CLEMILDO BRUNET DE SÁ

CELSO FURTADO: HOMENAGEM AOS SEUS 90 ANOS DE NASCIMENTO!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*

Entre muitas variantes do pensamento humano é possível se imaginar como a figura de um conterrâneo nosso, como Celso Furtado, tenha alcançado em sua trajetória de vida terrestre, destaque de um pensador a frente de seu tempo. Fiel aos seus princípios, tímido, simples e prudente, conhecido como o mais universal dos paraibanos, pois de nossa terra só tem mesmo a certidão de nascimento; tenha deixado através de sua obra, um legado tão importante para a história, onde mostra que é possível adotar uma política de desenvolvimento para o nordeste, o Brasil e América Latina.

20 do corrente mês marcam 06 anos de seu falecimento, 26 de julho deste ano 90 anos de seu nascimento. Teve uma infância conturbada nos sete anos vividos em seu torrão natal em meio às invasões de cangaceiros e as enchentes como a que ele presenciou em 1924.

Eu venho de um mundo que me parecia catastrófico. Pombal é das cidades mais ásperas do sertão. Região seca, de homens secos. Muito menino, eu olhava pela fresta da janela a chegada dos cangaceiros.”

“Em 1924, a parte dos fundos da nossa casa, onde havia a cozinha, foi destruída por uma enchente. Nela, eu estava jogando bola e uma panela de feijão virou em cima de mim, causando queimaduras. A visão que tive do mundo na infância era povoada de dificuldades, de amarguras.”

“Quando a Coluna Prestes passou por perto, ouvi os adultos dizerem que era como uma praga de gafanhotos, que tomavam as reses dos ricos, para comer, e deixavam, como pagamento, papéis rabiscados. Poucos sabiam o que queriam aqueles homens, vistos como desertores do Exército comandados por um capitão de 26 anos.”

“O governador João Pessoa era tido como uma espécie de santo. Quando foi assassinado, as pessoas saíram às ruas em procissões. Foi no dia 26 de julho de 1930, em que eu completava dez anos. As empregadas da casa me levaram a essas manifestações cívicas, que mostravam a revolta contida do povo” (Celso Furtado).

Celso Furtado era filho de Mauricio de Medeiros Furtado e Maria Alice Monteiro Furtado. Seu pai formou-se em Direito pela Faculdade do Recife, foi juiz substituto da Comarca de João Pessoa, Procurador Geral do Estado, Desembargador do Tribunal de justiça da Paraíba. Exerceu grande influência na formação do filho Celso, o mais velho dos homens de uma prole de oito filhos que teve com dona Maria Alice.

Em 1927 Celso levado pelos seus pais fixa residência em Paraíba como era chamada a capital do estado naquela época, iniciando seus estudos secundários no Liceu Paraibano, e no Ginásio Pernambucano no Recife. Em 1936 já dava aulas de Geografia e Português e dirigia cursos noturnos de escolas públicas.

Em 1939 chega ao Rio de Janeiro e vai morar em pensões no Flamengo e na Lapa. Entra para a Faculdade Nacional de Direito e começa a exercer atividades tais como Secretário de redação na Revista da Semana, seu primeiro emprego, repórter e crítico de música. Torna-se revisor do Correio da Manhã.

Foi em 1943 que Celso Furtado assumiu o seu primeiro emprego público é aprovado nos concursos para assistente de organização do Dasp e técnico de Administração do DSP – Rio de Janeiro. Em 1944 cursa o CPOR (Corpo de preparação de Oficiais da Reserva). Escreve seus primeiros artigos, sobre administração e organização na revista do serviço público do DASP.

Bacharel em Direito. É convocado pela Força Expedicionária Brasileira. Por falar nessa convocação, reporto-me a um trecho de uma entrevista que Celso Furtado deu em abriu de 1999, ao jornalista Roberto Pompeu de Toledo. O jornalista perguntou: Como foi sua experiência na Segunda Guerra Mundial?

“Fui convocado como Oficial. Por sugestões de amigos, tinha cursado o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, do qual sai tenente. Levei vantagem porque falava inglês. O estudo de línguas, nessa época, era muito precário. Meu pai sempre me advertiu: “Neste país, Celso, você não vai longe se não souber inglês”. E pagou um professor de inglês pra mim, mr. Vance, um químico industrial que trabalhava para usina de açúcar no nordeste. Ele gostou muito de mim e aceitou ensinar. Confesso que a vaidade pesou, eu, um menino de 15 anos, ia para os clubes e começava a falar inglês. Gostava de falar na frente das pessoas que não entendiam”.

Respondendo outra indagação do jornalista, Celso disse, que quando os superiores tomaram conhecimento de que ele dominava o inglês, o convocaram para assumir a tarefa de intérprete junto aos americanos, pois havia muito contato e ninguém sabia o idioma. Com isso, o nosso economista maior, ganhou várias regalias, ficou tomando parte do centro de decisões e tinha acessos às informações.

Pós Guerra, Cesso muda-se para Paris desiste de ser advogado como queria seu pai. Em 1948, forma-se em Economia pela a Universidade de Paris com a tese “L’economie coloniale brésilienne”. Volta ao Brasil e passa fazer parte do quadro dos economistas da Fundação Getúlio Vargas, trabalhando na revista Conjuntura Econômica. Em 1949 torna-se integrante da recém- criada Comissão Econômica para América Latina (CEPAL), órgão das Nações Unidas no Chile. Nomeado Diretor de Desenvolvimento do órgão, Celso é encarregado de missões na Argentina, Costa Rica, Venezuela, no Equador e no peru. Seu primeiro ensaio de análise econômica, “Características gerais da economia brasileira” é publicada na revista da Fundação Getúlio Vargas.

Em 1957 realiza estudo pós- graduação no King’s College da Universidade de Cambridge, Inglaterra. Aí escreve Formação econômica do Brasil, seu livro mais difundido no Brasil e traduzido em nove línguas.

