CLEMILDO BRUNET DE SÁ

MOMENTOS...

Clemildo Brunet
CLEMILDO BRUNET*

A vida humana é caracterizada por momentos. Momentos disso, momentos daquilo, momentos simples, momentos pomposos. Onde o ser humano seguir, ir e vir, o antitético é manifesto na simbologia dos momentos que se vive. Não há neste mundo quem não passe por momentos os quais desejaria que fossem repetidos, não obstante, há momentos que jamais deveriam ser lembrados.

Quão maravilhosos são os momentos dos que se amam. Juntos desfrutam as alegrias que o amor lhes proporciona, ansiosos para que as horas durem uma eternidade! Logo que se despedem, aguardam outro dia, sonhando com os momentos que tiveram, recarregando as esperanças de um novo encontro.

Quão triste, porém, são os momentos daqueles que perdem um ente querido, quando o infortúnio da morte lhes bate a porta; são lembrados com saudades, o que o pranteado morto gostava de fazer. Seu trabalho, entretenimentos, ações de bondade, relatos de família sufocando a dor da separação.

Momentos que passam... Angústias e sofrimentos, ainda bem que passam! Momentos que ficam guardados na lembrança e que jamais são esquecidos. Momentos que forçamos para nos lembrar e não conseguimos. Nosso ser se desespera, fica ansioso.

Momentos em que estamos só em meio a multidão como que perdidos numa grande floresta. Somos consumidos pela melancolia; um místico de solidão e desventura. Momentos que o pensamento vai e volta!

Momentos que se perdem a toa, sem nenhum significado, de nenhum proveito. Momentos de riquezas, vaidades, egoísmos, de lutas que jamais acabam. Momentos de aconchego, de exaltação e desprezo. Momentos que fingimos esquecer!

Momentos que nos falta um amigo, momentos de encontros e confraternizações. Momentos de alegria e prazer. Momentos que provamos a dor, momentos que a felicidade nos invade. Momentos que nos marcam.

Momentos de festas... Nascimentos, batizados, casamentos, Natal, Ano Novo. Momentos de procura, de reconciliação, de novas amizades e de reencontro com os amigos. Momentos que ficam!

Momentos são iguais àqueles
Em que eu te amei
Palavras são iguais àquelas
Que eu te dediquei
Eu escrevi na fria areia
Um nome para amar
O mar chegou, tudo apagou
Palavras leva o mar

Teu coração praia distante
Em meu perdido olhar
Teu coração, mais inconstante
Que a incerteza do mar
Teu castelo de carinhos
Eu nem pude terminar
Momentos meus que foram teus
Agora é recordar..

Nossos Momentos (1960)
Elizeth Cardoso
Composição: Haroldo Barbosa / Luiz Reis

FELIZ ANO NOVO!

Pombal, 28/12/2010
*RADIALISTA
Contato brunetco@hotmail.com
Twitter: @clemildobrunet
Web. www.clemildo-brunet.blogspot.com

A SAGA DOS VENDEDORES DE REDE DA PARAÍBA

Eronildo Barbosa
Eronildo Barbosa*

Compre uma rede meu bom patrão/Sou Paraíba /Sou redeiro do sertão/É rede boa, tem tieta e tem jamanta/Tem manta crua e bordada/Feita de puro algodão. (Tihino de Almeida)

Dezenas de jovens cruzam as ruas de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e de outras cidades do estado levando sobre os ombros um pesado fardo de rede de dormir, com aproximadamente 20 quilos, que, depois de algumas horas, conforme me relatou o redeiro Chico do Cego, a sensação é que o peso triplica.

A imensa maioria desses trabalhadores veio da Paraíba, da pequena São Bento do Brejo do Cruz, importante centro de fabricação de rede. Todos os dias, em média, cinco caminhões carregados de rede partem desse munícipio para os grandes centros do país, isso sem falar da produção de outras cidades da Paraíba e do Ceará.

A confecção de rede é uma tradição antiga no Nordeste. Começou com os índios bem antes da frota de Cabral aportar naquela Região, entretanto, com a introdução das máquinas de tear, no século XIX, foi largamente difundida. Depois, na década 1960, com a instalação de máquinas mais modernas, a produção de rede que estava voltada para o Norte e Nordeste, ganhou escala e passou a atender também as praças do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da América do Sul.

A conquista dos grandes centros pelos vendedores de rede foi ancorada em relações de trabalho típicas do início do século XX. Alguns donos de fábrica de rede reuniram centenas de jovens, prometeram dias melhores para todos, e partiram para vender suas mercadorias pelos rincões do Brasil.

Essa iniciativa ensejou o nascimento de uma das mais complicadas relações de trabalho que se tem notícia no Brasil. O redeiro, até os dias de hoje, não tem a garantia assegurada pela Legislação Trabalhista Nacional. Não tem contrato e nem carteira de trabalho registrada. Ele se desloca de uma cidade para outra em cima de caminhão baú, com 12 metros quadrados, junto com rede e malas, num total de vinte pessoas por veículo, na sua expressiva maioria analfabetos, portanto, em tese, mais vulnerável à exploração econômica e social.

Dorme nos postos de gasolina, no relento, em rede armada na lateral do caminhão. Em Campo Grande o posto escolhido é o (Sem-Limite) na saída para São Paulo. Pela manhã, cedo, o redeiro organiza seu fardo de rede e sai sem rumo pelas ruas da cidade à procura de clientes. À noite, cansado, sem uma melhor alternativa, se diverte bebendo e jogando sinuca, sem se esquecer da buchada de bode que vai saborear quando voltar à terrinha.

Até o final da década de 1980 o retorno econômico com a venda de rede era positivo. Isso permitia que o redeiro mandasse dinheiro para a família ou comprasse moto, terreno, entre outros bens, mas, com a crise econômica dos anos 1990, caiu enormemente à demanda por rede, inclusive alguns mais experientes largaram a profissão e foram labutar em outras atividades.

Na tentativa de driblar a crise, o remédio adotado pelo capital foi aumentar o número de vendedores por carro. Nessa nova fase garotos de 14 e 15 anos foram cooptados normalmente e subiram nos caminhões para ganhar o mundo, mas, por outro lado, perder parte importante da sua adolescência.

Para burlar alguns Postos Rodoviários da Paraíba que proibiam menores em caminhão de rede, os corretores enviavam seus vendedores em automóveis, até um local que não houvesse mais a ameaça de serem identificados. O pior é que os garotos abandonavam os estudos para se aventurar numa atividade informal e duvidosa.

Daí que era muito comum encontrar meninos com um fardo de rede sobre as costas, quase do seu tamanho, pelas ruas de Campo Grande, fazendo de tudo para vender uma rede, na qual, com muita sorte, ganharia em torno de 35% por peça.

O Ministério Público da Paraíba foi acionado e tem tomado providências para tentar modernizar as relações de trabalho nesse setor. Não se tem mais visto garotos vendendo redes, mas, por outro lado, continuam as ilegalidades, basta conversar com algum redeiro que ele conta às dificuldades que enfrenta pelo fato de continuar trabalhando na informalidade.

Quando escrevia esse artigo liguei para um corretor e perguntei por que o vendedor de rede não tem sua carteira de trabalho registrada como manda à lei. Ele me respondeu, sob a condição de seu nome não ser citado, que se isso acontecer a economia da cidade de São Bento vai quebrar. Esse argumento é tão falso quanto aqueles usados pelos donos de escravos que juravam de pé junto que só não libertavam seus cativos porque a economia brasileira entraria em crise.

*Eronildo Barbosa é professor universitário e autor do livro Sindicalismo em Mato Grosso do Sul – 1920 / 1980.

POIS É, PROFESSOR VIEIRA,

Jerdivan N. Araújo
Nós que já vivemos, muito, tudo e tão bem (se é que viver é demais) agora sonhamos em reviver este nosso passado maravilhoso de tantos amigos e aventuras dentro dos nossos textos.

O bom dos nossos desejos e sonhos é que eles são um tanto que coletivos. As pessoas das nossas aventuras de adolescentes estão por ai sonhando os mesmo sonhos e querendo ler ou ouvir uma estória que as leve de volta as sombras das algarobas, Coreto do Centenário, Avelosão ou ingazeiras do rio Piancó.

Estive em Pombal e ouvi muita gente dizer que chorou ao ler o livro que fiz Ignácio. Chorar pode ser de alegria, de saudade e às vezes de tristeza. Os nossos textos permitem que se chore por um dos três motivos.

