O tríplice e mortal abraço dos polutos
Genival
Torres Dantas*
Se você é uma pessoa atenta
aos motivos históricos e as fases de evolução da humanidade vai certamente
lembrar que por volta do ano 8.000 a.C. o homem estava mergulhado na era da
pedra lascada, deixando o nomadismo, na sequência entrando no estágio do sedentarismo,
desembocando no na agricultura, formando a sociedade parecida com o modelo
atual com o homem passando a viver em comunidade, tentando proporcionar aos
seus membros maior segurança alimentar e de perpetuação da espécie. Em seguida
vem à fase neolítica e o desfecho é estarmos nesse momento na fase inicial do
homem, seus temores e suas inconsequências.
O que mais nos assusta é a
certeza que passamos por fases distintas, trabalhando nossa cultura e
desenvolvimento humano, entretanto, quando olhamos para trás observamos que o
atual momento é composto por uma maioria de pessoas, apesar de toda tecnologia
e conhecimento científico, desenvolvidos com o passar do tempo, o atual Ser,
principalmente, o habitante do Brasil, foi, sem dúvida, lapidado a machado.
Quando somos dominados por
um vírus, nos colocando numa pandemônia mundial, temos o desprazer de notarmos
o quanto retrocedemos em termos de comportamento humano, com absoluta falta de
acuidade por parte dos Poderes constituídos, mormente no trato entre eles,
ficando a impressão que há exagero por parte dos seus membros, na tentativa de
se segurarem nos seus respectivos cargos, a qualquer custo, mesmo que o
próximo, por mais próximo, seja um ferrenho inimigo idiota que tenha que ser
abatido.
Depois de três meses em
crise médica e sanitária continuamos os mesmos, ainda sem os medicamentos
específicos para cura dos infectados pelo vírus, ou a vacina para eliminarmos
esse mal que nos acomete. Como temos a cultura da pior prática para
solucionarmos uma questão de fácil solução, elevando o grau de dificuldades
para mostrarmos não sei o que a não sei quem, com a formação das equipes que
formam os três Poderes, tudo será piorado.
Falta aos nossos
administradores públicos, a sensatez na condução dos negócios, a harmonia
necessária ao bom entendimento entres as forças, mesmo que convergentes ou não,
sobra excesso de arrogância e ódio na hora de alguma definição. Dessa forma,
vamos levando o País à bancarrota, como se leva uma boiada ao matadouro. Não
sei se em outros momentos de extrema tragédia, em outras pandemias, passamos
por um processo tão inglório como o atual.
Os Poderes não se respeitam,
os eleitos diretamente pelo voto universal, como é indicado pela Democracia,
agem da mesma forma que pelos indicados indiretamente, mesmo sendo Legal, o
comportamento desses senhores tornam-se imoral. Vejamos o que ocorre com eles,
temos os dois presidentes, tanto do Senado e Congresso Nacional, como da Câmara
Federal, citados por comportamento nada republicano, repudiado por os
verdadeiros Democratas.
Enquanto isso, alguns
membros do Judiciário, são provocados e lembrados como pessoas não condizentes
ao exercício da função, no caso ministros, os mais criticados são o Presidente
daquele Corte Dias Toffoli, principalmente por ter sido advogado de um
ex-presidente e do partido político que o ex-presidente é vinculado; ministro
Gilmar Mendes é acusado textualmente por vários políticos, dentre eles o
Senador Jorge Kajuru (GO), mantendo fogo cruzado contra o ministro, diuturnamente.
Além desses dois membros do
STF referendados, ainda há verdadeira cruzada contra o ministro Alexandre de
Morais, principalmente por ele ter sido advogado do PCC, antes de ser ministro.
Não sei se os motivos alegados pelos detratores dos senhores ministros têm
respaldo jurídico, moral com certeza sim. Infelizmente o que se configura em
erro é a aprovação de um candidato ao cargo de ministro de uma Corte não vir
acompanhada de uma série de exigências como vetores na hora da admissibilidade.
Se tivéssemos critérios
morais, com exigências enfáticas, com respaldo Legal, diria até com novas
fórmulas específicas, sem a participação política, talvez voltássemos a ter um
STF com o devido respeito e honorabilidade que o cargo exige, infelizmente, o
tratamento que é dado àquela casa tida como guardiã das Leis é até vergonhoso,
até mesmo o cidadão comum perdeu a credibilidade naqueles membros, todos são
medidos pela mesma régua.
O Executivo está tão
desclassificado, julgado por todos os adjetivos desqualificativos que existem
em nossa língua, o Presidente Bolsonaro continua sendo tratado com o respeito
dos que não tem usado do vício do desvio de dinheiro, ou mesmo corrupção,
porém, sua administração é de causar inveja a qualquer incompetente, em nome da
manutenção do cargo tem agido com comportamento dos velhos políticos,
inicialmente um tipo de governança, ou seja, uma administração compartilhada,
tão nociva ao país quanto o retorno da corrupção ao núcleo do governo,
combatida por ele mesmo.
Reputo como atitudes, por
parte dos Poderes, simplesmente de uma operação desmonte, quando nenhum deles
tem cabedal moral para pregar pudicícia. É profundamente lamentável que nos
encontrarmos nessa situação vexatória. O pior está por vir, o “day after”, do
Coronavírus, não será nada esperançoso, só esperamos que até lá os homens das
canetas em punhos possam repensar e tratar a Nação com outro comportamento. Que
Deus seja louvado.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantas.com.br
O tríplice e mortal abraço dos polutos
Reviewed by Clemildo Brunet
on
5/28/2020 09:23:00 AM
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