Brasileiro, palhaço que chora e rir
Genival
Torres Dantas*
Ontem fez um ano que escrevi
o texto “Da Asa Branca até Tareco e Mariola”, foi o relato da minha vinda para
o Centro-Sul, descrevi a viagem com início em 24 de junho de 1973, meu
desenvolvimento pessoal e profissional, desembocando nos meus dias até o ano próximo
passado quando o País estava caminhando ao encerramento do sexto mês, primeiro
semestre, do Governo Bolsonaro.
Naquele momento eu tentava
entender o que de fato tinha acontecido politicamente com a nossa Nação,
concomitante, fazia uma reflexão sobre o estágio em que encontrava a nossa
música nordestina, intitulada de forró, ou arrasta-pé.
Os brasileiros ainda
adormecidos pelo impacto do resultado das urnas da eleição última e a vitória
do ilustre desconhecido, em âmbito nacional, mesmo porque, o candidato eleito
era um Deputado Federal por sete legislaturas, entretanto vinculado ao baixo
clero, conceito dos deputados que não tinham e não têm o prestígio, na casa,
dos notáveis. Ainda não era preciso fazer uma avaliação mais próxima da
realidade.
Na sequência eu concluíra o
material que compôs o primeiro tomo da trilogia que seria composta por mais
sete volumes, com produção de uma unidade semestral, dessa forma, o meu
compromisso era de oito volumes, dessa forma o trabalho ali iniciado levaria
quatro anos para finaliza-lo na sua totalidade. Obra inicial pronta e editada,
em continuidade, mais dois tomos prontos.
Como há uma equivalência de
tempo entre a produção da trilogia e o período do governo de Jair Messias
Bolsonaro, a periodicidade do meu projeto literário das demais edições, não
será imediatamente ao semestre encerrado, os lançarei na proporção que os fatos
políticos forem se justificando e os temas não ficarem velhos, ou vencidos,
pois se trata de narrativas, nem a favor nem contra ao governo situacionista,
serão apenas relatos da República sem politicagem, algo totalmente isento e
diferente da mídia viciada em direita ou esquerda.
Fazendo uma retrospectiva
desse ano e meio decorrido possa afirmar como testemunha ocular da
historicidade, politicamente, o Brasil hoje é um país reconstruído na sua
moralidade e no Governo Central, apenas isso, entretanto o próprio Presidente
Bolsonaro transformou sua administração numa ruína coletiva. Em primeiro lugar
o presidente não tem ajudado na condução do seu projeto governamental, avalio
até que não haja projeto nesse aspecto, muitos setores ou ministérios que
estavam pouco avaliados, nas administrações anteriores, simplesmente pioraram.
Em decorrência da própria
pandemia do Coronavírus, não só em função dela, a própria avaliação do
presidente tem caído sistematicamente, principalmente, em face de truculência
do Jair Bolsonaro que tem se comportado, infelizmente, totalmente deslocado da
altura do cargo e seus arroubos administrativos que não condizem com a
República que temos, dessa forma, temos uma verdadeira tragédia implantada na
Praça dos Três Poderes, com verdadeiros choques de opiniões divergentes entre
eles.
Se fôssemos anunciar um
responsável direto, poderíamos afirmar que todos eles, os Poderes, têm culpa
direta e indiretamente, não obstante, o Presidente Bolsonaro responder por 60%
da situação crítica, primordialmente por não ter o devido respeito pelas
instituições da República.
Retornando ao primeiro
tópico, música nordestina, com todos os problemas que vivemos, considerando o
posposto da crise, sinto-me regozijado pelo comportamento que observo entre os
atuais integrantes da música brasileira. Ontem, véspera de São João, momento de
comemorações por todo território nacional e de muita relevância para os
nordestinos.
Na impossibilidade das
festividades presenciais fomos premiados com várias lives produzidas por vários
artistas e com divisão de espaços entre os menos notáveis, verdadeira
participação solidária entre todos, sem nem mesmo a presença da figura do
protagonista, todos eram iguais. Isso demonstra o quanto o brasileiro é
solidário e humano.
Nesse momento de profunda
letargia decorrente pela tragédia que estamos vivenciando, somos capazes de
reagirmos e em vez de deixar sangrar o peito, preferimos enxugar as lágrimas e
viver, pelo menos por alguns momentos, a possibilidade de ser e fazer alguém
feliz com as nossas atitudes de superação.
Deixo meu registro de fé e
esperança nessa gente sofrida, principalmente os mais simples e modestos, pois
são esses que mais tem sido afetado com o luto que nos cobre de vergonha e
tristeza, pelo muito que os governantes não fizeram por todos nós. Fica
constatado que o brasileiro é o verdadeiro palhaço que chora e rir.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantasrp@gmail.com.br
Brasileiro, palhaço que chora e rir
Reviewed by Clemildo Brunet
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6/25/2020 08:43:00 AM
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