CLEMILDO BRUNET DE SÁ

1958: ANO EM QUE O MUNDO DESCOBRIU O BRASIL

Maciel Gonzaga (foto)
MACIEL GONZAGA* A Copa do Mundo de 1958, realizada na Suécia, foi a sexta Copa do Mundo disputada. Contou com a participação de 16 países, sendo que 51 países participaram das eliminatórias. Inegavelmente, foi a maior da história para nós brasileiros, pois lá o mundo descobriu o Brasil e reverenciou o Rei Pelé, além de ter sido a nossa primeira conquista, o que representa a primeira e única vez que um time sul-americano levantou a taça em solo europeu. O Brasil, depois do vice em 1950 e da fraca campanha em 1854 era visto com desconfianças, mesmo sendo o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persiste até a última edição realizada da Copa, em 2006. O Brasil chegava pela segunda vez em uma final e enfrentaria a anfitriã, a Suécia. A seleção brasileira obteria seu primeiro título mundial calcado no trio Pelé-Garrincha-Vavá. O esquema-tático do técnico brasileiro Vicente Feola fazia com que o ponta-esquerda Zagalo atacasse e recuasse para marcar no meio-campo, dando origem ao 4-3-3. Com isso, o Brasil mostrou a mais sólida defesa da Copa (quatro gols sofridos, ao lado do País de Gales). A equipe de Feola fez uma boa campanha na fase de grupos, como duas vitórias e um empate. O Brasil ficou no Grupo 4, ao lado de Áustria, Inglaterra e União Soviética. Na estréia, uma vitória por 3 a 0 sobre os austríacos. Na partida seguinte, contra os ingleses, apenas um empate em 0 a 0. Na última rodada, os brasileiros venceram os soviéticos por 2 a 0 e garantiram a classificação à próxima fase em primeiro lugar na chave. Nas quartas-de-final, o Brasil teve dificuldades para eliminar o País de Gales por 1 a 0, com um gol antológico de Pelé, que até hoje é relembrado. Nas semifinais, os brasileiros mostraram um grande futebol diante da França, que contava com o artilheiro da competição Justa Fontaine, e venceram o rival por 5 a 2. Na final, diante dos donos da casa, outra grande apresentação. Apesar dos suecos até começaram bem, abrindo o placar, o Brasil mostrou tranqüilidade e repetiu o placar diante dos franceses: 5 a 2, a maior goleada de uma seleção em uma final de Copa do Mundo. Porém, o maior jogador de todos os tempos (o Rei Pelé) foi utilizado pelo técnico Vicente Feola somente no terceiro jogo da Seleção na Copa, contra a União Soviética. Uma decisão acertada. Nos jogos seguintes, ele seria também decisivo. Contra a França, Pelé marcou três vezes na goleada por 5 a 2. Na final, contra a Suécia, fez mais dois na goleada por 5 a 2. A célebre imagem do jovem craque chorando, após o fim do jogo, é um dos momentos mais marcantes da história dos Mundiais. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva homenageou em Brasília os heróis da Copa de 58. Vejo na televisão essa homenagem e fico cá com meus botões relembrando. Com apenas 8 anos de idade, residindo em Pombal, ouvi todos os jogos da Copa do Mundo de 58, em pé na janela, do lado de fora, na casa de Cícero Gregório, por trás da Igreja Matriz. Lembro-me perfeitamente da vibração da torcida pombalense com os feitos de Pelé & Cia naquela final do dia 29 de junho de 1958, que marcou um ponto de virada na história não só do futebol, mas também do próprio país, pondo fim ao que o mítico cronista Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-latas". Nas palavras do próprio escritor, esse fenômeno era representado "pela inferioridade em que o brasileiro se colocava, voluntariamente, em face do resto do mundo". O triunfo brasileiro em 1958 acabou enfim com o trauma causado pela tragédia de oito anos antes, que ficou conhecida como Maracanazo, quando o Brasil perdeu para o Uruguai em pleno Maracanã e deixou escapar o que seria o primeiro título mundial. Além de abrir caminho para as quatro Copas que seriam conquistadas nos 50 anos seguintes (1962, 1970, 1994 e 2002), o que tornou o país o maior vencedor do futebol no planeta, o estilo apresentado na competição sueca também serviu para tornar o Brasil sinônimo de excelência nos gramados. Junto com a maior potência dos gramados, nasceu em 1958 também a essência do futebol-arte. A escola brasileira de futebol consagrou o drible, a espontaneidade e a ofensividade em oposição à força e à disciplina do futebol europeu. Até então, o "complexo de vira-latas" impedia que o Brasil se impusesse frente a adversários que os jogadores muitas vezes tentavam copiar. Foi uma conquista que lavou a alma do povo brasileiro. E não foi apenas uma conquista esportiva. O título mundial colocou definitivamente o Brasil no mapa do mundo. *JORNALISTA, ADVOGADO, APRESENTADOR DE TV E PROFESSOR

FESTA DA DEMOCRACIA

CLEMILDO BRUNET* As Convenções partidárias que por força da Lei Eleitoral são realizadas até o final do mês de junho são conhecidas como festas da democracia. O candidato a qualquer cargo eletivo tem que passar pelo crivo dos convencionais. Única maneira pela qual o registro da candidatura na justiça eleitoral é garantido por lei. Alguém que pensa ou que sonha ser um dia pretenso candidato, para alcançar tal objetivo tem que primeiro pertencer a uma agremiação partidária e isso é feito não de forma aleatória, ou seja, as vésperas do pleito; é preciso ingressar em um partido com muita antecedência, pelo menos um ano antes das eleições. Este ano, as eleições são da base política, isto é: Eleições Municipais. Os partidos políticos no nosso regime democrático têm direito de apresentar candidato a Prefeito, (eleição majoritária) e, por conseguinte candidatos a vereador, (eleição proporcional). Qualquer partido que não queira apresentar candidato a majoritária e que só tenha candidatos a proporcional poderá se coligar com outro que tenha candidato para a majoritária. Hoje nós vemos partidos de lados antagônicos a nível nacional que por questões de conveniências nas hostes locais se unem em torno de um nome de consenso, estabelecendo acordos que venham satisfazer a ambos, deixando de lado o sectarismo ou sua ideologia política. É o caso de Pombal PT e PSDB. A cabeça da chapa fica com o PT e o vice é do PSDB. Falta tão somente a realização da Convenção que está marcada para Sexta Feira dia 27 de junho, na sede da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB de Pombal, para sacramentar os nomes a prefeito e vice respectivamente. Já o PMDB - partido da situação no Município, por sua vez realizará sua convenção domingo dia 29 de junho no mesmo local, para homologar os nomes dos candidatos a prefeito e vice do mesmo partido. Ao longo dos anos temos observado as mudanças que vêm ocorrendo na realização dessas festas democráticas. Aqui e acolá se ouve falar que um juiz (a) eleitoral impõe sua recomendação, proibindo ou interferindo no que diz respeito aos partidos políticos na organização das suas convenções. Convenção partidária, o nome já está dizendo pertence ao partido; compete, pois a este, organizar a festa e promovê-la da melhor forma possível para que venha agradar e animar a militância. No passado participei ativamente dessas festas democráticas e nunca ouvi falar que a Justiça eleitoral tenha metido o seu bedelho. Reporto as memoráveis convenções municipais nas décadas de 60, 70 e 80, quando foram registrados os maiores embates políticos. Dia de Convenção os partidos organizavam a festa com bandeirolas mostrando as cores da sua agremiação além de faixas e cartazes. Durante o evento, a militância contava com animação de escola de samba improvisada, banda de música ou pequenas orquestras e a alegria contagiava a todos com os estampidos dos fogos de artifícios. Após a homologação dos candidatos, discursos ecoavam sob os aplausos de todos que prestigiavam aquela festa cívica partidária. Em outras ocasiões os candidatos eram carregados nos braços do povo percorrendo as ruas da cidade em passeatas (a pé), pulando e com as mãos levantadas faziam o V da vitória. Quando havia coincidência de data nas Convenções os partidos tinham o devido cuidado de por limites nas suas festanças para não avançar o sinal e ir de encontro à facção adversária. Ao realizar passeatas, pessoas escolhidas ficavam a frente da movimentação com o fim de evitar confrontos em qualquer rua ou bairro. Que mal existe em se ter batucadas, camisetas, bonés, adesivos e outros apetrechos para essa ocasião? A Festa é democrática, não é momento de acirramento ou discórdia, até mesmo porque ali só estarão aliados e simpatizantes daquela agremiação política que já tem como certo os nomes dos candidatos que serão homologados para o devido registro de suas candidaturas. Deixem nossos cidadãos exercerem cidadania! Democracia segundo Aurélio, quer dizer: Governo do Povo; soberania popular; democratismo. Doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade, dos poderes de decisão e execução. E VIVA A FESTA DA DEMOCRACIA “DO POVO, PELO POVO E PARA O POVO”! *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

