O Governo vende sonhos e ilusões, entrega dubiedades e desesperanças
Genival
Torres Dantas*
A pandemia do Coronavírus
não foi nada alvissareiro, isso já era imaginado, entretanto o que não podíamos
prever era o verdadeiro desmanche moral e administrativo do Governo Bolsonaro.
Fato é que o mundo passa por uma fase das mais críticas para a maioria das
administrações públicas, até aí ninguém esperava outro resultado em decorrência
das dificuldades impostas pelas próprias circunstâncias, o que efetivamente nos
decepciona é a tragédia resultante da absoluta falta de tato administrativo e
político do atual governo.
Claro que sabíamos que a
área econômica ia passar por um teste de fogo, já vínhamos em um processo lento
de quase recuperação, muitas coisas ainda pendentes para serem cortadas as
arestas, a pandemia funcionou como um acelerador negativo ao abismo econômico.
Para conter os estragos, em maior escala, muitos planos foram montados e
anunciados, tanto na parte médica sanitária como no campo econômico. Tanto os
empregadores como os empregados foram reconhecidos como vítimas da realidade.
Ficamos à deriva contando
com o resultado das buscas que os nossos cientistas médicos encontrassem uma
solução medicamentosa para a solução da saúde que se agravava desde início do
mês de março último, nem mesmo vacinas não havia no mercado. Na tentativa de
contornarmos a situação foi implantado o sistema de isolamento social, graças
ao discernimento da maioria dos Governadores e Prefeitos, mesmo contrários a
posição do Presidente Bolsonaro, desde o início contrário à posição adotada
pelos executivos estaduais e municipais.
A população contou com o
apoio do Judiciário que firmou posição e praticamente determinou que Estados e
Municípios ficassem responsáveis pelo resultado das medidas tomadas, esse fato
fez conter o avanço do Coronavírus e a redução dos casos fatais. Dessa forma,
isolados em casa, nossa economia parou e fomos todos para o sacrifício, redução
de salários, desemprego crescendo, falta de recursos das empresas para honrarem
seus compromissos, tanto empregatícios como valores remanescentes junto aos
seus fornecedores e esses também sofrendo as consequências, pois era uma roda
viva de desespero.
O Governo Federal anuncia
auxílio emergencial e em conjunto com o Legislativo aprovam um valor de R$ 600
para cada pessoa que estivesse sido atingido pela crise, o valor seria
temporário e extensivo aos desempregados, afastados, micro, pequenos e médios
comerciantes também circunstanciados, empreendedores formais ou não.
Infelizmente muita gente ficou fora do benefício dado ao velho problema
burocrático que sempre esteve presente na administração pública brasileira.
Para os empregadores, de um
modo geral, muitas promessas para aliviar o desespero dessas pessoas que
precisavam quitar suas dívidas, assim como os empregados, foram vítimas da
leniência governamental, muitos números e pouca assertividade. Tudo girava em
torno de 10 a 20% dos números anunciados e os realizados, quando acontecia. O
desespero tomou conta da população e nada fluía dentro de uma realidade
aceitável e a bancarrota era anunciada.
O despreparo do Governo Federal
era geral e continua sendo, na tentativa de amenizar a situação tenta acordos
no Legislativo, agora não era mais para aprovar projetos, mas salvar seu
governo tão criticado dentro e fora do Brasil, essas negociações extrapolaram
toda linha da razoabilidade, o Judiciário impõe ao Executivo determinadas
medidas na observância que o Brasil saísse do buraco, mesmo assim a situação se
complicava e se complica até hoje. Justiça seja feita, o Presidente da Câmara,
mesmo com todas as restrições que temos a seu respeito, foi um abnegado e
comedido nas suas ações sempre em defesa da coletividade, servindo até mesmo de
conciliador quando a situação fica difícil entre o Executivo e o Judiciário.
Hoje temos uma realidade de
conflitos e confrontos entre os Poderes, especialmente o Executivo e Judiciário
e o Presidente Bolsonaro tem normalmente levado a pior pela sua ignorância
administrativa, política e judiciária, é um Presidente três em um, nada entende
e tudo quer palpitar, como se de tudo entendesse, um verdadeiro vexame para o
Brasil e o mundo. O estoque de paciência começa a faltar para os brasileiros
que já não suportam mais tanta desconexão entre o Presidente e o cargo em uma
manifesta realidade de sofismo administrativo, o tempo urge e o país tem pressa
de soluções.
Caso Bolsonaro não se torne
empático, reconheça sua fragilidade, continuando a ser insolente como tem sido,
sendo otimista, eu acreditava que ele teria dificuldade em chegar ao final do
seu mandato, ante aos últimos acontecimentos e ele pespegando notícias
duvidosas, em verdadeiro embate com os demais Poderes constituídos,
sinceramente, tenho dúvidas se ele chegará como Presidente da República até o
final do ano em curso. Infelizmente, a Democracia não perdoa o populismo
desvairado.
Genival
Dantas
*Poeta,
Escritor e Jornalista
genivaldantas.com.br
O Governo vende sonhos e ilusões, entrega dubiedades e desesperanças
Reviewed by Clemildo Brunet
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6/11/2020 09:25:00 AM
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