Aos que morreram na flor da idade deixando mesas vazias e fotos amareladas pelas lágrimas dos nossos pais, fica a saudade. Por isso, é bom poder dizer que como disse o poeta que embalou nossa juventude:

“Quando eu estou aqui
Eu vivo esse momento lindo
Olhando pra você
E as mesmas emoções
Sentindo...

São tantas já vividas
São momentos
Que eu não me esqueci
Detalhes de uma vida
Histórias que eu contei aqui...”

Não sei de outras cidades, mas falo da nossa Pombal, onde eu vi e vive momentos inesquecíveis. Alguns que, naquele instante não queríamos testemunhar, mas que a história nos colocou ali naquele momento, como a morte de Lúcio Flávio, Zé Piloto, Bau, Tião, Vigó, e tantos outros que cedo deixou saudade.

Porém, entre mortos e feridos, nos restam às boas estórias a serem contadas. Historia dos Parques na Festa do Rosário, dos álbuns de figurinha colecionados no armarinho de Antonio de Cota e que me leva ao nosso Gilmar de António de Cota, amigo do G. E João da Mata.

Hoje, quando abria o blog de Clemildo, o que faço todos os dias em busca de estórias da nossa terra, eu me lembrava dos comícios do “Bolinha”, ele sempre cercado de correligionários ou levado nos braço pelo seu povo. Você lembra-se do “Bolinha”? Lembra-se das musicas de Biró de Beradeiro no tempo das eleições?

“Avelino é candidato de conceito.
Com Nelito vão marchar para a vitória.
O povo já lhes considera eleitos.
Vai ser o nosso Prefeito
Que vai ficar na história
Pombal agora
Vai dar um passo à frente.

Duas figuras decentes.
Vão governar sem demora.
É Avelino e Nelito que o povo quer.
Vai ser nosso Prefeito
Em Pombal se Deus quiser”

Tanto tempo, não?

Eu havia prometido não mais escrever sobre nossas reminiscências. Havia prometido que já chega de reviver o passado. Mas, vez por outra me pego viajando na máquina do tempo que é esse nosso cérebro, que tanto nos leva ao futuro como nos transporta de volta ao passado de uma cidade onde homens e animais, cruzavam as ruas sem pressa, onde a noite podia-se sentar em cadeiras nas calçadas das Ruas do Comércio e de Baixo para ouvir boas histórias contadas pelos mais velhos, estes construtores da nossa cidade que nos legaram tão boas estórias a ser contada, como as que hoje leio nos textos de Ignácio Tavares, seus e do nosso Paulo Abrantes.

Eu também quero de volta o Cine Lux, os Sobrados, o Bloco de Sujos, Os Águias, os bailes na SAOB, os trabalhadores da Brasil Oiticica, e as ruas do nosso tempo. Quero e as tenho quando fecho os olhos, apenas. Se o tempo os transformou em cinzas e “a força grana que ergue e destrói coisas belas” fez o seu papel, hoje, na minha idade, o que importa é o que eu posso e sou capaz de reconstruir dentro de mim.

Se eu quiser ainda posso entrar no Mercado Publico e encontrar Valdemar soldado vendendo Feijão, Zé Peixoto, João de Mocinha e seu Benigno vendendo macaúbas, de quem sempre roubávamos uma ou duas, antes de descer para o banho no Rio Piancó. (Nego Rubens me disse certo dia que sabia que eu roubava aquelas macaúbas, mas, não sei por que só agora ele me confessou. Nós sempre achávamos que fazíamos tudo certinho).

O nosso mundo, quando já se viveu meio século, é abstrato, principalmente hoje quando tudo muda a cada segundo e somos considerados absoletos a este mundo.

Na semana passada recebi um telefonema de João Maria de Cabina dizendo que ao ler uns textos meus chorou como uma criança. Ele disse que voltou a ser menino e correr pela Rua de Baixo. Ate lembrou-se de outras histórias que estavam presas na sua memória. Lembrei-me até das brigas de Godo com Enedina -, disse-me.

Portanto, você esta certo ao dizer que:

“Todo ser humano cria ao longo dos anos seu mundo de fantasia e nele se delicia sem nenhuma justificativa, pois as palavras não explicam os sonhos Cada um tem algo a realizar ou conquistar; são desejos, vontades, anseios, sentimentos que se resumem numa só palavra: sonhos.

Nosso desejo talvez seja levar os nossos conterrâneos de volta as ruas de Pombal de antes de 1980.

Continue fazendo isso que segurei teus rastros.

Joao Pessoa, agora, de 2010-12-29

Jerdivan Nóbrega de Araujo

OS SONHOS QUE ACALENTO...

Prof° Vieira
Por Francisco Vieira*

Sonhar é possível, realizar o sonho, nem sempre.

Todo ser humano cria ao longo dos anos seu mundo de fantasia e nele se delicia sem nenhuma justificativa, pois as palavras não explicam os sonhos Cada um tem algo a realizar ou conquistar; são desejos, vontades, anseios, sentimentos que se resumem numa só palavra: sonhos. Alguns são possíveis, outros, presos ao mundo abstrato, estão além das possibilidades humanas, por isso, não passam de imaginação, são simplesmente sonhos. Contudo, sonhamos. Não há, portanto, uma pessoa sequer que não acalente um sonho na vida, quer seja novo ou antigo, proibido ou não, viajam no mundo imaginário alimentando a esperança de concretizá-los. Assim, pelo menos em sonhos nos sentimos senhores de nós mesmos, de nossas vontades, poderosos e capazes de dominar até o mundo. Segundo Paulo Coelho “o mundo está nas mãos daqueles que tem a coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.”

Quem neste mundo não deseja galgar um curso superior e projetar-se no mundo infinito do conhecimento; quem não aspira sua independência através de um bom emprego? Quem é que não sonha conquistar a mulher amada, adquirir o carro do ano, a casa própria, um passeio de férias ou conhecer pessoas importantes que se tornaram ídolos. Enfim, quem não aspira alcançar uma vida estável. Com certeza gostaríamos de realizar todos esses sonhos para satisfação do nosso ego e se dependesse de nossa egocêntrica vontade, todos de uma só vez. Almejamos o bom, queremos o melhor, sonhamos com a felicidade – se é que podemos chamar isso de felicidade.

Via de regra, também alimento sonhos. São vontades sonhadas, algumas desde a mais tenra idade que vem desde a infância e da adolescência e que ainda permanecem sonhados e perseguidos na esperança de concretizá-los um dia para massagear o ego.

Para os insensatos todo sonhador é um louco, vive fora da realidade. Em resposta, prefiro antes ser louco ser sonhador que não ter o prazer de sonhar. Quem sonha ama a liberdade.

Ser sonhador é adormecer sonhando com coisas boas e não querer acordar. É valorizar o sonho sabendo que nele reflete seus anseios. É ser ousado e cultivar com teimosia a esperança de tornar os sonhos realidades.

Neste artigo falo de mim mesmo onde me denuncio um sonhador e revelo sonhos que podem parecer futilidades. O curioso é que são simples, por isso, fáceis de realizar. Por outro lado me faz uma pessoa de poucos sonhos - o que é bom – pois é sinal que tenho realizado a maioria deles.

Portanto, mergulhando no campo do sobrenatural, dando asas a imaginação, vislumbro sonhos que gostaria de alcançá-los. Viajando nos ares da fantasia me vejo em sonho desfilando pela “Mangueira” – minha escola do coração - e de preferência na bateria, tocando qualquer instrumento de percussão e conquistar o título de campeão do carnaval.

Outro sonho que proporcionaria alegria seria ver o Botafogo F. R conquistar mais um título de Campeão Brasileiro - desculpem os rubro-negros a sinceridade – vencendo o Flamengo na final por um placar no mínimo de 4 x 0.

Ah! Como gostaria de comemorar em festa o aniversário de casamento. Que essa festa fosse animada por conjuntos musicais da Jovem Guarda como Renato, Fevers, Incríveis, The Pops e os cantores Roberto e Erasmo Carlos, Agnaldo Timóteo, Jerry Adriane, Wanderley Cardoso e outros, onde eu pudesse dançar a noite inteira e reviver os anos sessenta.