O DIA EM QUE O MENINO VIROU GENTE GRANDE E RESOLVEU CONTAR O MISTÉRIO DO CASARÃO ABANDONADO

JOSÉ TAVARES DE ARAÚJO NETO*
"Era uma casa velha, um palacete assobradado", imponente, apesar de inconcluso, localizada estrategicamente na principal rua da cidade e misteriosamente abandonada. Despertando a curiosidade e o espírito investigativo de todos os transeuntes na vã tentativa de decifrar aquele enigma. Até que um dia os "homens das ferramentas" chegaram, e, apesar da contestação de algumas vozes isoladas, o velho sobrado foi ao chão, em nome "da força da grana que ergue e destrói coisas belas". Sentados em um banco da Praça Getúlio Vargas, próximos ao busto do ex-presidente, jovens adolescentes durante várias gerações, criavam com suas mentes férteis estórias que viessem justificar o abandono daquele majestoso e enigmático casarão. A partir desse fato real, acontecido na cidade de Pombal, Tarcísio Pereira, um daqueles imberbes contadores de causos, deu asas a sua imaginação e ambientou o seu romance "Como São Jorge na Lua"(Imprell, 120 págs.). Com seu peculiar talento, utilizando um linguajar simples, porém de significativa profundidade, o autor narra a estória do infortúnio amor entre uma moça humilde e um rapaz abastado. Como nas sessões cinematográficas que na sua meninice assistia no velho Cine Lux, durante a narrativa da comovente e trágica estória de amor, o autor adianta alguns traileres do que acontecerá nos próximos capítulos, de tal modo que deixa o eleitor na curiosa expectativa em saber o desenrolo do enredo. Faz uma sincronia perfeita entre uma época bucolicamente romântica quando crianças corriam descalças nas descalças e empoeiradas ruas de Pombal e o progresso caminhava trôpego, açoitado pelo monótono apito de um trem, que levava mais e trazia cada vez menos àquela gente. Os personagens que desfilam no centro daquela pequena e velha cidade, confundem-se com qualquer um dos seus reais habitantes, que de imediato irão se identificar como um figurante daquela triste estória de amor, tal qual um dia os foram seus avós na saga de Maria do Ingá. Apesar da mesma origem humilde e características físicas semelhantes a Maria do Ingá, Suzana, órfã adotada por seus padrinhos, casal de classe média, residia numa rua mais central, bem próximo ao casarão, que um dia, não fosse a triste fatalidade, seria o seu lar verdadeiro. Maria do Ingá, ou cabocla Maringá, imortalizada e nacionalmente conhecida, graças ao talentoso compositor Joubert de Carvalho - possivelmente residia na Rua do Rói - a palavra Rói no vocábulo pombalense significa prostíbulo, talvez uma referência aos freqüentadores dos botequins, que iam até lá para beber e "roer" os seus dissabores sentimentais nos braços de uma eventual amante profissional. A construção do casarão abandonado, hoje agência do Banco do Brasil - que o autor pejorativamente denomina de "Banco de Obra para o Interior"- iniciou-se com o malfadado romance de Suzana e Almo, anos após a grande seca, quando a cabocla Maringá "ficou sendo a retirante que mais dava o que falá". Portanto, obedecendo esta cronologia, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário com o seu cruzeiro no adro, a Estação Ferroviária e o Cemitério Nossa Senhora do Carmo foram cenário nos dois romances, enquanto que o Cine Lux, o Lord Amplificador, a Praça Getúlio Vargas e a Coluna da Hora testemunharam apenas a desventura dos Ventura. Além de presentear os amantes da boa leitura, o romancista deixa uma mensagem intrínseca aos adultos que um dia adolescentes sentaram no banco da Praça Getúlio Vargas e assistiram impassíveis as demolições do velho casarão, sem compreender a importância da indignação daquelas poucas vozes contestadoras. Não entendiam eles que o patrimônio histórico é um bem afetivo que a todos pertencem, destruí-lo é apagar uma parte da sua própria história. É renegar sua cultura e desrespeitar os seus antepassados. Por isto é que "Como São Jorge na Lua" vem ratificar a proposta do jovem escritor e teatrólogo pombalense Tarcísio Pereira, que ao narrar as lendas, costumes e cultura do seu povo, consolida-se como uma das maiores revelações da literatura e dramaturgia paraibana dos últimos anos. *ARTICULISTA POLÍTICO E ESCRITOR POMBALENSE

A MEMÓRIA DE POMBAL É UM PATRIMÔNIO DO BRASIL

Praça Getúlio Vargas
IVONALDO PINHEIRO*
Muito louvável os relatos do texto do nobre Jerdivan Nóbrega. Como Pombalense, ao ler o texto sobre o tombamento de pontos históricos de Pombal aprovado em 2002, mesmo tendo saído da Cidade há 20 anos pude fazer uma viajem na minha memória e reviver a infância através das edificações históricas como o Colégio João da Mata onde estudei, a Sede Operária próximo de nossa residência e ainda a velha Coluna da Hora como marcos da nossa antiga Pombal na Praça Getúlio Vargas e o Cine Lux, locais de encontros e namoros na juventude. Sob o olhar da Geografia, que também estuda o espaço urbano através dos resquícios da história do lugar e seus valores, tal como nos ensinou o catedrático geógrafo Milton Santos, que adotara um termo chamado de "Rugosidades" que consiste em resgatar a história do uso do solo nas urbes por meio de marcos de construções históricas e fatos e registros identificados na arquitetura e estilo dos edifícios e memoriais urbanos do lugar, vemos em Pombal a necessidade de resgate de seu legado na memória do contexto local e regional, em busca da preservação da herança e cultura de um povo, e nada caracteriza melhor uma cidade do que seus próprios estaduais e nacionais, monumentos históricos e religiosos. Em função disso, Pombal por ser uma cidade tricentenária em um País de 500 anos, tem muita história a ser resgatada que reflete os tempos remotos do Brasil Colônia, passando pela Escravatura e o poder dos "coronéis sem patentes" até fatos que associam a cidade ao cenário político do País. E graças a pessoas como Werneck, Zé Tavares e outros valorosos e memoriais pombalenses, um dia nossos filhos e netos poderão ouvir nossas histórias do passado ao mesmo tempo em que vislumbram a memória de pombal "in loco" através das "Rugosidades" preservadas e bem cuidadas. A Zé Tavares e Werneck Abrantes: Parabéns pela iniciativa e longa vida aos nobres pombalenses! *Geografia - UFPB COMENTÁRIO: Oi, querido amigo Tavares, Como pombalense, fiquei muito feliz e orgulhoso com essa matéria que conta a luta do nosso conterrâneo Jerdivan para garantir o tombamento do centro histórico de Pombal. Todos esses prédios tombados são testemunhas vivas de nossas infâncias e adolescências, todos esses lugares nós conhecemos detalhamento! E, com esse tombamento fica garantido que nossos filhos, netos bisnetos... Poderão conhecer os principais lugares que garantem a eternidade da história de Pombal! Parabéns a Jerdivan e todos pombalenses que zelam por nossa maravilhosa terra!Parabéns a você também Tavares pelo fato de está sempre antenado com inúmeras publicações e informações de Pombal, sempre nos mantendo atualizados a respeito, continue assim. Ivonaldo Pinheiro é meu irmão dos mais novos e estudante de Geografia na UFPB, ficou também muito emocionado com a matéria e a notícia do tombamento. Vécio