Uma das maiores secas do nordeste se deu no ano de 1958, o Presidente Juscelino Kubitschek nomeia Celso furtado interventor no Grupo de trabalho do Desenvolvimento do Nordeste (GTDN), oportunidade em que se elabora um estudo para promover o desenvolvimento do semi-árido, dando origem ao Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (CONDENO), do qual nosso economista maior é nomeado secretário Executivo. É publicada Perspectivas da economia brasileira, com as conferências proferidas no ano anterior no ISEB.

A Série nossa história, nossa gente, volume 06, publicada o ano passado por ocasião da Festa do aniversário de Pombal que tem como autores os Engenheiros Agrônomos Verneck Abrantes e José Tavares de Araújo Neto, diz que:

Celso Furtado colecionava pioneirismo: Foi o primeiro brasileiro a se doutorar como economista na Universidade de Paris, o primeiro a integrar a Comissão Econômica para América Latina – CEPAL, o primeiro Superintendente da SUDENE – que ajudou a criar – o primeiro ministro do planejamento e cassado pelo regime militar, o primeiro economista estrangeiro nomeado para a Universidade francesa. Em 1965, um decreto especial do presidente Charles de Goulle permitiu-lhe lecionar Desenvolvimento Econômico na universidade de Paris, permanecendo por vinte anos nos quadros da Sorbonne. Escreveu mais de 30 livros, entre eles Formação Econômica do Brasil clássico sobre o desenvolvimento do país entre o período colonial e a industrialização.

Celso furtado ninguém o superou reuniu em si mesmo as aptidões de cientista, líder e mestre, tendo sido o inventor de escolas que decifrou com muita propriedade os segredos mais profundos do pensamento econômico abrindo caminhos de alternativas para o desenvolvimento social. Por isso, nós que somos pombalenses e conterrâneos sentimo-nos orgulhosos, homenageando-o, nos seus 90 anos de nascimento.

*RADIALISTA
Contato. brunetco@hotmail.com
Twitter clemildobrunet
Web www.clemildo-brunet.blogspot.com
Pombal, 25/11/2010.
Bibliografia:
Centro Internacional Celso Furtado de políticas para o Desenvolvimento e nossa história, nossa gente.

PAULO PEREIRA: UM HOMEM QUE DEVOTOU SUA VIDA A POMBAL...

Maciel Gonzaga (Foto)
Por Maciel Gonzaga*

Paulo Pereira Vieira, nasceu no dia 29/06/1916 e faleceu em 08/03/1988. Foi o nono Prefeito Constitucional da cidade de Pombal - 1977 a 1982 (6 anos por contemplação de uma prorrogação de mandatos dos prefeitos por dois anos concedida pela Revolução Militar). Seu vice-prefeito foi Aureliano Ramalho Cavalcanti. Por ser mais administrador e de menos contato com o povo, Paulo Pereira quebrou vícios paternalistas, deu mais organização às finanças do município, fez uma administração marcada pela honestidade, inclusive, entregou ao seu sucessor, uma prefeitura sem dívidas e com saldo positivo em caixa. Construiu obras, fez doação de terras para construção de um bairro popular, esgotos sanitários e, até então, foi o prefeito que mais fez calçamentos de ruas na cidade de Pombal. Ainda fez uma concessão ao seu vice, Aureliano Ramalho, para assumir a Prefeitura Municipal por um período de sete meses, tendo este praticamente mantido o desenvolvimento dos trabalhos que o prefeito titular vinha realizando.

Industrial, grande proprietário de terras e imóveis, ex-vice-prefeito. Como industrial, Paulo Pereira foi um marco em Pombal. A sua usina de beneficiamento de algodão gerou muitos empregos na cidade e era a principal concorrente da Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro, também conhecida como SANBRA, que foi uma empresa exportadora de algodão do Nordeste, conhecida também por seus óleos alimentícios. Era casado com Nadir Monteiro Pereira, pais de: Paulo Pereira Vieira Filho, Hermínio Monteiro Neto, Maria Ângela, Maria Bethânia, Maria de Fátima e Rita de Cássia. Era irmão do ex-prefeito e deputado estadual, Francisco Pereira Vieira.

Paulo Pereira (Foto)
Paulo Pereira era único, inconfundível. Seu estilo sempre serviu de parâmetro na cidade. Era homem de sim, sim; não, não. Possuía um caráter impar. Além de suas qualidades como administrador, “Seu” Paulo sempre teve um amor especial pela cidade de Pombal, a ponto de sua família ir morar em João Pessoa e ele ficar morando sozinho em nossa cidade. À noite gostava de visitar residências de amigos na Rua do Rio. Não perdia o Jornal Nacional da Rede Globo. Era Maçom. Depois de utilizar por muitos anos um veículo (a famosa Baratinha, que chegou em Pombal nos anos 50 zero KM), foi o primeiro proprietário de uma caminhonete Chevrollet também zero KM a circular em Pombal. O Açude de Nova Vida, que fez parte da vida da cidade nos anos 50 e 60, pertencia às terras de Paulo Pereira. Ali, havia uma escola para crianças pobres. Eu mesmo estudei as primeiras letras da “Cartilha do ABC” nesta escola, que tinha à frente a professora Dona Almira. Paulo Pereira também foi padrinho de inúmeras crianças da cidade, entre elas o meu irmão Massilon Gonzaga.