Se possível fosse também gostaria de reunir os amigos de infância. Como seria bom relembrar o passado e gargalhar das travessuras cometidas. Seria melancólico lembrar os que já se foram; uns levados pelas águas frias e traiçoeiras do Rio Piancó como Jair de D. Lídia ou esmagado pelo peso da carranca de um trem de ferro que implacável ceifou a vida de Arereu de João Espalha. Sentir a falta de seu irmão Joãozinho e suas histórias recheadas de aventuras e sensacionalismo. Seus detalhes eram tantos que pareciam até verdades. É que a mentira bem contada faz até o próprio autor acreditar nela.

Lembrar ainda num só tempo de Zé Piloto e Branco de D. Neném, ambos debulhando um rosário de nomes obscenos. Parece até que estudaram na mesma cartilha.

Enquanto isso, aproveitar a rara oportunidade e reunir com todos, de preferência no Bar Centenário ou Praça Getúlio Vargas e puder conversar com Pretinho meu irmão – era assim que eu chamava - Clemildo Brunet, Assis Caetano, João Costa (filho de Chicó), André e Francisquinho de Toinho Queiroga, Ghandy e Nequinho de Seu Lelé, Paulo Abrantes e Carlito, Biú de Maurício Bandeira, Mundinho e Fitita de Zé Canuto, Mané Maluco, Toneco de D. Preta e outros. São tantos que é impossível enumerá-los. Suas histórias são inúmeras e relembrá-las é também impossível, pois muitas se desgastaram com o tempo, caíram no rol do esquecimento.

Tudo isso, embora pareça exagero, são apenas sonhos, e sonhar não estabelece limites, portanto, não devo ser interpretado de outra forma, senão, como um sonhador. E, como o verdadeiro sonhador é aquele que não desiste do sonho vou continuar sonhando, esses e outros sonhos que não contei, vou seguir perseguindo OS SONHOS QUE ACALENTO.

Pombal, 27 de dezembro de 2010.
*Professor, ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata, ex-Secretário de Administração do Município de Pombal.

É NATAL!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*

Nesta época, as pessoas sentem-se motivadas para se doar de forma mais humana envolvidas pelo o espírito cristão de comemorar o nascimento de Jesus Cristo. As cidades ficam cintilantes de lâmpadas multi coloridas, árvores são montadas com ornamentações esplêndidas, trocas de presentes, mensagens e outros apetrechos do momento são utilizados deslumbrando aos nossos olhos, o que há de mais lindo, para que nos regozijemos com o evento, repetido anualmente.

O pensamento humano vagueia sobre o Natal e o seu significado. Para alguns, Natal é reunir a família, os amigos e se banquetearem numa noite, em meio a uma conversa em que o aniversariante não participa nem é lembrado, pois os assuntos giram em torno de interesses puramente especulativos como política, trabalho, planos para o ano, lembranças do que passou, falar mal das pessoas, etc.

Para outros - Natal é Papai Noel distribuindo presentes com a criançada. É uma figura lendária que embora apareça somente nessas circunstâncias veio se tornar uma simbologia do Natal, no modo de doar presentes aos pequeninos, abraçá-los e receber a gratidão deles. Os pais sabem da realidade. No entanto, a criança absolve as estórias sobre Papai Noel como verdade.

O Papai Noel : origem e tradição

Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.

Foi transformado em santo (São Nicolau) após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.

A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.

Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Ainda para outros, Natal é montar o Presépio ou visitá-lo na data magna da cristandade.

Significado do presépio de Natal

O presépio é uma montagem com peças, que faz referência ao momento do nascimento de Jesus Cristo. Com o menino Jesus na manjedoura ao centro, o presépio apresenta o local e os personagens bíblicos que estavam presentes neste importante momento cristão.

Origem do presépio de Natal

De acordo com fontes históricas, o primeiro presépio foi montado por São Francisco de Assis no Natal de 1223. O frade católico, montou o presépio em argila na floresta de Greccio (comuna italiana da região do Lácio). Sua ideia era montar o presépio para explicar as pessoas mais simples o significado e como foi o nascimento de Jesus Cristo.

No século XVIII, a tradição de montar o presépio, dentro das casas das famílias, se popularizou pela Europa e, logo em seguida, por outras regiões do mundo.

Tradição da montagem do presépio

É tradição em várias regiões do mundo a montagem do presépio na época de Natal. Os presépios podem varias em tamanho e materiais usados. Existem presépios minúsculos e outros em tamanho real. As peças podem ser feitas de madeira, argila, metal ou outros materiais. O mais comum, atualmente, é a montagem dentro das casas das famílias cristãs. Porém, encontramos também presépios em lojas, empresas, praças, escolas e outros locais públicos.

Outra prática para as comemorações do Natal é reunir todos da casa ao redor da árvore ornamentada com diversos símbolos, e retirar dela os presentes que são entregues a cada membro da família. Para este grupo de pessoas, isso é Natal.

História e significado da árvore de Natal

Em vários países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para enfeitar casas e outros ambientes. Junto com as decorações natalinas, as árvores garantem um clima especial nesta importante época do ano.

De acordo com pesquisadores das tradições cristãs, a montagem de árvore de Natal teve início no ano de 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Numa determinada noite, enquanto andava pela floresta, Lutero ficou impressionado com os lindos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a formar a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua residência. Além das estrelas, algodão e outros ornamentos, Lutero usou velas acesas para mostrar aos seus familiares a linda cena que havia visto na floresta.

Esta tradição chegou ao continente americano através de alguns alemães, que vieram residir na América durante o período colonial.

No Brasil, país em que o cristianismo prevalece, as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares na época natalina, pois, além de decorar, simbolizam paz, alegria e esperança. As árvores de Natal também simbolizam a vida, pois em dezembro no hemisfério norte, ocorre o inverno e as árvores perdem as folhas. Uma árvore frondosa e cheia de enfeites simboliza a vida.

Dia de montar a árvore de Natal

- De acordo com a tradição católica, a árvore de Natal deve ser montada a partir do dia 30 de novembro, que é o começo do período do advento. Sua montagem deve ser aos poucos, intensificando-se a partir de 17 de dezembro (momento em que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus). Em 6 de janeiro (Dia de Reis), de acordo com esta tradição, é o dia de desmontar a árvore de Natal.

Mas, para o verdadeiro cristão, o Natal e seu significado são:

Deus com os Homens!

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”Jo 1:14

“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” Mt. 1:21

“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Jo 1: 29

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida Eterna” Jo.3:16

BOA-NOVA DE SALVAÇÃO!

“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Lc 2:10

Feliz Natal!

Pombal, 22/12/2010

Bibliografia: Sua Pesquisa.com

*RADIALISTA


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FUTEBOL POMBALENSE (1920-1990)

Eronildo (foto)
Eronildo Barbosa*

“Quem não sonhou em ser um jogador de futebol”( Skank)

Tive o prazer de ler o livro Futebol Pombalense (1920-1990), do pesquisador Verneck Abrantes, que decidiu lançar luzes sobre a história do Brasil a partir do município. Está fazendo aquilo que Michel Foucault, filósofo Francês, chamou de Micro-História.

Com as condições que tem ele vai à luta. Garimpa dados em Museus, Cartórios, Igrejas, Jornais, Bibliotecas, Cemitérios, Casa de família, entre outras fontes, inclusive a oral, com o compromisso de legar as novas gerações informações sistematizadas sobre fatos relevantes de Pombal.

Nessa oportunidade ele escolheu o futebol de Pombal como objeto de investigação. A decisão foi acertada porque poucos conhecem a história desse esporte, na terrinha, como o autor.

No início dos 1960 Verneck já transitava com facilidade no ambiente futebolístico de Pombal. Viu jogar boleros como Agnelo, Natal Queiroga, João Rapadura, Dilau, Carrinho, Panela, Buá, Luís de Camilo, Nêgo Adelson, entre outros da chamada velha-guarda do futebol, coesionada em torno do São Cristóvão Futebol Clube.

Mais tarde, na segunda metade dos anos 1960, já como atleta, Verneck dividiu os campos e as quadras com Carlos Cesar, Ridinei, Almivan, Condida, Esdras, Bosco, Mosquito, Amauri, Manezinho,Tuzin e outros craques do seu tempo.

O fato de Verneck ter vivenciado esse processo facilita muito o trabalho de investigação, porém, não é determinante para êxito da empreitada. O sucesso depende do esforço desenvolvido para encontrar documentos que respaldem a pesquisa. E isso Verneck fez muito bem.

As fotos dispostas ao longo do livro é outra obra à parte. Ver os jogadores trajando camisas com manga comprida, com cadarço para amarrar a gola, toca na cabeça como os antigos jogadores ingleses, além do estandarte do time na mão, é uma delícia.

