CLEMILDO BRUNET DE SÁ

A Síria ainda não é aqui!

João Costa
João Costa*

Vamos falar de guerras, pois só elas modificam o mundo pra melhor – promovem assepsia humana de tempos em tempos; avanços na medicina e tecnologias e encerram a sociedade nos limites da civilização, já que a guerra é um passeio pela barbárie.  É a tal profilaxia necessária e inevitável que persegue a raça humanidade desde a sua aurora. Em primeiro lugar, qualquer motivo é um bom motivo para um conflito. Para os belicistas o melhor de todos é o religioso, mais ou menos assim: “nós somos o bem, o outro é o mal”. A Síria ainda não é aqui! 
A guerra civil na Síria se arrastava por mais de cinco anos, sem perspectivas  de vencedores, nem o governo constitucional, nem muito menos dezenas de grupos étnicos religiosos, além da organização que resultou da al-Qaeda, chamada de Daesh.- que virou a maior ameaça do Ocidente, na ausência do tal inimigo eterno- o comunismo. Aí a seguinte cena real: estádio lotado para uma partida de futebol em Ancara, Turquia. O locutor turco pede um minuto de silêncio pela morte de um piloto russo, abatido por aviões da própria Turquia – num incidente de invasão de espaço aéreo, segundo a Turquia, e

Vítima ou cúmplice?

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Dia desses, escrevi aqui uma análise sobre o caráter do povo brasileiro. Busquei âncora no personagem “Macunaíma”, o herói sem nenhum caráter, criação máxima de Mário de Andrade para simbolizar a essência psicológica que compõe a argamassa histórica e social do povo brasileiro.
Ou, como diria Freud (1856 a 1939), pai da Psicanálise: “instaura o superego coletivo que dá origem à cultura e à identidade de uma nação”.
 Pois bem. Nestes tempos perigosos, com a corrupção endêmica e

Insensíveis

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Recentemente o Blog do Assis Ângelo noticiou algo que nos chamou atenção. Ele indagava: “Por que somos tão insensíveis?”
Assis fazia uma incursão sobre uma pesquisa veiculada no nosso vizinho Chile, que apontava que mais de 90% dos brasileiros, ouvidos nas principais capitais do Brasil, não confiam uns nos outros. Isso é preocupante, ou mesmo, como afirma Assis Ângelo, “Assustador”.
O homem, indiscutivelmente, vem se tornando um ser deveras insensível. Não há mais diálogo. Inexiste a cordialidade. Nem mesmo conversas entre vizinhos, prática inexoravelmente saudável e

Esperando outros Delcídios

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Meu caro Antônio Martim e caros amigos, bom saber que a República entrou em queda livre com a prisão do senador Delcídio Amaral. Sempre me referi à necessidade do “abraço de afogado” durante o naufrágio. Fiquemos atentos. O Senado entregou os anéis para preservar os dedos. Não preciso citar, mas o Senado é habitado por outros Delcídios. O Senado, que definitivamente perdeu sua função na República. Na verdade, tô besta. Olhando a trajetória desse senador, fico me perguntando como chegou aonde chegou? Ex-ministro do Governo Itamar, ex-homem forte no governo FHC, tem expertise em negócios na Petrobras há mais de três décadas e,

SENTENÇA DA ALMA

PEÇA TEATRAL
Autor: Francisco Alves Cardoso
Severino Coelho Viana

Por Severino Coelho Viana

Recebemos uma gratificante surpresa para fazer uma análise literária da peça teatral, intitulada de “SENTENÇA DA ALMA”, de autoria do baluarte dramaturgo, escritor, cronista, comentarista, radialista, jornalista e teatrólogo, FRANCISCO ALVES CARDOSO, conhecido carinhosamente por Chico Cardoso. Brevemente o sertão paraibano terá a oportunidade de assistir uma bela dramatização e esperamos que o elenco seja escolhido a dedo. Não podíamos negar ao seu chamamento para a prática de um ato envolvente à cultura paraibana. Agradecemos o tamanho da confiança que foi depositada em nossas mãos, e,