POMBAL FEST VERSUS CENTRO HISTÓRICO DE POMBAL

JERDIVAN NÓBREGA DE ARAÚJO* A cidade de Pombal já teve o mais belo centro entre todas as tricentenárias cidades da Paraíba. A parte central de Pombal era composta por um conjunto arquitetônico de raríssima beleza, que tinha início na Praça Monsenhor Valeriano, que fica logo por trás da monumental Igreja Matriz, que por sua vez, foi erguida bem no meio da Rua Nova. E era a Rua Nova, em conjunto com a chamada Rua do Rio, Rua do Comércio e Rua João Pessoa, o maior exemplo de beleza arquitetônica da cidade de Pombal. Deste antigo conjunto arquitetônico, ainda resistem ao tempo e ao crescimento predatório, algumas poucas casas, exemplo maior do que fora um dia o centro de Pombal. As antigas casas, estilo barroco eram ricas em detalhes arabescos, e tinham varandas, lembrando a sacada eternizada pelo romance Romeu e Julieta. Forçando um pouco a memória, é fácil trazer de volta a nossa mente, as casas antigas da Rua Nova que tinham até porão e sótão. Quatro delas sucumbiu para dar lugar ao atual Banco do Brasil e era exatamente o conjunto formado por aquelas quatro casas, o mais belo entre todos. No início da Rua do Rio, antes da Leandro Gomes de Barros, o pombalense atento, ainda poderá se deliciar desta beleza arquitetônica, representada por um solitário casarão azul com belíssimos arabescos. Infelizmente boa parte desse sobrado teve sua frente revestida em azulejos Ainda na Rua Nova, tínhamos os três sobrados, os quais sucumbiram à força da grana o mesmo acontecendo com a casa de Jerônimo Rosado. Na esquina da Joubert de Carvalho, onde funcionou a sinuca de Pedoca e, antes, a fábrica de macarrão Matorci, foi legado ao pombalense uma espécie de armazém das docas do cais de Recife: este também não existe mais. Ainda no centro de Pombal, poderemos encontrar a belíssima Praça Getulio Vargas, que forma um belíssimo Cartão Postal, quando associada com a Praça do Centenário, que teve o seu passeio externo enfeado caixotes em alvenaria. A Coluna da Hora e o Coreto da Praça do Centenário, obras que o pombalense deve as suas existências ao então prefeito Sá Cavalcante, que a construiu ainda na década de trinta. Dizem que empregou recursos próprios e fez pessoalmente, a fiscalização da obra. A coluna da hora fora construído inicialmente na Praça do Centenário, foi derrubada quando já na fase de acabamento, uma vez que o prefeito Sá Cavalcante não achou de bom grado o local escolhido inicialmente. Completando o percurso, temos ainda o Grupo Escolar João da Mata, com sua fachada no estilo "art decó". Mais à frente temos a velha cadeia, no estilo imperial que por um bom tempo foi relegada ao ostracismo até que por iniciativa de Zé Tavares e Verneck entre outros pombalenses, teve a sua frente desfavelizada e foi entregue de volta ao povo de Pombal, e hoje empresta suas dependências à Casa da Cultura A Igreja do Rosário de Pombal, erguida em 1721, dispensa maiores comentários, uma vez que não se admite que paraibanos desconheçam a sua história. Em 1895 foi entregue à irmandade do Rosário, responsável pela sua administração desde então. A cidade de Pombal, com 300 anos, não tinha seu Centro Histórico Tombado e protegido por lei. Indignada e vendo a nossa história sendo transformada em pó, protocolei em 1991 uma petição no IPHAEP, solicitando o tombamento do centro da Nossa cidade, principalmente da Cadeia, Igreja, Sobrados e Cine Lux. A resposta que recebi foi que não era possível fazer o tombamento, pois havia a necessidade de mandar engenheiros até a cidade e, para tanto, o IPHAEP não dispunha de viaturas. Uma lástima, uma vergonha. Enquanto isto o Centro de Pombal era demolido ou tombado literalmente. A coisa mudou quando o Professor José Otávio de Arruda Mela assumiu a presidência do Instituto. Amigo que era do nosso querido e de saudosa memória, Professor Wilson Seixas, deu continuidade ao processo e, no dia 04 de abril de 2002, uma quinta feira, foi publica o Decreto nº 22.914 de 03 de abril de 2002, decretando o tombamento do Centro Histórico de Pombal. De imediato liguei para Verneck e mandei cópias do Diário para ele, via Correios. Estava assegurado em lei o tombamento dos bens imóveis: Igreja do Rosário e Cruzeiro, Antiga Cadeia, Igreja Matriz, a fachada do Sobrado de Joaquim Assis, Coluna da Hora, Praça Getulio Vargas, Coreto e Praça José Ferreira, (Bar e Praça do centenário) SAOB, onde funciona a Escola 08 de Julho (Sede Operária), e Escola João da Mata, Estação Ferroviária, Mercado e Açougue Públicos, Correios, entre outros. Fiz esse pequeno relato apenas para dizer que não somos contra a realização do "Pombal Fest". Nunca vamos ser contra o que gera trabalho e renda para o nosso povo. O que não queremos é que forasteiros interessados apenas no dinheiro fácil destruam o que ainda resta do memorial da nossa cidade. Fazemos isso em memória dos nossos antepassados e em respeito às gerações futuras. Uma semana de festa não pode sobrepor-se e subjugar a 300 anos de história. Não se trata de uma disputa e sim de uso da inteligência e do bom senso. ESCRITOR POMBALENSE

SÓ NA LEMBRANÇA É QUE SE PODE VOLTAR

GENIVAL SEVERO*

Foto: Genival "Voz da Cidade 1966"

Durante a festa do Rosário de Pombal, o Parque de diversões MAIA, pertencente ao campinense Zé Maia, foi o pioneiro em trazer novidades para crianças e adultos na nossa tradicional festa. Nos idos de 1963 tinha este parque, um carrossel de cavalinhos, um chapéu mexicano quatro canoas, duas rodas Gigantes, sendo uma grande e a outra menor.

Na parte onde ficava o eixo central de cada roda gigante, era colocado um projetor de SOM (difusora), direcionados para a Rua Nova, com um som muito bonito e agradável para aquela época que só existia som monofônico. Tinha um locutor chamado LUIZ, de cor morena, pouco alfabetizado, mas de voz grave e impressionante, que dentro do pequeno Studio dizia: “você está ouvindo a PR-Maia, Radio Amplificador ponto 3, pertencente ao Parque de Diversões Maia, o inimigo número 1 da tristeza.

O pequeno STUDIO DE SOM era decorado com capas de Lps, no formato de 12 polegadas dos seguintes cantores: Waldick Soriano, Orlando Dias, Silvinho, Bienvenido Granda, Ataulfo Alves, e, até mesmo Jackson do Pandeiro, que eram os sucessos daquele bom tempo. Existia ainda um retrato em preto e branco de Zé Maia no tamanho 12 X 25 cm, que era o dono do Parque Maia. Dois amplificadores de SOM e um toca discos, todos da melhor qualidade, transmitiam alegria e animavam a festa com os sucessos daquela bela época.

Lembro-me da música de um gaúcho de “São Leopoldo,” que após acompanhar Teixeirinha com seu acordeom em excursões pelo Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina, gravou pela PHILLIPS DO BRASIL S/A, um LP intitulado: “Um Gaúcho Forasteiro”. Desse Lp, a gravadora extraiu um 78rpm, que foi sucesso no país inteiro e chegou a pombal exatamente na festa do Rosário de 1963. A música era de autoria de Dorico: “Amor Fingido”. Na outra face do disco, “Noite Escura”, sucessos que permaneceram nas paradas por quase dois anos. Estas músicas tocavam incessantemente tanto no Parque Maia, como na radiola do Bar Centenário, recentemente inaugurado e de propriedade dos irmãos: Sales e Nilton Venceslau. Até hoje ainda conservo em minha discoteca essa raridade em 78 rpm originalíssima.

Nesse ano a que me refiro, eu tinha apenas 16 anos. Um rapaz pobre, filho de uma viúva, liso, sem dinheiro no bolso. Ficava na frente do parque, louco de vontade pra rodar nos cavalinhos, mas não tinha dinheiro. Mas a música sempre foi a minha maior paixão. Sempre fui apaixonado pelos discos. Ficava extasiado em ver capas de Lps e por isso estava ali todas as noites pra observar tudo aquilo. Em ver tudo isso, eu acabava esquecendo dos cavalinhos do parque. Duas semanas depois, o Parque Maia foi embora. Tinha terminado a festa do Rosário, mas a música de Ademar Silva não me saía da mente. Passados alguns meses, já bem perto do fim do ano, sem ter o que fazer, ia passando pela calçada da rua. Cel. José Fernandes, bem próximo ao Grande Hotel, quando ouvi a música de Ademar Silva. Parei, escutei, virei de um lado para outro e pude observar que o som vinha da casa de Napoleão da Padaria. Não tive dúvidas, era a radiola de Claudete que estava tocando. Aproximei-me daquela casa em estilo antigo, frente para o nascente, janela escancarada, porta aberta de cima abaixo.