Há muitas estórias sobre Paulo Pereira. Conta-me Clemildo Brunet de Sá que, no exercício da Prefeitura, certa ocasião, se aproximando uma campanha eleitoral estadual foi levado por Raimundo Freitas à presença de Paulo Pereira. O objetivo seria a contratação de Clemildo para ser locutor e coordenador de mídia da campanha de reeleição do deputado Chico Pereira. Na presença do prefeito, Clemildo é apresentado e faz a sua proposta financeira. O prefeito, em nome do Grupo Pereira, acha alta a proposta e pede um tempo para pensar. Tentando conseguir uma solução rápida para sua contratação, o jovem locutor questiona: “Seu Paulo, eu preciso de uma solução rápida, porque o outro lado - o outro partido, o MDB – também está me querendo”. Paulo Pereira reage incontinente: “Então, vá pra lá... Você não é  já de lá... Fique lá no seu canto”. A conversa encerrou ali, a pedido de Raimundo Freitas, pois não havia mais condições de se dialogar com o prefeito. Mas, apesar de tudo, “Seu” Paulo acabou contratando Clemildo para trabalhar na campanha e, a partir daí os dois – o prefeito e Clemildo – conseguiram se afinar politicamente e logo surge um convite feito para que “Brack” fosse coordenar a implantação da Rádio Maringá AM, que em breve chegaria a Pombal, pelas mãos do Grupo Pereira. Aliás, a Rádio Maringá, que tinha como sócios os deputados Adauto Pereira (federal) e Aércio Pereira (estadual), além do engenheiro eletrônico Paulo Pereira Filho, teve sua inauguração festiva no dia 03 de abril de 1982, na administração de Paulo Pereira Vieira com a presença de diversas autoridades, entre elas o governador do Estado, Tarcisio de Miranda Burity; deputado federal e pré-candidato ao Governo, Wilson Braga; deputados Adauto Pereira, Chico Pereira e Aécio Pereira e muitas outras autoridades do Estado e do Município, além de grande número de pessoas. Na mesma data, o prefeito Paulo Pereira Vieira entregou ao povo de Pombal o Terminal Rodoviário “Hermínio Monteiro Neto”, obra de sua administração.

Independe de quais tenham sido as suas convicções partidárias, Paulo Pereira Vieira foi um homem de visão, empresário e político que devotou sua vida à cidade de Pombal. Não podemos esquecê-lo!

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: ECOS DA LIBERDADE!

Clemildo Brunet (foto)
CLEMILDO BRUNET*

Liberdade é um dos maiores tesouros que o homem possui. Porém, nos relacionamentos com outros seres existe algo que a impede, provocando ansiedade em fases distintas da existência terrena. É verdade que temos liberdade de ir e vir. Contudo, a alma humana aspira e deseja uma liberdade plena.

Paulo na carta aos romanos fala do anseio dessa liberdade quando diz: “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. E contextualiza dizendo: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”. Na verdade, a liberdade, em toda sua anuência está revelada na plenitude do que Cristo disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Para Schopenhauer, a ação humana não é, absolutamente, livre. Todo o agir humano, bem como todos os fenômenos da natureza, até mesmo suas leis, são níveis de objetivação da coisa-em-si kantiana que o filósofo identifica como sendo puramente Vontade.

Para Schopenhauer, o homem é capaz de acessar sua realidade por um duplo registro: o primeiro, o do fenômeno, onde todo o existente reduz-se, nesse nível, a mera representação. No nível essencial, que não deixa-se apreender pela intuição intelectual, pela experiência dos sentidos, o mundo é apreendido imediatamente como vontade, Vontade de Vida. Nesse caso, a noção de vontade assume um aspecto amplo e aberto, transformando-se no princípio motor dos eventos que sucedem-se na dimensão fenomênica segundo a lei da causalidade.

O homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre sua vontade. O homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre - é absolutamente determinado a agir segundo sua vontade particular, objetivação da vontade metafísica por trás de todos os eventos naturais. O que parece deliberação é uma ilusão ocasionada pela mera consciência sobre os próprios desejos. (Schopenhauer).

O conflito que se estabelece no interior do individuo pela vontade de desfrutar da liberdade que tanta almeja, oscila em seu interior devido a ordenação da lei que é espiritual, oposta ao o homem que é carnal e escravo do pecado.O Apóstolo Paulo tinha consciência disso. “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto”... Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”.

A data 20 de novembro se comemora o Dia Nacional da Consciência negra em nosso país, em homenagem a Zumbi do quilombo dos Palmares, pois sua morte se deu nesse dia no ano de 1695. A data foi oficializada pela Lei de n° 10.639 de 09 de janeiro 2003, no início do mandato do presidente Lula.
Zumbi (foto)
Zumbi um herói pela sua resistência na luta anti-escravagista. Descendente de guerreiros angolanos, foi capturado por soldados aos 7 anos de idade e entregue ao Padre Antonio Melo, de Porto Calvo. Educado pelo Padre aprendeu Português e Latim, mais tarde viria a se tornar um dos famosos lideres de Palmares.

Em 1670, aos 15 anos, Zumbi fugiu e voltou para o quilombo. Quilombos na língua banto significam “povoação”. Palmares organizou-se não só como abrigo dos negros, para ali ocorriam também brancos pobres, índios e mestiços que eram extorquidos pelo colonizador. No quilombo dos Palmares havia o cultivo de frutas, milho, mandioca, feijão, cana, legumes e batatas.

O quilombo palmares foi defendido no século XVII durante anos por Zumbi contra as expedições militares que pretendiam trazer os negros fugidos novamente para a escravidão. Em 1694, com uma legião de nove mil homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada que levara a derrota de Macaco, principal Povoado de Palmares. Zumbi de Palmares foi localizado vítima de traição de um companheiro que o delatou e foi morto, tendo o corpo perfurado por balas e punhaladas, foi levado ao Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para o Recife onde, foi coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo.

O Dia da Nacional da Consciência Negra é dedicado a reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. A Lei que estabeleceu a data de 20 de novembro, também tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. Nas escolas as aulas sobre os temas: História da África e dos africanos, luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, e o negro na formação nacional, bem como, propiciar o resgate das contribuições dos povos negros nas áreas social, econômica e política ao longo da nossa história.
Salve 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra!
Pombal, 19/11/2010.
*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com
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Bibliografia – Amélia Hamze. FEB/CETEC ISEB/FISO – Barretos. Wikipédia, a enciclopédia livre.

