Catervas da Democracia
Genival
Torres Dantas*
Catervas invadem ruas e
transforma pseudomovimento em momentos aziagos
Há um chavão na linguagem
popular que diz: errar é humano, eu completo, insistir no erro é no mínimo
catatônico. O que temos assistidos nos últimos dias é simplesmente algo fora da
realidade, ou mesmo como se escreve ultimamente, pontos fora da curva. Quando
vejo o movimento de pessoas cheias de ódio, principalmente personagens que
fazem parte da nossa administração pública, não tinha certeza, mas já imaginava
que a sequência seria danosa ao Estado brasileiro.
Fala-se muito na arrogância,
prepotência e falta de assertividades por parte do Presidente da República,
comungo com o mesmo pensamento. Entretanto, há de se ponderar o grau de
investidas sofridas pelo Presidente vinda dos seus adversários e dos outros
Poderes da República, não me recordo de ter lido ou visto qualquer outro
presidente, de ter sido, numa Democracia Republicana, ser tão molestado quanto
o Presidente Bolsonaro.
Os desagravos constantes
sofridos pelo Presidente, não sei se por isso, ou também por isso, tem
transformado Bolsonaro em poço de combustível gasoso, ladeado por usinas de
comburentes, na presença de uma chama o resultado é simplesmente fatal. Não
estou querendo julgar o referendado em um apóstolo de Cristo, mas ele não é o
único belchior nos alfarrábios da Constituição brasileira.
Se prestarmos atenção às
atitudes da maioria dos componentes do STF (Supremo Tribunal Federal) chega a
ser penoso e escorchante, o preço que ele, Bolsonaro, está pagando pela sua
conduta no exercício do seu mandato é diametralmente humilhante para quem
chegou a mais alta posição de um país presidencialista. Ainda, sabemos que suas
atitudes levaram ao Legislativo implantar uma democracia relativa, ou
simplesmente parlamentarismo branco, expressão usada pelo ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, querendo, esse, justificar o injustificável.
Tomando por base uma
situação até certo ponto esdrúxula, fica mais demeritória a posição dos
Poderes, quase que opostos e insociáveis, misantropo mesmo, quando se trata na
relação da convivência harmoniosa, mesmo independentes, como deveria ser.
Empáfia é o que prevalece, denotando-se prosápia. Não tenho dúvidas que o
conjunto da obra, ou seja, a caricatura que virou os Poderes da República é tão
responsável quanto um baú de mixórdias.
Aumentando o ar de combustão
entra no gasoduto a burla da insignificância humana travestida de defensores da
democracia, empunhando bandeiras da desobediência civil, paus, pedras, socos
ingleses, as mesmas armas usadas no período dos governos do Lulopetismo e os
anteriores do socialismo moreno ou coisa que o valha. Pessoas vestidas com o
manto da escuridão, usando até mesmo uniformes de torcidas de futebol, só não
sabemos se indevidamente, ou não, mas é fato, ficou gravado nos vídeos que
acompanharam o desenrolar de quase uma tragédia anunciada.
Quando a relação de ódio
entre os três Poderes se encaminharam para o terreno do quem manda sou eu,
sabíamos que o final não seria dos mais saudáveis, o que mais nos angustia é
que esse comportamento nada republicano só nos leva dos conflitos aos
confrontos e vencerá o que for mais forte.
Esperamos que a mais forte
seja a razão e a determinação da Lei, essa é a única que impreterivelmente não
pode ser violada, principalmente, em nome da Constituição, muito embora, todos
invocam a verdade em seu nome, nesse momento só há um Poder independente,
verdadeiramente, para intermediar os conflitos e implantar a paz, sem levantes,
ou revolução, as Forças Armadas, o resto não passa de coadjuvantes.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantas.com.br
Catervas da Democracia
Reviewed by Clemildo Brunet
on
6/02/2020 08:36:00 AM
Rating:
Reviewed by Clemildo Brunet
on
6/02/2020 08:36:00 AM
Rating:



Nenhum comentário
Postar um comentário