É preciso pensar em mudanças estruturais e estruturantes
Genival
Torres Dantas*
Quando o novo amanhã chegar,
ele chegará com certeza, teremos pela frente uma realidade diferente daquela
que deixamos no começo do ano, antes da pandemia do Coronavírus. Lá no marco
zero, o Brasil passava por um momento de acomodação, depois de um ano de novo
governo, muitas propostas e pouca efetividade, de novidade apenas o isolamento
da corrupção dentro da nova administração pública federal, o resto ficou por
conta de um desenho superado, esboçado pelos mesmos velhos políticos, viciados
em manobras nada republicas e recheadas de antigas práticas que persistiam em
retornar ao antigo mapa dos descalabros.
Dizer manifestamente que o
Presidente Bolsonaro tinha segurado até então a ânsia dos mais persistentes
algozes da República, é fato, entretanto, vociferar aos quatro cantos que o
passado estava insepulto também era real, havia uma realidade a caminho de
práticas antigas, o Executivo, por seu comportamento transloucado, nada
conseguindo de objetivo para tocar seu projeto, ninguém sabia ao certo qual era
o começo, meio e fim, foi ficando sem meios políticos de atuar com verdadeira
governabilidade e aos poucos foi cedendo espaço aos outros Poderes, quando o
Legislativo passou a executar e o Judiciário entrou na seara da legislação.
A pandemia do Coronavírus serviu
de rebento para o Executivo, aquilo que já estava ruim piorou e o crédito que
ainda existia junto à população foi minguando, seus aliados se dispersaram, mas
o pior, suas atitudes desestruturadas e desestruturantes foram se transformando
em teoremas da empáfia. A premência de ações rápidas e objetivas foi se
acumulando, a paciência da população se esgotando, as iniciativas retardadas
tergiversavam a platitude da bestialidade.
O problema médico sanitário
foi repassado ao campo econômico, político social e até moral, a solução passou
a ser de uma tragédia sem precedentes, principalmente, por não termos uma
solução cientificamente sustentável, o quadro foi se agravando e levando junto
sequelas com agravamentos profundos. Com a necessidade de usarmos o isolamento
social, na tentativa de mitigar o processo de contaminação pelo vírus o Governo
Central foi obrigado a tomar iniciativas sociais, planejando uma assistência
financeira para os desassistidos, por um período de 90 dias, um auxílio de R$
600,00/mês, para uma população carente de mais de 50 milhões de pessoas.
O custo inicial previsto é
da ordem de R$124 bilhões mensais, apenas com esse compromisso, com
possibilidades de estender por mais um novo período ainda indefinido, na
esteira da paralisação econômica do país os Estados e Municípios correram em
busca de recursos. O acordo feito entre o Executivo e o Legislativo, foi
necessário um arranjo jurídico com aprovação pelo Congresso para que a ajuda do
Governo Federal não se transformasse em ato inconstitucional, foi aprovado
recursos na ordem de R$50 bilhões para o socorro imediato dos Estados e
Municípios, valores que ainda não foram liberados pelo Presidente da República.
Isso ainda não é tudo, além
do auxilio direto ao povo e aos Estados e Municípios que alegam não ter
dinheiro para o pagamento da folha de pagamento dos funcionários públicos caso
o governo não libere os valores acordados até quinta-feira próxima, 28/05, há
toda uma tramitação em jogo para que o dinheiro chegue ao seu destino final, na
ordem de cinco dias úteis. Ademais, a indústria e comercio, setor da energia,
serviços, micros, pequenos e médios empreendedores contam com o apoio do
governo, impreterivelmente, na retomada das atividades, com financiamentos,
para tanto, se faz necessário à participação da rede bancária nacional, tanto
da rede pública como privada.
Com o Governo Federal na
corda bamba, sendo provocado por mais 30 pedidos de impeachment na mesa do
Presidente da Câmara, acossado por todos os partidos políticos da esquerda
maquiavélica, apoiado por um bloco de congressistas, sem bandeira, tentando
comprar apoio por qualquer preço, pode até negar, mas é fato; o Ministro da
Economia, Paulo Guedes, tentando salvar seu plano que já não estava tão bom, a
recessão apontando como devastadora, para todo o planeta, incluindo o Brasil,
nosso crédito capengando junto à comunidade econômica internacional, é de
provocar insônia.
Não sei o que realmente nos
espera no dia seguinte da tragédia chamada Coronavírus. Uma massa da população
desempregada procurando emprego em um mercado nada sadio e recessivo;
empresários procurando fórmulas para sair da situação de impotência; o Governo
Federal sem saber para quem vender seus títulos do Tesouro Nacional sem nenhum
atrativo comercial, portanto, desfigurado; a educação em uma projeção pior que
o ano anterior, o Legislativo tentando inventar Leis como artifício, buscando
soluções em qualquer pretexto; finalmente, o Judiciário sobrecarregado de ações
beligerantes de uma nação perdida entre côncavo e o convexo.
Genival
Dantas
Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantas.com.br
É preciso pensar em mudanças estruturais e estruturantes
Reviewed by Clemildo Brunet
on
5/26/2020 09:50:00 AM
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