Aí vi um rapaizinho franzino, branco como uma vela, cabelo claro e escorrido pela testa, de cócora, manuseando o toca disco “Garrad” e tocando músicas. Assim que parei na porta, a música terminou, pois um disco de 78 Rpm tem somente uma faixa de cada lado e termina rápido. O jovem rapaz logo tirou o disco (que era emprestado da Loja de Zé de Tó), e colocou outro de ANISIO SILVA. Desta vez um LP de l2 faixas, recheado de boleros e guarânias. “Alguém me disse”, era a primeira faixa. Após fechar a tampa da radiola, levantou-se e disse: Entre! você gosta de música? E foi logo me mostrando a capa do LP que ainda me recordo o MFB 3042 da ODEON. Naquele instante eu conheci o melhor amigo meu: Clemildo Brunet. 44 anos de amizade, sempre o mesmo homem sincero e leal.

Pois bem, o tempo foi passando, se modernizando, as tradições se acabando, as difusoras dos parques também desapareceram, tudo mudou. Nem o Parque Maia existe mais. Hoje são caixas de som que sonorizam os parques nas noites de festa. Nem o Studio onde se transmitia não se vê mais. A gente escuta apenas o som, sem saber de onde ele vem. Tudo ficou invisível. A onda agora é um televisor conjugado com um aparelho de DVD, mostrando imagens da Banda Aviões do Forró, com mulheres quase nuas acompanhadas de músicas pornográficas, muito diferentes daquelas que se ouvia nos anos 60.

O bom daquele tempo era ouvir um locutor semi- analfabeto, atendendo aos pedidos musicais, com cinco ou seis canas na cabeça, falando errado, encachaçado, já com a voz embaraçada puxando pelo “r” e pelos “ss”, pensando que estava abafando e paquerando a mocinha ingênua que o ouvia falar. O tempo passou. Envelhecemos e não percebemos. Hoje, “SÓ NA LEMBRANÇA É QUE SE PODE VOLTAR”.

*RADIALISTA

FESTA DO ROSÁRIO, HISTÓRIA, ORIGEM E TRADIÇÃO!

MARIA DO BOM SUCESSO L. FERNANDES*
Contemplar as belezas do passado é reviver uma linda história. É feliz o pombalense que recorda com saudade o seu passado. A Igreja do Rosário de Pombal é um marco histórico do primeiro núcleo colonial do município. Representa o símbolo fundamental da nossa história cristã. No princípio do povoamento foi construída aquela capelinha tosca, cognominada de “Casa de Oração”, onde os Franciscanos da Ordem de Santo Antônio realizavam as suas orações imprimindo em todos, sobretudo, nos silvícolas, uma conservação da fé católica. Empregar a fé cristã foi o fundamento dos franciscanos, tornando-se a razão maior do orgulho da nossa gente e da nossa história. A citada igrejinha foi erigida há mais de três séculos passados, isto é, em 1701. Lamentamos, porém, que ela tenha sido totalmente destruída com o passar do tempo, restando-nos apenas uma imagem retratada através do nosso grande historiador, de saudosa memória, Wilson Nóbrega Seixas, no seu livro: “O Velho Arraial de Piranhas”. Em 1721, os colonos e os índios, nossos primeiros povoadores, construíram a bela igrejinha barroca denominada de Igreja de “Nossa Senhora do Bom Sucesso” em homenagem a Santa que atendeu ao pedido dos franciscanos para acalmar os ânimos, numa luta acirrada entre eles como citam alguns dos nossos historiadores. Após essa construção, foi formada uma Diretoria tendo como primeiro presidente, o capitão-mor José Diniz Maciel. Esta segunda igrejinha significa uma obra sólida e valorosa, pois seguiu com certeza, um estilo barroco dos séc.XVII, XVIII e princípios do séc. XIX, aqui no Brasil, denotando como expressão principal das suas produções artísticas, as estruturas arquitetônicas e a escultura sacra. É exatamente este, o retrato da nossa Igrejinha do Rosário, de estilo Barroco, em que, na época construída, exibiu esculturas de madeira banhadas a ouro com um visual esplendoroso manifestando até hoje, o seu grande valor arquitetônico. Somente em 1897, com a construção da terceira Igreja, referenciada como, Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, Santa que sempre foi a Padroeira de Pombal, ilustrada por sua imagem no nicho central do Altar-Mor da referida igreja, foi que a outra passou a se chamar de Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Santa dos negrinhos, passando a ser administrado exclusivamente por eles que logo formaram uma Irmandade constituída de um Juiz, um Escrivão, tesoureiro, zelador e doze irmãos de mesa, seguindo até hoje, o mesmo regimento. A nossa tão expressiva e histórica Festa de Nossa Senhora do Rosário, de Pombal, partiu do princípio do domínio dos negros. Contam os nossos ancestrais, que era uma festa exclusivamente religiosa e que foi fundada por Manoel Antônio de Maria Cachoeira, um negro beato, que morava naquela capelinha e o seu trabalho teria constituído o patrimônio daquela Irmandade. Alguns historiadores pombalenses dizem que, ainda hoje, existem os documentos de compromisso da Irmandade do Rosário, nos arquivos da paróquia de Pombal, deduzindo o despacho conferido pelo Bispo de Olinda-PE, D. João Fernandes Esberardi, ao preto e confrade Manoel Antônio de Maria Cachoeira, que saíra a pé de Pombal até aquela cidade com a finalidade de receber do prelado olindense, o documento de ereção canônica para a criação daquela Irmandade. O documento foi despachado em 18 de julho de 1895, registrado pela comarca Eclesiástica de Olinda e autorizado pelo mesmo bispo, ficando instituída a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Essa festa tinha um caráter restrito, à prática religiosa, comemorando anualmente o louvor a Virgem do Rosário, iniciado com o hasteamento da Bandeira da Santa, nove dias, antes da data proposta da festa para também professar através da novena a devoção dos fiéis. Valendo ressaltar que, até hoje, todos os católicos participam manifestando o seu fervor a Santa de tantas promessas e tantos milagres. Os dias principais sempre foram a sexta, o sábado e o domingo, cada um com sua simbologia, sendo que, no sábado a noite, após a missa, sai o padre acompanhado pelos fiéis em procissão com o Rosário para pernoitar na casa do Rei do Rosário, na rua do mesmo nome, e, no domingo outra procissão para colher o Rosário de volta a Igreja, onde é celebrada a missa campal, pelo bispo da Diocese de Cajazeiras, o pároco e todos os adjutores da Paróquia de “Nossa Senhora do Bom Sucesso”. Esta Missa que chamamos de Missa do Rosário é o ponto chave da grande festa. Muitas foram e são as manifestações tradicionais dos festeiros com participação dos grupos folclóricos e outras atrações. E assim, a festa foi se tomando um clima de alegria e de muito amor. Com o passar do tempo, além do caráter religioso, ela tomou rumo ao social sendo animada pela Banda de música local, na época, uma das melhores da Paraíba, apresentada, todas as noites, num coreto das Quermesses preparadas pelos organizadores da festa. Este é o momento que me faz expressar assim: Tempo bom que não voltará jamais! Outro tipo de atração, os grupos folclóricos, Pontões, Congos e o Reisado, dirigidos pelos próprios negrinhos com manifestação de danças e cantos, cultura de valor incomparável. Os primitivos Espontões eram representados por homens, as mais das vezes, de uma família só, a exemplo de Seu Elias, considerado o Rei do Fole, homem de caráter virtuoso que preserva até hoje, as suas tradições. Também a Igreja permitiu a participação dos parques de diversões: Rodas Gigantes, Canoas, Cavalinhos e outros mais, que pudessem alegrar, sobretudo a criançada. Foram se manifestando pessoas que comerciavam e comerciam bebidas e tira gostos, cuja renda é útil ao sustentáculo das suas famílias. Até hoje, armam Barracas animadas por músicas o que alguns chamam de movimento profano. Existem atualmente, outras atrações, festas dançantes, principalmente para os jovens. E tudo foi se aconchegando com essas agregações humanas e recheios de prazeres populares se transformando numa festa de agrado total aos pombalenses e aos visitantes, a ponto de ser chamada de, festa das promessas, dos milagres, da recordação, do encontro,da alegria e da amizade. Tudo isso, enseja-me gritar: Recordar esta festa é viver de lembranças e viver de lembranças é morrer de saudades! *Professora e poetisa bombalense. Para contato: cessalacerdapb@hotmail.com.