POLYANA: ALIANÇA NA POLÍTICA E NO CASAMENTO!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*

A badalação que corre de boca em boca e em alguns portais da Paraíba, que vai marcar como um dos maiores eventos deste final de semana é o casamento da Prefeita de Pombal, Polyana Feitosa com o Prefeito de Brejo do Cruz, Francisco Dutra Sobrinho, (Barão). É um fato raro na história política paraibana e quiçá do Brasil. Alguns chegam a considerar que a política tenha virado “negócio de família” e nessa mistura, ambos se conheceram no pleno exercício de seus mandatos entre duas cidades do Sertão da Paraíba.

Os nubentes terão como palco para a realização do matrimônio a sede do Maringá Campestre Clube de Pombal, a margem da BR-230, próximo a ponte do areal a 5 km da cidade, neste sábado dia 13 de novembro. O acontecimento vai reunir as mais diversas autoridades do mundo social, político e econômico a nível municipal, estadual e nacional.


F. Dutra e Polyana (Foto)
Mesmo militando em campos opostos na trajetória política, desde quando iniciaram o namoro em 2008, Polyana e Francisco Dutra, antes de chegarem ao altar para unir suas vidas, fizeram alianças partidárias, oportunidade em que o Barão, abdicou de seu apoio ao candidato a Governador José Maranhão, no qual havia votado com os seus comandados no primeiro turno e resolveu atender o apelo do coração da amada, passou a apoiar no segundo turno, o candidato ao Governo indicado por Polyana, fato consumado com expressiva votação dada a Ricardo Coutinho, em Brejo do Cruz.

O poder de persuasão da prefeita Polyana na disputa das eleições realizadas no mês de outubro passado, fez virar o jogo no segundo turno no município de pombal, pois como se sabe, a maioria, em outros pleitos estaduais para o governo, sempre era a oposição que levava vantagem. No entanto, a Prefeita pombalense reverteu o quadro dando uma maioria para Ricardo Coutinho de 692 sufrágios sobre o seu adversário.

Outra façanha que pontua a persuasão de Polyana foi conseguir reunir diversas facções políticas divergentes em um só palanque: Ricardo Coutinho (PSB), Cássio Cunha lima (PSDB), Janduhy Carneiro Sobrinho (PPS), Luiz Couto (PT) e o democrata Efraim Morais, todos contra o PMDB de José Maranhão.

A Prefeita Polyana é viúva do Ex-Prefeito de Pombal Jairo Feitosa, que faleceu vítima de acidente automobilístico em 2007. Em 2008 se lançou candidata a Prefeita de Pombal e saiu vitoriosa. Havendo herdado o espólio político de seu falecido marido, tem administrado o município de Pombal com tanta maestria, que no início da segunda quinzena de outubro numa pesquisa realizada pelo o Instituto Opinião, que apresenta um raio-x de outras gestões municipais da Paraíba, a Prefeita Polyana (PT) recebeu positivamente 60% de aprovação dos pombalenses que foram entrevistados.

Da união que é formada entre o homem e a mulher, com o enlace matrimonial do Prefeito Francisco Dutra sobrinho de Brejo do Cruz, com a Prefeita Polyana Feitosa de Pombal, o projeto político de ambos será sedimentado pelo o amor, apontando para a reeleição da atual Prefeita de Pombal em 2012.

Parabéns, Feliz casamento!

*RADIALISTA

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DIFÍCIL DECISÃO

Severino Coelho (foto)
Por Severino Coelho Viana*

O nosso mundo real, que as pessoas vivem em concorrência desleal, além de consumista, desigual, artificial e desumano, obriga as pessoas a se fecharem no seu mundo individual e que passam a acreditar somente em ganhos materiais. Aprendemos contar o tempo por dias, meses e anos, e esquecemos a viver a vida qualitativamente a cada dia, da maneira plena possível como se não houvesse o amanhã.

A nossa vida caminha num constante pulso de decisões, momentaneamente, das mais simples na rotina cotidiana às mais complicadas que perdurarão como um fado constrangedor ou como um alívio para o nosso grau de sensibilidade.

No longo percurso de nossas vidas, sempre nos deparamos com situações difíceis, embaraçosas, engenhosas que nos pegam de surpresa, e, então, ficamos entre a cruz e a espada, sem saber o que fazer e qual decisão a ser tomada. Se correr o bicho pega ou se ficar o bicho come! O que chamamos de sinuca de bico. Nestas ocasiões é que precisamos de muito equilíbrio e sensatez para achar uma outra saída para o problema ser solucionado, principalmente quando exige rapidez de raciocínio e ação corporal. Estes problemas que são corriqueiros, no nosso dia-a-dia, refletem no íntimo da alma humana. E assim, errando e acertando vamos levando a vida e sempre aprendendo ali, caindo aqui, levantando para cair de novo e aprender alguma lição de vida, que na prática, acostumamos a lidar com os dilemas da vida.

Todavia, nem tudo é tão fácil assim, existem situações que mexem e remexem nas nossas entranhas, por exemplo, aplicar a eutanásia ou não a um ente querido que sofra de uma doença incurável; escolher qual o tipo de execução que o condenado à pena de morte deseja: injeção letal, guilhotina, forca ou um tiro fatal; se dois filhos amados estão em perigo fatal qual deles deve ser escolhido para ser salvo! Valendo ressalvar que a pessoa se encontra naquele momento que vale o tudo ou nada!

No dia 07 de agosto de 2010, aconteceu um fato que recontamos, literalmente, para que sirva de profunda reflexão à nossa vida e à vida dos nossos semelhantes. Uma mulher britânica foi forçada a escolher que filho salvar após seu veículo automotor cair no fundo de uma represa, Rachel Edwards, de 39 anos, retirou a filha de 2 (dois) anos do veículo submerso, mas não conseguiu salvar o filho de 16 (dezesseis) anos.