O livro mostra mais: quem anda pelas ruas centrais de Pombal não sabe que nos terrenos em que foram construídos o açougue e o bar-centenário eram campos de futebol, onde Agnelo e outros jogadores mostravam suas discretas habilidades nas quatros linhas.

Verneck deixou o povo falar em seu livro. São vários os depoimentos de pessoas que ajudaram a desenvolver o esporte na terrinha. Algumas histórias são mais do que hilariantes. O porco, doente, que foi servido aos atletas de Pombal por ocasião de um jogo de futebol em Cajazeiras; ou as camisas de um time de futebol que, quando lavadas, deixou a água do Rio Piancó avermelhada, graças a precariedade do tecido e da tinta, não pode deixar de ser lida pelos amantes do futebol e da boa literatura.

Até o autor dessas linhas, um interessado na história de Pombal, foi comtemplado no livro do Verneck. Um artigo que escrevi em abril de 2009, em que trato da importância do Campinho do Ginásio Diocesano para minha geração, publicado no site da Rádio Liberdade, foi agasalhado nessa obra.

O livro é muito bom. As histórias permitem que o leitor faça uma bela viagem a Pombal de antigamente. Só senti falta de uma bibliografia. Ela é importante porque aponta pistas para outros pesquisadores que querem dá continuidade a essa investigação.

Boa leitura. Boas gargalhadas. Valeu Verneck!

*Eronildo Barbosa é professor universitário autor do livro Sindicalismo em Mato Grosso do Sul -1920-1980.

RICARDO COUTINHO: SEGURANÇA COMO POLÍTICA PÚBLICA...

CLEMILDO BRUNET*

Ultimamente tem crescido cada vez mais a criminalidade na Paraíba. É do conhecimento dos paraibanos o descuido dos nossos governantes no setor da segurança pública em nosso estado; haja vista, que dois anos atrás foi publicada uma pesquisa constando que a criminalidade havia crescido oito vezes mais que a população, segundo dados oficiais da Secretaria de Segurança e defesa Social (Seds). Ocorrências de crimes tiveram alta de 30% nos últimos cinco anos, oito vezes mais que a população com apenas 3,48%.

A nossa capital tem sido considerada a cidade mais violenta deste estado, registrando-se taxa de 747 crimes para cada 10 mil moradores. Condomínios, residências, bancos com explosões de caixas, casas lotéricas, agencias de correios e até delegacia de polícia foram e tem sido alvo das ações devastadoras de bandidos que mesmo até durante a luz do dia, assaltam sem nenhum escrúpulo, aterrorizando as vítimas.

O Centro da cidade e os bairros de Manaíra e do Valentina Figueiredo são as áreas mais violentas. Mas a violência também campeia no Bessa, Cristo, Cruz das Armas, Mangabeira, Torre, Varadouro e Bancários. Os dados da Seds mostram, ainda, que 74,77 dos criminosos têm até 32 anos, e são desempregados, estudantes e serventes de pedreiros, em sua maioria (49,5% dos acusados identificados pela polícia).

Preocupado com a onda de violência que vem se alastrando em nosso Estado, O Governador eleito Ricardo Coutinho (PSB), na tarde da última terça feira dia 14 de dezembro, utilizando o seu miniblog (Twitter), um desses sites da rede social, ele mesmo, divulgou os nomes dos auxiliares que vão compor a grande força tarefa da segurança pública na Paraíba, certamente com tempo hábil para começar a planejar desde agora, as metas, com o fim de reduzir o índice de criminalidade no nosso Estado.

Diferentemente de outros governantes, Ricardo Coutinho deixa transparecer aos paraibanos, um novo modelo de governar, pois a escolha é do próprio governador, adotando o critério de capacidade técnica e não política, através de entrevistas e diálogos com a Polícia Civil, Militar e Corpo de Bombeiros, querendo assim a integração dessas corporações com o fim de unir as forças de segurança para combater a criminalidade. Veja o perfil dos escolhidos que a partir de janeiro de 2011, ficará a frente do comando da segurança pública em nosso Estado:



Secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social:
Dr. Claudio Coelho Lima
Delegado da Polícia Federal, natural do Ceará, formado em Direito pela Universidade Mackenzie e com Curso Superior de Polícia. Possui cursos de Gestão e Inteligência Policial e Planejamento e Gestão de Operações Policiais, pela Academia Nacional de Polícia. Já foi superintendente regional da Polícia Federal nos Estados do Maranhão e da Paraíba e secretário de Defesa Social de Pernambuco, um dos responsáveis pela implantação e execução do programa estadual de Segurança Pública, denominado Pacto pela Vida.


Secretário Executivo da Segurança Pública e da Defesa Social
Dr. Raymundo José Araújo Silvany
Natural de Salvador (BA), delegado da Polícia Federal aposentado, advogado, especialista em Gestão de Políticas e Segurança Pública. Atuou como chefe da delegacia de Polícia Federal de Campina Grande; chefe do Núcleo de Inteligência da Superintendência da Delegacia da Polícia Federal da Paraíba; Corregedor Geral da Secretaria da Defesa Social de Pernambuco; chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários da Delegacia de Polícia Federal do Maranhão.



Comandante da Polícia Militar
Coronel Euller de Assis Chaves
Natural de João pessoa, formado pelo Curso de Formação de Oficiais pela Polícia Militar do Ceará e bacharel em Ciências Jurídicas pelo Unipê. Possui pós-graduação em Gestão Estratégica da Segurança Pública; Planejamento Estratégico e Gestão em Policiamento Comunitário e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas no Serviço Público. Já foi comandante do Pelotão Especial de Choque; Ajudante de Ordens do Governador; presidente da Comissão de Licitação da PMPB; chefe de gabinete do Comandante Geral; Comandante do Centro de Educação da PMPB e Ouvidor da PMPB.



Subcomandante da Polícia Militar
Coronel Washington França da Silva
Formado no Curso de Formação de Oficiais, promovido pela Academia de Polícia Militar da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul (1987); Graduado em Pedagogia, pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB (1998); Possui Pós-Graduação em Políticas Públicas de Justiça Criminal e Segurança Pública, pela Universidade Federal Fluminense – UFRJ (2002); Comandante da Academia de Polícia Militar do Cabo Branco (2004-2005); Comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (2005-2006); Coordenador Estadual do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROEERD) na Paraíba (2000-2001 e 2008-2009); Chefe da 3ª Seção do Estado-Maior Geral da Polícia Militar da Paraíba (2008-2009); Corregedor da Polícia Militar do Estado da Paraíba (2010).




Delegado Geral da Polícia Civil
Dr. Severiano Pedro Nascimento Filho
Natural de Campina Grande é formado em Direito e mestre em Direito e Desenvolvimento pela Universidade do Ceará. É professor de Direito da Universidade Estadual da Paraíba, onde coordena o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência e atua como chefe adjunto do Departamento de Direito Privado. Atuou como Diretor de Ensino da Academia de Polícia Civil, Assessor de Ações Estratégicas da Polícia Civil e Corregedor da Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba.



Comandante Geral do Corpo de Bombeiros
Coronel Jair Carneiro de Barros
Natural de João Pessoa fez o Curso de Formação de Oficiais pela Academia de Bombeiro Militar do Distrito Federal, com pós-graduação em Gerenciamento Estratégico nas Organizações; Planejamento Estratégico e Cenário Prospectivo e MBA em Gestão Estratégica de Pessoas na Administração Pública. Já foi comandante dos Batalhões do Bombeiro Militar de João Pessoa, Cabedelo, Patos e Campina Grande, além de subcomandante da Academia de Polícia Militar e coordenador do Curso de Formação de Oficiais.



Subcomandante Geral do Corpo de Bombeiros
Coronel Denis da Silva Nery
Natural de João Pessoa, oficial formado pelo curso de Formação do Corpo de Bombeiro Militar do Rio de Janeiro e Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Possui especialização pelo Ministério da Aeronáutica, de Polícia Judiciária do Centro de Ensino da PMPB; e superior de comando na Escola de Bombeiro Militar do estado do Rio de Janeiro. Já esteve nas funções de chefe do estado Maior do Corpo de Bombeiros; subcomandante geral do Corpo de Bombeiros; Corregedor; Comandante da 1º seção de Combate a Incêndio e diretor de Atividades Técnicas, dentre outras.