FESTAS JUNINAS

CLEMILDO BRUNET* As festas que ocorrem durante o mês de junho, são os eventos mais esperados pelos brasileiros depois do carnaval. O calendário marca a metade do ano e no currículo escolar o período é de férias. O Nordeste é o ponto de convergência onde se reúne o maior número de pessoas. De todas as partes e lugares deste país há uma intensa mobilização de gente, alguns para as brincadeiras que os festejos sugerem, outros para visitarem parentes e amigos em lugares distantes. As celebrações deste mês homenageiam os três santos católicos: Santo Antonio, São João e São Pedro. De modo natural essas festas são manifestações populares mais praticadas no Brasil. Tem a sua animação com muita música regional, arraial, danças, quadrilha, comidas e bebidas típicas, para festejar os referidos santos. O Brasil foi descoberto pelos portugueses, povo de crença católica. Herdamos desse povo as suas tradições religiosas que de modo fácil se incorporaram em nossa gente, conservando os caracteres de seu folclore, introduzido nas nossas bases educacionais que em nome do ensino carregam essas festividades, trazendo consigo muito mais do que uma simples relação entre o que sejam os festejos e o mês de sua realização. A influência veio de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, muito típica de nossas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China. Da península Ibérica teria vindo à dança de fitas que era comum em Portugal e na Espanha. Com o tempo passou a misturar com os aspectos culturais brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus). Não é nossa pretensão neste artigo atacar a religião católica, já que é um direito de todos perante a constituição professarem a religião que quiser. Mas, é preciso distinguir as finalidades religiosas e educacionais. Dessas festas juninas, a que mais se destaca é o São João, que a religião católica tem o dia 24 de junho como data do nascimento de João Batista, precursor do messias prometido por Deus para libertar o seu povo. A suposta origem dessa festa segundo a tradição da religião Católica teria ocorrido em razão de uma visita de nossa senhora a sua prima Isabel que lhe falou a respeito de uma criança que nasceria em sua casa. Sem muitas opções de comunicação naquele tempo, Isabel combinou que acenderia uma fogueira que pudesse ser vista à distância. E assim Isabel fez, era 24 de junho e nossa senhora viu a fumaça e entendeu a mensagem. As celebrações do dia de São João, realizadas em 24 de junho deram origem ao ciclo festivo conhecido como festas juninas. *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

AS COMUNIDADES DE POMBAL!

Autor: JOSE HAROLDO NOBREGA DE MELO
A literatura em cordel É simples e cultural Se fala a língua do povo E o entendimento é geral Falo das COMUNIDADES De que pertence a Pombal Começando pelas FLORES Passei lá pelo BALDINHO Já visitei o SÃO PEDRO Depois fui a POMBALZINHO Fui a RIACHO DE PEDRA Jantei no CATOLEZINHO. Fui até PÃO DE AÇÚCAR Cheguei ao romper da aurora NOVA OLINDA e CARNAÚBA Eu quase passei da hora De almoçar no TRIÂNGULO De LAGEDO eu fui embora. Fui ao JACÚ DOS RODRIGUES Na REVÊNCIA e RAMADINHA SÃO JOÃO (UM) e PAU DE LEITE No OLHO D’ÁGUA e VARZINHA VÁRZEA COMPRIDA DOS LEITES SÃO JOAQUIM e MALHADINHA A CAIÇARA DE BAIXO, GADO BRAVO e PITOMBEIRA PADRE ANTONIO bom amigo COATIBA e GAMELEIRA LAGOA DO POLTRO E VARJOTA MANIÇOBA e CAPOEIRA Fui a MORADA DO TOCO RIACHÃO DE CIMA e TAPERA RIACHÃO DE BAIXO e MUCAMBO SÃO JOSÉ ta na esfera Montado no meu jumento Um outro sitio me espera Fui também no SÃO JOÃO (DOIS) MUNDO NOVO e AREIAL JACÚ DE ASSIS DO Ó Voltei pelo BAMBURRAL Jantei lá no MONTE ALEGRE Mas vim dormir em POMBAL Da CACHOEIRA DE BAIXO Fui para o ALAGADIÇO Fui lá no sítio PINHÕES Comer do porco o chouriço Depois fui à ARRUDA CÂMARA Pra não ver o rebuliço Da CACHOEIRA DE CIMA Eu passei pela JUREMA Fui até o GENIPAPO Pra caçar uma sariema E foi lá no VALE VERDE Que comi carne de ema Fui a LAGOA ESCONDIDA TIMBAÚBA e PEDRA BRANCA Também passei na TRINCHEIRA Bebi cerveja na banca Fui ao ESTRELO e JUÁ Num jegue da perna manca Quando cheguei no GINETE Me chamaram pro RECANTO Porém fui pro TABULEIRO Consolar de um cabra um pranto Eu passei em SANTA MÔNICA Me enrolei com seu manto De MARIA DOS SANTOS (UM) Me dirigi pro SÃO BRAZ Na PAULA e no RETIRO Tomei logo umas a mais Depois voltei pro BEZERRO Comprei uma vaca a um rapaz Eu passei pelo CAPÃO CARAIBAS e a BARRA VÁRZEA COMPRIDA OLIVEIRA Terra boa até de farra Depois passei no PONTEIRO Cortando areia e piçarra De MARIA DOS SANTOS (DOIS) Fui em AÇUDE e UMARI CASA FORTE e RIACHÃO XIQUE-XIQUE bem ali Depois fui ao sitio LAJES Trazer na lata um siri. Eu passei em SANTA INÊS LARANJEIRA e RONCADOR Quando já de tardezinha Conheci um caçador Eu jantei na casa dele Enchi o radiador Em ARRUDA CÂMARA e ABA No RECANTO eu fui passar Na CACHOEIRA e nos GROSSOS No MOFUMBO E JATOBÁ Chegando a SANTA MARIA Rezei minha prece lá. Eu passei no SANTO AMARO ACARAPE e JOBOATÃO Fui lá na ponte do trem Pra comer um arrubacão Namorar e tomar banho Depois tocar violão Passei em CANTINHO DO BOI, No CAMANO e LOGRADOURO Depois cumpri a sentença Enfrentar na arena um touro Botar o bicho no chão Sangrar e tirar o couro De CAJAZEIRA DOS BATISTAS Eu tirei para GANGORRA Dancei forró com uma velha Fendendo que só a porra Passei a noite bebendo Dei uma surra na cachorra O povo de lá é legal Recebe a gente na boa Eu jamais posso esquecer A comunidade CAMBOA Peço desculpa aos amigos Se algum nome esqueci Só achei 98 Assim como descrevi Mas, si só faltou o seu Fica o abraço meu Dei um adeus e parti. Pode até ter escapado Um nome que seja tal... Se foi uma comunidade O esquecimento é fatal No próximo vai sair tudo Da cidade de POMBAL. POMBAL tem filhos ilustres Capazes e competente Que ama essa cidade De uma forma decente Zela a cultura deixada Preserva o MEIO AMBIENTE.

DIA DOS NAMORADOS!

