FAMA
Por
Severino Coelho Viana
O pensamento nasce primeiro,
o segundo passo é o da visão real ou imaginária. À primeira vista, conceituamos
FAMA como se fosse notoriedade, no entanto esta palavra se biparte de
significado: boa fama e má fama. A boa fama projeta-se no reconhecimento espontâneo
de um valor e traz como suporte a imagem da humildade que é um fato possuído de
talento. A má fama esconde na redoma do egoísmo que é protegido pelo escudo da
arrogância e da prepotência.
A beleza é uma
característica forte para obter a fama desde que venha acompanhada pelo
talento. Quando não existe o talento transforma-se na figura de um narcisista
indolente. No nosso mercado social há produtos de boa ou má fama; há o genuíno
e o falsificado; o caro ruim e o barato bom e vice versa!
É uma verdade de muito
esforço mental, pois o medo do novo sempre atormentou os homens do passado e do
presente. O temor do desconhecido só é superado pela insaciável curiosidade e a
tentativa de incrementar o conhecimento. Insistências nas tentativas de
explicarem os fenômenos ocorrentes no mundo estranho e hostil, por isso, a
humanidade idealizou em personificar estes fenômenos em histórias fantásticas,
povoadas por personagens incríveis que são transfigurados em deuses e deusas,
logo criando cânones religiosos e serviram de base para estabelecimento de
dogmas e princípios na Alvorada Humana.
Apropriamo-nos dos relatos
de nossos antepassados que asseguram a argumentação de nosso artigo, uma vez
que os povos antigos criaram a Deusa da Fama. Do passado grego a deusa da Fama
era mensageira de Júpiter. Os atenienses elevaram-lhe um templo e
consagraram-lhe um culto regular. Os poetas representavam-na como uma deusa
enorme que tem cem bocas e cem orelhas. Tem longas asas, que, por baixo, são
guarnecidas com olhos. Os artistas modernos pintaram-na com a roupa arregaçada,
com asas nas costas e uma trombeta na mão.
Segundo Ovídio “essa
divindade vivia nos confins da terra, do mar e do céu, num palácio de bronze
ressoando incessantemente, com mil aberturas por onde entravam todas as vozes,
por baixo que fossem. Esse palácio, cujas portas permaneciam abertas, ampliava
as palavras que chegavam até lá. Estava sempre em volta da Fama a alegria
infundada”.
Já pelo lado dos romanos,
Fama, divindade alada, filha de Titã e Geia, mais famosa em Roma do que na
Grécia, era mensageira de Júpiter, tinha a cara de louca e voava à frente de
seu cortejo, disseminando mentiras e verdades por suas 100 (cem) bocas. O poeta
Virgílio: “a cantou como o mais rápido dos flagelos por causa da sua mobilidade,
de onde vinham suas forças que ela aumentava correndo”. “Pouco temível, a
princípio, em breve sobe aos ares, com os pés sobre o chão, esconde a cabeça
nas nuvens. Monstro horrível, voa de noite entre o céu e a terra e nunca dorme,
de dia espreita do cimo dos palácios, no alto das torres, amedrontando as
grandes cidades, semeando mentiras e verdade”.
Fama, na mitologia romana é
uma divindade poética, era representada pela figura de um monstro com asas,
muito agitado e de feições horríveis, com muitos olhos e diversas orelhas.
Outra interpretação: Divindade alegórica cujo nome significa voz pública. Filha
da Terra. É representada com numerosas bocas e ouvidos, em suas longas asas se
escondem um número enorme de olhos.
A má fama recai sobre
pessoas excessivamente vaidosas, que por via de consequência são narcisistas.
O Narciso é um personagem da
mitologia grega, filho do deus do rio Cefiso e da ninfa Liríope. Ele representa
um forte símbolo da vaidade. Sendo um dos personagens mitológicos mais citados
nas áreas da psicologia, filosofia, letras de música, artes plásticas e
literatura.