Secretário Chefe da Casa Militar do Governador
Coronel Fernando Antônio Soares Chaves
Natural de João Pessoa, oficial formado pela Polícia Militar do Estado de Goiás, bacharel em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente está fazendo doutorado em Direito Civil pela Universidade de Ciências Sociais da Argentina. Ele é especialista em Direito Penal e Criminologia, com curso de Segurança de Autoridades. O coronel foi um dos responsáveis pela implantação da Operação Manzuá; comandante da Cptran; chefe da Divisão de Ensino da PMCE; chefe da Assessoria Militar da Assembleia Legislativa da Paraíba e chefe da Assessoria Militar da Procuradoria de Justiça do Ministério Público e Comandante do Batalhão de Polícia Militar de Sousa e de Cajazeiras.



Diretor do Instituto de Polícia Científica
Dr. Humberto Jorge de Araújo Pontes
Graduado em Farmácia pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB (1986). Perito Criminal Oficial, Classe Especial, do Instituto de Polícia Científica do Estado da Paraíba (desde 1989); Gerente Executivo da Gerência de Criminalística do Instituto de Polícia Científica do Estado; Instrutor da Academia de Polícia Civil do Estado da Paraíba – ACADEPOL (2003-2006); Coordenador do Curso de Formação dos Servidores do Instituto de Polícia Científica do Estado (2004-2010); É o atual Presidente da Associação Brasileira de Criminalística.



Secretária da Gerência Executiva de Polícia Civil Metropolitana
Dra. Daniela Vicuuna
Natural de Goiânia (GO), ela é bacharel em Direito e especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos. Foi delegada de Homicídios de João Pessoa por cinco anos e, atualmente, ocupa o cargo de corregedora auxiliar da corregedoria de Polícia Civil da Paraíba.

Delegado Regional de Polícia Civil da Segunda Região – Campina Grande
Dr. Wagner Paiva de Gusmão Dorta
Formado em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB (2003); Possui Especialização em Aperfeiçoamento em Ciências Jurídicas no Curso Damásio de Jesus em Recife (2005); Delegado de Polícia Civil (2006-2009); Atualmente é Delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE); Comandou a Operação Espelho de Prata, que culminou no desmantelamento da Organização Criminosa que fraudava a emissão de Carteiras Nacionais de Habilitações.

Delegado Regional de Polícia Civil da Quinta Região – Patos

Dr. Cristiano Jacques de Lima Araújo
É Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda; Pesquisador Científico da AESO; Pós-Graduado pela Escola de Magistratura de Pernambuco; Coordenador do Grupo Tático Especial (GTE) de Patos.

Pombal, 16/12/2010

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UM PAULISTANO-PARAIBANO-POMBALENSE QUE É UNIVERSAL...

Maciel Gonzaga (Foto)
Por Maciel Gonzaga*

Lendo o jornal Tribuna do Norte, de Natal, na coluna “Livros”, lá estava uma nota que falava de “um paulistano-paraibano que é universal”. O fato me interessou. Logo quis saber de quem se tratava. E lá estava um comentário sobre o nosso ilustre W. J. Solha ou Waldemar José Solha. O comentário era sobre o livro intitulado “História Universal da Angústia”, de W. J. Solha, Editora Bertrand Brasil, 448 páginas. A nota rasgava elogios ao livro. Comentei com a minha esposa (Euclimar), que se tratava também de um pombalense, muito querido por todos nós, pois foi em Pombal que Solha aportou na Paraíba vindo trabalhar na agência do Banco do Brasil.

Na primeira oportunidade, fui à livraria Siciliano, no Shopping Midway Mall, aqui em Natal, a procura do livro. Não tinha. Mas, por sorte, encontrei um amigo advogado e também jornalista, que me indicou quem tinha o livro. Ligou para o colega e o mesmo afirmou dispor da obra. Fui buscar.

O livro de Solha é genial, incomparável e mostra todo o seu talento. É dividido em capítulos que mais parecem livros independentes, cada qual com sua característica, sem a necessidade de uma trama única. Não é um romance, portanto. São várias novelas sobre o mesmo tema, que revisita de forma original as dramáticas trajetórias dos grandes personagens de nossa cultura.

Através de sete narrativas longas, o autor recria à sua maneira - meio paulista, meio paraibana, totalmente brasileira, porém sem nunca perder o caráter universal - figuras históricas, mitológicas e literárias. Da Bíblia às catástrofes do século XX, passando pelas obras de Shakespeare e pelas tragédias gregas, Solha mescla arte e realidade ao elaborar uma obra erudita e, ao mesmo tempo, popular.

Como o próprio Solha afirma, História Universal da Angústia "tem muito de Zé Limeira... e dos nossos grandes poetas e cantadores Zé Ramalho e Vital Farias": o livro mostra o evangelista Lucas internado em um sanatório do Nordeste brasileiro, debatendo as razões divinas; o rei Saul diante da coragem de Davi derrotando o gigante Golias; centenas de cenas de violência moderna, incluindo torturas do tempo da ditadura militar e assassinatos domésticos; a lenda de Parsifal, escondido da violência do mundo pela mãe que o superprotege a ponto de negar-lhe conhecimentos fundamentais acerca da vida e dos homens, proteção que se revelará insana e inútil; Édipo e seu crime duplo, o parricídio e o incesto, e a conclusão de que a consciência é terrível, além de inútil; e Hamlet, com seu destino inquietante que eternamente inspira a arte. Embora no título esteja a palavra "angústia", o tema é a violência - física e moral. O termo escolhido por W. J. Solha refere-se à forma como todos lidamos com essas tragédias, de um jeito perturbador, sempre angustiado.

Gostei muito do segundo capítulo, A Angústia do Rei Saul. Aqui, o leitor ilustrado vai rir de tremer a barriga, ao percorrer as linhas eivadas de ironia e bom humor com que Solha nos presenteia. Do seu ponto de vista, o heróico rei judeu não passa de um trapaceiro, invejoso e sem caráter. E o famoso rei Davi, passa até por desconfianças quanto a, como diriam os politicamente corretos, sua orientação sexual. Uma beleza de texto que não deve ser lido por fanáticos religiosos.

W.J.Solha (Foto)
Waldemar José Solha, nascido em Sorocaba (SP), em 1941, é um escritor romancista, dramaturgo, ator, diretor de teatro e artista plástico, que engrandece o nosso Brasil, nossa Paraíba e a nossa Pombal. Radicou-se na Paraíba desde 1962. Escreveu os romances: "Israel Rêmora", Prêmio Fernando Chinaglia 1974, editado pela Record em 1975; "A Canga", 2º prêmio Caixa Econômica de Goiás, 1975, editado pela Moderna, de São Paulo, em 1978, e pela Mercado Aberto, de Porto Alegre, em 1984; “A Verdadeira História de Jesus", editado pela Ática, de São Paulo, em 1979; "Zé Américo Foi Princeso no Trono da Monarquia", lançado pela Codecri em 1984; "A Batalha de Oliveiros", Prêmio INL 1988,publicado pela Itatiaia, de Belo Horizonte, em 1989; "Shake-up", publicado pela editora da UFPb em 1997; E ainda o poema longo "Trigal com Corvos", publicado pela Palimage, de Portugal, em 2004, Prêmio João Cabral de Melo Neto 2005 como melhor livro de poesia do ano anterior e "História Universal da Angústia", Prêmio Graciliano Ramos 2006 e finalista do Prêmio Jabuti 2006.W. J. Solha tem passagens também pelo teatro. Escreveu e montou "A Batalha de OL contra o Gígante Ferr" em 1986, e "A Verdadeira História de Jesus" em 1988. Escreveu também "Os Gracos" (inédito), "A Bagaceira" e "Papa-Rabo" (montadas por Fernando Teixeira em 1982 e 1984), "Burgueses ou Meliantes" (montada por Ubiratan de Assis em 1988), "A Batalha de Oliveiros contra o Gigante Ferrabrás", Montada por Ricardo Torres em 1991. Fez os textos para "Cantata Pra Alagamar", música de José Alberto Kaplan, gravação Discos Marcus Pereira 1980, "Os Indispensáveis", para música de Eli-Eri Moura, apresentada em João Pessoa em 1992. Trabalhou como ator nos filmes “O Salário da Morte”, dirigido por Linduarte Noronha em 1969, “Fogo Morto”, dirigido por Marcus Farias, "Soledade", dirigido por Paulo Thiago (ambos de 1975), "A Canga", de Marcus Vilar, em 2001 e "Lua Cambará", dirigida por Rosemberg Cariry em 2002. É autor dos painéis "Homenagem a Shakespeare", de 1997, em exposição permanente no auditório da reitoria da UFPb, e "A Ceia", de 1989, no Sindicato dos Bancários da Paraíba.