CLEMILDO BRUNET* (foto ilustrativa)
Conhecido em muitos países como o Dia de Valentim, tendo como base a tradição cristã, romana e pagã. O Imperador romano Cláudio II, queria constituir um exército numeroso, no entanto não conseguia pelo simples fato dos homens não quererem deixar suas famílias. Então, o imperador proibiu o casamento entre jovens. Valentim sacerdote cristão contemporâneo de Cláudio II resolveu realizar casamentos secretos. Tendo sido descoberto, Valentim foi preso e condena à morte. Muitos jovens na época foram-lhe atirar flores e bilhetes na prisão, dizendo que ainda acreditavam no amor. Uma jovem cega filha do carcereiro pediu permissão para visitar Valentim. Apaixonaram-se e ela milagrosamente recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem usando assinatura: “De seu Valentim”, expressão utilizada até hoje. Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro de 270 depois d.C. Esta é a razão que em alguns países o dia dos namorados é celebrado em 14 de fevereiro. Aqui no Brasil a data é 12 de junho véspera do dia de Santo Antonio, o santo casamenteiro. Celebra-se neste dia a união entre os casais com a troca de mensagens e presentes, prática iniciada pelo comercio paulista passando depois para todo comercio brasileiro. A silhueta de um coração e a figura de um cupido com asas são símbolos modernos usados para identificar o amor entre os namorados. Amor, romantismo, poesia, canção, tudo que esteja envolto a este assunto, só quem não sente é quem não tem coração. E não tendo coração não vive, vegeta. Passou apenas aqui sem amar ou nunca foi amado. Deus é um ser pessoal e seu amor divino é único e verdadeiro; na sua onisciência, Ele como Criador e mantenedor das coisas criadas, sabe o que se passa no coração humano sede das emoções dos indivíduos. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações”. Jr 17:9,10 O grande pregador Charles H. Spurgeon Exclamou: “Ai de nós! Nosso coração é nosso maior inimigo” O amor é manifesto entre as pessoas de muitas maneiras. O nosso dialeto é vasto na discrição sobre o amor: Amor à primeira vista – amor súbito, ao primeiro encontro. Amor Carnal - O que busca a satisfação sexual, amor físico. Amor livre – o que repudia a consagração religiosa ou legal, representada pelo casamento. Amor platônico – ligação amorosa sem aproximação sexual. Dez mil amores – de todo gosto, com o maior prazer, com prazer. Fazer amor – ter relações sexuais, copular. Pelo que se vê há no pensamento humano muito conceitos sobre o amor. Mas, o verdadeiro amor está expresso na bíblia: O apóstolo Paulo diz: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. 1 Co 13:4-7. Para o homem natural é difícil aceitar a definição dada pelo apóstolo dos gentios. Este é o amor sacrifical não aceito pela maioria. No entanto, alguns já se dispuseram recebê-lo pela eficácia da graça de Cristo em suas vidas e afirmam esta verdade mediante as palavras do apóstolo do amor que declara: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” 1 Jo. 4:19 O dia dos namorados, apesar da apelação feita pelos reclamos comerciais, é oportuno também para os casais fazerem uma reflexão sobre o amor. Pois muitos não fizeram vindo arrepender-se depois. O livro Cântico ou cantares de Salomão nos mostra a pureza e beleza que existe no amor entre um homem e uma mulher. Revela ainda que por detrás de todo ser humano puro,se encontra o amor de Deus, o maior e mais profundo amor que existe. “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, seria de todo desprezado”. Ct 8:7. Nesta simples e singela homenagem que presto aos namorados de ontem, hoje e amanhã, deixo o poema de J.G. de Araújo Jorge:
“Os versos que te dou”
Ouve estes versos que te dou, eu Os fiz hoje que sinto o coração Contente Enquanto o teu amor for meu Somente, Eu farei versos... e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, Versos de sonho e de amor, e hei Depois Relembrar o passado de nós dois... Esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são Versos meus, mas que são teus também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém Que possa perturbar nossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos Hás, de um dia, mais tarde, revivê-los nas Lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los... com muita saudade em tua dor... Hás de rever, chorando, o nosso amor, Hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e Outros versos quiseres, teu pedido deixa Ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, Pode colher do chão todas as flores, Pois São versos de amor que ainda te dou. Salve 12 de junho Dia dos Namorados! RADIALISTA* WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

A RUA DE BAIXO HOJE!

jerdivan nóbrega de Araujo* É como se nos anos de 1940 alguém criasse um cenário para rodar uma série de filmes, com a mesma história, o mesmo velho e borrado cenário, mudando apenas os protagonistas. Foi assim que eu vi a Rua de baixo de hoje. Alguns personagens que a noite sentam-se a calçada para conversar lorotas, falar de política ou do ultimo capítulo da novela das oito, são filhos ou netos dos do meu tempo de protagonista naquela encenação. Se perguntar por esse ou aquele do meu tempo a informação é sempre a mesma: morreu; foi pra São Paulo e não deu mais noticias; ta preso, e por ai vai. É como se ainda fosse, e acho que é, o mesmo roteirista a escrever as cenas que estão fadadas a representar anos a fio. Não há memória dos que passaram por ai. Mesmo conversando com um neto de Godofredo o nosso Godô, que foi "o faz de tudo e para todos" da Rua de Baixo: aguador (denominação aos que possuíam tropas de jumentos e vendiam água nas ruas mais acima; Barbeiro (fazia barba e cabelo aos domingos sem cobrar um centavo dos clientes; Marchante (matava porco de "meia"); Sapateiro (quantas "meia sola" colocou nos sapatos dos jovens da Benigno Ignácio Cardoso?; Agricultor (cultivava, sem muita empolgação, um pedaço de chão nas terras dos meus avós). Oleiro fazia telhas e tijolos na "Outra banda", terras da nossa família" etc... não soube ele dizer quem era esse personagens que povoou as historias da nossa infância ali na Rua de Baixo. Outros que já citei em histórias anteriores, da mesma forma, poucos são lembrados. Até mesmo minha prima e professora, Dona Raimunda, não mais habita a memória dos por ela alfabetizados ali no João da Mata. No meu tempo, quando a Escola Normal Arruda Câmara formava professoras, e que se dizia jocosamente, pelos seus próprios moradores de alta estima no nível do chão, que "a rua de baixo jamais vai dá a Pombal um doutor" eu ainda criança, via passar as nossas jovens vestidas de saias pretas plissadas, meias três quarto, sapatos de verniz ao brilho, blusa branca com sianinha azul e gravata também azul marinho, carregando as mãos o velho e Livro de Admissão, onde em suas páginas de tudo, em matéria de informação pedagógica, se podia encontrar. Era o De Larousse dos anos de 1960. Pois sim. Foram essas moças da Rua de Baixo que mais tarde ensinaram as primeiras letras aos hoje doutores que levam o nome de Pombal a patamares mais altos. Sempre há de haver um desses doutores que teve as suas primeiras letras garatujadas pelas mãos de uma professora nascida na Rua de Baixo e formada nas cadeiras da Escola Normas Arruda Câmara. Porém, a Rua de baixo ta ali: perdida no tempo esquecida pelo poder publico: Nenhuma praça, sem rede de esgoto, nenhuma creche, casebre desafiando as leis de Newton, iluminação precária e sempre a espera da visita do Rio Piancó. Algumas casas parece congeladas no tempo. Até a pintura da fachada e das janelas é a mesma do meu tempo de criança e ai já se vai mais de trinta e cinco anos. Quantos protagonistas ainda terão que encenar a mesma malfadada história, até que escrevamos um novo capitulo para um cenário de esperança para aquele povo? *Escritor pombalense.

GILSON FERNANDES: O Pombo Correio!

MACIEL GONZAGA* (Foto) Dentro das muitas atribuições que tenho na vida profissional uma delas é viajar por algumas cidades do Rio Grande do Norte. E quando o faço, dedico-me com exclusividade aos afazeres profissionais e até me desligo do contato com amigos. Ao retornar a Natal e encontrar um pouco de tempo para me dedicar à Net, eis que vejo com surpresa neste Blog (de Clemildo) a notícia da morte de Gilson Fernandes. Indaguei-me: seria Gilson “Cara de Broa Preta”, irmão de “Pássaro Preto”? Ele mesmo. Orei ao Criador e pedi que reservasse um bom lugar para o meu velho amigo. Mas, não poderia deixar de contar um fato que presenciei. Nos anos 70 (talvez, não tenho bem certeza), “Nego Gilson”, como era chamado carinhosamente por nós em Campina Grande, arranjou um emprego de roupeiro do Treze Futebol Clube. É provável que tenha sido Massilon Gonzaga quem intermediou o fato, a pedido de Pássaro Preto, junto à diretoria do Galo da Borborema, que era comandada pela família Gadelha, principalmente Buega e Petrônio Gadelha. O velho Galo estava sempre em crise, não ganhava campeonatos e vinha levando o maior “coro” do Campinense Clube. Por conta da crise, “Nego Gilson” chegou, algumas vezes, a substituir o massagista titular do clube, que era “Pelado”. Teria de ser pombo-correio, ou seja, levar e trazer recados do treinador para os jogadores, quando estes caíam em campo e eram atendidos pelo Departamento Médico. O fato que relato agora foi presenciado por mim que, na época, era repórter-esportivo da Rádio Caturité e estava bem próximo do banco de reservas do Treze, que jogava contra o Santos F. Clube de João Pessoa (o famoso Santos de Tereré). Era técnico do Galo, Zé Lima, conhecido por Zé Preto que, quando jogador de futebol foi um dos maiores zagueiros que vi jogar. Nunca deu um chutão na bola. Como treinador também era competente. O jogo segue 0 x 0 e um dos jogadores do Galo – aliás, era a estrela do time, o centro-avante Adelino – cai no gramado e levanta o braço. Zé Lima diz para o massagista: “Gilson vê o que ele quer”. Em outras palavras, o que o jogador estava sentindo e se poderia continuar no jogo. O nosso massagista saiu correndo, de braços abertos, simulando asas de um avião, sendo que em uma das mãos levava a bolsa de medicamentos. Atende o jogador e retorna. Passa ao meu lado e eu pergunto: “Broa Preta, porque esses braços abertos?”. A resposta foi: “É porque eu sou um pombo e sou de Pombal. “Seu” Zé Preto disse que eu sou um pombo-correio”. A minha reação foi uma gargalhada sem fim. Ao retornar ao banco de reservas, o treinador pergunta ao seu massagista: “Gilson o que ele tem?”. Resposta: “Eu não entendi nada, ele (o jogador) só fez glú-glú-glú”. Zé Preto, que era muito brincalhão, reagiu: “E ele é um perú!”. O jogo segue, ainda 0 x 0. Zé Preto, preocupado com o jogador que cai mais uma vez, manda o Gilson novamente perguntar o que é que Adelino estava sentindo. Mais uma vez o folclórico massagista sai correndo e “voando”. Ao retornar, diz ao treinador: “Seu Zé, eu perguntei o que ele estava sentindo e ele não respondeu, apertei a perna dele e ele só fez: aí-ai. Eu disse a ele: deixe de frescura, faça um gol e pronto”. Mesmo com a paciência de que era detentor, o treinador Zé Preto perdeu a cabeça e reagiu: “Nego Gilson, preste atenção ao serviço!”, ou seja,, queria obter informações concretas para o bom desenvolvimento do seu trabalho. Nesse momento Adelino faz um gol de cabeça. Ai o nosso personagem (Gilson Fernandes) grita: “Tô prestando atenção seu Zé Preto! O senhor não disse que eu tenho que ser um pombo-correio, eu disse a ele que fizesse um gol e deixasse de frescura, ele fez. Fique frio!”. Depois dessa, eu não vi mais “Nego Gilson” como massagista do Treze. Faço minhas as palavras de Clemildo Brunet: “Rogamos a Deus o conforto e as consolações para a família do nosso amigo Gilson Fernandes, na certeza de que o amor de esposo e pai que ele dedicou à família sirva de exemplo aos seus descendentes”. Descanse em paz, meu velho amigo “Cara de Broa Preta”! *Jornalista, Advogado, Apresentador de TV e Professor.

