestre de Obras Manoel Virgínio, representava a modernidade arquitetônica da época e sua estrutura estava adequada à finalidade para a qual fora criado. Suas paredes robustas e recheadas de ferro davam à garantia de absoluta segurança, portanto, capaz de resistir o desgaste natural provocado pelo tempo.
Como se não bastasse sua rica estrutura física, dotada de laboratório, vasto acervo bibliotecário, quadra de esportes, serviço tipográfico, panificação, etc, a escola oferecia ainda cursos profissionalizantes, tais como: arte culinária, tipografia, panificação e datilografia, todos pelo Ginásio Industrial e Comercial, ambos criados em 1.961 e 1.962, respectivamente, pelo então diretor Côn. Luiz Gualberto de Andrade, outro que empenhou esforços e mostrou-se um timoneiro na luta pela educação de Pombal. Detinha ainda uma equipe de professores competentes e compromissados com a missão de educar o que garantia uma educação de qualidade, entre os quais citamos: Dr. Arlindo Ugulino, os médicos Atêncio Bezerra e Avelino Queiroga, Erotides e Mariinha Santana, Osa Rodrigues, Carmita e Maria José Bezerra, José Marques, Dalva Monteiro, Dra. Lenilda Arruda, Ivonildes Bandeira e muitos outros de igual importância.
Propositadamente, confesso imenso amor pela terra natal. Esse amor telúrico que me deixa orgulhoso de sua história é o mesmo que me faz revoltado quando algo impede o seu crescimento. Por isso, me constrange tanto ex., pois é sinal de regressão. É deveras, esse mesmo sentimento que me prende na memória esses professores, com os quais aprendi para a vida e dos quais tenho em minha formação um pouco de cada um.
Relembrar o Ginásio Diocesano de Pombal é reverenciar com justiça um período marcante da história do município. É exaltar os méritos de Mons. Vicente Freitas, Côn. Luiz Gualberto de Andrade e do Ex. Padre Martinho Salgado, que na qualidade de diretores prestaram relevantes serviços a educação de Pombal. Contudo, me constrange a inércia dos nossos políticos, de cuja inoperância resultou no fechamento da escola. E o que é pior, a sua extinção. É lamentável, porém verdade. Antes fosse um sonho, pois certamente não teria amargado o triste episódio de ver o Gigante de Concreto que fora construído para resistir o desgaste do tempo, literalmente desmoronado, ante a discórdia das partes litigantes, sendo de um lado a Diocese de Cajazeiras, proprietária-vendedora e do outro o Estado que manifestava o interesse de compra, ficando assim entregue ao abandono. Ai, sob os cuidados de ninguém, a cidade assistia indiferente a sua total destruição. Estando a mercê de vândalos, o templo do saber fora transformado em ruínas. Impiedosamente, pessoas insensatas se apoderaram do seu rico patrimônio como bem quiseram, salvo alguns bens como biblioteca e laboratório que foram doados ao Colégio “Josué Bezerra”. Dessa forma dividiram entre si os bens que não lhes pertenciam, tais como: portas, janelas, telhas, tijolos, tudo possível. Cena triste. Era tal qual cantam Os Demônios da Garoa na música Saudosa Maloca: “cada tábua que caia doía o coração”. De certo, restaram apenas lembranças que se eternizaram na memória de cada pombalense, principalmente de ex. alunos como eu.
Ainda bem que existe outro em seu lugar – O Polivalente – o que é menos mal. Melhor seria se tivesse evitado tudo isso, pois seria mais uma escola. Segundo a sabedoria popular é mesmo que descobrir um santo para cobrir outro. Com certeza esta não seria a solução.
Relembrar o GDP – era a sigla impressa nas camisas – é orgulhar-se dos memoráveis desfiles de sete de setembro comandados pelo Prof. Arlindo; é cumprir as normas estabelecidas para evitar uma punição severa depois de um sermão de Mons. Vicente ou Padre Gualberto. É ainda estar obrigado a assistir a missa dominical sempre às sete da manhã e depois participar das sessões do grêmio; é temer o rigor das professoras Maria José e Carmita Bezerra. È finalmente, a caminho da escola, cedinho para educação física, roubar coco no colégio das freiras e os pães deixados nas janelas das casas pelo padeiro. È também lembrar dos colegas: Fan Arruda, Dr. João Ferreira (João Peba), Evanildo Bezerra (burro preto de Hercílio), Raimundo Coelho (filho de Chico Terto), Laércio de Caboquinho, Caveirinha, Cutia, Cajazeirinhas e muitos outros.