Ovo da serpente chocou Bolsonaro e Elizas

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Na infância existe uma brincadeira bancana chamada de Adivinha e que começa assim: o que é o que é? Na prática, as crianças são levadas a diferenciar o que é daquilo que parece ser. Logo, o jogo de adivinha requer das crianças talento no jogo de palavras e associações semânticas que sejam ambíguas. Vivemos na política um jogo de adivinha de extrema gravidade geopolítica, e começo dizendo o que penso sobre o terrorismo em voga. O Estado Islâmico nem é estado, nem é islâmico. E terrorismo é um método, não uma ideologia e

Gritos silenciosos

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga

2015, um ano de pouca chuva no Nordeste brasileiro. Muita estiagem, onde grandes mananciais d'água baixaram como nunca visto antes. Ficamos, a imaginar como será o ano de 2016.
Lembro-me da estiagem de 1993. Eu era juiz na Comarca de Sousa, inclusive, naquela ocasião, o açude do Jatobá, na cidade de Patos, secou por inteiro, ocasião em que andei de carro pelo rachado chão do Jatobá.
Mas, nada tão preocupante e alarmante em temos de seca como a que vivemos hoje. Não me recordo de presenciar ou ter ouvido dos mais antigos que Coremas/Mãe d'água tenha sofrido uma baixa tão expressiva como o quadro que agora se apresenta, ou seja, 12% de sua capacidade. Esse cenário se repete com as barragens de São Gonçalo, Boqueirão, Acauã e

Banalização da vida

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A sensibilidade Humana é insuficiente para nos levar a caminhos mais favoráveis às relações entre os diferentes e minimizar os problemas advindos desse vácuo existente, levando ao medo da vulnerabilidade com a criação da banalização da vida e seus contornos. Há um verdadeiro pavor na sensação de abandono que fomos submetidos pelos nossos pares, com a recorrente falta de tolerância, indulgência, perdão, compaixão e benevolência, práticas tão comuns num passado tão distante e empregadas pelos nossos ancestrais de forma contundente e

LEANDRO GOMES DE BARROS E A POESIA DO POVO

Irani Medeiros
Irani Medeiros*

O Nordeste é a região mais rica do Brasil em poesia popular. Aqui nasceu e se desenvolveu a literatura de cordel, daqui se expandiu para outras partes do território nacional. Vem de muito longe essa manifestação da inteligência brasileira, gerada pelo cruzamento das raças e favorecida pelas condições do meio. Em nenhuma outra região brotou o estro do povo, numa literatura que tem características peculiares e que flutua com a mesma autenticidade entre os mais variados temas.
A princípio, os poemas circulavam anônimos, em cópias manuscritas, sobre o gênero pastoril, atividade essencial no sertão. Romances e

FRUSTRAÇÃO

Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana*

A vida humana, quando não há interrupção cedo da existência, segue o seu percurso natural. A vida passa pelas suas fases existenciais: nascimento, infância, adolescência, juventude, adulto e talvez senilidade. As mudanças no comportamento ocorrem paulatinamente de forma inconcebível quando o ente vai se introduzindo mais no meio social, dando forma a real índole e formatando a sua personalidade.
O comportamento humano tem as oscilações de acordo com cada fase, como se cada fase brotasse uma força latente que precisa de exteriorização. Neste labirinto obscuro da vida, nós sabemos o passado, identificamos o presente e o futuro sempre será incerto. Cada um tem sonhos, desejos, vontades, frustrações e realizações. Os ramos de escolha são diversos, as atividades variadas e

O fim está perto

Terezinha de Jesus Ugulino
Teresinha de Jesus Ugulino*

Não posso crer que o Criador esteja feliz com a humanidade... é muita desordem nas relações humanas, muito desamor ao próprio e excesso de amor ao dinheiro, ao poder.
A inversão dos valores açoda nossos lares, nosso trabalho, nossa vida. Há um excesso de liberdade onde o “vale tudo” tomou conta das mentes humanas, principalmente dos jovens que não respeitam os pais nem temem a Deus.
A religião? Esta não se pratica e

Jornalismo malandro

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Muitos chamam de expertise da profissão, qualquer profissão, outros; de pura malandragem ou “sabidos demais”, profissionais que se destacam dos demais, no jornalismo, por exemplo. Vejamos o dueto travado há décadas pela mídia nativa e que agoniza depois da promulgação, com vetos da presidenta Dilma Vana, da Lei 13.188 que dispõe sobre o direito de resposta ou retificação do ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social.
O projeto foi de iniciativa do senador Roberto Requião, e