Solha é tio da atriz brasileira Eliane Giardini. Aliás, foi com ele que a atriz fez seu primeiro trabalho no cinema. Sempre fez questão de dizer que escolheu vir trabalhar em Pombal e essa decisão influenciou a sua vida. Em nossa cidade, ele se encontrou com a arte, envolveu-se com artistas e estudantes onde diz que teve surpreendente descoberta de uma casta de intelectuais do mais alto nível em pleno Sertão paraibano. Sempre expressou toda sua gratidão a Pombal, relembrando o casamento, o nascimento dos filhos, os bate-papos com amigos, nos banhos de rio e de açude, com cachaça, arrubacão, tira-gosto e buchada de bode. Aqui, ao lado de José Bezerra Filho, Solha ajudou a fundar o TEP – Teatro de Estudantes de Pombal – e montou as peças: “Guerra de Canudos” e “O Vermelho e o Branco”, com grande sucesso de público e crítica. É por esta e outras razões que Waldemar José Solha é “um paulistano-paraibano-pombalense que é universal”.

*Jornalista, Advogado e Professor. Natal-RN.

O LIVRO DE VERNECK, FUTEBOL POMBALENSE (1920-1990)

Paulo e Verneck Abrantes (foto)
Por Paulo Abrantes*

Li “Futebol Pombalense (1920-1990) de um fôlego só. Dediquei-me à leitura entusiasticamente; era como se eu estivesse novamente em campo, na ponta direita do Panaty, cruzando para Nim de João Martins cabecear e fazer o gol. Assim foi Verneck, com este livro maravilhoso fazendo gol, com seus escritos, datas, fatos e fotos com o talento de quem sabe o que faz. A leveza da narrativa parece à suavidade de Velázquez, prendendo o leitor do começo ao fim. Já joguei nestes dias, lendo este livro, onde me achava fazendo gol em pleno aveloszão, me deliciando com os “causos” ali narrados.

Parabéns, Verneck, pela simplicidade e pela iniciativa de reunir em livro, um elenco futebolístico que já tinha fugido da história, mas nunca de nossa memória. Agora sim, está registrado, e tão bem registrado para as gerações futuras, é tanto que o livro já se encontra com a primeira edição esgotada. Ninguém soube contar tão bem esta página futebolística de sua terra, como você, é um livro que tem história, enredo e cheiro de Pombal. Suas crônicas são providas de uma característica incomum, por retratar, com absoluta fidelidade, o perfil e hábitos de seus conterrâneos, companheiros de futebol, tornando os fatos e fotos numa leitura tão gostosa.

O livro traz reminiscências de futebol, lembrando as figuras de Mestre Elísio, Cachorra Velha, Nêgo Adelson, Milico, Nêgo Índio e as bicicletas de Agnelo, jogadores do passado, que deixaram algo de pitoresco numa época de esplendor desse esporte na cidade.

Agora, deixo com vocês, não vou contar tudo para não perder a graça de lerem o livro. Só sei dizer que a história do futebol Pombalense prende o leitor, da primeira à última página. O livro é bem escrito. Merece ser lido e saboreado. É como diz o autor: Dizem que as pernas cansaram e o time do tempo venceu. E que já caminha com certa dificuldade. As glórias do passado, hoje, são apenas sonhos de um passado distante...

*Engenheiro Civil e Escritor

O PRIMEIRO "PORRE" NINGUÉM ESQUECE

Eronildo (Foto)
Eronildo Barbosa*

É bom chegar aos 50 anos e poder contar velhas histórias. Algumas boas, outras, não tão boas assim. O importante é dividi-las com as novas gerações de pombalenses que não tiveram, obviamente, a oportunidade de viver na terrinha no início dos anos 1970, década em que a cidade viveu importantes transformações econômicas e sociais, alavancadas pelas rodovias, televisão, Colégio Estadual, água tratada, telefone, entre outros benefícios.

Nesse período, no geral, o divertimento dos jovens, notadamente daqueles que nasceram no final dos anos 1950 e início de 1960, consistia em jogar bola no campinho do Ginásio Diocesano, tomar banho nas três pedras do rio, circular no bar-centenário, trocar figurinha no entorno da antiga rodoviária, além de assistir filme no Cine Lux, sem esquecer, claro, de comprar balas no fiteiro volante do Raildo Macena que, todas as noites, estava de plantão defronte ao cinema.

Para ter direito a esse lazer era necessário estudar. Uma parte dos jovens frequentava o Colégio Estadual Arruda Câmara, mas, até 1973, os que tinham uma melhor condição financeira estudavam no Ginásio Diocesano. As moças, que desejavam seguir a carreira de professora, frequentavam o Colégio das Freiras. Era uma delicia vê-las com saias pliçadas, azul, um pouco acima do joelho, desfilando garbosamente pelas ruas da cidade.

Os homens, à noite, por volta das 19:30 horas, ocupavam os bancos da Praça Getúlio Vargas. O assunto principal era futebol. Os bancos da referida eram de madeira, porcamente parafusados, o que ensejava que alguns ficassem soltos. Era a senha para à maldade. Quem sentava no final do banco corria o risco de se acidentar. Os que estavam no centro se levantavam ao mesmo tempo, combinado, provocando a inclinação da madeira e a queda do miserável.

Numa noite, quando esperávamos o corpo de Dr. Avelino chegar do Paraná, o motorista Nêgo Tana, falecido, foi uma das vitimas dessa antipática brincadeira. Só que o bicho pegou. Não ficou um moleque na praça. Todos dormiram mais cedo.

A Praça Getúlio Vargas é o coração de Pombal. Antigamente ela expressava a divisão de classes da cidade. Não era algo formal, claro, as coisas aconteciam normalmente. Cada tribo ocupava seu espaço nesse logradouro. Tinha até o lugar das “primas”, na esquerda do bar-centenário, próximo da velha televisão pública, cuidada por Lauro Barbosa.

Nos primeiros bancos, próximo a Igreja Matriz, ficavam o autor, Durão, Memém, Gato, Careca, Joaquim, Galego de Vanda, Macaco, Diar, Beba, Jurandir, Dedé, entre outros. Era um lugar estratégico, pois, aos domingos, éramos os primeiros a contemplar as beldades que saíam da missa, loucas para pecarem, como dizia Nêgo Breu.

Um pouco mais abaixo, defronte a casa de Pedro Adonias, se reunia um grupo mais experiente, de classe média, cujo debate principal era a politica. Integravam essa tribo: Antônio Neto, Leozinho, Geraldinho, Pedrinho, Werneck, entre outros. O germe do marxismo circulava nesse meio. Provavelmente por conta disso, os mais afoitos, tiveram que dar explicações à Policia Federal sobre supostas ações politicas que se efetivavam na cidade. Os homens da lei queriam saber a origem de umas “bombinhas” que foram detonadas no interior de um circo.

Nas proximidades da Coluna da Hora, por seu turno, outra tribo se reunia, embora não fosse fixa, para falar de futebol e outras amenidades, mas, vez ou outra, a politica entrava no centro, puxada por Wertevan Fernandes, defensor do velho e bom MDB de guerra. Integravam ainda esse grupo: Boquinha (José Tavares), Bilú, Candido Filho, Anchieta, entre outros. O autor, às vezes, participava dos colóquios dessa turma, embora não fosse de lá.

Certa feita, nessa praça, no final do ano de 1974, inspirados nos bons exemplos de Nero, Titico, Marçal, Chico de Camilo, Ignácio Tavares, Bajara, entre outros boêmios e amantes da boa pinga, resolvemos experimentar a “marvada”

Assim, no outro dia, nove horas da manhã, estavam o autor, Wertevan, Boquinha, Candido Filho e Bilú, no mercado, comprando um “tubo” de Pitú, como dizia Dorgival Barbosa, casco branco, duas latas de sardinha e meio quilo de farinha.

De lá partimos direto para o rio. Poucas horas depois a cachaça acabou. Restou apenas cinco jovens bêbados, sem saber direito como chegar em casa, pois, naquela época, sem prática, era natural que o corpo ficasse mole e pouco obedecesse ao que o cérebro ordenava. O corredor do Rio Piancó ficou pequeno. Foi um Deus nos acuda!