UM ANO: CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO!

CLEMILDO BRUNET* “Grandes coisas fez o Senhor Por nós; por isso, estamos alegres” Aqui no sertão costuma-se dizer que por falta de um grito perde-se uma boiada. Pois bem, no ano passado conversando com o Jornalista João Costa nosso conterrâneo e colunista político do Paraíba.com, falei que pretendia escrever um livro sobre a história do rádio e comunicação de Pombal. Ele me fez ver que para essa iniciativa eu criasse um site na Internet, o qual me serviria de subsídio coletando informações de ex-integrantes do setor que deram seu ponta pé inicial nas diversas modalidades de sistemas radiofônicos desde as chamadas difusoras (Serviço de Alto Falante), até os dias atuais. Sem esta ação, dizia ele, seria impossível realizar o meu intento. Atendi o grito de alerta feito pelo nobre Jornalista e no dia primeiro de junho de 2007, Dia da Imprensa em nosso País, de minha residência, instalei um blog na Net, denominando-o de Clemildo, Comunicação e Rádio, cuja porta de acesso é, http://clemildo-brunet.blogspot.com/ hoje com um ano de atividade, existem outras maneiras de se ter acesso a este portal, até mesmo utilizando o meu nome, ou o título do blog. Logo, logo, o portal começou a conquistar os internautas e comecei a receber comunicados de companheiros e amigos que externavam alegria e contentamento pela idéia de se fazer um portal diferente, onde todos pudessem saber dos acontecimentos relacionados a uma área de trabalho até então, desconhecida por muita gente de nossa terra. Lembro-me ainda que quando não havia nem pensado na criação do blog, uma jovem Universitária de Pombal, veio a minha procura, no sentido de buscar conhecimento através de pesquisa, sobre a comunicação e emissoras de rádio em Pombal, pois segundo ela, já havia procurado em livros e não havia encontrado; tendo alguém indicado o meu nome como fonte para as informações que ela precisava. Disse-me ela que era um trabalho passado pelo Professor José Antonio da UFCG. Campi de Cajazeiras. Hoje tenho motivos para comemorar esta data, pois através de contatos pela Net, pela graça de Deus, conheci e conquistei muitas outras amizades nesse contexto da globalização. E para brindar tão glorioso acontecimento de um ano de existência, ele acontece juntamente com os duzentos anos de imprensa em nosso país, na semana de duas datas importantes para os nossos meios de comunicação: 1 de junho – Dia da Imprensa Nacional e 7 de Junho Dia da Liberdade de Expressão. Permitam- me agora reportar os primeiros contatos que recebi quando da instalação do blog na internet:
Meu caro Clemildo...Passaram-se os anos, décadas, e de repente me deparo com a história radiofônica da minha cidade contada através do seu blog, indicação feita pelo ilustre José Tavares. Confesso que um filme antigo rodou à minha cabeça, lembrei-me do som do "serviço de alto-falantes “Lord Amplificador" a tocar sucessos da jovem guarda e reminiscências de outros tempos. Final dos anos 60 e você, meu caro, um jovem predeterminado a fazer rádio, insistia no seu objetivo, tive o privilégio de conviver com você, por pouco tempo, no "Lord Amplificador", mas o suficiente para admirar sua coragem e obstinação. Depois de todo esse tempo, e distante da minha linda Pombal, vejo que o seu sonho transformou-se numa realidade digna da sua capacidade de realizações, quero felicitá-lo pelo ilustre conterrâneo que vc o é, e que você sirva de exemplo à juventude pombalense.Um fraternal abraço extensivo à todos aqueles que ajudaram na sua trajetória de sucesso. Sergio Kantewww.kantepoemas.com.br Querido Clemildo,Parabéns!Reconhecemos, há anos, em você, um arauto do rádio com uma verve que faz eclodir de suas entranhas o amor pela divulgação radiofônica. Você, com seus valores e qualidades peculiares, continua participando ativamente da construção simbólica da história do rádio, meio de comunicação que ofereceu as bases tecnológicas para o surgimento da televisão. O rádio, com uma linguagem peculiar e como extensão do ouvido humano, atravessa os mais longínquos limites e encontra ecos na máxima de MacLuhan: "o meio é a mensagem".Meus cumprimentos com um grande abraço,Sônia Guedes Grande Clemildo, teu blog ficou um primor. Só vc mesmo, com a grande experiência adquirida de vários anos trabalhando em rádios para poder falar sobre esses assuntos! Mt sucesso e quando puder visite nosso blog sobre música!Um Grande Abraço da Equipe WRlink! Josinaldo Martins Lopes disse: Clemildo você não existe! Você é uma lenda! KKkkkkkk Falando sério meu brother, seu blog está simplesmente fantástico! Parabéns pelos relevantes serviços prestados a cidade de Pombal e adjacências através desse meio de comunicação tão poderoso que é a rádio! Depois de alguns anos de silencio te reencontrar através da net e poder manter o contato contigo traz um contentamento muito grande ao meu coração! Deus te abençoe seu predestinado!Um forte abraço!Seu brother Josinaldo. 10.06.2007 Clemildo parabéns pela iniciativa de falar no seu blog, algo que as pessoas tanto precisam ouvir a sabedoria da palavra de Deus... josinite Nóbrega - vidavida73@hotmail.com 02.06.2007 Clemildo, mando um abraço e fico feliz por esse espaço para matar saudades, afinal fiz parte do grupo de funcionários originais da Rádio Maringá, ao seu lado e mais: Rosil Bezerra, Gregório Dantas, Genival Severo e outros mais. Hoje, resido em João Pessoa, mas continuou com saudades dessa terrinha maravilhosa. Zé Alves - Redator 03.06.2007 Meu caro Clemildo nasci em Guarabira, no brejo paraibano, mas, moro em João Pessoa há 49 anos. Mas, já estive várias vezes na linda cidade de Pombal e te confesso, é lamentável que esta Rádio esteja fora do ar. A Rádio Maringá ficou gravada em minha mente como uma das muitas coisas boas de Pombal. Não dar para falar de Pombal e não vir logo na memória a lembrança da Radio Maringá. É uma situação que nos entristece. Mas, quem sabe se um dia as autoridades ou empresarios do ramo não resgatam esse instrumento tão importante para o povo pombalence e os adjacentes. Aproveito querido amigo para parabenizá-lo pelo seu Blog, muito bom e de conteúdo inteligente. Já está nos meus favoritos. Eliezer Gomes - eliezergomes@gmail.com http://eliezergomes.com 01.06.2007 Parabéns pelo blog, Clemildo. Acho que sempre que fazermos referência aos grandes filhos de Pombal jamais poderemos esquecer Celso Furtado e Ruy Carneiro, como também Manuel de Arruda Câmara, grande humanista, médico, botânico responsável pela classificação taxonômica de parte da flora nordestina, alem da introdução da maçonaria no Brasil), e de Leandro Gomes de Barros, o pai de nossa literatura de cordel. José Tavares Araújo.
Muitos outros contatos poderiam ser registrados, no entanto o espaço é pequeno para tantos. Agradeço a todos que nos enviaram seus recados e também aos que contribuíram com os seus artigos e mensagens de otimismo. Com este artigo que ora escrevo perfaz um total de 154 postagens com os mais variados assuntos dentro do contexto da Comunicação e também da história de nossa querida Pombal. Obrigado a vocês internautas que sempre nos acompanham no nosso dia a dia.
A JESUS CRISTO: Toda honra, todo louvor e toda glória. Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A Ele, pois a glória eternamente amém! *RADIALISTA WEB. http://clemildo-brunet.blogspot.com/ CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com

LIBERDADE DE EXPRESSÃO!