Matuto, vida e sabedoria

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Para muitos desinformados, o matuto não passa de um ser bocó, abestado, analfabeto e integrante de um submundo.
Ledo engano. O matuto tem vocábulos, expressões próprias e sabedoria que os “intelectuais” das metrópoles desconhecem. Aliás, por possuir essas expressões típicas de seu mundo, o matuto, às vezes, é discriminado, recebendo, inclusive, um forte preconceito. Sua fala, seus trejeitos e vestimentas servem de personagens do humor brasileiro. Os humoristas, em cena, mostram a sabedoria do matuto. Lamentavelmente, por trás de alguns risos está uma ponta de preconceito.
Quando falo de matuto, refiro-me mesmo ao homem nordestino, embrenhado no mato, vivente do Cariri, do Brejo, do Seridó e

As três sacanagens que afundam o Brasil

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Caranguejo não tinha! Era dia de churrasco comemorativo pelo aniversário de 70 anos de um dos membros da confraria.
Mas os fiéis, os do tempo do Cuxá, foram chegando. Aliás, Ugo Vernomenti já estava lá. Santiago entrou junto comigo, e à mesa sentamo-nos. Com pouco, chegaram Rosadinho, Medeiros, Galo Véio, Bulhões de Carvalho, Olecram, Mag, Dora, Hora H, Herideb e

QUEM ARRANCOU A BOTIJA DE JOÃO CAPUXU?

Jerdivan Nóbrega de Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araújo*

João Capuxu, que vem a ser meu tetravô materno, era um comerciante de Pombal, estabelecido na Rua do Giro, que na voz do povo era conhecida como Rua Estreita. Mais tarde, essa rua foi batizada pela Lei Municipal com o nome de Rua João Capuxu, em homenagem ao seu mais próspero morador, muito embora na Rua do Giro, na mesma época, o meu tetravô paterno, José Tavares, também teve um armazém de Secos e Molhados: os dois eram concorrentes.
João Capuxu era casado com dona Isabel e tinha vários filhos e filhas, entre estes, Cesário Capuxu, Celina Capuxu, Francisca Capuxu e Joaquina Capuxu, sendo a última a minha bisavó.
O casal viveu até o final de década de 1880 e

Muito além de um tributo a Nelson Rodrigues

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – A peça Álbum de Família, do impagável “Anjo Pornográfico”, Nelson Rodrigues, estreou no auditório da Estação Cabo Branco, e lá ficará em cartaz até amanhã, com direção de Flávio Melo. A peça vai muito além de um tributo a Nelson, é um espetáculo arrebatador para um público que tenha certa intimidade com a obra do mais importante dos nossos dramaturgos, e

A Esquerdopata tem ressaibos de compadrio, Supercilioso e ignóbil

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Seria bem mais fácil olhar os Lírios dos Campos, andar entre penhascos no Morro dos Ventos Uivantes, fazer uma reflexão sobre a Serra da boa esperança; palestrar sobre a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul, dissertando sobre seus heróis regionais; discutir a Guerra dos Mascates em Pernambuco; conjecturar sobre a Inconfidência Mineira; discutir sobre a Conjuração Baiana ou Revolta dos alfaiates, da Bahia; invocar a Confederação do Equador, no Nordeste brasileiro, traçando um parâmetro sobre o absolutismo de Dom Pedro l e

TERIA AINDA UMA BOTIJA ENTERRADA NA ZONA RURAL DE POMBAL?

José Alves de Sousa Neto
José Alves de Sousa Neto*

A história é antiga.
Contavam-me nos tempos de criança.
Os ricos de antigamente enterravam suas riquezas com medo de cangaceiros ou outros malfeitores.
Prata, ouro, dinheiro e outras coisas que tivessem valor iam parar debaixo do chão.
Ocorria muitas vezes que essas pessoas morriam e seus valiosos pertences ficavam enterrados, pois, em alguns casos, nem sequer as pessoas mais próximas tinham conhecimento.
Passados dessa para melhor, esses ricos deixavam contas a acertar na terra, pois não poderiam entrar no reino dos céus sendo ainda possuidores de grandes fortunas terrenas.
Essas eram as botijas.
Para descansar em paz, essas almas penadas precisavam mostrar a alguém onde se encontravam os tesouros para serem desenterrados.
Mas a comunicação do outro com este mundo não era fácil.
Para começar, a revelação não poderia ser feita a herdeiros do falecido. Por desapego às coisas mundanas e