Rachel Edwards dirigia o carro, acompanhada dos dois filhos e de dois amigos do filho quando passou por um buraco e perdeu a direção na região de Lincolnshire, no nordeste da Inglaterra. Edwards, que estava grávida de seis meses na ocasião do acidente, conseguiu escapar do carro pela janela enquanto o veículo afundava.

Os dois amigos do filho também conseguiram escapar pela janela e correram para buscar ajuda. Edwards mergulhou a mais de três metros de profundidade para tentar resgatar os filhos, que ficaram dentro do veículo, e percebeu que não teria como levar os dois de volta à superfície. Ela decidiu então salvar a filha Isabella e levá-la à superfície, enquanto o filho Jack ainda estava preso no carro. Assim ela explicou: "Eu puxei a Isabella para fora e sabia que ela ainda estava viva. Tentei voltar para tentar salvar o Jack, mas sabia que se eu soltasse a Isabella, não conseguiria tomá-la de volta. Eu estava só gritando e gritando", relatou a mãe. Ela disse que o filho estava sentado ao seu lado no banco da frente, e que sua janela estava fechada porque ela havia pedido que ele a fechasse por causa do vento. Ela pensou que conseguia deixar Isabella na superfície e mergulhar novamente para resgatar o filho, mas os para-médicos chegaram ao local e a impediram de voltar para buscá-lo. Os serviços de emergência conseguiram tirar Jack do veículo, mas o adolescente já estava inconsciente e foi declarado morto ao chegar ao hospital. O resultado do momento da decisão ela relatou: "Desde então eu passo todos os meus momentos pensando em como eu poderia ter salvado meus dois filhos", disse.

Um outro exemplo, um homem que tinha um filho que ele amava extremamente... Eles brincavam na praça, corriam nas alamedas, nadavam no rio e se beijavam carinhosamente. O pai trabalhava no controle da ponte de um trem... Seu filho amava observar os trens... E as pessoas que viajavam no trem eram pessoas solitárias, com ira no coração, orgulhosas, viciadas e frustradas. Mas um trágico erro, que o leva a uma escolha terrível: deixar que todos no trem morram ou puxar a alavanca e deixar que seu filho seja esmagado pela ponte ou a salvação de todos. A sua mente fervia, o seu coração pulsava, o suor corria no seu rosto, a garganta enroscava e uma dor no peito ardia, sufocadamente. Ele escolheu o sacrifício de um ente mais querido e preferiu o sacrifício de um e trouxe a esperança para o futuro de muitos. A perda do filho foi recompensada pela salvação de todos.

Por outro lado, apesar de ser um exemplo hilário, serve para apagar o fogo do coração egoístico. Assim o anverso da moeda pode ocorrer, como nesta estória pejorativa. “Havia onze pessoas penduradas numa corda de um helicóptero. Eram dez homens e uma mulher. Como a corda não era forte o suficiente para segurar todos e para evitar a queda de todos, eles decidiram que um deles teria que se soltar da corda”.

Eles não conseguiram decidir quem soltava a corda. Até que finalmente a mulher disse que soltaria a corda, “pois as mulheres estão acostumadas a largar tudo pelos seus filhos e pelo o seu marido, dando tudo aos homens e nada recebendo”.

Quanto ela terminou de falar, todos os homens começaram a bater palmas... !

João Pessoa, 10 de novembro de 2010.
*Promotor Público e Escritor. João Pessoa PB.

“Tempo perdido é cérebro perdido”

Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*
Cessinha (Foto)



Essa frase nos remete a um tema importante e de interesse de leigos e profissionais da saúde: o Acidente Vascular Cerebral. Atualmente, no Brasil, o AVC mata mais de 100.000 indivíduos por ano, fato preocupante e que merece maior número de informações a respeito.


O AVC, conhecido popularmente como derrame cerebral, corresponde ao dano do sistema nervoso central provocado por injúria vascular, ou seja, quando há bloqueio da circulação sanguínea normal. É dividido em dois tipos: o (1) AVC isquêmico, quando ocorre oclusão de um vaso cerebral por coágulo ou fenômeno embólico, causando falta de oxigenação no território vascular correspondente e o (2) AVC hemorrágico quando existe ruptura de um vaso sanguíneo com conseqüente sangramento (hemorragia intraparenquimatosa).

Os principais fatores de risco para a doença são: hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes mellitus, obesidade, fumo, história familiar, ingestão de álcool, sedentarismo, cardiopatia, uso de contraceptivos, entre outros.

O AVC se trata de emergência médica, portanto exige cuidados imediatos a nível hospitalar. Um dos fatores determinantes para os tipos de conseqüências provocadas é o tempo decorrido entre o início do AVC e o recebimento da terapêutica adequada. O tratamento e, principalmente, a reabilitação da pessoa vítima de AVC dependerá das particularidades que envolvam cada caso.

Quando suspeitar de um AVC?

Diante de um paciente com início súbito de quaisquer dos seguintes sintomas: fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna (especialmente em um lado do corpo), confusão, alteração da fala ou compreensão, alteração na visão (em um ou ambos os olhos), alteração do equilíbrio, coordenação, tontura, alteração no andar ou dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Logo, diante de qualquer suspeita, conduza o indivíduo imediatamente para local adequado de atendimento médico e, a longo prazo, busque prevenção nas causas modificáveis, visto que o acidente vascular cerebral quando não mata deixa seqüelas evidentes.

Referências
ONG Rede Brasil AVC
Disponível em:
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*¹Patoense, 22 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
²Acadêmica do 9º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
³Membro da Academia Patoense de Artes e Letras.

Endometriose: dor no corpo e na alma

Cessa Neta (Foto)
Maria do Bom Sucesso Lacerda Fernandes Neta*

A endometriose é um problema de saúde que afeta muitas mulheres brasileiras, principalmente, durante a idade reprodutiva. Consiste na presença de células endometriais (endométrio) fora da cavidade uterina.