Foto: Ubiratan Lustosa.

Autor: Ubiratan Lustosa*

A liberdade de expressão é o primeiro degrau da escada que conduz à democracia. Sem ela, não se pode sequer pensar em qualquer outra liberdade.A liberdade de expressão é a garantia de defesa contra os abusos, contra o autoritarismo, contra o desrespeito aos direitos do cidadão. Por isso, em todo e qualquer regime de exceção, a primeira preocupação é a colocação de mordaça nos meios de comunicação. E se amordaçam os meios de comunicação por diversos modos, alguns dos quais muito sutis, mas não menos indignos que aqueles que se aplicam pela força.Esses métodos são muito conhecidos de todos nós. Os cortes de verbas oficiais, destinadas à divulgação e propaganda em jornais e emissoras de rádio e televisão;as pressões com a exclusão de empresas privadas em compras feitas pelos órgãos públicos; as ameaças, os atentados, até a invasão e tomada de veículos de comunicação - tudo isso acontece por todo o mundo, em demasiada freqüência para que se ignorem essas atitudes que aviltam a consciência e pisoteiam o direito. Toda nação que puder exercer o direito de liberdade de expressão será uma nação mais feliz, porque nada é mais dignificante para um cidadão do que poder dizer livremente aquilo que pensa. Em quantos países, por esse mundo afora, poder-se-á falar livremente? Em quantos pontos da terra terá o homem o direito de pensar em voz alta? Lamentavelmente, todos sabemos, não é em toda parte que se tem liberdade de expressão. Não é em toda parte que se pode discordar, que se pode criticar livremente, que se pode contrapor idéias próprias àquelas impostas pelos mais fortes. E isso é uma pena, porque uma das mais valiosas conquistas da humanidade é essa de poder exprimir-se, e é graças a ela que muito se tem evoluído. Em 7 de junho comemora-se o Dia da Liberdade de Imprensa. O vocábulo imprensa engloba, em sua abrangência, todos os meios de comunicação, os jornais e revistas, o rádio, a televisão, a Internet, qualquer forma da qual o homem se utilize para se comunicar e transmitir o seu pensamento.A data não pode passar sem um registro. Pela importância que tem, pelo que significa, pois nobre é o homem que discordando das nossas idéias, mesmo assim, defende o nosso direito de expô-las; mais dignos seremos nós se, igualmente, defendermos o direito de expressar-se livremente àquele que de nós discorda. Ninguém é dono da verdade e, muitas vezes, é ouvindo aqueles que nos criticam que conseguimos aperfeiçoar a nossa opinião e corrigir os nossos rumos. Saudemos a liberdade de expressão, porque ela se constitui num dos bens mais caros de todos nós.

*Advogado, Poeta, Teatrólogo, Radialista e Jornalista. Curitiba Paraná.

NO TEMPO DA RUA DE BAIXO!

Jerdivan Nóbrega de Araujo* Foi muita chuva. Os mais velhos lembravam que nunca tinham visto tanta chuva nesta época do ano. A noite toda foi de desespero, mas, o que me lembro mesmo é que era noite de Natal. Tio Cândido passou a noite andando de casa em casa procurando ajudar aos desabrigadas. Muitas casas de barro e chão batido não resistiram e foram ao chão. Eu via aquele povo entrando sala a dentro na minha casa, com o resto que sobrou do que era seu. As crianças da minha idade chorando sem saber o que acontecia. A minha mãe espalhou por toda casa um grande quantidade de redes estendidas onde, em muitas se agasalhavam até três crianças: a noite é sempre fria quando não se tem um teto para se abrigar. A solidariedade do povo da Rua de Baixo é um lençol quente a abrigar todos, nestas horas de desespero. Eu não me importo se Papai Noel não lembra que existe criança na Rua de Baixo. Eu sei que Deus fica com raiva dos homens da Rua de Baixo que, aos domingos, deixam de ir à missa para jogar Ludo e tomar cachaça a sombras das oiticicas e ingazeiras à beira do Rio Piancó, mas, acho que não é justo que, em plena noite de Natal, Deus lave os pecados do povo com tamanho toró. Ele poderia pelo menos esperar até que as árvores de natal sejam guardadas para que possa castigar com chuva o povo da Rua de Baixo. O sol ainda não saiu e as pessoas começam a contar seus prejuízos. Quantas, e a casa de quem desabou? O rio fez água? Ainda dá para atravessar com água na cintura ou vai precisar da canoa de mestre Álvaro? Logo vem a respostas. O rio sequer sentiu a chuva que não foi uniforme, não atingindo os afluentes acima do açude de Coremas. Não vai ser preciso termos que sair da Rua de Baixo com as tralhas na cabeça, a procura de um lugar mais alto aonde o rio não venha nos perturbar. O meu medo era que ao amanhecer o Prefeito mandasse em cada casa a visita de seu Zé de Santa para aplicar injeção contra tétano. Não posso me esquecer daquela agulha de aço furando meu couro, como se fosse um espinho de mandacaru. Anda sinto a dor... Ouvia-se ao longe o berro das crianças: ele era impiedoso. A água escorria pelo meio da rua, vindo das partes mais altas onde a chuva não fazia lama. Eram as ruas calçadas e bem tratadas, onde seus moradores dormiram por toda a noite, após a ceia de Natal, sem se dar conta do desespero dos moradores da Rua de Baixo. Só terão essa noticia lá pelas oito ou nove horas quando as mulheres da Rua de Baixo que trabalham para eles começarem a chegar com certo atraso, para preparar a refeição de mais um dia de luta. Quando eles se sentarem a suas mesas e perceberem que Dona Isaura, por exemplo, não lhes veio esquentar o pão comprado na Padaria de seu Napoleão Brunet ou ferver o leite comprado lá em dona Delva e seu Arrudinha, colocando-o bem a sua frente, eles perceberão que o Natal da Rua de Baixo foi bem diferente dos seus, porém igual a tantos outros que se passaram e ainda hão de passar por aquela comunidade esquecida. Um dia igual a tantos outros! Não se ouviu o ronco da tuba de Zé Vicente nem tampouco trombone de Chico de Lourdes. Godô não apareceu para contar nenhuma história de Trancoso nem seu Dorsim passou com a cabaça para o lado do Araçá. Não se ouviu o grito de Seu Joaquim chamando por Nedina doida nem Seu Elizeu a procura de Nezim, o filho retardado. A hora é de contar o prejuízo, e, isso não se faz em voz alta. Edmundo, Pier, Pedro, e eu sentamos a beira da calçada e ficamos represando a água que ainda descia lentamente da parte de cima da cidade. Para as crianças de seis anos as tragédias só duram uma noite. A água trazia para a Rua de Baixo a lembrança de uma noite feliz na parte de cima da cidade. Caixas coloridas de brinquedo papéis de presentes e alguns brinquedos quebrados que haviam sido colocados no lado de fora das casas para que algum menino sortudo da Rua de Baixo, Rua do Fogo, Nova Vida ou Rua do Pereiros, pudessem fazer bom proveito. Chico de Godô e Crocodilo ainda não estão bêbados. Natércio rasga o chão a procura de iscas para pescar umas "piabas" para tirar gosto ao final do feriado de Natal. Mauricio Alves conta os filhos. Zé Martins não foi trabalhar nas Casas Bandeiras: é feriado. Vó Ana, já chegando aos 70 anos, passou para Outra Banda com sua enxada nas costas. Mesmo com rio cheio ela o atravessa a nado, mas, não deixa de cuida da sua roça. O pé de manga da roça de Dona Porcina amanheceu verdejante. Percebe-se que nasceu "babuje", no campinho de futebol que fica em frente a casa de Dona Raimunda. O Posto de Puericultura suspendeu a distribuição de Leite em pó e estaphilase para as crianças carentes de Pombal. A chuva que trás a tragédia é a mesma que renova a vida. Acho também que chegou um circo na cidade. Não vai haver tempo para se lembrarem da nossa noite de Natal. *ESCRITOR POMBALENSE