O bem à terra em que nascemos é como o amor filial, é um sentimento ímpar. Certamente não há outro equivalente. Por isso se justifica denunciar os erros que precisam de consertos e o que há de injustiça na esperança de que fatos dessa natureza não mais se repitam. Por tudo isso e muito mais se justifica este artigo trazendo a tona o GINÁSIO DIOCESDANO DE POMBAL E SUAS REMINISCÊNCIAS.
Pombal, 02 de abril de 2010.
*PROFESSOR, EX- DIRETOR DA ESCOLA ESTADUAL JOÃO DA MATA, EX- SECRETÁRIO DE ADMINISTRAÇÃO DE POMBAL.

O SONHO DE ARTISTA - HOMENAGEM A JOÃO FON-HON-HON.

Por Maciel Gonzaga*
Dom Quixote de La Mancha, na visão do escritor espanhol Miguel de Cervantes e Saavedra (1547-1616) perseguia um objetivo, que acredita sejam historicamente verdadeiros, perde o juízo, e decide tornar-se um cavaleiro andante. Vestido com uma armadura velha que havia pertencido a seu bisavô, Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano, parte montado em um pangaré, Rocinante, na companhia de Sancho Pança, um ingênuo e materialista lavrador, seu fiel amigo escudeiro, escanchado em um burrico, que aceita seguir o fidalgo pela promessa de uma ilha governar. A dupla se investe dos ideais cavalheirescos de amor, de paz e de justiça, sai pelo mundo, em luta por tais valores, pensando em salvar os fracos e oprimidos, donzelas em perigo e tantos outros injustiçados.
É claro que Cervantes satiriza os preceitos que regiam as histórias fantasiosas dos heróis da época, ao mostrar a eterna luta do homem vivendo entre o sonho e a realidade. Sua obra transformou-se num verdadeiro sentido universal da vida. O Quixotismo incorporou-se no vocabulário de todas as línguas para designar o comportamento daquele que sobrepõe a fantasia à realidade, o idealismo ao realismo o desprendimento à conveniência. Há em Dom Quixote uma identidade com as pessoas reais, já que o homem está sempre aquém da imagem que faz de si mesmo e dos ideais que aspira.
O ser humano sempre está na busca de conseguir satisfazer aos seus desejos mais intensos. Somos um sonho divino que não se condensou, por completo, dentro dos nossos limites materiais. Existe, em nós, um limbo interior; um vago sentimental e original que nos dá a faculdade mitológica de idealizar todas as coisas. A vida é uma luta entre os seus aspectos revelados e o limbo em que eles se perdem e ampliam até a suprema distância imaginável; uma luta entre a realidade e o sonho. Muitos o deixam logo, outros o levam consigo durante bom tempo e alguns raros o realizam.
É fato que quase todos nós passamos por uma época em que temos o sonho de ser um artista. O sonho de ser famoso ganha um novo capítulo a cada dia. Todo mundo gostaria. Em Pombal, nós temos uma figura quixotesca – João Bezerra, ou João Fon-Hon-Hon – de quem fui amigo de infância morando todos nós na Rua do Cachimbo Eterno. João nasceu com o sonho de ser cantor. Desde menino sempre fascinado pelo palco, as luzes e o sucesso. Sua voz fanha e a dicção não atrapalham em nada a sua proposta. Canta com o nariz, com a garganta.
Fã de Miguel Aceves Mejia, Bienvenido Granda, Lucho Gatica, o nosso ídolo pombalense canta e se veste como os seus ídolos, elegendo a música mexicana como sua bandeira de vida. Entre os cantores brasileiros, a sua preferência maior é por Waldick Soriano. Aprendeu a viver a música com paixão e nunca hesitou um só instante em se negar a imitar seus ídolos.
Assim é João Fon-Hon-Hon, imitando os seus cantores preferidos, animando bares e rodas de bate-papo na cidade de Pombal, seu palco ilusório, onde é aclamado como herói e todos o entendem perfeitamente. Segue sua vida, depois dos 60 anos, tendo em Dom Quixote o seu maior exemplo, lutando, sonhando contra os ventos, os moinhos e os dragões da vida, com o objetivo de criar e evidenciar o belo, pois,
“...Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade”. Aliás, sobre o sonho, entendo que há três tipos de sonhadores: aqueles que sonham com uma vida melhor para os outros e para todo mundo; os que acreditam no sonho e resolvem se esforçar para que ele aconteça e, por último, aqueles que estão dispostos a arriscar a sua própria vida em benefício dos outros. É difícil encontrar pessoas sonhadoras dispostas a fazer sacrifícios pelo bem da humanidade, mas elas existem, em quantidade bem pequena, é verdade. Afinal de contas, neste nosso mundo é completamente louco quem ousa sonhar. Mas o que seria de nós sem o sonho? Por isso, aqui vai o meu incentivo a João Fon-Hon-Hon: continue sonhando, velho amigo!
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.