Mas o que é o endométrio? Corresponde à parte mais interna do útero, que sofre ação hormonal; tem a função de fornecer condições adequadas para a implantação do óvulo fecundado (ovo) no útero e, caso a mulher não engravide, é eliminado durante a menstruação. Depois disso, esse tecido se regenera para fazer parte de um novo ciclo, sendo estimulado pela liberação de estrogênio.

Nessa patologia, o tecido endometrial pode se localizar em diferentes órgãos, tais como: intestinos, rins, pulmões, peritônio. No entanto, os órgãos pélvicos ainda são os mais acometidos (tubas uterinas, parte externa da parede do útero, ovários, bexiga). Em virtude da ação hormonal sobre esse tecido, o mesmo sofre modificações, resultando em importante processo inflamatório nos órgãos afetados, provocando forte sensação dolorosa e aderências entre estruturas próximas, cursando com infertilidade e dor pélvica crônica.

Em se tratando de explicação sobre a origem da doença, sabe-se que existem várias teorias. Todavia, nenhuma delas é conclusiva. Acerca da apresentação clínica da endometriose, verifica-se que esta é intensamente diversificada, dependendo da localização, da quantidade de focos endometrióticos, do tipo (superficial ou profundo) e de outros fatores ainda desconhecidos.

Observa-se que há algumas pacientes assintomáticas, enquanto que outras manifestam sintomas bastante evidentes, principalmente a dor pélvica. Tal sintoma caracteriza-se por ser cíclico, piorando no período menstrual, do tipo cólica, por vezes, incapacitante, que vem aumentando de intensidade com o tempo. Outro sintoma bastante freqüente é a dispareunia (dor durante a relação sexual); irregularidade menstrual também é um sinal encontrado.

A infertilidade também pode estar relacionada à endometriose pélvica. Além disso, a paciente pode apresentar disúria (dor/ardor ao urinar), dor às evacuações, dor abdominal (durante a menstruação), quando há acometimento de bexiga e intestinos. Tumores pélvicos e cistos ovarianos ainda podem apresentar sinais de endometriose.

Diante da gama de sintomas que podem ser encontrados, constata-se a importância de suspeitar e fazer uma cuidadosa investigação. O diagnóstico da endometriose é feito através da observação clínica dos sinais e sintomas da paciente, exame físico da mesma, associados à realização de exames complementares, incluindo: ultrassonografia pélvica ou transvaginal, dosagem de CA 125 plasmático (marcador) e, para confirmar o diagnóstico, o exame anatomopatológico (a partir de fragmentos de tecido).

O tratamento da endometriose é complexo e deve ser sempre individualizado. Consiste em terapêutica clínica e/ou cirúrgica. A primeira lança mão de medicamentos hormonais que visam à inibição do crescimento das células endometriais, e, portanto, bloqueio da ação do estrogênio. Sobre o procedimento cirúrgico, podem ser realizadas a laparotomia ou a videolaparoscopia.

Os principais objetivos do tratamento são: alívio da dor, manipulação da fertilidade e limitar a progressão da doença. A escolha do tratamento depende de alguns fatores, entre eles: idade da paciente, desejo da mesma de engravidar, quantidade de cirurgias prévias para endometriose, nível de comprometimento dos órgãos pela endometriose, recidivas, sintomatologia. Caberá ao médico especialista, juntamente com a paciente, decidir qual o melhor método terapêutico para o caso.

Além do tratamento físico, a paciente necessita de apoio psicológico/psicoterápico, visto que essa é uma doença de sintomatologia, por vezes, persistente, que pode recidivar, envolve a questão da maternidade (tão importante para a maioria das mulheres), gera estresse e a ansiedade (exercendo forte influência sobre a doença) e que inclui tratamentos variados, mudando radicalmente a vida das pacientes, em certas situações.

Vale salientar o real valor da procura ao médico ginecologista, especializado na saúde da mulher, o qual pode fornecer maiores informações e proporcionar encaminhamento mais adequado para outro profissional de diferente especialização, caso haja necessidade.

Referências

http://www.endometriose.com.br/ Acesso em 29 jul. 2010
http://www.ginendo.com/endometriose.htm Acesso em 29 jul. 2010
http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/1928/endometriose Acesso em 29 jul. 2010
http://www.endometriose.org.br/ Acesso em 29 jul. 2010
http://www.portaldeendometriose.com.br/ Acesso em 29 jul. 2010
http://www.endometriosis.org/. Acesso em 29 jul. 2010
http://www.sbendometriose.com.br/ Acesso em 29 jul. 2010
http://www.unifesp.br/dcir/urologia/uronline/ed0400/endo.htm. Acesso em 29 jul. 2010

E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*¹Patoense, 22 anos, mais conhecida como “Cessinha”, poetisa, escritora.
²Acadêmica do 9º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande.
³Membro da Academia Patoense de Artes e Letras.

OLHOS QUE FICARAM...

Paulo em sua casa de campo
Paulo Abrantes*

Estava na varanda da Casa de Campo, olhando para o céu ainda nublado e meditando sobre os olhos femininos que ficaram...

- Que atrações, que chamamentos sedutores se escondem em certos olhos femininos! – pensava comigo.

Zé Alberto Costa, poeta alagoano, dizia que relembrar um grande amor, uma ausência lamentar, ficar triste, suspirar, ver a beleza da flor, andar com ar sonhador, parecendo estar ausente, isso é banzo recorrente, uma coisa que maltrata, pois saudade ninguém mata, é ela quem mata a gente.