Recordo de poucos detalhes dessa experiência, estávamos todos na casa dos 15 anos, entretanto, sei que Candido Filho ficava correndo pela rua, com seu pai no encalço, com medo de entrar em casa. No caso do autor foi, sem dúvida, a pior noite vivida. A rede rodava com a mesma velocidade da roda gigante do Parque Maia. O cachorro, Veludo, ficou embaixo da rede esperando alguns nacos de sardinha.

Até hoje, mesmo depois de já ter consumido muitos litros de destilados, quando vejo alguém bebendo aguardente com sardinha, procuro um jeito de cair fora. Lembro-me rapidamente do “porre” de 1974.

*É professor universitário e autor do Livro Educação e Sindicalismo em Mato Grosso do Sul.

A BÍBLIA NA FAMÍLIA

Clemildo Brunet (Foto)

CLEMILDO BRUNET*

“No temor do Senhor, tem o homem forte amparo, e isso é refúgio para os seus filhos” Pv. 14:26


O tema acima foi sugerido pela Sociedade Bíblica do Brasil e aceito pelas diversas denominações evangélicas do nosso país, para celebrar de modo festivo o Dia da Bíblia neste segundo domingo do mês dia 12 de dezembro. Por sinal, muito bem colocado este tema, haja vista que a família tem sofrido desgastes variado em todos os aspectos das relações humanas e perante a sociedade. Filhos contra pais, pais contra filhos, filhas contra mães, mães contra filhas, irmãos contra irmãos, sogra contra noras e vice versa e por vai...

Acontece que na luta do bem contra o mal há ocasiões em que o mal parece vencedor, só que essa vitória, não levará muito tempo. Um dia o bem sobrepujará o mal. Para isso, a família e a sociedade como um todo, devem compreender e atentar sobre o sentido da vida nos ensinamentos da palavra de Deus.

Nós somos culpados deste mundo em desacerto, há uma ganância na espécie humana que, quem tem menos quer ter mais e quem tem mais quer muito mais ainda! Jesus foi, é, e tem sido referencial de discussões, no entanto poucos dão ouvidos aos seus ensinamentos. O Natal está chegando e muitos sequer lembram a que Ele veio e qual foi sua missão neste mundo. ELE disse: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”... ”Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”. Mt. 22:29 e Jo.5:39.

Segundo o dicionário da Bíblia de John D. Davis: Bíblia (em grego – Bíblia livros, no latim eclesiástico – Bíblia). Crê-se que a palavra grega bíblia, foi aplicada a princípio aos livros sagrados, por João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, entre 398 e 404 A. D. Etimologicamente considerada, a palavra Bíblia quer dizer “os livros”, e quando não for precedida por adjetivo, quer dizer que esses livros são tidos como um conjunto de escritos superiores a todos os outros produtos literários – são os livros por excelência. A mesma idéia se compreende na palavra Escritura e Escrituras.

A Bíblia – o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo – desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A necessidade de difundir seus ensinamentos, através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas. Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.400 línguas diferentes.

Ainda hoje em muitos lares cristãos se pratica o culto doméstico é um momento no lar em que se reúne a família logo após o café, para meditar em textos da bíblia, cantar louvores a Deus e fazer oração. Por esta razão devemos lembrar aqui o cuidado que Paulo tinha com os efésios no exercício da palavra, orientando sempre sobre o comportamento cristão em relação aos casados, aos filhos, aos empregados, patrões e ao próximo.

O Dia da Bíblia teve sua origem na Grã-Bretanha em 1549, pelo Bispo Cranmer, incluindo a data no livro de orações do Rei Eduardo VI, com a finalidade de interceder em favor da leitura da Bíblia. Aqui no Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando da chegada dos primeiros missionários evangélicos da Europa e dos EUA. O segundo domingo de dezembro, Dia da Bíblia, passou a integrar o calendário oficial de nosso país, pela Lei Federal 10.335, de 19 de dezembro de 2001, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo território nacional.

A incentivadora para as comemorações do dia do livro sagrado em nossa nação tem sido a Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 10 de junho de 1948, no Rio de Janeiro, a partir daí, assumiu atividades tais como: Tradução, produção e distribuição da Bíblia em todo território brasileiro. SBB esta é sua sigla é uma entidade filantrópica, social e cultural amplamente reconhecida pelos órgãos oficiais brasileiros com os seguintes títulos e certificados:

1965 - Título de Utilidade Pública Federal

1966 - Título de Utilidade Pública do Estado do Rio de Janeiro

1967 - Registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS)

1967 - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social

1998 - Título de Entidade de Utilidade Pública do Município de Barueri (SP)

1999 - Certificado de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Barueri (SP)

1999 - Título de Entidade de Utilidade Pública do Estado do Pará

2001 - Título de Utilidade Pública do Município de Belém (PA)

2001 - Certificado de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Recife (PE)

2002 - Ordem do Mérito Cultural

Além do trabalho na área de tradução e publicações de Bíblias, a SBB se destaca por sua atuação no campo da ação social. Desde 1962, quando inaugurou o barco Luz na Amazônia para prestar assistência espiritual e social aos ribeirinhos, a SBB tem desenvolvido inúmeros programas sociais que atendem a diferentes segmentos da população como estudantes, índios, presidiários, enfermos e deficientes visuais. http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=3

Durante muito tempo na história dos homens, os contrários a sã doutrina usaram e abusaram de todos os meios para impedir que a palavra de Deus chegasse ao conhecimento dos povos, mas o cumprimento do que nela está escrito, jamais a deixaria falhar. “Assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei” Is. 55:11... “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” Am 8:11.

Monumento da Bíblia - Prata PB
Salve o segundo domingo de dezembro: DIA DA BÍBLIA!

Pombal, 09/12/2010

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AS ELEIÇÕES DE ANTIGAMENTE

Eronildo Barbosa (Foto)
Eronildo Barbosa*

As eleições, felizmente, mudaram muito nas últimas décadas. O rigor da legislação eleitoral e a introdução de novas tecnologias permitiram ao eleitor um pouco mais de liberdade e conforto para escolher e votar no seu candidato.

O advento da urna eletrônica foi uma ideia relevante. Ela tem sido a responsável para que as votações e apurações dos pleitos ocorram com rapidez e segurança.

Mesmo o horário eleitoral, que depois das três primeiras exibições se torna chato e repetitivo, sem falar dos marqueteiros dizendo cada palavra que o candidato deve pronunciar, além das pesquisas “maquiadas” que são divulgadas naquele espaço, se revelou uma fonte importante para ajudar o eleitor a escolher os seus representantes.

A legislação eleitoral que continua necessitando de ajustes para coibir a compra aberta ou disfarçada de votos, em qualquer eleição, mesmo naquela que só votam os filiados do partido para escolher os candidatos majoritários, vem contribuindo para diminuir os ilícitos nas eleições.

Claro que os avanços aqui mencionados só podem ser medidos se tomarmos como parâmetro as eleições de antigamente em que os eleitores tinham mais complicação para escolher seu candidato e votar.

A base das campanhas do passado eram o comício e as visitas aos chamados “currais eleitorais”, cidades e ou distritos em que os coronéis de plantão controlavam com mão-de-ferro cada voto. Daí que surgiu a história do “voto de cabresto”

Os comícios eram realizados à noite, mas em algumas cidades que tinham feiras públicas poderiam ser feitos durante o dia. O candidato se apresentava como ele era. Não havia truques de imagem, marqueteiro ou pesquisa.

Os oradores costumavam discursar gritando porque os equipamentos sonoros eram precários. Nessas oportunidades não faltavam um bêbado para criar algum constrangimento ao inflamado pregador.

O palanque era montado em cima de um velho caminhão, colocado em uma rua estreita da cidade, para “embretar” o público e passar a ideia que havia muita gente no evento.

A polícia e as demais autoridades tendiam a proteger os candidatos ligados ao governo de plantão. O político de oposição “comia o pão que o diabo amassou” para realizar atividades em cidades mais distantes.

Não eram poucas as vezes que a energia da cidade ou do distrito era desligada propositalmente para que a oposição não realizasse o evento. Isso quando não havia ameaça concreta promovida por jagunços a soldo dos situacionistas.

O dia da votação era considerado especial. O eleitor vestia a sua melhor roupa e ia garbosamente cumprir seu compromisso cívico. Antes, porém, tinha que enfrentar uma enorme fila e um exército de cabos eleitorais que se postava estrategicamente em torno dos locais de votação para cabalar votos.