Coca divina, divina coca

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – “Traficantes proíbem Candomblé e até roupas brancas em favelas”, eis a manchete do jornal O Globo, que dominou a semana e remete a uma realidade já vivida em favelas do Rio de Janeiro, e a proibição parte dos chamados “guerreiros de Deus”, traficantes evangélicos, que deportam mães-de-santo, ou seguidores de religiões de origem africana para outras comunidades e

Da crise a decadência, o caminho da incompetência

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A crise que ocorre em nosso país não é recente, simplesmente ela foi ignorada, disfarçada e relevada por quem devia ter olhado de perto com o cuidado e acuidade de quem respeita o patrimônio público, com verdadeiro espírito republicano. Infelizmente a democracia tem suas falhas, principalmente quando no meio das comunidades que fazem parte da política estão figuras nem sempre impolutas, mas, verdadeiros lacaios, sanguessugas a serviço dos desmandos e depauperação do erário público. 
Os últimos 04 anos refluíram 20 anos por conta da insensibilidade administrativa e do excesso de orgulho pela falta de humildade em reconhecer erros menores, chegando aos grandes erros de gestão cuja reparação será feita em pelo menos mais 20 anos de atraso no nosso país, com a recuperação das políticas industriais e

A vida não pode esperar

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Temos, agora em novembro de 2015, cerca de 7,3 bilhões de almas no planeta Terra. A previsão é que em 2050 existam 9,4 bilhões de pessoas nesse nosso lindo Globo azul. No patropi, já somos cerca de 205 milhões e a previsão é que em 2050 esse número possa chegar a 260 milhões.
A maior parte dessas pessoas viverá nas grandes cidades e metrópoles. Isso significa lidar com situações complexas como mobilidade urbana, sistemas sanitários deficientes, aglomerações em áreas de risco, entre muitas outras problemáticas.
Historicamente, diferentes modelos têm norteado a ocupação dos espaços urbanos. Diversos autores descreveram a cidade como uma aglomeração densa, insalubre, produtora de grandes problemas, constituindo-se no que se compreende como “monstro urbano”. A ciência contribuiu para modificar esta caracterização, figurando como fundamento do desenvolvimento das urbes. Nesse sentido, ciência e

Efeitos nefastos

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

O ser humano tem a mania de julgar seu semelhante. Sempre procura encontrar e difundir os defeitos e raramente enaltece as virtudes.
Esse proceder termina por gerar injustiças, além de colocar em determinadas pessoas em situações vexatórias. O pior é quando um comentário maldoso implica em atirar alguém, de forma injusta, numa vala comum da banalidade. Se há algo perigoso é justamente a tal da vala comum, pois, por meio de precipitados julgamentos, não separamos os bons dos maus, e,

Loucos e psiquiatras

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*    
Faz um tempinho que estou assuntando sobre uma questão que pode “comprar” uma encrenca grande, principalmente com a esfera dos que pensam e praticam a Psiquiatria. Espero ser compreendido, antes que decidam pelo meu internamento.
Nesta conversa, quero colocar em debate a inconsistência e incoerência de considerar a doença mental como “problema individual”, com diagnóstico exclusivamente médico.
Tomemos como exemplo a esquizofrenia, uma das doenças mentais mais conhecidas pela maioria (leiga) da população. Pois bem, a esquizofrenia nunca (eu disse nunca) foi definida através de qualquer comprovação da histopatologia ou patofisiologia, ciências que estudam, definem e

O silêncio também corrompe tal qual o perdão

João Costa
João Costa*

O jornalista Janildo Silva, numa curta postagem em sua página do Facebook, chamou a atenção para um sinal simples: não existe floresta silenciosa. E se assim parece, os monstros que nela habitam estão a caminho – esta interpretação fica por minha conta. Para que serve o silêncio? É compulsório, sepulcral, tranquilo ou doloroso? Na pior das hipóteses dá um texto de teatro.
Recorro ao “pai dos burros” totalmente empoeirado, para descobrir o óbvio, que silêncio vem do latim, silentiu, que sentenciam ser uma língua morta, mas nem tanto. E