- Que mistérios, que filtros fulminantes se encantam faiscando em certos olhos de mulher! Matutava comigo. Busquei um velho dicionário e li: O olho é um órgão dos animais que permite detectar a luz e transformar essa percepção em impulsos elétricos. Os olhos mais simples não fazem mais do que detectar se as zonas ao seu redor estão iluminados ou escuros. Os mais complexos servem para proporcionar o sentido da visão. Tudo bem, logo vi que tinha algo de eletricidade no meio... Mas os olhos são mais que isso, tem uma função especial para olhar o belo, o jardim com suas flores, a beleza da inquietude do mar, a lua que chama para as madrugadas serenatas, Vejo também, que tudo depende de como se olha as coisas da natureza, já dizia Padre Vieira: “Se olhares com amor, o corvo é branco; se olhares com ódio, o cisne é negro. O olhar, inevitavelmente, nos conduz pelo caminho da comparação, vitória, dor, alegria e compaixão. O escritor, Carlos Romero, nos diz que ninguém olhou melhor do que Jesus. Da visão dos lírios do campo, ele extraiu uma lição. A lição da preocupação excessiva do homem com o futuro. Conclui dizendo que as pessoas estão cada vez mais ocupadas e preocupadas consigo mesmas e esquecidas de que são humanas, e não máquinas. A reflexão de Jesus é esta: Se teus olhos forem bons, tudo se iluminará.

Foto Ilustrativa
- Que fogo chamativo é esse, que se esconde nos olhos de uma mulher!- continuei matutando.

Na verdade, em tempos atrás, na minha juventude, a coisa melhor do mundo para mim, era contemplar uns olhos verdes-claros, nessa vacilante cor do mar, que não sabemos como defini-lo de tão belo que ele é. Não era estranha essa minha preferência: eu me encantava com a beleza desses olhos numa mulher de cor morena. Gostava dessa mistura de cores, dando um ar selvagem, da mais pura natureza.

Tornei-me escravo desses olhos, mais do que devia, muito mais que os negros, pois foi nesses olhos verdes que me vi mergulhado num oceano de fantasias, atraído pelo sinistro canto de uma sereia. Passei um bom tempo, me debatendo nessas águas cheias de “ondas” verdes, da mesma cor do mar...

Depois vieram outros olhos, os olhos azuis, das mulheres serenas que envenenam, como se tudo na natureza se transformasse de repente em bonança perene sobre mim... Gostei demais de uns olhos azuis, amei-os tresloucadamente, tomei-os para mim e com eles me baixou uma tristeza sem fim que quase me matou de vez... Ora, quem sabe, se não era por ser da cor do céu... Céu, plenitude de felicidade, difícil de provar, mas se prova. Tenha fé.

Graças a Deus, já foi embora essa exaltação tola desses olhares fulminantes.

- Que coisa danada, menino, é mesmo esses olhares! – continuei matutando.

Até que enfim, chegaram depois, bem depois, os olhos castanhos, castanhos profundos mesmo. Sempre tive a mania de fazer comparações esquisitas, boas e pessimistas quando os via; eram cacimbas oleosas, como poços redondos de asfalto, a alumiar no sol quente do sertão. Eram dois faróis de tratores dirigidos, com câmaras escondidas, a fotografar os impulsos de corações inebriados de amor. Eram dois abismos profundos a perturbar-me a alma que não resisti ao chamamento atrativo de visitar a profundidade...

Esses olhos castanhos pisaram e repisaram o meu espírito, pondo mistérios de inferno no meu pobre coração, coração de amargura, de passado machucado... Sempre desconfiei que existiam garfos, espetos ou garras nesses olhares que tomavam conta de mim, atormentando a minha sensível personalidade.

Assim, digo com certeza, que esses olhos castanhos, sensuais e misteriosos, moravam na minha vida a refletir-me com esses dois faróis e os visualizo ainda mais felinos, jorrando labaredas de fogo, como nos relâmpagos fortes de Gado Bravo...

*Eng° Civil e Escritor.
 João Pessoa – PB.

DIA DO RADIALISTA

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*

O Dia do Radialista no meio radiofônico continua sendo comemorado em 21 de setembro, embora que oficialmente pela sanção da Lei n° 11.327 de 24/07/2006, ficou estabelecido o dia 07 de novembro em homenagem a Ary Barroso.

Art. 1º Fica instituído, no calendário das efemérides nacionais, o Dia do Radialista, a ser comemorado no dia 7 de novembro, data natalícia do compositor, músico e radialista Ary Barroso.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de julho de 2006; 185º da Independência e 118º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

João Luiz Silva Ferreira

D.O.U. de 25.7.2006.

Quem foi Ary Barroso, que importância ele teve na vida do rádio, Para que a data do radialista tivesse o reconhecimento das autoridades do nosso país e passasse a ser comemorada no dia de seu nascimento? Ary foi compositor, músico e radialista brasileiro. Uma pesquisa chegou a revelar que um punhado de composições complexas e incrivelmente ricas na estrutura musical, fez dele um mestre que brilhou em todos os gêneros, compondo marchas, marchas-rancho, boleros, sambas canção, sambões, valsas e valsinhas, música para carnaval, Jango, faxtrote, hino para colégios, música junina, charleston, tudo sob um incomparável rigor.

histórias do multimídia registram: Ary (músico, locutor esportivo e apresentador de shows de calouros), sempre em locais onde o autor de "Aquarela do Brasil" era visto no Rio dos anos 40 e 50: o Bar Vilarinho, o Maracanã e a Rádio Nacional.

Ary Barroso (Foto)
O ingresso no rádio se deu como figurante em 1933. Em pouco tempo era redator, humorista, apresentador, repórter, produtor, pianista, mestre de cerimônias, entrevistador, narrador e comentarista de futebol.

Criador e apresentou de dois programas no cenário nacional na época: Calouros em Desfile e Encontro com Ary. Como apresentador de programa de calouros era temido por ser durão e intransigente com quem mostrasse gosto ou opinião diferente da sua. Seus programas revelaram nomes que fizeram história na nossa música popular brasileira, como Dolores Duran, Elza Soares e Elizeth Cardoso.