Os filiados do PTB, UDN e PSD, os principais partidos até 1965, iam para as ruas com paixão. Havia mais fidelidade às agremiações. Mesmo no tempo do MDB e da Arena a lealdade continuou acesa. Depois...

Pela manhã, cedo, começavam a chegar os caminhões da zona rural lotados de eleitores. O carro ia direto para a casa do candidato ou de um cabo eleitoral importante.

Nessa casa se montava um pequeno “curral eleitoral” onde o eleitor tinha a sua disposição comida e bebida o dia inteiro. Só saia de lá para votar, com a cola no bolso, sob a supervisão atenta de um homem da confiança do candidato.

A compra de voto não era escancarada como nos dias de hoje. Havia limite. O eleitor considerado fiel costumava receber um corte de pano, um óculos, uma prótese dentária, botina ou outro mimo.

O processo de apuração dos votos era manual. Demoravam-se vários dias para que os sufrágios fossem contados. Havia um locutor oficial para divulgar os resultados parciais.

Entre uma parcial e outra os votos migravam de candidato. Os escrutinadores combinavam entre si e garfavam facilmente os sufrágios que desejavam. Tinham casos em que todos os votos de um determinado município eram direcionados ilicitamente para um candidato.

Hoje, quando as pessoas votam em poucos segundos e o resultado total da eleição é publicado em seguida, sem o assédio dos cabos eleitorais e outros inconvenientes, é difícil acreditar que no passado recente as eleições eram uma verdadeira guerra.

*É doutorando em educação e autor do livro Sindicalismo em Mato Grosso do Sul: 1920-1980

SEIS DE DEZEMBRO: DIA NACIONAL DO EXTENSIONISTA RURAL

Verneck Abrantes (Foto)
Verneck Abrantes de Sousa*



Algumas Lembranças...


Trabalhando na Extensão Rural paraibana, vivenciei muitas histórias por onde andei, conheci incontáveis pessoas, cidades e lugares inesquecíveis. Fui pioneiro na EMATER-PB, junto com Marcondes Correia, Francisco Veras, Bezerrinha, Johannes, Genival Soares, Edmilson, José Marinho, Paulo Padilha, na elaboração e implantação de projetos técnicos de irrigação para pequenos produtores rurais. No tempo em que tudo era calculado na ponta dos lápis. Na execução dos projetos, as visitas se estendiam pela manhã, à tarde e ocasionalmente, entrava pela noite quando nos baixios irrigados, iluminados pela lua ou o farol de um velho jipe, fazíamos teste de vazão do poço amazonas, a determinação da pressão de serviço do aspersor, a retirada de perdas localizadas na tubulação, o ajuste da altura monométrica total, etc., etc.

A satisfação do produtor:

- Doutor, o moto-bomba é bom demais! A gente liga o danado de macaca batida, ele roda zunindo os aspersores e vadeia com a água no mundo.

Tempos bons, mas, onde anda nossos primeiros parceiros irrigantes? Seu Alvino, Biano, Zé Moreno, Chico Ferreira, Dedé Duarte, Tristão, Seu Adalço, Melquides... Alguns já se foram... Ainda sinto saudades quando da satisfação de cada um vendo a produção das culturas de algodão, milho e feijão sendo triplicadas por hectare. Depois, fazendo Extensão Rural nas áreas irrigadas ou de sequeiros, vivi situações inusitadas pelos caminhos do sertão: Socorri de queda mulher grávida na seca de 1983, quando caçava um camaleão em cima de uma ingazeira para amenizar a fome; fiz acordo de vizinhos jurados de morte; cheguei num sítio com 75 inscrições para “fichar trabalhadores da emergência” e me deparei com mais de 200 pessoas. Depois, ainda fiquei no meio de tiroteio quando do pagamento da “emergência”. Dei nome de planta à criança recém nascida; conheci muitos rios e riachos de inverno a verão; emiti laudo de perdas na mata fechada e espinhosa, onde só podia ir de burro ou cavalo; soltei passarinho engaiolado, cachorro amarrado no sol quente; saí muitas vezes antes do sol e voltei com a lua e as estrelas. Já me perdi pegando atalho errado, mas depois, me achei no caminho certo. Pela estrada de terra batida sofri virada de carro; na caatinga seca, longe de tudo, fiquei com o carro quebrado onde só se ouvia o tinido do chocalho de uma vaca, distante, quase inaudível. Corri com medo de touro brabo, vaca de bezerro novo; socorri mulher com dor de parto; abri e fechei incontáveis cancelas; entrei em casebres e me emocionei com a fome e a miséria. Vivi a tristeza das irregularidades das chuvas de inverno, vendo tudo que se plantou se perdendo. A seca torrando ainda mais a terra ressequida, a tormenta da falta d’água, o gado morrendo de fome, homem e animais silvestres migrando e as famigeradas “frentes de emergências”. O sertão abrasador das cactáceas, dos mandacarus, das macambiras, dos pereiros, faveleiras, angicos, jurema preta, catingueiras... Também, vivi o esplendor das chuvas de inverno, bem relampejadas e trovejadas, fazendo renascer das cinzas às flores e o verde escuro da vegetação nativa. O plantio no solo arado, a alegria das colheitas, o aboio do vaqueiro, vacas paridas, piracema de cumatã, o perfume do mato verde e das flores silvestres em meio à sinfonia dos cantos dos passarinhos. A chuva exalando o cheio da terra molhada para satisfação do trabalhador... Um dia, remexendo nas gavetas, revendo velhos papeis, a minha filha, ainda criança, pega um cartão amarelecido pelo tempo e pergunta:

- Quem é Chico Rodrigues?

Sim, os velhos Cartões de Natal e Ano Novo que recebia dos produtores rurais: Chico Rodrigues do Bom Sucesso. O tempo... 30 anos já se passaram e ai vai toda uma vida marcada pelo trabalho no semi-árido paraibano. Diante disso, a certeza de que foram muitos os caminhos por onde andei, incontáveis propriedades visitadas, a dinâmica da comunicação, o semeio de muitas amizades, sementes plantadas, produções colhidas e, sem dúvida, uma grande experiência vivida com pessoas memoráveis e lugares que jamais serão esquecidos.

Em meio a tudo isso, os Escritórios da EMATER e nossos famosos Relatórios de Compromissos: Plano Anual de Ação, Relatório Diário do Executor, Cadastro dos Produtores, Folha de Freqüência, Relatório de Crédito Rural Orientado, Informativo Mensal de Preços, Controle de Quilometragem do Veículo, Prestação de Contas, Relatórios de Informações Mensais das Atividades, Fundação Getulio Vargas, Pesquisa Semanal de Preços da CONAB, Campanha de Vacinação, Laudos Emitidos e Encaminhados ao Banco do Nordeste, Guia de Tráfico Animal, Reuniões, Avaliações, solicitações outras incontáveis.

Ainda ressalto que na Amazônia, com os colegas Baracuhy e Beranger, implantamos projeto agroflorestal em 14 aldeias dos índios Munduruku/Sateré, mais uma convivência inesquecível...

Em meio a tudo isso, entre perdas e ganhos, acredito no dever cumprido e no trabalho da Assistência Técnica e Extensão Rural, que reflete dedicação, paciência, perseverança, o amor à natureza entre outras qualidades intrínsecas desses abnegados Extensionistas, que dos tempos idos, vem trabalhando incansavelmente na busca do desenvolvimento rural brasileiro.

Essas lembranças me chegaram porque outro dia, caminhando pelo centro de Campina Grande, me deparei com um colega dos tempos de faculdade. A velha e boa amizade nos conduziu a uma conversa descontraída, e depois de algumas recordações prazerosas, prosas e lorotas, ele me perguntou:

- O que vocês fazem na EMATER?

*Verneck Abrantes de Sousa
É da ABER - Academia Brasileira de Extensão Rural

Com Sede em Brasília-DF

A ACADEMIA BRASILEIRA DA EXTENSÃO RURAL é uma organização voltada para construção, promoção e socialização da extensão rural no Brasil, com o objetivo de desenvolver programas especiais, em universos da ciência, cultura e da arte, com edições especiais de biografias, com a promoção de seminários e conferências em temas e áreas relacionadas à Extensão Rural; construir e socializar acervo sobre a história e horizontes futuros da extensão rural brasileira, reportar a abrangência de atuação dos extensionistas rurais e seu papel na implantação das políticas voltadas para o desenvolvimento sustentável; elaborar, editar, publicar e distribuir revistas, livros, artigos, cartilhas, vídeos e afins.