1 -
O MITO DE NARCISO SEGUNDO OVÍDIO
Ovídio, em seu belo poema
Metamorfoses, nos dá a versão mais conhecida e mais extensa, falando-nos da
desventurada relação entre Eco e Narciso, que resumiremos. “A ninfa Liríope,
violada pelo deus-rio Céfiso, que a abraçou em sua correnteza coleante
...enquanto a mantinha aprisionada em suas águas, veio a dar à luz um menino de
raríssima beleza, a quem deu o nome de Narciso. Perturbada pela estonteante
formosura do filho, foi consultar o adivinho Tirésias, famoso por todas as
cidades da Beócia, o qual, indagado se esta criança viveria muito, replicou:
“Se ele jamais se conhecer". Por muito tempo, as palavras do adivinho
pareciam sem sentido. Mas o que sobreveio mostrou-lhes o acerto - o incidente,
o modo como o rapaz morreu, a estranheza de sua louca paixão".
“Aos dezesseis anos Narciso
já era assediado por muitos jovens e donzelas, que procuravam o seu amor, mas,
naquela esbelta forma, era tão frio e orgulhoso, que não houve jovem ou donzela
que lhe tocasse o coração".
“Certa vez, caçando um veado
assustado, foi seguido por uma ninfa, de estranha voz, a retumbante Eco, que
não podia ficar em paz quando os outros falavam, nem começar a falar enquanto
alguém não lhe dirigisse a palavra".
“Eco, de fato, só podia repetir a fala alheia, devido a
um castigo que lhe aplicou Juno (Hera), porque, em tempos idos, ela ficava a
tagarelar, desviando a atenção da deusa, que assim não conseguia surpreender
seu esposo Júpiter (Zeus) em companhia das ninfas nas encostas das montanhas”.
“Enamorada, Eco desejava
transmitir ao seu amado tudo o que sentia, mas não podia fazê-lo, por força do
castigo sofrido. Quando Narciso, percebendo sua presença, indagou: "Há
alguém aqui?", apenas ecoou: "Aqui!" E o que se seguiu, foi o
único diálogo possível”:
-"Aproxima-te!" - exclama o jovem.
-"Aproxima-te!" - repete o eco.
Olhando para trás de si e em torno, surpreso, sem ver
ninguém se aproximando, indaga:
-"Porque foges de mim?".
- "..foges de mim" - ressoa Eco.
- "Aqui nos encontraremos!"!
-"...nos encontraremos!" - reverbera,
entusiasmada e, crendo ser desejada, sai da vegetação e corre a enlaçar-se no
pescoço do mancebo. Este, porém, foge dela, dizendo:
-"Retira as mãos de mim, não me abraces! Que eu
morra antes de conceder-te poder sobre mim"
-"Conceder-te poder sobre mim" reitera e se
cala.
“Rejeitada, recolhe-se entristecida à floresta, passa a
viver nas cavernas vazias, não come, nem dorme, definha, enruga-se e
descarna-se, até que todo o viço do seu corpo se desfaz no ar, só lhe restando
a voz e os ossos, e depois nem esses mais, pois dizem que se transformaram em
pedra”. E agora "esconde-se nas florestas e já não é vista nas encostas
das montanhas; mas todos a podem ouvir, pois a voz, e somente a voz, ainda
vivem nela".
“Continuando a desprezar moças e rapazes, desdenhou as
ninfas das ondas e das montanhas, até que uma das jovens desdenhadas bradou aos
céus: "Pois que possa ele amar a si mesmo e não obter aquilo que
ama!".
Moral da história: a boa
fama começa no albor da vida e eleva a autoestima, é reconhecido com dignidade
cujo eco se espalha pelos os campos verdejantes da eternidade. A má fama é o
tropeço da vida onde o tiro sai pela culatra pelo mal que tem causado as outras
pessoas, e, mais ou mais tarde, receberá a recompensa pela lei do retorno.
João Pessoa, 31 de maio de
2020.
SEVERINO
COELHO VIANA
scoelho@globo.com
FAMA
Reviewed by Clemildo Brunet
on
5/31/2020 09:21:00 AM
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2 comentários
Bom dia tudo bem? Sou carioca e procuro novos seguidores para o meu blog. Novos amigos também são bem vindos.
https://viagenspelobrasilerio.blogspot.com/?m=1
Belicima matéria muito bom,parabéns amigo Severino,aqui do geraldinho filho de pombal e vivo no rio .
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