Partindo do pressuposto que Ary Barroso era temido e intransigente, analisemos um pouco a questão da ética do radialista nos dias atuais, que eu acredito que, assim como a palmatória não está mais para ser instrumento pedagógico nos nossos dias, o convencimento e a formação de opinião dos comunicadores de nosso tempo, não devam ser semelhantes aos métodos utilizados por Ary Barroso.

Digo isso porque a informação é o bem mais precioso em nossos dias, haja vista a proliferação da mídia nos mais diversos e variados meios de comunicação. A informação ela procede de várias fontes, vem em quantidades maiores e o que nos surpreende é a velocidade como ela chega. Por isso é necessário que a liberdade de expressão tenha a ética, como régua e compasso na informação que se transmite.

O Brasil com todo mecanismo da imprensa escrita, falada, televisionada e internet, tem uma sociedade que pouco se ler quase tudo se vê e tradicionalmente recorre-se ao rádio. Nada é tão supremo como rádio. O rádio informa, traz e leva a notícia, comenta, ouve opinião. É o rádio que penetra nos mais difíceis e distantes lugares. E quem está por traz de tudo o isso?

Antes de tudo o homem, o cidadão, o radialista, o verdadeiro formador de opinião. É a voz dos mais fracos para falar por eles, é a voz do combate, da cobrança, dos apelos. É aquele que faz rádio por amor, apesar de muitas vezes ser injustiçado pelos patrões. Mesmo nas dificuldades, vence as barreiras dos obstáculos e vai em frente cumprindo sua missão como sacerdócio. Muitas vezes mal entendido é discriminado, contudo, escudeiro da verdade.

Radialista você é voz que transmite emoções, nos faz ri e nos faz chorar. É a voz que ouvimos no raiar do dia e nas caladas da noite nos faz dormir e sonhar.

Pelo seu dia 07 de novembro, meus parabéns!

*RADIALISTA
Contato: brunetco@hotmail.com

FAZENDO UMA "TURNÊ" POR POMBAL...


Maciel (Foto)
POR MACIEL GONZAGA*

Recebo de Clemildo Brunet uma intimação: “Escreva um artigo sobre a sua viagem a Pombal”. Aproveitando a folga do dia da eleição, já com atraso, pois a minha visita a Pombal foi na Festa do Rosário, valho-me ao notebook e começo a escrever. Minha esposa (Euclimar) se aproxima e indaga: “Está escrevendo o que aí? Nem nos dias de folga você não cansa de escrever?”. No imaginário, respondo: “Estou escrevendo sobre Pombal”. Minha filha (Emilly) se aproxima e, após vê o título do artigo, diz: “Painho! Não diga turnê não. Tour é mais charmoso”. Digressão ou turnê, derivado do francês tournée, ou tour em inglês. Tudo é a mesma coisa.

Lembro-me do livro “Viagens da Minha Terra”, de autoria de Almeida Garrett, que na obra misturam o estilo digressivo da viagem real (que o autor fez de Lisboa a Santarém) e a narração novelesca em torno de Carlos, Frei Dinis e Joaninha. No século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett era geralmente tida como uma das mais geniais da língua, inferior apenas à de Camões. A crítica do século XX (notavelmente João Gaspar Simões) veio questionar esta apreciação, assinalando os aspectos mais fracos da produção garrettiana. No entanto, a sua obra conservará para sempre o seu lugar na história da literatura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novos rumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett, até pelo acentuado individualismo que atravessa toda a sua obra, merece ser considerado o autor mais representativo do romantismo em Portugal.

E a minha viagem a Pombal? Bem, ai estive mais uma vez e com muita alegria na Festa do Rosário. Há mais de 40 anos não presenciava tão importante acontecimento que fez parte da minha vida de criança e adolescente nas décadas de 50 e 60. Participei, ao lado de grandes amigos – Clemildo, Dr. Cezário, Genival Severo, Jerdivan, Nequinho (Verneck), Professor Vieira, Dr. Severino Coelho, João Costa, Zé Coelho, Zé Geraldo e tantos outros da festa do “Encontro dos Filhos de Pombal”.

Mas, o que mais me agradou foi a visita que fiz à Pombal que não conhecia. Em companhia do dileto amigo Dedé da Caçamba, na sua própria caçamba, fui à Rua de Baixo; visitei o “Pereirão”; conheci uma favela que se forma nas suas cercanias e, pessoalmente, cumprimentei algumas pessoas; conheci a ponte sobre o Rio Piancó, construída que foi após a minha saída de Pombal em 1968; desci até o Rio Piancó onde molhei meus pés e, em seguida o rosto, com a água “sagrada” daquele manancial; conheci de perto um núcleo habitacional denominado “Casinhas” na saída para Patos. Aqui abro um parêntese. A Constituição Federal de 1988 estabelece como dever do Estado, nas esferas Federal, Estadual e Municipal, “promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico” (art. 23, IX). Esse dever de construir moradias certamente decorre de ter o Estado brasileiro, como fundamentos, “a dignidade da pessoa humana” (art. 2º, III), e como objetivo “construir uma sociedade justa e solidária”, erradicar a pobreza”, e “promover o bem de todos” (art. 3º, I e III). Aquelas casas, pelo seu tamanho, não podem ser consideradas moradias dignas para uma família.

Por último, fui conhecer o Campus Universitário, na verdade uma obra vultosa. À saída, indaguei do meu cicerone: “Cadê a casa grande do Altinho de Dona Neca?”. A resposta de Dedé da Caçamba foi incontinente, embora sem me dizer os motivos: “Foi derrubada”. Parei, olhei para o alto, refleti e dei um grito que assustou o meu amigo de infância: “Cometeram um crime contra o patrimônio histórico desta cidade”. Não tive mais nada a falar. Perdi até a motivação de continuar a turnê ou tour, pois não havia mais nada que pudesse fazer ou mesmo admitir diante de tão monstruosa decisão... Mas, ao final de tudo, o importante é que conheci de perto uma Pombal que não conhecia.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.
Natural de Pombal.