POMBAL: RUAS POR ONDE ANDEI, PALCO DE SONHOS E AVENTURAS
Prof. Francisco Vieira.
Quem, na longevidade,
não nutre saudades da infância e da adolescência?
É que o passado
caminha conosco onde quer que a gente vá. O passado bom recordamos com prazer e
o ruim nos serve de lição. Afinal, somos eternos aprendizes e dele não nos
desvencilhamos. Nem mesmo o inexorável tempo consegue apagar o saudosismo que
há dentro de nós.
As pessoas, unidas
aos fatos, constroem a história de um povo, cidade ou país. Assim, praças, avenidas, ruas e ruelas, são
partes integrantes desse encadeamento. Cada pedacinho de chão está inserido no
contexto histórico como palco dos acontecimentos.
Os espaços públicos,
antes denominados conforme pontos de referências, com o advento do Estado Novo,
mudou a prática batizando com nomes de personalidades do mundo político,
religioso, científico, educacional, artístico, etc. Em suma, merecido tributo pelos
relevantes serviços prestados ao município e região.
Se o bom dura pouco,
a infância passa rápido e a adolescência acaba cedo, cedendo lugar a fase
adulta e terceira idade. Mesmo idoso e saudosista, ainda capaz de recordar o
que passou.
Quanta lembrança dos
meus primeiros anos em Pombal, a partir das primeiras ruas: Cel. João Leite, Cel.
José Fernandes, João Capuxu, Pres. João Pessoa e Praça Getúlio Vargas que
prefiro chamar respectivamente de Rua do Comércio ou dos Prazeres, do Rio, Rua Estreita,
da Aurora e Rua Nova.
Os espaços fazem alusão a
fatos marcantes da história, já outros, ostentam personalidades locais a começar
pelo fundador do município, Capitão-Mor Teodósio de Oliveira Ledo. As ruas exaltam
personagens como João Pereira de Mendonça “João Espalha”, Prof. Horácio Bandeira
e autoridades patenteadas a partir de Cabo João Monteiro da Rocha, Ten. Álvaro
e Aurélio Cavalcante até os Coronéis João Leite e José Fernandes. Com o mesmo
critério são exultadas personagens religiosas nas pessoas de Padre Amâncio Leite,
Mons. Valeriano Pereira e Mons. Oriel Fernandes. Ainda, como dever de justiça,
eleva médicos como Janduhy Carneiro, Avelino Queiroga, Jandirson Fernandes,
Atêncio Bezerra, além de políticos como Dr. José Queiroga, Rui Carneiro,
Francisco Pereira, Levi Olímpio. Em suma, uma homenagem justa pelos relevantes
serviços prestados ao município.
As mudanças refletem a força
do progresso que chega a Pombal fazendo diferente, contudo, não apaga da lembrança
as ruas que ganharam espaço na memória dos moradores. Sem demérito as
denominações oficiais são substituídas por apelidos, ora simpáticos,
carinhosos, estranhos ou no mínimo hilariantes.
Desculpem os patronos, mas,
que graça teria se as ruas por onde andei, palco de minhas travessuras, não
fossem chamadas assim. Rua do(a): Cinema, Comércio, Brasil, Pereiros, Nova, Cruz,
Cruzeiro, Cemitério, Cachimbo Eterno,
Beco da Cadeia, Açougue, Matadouro,
Guindaste, Estação, do Fogo, de Baixo, do Sol e Rua Preta, do Rói e Cacete Armado,
além das Praças do Centenário, dos Roques, Pirarucu, Matriz e Cruz da Menina.
Bom relembrar as ruas onde brinquei
sem medo e sem ódio. Com pouco ou quase nada fui feliz, sem interessar a
riqueza lá de fora. Quanta saudade dos ipês frondosos, ficos robustos,
castanholas gigantescas e majestosas palmeiras imperiais, que cobriam de
sombras nosso chão. Recordo sim, pois relembrar o que vivemos é carregar no
peito o que alimenta o coração.
Hoje, septuagenário, fico a
remoer lembranças que nunca passam, saudades que às vezes incomodam como o fechamento
do Cine Lux, demolição do Ginásio Diocesano, Grupo Zé Avelino e DNER.
Como dói esperar o trem Asa
Branca que não vem e os ônibus da Andorinha e Gaivota que não passam. Que falta
faz o apito da Brasil Oiticica, os gritos de Mané Doido pelas ruas a caminhar
sem destino e o som dos Águias que nunca mais tocaram. Quão infinita é a saudade
dos amigos que se foram para sempre. Onde comprar figurinhas premiadas se o
barraco de Zé de Lau fechou?
Oh! Pombal. Suas ruas são
palcos de sonhos e aventuras, uma felicidade com sabor de saudade.
Em síntese, Pombal é assim,
sui generis. Não há outra tão diferente, singular, incomparável. É única. Sua
história é infinita e descrevê-la é impossível.
Por ti meu orgulho se aflora
me levando a dizer: sou pombalense com amor incondicional.
Pombal, 03 de junho de 2020.
POMBAL: RUAS POR ONDE ANDEI, PALCO DE SONHOS E AVENTURAS
Reviewed by Clemildo Brunet
on
6/04/2020 04:21:00 PM
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